Em seu blogue, Rodrigo Constantino publicou, sob o
título “O simbolismo dos punhos cerrados”, um texto e algumas imagens (estão
abaixo) a pretexto das poses em que se deixaram fotografar Genoíno, Dirceu e
outros tantos mais antigos.
Braços levados ao alto em público - ambos os braços
ou apenas o esquerdo ou o direito, estejam os punhos cerrados, estejam as mãos
abertas ou entrelaçadas - costumam ilustrar propagandas de desodorantes. Que, em
geral, pretendem transmitir uma sensação de poder, liberdade, sensualidade,
alegria, frescor, bem estar... mas são de muito mau gosto, estúpidas, cafonas,
ridículas, algumas até mesmo asquerosas se bem observadas.
Propaganda de perfumaria não é feita para inspirar
lágrimas. Nem é feita para provocar risadas. É feita exclusivamente para vender
perfumaria. Mesmo que o produto seja inócuo ou seja nocivo.
Braços erguidos são também recomendados em manuais de
propaganda de perfumaria política. Se super-heróis de araque são flagrados por
fotógrafos com os braços nessa posição, mesmo que a legenda se diversifique,
alguma perfumaria alguém nos estará querendo vender. E a propaganda será
distribuída por todos os meios possíveis, porque é importante que a imagem se
fixe atrás de nossa retina. Nem sempre o produto se põe evidente, e por muitos
de nós será comprado não por ele mesmo, mas pelas alegadas vantagens materiais e
imateriais que nos traria se fosse aceito e usado sem moderação, vantagens que
serão levadas muito a sério. Tal como são levadas a sério as supostas vantagens
de tudo e mais um pouco que preenche em vão os nossos dias
vãos.
Bem que a propaganda, qualquer propaganda, de
qualquer coisa, se fosse mais inteligente, poderia servir não só para estimular
o consumo, mas para também estimular o público a ser um pouquinho mais exigente,
mais crítico e a reagir. Nem que o estimulasse apenas a sair em busca da
estética perdida. Especialmente quando fosse a propaganda de uma perfumaria
política.
Como consumir é bom, e como ninguém por aqui está a
fim de reagir, continuaremos a produzir e a admirar as propagandas, a acreditar
que elas nos indicam o que nos abrirá caminho à terra prometida tal como Moisés
teria afastado as águas do Mar Vermelho, continuaremos a colecionar produtos
propagandeados como essenciais à nossa sobrevivência e a trocar figurinhas,
todas elas com os braços apontando para cima.
E continuaremos a chamar, como já chamamos, essa
prática lúdica, que, barata ou cara, custa-nos não menos que a vida, de prática
política.
Aliás, pior ainda: consideraremos, para todo o
sempre, essa prática como muito bela, muito sadia e essencialmente democrática.
VaniaLCintra






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