Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Na confusão da Operação Carne Fraca, erram empresas, governo e polícia

Igor Gielow
Folha
Em uma era de efemeridade condicionada por cliques, o imbróglio da Operação Carne Fraca parece fadado a virar modelo de estudo: todos os atores envolvidos estão errados, a despeito da troca histérica de acusações. Comecemos pelas empresas. Se obviamente não são o Leviatã, nem todos os erros da Polícia Federal são capazes de ocultar a barbaridade do crime apontado.
Houve corrupção até aqui aparentemente bem apurada para afrouxar processos de controle de qualidade de produtos alimentícios e um provável esquema de abastecimento de partidos políticos, sempre eles.
Claro, não se tratou de misturar papelão a carnes processadas, como já está claro, mas nem por isso deixa de ser alarmante ver a facilidade com que fiscais são corrompidos e o papel de gigantes do setor no enredo.
COISAS DIFERENTES – O argumento segundo o qual devemos confiar na carne brasileira porque ela é aceita lá fora, trombeteado por empresários e pelo governo, é risível.
Primeiro, porque soa como uma admissão de incapacidade nos certificados locais, em particular os emitidos por Estados e municípios. Segundo, porque uma coisa é a carne que vai para fora, outra é a que abastece o mercado interno.
Passemos ao governo. Na instância de investigação, apesar do óbvio interesse público na apuração, é cristalina a falta de cuidado e os exageros em sua condução e divulgação.
VOLUNTARISMO – A entrevista dos delegados foi sofrível e alarmista, e o fato de que não foram pedidos dados técnicos do Ministério da Agricultura ao longo dos dois anos do caso mostra mais do que zelo com eventuais vazamentos: indica o voluntarismo que retomou o protagonismo de algumas ações depois do sucesso institucional da Operação Lava Jato (esta também eivada por excessos pontuais).
Os números gigantes do setor não sustentam o discurso de que ele precisa ser preservado. O problema está na generalização das acusações, daquelas que “pegam” com velocidade assustadora e têm efeitos reais: num mercado competitivo, é óbvio que concorrentes estimularão países a se fechar para o produto brasileiro —ainda que, como demonstrou Mauro Zafalon, a coisa tenda a se resolver rapidamente por uma questão de oferta e demanda.
VACA LOUCA – Por fim, o governo enquanto entidade reativa. Michel Temer e Blairo Maggi (Agricultura) deveriam ler algum dos vários estudos feitos na esteira da debacle comunicativa do Reino Unido quando o país foi atingido pelo episódio da vaca louca, em 1996.
Naturalmente, não há comparação de escopo de segurança sanitária entre os dois casos, já que a vaca louca era (e é) uma ameaça gravíssima à saúde pública. Mas falo no fundo da mesma coisa, que é como lidar com uma crise de confiança.
Rememorando: no caso britânico, durante anos houve a suspeita de que uma doença degenerativa cerebral chamada encefalopatia espongiforme bovina teria se originado no consumo, pelo gado, de uma proteína infecciosa moradora do sistema nervoso de ovinos contaminados – restos de medula e cérebros chegavam aos bois e vacas por meio de ração até os anos 80.
DOENÇA FATAL – Nos anos 90, começaram a surgir casos em humanos de um mal semelhante, chamado vCJD (variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob, na sigla inglesa).
Em 1996, o governo admitiu o elo possível: as pessoas poderiam ter comido carne contaminada e desenvolvido a doença, incurável, fatal e agressiva. Foi ordenada uma matança de rebanhos, mas o estrago era inevitável: três anos e meio de embargo à carne britânica.
Eu estava no país havia poucos dias, como correspondente da Folha em Londres, quando o governo fez o anúncio. Houve pânico, redes de fast-food e restaurantes de carne ficaram às moscas, e a comunicação oficial era opaca. Ministros assegurando a “qualidade da carne britânica” lembravam, e muito, membros do governo Temer hoje.
O MEDO PERMANECE – Efetivamente, a vaca louca não virou uma epidemia nem forçou a criação de um “ministério da eutanásia”, como alguns sugeriram lá atrás. Mas o medo, justificável dada a gravidade do mal, permanece até hoje —Alemanha, França e até Brasil, entre outros, tiveram de lidar com suspeitas ao longo dos anos.
Um dos bons estudos sobre o que ocorreu se chama “A Crise da Vaca Louca – Saúde Pública e Bem Público” (1998), coordenado pelo posteriormente chefe da área de saúde da gigante cervejeira AB Inbev, o médico americano Scott Ratzan.
Nos artigos do tomo, fica claro o diagnóstico de que os governos não podem exagerar na retórica do “está tudo bem” ao enfrentar uma crise. Quando se trata de sua saúde, é importante ser firme na convicção de que está sendo feito o melhor e tentar dimensionar ao máximo o tamanho do problema, mas o público tem o direito de permanecer com suspeitas e as autoridades precisam ser simpáticas a isso.
MINIMIZA A CRISE? – A cada notícia de que “o Planalto minimiza a crise”, sobrancelhas se levantam na plateia. Também não adianta muito cobrar a direção da PF ou espalhar o apocalipse vindouro na balança comercial.
Até aqui, as coisas se resolviam tecnicamente neste campo, como nas duras negociações com mercados fechados devido a surtos de febre aftosa. Mas a entrada em cena de elementos como corrupção e a apuração policial, no Brasil pós-Lava Jato, mudaram o patamar.

Se o problema for restrito mesmo só à fração mínima de frigoríficos em questão, que isso seja esclarecido didaticamente e que a lógica do mercado descrita por Zafalon faça o resto. Isso pouparia o governo de vários constrangimentos, a começar por ter de ver Temer num rodízio com embaixadores no domingo à noite e diversos países anunciando a suspensão da compra de carne brasileira na manhã seguinte. E a população seria melhor atendida.































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Entre a cilada e o fio

Valentina de Botas:
A corrupção é cultural, uma apropriação cultural, na infeliz expressão famosinha? A expressão teve destaque na redessociolândia – o mundinho que pensa conter o mundo e não que está nele contido – e na imprensa pouco antes do Carnaval, quando uma jovem branca usando turbante foi assediada no metrô por uma militante negra que a acusava, “enquanto não negra”, de usurpar um símbolo da cultura negra. Os coletivos e o restante dos opressores porta-vozes dos oprimidos escreveram textões ampliando a denúncia em flagrante prática do que os intolerantes combatem: a não ser que sejam todos sumérios, povos ao quais se atribui a invenção da escrita e que habitavam a Mesopotâmia ou a Ásia atual, escrever aquela inutilidade é um ato de apropriação cultural.
No belo “História Ilustrada do Vestuário”, publicado pela Publifolha em 2009, as pesquisadoras americanas Melissa Leventon e Livia Almendary, com lindas ilustrações de Auguste Racinet e Fiedrick Hottenroth, informam que o turbante não tem data e local de nascimento definidos, mas tudo indica tempos pré-cristãos e uma origem asiática, e não africana. Os africanos fizeram uma versão linda e, ao contrário dos asiáticos, eram as mulheres que o usavam. Os gregos antigos tiveram o seu e idem a moça branca do metrô que o usava à espera do crescimento dos cabelos ceifados pela quimioterapia. Essa antítese da estupenda capacidade dos grupos humanos de produzir cultura esboroando o insustentável princípio da pureza – porque se interseccionam e se transformam no que reconhecem e estranham entre si e dentro de si fazendo disso o fio no labirinto imaginário da civilização – ameaça a nossa macarronada de domingo na tara patológica dos movimentos esquerdistas em patrulhar a vida privada e as escolhas individuais.
E daí? Nada, só a cultura da intolerância e do desconhecimento cuja semeadura encontrou chão e clima propícios na clivagem artificial do nós x eles inaugurada pelo lulopetismo, no ofício dos tiranos em fomentar a estupidez. O Brasil, como labirinto imaginário de cada brasileiro, nunca fora um só, mas a nação heterogênea só tivera o bem e o mal em lados estanques sob regimes autoritários em que os donos do poder declaram-se “nós”, o bem. Sob os governos do PT, o país se esgarçou a ponto de os brasileiros mal se reconhecerem como nação e às margens do abismo. Enquanto o PSDB, essa Geni da política que apanha da esquerda e da direita, uniu a população na formidável implantação do Plano Real, o PT dedicou 13 anos à estratégia obsessiva de dividir o país para tiranizá-lo. Todos iguais? A seita que apregoava ser diferente provou no poder que nenhum gangsterismo se iguala a ela e está conseguindo forjar a igualdade embusteira para fragmentar seu legado criminoso inigualável. Se essa canalhice subjacente à corrupção disseminada triunfar, a Lava Jato terá sido mais uma esperança ou fio perdido no labirinto.
A clivagem seminal alcança a reforma previdenciária cuja rejeição no Congresso invalidará a PEC do teto dos gastos, já que este desabará sob o déficit previdenciário: segundo o ótimo Mansueto de Almeida, sem a reforma da Previdência, em 2024 a arrecadação da União ou pagará pensionistas ou contemplará os outros itens do orçamento. A coisa é complexa, claro, mas não deveria se prestar à ideologização e a clichês vazios do bem contra o mal, e sim unir a nação e mereceria integrar a pauta-mosaico dos brasileiros de bem que irão às ruas no dia 26 dando a si mesmos a oportunidade de reconhecer que, no mínimo, temos governo desde a saída tardia daquela senhora infeliz que fala suíço e, ainda que se faça a ele a sempre necessária oposição a qualquer governo, este difere dos dois anteriores na própria disposição de fazer reformas.
Mas Temer e quem o apoia podem contar com a má vontade imparcial e a antipatia isenta de quase toda a imprensa para qualquer decisão e com os ataques das corporações do funcionalismo e dos políticos para garantir a sacrossanta aposentadoria integral arrancada da miséria dos aposentados da iniciativa privada, ignorando que tudo foi profanado e a única garantia é ninguém receber mais nada.
Não sei se a corrupção é cultural, o que sei é que cultura também se transforma ou a escravidão ainda seria prática corrente até hoje. Ora, os sistemas culturais, para continuar a fazer sentido em dada sociedade, mudam no tempo porque ela também muda, ambos são históricos portanto. A cultura naturaliza práticas. Tão corriqueira no Brasil, a corrupção foi naturalizada e seus adeptos reagem não apenas ao combate a ela, mas também ao da percepção histórica, autossustentável e autorrealizável: o odioso, conveniente, simplista e falso todos-são-iguais.
Os brasileiros que desafiam essa percepção, buscando um mínimo de racionalidade, ordem e ética no cotidiano, celebramos a Lava Jato porque ela demonstraria que, ainda que fossem todos iguais, há coisas que só o PT, o imperador da propinocracia transnacional, pode fazer: destruir o país não só por roubalheira, incompetência e nefasta visão de mundo, mas também perpetuando aquela percepção que, senão cultural, se pretende imutável.
O diabo é que a lentidão da Justiça dá a sensação de haver menos punições do que prometem sucessivas delações-do-fim-do-mundo, depoimentos-bomba, coletivas de imprensa e vazamentos sem contexto e isso abandona o país numa neblina em que nuances se perdem, o pensamento fica abrutalhado pela sensação de exaustiva urgência diária e a preciosa visualização de uma custosa recuperação já palpável se esfumaça. Há quem pense que os leitores, e não a Justiça, julgarão antes. Pode ser. Mas então Maluf, Renan e Collor, representantes daquela corrupção de raiz e ausentes da lista “nutella” de Janot, têm sido inocentados sucessivamente.
Quando Rodrigo Janot descarta a delação de Leozinho Pinheiro, alegando vazamento e, no entanto, mantém a dos executivos da Odebrecht que originou a sigilosa lista cujo solene vazamento nos devolve ao nebuloso são-todos-iguais, a opacidade dos critérios preocupa. Ademais, um Procurador-Geral, cujo escopo das atribuições não contempla “depurar o sistema político”, pois o faria necessariamente segundo uma orientação política e aí, Santo Deus!,  que comemora numa carta dispensável os três anos de uma investigação que identificou o comandante máximo da roubalheira, mas o deixa solto para fazer comício até num depoimento, deveria, máxima vênia, ir catar coquinho.
Depois da adulteração de remédios, gasolina, leite, democracia e da história, as instituições deveriam clarear a neblina. Só que os brasileiros alarmados descobriam em dois dias o que a Polícia Federal não soube em dois anos de investigação: “carne podre” é jargão para carne sem inspeção, e não estragada; o papelão é o da embalagem da carne, e não uma mistura ao produto; os tais ácidos ascórbico (tipo um redoxon) e sórbico não causam câncer; dos vinte e um frigoríficos suspeitos de irregularidades, três foram interditados num mundão de quase 5 mil estabelecimentos; cabeça de porco, a fraudadora de salsichas, é uma iguaria. A imprecisão e o alarmismo da PF parecem mais graves do que os crimes que ela denunciou. Contudo, ela não ficaria melhor no retrato se a coisa toda for como apresentou, pois então os investigadores terão permitido que a população consumisse produtos perigosos por dois anos.
A cultura rala do são-todos-iguais é uma cilada que nos impede de nos apropriarmos de coisa muito mais substanciosa: nosso belo dever de imaginar que há um labirinto e um fio (Jorge Luis Borges).























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EU, MULHER PRETA, CANSEI DA ESQUERDA

por Patrícia Silva.
Cansei. Cansei de ouvir pessoas dizerem o que eu tenho que fazer, o que e como eu tenho que pensar, com quem devo me associar e quais ideias devo seguir.
Cansei de ouvir militantes do movimento negro dizerem como meu cabelo deve ser. “Não alise seus cabelos!”, eles disseram. Cansei!
Cansei de ouvir feministas dizerem que mulher pode ser o que ela quiser, menos se declarar não feminista. Aparentemente, você, mulher, é obrigada a ser feminista. Sua cabeça, minhas regras.
Deus, como estou cansada!
Cansei de ouvir socialistas/comunistas classificarem como alienados ou ignorantes todos os pobres, negros e gays que não são alinhados à esquerda do espectro político. Na visão vitimista desses seres iluminados, somente o combo “homem-branco-heterossexual-classe média-morador do Leblon” pode querer ser o que quiser. Será que não percebem a incoerência nisso? Será que não percebem que essa massacrante rotulação é só mais uma forma de opressão do livre pensar? Aliás, quem eles pensam que são para determinar o que outros indivíduos devem pensar?
Cansei. Estou farta da patrulha ideológica.
Desejo que você possa pensar de forma livre.
Desejo que você possa ser o que quiser. Use e abuse da sua individualidade. Seja livre!
Desejo que, em nome da liberdade individual, respeitemos todos os pensamentos e todos os indivíduos.
E eu desejo isso porque me inspiro em Ayn Rand, que disse: “A menor minoria na Terra é o indivíduo. Aqueles que negam os direitos individuais não podem se dizer defensores das minorias.”
E digo ainda: grito que cansei inspirada no jornalista e escritor brasileiro Luiz Gama: “O escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa.”
Entenda: ser liberal não é gostar de todas as escolhas das pessoas, mas entender que não é porque eu não as aprovo que eu tenho o direito de proibi-las.
É como já disse a fantástica escritora Clarice Lispector em sua obra “Água Viva” (1973): “escuta: eu não te deixo ser, deixa-me ser então”.
Sobre a autora: Patrícia Silva é Doutora em Educação pela UFF com realização de estágio doutoral na Ohio University. Trabalha como Pedagoga na Escola de Serviço Social da UFRJ. É uma das administradoras da Libertas, página do Facebook que tem como objetivo a apresentação de estudos sobre o liberalismo na educação e os ideais de liberdade.





































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"Os megassalários da elite burocrata" ,

 por Gil Castello Branco O Globo
É conhecida a história de Henry Ford, engenheiro americano que revolucionou a indústria automobilística. Criou a “linha de montagem”, aumentou a produtividade, reduziu custos e democratizou o automóvel. Pagava bem aos seus funcionários, mas repetia com frequência: “Não é o empregador quem paga os salários. Ele só os entrega. Quem paga os salários é o cliente.” Faz sentido...

A administração pública, porém, não funciona assim. A burocracia parece um fim em si mesma. Com o país em recessão e mais de 12 milhões de desempregados, as despesas com pessoal do governo federal podem ser as primeiras a extrapolar as regras da PEC do teto. Ou seja, para acomodar a expansão das despesas com os servidores, o governo terá que cortar em outros setores como obras, equipamentos, programas sociais etc.

Nada é mais grotesco, porém, do que os megassalários recebidos por uma minoria de privilegiados. O artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal determina que as remunerações nos Três Poderes, bem como os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Nos municípios, o teto é o salário do prefeito. Nos estados, o subsídio do governador para o Executivo e dos desembargadores para o Judiciário, aplicável aos membros do Ministério Público, procuradores e defensores. Mais claro, quase impossível!

No Brasil, entretanto, diz-se que a Constituição não é para ser cumprida, e sim interpretada. Dessa forma, é considerada “extrateto” uma série de penduricalhos “legalmente” instituídos. A transparência também não é das melhores. A título de exemplo, em São Paulo, no maior tribunal estadual do país, as tabelas de detalhamento da folha de pagamento estão disponibilizadas em 201 páginas, em PDF e sem ordem alfabética. O contracheque dos magistrados paulistas tem como paradigma o valor de R$ 30.471,11. Em janeiro de 2017, entretanto, de uma amostra de 287 desembargadores, 256 tiveram rendimentos líquidos acima de R$ 50 mil, após todos os descontos. Uma desembargadora amealhou líquidos R$ 107.485,00.

O tribunal explica que “existem vantagens pessoais albergadas pelo princípio da irredutibilidade de vencimentos e que são pagas em consonância com as Resoluções 13 e 17 do Conselho Nacional de Justiça”. Além disso, “magistrados e servidores do Judiciário fazem jus a verbas indenizatórias (auxílios previstos em lei) e ao abono de permanência, que se agregam ao total da remuneração que não estão submetidos ao teto constitucional”. Enfim, tudo legal!

Em Brasília, cidade que está sob racionamento de água, em decorrência da falta de investimentos hídricos ao longo dos últimos anos, advogada da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) recebeu, em janeiro de 2017, remuneração de R$ 95.066,17. Em fevereiro, foram R$ 53.390,76. A empresa argumentou que não recebe recursos do governo e que a Lei Orgânica do DF lhe concede liberdade para fixar salários. O que a Caesb parece não entender é que o bolso é um só. Na prática, sejam recursos do DF ou das tarifas, quem os banca é o cidadão, sem água...

Aliás, esse episódio nos leva a uma questão relevante. É de suma importância que todos os estados e a União divulguem os salários dos funcionários das suas empresas, principalmente das monopolistas. Atualmente, poucos o fazem.

Conforme pesquisa do jornalista Pieter Zalis, da revista “Veja”, em setembro do ano passado, mais de 5.200 servidores ativos do Legislativo, Executivo e Judiciário ganharam acima do teto constitucional, sem contar os aposentados, pensionistas e marajás dos Três Poderes nos estados e municípios.

Para reduzir essa farra, em dezembro de 2016 o Senado aprovou três projetos de lei que deixam claro o que está ou não incluído no tal teto. Passa a ser ato de improbidade administrativa pagar acima do limite constitucional, e os órgãos ficam obrigados a divulgar as parcelas das remunerações em dados abertos, manipuláveis e bem detalhados. Até ontem, porém, dois desses projetos ainda não tinham relatores na Câmara e o terceiro foi apensado a um de 2009. Dá para perceber que aumentar despesas é muito mais fácil do que cortá-las.

Parodiando Henry Ford, não é o governo que paga os salários dos funcionários públicos. 

Ele apenas os transfere. Quem paga são os contribuintes. E o fazem indignados por bancarem salários de marajás, tão legais quanto imorais.

















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"O crime que salva"

Carlos Andreazza:  O Globo
O parimento do caixa 2 do bem merece nossa melhor atenção, leitor. Se não chega a ter ferramentas para esculpir o que chamam de anistia, é sob sua relativizada sombra que se pretendem curar, afinal, os políticos queimados, em graus variados, pelas delações dos executivos da Odebrecht.

O argumento de defesa — que transforma o caixa 2 do bem em instituto de sobrevivência — já irmana a caciquia e está na boca tanto de Lula quanto de FHC: parte da admissão de que, sim, os partidos receberam doações eleitorais não declaradas, mas para logo apresentar a ressalva de que as aplicaram integralmente nas campanhas — o que configuraria crime eleitoral, de punição branda. FHC é ainda mais generoso e não chama o troço nem de ilícito, mas de erro. E todos — alguns com razão, porque outro não cometeram — querem esse erro para si. É sonho comum a culpados maiores e menores; o crime que salva.

Esse é o caixa 2 do bem, a ser vendido como delito modesto, de cuja admissão e estabilização os políticos já tentam desdobrar o golpe de uma reforma política que nem é reforma nem política. O problema, assim, não seria a prática deturpada, o hábito descarrilado dos homens públicos, o modo como perverteram o sistema, mas o próprio sistema; que será — é o que se arma — transtornado em nome da preservação dos costumes.

A coisa, porém, é complexa. Porque há também o caixa 2 do mal: aquele que equilibra, tão real quanto valioso à narrativa de sobrevivência; aquele que, em confronto, humaniza o do bem; aquele que tem a mesma origem desviada — a doação ilegal —, mas que descamba do mero crime eleitoral para a vala do penal, propina, corrupção passiva, lavagem de dinheiro etc.

Avizinhamo-nos, pois, de um momento decisivo para o futuro da Operação Lava-Jato: o de enquadrar. Porque, uma vez aceitos os inquéritos propostos pelo procurador-geral da República, caberá ao Ministério Público Federal a responsabilidade vital de detalhar — de esmiuçar e amarrar — a natureza criminal, se eleitoral e/ou penal, do caixa 2 de cada um dos investigados, tipificar caso a caso, e então oferecer ao Supremo denúncias cuja solidez depende de serem singulares e específicas. O assombroso castelo de indícios e suspeitas está erguido. Todo o rigor agora deságua no rigor de ter de provar. O trabalho — arrisco escrever — mais importante da história do MPF; desafio, sem alternativa, para o qual a condução espetacular da Lava-Jato o levou.

Não é impossível, mas será difícil coletar provas capazes de capturar — tecnicamente — políticos no caixa 2 do mal. Do sucesso desse enquadramento, porém, depende que não tenhamos chegado até aqui apenas para testemunhar a festa generalizada dos multados eleitorais, farra que a sociedade compreenderá como mais um triunfo da impunidade. 

Desse esforço de discernimento, que se comprometeu em destrinçar até os eventuais submundos do caixa 1, depende que não tenhamos criado somente as condições radicais para que os políticos, os mesmos que se quer defenestrar, premiem-se com o duplo advento — o sonho do PT — de financiamento público de campanha eleitoral e voto em lista fechada. Desse empenho depende também, por outro lado, a segurança — o sentido de justiça — para que entendamos e aceitemos que nem todos são grandes criminosos; em outras palavras: que admitamos a existência dos desprezíveis que, no entanto, somente praticaram crime eleitoral.

Há nuances. Há — muitos mais — riscos. E não há caminho de volta.

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Quando ouvir falar em reforma política, leitor, tenha certeza de que o querem enganar. Não há reforma política em debate; mas, sim, um movimento oportunista para garantir, com vistas a 2018, a viabilidade econômica dos partidos políticos conforme os conhecemos hoje e reforçar o poder — a blindagem — dos patriotas que os controlam. É golpe.

O que se pretende agora é impor, a toque (ops!) de caixa, um novo sistema para financiamento de campanhas eleitorais. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, explicando por que é filiado ao Democratas, foi direto: “A democracia precisa de dinheiro.”

A solução encontrada e já encaminhada, aliás, transforma Maia, expoente daquele que deveria ser o partido liberal brasileiro, em petista de carteirinha: financiamento público de campanha eleitoral — o que, a persistir o modelo de reparte corrente, dará ao PT o maior quinhão do dinheiro (proveniente do Tesouro Nacional) — e voto em lista fechada, o que assegurará aos políticos que o brasileiro quer cassar o domínio absoluto sobre quem representará o brasileiro no Parlamento. Você vota nas abstrações PT, PMDB, PSDB ou DEM — e transfere aos materialistas Lula, Jucá, Aécio e Maia, gestores do dinheiro público que bancará as campanhas, o condão de escolher quem será ou não deputado.

Anote, leitor: ainda sentiremos saudade do financiamento empresarial de campanhas eleitorais; e de votar em Chico Alencar e levar Jean Wyllys de brinde





























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"O silêncio dos culpados",

por Fernão Lara Mesquita O Estado de São Paulo
Esta quarta-feira, 15, foi daqueles dias em que os fatos se impuseram à“narrativa” do Brasil com uma contundência de doer. Capital por capital, cidadezinha por cidadezinha, giro após giro das TVs pelo País, a mesma cena: grupelhos de funcionários públicos estáveis no emprego, com aposentadorias integrais e aumentos de salário garantidos até 2020 barrando a passagem das multidões de desempregados, subempregados e empregados com empregos ameaçados (todos menos os públicos) e aposentadorias de fome (todas menos as públicas), que esperavam passivamente nas estações e nos engarrafamentos gigantes que os “donos do Brasil” em “greve geral” contra as reformas da Previdência e trabalhista lhes concedessem a graça de seguir na luta pela sobrevivência.
Um retrato doloroso, mas fiel, da nossa realidade.
Esse Brasil órfão, sem voz, abandonado à própria sorte, impedido de trabalhar, está morrendo de overdose de funcionalismo, de supersalários e, mais especialmente, de acúmulo de aposentadorias e superaposentadorias precoces. Pouco mais de 980 mil aposentados da União geram um déficit maior na Previdência que o resto dos 32 milhões de aposentados do setor privado somados. Não se sabe a quanto os 26 Estados e 5.570 municípios, com seus respectivos Executivos, Legislativos e Judiciários, empurrarão essa conta (“sem contrapartidas”!), mas somente a folha da União vai subir este ano dos R$ 258 bilhões que custou em 2016 para R$ 283 bilhões. São quase 10% a mais e como o Orçamento cresceu só 7%, isso significa que, no mesmo momento em que estão arrancando catéteres de quimioterapia das veias de doentes com câncer e abandonando-os para morrer no hospital público de referência em oncologia do Rio de Janeiro por “falta de recursos” (imagine nos “grotões”!), mais e mais dinheiro dos impostos que esses doentes pagaram é desviado das atividades-fim para os bolsos dos eternamente imunes às crises que fabricam.
Se todos os moderadíssimos cortes de despesas propostos pudessem ser executados, o governo Temer prometia aos miseráveis do Brasil que chegariam ao fim de 2017 com um acrescentamento à dívida que o Estado lhes atira anualmente às costas de “apenas” R$ 140 bilhões por cima dos R$ 2,81 trilhões a que o total já chegou. Mas os últimos “direitos adquiridos” pela casta dos “grevistas” de quarta-feira vão custar mais que isso e o governo já está desistindo de buscar a diferença com reformas, mesmo as que mantêm intacta a escandalosa desigualdade que há hoje nas contas da Previdência. Novos impostos já estão prontos para ser disparados.
Está passando da hora, portanto, de darmos uma “freada de arrumação”. As emoções da Lava Jato são vertiginosas e a delícia de ver ladrões de casaca perderem o sono uma vez na vida não tem preço. Mas esquecer o cérebro no meio do caminho é catastrófico. O primeiro ponto é manter em mente que corrupção não é mais que déficit de democracia. E democracia é controle do Estado pelo povo, e não o contrário. “O pior sistema que existe excluídos todos os outros”, como dizia Winston Churchill. A rápida evolução dessa burrada do “financiamento público” de campanhas para o seu corolário obrigatório que é a “lista fechada” é mais uma prova disso. Cassa o seu direito ao voto. O outro ponto essencial é dar a cada coisa o seu devido peso. A Lava Jato é imprescindível. Mas fingir que só ela basta para nos tirar da rota de desastre é nada menos que suicídio. Quanto é que se rouba do Brasil por fora da lei? Via Odebrecht, a rainha do nosso cupinzeiro, foram R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões em cerca de dez anos, diz a polícia. Mas sejamos realisticamente generosos. Multipliquemos esse valor por 10, por 20 vezes. Se tudo parar rigorosamente onde já chegou; se nenhuma obra mais pagar “pedágio”, funcionário inútil for contratado ou “direito” novo for “adquirido”, estaremos todos mortos e enterrados, mais nossos filhos e netos, antes que o completo cessamento da roubalheira “por fora” zere a conta do que nos arrancam todo santo mês “por dentro” com a vasta coleção de leis que só valem para “eles”.
A discussão do que realmente decide o nosso destino, portanto, nem começou. Desde o apeamento do PT do poder, só o que não depende do Brasil nos tem dado sobrevida: a saúde da economia americana, os soluços da China e das commodities, os capitais que se aventuram por juros maiores que zero. O governo Temer tem vivido de expedientes; só lhe foi dado mexer naquilo que é possível mexer sem mexer no que é preciso mexer para o Brasil voltar a respirar: repatriações de dinheiros fugidos, manipulações do câmbio e dos juros, “ajustes” de estatais arrombadas pelo incentivo à aposentadoria, raspagens de fundos de cofres do tipo FGTS para lembrar aos moribundos como é estar vivo...
A mansa passividade das multidões detidas pelas barricadas da “greve geral” de quarta-feira, estando em causa questão tão explosiva quanto é a aposentadoria em toda a parte do mundo, dá, no entanto, a medida dos sacrifícios que esse Brasil enjeitado e sem voz estaria disposto a aceitar se lhe acenassem com a menor contrapartida. Mas a função de expor, de medir, de comparar o que falta aos miseráveis com o que obscenamente sobra à casta que se apropriou do Estado não é do presidente da República, muito menos de um acidental e periclitante como o nosso que sofre represálias cada vez que ousa mover o nariz na direção do quadrante de onde vem o mau cheiro. Essa função é SEMPRE da imprensa.
Se não houvesse nenhum sinal de que tudo está derretendo de podre no reino dessa nossa “dinamarca” lá de cima já seria inaceitável que ela não fosse fuçar esse departamento dia sim, dia não. Mas no estado de arrebentação em que vai um país onde os pilotos e aviões da força aérea nacional estão oficialmente reduzidos à condição de choferes de marajás, as“assessorias” são do tamanho de governos democráticos inteiros e os salários e mordomias do Poder Judiciário competem com os dos tubarões de Wall Street esse silêncio é indecente.























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1917. E O MUNDO MUDOU PARA PIOR

. por Percival Puggina.
Se o czarismo não dava origem ao melhor dos mundos, o movimento revolucionário que mudou o regime em 1917 causou à sociedade russa um dano incalculável. E não se deu por cumprido. Levado pelo imperialismo russo, o comunismo viria a estender fronteiras, impondo-se sobre nações até então livres e irradiando genocídio, miséria e servidão. O simples registro ou narrativa dos fatos que se desenrolaram a partir do velório da Rússia czarista não podem silenciar ante o simultâneo surgimento, ali e então, do primeiro, modelar e mais letal dos coletivismos totalitários que infernizaram o século XX. O nazismo e o fascismo aprenderam do comunismo. Deveríamos estar falando mais sobre isso, sempre que mencionados os fatos ocorridos às margens frias do Rio Neva, há exatos cem anos.
 As mulheres e os grevistas que a elas se juntaram para marchar nas ruas de Petrogrado, no dia 8 de março daquele ano fatídico, pedindo pão e paz, cantavam a Marselhesa e não podiam imaginar a intensidade das forças que desencadeavam. Talvez sequer soubessem que reproduziam o mesmo hino entoado na tomada do Palácio das Tulherias, quando, nos desdobramentos da Revolução Francesa, se liberavam as forças do Terror e a guilhotina fazia rolar três cabeças a cada dois minutos. A caixa de Pandora aberta em Petrogrado seria infinitamente mais maligna. Mas é bom relembrarmos: para cada Robespierre ou Saint-Just, a Revolução Russa iria, ao longo das décadas seguintes, mundo afora, disponibilizar multidões de sanguinários ditadores e monstruosos agentes políticos. Gerações de revolucionários e intelectuais, partidos e militantes se sucederiam para disseminar uma ideologia perversa na concepção e comprovadamente ainda mais perversa na execução, em todas as suas experiências históricas.
 Talvez convenha, aqui, lembrar o velho Winston Churchill, porque é sempre uma saudação à inteligência fazê-lo. Enquanto a chapa esquentava em Petrogrado, naquele março de 1917, Lênin estava exilado na Suíça. O curso dos eventos muito o agradava, mas não podia comandá-los através, apenas, das cartas que escrevia. Ele precisava chegar ao palco. Hábil que era, conseguiu negociar com os alemães autorização para cruzar o país em direção à Suécia. Foram oito dias em companhia de outros camaradas, dentro de trem blindado, até Estocolmo e, dali, para a Finlândia e Petrogrado. Churchill, referindo-se a essa inusitada travessia de um grupo de cidadãos russos, sendo a Rússia adversária da Alemanha na guerra, comentou que tal viagem se dera "num vagão lacrado como bacilo de peste". A frase e o lacre se justificavam plenamente.
Para Lênin, a Primeira Guerra Mundial era um conflito entre interesses imperialistas com o qual nada tinha a ver. Interessava-o aproveitar as consequências da guerra na vida das pessoas para fazer eclodir o que via como fundamental - o embate entre as classes sociais com vistas à ditadura do proletariado. Foi com tal visão que convenceu os alemães a lhe darem passagem e foi com essa perspectiva que chegou ao poder supremo no final do mesmo ano. E sobreveio o Terror. E nasceu o organismo dele encarregado, a Cheka, que viria a inspirar, menos de vinte anos depois, as SA e as SS nazistas, e os camicie nere fascistas. Alguém dirá que a política não é lugar de muito bons modos, que nunca foi domicílio da verdade e que, em maior ou menor grau, a repressão, ativa ou inativa, está sempre em seu estoque de meios.
O que só o coletivismo comunista e seus dois filhotes - nazismo e fascismo - fazem, porém, é uma política em que os adversários não são pessoas ou facções divergentes. São estes também, mas, principalmente, são grupos sociais inteiros passíveis de eliminação: burgueses, proprietários, etnias, nacionalidades. E tudo (...) O final do artigo pode ser lido em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/noticia/2017/03/1917-e-o-mundo-mudou-para-pior-9750819.html














































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quarta-feira, 29 de março de 2017

VENCENDO A DOUTRINAÇÃO: A PRIMEIRA GERAÇÃO LIVRE PARA ESCOLHER

 por Ricardo Bordin.
 Chamou minha atenção um artigo de David Nammo, publicado pela National Review, onde ele traz à tona dados de uma pesquisa conduzida pelo The American Culture and Faith Institute, os quais revelam a larga aceitação dos americanos pelo socialismo (em torno de 40%) e seu apoio a bandeiras da agenda “progressista”. O articulista, diante dos números, chega a adotar um tom alarmista, afirmando que o experimento bem sucedido implantado pelos pais fundadores da América estaria ameaçado, e que tanto os valores tradicionais quanto a consciência dos benefícios do livre mercado precisariam ser urgentemente resgatados, sob pena de o projeto que erigiu aquela nação vir a colapsar.
O autor acusa, em especial, os veículos de jornalismo e as instituições de ensino superior por esta mudança no ideário popular, alcançada por meio do uso de subterfúgios como a distorção da linguagem e a inserção de pautas ideológicas em obras de ficção. E este novo panomara seria, pois, capaz de orientar a adoção de políticas públicas e a elaboração de leis em sintonia com seus dogmas estatizantes e intervencionistas, bem como influenciar o Judiciário a interpretar as normas (e extrapolar de suas funções, desrespeitando o sistema de ckecks and balances) conforme esta postura mais à esquerda de parcela considerável do povo americano.
O principal aspecto desnudado pelas entrevistas realizadas é que o maior grupo de cidadãos identificado (58% dos consultados) diz-se politically moderate (o nosso conhecido “isentão”), e, no entanto, boa parte de seus preceitos coincidem com aqueles professados pelos “liberals”(ou leftists, traduzindo da novilíngua para inglês), tanto no aspecto econômico quanto no cultural. Ou seja, há um substancial número de esquerdistas involuntários nos Estados Unidos, os quais, sem nem mesmo perceber que viraram idiotas úteis, empurram o outrora lar dos bravos na direção da América Latina – muito por conta da propaganda e da patrulha politicamente correta.
Ao final, o escriba conclama a todos que amam a terra da liberdade a disseminarem os princípios que nortearam a construção de um dos países mais prósperos da história da humanidade. Trata-se de um apelo de inquestionável importância, mas que causa menos alarde, por certo, quando levamos em conta a idade dos indivíduos submetidos ao questionário: dezoito anos ou mais, isto é, nascidos antes de 1999.
O que remete, enfim, ao título deste texto. A chamada geração Z, que engloba os nascidos de 1995 até 2010, já usufruiu do privilégio de contar com a Internet durante todo seu processo educacional, desde a alfabetização até a faculdade. Eles ainda constituem um grupo, todavia, que foi submetido durante a formação de seu caráter ao conteúdo quase monopolista e enviesado ideologicamente da mainstream mídia, bem como exposto ao proselitismo político dos militantes disfarçados de professores – ambos movimentos intensificados após a revolução de costumes dos anos 1960 – sem contar com uma alternativa, com fontes de conhecimento e formadores de opinião que contrapusessem esta lavagem cerebral de moldes gramscianos.
É somente no decorrer da primeira década deste século que começam a despontar na grande rede mundial de computadores, em número relevante e em escala planetária, comunicadores autônomos que desafiam as informações e análises contaminadas pelo esquerdismo transmitidas por TV, rádio, jornais e revistas (e suas versões digitais). É quando o Infowars.com, os vídeos produzidos pela equipe de Dennis Praguer e muitas outras iniciativas similares começam a ganhar adeptos e a concorrer pela audiência outrora cativa da imprensa ordinária (no bom e no mau sentido).
É também neste mesmo cenário que a hegemonia do discurso dos “educadores” em sala de aula começa a ser questionada por meio de alguns poucos cliques no smartphone que direcionem às páginas do Instituto Liberal, do Mises Brasil, do Senso Incomum, dentre outros. Chega ao fim o reinado absoluto dos supostos arautos do saber que mais querem saber é de lobotomizar adolescentes.
O que levanta a questão: por desfrutarem da chance de crescer e desenvolver-se podendo comparar o que afirmou o “analista” da Globonews ou o professor de História vestindo uma boina estilo “Che” com o que tem a dizer, sobre o mesmo tema, pessoas como Alexandre Borges, Flávio Morguenstern ou Rodrigo Constantino, seria esta a geração que dispõe das ferramentas para, finalmente, romper os grilhões do pensamento e não mais deixar que George Soros pense por eles?
Aparentemente, sim. São cada vez mais frequentes os casos de estudantes que não deixam passar barato desonestidades intelectuais dos docentes, graças à fibra ótica. As empresas de jornalismo, vitimadas pela mesma conjuntura, vem perdendo seguidores junto com sua credibilidade para produtores independentes estabelecidos em websites (e que não dependem de verba de anúncios estatais nem de concessões governamentais para seguir operando) como nunca dantes constatado.
Não por acaso, existe um esforço coordenado para convencer os internautas de que notícias obtidas sem o “selo de autenticidade” da mídia tradicional são fakenews características de uma era denominada “pós-verdade” – a qual aprofundou-se com a vitória de Donald Trump combinada com o Brexit. Tentativas de dificultar ou até mesmo impedir o acesso do cidadão comum à banda larga também deixam claro que a conquista de espaços, corações e mentes movida a marxismo sentiu um baque inesperado. Até mesmo perfis humorísticos de redes sociais viraram alvo do “bater de pés” indignado daqueles habituados por tanto tempo a falarem sem sofrerem réplica. A bolha estourou e seu impacto foi sentido em toda parte – até na França.
Recentemente, o irmão de um amigo e uma tia fizeram-me a mesma pergunta: quem seria o governante capaz de melhorar a vida dos brasileiros? Bom, a maioria dos integrantes desta nova geração bem sabe que a resposta é nenhum, pois aprenderam, a partir da invenção de Tim Berners-Lee, que não se deve esperar nada do Estado senão que ele mantenha-se fora do caminho entre o indivíduo e sua felicidade. A tia e o irmão do amigo? Fazem parte de uma geração “perdida”, que absorveu coletivismo e paternalismo estatal demais, e não há muito o que fazer por estas pessoas em idade já avançada.
Já os membros da geração pós-monopólio da esquerda ainda tem muito o que construir e modificar no mundo. São eles os agraciados, desde a mais tenra idade, com os instrumentos para não se deixarem incorporar pela Matrix comuna. Sorte deles – e nossa. Uma hora esse processo teria de ser invertido mesmo, sob o risco de faltar comida e papel higiênico por toda a face da Terra. Se eles vão aproveitar a oportunidade ou não, só o tempo dirá.
Avante, geração “L”, de “Livres para escolher”. Nos livrem dessa, para o seu próprio bem!






























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DIREITA E ESQUERDA EM POUCAS PALAVRAS

 por Autor desconhecido.
 Eu perguntei à filha de uns amigos o que ela queria ser quando crescesse. Ela disse que queria ser presidente. Os pais, de esquerda, assistiam a conversa. Perguntei: "Se você fosse presidente o que faria primeiro?" Ela respondeu: "Eu daria comida e casas para todos os moradores de rua". Os pais dela sorriram de orgulho e disseram: "Bem-vinda à esquerda!"
"Uau, que ideia ótima!", eu lhe disse. E continuei: "Você não precisa esperar ser presidente para fazer isso. Você pode vir à minha casa, podar o jardim, varrer o quintal e eu te pago R$100. Depois te levo ao mercadinho onde ficam uns moradores de rua e você pode lhes dar o dinheiro".
Ela pensou um pouco, me olhou e perguntou: "Porque o morador de rua não pode ir na sua casa, fazer o trabalho e você paga os cem reais para ele?"
Eu sorri e disse: "Bem-vinda à direita".






























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A CAMINHO DO BREJO

por Cora Rónai.
 Um país não vai para o brejo de um momento para o outro — como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.
Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos. Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras.
A lista não acaba.
Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.
Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.
Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.
Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.
Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.
Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais.



























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Lista Fechada + Financiamento Público dos Políticos:

recebiviawhatsapp autor desconhecido
Esclarecedor!

 "- Garçom, me veja o cardápio, por favor.

- Nós não trabalhamos mais com cardápio, senhor.

- Vocês usam uma tabuleta, você me fala os pratos?

- Não, senhor, trabalhamos agora com lista fechada.

- Como assim, "lista fechada"?

- O senhor escolhe o restaurante (no caso, escolheu o nosso), e o nosso gerente escolhe o que o senhor vai comer.

- E o que é que eu ganho com isso?

- O senhor não precisa perder tempo escolhendo.

- Mas como vou saber o que vou comer?

- O senhor come o que o gerente achar que o senhor deve comer.

- Mas baseado em quê, se ele não sabe do que eu gosto.

- Baseado nos critérios dele.

- Que são...

- Ele pode querer que sejam os pratos mais caros. Ou os que usam ingredientes que estão com prazo de validade perto de vencer. Ou os que já estão prontos. Ou os que dão menos trabalho. Isso não cabe ao senhor decidir.

- Então eu me sento e...

- Senta, come o que o gerente quiser, e paga a conta.

- E se eu não gostar do prato?

- Nós não trabalhamos com essa possibilidade, senhor. Gostando ou não, vai pagar a conta do mesmo jeito.

- Bem, acho que vou então para outro restaurante...

- Todos agora trabalham assim, senhor.

- Mas quem decidiu isso?

- O Sindicato dos Donos dos Restaurantes.

- Pois então eu não vou mais comer fora. Vou comer em casa.

- Não tem problema, senhor. Posso trazer a conta?

- Que conta? Não vou comer nada...

- A do Fundo Suprapartidário dos Restaurantes. Comendo aqui ou em casa, o senhor tem que financiar os restaurantes.

- Por que é que eu tenho que financiar vocês?

- Porque se não financiar por bem, nós vamos conseguir o financiamento de outra forma, que é assaltando o senhor - um método também conhecido como Caixa Registradora Dois. O senhor pagar diretamente é muito mais civilizado, não acha?

- E quem me garante que eu pagando vocês não vão me assaltar do mesmo jeito?

- Ninguém, senhor. Ah, não aceitamos cartão. E os 10% são obrigatórios."

























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O CRIME DO CAIXA DOIS

 por Alexandre Garcia
 Há dezenas de carros estacionados junto ao meio-fio cheio de placas de estacionamento proibido. Como aconteceu? O primeiro carro infrator estacionou e o seguinte imaginou: “já tem um, eu vou também” - e assim por diante. Por aqui, neste país sem cultura de obediência às leis, ou seja, num país de civilização duvidosa, é assim. Emílio Odebrecht é convocado pelo juiz Sérgio Moro e diz que não tratou nada com Palocci. Mas informa que quando seu pai era presidente da Odebrecht, em 1990 começaram as doações em caixa dois. Quer dizer, o pai e o filho são responsabilizados por esse espírito santo. Por aqui, é assim. Um faz, os outros fazem, mesmo sendo ilegal.
Então essa história de empreiteiras e governo, com dinheiro para os partidos, começou em 1990? Porque eu vi entrar muitas vezes no Palácio do Planalto o Murilo Mendes, da Mendes Jr, e o Sebastião Camargo, da Camargo Correia, em tempos de Geisel e Figueiredo, mas nunca se soube de alguma vantagem para alguém do governo ou do partido no governo. Tratavam de assuntos de interesse do país, naquela época. Hoje, ora, ora, o país...
Enquanto o prezado leitor me acompanha nestas linhas, é possível que os presidentes da República, da Câmara, do Senado e do Tribunal Superior Eleitoral já tenham acertado alguma coisa sobre o dinheiro para vender candidatos e comprar eleitores no ano que vem. Sempre no interesse da “estabilidade”, como ressaltou há poucos dias o presidente do TSE, Gilmar Mendes. No Congresso, querem uma espécie de anistia do caixa dois. E, pior, vão montar essa anistia no cavalo já domado do projeto de iniciativa popular de combate à corrupção. Ironia: ao anistiar caixa dois vão estimular a corrupção.
Caixa dois não paga imposto. Um depoente da Odebrecht afirma que a empreiteira pagou cerca de 13 bilhões em “doações” oriundas de caixa dois. Isso significa que foram sonegados 4 bilhões de impostos pela empresa, mais as sonegações de cada um dos beneficiários, que não declararam essa renda. Sonegações em cadeia têm que dar cadeia, porque sonegação é crime. Logo, caixa dois é crime. E se lembrarmos que esses bilhões sonegados não chegaram à saúde, à educação e à segurança - e falo só do restrito à Odebrecht - não seria, esse caixa dois um crime hediondo? Pois querem que esqueçamos isso - já que anistia é esquecimento - na hora sagrada de votar.

















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6 perguntas que você precisa saber responder antes de sair falando sobre terceirização

por Gabriel Nemer com a colaboração de Felippe Hermes.

Você acorda cedo, passa na padaria para comprar pão, frios e leite para o café da manhã, dá banho nos seus filhos, coloca-os no transporte escolar e se arruma para ir ao trabalho. Para evitar o stress do trânsito, decide pedir um desses serviços moderninhos de transporte através de um aplicativo. Chega cedo no trabalho e enfim começa seu dia. Talvez você não tenha notado, mas nem bem duas horas se passaram e você já terceirizou ao menos cinco serviços essenciais do seu dia a dia para completos estranhos.
Do pão ao transporte, seu dia acaba se tornando mais fácil quando deixa para outras pessoas certas tarefas que você provavelmente não seria tão hábil em realizar. Nada disso é novidade. De fato, a tal divisão do trabalho é um conceito mais antigo que a própria existência do Brasil enquanto país independente.
No entanto, quando o assunto parte para empresas tomando a mesma atitude, a coisa parece mudar de figura, ao menos por aqui. Imagine, por exemplo, que julgamos o dono de um veículo que contrate uma empresa (como Uber ou Cabify) para intermediar suas caronas pagas com base em leis criadas em um período no qual mais da metade da população brasileira ainda vivia no campo, em um país onde eletricidade era um luxo restrito a menos de uma em cada três residências.
Para boa parte do mundo, o tema é pauta batida. Coisa da década de 90, quando a globalização pegou pra valer. Governos (inclusive em alguns dos países mais sindicalizados do planeta, Suécia e Noruega) se adaptaram e aprovaram leis para abranger a nova realidade. Nesse meio tempo, a Apple tornou-se a maior empresa do mundo, sem ter que produzir seus próprios iPhones. Produtos mais baratos em países ricos e empregos em países mais pobres.
No Brasil, a discussão emperrou. Passamos os últimos 24 anos definindo o que era ou não a atividade de uma empresa e, portanto, o que poderia ser terceirizado. Na falta de legislação clara, nossa Justiça do Trabalho precisou ser acionada para definir, por exemplo, se plantar laranjas era a atividade principal de uma empresa que produzisse sucos, ou se esta atividade poderia ser terceirizada sem riscos. Toda esta discussão pode enfim deixar de existir, agora que o Congresso desengavetou um projeto de 1998 para regular a situação.
Como era de se esperar, o tema gerou confusão. Entre vídeos de atores globais e manchetes sensacionalistas, não foi difícil se perder nessa história. Mas, no meio de tudo isso, o que há de mito e o que há de verdade? Separamos algumas perguntas que podem ajudar e se localizar neste verdadeiro tiroteio.

1. A terceirização irá reduzir salários?


Parte central da crítica realizada por sindicatos e centrais sindicais, a ideia de que a terceirização termina por reduzir os salários tem sido difundida sem muito rigor. O número mágico, de 24% a menos para o trabalhador no fim do mês, tem estampado de memes a manchetes de jornais e revistas. Mas, afinal, o que há por trás deste estudo?
O estudo compara funcionários incomparáveis. Como bem sabe o leitor, as atividades que hoje podem ser terceirizadas são as chamadas “atividades-meio”: aquelas que não pertencem ao core da empresa. Caso da segurança, alimentação, limpeza, entre outras.
O estudo da CUT compara os salários médios dessas atividades com o salário médio dos trabalhadores efetivamente contratados, mas que não exercem a mesma função.
Para ficar mais fácil: em vez de comparar funcionários de limpeza terceirizados vs contratados, o estudo compara funcionários de limpeza com médicos, professores, diretores, etc.
Em outro estudo, produzido pela Fundação Getúlio Vargas, comparando cargos idênticos ou similares, a diferença foi sensivelmente menor, de cerca de 3% em média, e variando entre 12%, no caso de trabalhadores com baixa qualificação, até valores 5% maiores em casos como trabalhadores da área de segurança.
Na prática, quanto maior sua qualificação, maiores os ganhos alcançados pela terceirização no aumento da sua renda.
Ainda assim, se os ganhos e perdas parecem variar tão pouco, qual é exatamente a utilidade da terceirização para o país?

2. Afinal, qual o ganho da terceirização?


Esclarecer como surgem os salários não é uma tarefa das mais fáceis e, via de regra, explicações como “produtividade” podem parecer vagas diante de outra mais óbvia como a “vontade política” de algum gestor benevolente que sobe seu salário com base na canetada, não é mesmo?
Mas, de fato, a maior parte do seu salário estará intimamente ligada à sua capacidade de produzir riqueza, e quanto mais riqueza for produzida por uma mesma pessoa, melhores serão os salários. Fazer mais com menos. Sabem como é, nada muito diferente daquilo que qualquer dona de casa já está acostumada nestes tempos de crise.
Em um país, não é muito diferente. Na medida em que as empresas passam a se focar em partes específicas do trabalho, tornam-se mais especializadas e produtivas, elevando assim os ganhos em toda sua cadeia de produção.
Ao contratar uma lavanderia para limpar seus lençóis, um hospital reduz a quantidade de procedimentos com os quais tem que lidar e acaba por prestar melhor o serviço que importa, o de atender seus pacientes. Menos recursos indo para a burocracia resultam em maior produtividade.
A otimização dos procedimentos por parte das empresas, por sua vez, resulta em preços menores. Ainda assim, como você já deve ter sacado, nem só de consumir vivem as famílias, é preciso trabalhar. E se essa moda de terceirização atingir você?

3. As empresas irão terceirizar tudo?


Esse medo é calcado numa crença simplista de que é desejável – ou mesmo, possível – terceirizar tudo.
Professores, por exemplo, dificilmente serão terceirizados. Isso porque as escolas e os estudantes valorizam a relação aluno-professor. O professor se acostuma à “cultura de ensino” da escola, sua forma de aplicar provas, monitorias e afins. Não seria eficiente, nem viável, ter uma grande rotatividade no quadro de mestres.
É possível ir além: pense o leitor na limpeza de sua casa. Suponha que você tenha apenas duas opções: 1) contratar uma empregada doméstica; ou 2) contratar uma diarista.
A decisão a ser tomada não é trivial. Há benefícios de se ter uma empregada doméstica: entregar sua casa a alguém de confiança, bem como garantir limpeza e organização todos os dias.
Mas também há vantagens de se ter uma diarista: gasta-se menos e ela só vem quando seus serviços são realmente necessários.
Nas duas opções existem custos a serem considerados: no caso da empregada doméstica, gasta-se mensalmente um valor fixo, ainda que ela não seja requisitada em determinados dias. Afinal, nem sempre a casa está bagunçada.
No caso da diarista, o problema é o oposto: muitas vezes a casa precisa de arrumação, mas não é o dia em que ela vem. Uma diarista em geral também não é responsável pelo preparo das refeições da casa, como são muitas empregadas domésticas.
Da mesma forma, uma empresa terceirizará determinadas partes de sua produção se assim o achar conveniente: se os benefícios superarem os custos e houver ganhos de produtividade e competitividade.
Dizer que as empresas “vão terceirizar tudo” é o mesmo que dizer que todas as pessoas escolheriam a diarista, ou pior, que a cada vez que fossem contratar uma diarista, fariam isto contratando uma diarista completamente nova – o que, obviamente, não é verdade.
Alta rotatividade é, na maior parte das vezes, um inimigo para a produtividade e, consequentemente, para os ganhos das empresas.

4. E o que as empresas ganham com isso?


Imagine, como exemplo, uma fábrica e um escritório, ambos contratantes de funcionários de limpeza terceirizados.
A fábrica está passando por tempos difíceis e não precisa mais de tanto pessoal assim.
O escritório, por sua vez, está em franca expansão e necessita de mais funcionários para arrumação. Como são terceirizados, a fábrica pode facilmente dispensar aquele pessoal que hoje trabalha por lá e eles poderão ser rapidamente realocados para onde serão mais necessários (no caso, o escritório).
Sem a terceirização, a fábrica teria que demitir os funcionários e arcar com todos os custos dessa demissão. Eles – os trabalhadores – passariam a receber todos os benefícios aos quais têm direito, e dificilmente aceitariam um novo emprego rapidamente, a menos que recebessem um salário artificialmente mais alto (incompatível com a produtividade). O resultado é aumento de custos, perda de eficiência e de produtividade.
Tome como exemplo outro caso: uma pequena construtora de prédios e apartamentos. Ela “terceiriza” a venda dos apartamentos, deixando-a por conta das imobiliárias; terceiriza o projeto para escritórios de arquitetura; e pode muito bem terceirizar o financiamento destes mesmos imóveis a um banco.
É eficiente que esta empresa contrate azulejistas, eletricistas, marceneiros e afins, mesmo sabendo que irá erguer por exemplo, um prédio a cada dois anos? Naturalmente, não. Nem sempre está na hora de colocar as instalações elétricas, instalar portas, janelas, etc. Esses funcionários, caso contratados pela empresa, passariam grandes períodos – tanto ao longo do dia quanto ao longo do projeto – sem trabalhar, mas gerando um custo à empresa.
O resultado é um preço final maior para o consumidor, bem como um salário menor para os funcionários citados – já que, obviamente, os períodos sem trabalhar são incorporados na forma de uma remuneração menor.
A construtora, portanto, se beneficiaria da terceirização, reduzindo custos e aumentando a produtividade.
E, de quebra, o país ganharia com maior concorrência. Afinal, construir um prédio teria um custo muito menor. Mais empresas entrariam neste mercado, e os azulejistas e eletricistas, hoje ociosos em parte do tempo, passariam a ter emprego durante todo o ano.

5. Quem é protegido pela CLT?


Outro argumento muito comum contra o projeto de terceirização é aquele que diz “ah, mas a terceirização vai retirar os direitos”. Direitos de quem?
Como bem mostram os dados da PNAD, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, apenas 45% dos trabalhadores do setor privado são protegidos pela CLT. Os outros 55% estão à margem das leis trabalhistas, dos “direitos”, da regulação e de todos os benefícios.
Os dados ainda evidenciam que a renda média dos protegidos pela CLT é bem maior que a dos “não-protegidos”. Isso é verdade para todas as regiões do Brasil, excetuando o Sul. E lembre ainda, leitor, que no conjunto dos “não-protegidos” estão vários que trabalham via PJ (as famosas “PJotinhas”) e que, portanto, puxam essa média para cima.
Não é difícil notar, portanto, que a opção para boa parte das pessoas hoje terceirizadas não se dá entre escolher um emprego com carteira assinada e todos os direitos, ou um emprego terceirizado sem direito algum. A opção é menos romântica. Trata-se de escolher entre a informalidade sem direito algum e salários menores, ou um emprego terceirizado com salários mais próximos da CLT e regularizado, de modo que a empresa passe a ser obrigada a garantir alguns direitos.
Tudo isso tem uma razão simples. Para estar sob a CLT, é necessário que cada trabalhador produza 292% do seu salário apenas para bancar benefícios e impostos trabalhistas. Nesse caso, trabalhadores terceirizados pagam menos ao INSS e não recolhem FGTS. Ainda assim, estão dentro da cobertura do INSS, um ganho com relação aos informais.

6. Trabalhar com carteira é sempre vantajoso?


Boa parte dos trabalhadores do Brasil, como mostrado anteriormente, não está sob a égide da CLT. Muitos deles trabalham como Pessoas Jurídicas (PJs), sendo proprietários de empresas (individuais), através das quais emitem notas fiscais aos seus contratantes (clientes).
A vantagem é que, sob esse modelo, paga-se menos impostos, recolhe-se menos FGTS e INSS, e a negociação entre trabalhador (no caso, empresa ofertante) e contratante é mais flexível.
A desvantagem é que não há a garantia dos “direitos” tradicionais: 13º, férias remuneradas, abono salarial, licença-maternidade, etc.
Como mostrado em estudo da FGV, as leis trabalhistas brasileiras geram um custo que é pago pela empresa, mas não é recebido pelo trabalhador: a ele, os autores dão o nome de “custo da legislação trabalhista”. Para entendê-lo, primeiro fazem a pergunta: “qual é o salário equivalente do trabalhador?”, ou, em outras palavras: “quanto o trabalhador desejaria receber se o salário fosse sua única fonte de remuneração?”.
Esse custo, como explicitado pelos pesquisadores, pode chegar a quase 50% do custo total do trabalhador à empresa. Veja:
Sendo assim, muitos preferem “driblar” esse custo e trabalhar sem uma carteira de trabalho, como autônomos.
É o caso dos motoristas do Uber, por exemplo: contratam o aplicativo e eles mesmos montam sua jornada e grade de trabalho, livres de encargos trabalhistas – embora, nesse caso, não trabalhem como PJ.




































extraídadespotiniks.com

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