Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 3 de junho de 2018

"A Petrobras sob a carga de fatores políticos",

 por Celso Ming O Estado de S.Paulo
Pedro Parente se demitiu da presidência da Petrobras porque ficou claro, para ele e para quem acompanhou tudo o que aconteceu nos últimos dez dias, que o governo Temer deixou de garantir o que tinha garantido antes: que não haveria interferência política nas decisões administrativas da empresa.
Essa falta de garantia não é resultado das pressões de caminhoneiros, petroleiros e grande número de políticos mordidos pelo populismo de uma política de preços. É resultado da fragilidade do governo Temer, que hoje não passa de um zumbi. É um morto-vivo que só continua lá porque não vale a pena substituí-lo a quatro meses das eleições.
O compromisso do governo foi garantir desconto no preço do óleo diesel na bomba de R$ 0,46 por litro. O tabelamento se estende à refinaria e, também, à rede de postos de combustíveis, algo impossível de assegurar neste Brasil imenso, sujeito a impostos estaduais tão díspares.
A carta de demissão avisa que a política de preços da Petrobras ficou sob intenso questionamento e que ele, Pedro Parente, “deixou de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente”. Se há alternativas em discussão, quais seriam elas?
A subvenção aos combustíveis não é invenção do governo Temer. Ao longo do governo Fernando Henrique também prevaleceram preços políticos. Para compensar as perdas da estatal e de outros produtores privados, instituiu-se a chamada Conta Petróleo. De tempos em tempos, a Petrobras recebia a diferença que saía de reservas pouco transparentes do Tesouro. 
Os governos do PT decidiram subsidiar o consumidor de combustíveis. Os preços permaneciam estáveis por longos períodos, sem que a Petrobrás tivesse sido devidamente ressarcida dos prejuízos que enfrentou. O resultado foi a erosão do caixa da empresa. Essa não foi a única distorção produzida por essa política de preços. Desde então, a Petrobras não conseguiu interessados em entrar como sócios na construção de refinarias. Não queriam participar de um negócio fadado ao prejuízo.
A política da gestão Parente previa reajustes até mesmo diários, cujo critério levava em conta as cotações internacionais do petróleo e as oscilações do dólar no câmbio interno. Não foi essa política que produziu a explosão dos caminhoneiros. 
Foi o fato de que, ao longo desses anos, o governo federal e os governadores usaram os preços dos combustíveis para extorquir impostos. Por isso, os preços praticados no mercado interno saltaram aos níveis mais altos do mundo.
Além de subsidiar o consumo, a decisão do governo Temer tomada na semana passada foi manter estáveis os preços por 60 dias. Para compensar as perdas da Petrobras e dos demais importadores de óleo diesel, o governo cortou despesas com saúde, transporte, educação. E ainda reverteu benefícios a exportadores e aos setores antes favorecidos com desonerações de folha de pagamentos.
Em princípio, são compensações que não passam firmeza, porque não podem ser previstas com segurança e não contam com colchão de provisões previstos em orçamento.
Se a decisão que prevalecer for a de que tanto a política de preços quanto a de desinvestimentos da Petrobras passarão por critérios em última análise políticos e não mais técnicos, então fica claro que o desempenho da empresa ficará comprometido.
Foi estranha a divulgação da demissão em pleno pregão da Bolsa. Alguma coisa pode ter acontecido para que Parente não pudesse mais esperar pelo fechamento dos negócios.
O final da carta de demissão tem lá uma contradição. Parente sugere que Temer escolha o novo presidente não em bases intervencionistas, mas em “regras corporativas”. Ou essa sugestão é inútil e, nesse caso, não deveria ter espaço na carta ou tem razão de ser e, nesse caso, não haveria razões especiais para que Parente deixasse a Petrobras.
O presidente Temer garantiu independência administrativa ao novo presidente da Petrobrás, Ivan Monteiro. Ou seja, aquilo que Parente não conseguiu está prometido para Monteiro. Alguém confia nisso?














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"Mal-estar geral",

por Miguel Reale Júnior  O Estado de São Paulo
Jamais um recém-empossado presidente encontrou circunstâncias tão favoráveis para se consagrar, realizando um governo de reconstrução do País, como sucedeu com Michel Temer. No entanto, em vez de interagir com a sociedade, ávida de transparência e correção, Temer governou de costas para o Brasil, voltado exclusivamente para a Praça dos Três Poderes. Não se identificou com a Nação, prisioneiro dos amigos emedebistas, acusado de prática delituosa com consequente perda de legitimidade, que falta também aos partidos e ao Parlamento.
Se durante a ditadura os partidos políticos não participavam efetivamente do processo decisório, sujeito o País a contínuos “pacotes” impostos de cima para baixo, depois de instaurada a redemocratização, consolidada por nossa Constituição, os partidos cresceram apenas horizontalmente, sem afundar raízes em propostas concretas de ações e metas governamentais.
Desde a eleição de 1989 impera o populismo: os partidos foram derrotados pelas figuras carismáticas de Lula e de Collor. Quanto às próximas eleições, é grande o risco de se instalar uma nova disputa populista, estando à frente de pesquisas candidatos sem densidade, que exploram apenas o lado emocional dos eleitores, sem girar sua pretensão presidencial em torno de propostas a serem filtradas e pensadas pelo eleitorado.
Se as democracias europeias, dos anos 1970 até a década passada, viviam o regime dos partidos e entraram em crise pela chegada avassaladora do mundo digital, no Brasil queimamos etapas: vivemos a crise da representação política sem ter tido partidos com participação política consistente, pois sempre vigorou a proeminência do Executivo, a ponto de se permitir comprar maioria congressual no mensalão e no petrolão.
O País viveu em torno de líderes, FHC como condutor da salvação diante da inflação e Lula, o populista carismático, envolvendo emocionalmente as massas, enquanto a fragilidade dos partidos se acentuou ao ficar demonstrado terem se transformado em associações criminosas, a lavar dinheiro da corrupção mediante doações falsamente lícitas. 
É generalizada a crise da representação política na maioria das democracias, por conta do universo digital, por se viver em rede e pela rede social. Todo indivíduo é receptor de informações ao longo do dia e se faz presente ao participar das mais diversas comunidades virtuais. A internet promove a junção de desconhecidos em torno de ideias simples, comungadas por vezes com ardor. As comunidades virtuais surgem fortes de um instante para o outro, a ponto de destituírem governos, como na Tunísia, ou capazes de paralisar o País, como na desmedida greve dos caminhoneiros.
Nesse cenário, desaparece a autoridade do saber. O mérito do esforço de pensar e elaborar resta desvalioso, na medida em que todos são iguais perante a internet. No mundo da conexão direta e rápida, é-se informado de imediato sobre os acontecimentos, sendo viável expressar o próprio entendimento ou sentimento também de plano. Há excesso de mensagens, mas escassez de conhecimento na apreensão impensada das tiras enviadas continuamente.
Malgrado não haja tempo para sopesar, refletir, filtrar, deixa de ter sentido ser representado, pois, por via das redes sociais cada um se apresenta.
Como diz Sérgio Abranches, “a ideia da representação analógica está se esgotando”, pois hoje as pessoas sabem o que sucede e expressam sua opinião “o tempo todo em rede”, de modo urgente. E esta crise da representação ocorre em qualquer sistema eleitoral: distrital, distrital misto ou proporcional, maior com certeza nesta última forma. Por essa razão, acentua Abranches, o partido político “não vai existir no futuro, pois está parando de fazer sentido” (veja-se entrevista na Revista Problemas Brasileiros n.º 445, de maio, e o livro A Era dos Imprevistos: a transição do século XXI).
A organização política é surpreendida por imenso e desorganizado pluralismo social, que não se confunde com a representação de cunho sindicalista, pela qual só se veiculam os interesses setoriais, mesmo porque as pessoas são mais do que a sua atividade profissional.
O presidencialismo apenas agrava a crise de representação, pois joga todo o foco da política na disputa presidencial, com expectativas de um salvador da pátria, minimizando-se ainda mais o papel do Parlamento e dos partidos políticos, já vitimados gravemente pelo mal da corrupção. Surge o desalento: a sensação de mal-estar domina o ambiente social, criando-se caldo de cultura favorável a aventuras políticas.
Dessa forma, nestes tempos nublados de crise, época de transição, os valores do passado não mais satisfazem os espíritos, mas ainda não foram descortinados os valores do futuro: o amanhã é opaco, pois nele tudo será possível e pouco previsível. No Brasil, conjugam-se a incerteza deste momento de transformação, ainda indefinida, com a crise de autoridade, o que pode conduzir à desobediência civil, a uma perigosa anomia.
De um lado, o esgotamento do modelo social em voga e, de outro, a perspectiva de novas formas de relação em sociedade, de diferentes modos de trabalho e de distração.
Há maneira diversa de ação política, pois segundo Bauman, no mundo líquido, a crise da democracia é o colapso da confiança: as pessoas não acreditam no sistema democrático (entrevista ao El País, de 16/1/2016). Surgem, então, movimentos informais, dotados de lideranças difusas, como meio de expressão da vontade popular. No Brasil, soma-se a esta descrença a ausência absoluta de respeito aos governantes, tidos por incapazes e corruptos.
É nesse quadro que se desenvolverão as eleições gerais. Se para presidente ainda há elevadíssimo número de indecisos, o que dirá para o Parlamento, correndo-se o risco de dar mais do mesmo, por prevalecerem apenas os currais eleitorais.
*ADVOGADO, PROFESSOR TITULAR SÊNIOR DA FACULDADE DE DIREITO DA USP, MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, FOI MINISTRO DA JUSTIÇA














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A eleição e a economia -

EDITORIAL FOLHA DE SP
Nem sempre a alta do dólar e outros movimentos dos mercados podem ser atribuídos com precisão a este ou aquele motivo, em particular do campo político. Em ano eleitoral, contudo, tais associações se tornam quase inevitáveis.

É fato que a moeda americana se valoriza em grande parte do mundo, devido à perspectiva de crescimento econômico e de alta de juros nos EUA. Essa tendência se manifesta de modos variáveis entre os países, a depender das fragilidades e incertezas locais.

Na Argentina, mais dependente de capital estrangeiro, os efeitos se mostraram dramáticos. No Brasil, ainda que em grau menor, também se observa nervosismo dos investidores —e as dúvidas suscitadas pelo pleito presidencial são explicações recorrentes.

Já se cogita que tais inquietações tenham consequências além da mera especulação financeira. Na sexta-feira (11), um documento do Fundo Monetário Internacional afirmou que um risco-chave para a recuperação da economia do país é a possibilidade de mudança da agenda reformista após a eleição.

Para Henrique Meirelles (MDB), ex-ministro da Fazenda e presidenciável de chances até aqui obscuras, os efeitos negativos já se dão agora: temores relacionados à disputa pelo Planalto estariam inibindo os investimentos privados e desacelerando a retomada.

Desconte-se o óbvio viés dessa tese, ao mesmo tempo desculpa conveniente para os resultados decepcionantes deste ano e ensaio de discurso de campanha. É inegável, de todo modo, que existem motivos de sobra para angústias.

Estes não se limitam à imprevisibilidade da eleição e aos diferentes defeitos dos principais postulantes.

A fragmentação inédita do quadro partidário nacional prenuncia um cenário inóspito para o próximo governo —ainda mais porque parece improvável que o presidente vá assumir o posto embalado por uma votação consagradora.

À sua espera haverá o enorme rombo orçamentário a exigir decisões imediatas. Levar adiante ou não o teto do gasto federal e a reforma da Previdência, definir a política para o salário mínimo: todas as opções implicam custos elevados.

Não surpreende, pois, que os pré-candidatos mais importantes tratem de cercar-se de economistas de boa reputação ou, ao menos, de mostrar disposição, real ou imaginária, para ajustes e negociações.

Quem pretende herdar um país governável precisa administrar as expectativas —dos mercados, de eleitores, da política— desde já.































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sábado, 2 de junho de 2018

Fux quer que Supremo esclareça de vez aplicação da Lei da Ficha Limpa

Por Carolina Brígido, O Globo
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) ratifique, em plenário, que um condenado em segunda instância não pode ter sua candidatura registrada pela Justiça Eleitoral, nem mesmo de forma provisória. A Lei da Ficha Limpa já determina que essas pessoas são inelegíveis, mas existem dúvidas sobre o momento de aplicação da regra. Fux entende que candidatos nessa condição não devem sequer ser registrados e, portanto, não poderiam fazer campanha, mas existe outra tese entre advogados criminalistas, amparada na Lei das Eleições.

Tradicionalmente, o termo sub judice contido na Lei das Eleições é aplicado para candidatos que têm o registro negado por um juiz eleitoral, mas recorrem dessa decisão. Pelo artigo 16-A, o político “poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior”.


A partir desse artigo, advogados consideram que o réu pode ser considerado sub judice e obter o registro definitivo no futuro, se for absolvido do crime no julgamento do recurso criminal pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O exemplo mais notório dessa situação é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi condenado por tribunal de segunda instância. Em tese, ele está enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Mas a defesa do petista sustenta que, como ainda cabe recurso da condenação, ele poderia se candidatar, com base numa liminar.

Nos bastidores, os ministros do TSE concordam que Lula não pode receber registro nem provisório, nem definitivo. A preocupação de Fux é quanto a outras instâncias da Justiça Eleitoral, que podem aplicar entendimento diverso para situações semelhantes. Daí a necessidade de unificar a tese no STF. Para Fux, o Supremo precisa esclarecer dúvidas sobre essa interpretação antes de 15 de agosto, fim do prazo de registro na Justiça Eleitoral.

PARTIDOS OU MP PODERIAM PROPOR AÇÃO

Na avaliação do ministro, a condição de elegibilidade deve ser constatada no momento do pedido do registro, e não com base em eventuais absolvições do réu no futuro. Portanto, para ele, o condenado em segunda instância não pode receber registro algum, se sustentar essa condição no momento do registro.

— O Supremo tinha que decidir isso antes das eleições, quem pode concorrer ou não, porque evita o registro de quem está impedido. É preciso dar interpretação conforme ao artigo, porque não é razoável, com base nesse subterfúgio, que um candidato inelegível se coloque como se fosse sub judice — argumentou Fux. — Se, no momento do registro, a pessoa é inelegível, não é candidatura sub judice — concluiu.

Como não há ação questionando esse artigo no STF, Fux explicou que algum partido, ou o Ministério Público, poderia judicializar o tema o quanto antes. Ele defende que haja uma “interpretação do artigo conforme a Constituição Federal”, e não que a regra seja derrubada. Para ele, o problema não é o artigo da Lei das Eleições, mas a forma como o estão interpretando. Com uma decisão da mais alta Corte do país, o entendimento seria unificado e não haveria o risco de tribunais de instâncias inferiores interpretarem a regra de outra forma.

Na última terça-feira, o TSE poderia decidir a situação de réus que querem se candidatar a presidente da República, mas se negou a analisar uma consulta que tiraria dúvidas sobre o tema. O julgamento, caso ocorresse, poderia definir, de forma categórica, a situação de Lula. A consulta foi proposta ao tribunal pelo deputado Marcos Rogério (DEM-RO). Ele queria saber se um réu em ação penal na Justiça Federal poderia ser candidato à Presidência da República. Em caso positivo, também queria saber se o candidato, na hipótese de vencer a eleição, poderia assumir o cargo.

O relator do caso no TSE, ministro Napoleão Nunes Maia, argumentou que a consulta tratava de uma situação muito específica. Segundo ele, esse tipo de processo é destinado a responder questões genéricas, que não se encaixem em um caso determinado. Os demais ministros concordaram com ele.

A dúvida surgiu depois que o STF, ao interpretar a norma constitucional, declarou que um réu não pode estar na linha sucessória do presidente da República. A questão que não foi respondida pelo STF é se o próprio presidente da República pode ser réu em ação penal.



























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O que a queda de Parente revela sobre o Brasil

José Fucs, O Estado de São Paulo
A saída de Pedro Parente da Petrobrás é um sinal do quanto o capitalismo no Brasil é mal compreendido, do populismo que impera na arena política e da enorme resistência existente na própria sociedade para colocar o país nos eixos. Mais que tudo, no momento, ela amplifica as dúvidas e as preocupações sobre o futuro reservado ao País, com as escolhas que faremos nas eleições de outubro.
Parente caiu não por seus eventuais erros, mas por seus acertos. Executivo tarimbado, ele reergueu a Petrobras dos saques feitos pelo PT e por seus aliados. Procurou administrá-la como empresa privada, de olho nos resultados, sem ceder a pressões políticas e sem fazer demagogia com os preços dos combustíveis. 
A blindagem que promoveu contra a pilhagem dos políticos e o uso da Petrobras como ferramenta de política econômica, provocou a ira das esquerdas e da direita pitbull, que realizaram  um verdadeiro massacre contra ele nos últimos dias nas redes sociais. 
Pior para o Brasil.

















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Depois de pilharem a Petrobras durante mais de 13 anos, os larápios Lula e Dilma se dizem indignados com o que foi feito na estatal

José Fucs, O Estado de São Paulo
O oportunismo de Lula, Dilma e do PT parece mesmo não ter limite. Ao mandar dizer por meio de sua pupila que está “indignado com o que foi feito com a Petrobras”, Lula zombou mais uma vez da inteligência dos brasileiros. 
E Dilma, que deixou a Petrobras à beira da falência, mostrou que é tão desaforada quanto o chefão petista, ao passar o recado de Lula para a imprensa e ainda endossá-lo, com a desenvoltura verbal de costume.
Depois da pilhagem promovida nos governos do PT, tem de ser muito caradura,  para vir a público defender a Petrobrás. 
O mesmo vale para “companheiros” como Manuela d’Avila, do PC do B, e Guilherme Boulos, do MTST e do PSOL, que pediram a cabeça de Pedro Parente e a mudança de sua filosofia de gestão, responsável pelo renascimento da Petrobras. 
Onde eles estavam quando a Petrobras foi saqueada? 
O que fizeram para conter a ladroeira? 
Nada. 
Então, dá um tempo. 
Quem tem de ficar indignado somos nós, que pagamos pela bandalheira toda e ainda temos de ouvir esse tipo de coisa.











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Governo identifica aumento de 'fake news' sobre nova greve e faz plano

 Geralda Doca e Letícia Fernandes, O Globo
O sistema de monitoramento de redes sociais do Palácio do Planalto identificou um aumento substancial no fluxo de “fake news” sobre uma nova paralisação de caminhoneiros a partir de segunda-feira. Para impedir que o clima de alarmismo se alastre pelo país, o governo elaborou um plano de segurança e colocou todas as tropas de prontidão. A ordem é agir rapidamente e desmobilizar qualquer concentração que possa vir a surgir nas rodovias. Caso seja necessário, a Lei da Garantia e da Ordem (GLO), em vigor desde 25 de maio, que terminaria na segunda-feira, dia 4, pode ser ampliada, segundo integrantes do gabinete de crise.

Embora considere baixo o risco de um novo levante, o governo está preocupado com a difusão de “fake news” nas redes sociais e em grupos de WhatsApp e vem investigando autores de vídeos e perfis nas redes sociais que propagam conteúdo inverídico. São esses canais que contribuíram para propagar informações falsas e dificultaram o trabalho das autoridades durante a greve dos caminhoneiros.

O gabinete de crise se reuniu na manhã deste sábado no Planalto e a avaliação é que, com o fim da greve, o abastecimento se aproxima da normalidade, com exceção do gás de cozinha que ainda enfrenta alguma dificuldade no Centro-Oeste. Porém, com a desobstrução do porto de Santos, a expectativa é que a demanda seja atendida rapidamente. O Planalto fará uma nova reunião para analisar o cenário na manhã de domingo.

O risco de uma nova paralisação, segundo fontes do governo, é baixo porque as empresas de transporte, que sustentaram o protesto, não embarcarão em uma nova manifestação. A abertura de mais de 50 inquéritos para investigar empresários do setor, e a aplicação de R$ 339,5 milhões em multas a transportadoras, além da prisão de empresários, deve, na avaliação do governo, afastar as transportadoras de novos protestos.

Alguns líderes de entidades que participaram da paralisação inclusive já gravaram vídeos para serem compartilhados nos grupos de WhatsApp dizendo aos caminhoneiros que a categoria foi atendida pelas propostas apresentadas pelo governo do presidente Michel Temer e que o momento é de retomar o trabalho e normalizar a rotina no país.

Reflexões sobre os militares no poder, caso o capitão Bolsonaro venha a ser eleito

Carlos Newton
Nesta fase eleitoral, um dos esportes preferidos dos comentaristas da “Tribuna da Internet” é atribuir tendências antimilitaristas ao editor, embora jamais tenha escrito nenhum artigo que contenha esse tipo de sentimento ou preconceito. Só falta me atribuírem a autoria dos crimes cometidos por Stalin, Lenin, Pot, Castro, Mao e outros deturpadores das teorias de Karl Marx e Friedrich Engels. Para mim, ser chamado de comunista é elogio, porque apenas revela que não aceito a miséria e a desigualdade social que passam diante de meus olhos nem me omito na tentativa de proteger os menos favorecidos.
Esse lance de atribuir antimilitarismo ao editor chega a ser ridículo, até porque, em um país como o Brasil, as Forças Armadas são mais do que necessárias. Devem ser consideradas a reserva moral do país, sobretudo diante do flagrante apodrecimento dos Três Poderes republicanos, nas últimas décadas.
FALTA EVOLUÇÃO – É claro que as Forças Armadas e a Polícia só existem em função da insatisfatória evolução do ser humano, cheio de defeitos de fábrica, digamos assim. E ainda há aqueles que parecem ter nascido para fazer o mal, como preconizava o médico italiano Cesare Lombroso, em sua teoria do criminoso nato.
É claro que há militares picaretas e que se descaminham, como ex-mito Othon Pinheiro da Silva, um vice-almirante que corrompeu a própria filha, seguindo a mesma trilha de Lula da Silva, Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha, Paulo Preto e tantos outros que criaram famiglias. Mas no meio militar os desvios de conduta são ínfimos em relação à sociedade civil.
EXPERIÊNCIA E TALENTO – Como o Brasil não está em guerra desde 1945, acredito que a experiência e o talento dos militares deveriam ser aproveitados de uma forma mais ampla. Eles já dão exemplo de excelência na construção de estradas e aeroportos, na assistência à população carente e às tribos indígenas da Amazônia, entre outras atividades. Tudo o que eles constroem é de alta qualidade e de baixo custo, deveriam ser considerados os empreiteiros do bem.
O maior exemplo é a construção da estrada do projeto Baixo Sul da Bahia, criado em 2003 pelo empresário Norberto Odebrecht, recentemente falecido. É o maior programa social privado do país, abrangendo 11 municípios, cuja população é assistida em educação, trabalho, geração de renda e cooperativismo.
Na hora de construir a estrada ligando as cidades da região, o maior empreiteiro do país preferiu contar com os serviços de engenharia e construção do Exército. O experiente engenheiro Norberto Odebrecht sabia que a obra seria bem feita e a preços reais. Não é preciso dizer mais nada.
PLANEJAMENTO – Os chefes militares poderiam administrar melhor o país porque gostam de planejamento, sabem investir em infra-estrutura, enquanto os partidos políticos estão funcionando como verdadeiras quadrilhas. Pessoalmente, tenho muitas propostas sobre um melhor aproveitamento do potencial das Forças Armadas. São ideias práticas e de fácil execução.

Mas acho ridícula, por exemplo, a suposta “intervenção” que está sendo feita na segurança do Rio. Os militares poderiam fazer melhor, mas dependem de muitos fatores que fogem à sua área de atuação, ficam completamente perdidos, os chefes das facções já perderam o medo dos militares.




































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O BRASIL NA BEIRA DA ESTRADA

 por Percival Puggina.
As fotos são inacreditáveis. Quando estes dias forem uma triste lembrança e amarga lição, as imagens da greve dos caminhoneiros em 2018 ilustrarão momentos em que o Brasil, levado à beira do abismo, soube pisar no freio. Soube? É o que ainda espero, ao escrever estas linhas.
 Enquanto o Brasil estertora no acostamento, uma parte da sociedade parece delirar. O país vai quebrar? Deixa quebrar. Quem tem trabalho não está conseguindo trabalhar e quem está produzindo não consegue produzir? Deixar estar. Quem tem o que vender, não encontra quem venha comprar? Faz parte. O PIB está levando um tombo muitas vezes bilionário? Não importa. Mas afinal, o que importa? Pois é, li que na pauta dos caminhoneiros existem itens que me agradam, como a queda do preço da gasolina, e o fim das urnas eletrônicas. Ah!
 No cardápio das postulações há para todos os gostos. O que importa é capturar apoio popular para a mobilização dos “heróis” que, com insuperável eficiência, conseguiram mostrar a Temer o quanto todos, inclusive eu, o desprezamos. E sim, claro, isso é muito mais importante do que o Brasil.
 Assisti, há alguns minutos, vídeo em que um caminhoneiro aos gritos, perguntando à longa fila de espera diante de um posto de combustível se os cidadãos que ali estavam pretendiam comer gasolina, porque, quisessem ou não, iria faltar alimento. O militante estava convencido de que a população devia subordinar-se às determinações do multiforme politburo grevista e ficar hibernando em casa enquanto eles cuidam de deteriorar a situação de todos. Fica proibido trabalhar. Ficam proibidas todas as atividades que envolvam direito de ir e vir. “Estátua!”, brincavam antigamente as crianças, obrigando os demais a permanecerem como estivessem. E assim comandam, hoje, os novos senhores de nosso cotidiano.
 É quase inacreditável que tanta gente se deixe iludir pelas artimanhas de um movimento que foi infiltrado pelo que há de pior na política brasileira. A infiltração os fez afinar-se com os mesmos petroleiros que se tapavam de alaranjado com Lula e Dilma em reiterados comícios enquanto a Petrobras era saqueada e vampirizada a ponto de se tornar escárnio mundial e miniatura de si mesma. A infiltração passou a acolher terroristas, black blocs, a escória de 2013 e representantes dos hospedeiros da carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Os que se deixaram seduzir pelo movimento dos caminhoneiros parecem não perceber que se tornam reféns, meros objetos, favas contadas, na chantagem que eles impõem ao Estado.
Basta ouvi-los quando disseminam áudios e vídeos em falsa surdina ou tons ameaçadores para reconhecer o vocabulário. Qualquer pessoa com experiência em linguagem política sabe o que está na cabeça de quem assim se expressa. Buscam o caos com intuito revolucionários.
Não é mediante um cardápio de propostas difusas e confusas que se avança com seriedade pela via democrática, mas com a legitimação eleitoral de propostas consistentes. Cinco boas medidas de combate aos inimigos do Brasil, para pautar a eleição de outubro seriam: 1) não reeleger corruptos, coniventes e incompetentes; 2) agravar a lei penal e combater a impunidade; 3) diminuir em 10% a carga tributária, com redução compatível do custo do setor público mediante alterações constitucionais que o permitam; 4) extinção dos privilégios adquiridos; 5) fim do foro privilegiado.
Quem, tendo uma eleição ali adiante, opta pelo caos para fazer revolução, quer o caos e não a democracia. O caos é o tempo dos piores, dos oportunistas, dos bandidos, dos sem escrúpulos. Não é o tempo dos democratas nem dos estadistas. Perguntem a cubanos e venezuelanos.

















extraídadepuggina.org

"E se fosse elétrico?",

 por Tasso Azevedo O Globo
 Diante do caos dos últimos dias como consequência da greve dos caminhoneiros, fico imaginando como essa história seria contada pela minha filha de 9 anos a seus filhos e netos: para mover os veículos, era utilizado um combustível líquido. Funcionava assim: das profundezas do mar retiravam um líquido preto chamado petróleo, que seguia para industrias enormes chamadas refinarias, onde era transformado num líquido amarelado, que conhecemos como gasolina e diesel. Este líquido era transportado em caminhões por milhares de quilômetros pelas estradas e entregue em postos de venda de combustível.
Para andar com o veiculo, a gente se dirigia a estes postos e colocava o líquido no motor e com ele conseguia andar cerca de 400 quilômetros. Quando acabava o combustível, você procurava um destes postos de combustível para reabastecer. Daí, o preço deste combustível líquido começou a ficar muito alto, e houve uma greve dos caminhoneiros; não tinha como entregar combustível, e virou o caos.
Cerca de 60% do transporte de cargas no Brasil são feitos por caminhões. Uma parte importante poderia ser revertida para outros modais, como ferroviário, aéreo ou de navegação, mas, ainda assim, parte da carga geral destinada a conectar distâncias menores ou pulverizadas precisa do transporte rodoviário.
Parece incrível, mas quase 15% de toda carga transportada no Brasil é o próprio combustível e, por se tratar de carga muito especifica, é quase sempre um frete de retorno vazio. Uma gigantesca ineficiência.
Num sistema de transporte baseado em eletricidade, essa ineficiência desaparece, pois a energia circula pelo sistema integrado de energia elétrica. Postos de recarga podem ser estabelecidos de forma rápida em qualquer lugar e ainda serem carregados com energia solar produzida no local. Embora o investimento inicial seja alto, os preços estão caindo rapidamente e, dentro de poucos anos, já serão plenamente competitivos com veículos a combustão. Os custos de operação dos veículos elétricos são muito mais baixos, além de estes serem mais confortáveis, terem melhor performance e reduzirem drasticamente a poluição local e as emissões de gases do efeito estufa.
Apesar dos óbvios benefícios, a eletrificação do transporte tem sido solenemente ignorada nas políticas de transporte, mobilidade e desenvolvimento da indústria automobilística no Brasil, como mostra a recente licitação de ônibus urbanos em São Paulo ou o Plano Rota 2030, com incentivos para a indústria automobilística desconectados dessa realidade.
O futuro do transporte passa pela eletrificação. Que a crise atual, pelo menos, sirva para acelerar a sua implementação.
Tasso Azevedo é engenheiro florestal
























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"Intervenção já",

por Roberto Pompeu de Toledo Veja
O colunista, num esforço de comunicação telepática, teve acesso à mente desse novo espécime da rica diversidade nacional que é o intervencionista de estrada — aquele que pede intervenção militar do alto da boleia do caminhão ou no aglomerado dos acostamentos. O resultado:
“Podem chamar de golpe, mas que a vida era melhor naquela época, era. Criticam que havia censura às notícias. Pois hoje não há, e de que servem tantas notícias? Que faz essa balbúrdia de jornais, TVs, internet, Facebook senão confundir? A informação é um direito da cidadania, alegam os demagogos. Nosso povo reclama é por uma orientação construtiva, vinda do alto, da parte de gente responsável, e nesse sentido a censura só traz benefício. Em novembro de 1971 o governador do Paraná foi forçado a renunciar, depois de apenas oito meses no cargo. Nenhum jornal explicou por quê. A revista VEJA, em capa sob o título ‘A queda do governador Haroldo Leon Peres e seus ensinamentos’, ousou noticiar que ‘o governador teria exigido de Cecílio Rêgo Almeida, o mais poderoso empreiteiro do Paraná, um depósito de 1 milhão de dólares no exterior para liberar o pagamento de 60 milhões de cruzeiros devidos pela construção da Estrada de Ferro Central do Paraná’. Foi punida com a apreensão de seus exemplares nas bancas. O que lucraria o povo em saber que governantes nomeados pelo regime possuíam suas fraquezas?
Em 1974 ocorreu um surto de meningite no país, e a imprensa, de novo por mais do que justificadas razões, foi proibida de usar a palavra surto. Claro, um ou outro pode ter tido sua saúde comprometida, ou mesmo morrido por falta de alerta, mas esses são danos colaterais inevitáveis. Importante foi não alarmar a população com notícia tão desagradável. O povo precisa de mão forte e atenta, para conduzi-lo num rumo que, deixado a si mesmo, não alcançaria trilhar. Por essa razão, naquela época era poupado de eleger os governantes. Os militares se incumbiam disso. Em São Paulo a escolha para prefeito recaiu sobre o doutor Paulo (Paulo Maluf, para os menos próximos). A Bahia foi entregue aos cuidados de Antonio Carlos Magalhães e o Maranhão aos de José Sarney. Grandes obras, como a Ponte Rio-Niterói e a Transamazônica, puderam ser levadas a bom termo graças à proibição de que a imprensa metesse o bedelho e, em sua infinita arrogância, exigisse contas e cumprimento de prazos.
Em 1968 o brigadeiro Burnier, segundo denúncia depois apresentada pelo capitão Sérgio Miranda de Carvalho, seu subordinado, elaborou o plano de bombardear o gasômetro da Avenida Brasil, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo uma bomba seria jogada na embaixada americana e outra no Citibank, e a culpa lançada nos comunistas. Até hoje se fala nesse episódio, em que, na confusão, seriam mortos comunistas e políticos incômodos como Carlos Lacerda. Por que tanto barulho, se nada disso aconteceu? E, se tivesse acontecido, não poderia ter o efeito de livrar o regime do entulho humano que lhe obstruía o caminho? Há momentos, e aquele fatídico ano de 1968 foi um deles, que exigem um pouco de energia.
Em 1981 dá-se o episódio do Riocentro. Até hoje acredito que o sargento morto e o capitão ferido eram dois moços altruístas que preferiram estourar a bomba no próprio carro a deixá-la provocar um massacre em meio à multidão. Um historiador do período chama de ‘anarquia militar’ a situação em que generais e coronéis agiam da própria cabeça, algumas vezes em desafio uns aos outros. Prefiro chamá-la de ‘democracia militar’, a democracia justa, praticada entre si pelos honestos e responsáveis, não a democracia de hoje, em que o poder se desmancha na rua, ao arbítrio da ralé.
Em 1968 houve greve em Osasco, resolvida pela oportuna ação de um batalhão da Polícia Militar. Seu líder, um tal Zequinha, foi preso e torturado com espancamento, choques elétricos e sabão em pó nos olhos. Sim, nesse caso reconheço que, excepcionalmente, houve tortura, e não se diga que mal aplicada: Zequinha viria a morrer como terrorista, ao lado do famigerado capitão Lamarca. Nós também, neste maio de 2018, cinquentenário do providencial Ato Institucional nº 5 (que naquele tempo o doutor Paulo quis ver incorporado à Constituição), fizemos uma greve, mas uma greve redentora, para acabar com todas as greves. Nossa ação (e refiro-me não ao conjunto dos caminhoneiros, mas a nós, os intervencionistas) teve por objetivo plantar a semente de um futuro de paz e união, sob a proteção de senhores patriotas, honestos, capazes e devotados à causa comum”.



















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sexta-feira, 1 de junho de 2018

SEQUESTRADOS

por Percival Puggina
Nos dias 25 e 26 de maio percorri 600 km de rodovias no Rio Grande do Sul. Cruzei por dezenas de barreiras montadas pelos caminhoneiros. Nunca tive problema para seguir em frente. Então, pergunto: a quem estavam destinadas as chicanes pelas quais passei livremente? Pois é. Aos milhares, elas foram montadas em todas as estradas do país com o intuito de impedir a passagem dos veículos de carga. Ponto.
 Esta simples constatação mostra que o colossal movimento dos caminhoneiros, que botou o Brasil no acostamento, não era expressão de uma homogênea e plenipotente vontade, como foi entendido pela população. Quantos caminhoneiros teriam aderido à greve se lhes fosse dado o direito de ir e vir? Quantos estacionaram com receio de possíveis represálias aos veículos, às suas cargas e a si mesmos? Em quase tudo na vida há o que se vê e o que não se vê.
A imensa maioria da sociedade, longe do acostamento, viu homogeneidade e obstinação da categoria numa situação em que a intimidação de uns convivia com a prudência de outros. Os caminhões que agora trafegam com combustível são acompanhados de escolta militar para dar segurança a um transporte que, sem proteção, não ocorreria ou ocorreria sob inaceitável risco.
 As demandas dos caminhoneiros são compatíveis com uma situação plena de equívocos. A frota cresceu excessivamente; a prolongada sequência de recessão e lento crescimento da atividade econômica reduziu a demanda por frete, os custos com diesel subiram demais e o rendimento de seu trabalho secou. Merecem, hoje e sempre, nosso inteiro respeito esses bons brasileiros. São empreendedores. Com coragem, sacrifícios e dívidas adquiriram seu veículo e ganham a vida na insegurança das estradas, trabalhando árdua e honestamente.
É impossível deixar de ver, no entanto, os três sequestros que aconteceram nestes dias, alguns dos quais ainda em curso. Refiro-me ao sequestro inicial das cargas que estavam sendo transportadas. Refiro-me ao sequestro do direito de ir e vir das pessoas e, com isso, para milhões de brasileiros, o sequestro da possibilidade de trabalhar, produzir e se sustentar. Refiro-me ao último sequestrado destes dias, o próprio movimento dos caminhoneiros, dominado por correntes políticas contraditórias, interessadas em gerar uma situação de anomia e caos.
Como conservador, creio na mudança, na reforma, na prudência. Descreio das revoluções, das rupturas, e de que se encontre no agravamento do caos a saída para o caos. 














extraídadepuggina.org

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