Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

"Tudo pelo pessoal",

por Dora Kramer  O Estado de São Paulo
Na semana passada a reforma política saiu do papel para entrar no escaninho da mesmice. Estaria até de bom tamanho se ao fazer andar a reforma a Câmara não tivesse optado pelo modo retrocesso na única mudança significativa: o fim do instituto da reeleição.
De maneira torta – mudando a regra no meio do jogo – em 1997 o Brasil adotou regra vigente em democracias civilizadas, onde ao cidadão é dado o direito de reconduzir o governante bem avaliado e a este a oportunidade de consolidar projetos bem sucedidos. Este era o princípio e o argumento em defesa da norma.
Agora, decorridos insignificantes 18 anos, a maioria expressiva dos deputados e, segundo consta com apoio da maior parte do Senado, propõe a revogação alegando que a reeleição já cumpriu seu “papel histórico”.
De qual papel e de qual história estamos falando? Desde quando menos de duas décadas podem significar algo além de mera vírgula em termos de História? Desde nunca. Simplesmente porque não é essa a razão verdadeira.
Bem como não há fundamento na alegação de que o instituto da reeleição é o grande patrocinador do uso da máquina pública nas campanhas eleitorais. Fosse assim, teríamos de admitir que tal prática inaugurou-se no Brasil em 1997.
Seria também necessário aceitar que o então presidente Luiz Inácio da Silva não usou nem abusou do aparelho de Estado em 2010 para eleger a sucessora, apenas porque não era ele o candidato naquela eleição. Fez e aconteceu, todo mundo viu. E ali não havia reeleição. Portanto, esse não é fator determinante.
Governantes já perderam eleição no cargo. Inclusive do PT. Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo é um exemplo. Eduardo Azeredo no governo de Minas Gerais é outro. Reeleição não é garantia, não é por si só motivo de fisiologismo nem é a “raiz da corrupção”. Óbvio que se podem fazer as coisas de maneira correta. Todo mundo sabe como fazer.
Muito bem, então, qual é o ponto? O ponto é que a reeleição teve um efeito colateral: tornou mais lento o rodízio de candidatos dentro dos partidos.
Isso quer dizer o seguinte: suas excelências não estão preocupadas com a lisura do processo coisa alguma. Só estão de olho na reorganização da fila interna de candidatos à presidência. Os tucanos, por exemplo: enquanto só tinham Fernando Henrique, a eles interessava a reeleição.
Agora que o PSDB tem Aécio, Alckmin e Serra como possíveis candidatos à presidência da República em 2018, o partido quer “abrir” o rodízio. Para os que em 1997defenderam a reeleição daquela maneira, francamente, falar o contrário nessa altura com toda essa pompa é quase uma piada de mau gosto.
Mas não foi só isso. A “reforma” manteve o sistema eleitoral como está. Proporcional. Aquele pelo qual você vota em um, elege outro e não sabe o que fez. Tudo por meio de negociações sobre as quais o eleitor não tomou conhecimento. A respeito delas tampouco diziam a vida de que é dono do voto.
Cláusula de barreira poderia dar um basta da proliferação de partidos, mas a forma frouxa negociada atendeu apenas aos interesses internos. Privilegiou as legendas de aluguel e prejudicou os partidos ditos ideológicos. Um troca-troca interno do qual o eleitor esteve fora o tempo todo.
O quem vem pela frente não desenha cenário melhor. Há ainda proposta para unificar as datas das eleições para presidente, governador, deputados, senadores, vereadores e prefeitos. Isso significa, na prática, a ocorrência de menos eleições.
Junto a isso, essa “reforma” ainda abre mais espaços para situações de infidelidade partidária. Todo o trâmite atendeu a interesses corporativos. Não houve um momento em que estivesse em jogo o ponto de vista do eleitor. Este nunca foi levado em conta.
Portanto, uma reforma que não vale. Pelo simples fato de que não leva em conta o principal. 




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Acabou o dinheiro, mas o Judiciário quer aumento

Bernardo Mello Franco  Folha


Em uma das muitas crises financeiras no Clube de Regatas do Flamengo, em 2009, o então presidente Marcio Braga convocou a imprensa à sede da Gávea e abriu o jogo: “O que está acontecendo aqui é exatamente o seguinte: Acabou o dinheiro. Não tem mais dinheiro”.

Dilma Rousseff escondeu a crise na campanha, mas tem uma chance de se redimir da propaganda enganosa. Basta reunir os jornalistas no Planalto e repetir as palavras do ex-mandatário rubro-negro. Acabou o dinheiro. Não tem mais dinheiro.
Essa seria a explicação mais honesta para o corte de quase R$ 70 bilhões anunciado nesta sexta. O governo está na pindaíba, vendendo o almoço para pagar o jantar. O país vive uma nova era das vacas magras, como no segundo mandato de FHC.
A volta ao passado inclui o retorno ao noticiário de outra sigla de três letras: o FMI. Na semana do corte, o Fundo enviou sua sorridente diretora ao Brasil para tirar fotos com autoridades, assistir a uma apresentação de capoeira e elogiar o ajuste fiscal.
A tesourada deve agravar a crise na educação, às vésperas de uma nova onda de greves nas universidades federais. Também atingirá o Minha Casa, Minha Vida, vitrine da gestão petista, e o PAC, que poderia acelerar a retomada do crescimento.
O pacote ainda bloqueará R$ 21,4 bilhões de emendas parlamentares, no momento em que Dilma mais precisa de apoio para aprovar o ajuste no Congresso. Pode ser a senha para uma nova ofensiva de quem só pensa em reciclar as palavras do ex-presidente do Flamengo: “Acabou o governo. Não tem mais governo”.
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PS – Palavras do ministro Ricardo Lewandowski no dia do corte: “Como cidadão, compreendo as dificuldades pelas quais passa o país. Como chefe do Judiciário, tenho que cuidar dos servidores que estão com vencimentos atrasados”. Faltou lembrar que eles receberam o último aumento há apenas quatro meses.
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Vitória no Senado foi derrota de Dilma, do governo e também do PT

Pedro do Coutto

Reportagem de Cristiane Jungblut, Maria Lima, Fernando Krakivics e Flávia Barbosa, O Globo de quarta-feira, manchete principal da edição, destaca a aprovação, no Senado, por 39 votos a 32, da Medida Provisória que estabeleceu restrições ao seguro desemprego e ao abono salarial pago por ano aos que recebem até dois salários mínimos. Na realidade, a vitória da maioria, sob o ângulo político, foi a derrota da presidente Dilma Rousseff, do governo e também do PT, cujos integrantes não fizeram um discurso sequer de apoio aos cortes praticados.
Escrevo este artigo depois da aprovação do substitutivo da Câmara à MP 664 que reduz as pensões deixadas por morte dos segurados. Mas o reflexo de ambas as Medidas Provisórias é o mais negativo possível. A oposição ao Poder Executivo não poderia desejar nada melhor. Dilma Rousseff, apoiada num texto de Joaquim Levy, esse homem fatal das histórias de Nelson Rodrigues, enveredou por um caminho absolutamente impopular. Impopular e que, na verdade, não vai levar a economia alguma de gastos públicos. Porque redução de verbas oficiais não pode haver enquanto a dívida interna do país estiver no patamar d 2 trilhões de reais, praticamente 40% do Produto Interno Bruto.
É só fazer as contas. O desembolso com juros passa de 250 bilhões de reais a cada doze meses. O corte exigido por Joaquim Levy (66 bilhões) não dá para cobrir nem um terço do montante dos juros em valores concretos. Eis a questão essencial, como definiu o poeta.
SÓ ILUSÃO
Não adianta contestar. Qualquer contestação inspira-se na fantasia para iludir opinião pública, portanto os eleitores. Por isso é que à medida em que o governo afunda, Dilma Rousseff perde em popularidade, arrastando o PT para o fundo do poço. Aproveito a expressão contida no artigo de Roberto DaMatta, quarta-feira, no Globo. O fundo do poço, expressão atribuída a Poncio Pilatos, reproduzida por Jorge Amado, sobre quem DaMatta escreveu, inspirou também um belo e famoso samba de Noel Rosa. A força da expressão, assim, atravessa, são só os séculos, mas os milênios.
Focalizava o declínio de Dilma Rousseff, em consequência o fortalecimento da oposição e o esvaziamento do governo e da legenda do Partido dos Trabalhadores. Esse processo continuará. Prova disso é a declaração do presidente nacional do PT, Rui Falcão, matéria de Sérgio Roxo, O Globo, ao defender a perda do mandato da Senadora Marta Suplicy junto a Justiça Eleitoral. Destacou um ato, de “oportunismo eleitoral” de parte dela, tentando candidatar-se a prefeita de São Paulo pelo PSB.
ENFRAQUECIMENTO
Oportunismo eleitoral? Isso significa tacitamente reconhecer o enfraquecimento da legenda petista. Pois se ela muda de partido para obter votos que possam leva-la à vitória, claro, é porque esses votos escaparam das ruas onde o PT dominava. A verdade, assim, tanto mora num poço como nas palavras que se tornam capazes de iluminar seu fundo. Roberto Damatta redescobriu a frase. Ajusta-se bem à situação de hoje do governo e do país.






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A crise é feia, mas o Brasil tem lastro -

SERGIO FAUSTO O ESTADO DE S. PAULO
 Vivemos uma conjuntura política ímpar. Cinco meses após a presidente reeleita tomar posse novamente do cargo, sua figura se apaga, enquanto o vice-presidente e o ministro da Fazenda ganham ares de primeiros-ministros. Acontece que legalmente a primeira mandatária continua a ser a presidente. Embora só o ministro da Fazenda seja demissível, ambos detêm poder a título precário, condicionado ao desempenho nas tarefas de organizar a maioria governista no Congresso e recriar a perspectiva de melhora da economia, respectivamente. O desempenho de um depende do desempenho do outro. Se a já precária maioria governista no Congresso desandar, adeus retomada do crescimento. Se a esperança de retomada do crescimento desaparecer, a maioria política governista seguirá o mesmo caminho.

Depois de quase naufragar na partida, a nau governista pôs-se em movimento e venceu algumas batalhas na luta pelo ajuste fiscal, mas a guerra das expectativas será longa. Na política, jamais se viu um Congresso que abrigasse tantos partidos – problema que se deve agravar com a reforma política virtualmente aprovada na Câmara – e tamanho desejo de desafiar o Executivo, hoje mais fraco do que nunca antes na História recente deste país. Na economia, a passagem do ajuste à retomada do crescimento será mais difícil do que foi no início do segundo mandato de FHC e no primeiro de Lula, pela combinação de desarranjos internos e circunstâncias externas não favoráveis.

A incerteza no cenário nacional é agravada pelo desdobramento imprevisível de um processo judicial que alcança empresas líderes no setor de infraestrutura e construção pesada, partidos e lideranças que compuseram o núcleo do bloco político construído nos governos Lula. A implosão desse bloco, em pleno andamento, deixará mortos e feridos. Resta ainda saber qual a extensão dos danos e sua distribuição entre os atores que protagonizaram o ciclo político e econômico que agora se encerra estrepitosamente.

As incertezas sobre os resultados do processo judicial não se dissiparão tão cedo. Se os inquéritos sob a jurisdição do juiz Sergio Moro avançam com rapidez, bem mais lento é o ritmo dos trabalhos nos domínios da Procuradoria-Geral da República, onde se encontram sob investigação nada menos que os presidentes da Câmara e do Senado, além de outros 43 parlamentares da atual legislatura, número que pode crescer com novas delações premiadas. Se os acordos de leniência de empreiteiras com a CGU parecem mais próximos, o Ministério Público já deixou claro que não deixará de contestá-los. Dentro do bloco governista, em particular no PT, a insegurança é ampla, geral e irrestrita. Também para a oposição o futuro é incerto, porque a implosão do lulopetismo mudou a combinação de gases na atmosfera política do País, mais volátil do que nunca antes nos últimos 20 anos.

Falar que há muita incerteza no cenário nacional é dizer o óbvio. Menos óbvio é notar que as instituições políticas e jurídicas têm conseguido resguardar o País de um naufrágio econômico e de uma crise institucional. Na conjuntura atípica, os atores até aqui se têm movido dentro dos limites constitucionais vigentes e segundo o aprendizado feito pelo País desde o Plano Real. Esse aprendizado se resume, simplificadamente, a uma lição singela: precisamos de estabilidade política para ter estabilidade econômica e vice-versa. E sem uma e outra coisa não haverá crescimento. Nem que a vaca tussa.

Com suas regras escritas e não escritas, o software institucional que tem assegurado razoável estabilidade política e econômica ao País nos últimos 20 anos, com seus pesos e contrapesos, tem passado – vale repetir, até aqui – pelo teste de estresse a que está submetido.

A própria presidente demorou, mas entendeu que não poderia continuar em rota de colisão com o Congresso. O Legislativo não perde a oportunidade para exercer em grau inédito a independência que a Constituição lhe atribui, mas não age para tornar inviáveis as ações do Executivo.

A credibilidade do Banco Central e do regime de metas de inflação recupera seu antigo vigor, porque a sociedade e mesmo os políticos, afinal, sabem que no Brasil quem brinca com a inflação acaba queimado. O TCU se fortalece como órgão de controle, apontando infração à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no primeiro mandato de Dilma Rousseff, no caso das notórias "pedaladas fiscais". O governo contesta a interpretação do tribunal, mas não põe em xeque sua competência legal para proceder à acusação, muito menos questiona a validade da LRF.

Furiosos com a inclusão do nome deles na lista de políticos sob investigação da Procuradoria-Geral da República, os presidentes da Câmara e do Senado ameaçaram patrocinar emenda constitucional para impedir a recondução de Rodrigo Janot. Sem apoio suficiente entre seus pares, logo recuaram da bravata.

O Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal atuam com firmeza sem precedente no combate à corrupção, valendo-se de instrumentos jurídicos novos. Procedem, no entanto, dentro dos limites do devido processo legal e, em última instância, sob o crivo do STF.

Embora preocupado com os prejuízos políticos e econômicos do processo judicial, o governo não opera para cercear o trabalho dos responsáveis pela investigação ainda em curso. E as oposições, sem abandonar seu dever de manter acesos os holofotes sobre irregularidades cometidas pela presidente e seu governo, decidem trilhar caminho alternativo ao impeachment, que nada teria de inconstitucional, mas provocaria consequências imprevisíveis e não desejadas pela população na delicada situação econômica e política que o Brasil atravessa.

Por ora a travessia se dá com razoável estabilidade graças às instituições construídas e/ou aperfeiçoadas nos últimos 20 anos, ao amparo da Constituição. Não é pouco.




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terça-feira, 2 de junho de 2015

A solidão de Levy -

GUSTAVO FRANCO O GLOBO
Levy se tornou, ao mesmo tempo, uma figura de quem o governismo quer se afastar, e a quem a oposição também não se permite apreciar, mesmo tendo afinidades evidentes com suas ações

Não duvido nada da gripe do ministro Levy, quem o faz não conhece a nossa capital e os efeitos da baixa umidade relativa do ar. Lá são frequentes as crises de insônia, e nada pode ser mais devastador para os aparelhos imunológicos das autoridades econômicas. É claro que não se trata apenas da secura, mas da climatologia político-parlamentar, sempre problemática nessa época do ano, quando é preciso contingenciar o Orçamento da União.

Capitais isoladas, como Brasília, produzem ambientes exóticos. Juscelino argumentava que a governabilidade aumentaria com a nova capital, pois, no Rio, segundo dizia, até uma greve de bonde ameaçava o presidente da República. Anos depois, contudo, um estudo dos professores Filipe Campante e Bernardo Guimarães estabeleceu uma relação entre o isolamento das capitais e o crescimento da corrupção, uma conclusão explosiva, quem poderia imaginar?

Não conheço o estudo para julgar, prefiro me abster, mas acredito firmemente que Brasília é a capital da insônia e da solidão, e essas duas mazelas juntas produzem resfriados periódicos praticamente inevitáveis. Sobre o sono do ministro só é possível presumir, mas, de outro lado, não há precedente para uma solidão ministerial tão grande quanto esta do ministro Levy.

Levy se tornou, ao mesmo tempo, uma figura de quem o governismo quer se afastar, e a quem a oposição também não se permite apreciar, mesmo tendo afinidades evidentes com suas ações. Discreta, ou talvez secretamente, muitos torcem por ele, ao mesmo tempo em que, de público, gostam de exibir hostilidade ou, no mínimo, independência quanto ao que ele propõe.

De um lado, Levy é para Dilma o reconhecimento de um erro em forma de ministro, sem ser um pedido de desculpa. Por isso é um lembrete incômodo de excessos e ilusões, a personificação de um arrependimento jamais reconhecido quanto às “pedaladas” e “brincadeiras” perpetradas pelo ministro Guido Mantega, muitas delas em companhia de Nelson Barbosa, que continua por perto, e com a plena concordância da presidente. Levy significa a adesão da presidente ao que, no passado, designou como “rudimentar”, as ideias ortodoxas de Antonio Palocci.

Do lado da oposição, o panorama não é melhor: Levy parece usurpar uma agenda que era de Aécio, ao menos em parte, e que agora, uma vez verificado o estelionato, é vista com desprezo, menos porque é cópia não autorizada e empobrecida, como uísque paraguaio, do que pelo fato de ser a opção de um governo que não acredita nessas coisas e por isso mesmo a receita será aplicada a meia boca e/ou terá eficácia muito menor, como costumam ser os plágios e enganações. Com raciocínios desse tipo, ou mais canhestros envolvendo azeitonas e empadas, os tucanos votam contra os ajustes de Levy, pois a política é jogo de gente truculenta mesmo.

Nesta delicada geografia, o ministro Levy, traduzindo ao pé da letra uma expressão americana, parece pendurado nos cordões do próprio sapato, em uma situação de baixíssima imunidade. Não obstante, ele representa uma espécie de consenso envergonhado, uma virtude que, mesmo sendo majoritária, lamentavelmente, nenhum dos lados quer assumir como sua, em razão do pervertido ambiente político em que vivemos.

Esta perversão se explica a partir de uma máxima perpetrada, em 2006, pelo então deputado, hoje ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo: “No jogo mesquinho da política brasileira, muitas vezes interessa mais impor derrotas ao adversário do que construir coisas conjuntas.” O contexto para o enunciado deste axioma já se perdeu, o fato é que, na sua vigência, os estelionatos não funcionam mais como antigamente e a política se tornou um baile de máscaras, onde ninguém mais vota como acredita, e quem não acredita em nada, o “centrão”, é quem conduz as votações.

Pessoalmente, acho muito discutível a ideia predominante segundo a qual este axioma explica o sucesso eleitoral do petismo. De fato, o PT votou contra tudo que lhe apareceu pela frente, inclusive contra a Constituição, o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal. E teria detonado Madre Teresa de Calcutá se ela fosse governo. Foi uma irresponsabilidade histórica, mas sem consequência, pois era só “para marcar posição”, quando o partido era uma minoria radical. Não foi por isso que ganharam, mas seria esta uma receita a ser imitada em nossos dias?

Preferia que a oposição seguisse Carlos Drummond de Andrade: “O perdão pode ser a maneira mais requintada de vingança”. Mas o Parlamento não é o lugar dos poetas. Como dar vida boa a este governo que tanto mentiu e tanto sacrificou o bem do país em nome da demagogia?

Foi com este espírito elevado que o Congresso esmerilhou as Medidas Provisórias do ministro Levy, aprovadas depois de lipoaspirações e contrabandos, e, com a preciosa ajuda da oposição, e em consonância com o Axioma de Cardoso, detonou o “fator previdenciário”.

Caso o leitor não se lembre, o fator foi um expediente inteligente inventado pelos tucanos para salvar as contas da Previdência, uma vez verificada a impossibilidade de se aprovar uma idade mínima para a aposentadoria, a solução ideal. Não obstante, o PSDB guiou-se pelo Axioma de Cardoso, e não pelo de Drummond, e agora reza para que a presidente vete a traquinagem.

O problema, entretanto, foi que a derrubada do fator iniciou uma espécie de “contrarreforma” da Previdência, que parece acordar uma maldição bem descrita pela máxima de Millôr Fernandes: “As coisas de interesse de todos quase sempre não interessam a ninguém.”

O problema aqui é um clássico no tema das reformas: custos concentrados e benefícios dispersos. As imensas populações beneficiadas pelas reformas, como a da Previdência, mal reparam nas mudanças, enquanto que as minorias prejudicadas se mobilizam com imensa facilidade de forma organizada, aguerrida e militante. Ainda que estejam fazendo um bem a muitos, e muito maior que os custos que provocam, os proponentes de reformas são duplamente punidos, pela indiferença das maiorias que beneficiam e pelo ódio das minorias cujos privilégios são eliminados.

Não é claro, portanto, que haverá o veto presidencial, ou se, num rasgo de lucidez, o governo resolverá que dobrará a aposta e proporá a idade mínima. Tudo pode acontecer, o errado, é claro, com maior probabilidade.

A solidão do ministro Levy apenas tende a aumentar.




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O Brasil não tem ideia -

 VINICIUS TORRES FREIRE FOLHA DE SÃO PAULO
O Brasil viveu tumultos políticos imensos em cada vez que a economia passou por baixas grandes, tal como deve ser a de 2014-2015, quem sabe com 2016 no pacote.

A frase embute bobices, a começar pela vaga palavra "economia". Mas a estatística do efeito dos PIBs velhos na política não deixa de ser uma assombração.

Em 1963-64 (golpe), 1981-83 (estertor da ditadura) e 1990-92 (Collor) houve confluência de crises políticas e econômicas. A mera lembrança desses anos tão horríveis desacredita a comparação com 2015. Com todas as suas selvagerias, o Brasil não seria mais assim tão primitivo.

Se a comparação é descabida, também não tem cabimento a atenção menor que se tem dado aos efeitos do ajuste-arrocho sobre o brasileiro comum, que só começou a ser esfolado. De resto, há nova confluência de crises econômica e política.

Sim, o Brasil é mais rico: há muito menos gente no limiar da sobrevivência. É algo menos desigual. Não há inflações mortais. Há amortecedores sociais como nunca antes.

Há 30 anos de experiência democrática e válvulas de escape, eleições bienais, embora o Congresso flerte com a ideia idiota de realizá-las apenas em anos de Copa.

Mas a crise econômica de fundo é difícil, "estrutural". Resulta em parte da ideia de que se vai dar jeito na pobreza e na desigualdade apenas por meio de mera e rápida redistribuição de renda (isto é, via Estado. Assim só não dá, falta crescimento). Nessa tentativa, nem se promoveu redistribuição maior (o gasto público e a tributação são ainda porcamente injustos) e menos ainda se procurou reformar a economia de modo que ela funcione por si só de modo a promover menos desigualdade e que cresça mais rápido.

Nos anos finais de Lula 2 e sob Dilma 1 essa ilusão foi sustentada a base de drogas, dívidas, o que nos levou à beira da quebra e ao arrocho.

Sair do impasse, parar de tomar drogas, é politicamente conflituoso. Mais ainda em um país que pode ficar socialmente conturbado por três anos de empobrecimento e estagnado por meia década. Para piorar, nossa democracia padece de fadiga de material político e, como se sabe pelo menos 2013, de desconexão entre "ruas" e política formal.

Faltam novidades políticas, como o PT dos 1980, o que suscita temores de uma novidade do gênero Collor. Não há movimento de renovação nos partidos que temos, seja por meio de lideranças, seja por correntes vindas "da base" ou "das ruas".

Desgraçada e infelizmente, diga-se, o PT afunda no seu lodo e na ignorância espantosa do que sejam políticas públicas, para ficar em problemas imediatos. Desgraçada e infelizmente, o PSDB "não tem projeto de país", para resumir o problema no clichê de uma de suas lideranças; afunda em oportunismo eleitoreiro e ressentimento udenista derrotado.

Quase todo o resto é ainda mais indizível, nanico ou doidivanas. Como se não bastasse, o sistema incentiva a fragmentação parlamentar, a maior desde a redemocratização, ao menos. Em tempos de presidente sem prestígio, política desacreditada e lideranças pequenas, isso induz mais confusão.

Temos ainda mais problemas políticos e institucionais. Mas conviria prestar atenção a essa conjunção de crise econômica com falta de rumo político e de imaginação programática.







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O passado que não passa -

JOSÉ ROBERTO MENDONÇA DE BARROS O ESTADÃO
Em dezembro de 2011, publicamos aqui no Estado, Carlos Melo, do Insper, e eu, um artigo que, três anos e meio depois, parece ser, infelizmente, atual. Dizíamos, então, que “é importante crescer, mas de modo sustentável. Não basta apenas querer o crescimento, gargalos precisam ser alargados e entraves, removidos. Urge iniciar um novo ciclo de mudança”. Hoje, ocupo este espaço para um novo artigo com o Carlos, no qual colocamos que não apenas este processo não veio, como o governo se perdeu no triunfalismo e em conquistas limitadas que festejava.

Já naquela ocasião apontávamos que, ao contrário dos primeiros anos do governo petista, “a agenda era mais complexa. Há um sério problema na expansão da oferta: a produtividade, total e do trabalho, está estagnada; os custos de produção e de investimento sobem velozmente: a competitividade sistêmica cai nas classificações internacionais, como o Doing Business, do Banco Mundial; o investimento perde vigor. A despeito disso, a grande resposta do governo é estimular a demanda”.

Passados 41 meses desde a publicação de nosso artigo, podemos dizer que essa situação se agravou ainda mais. Na verdade, até regrediu: voltamos às agruras dos ajustes fiscais e agora não nos resta alternativa de curto prazo que não seja defender a cidadela macroeconômica, que a esta altura de nossa história deveria ser ponto pacífico, questão superada.

Como em dezembro de 2011, ainda “precisamos de poupança, investimento, infraestrutura, ambiente de negócios, regulação e formação de capital humano – e mais investimento. Precisamos muito de uma substancial melhora na governança pública; precisamos recuperar a credibilidade do sistema político e fazer reformas. Precisamos crescer de uma vez por todas e a isso se dá o nome de maturidade”. Mas, na verdade, tudo parece mais difícil: agora, o ímpeto para o investimento, nos tempos de Operação Lava Jato, se recolheu; sabe-se lá o que mais pode estourar nessa cesta de explosivos que se revelou a relação entre governos e estatais com parte das empresas privadas, fornecedoras de insumos e serviços. A ideologia e a falta de pragmatismo comprometeram marcos regulatórios, o ambiente de negócios piorou, sem as reformas necessárias, a governança pública está em cheque; e a credibilidade do sistema político nunca esteve tão baixa, incapaz hoje de fazer reformas – nem mesmo as que interessam apenas ao sistema político.

O déficit de liderança é ainda maior. Após tantos desatinos durante a eleição de 2014 e mesmo após a posse, em janeiro, a presidente Dilma Rousseff calcinou a maior parte de seu capital político; compôs um governo fraco, de poucos quadros qualificados, possuidor de uma única “bala de prata” – o ajuste do ministro Levy, tão necessário quanto insuficiente. A presidente perdeu comando e com ele o controle de sua base aliada. Se vê sujeitada a insistir em práticas que se esgotaram como recursos que um dia, apesar de questionáveis, apresentaram alguma eficiência momentânea – a distribuição de cargos e espaços no governo. Sem criatividade ou ousadia, Dilma se recolheu, incapaz de expressar uma nova mensagem à nação, mais preocupada com sua popularidade, hoje ao rés do chão.

Em 2011 dizíamos que “não é fácil fazer reformas. A presidente, mesmo que as quisesse – e aparentemente não quer –, dificilmente conseguiria emplacar agenda nessa direção. Sua base política é enorme, porém fragmentada e contraditória; seus aliados, beneficiados do status quo, são reativos; e mesmo seu Estado-Maior – incluindo aí o ex-presidente Lula – se mostra temeroso de conflitos capazes de afetar o obsessivo indicador da popularidade”. O que dizer hoje? O ex-presidente Lula, por muito tempo dito como uma espécie de fiador de Dilma, hoje, à luz do dia, rifa o governo de sua ex-protegida. Está mais preocupado com a manutenção de sua base eleitoral tradicional do que com seu lugar efetivo na história. O mesmo vale para boa parte do PT, que parece não mais considerar seu o governo atual.

O impasse se aprofunda, e até mesmo a oposição, sobretudo do PSDB, se mostra incapaz de expressar alternativas e apontar caminhos de saída. É preciso compreender que quanto pior, pior para todos. Dizíamos no final de 2011 que “há um conhecido rol de propostas, ainda não totalmente desenvolvidas e articuladas. Diante do esmaecimento do processo, seria de supor que o momento de implementá-lo chegou. Todavia, sua oportunidade política parece cada vez mais distante”. E mais distante ainda nos parece hoje, se não houver entendimento político para a superação do péssimo momento.

É imperioso debater e propor saídas, alternativas, apontar os caminhos do amanhã. Assim como em 2011, repetimos: “eis o impasse: a história indica que chegou o momento de seguir em diante, mas a falta de consenso e disposição para o enfrentamento paralisa o processo. Não há, ainda, o dínamo da mudança e talvez só mesmo a crise, quando chegar, possa vir a sê-lo”.

A crise, finalmente, chegou. E chegou com marcas indeléveis: um enorme problema de governança (que se expressa numa corrupção generalizada, na ineficiência da máquina pública e na incapacidade de desenvolver projetos de boa qualidade); um grande fracasso da política macroeconômica (expressa no desarranjo fiscal, na elevada inflação e nos juros altos) e na política microeconômica (crises na Petrobrás, no modelo elétrico, no etanol, no setor automotivo, na construção civil, no setor de bens de capital e na indústria em geral). Isso tudo somado à grande crise de credibilidade do sistema político, que se expressa no sentimento de corrupção generalizada e da ineficiência de quadros. O caso Fifa só reforça essa percepção e o acúmulo das decepções. Cidadãos e torcedores estão juntos.

Na verdade, o que está por trás de tudo é a implosão de duas grandes apostas, interconectadas: a tentativa de hegemonia e eternização no poder de um grupo político e a tentativa de fazer com que o Estado dominasse e conduzisse, em aliança com certos grupos campeões, todas as fontes de crescimento da economia. Daí o desastre macro e o desarranjo microeconômico.

A travessia do deserto será longa e a recessão de 2015, muito profunda. Depois do desastre, assinar manifestos antineoliberais não vai resolver coisa alguma.

Os caminhos estão abertos para quem, de boa-fé, comece a se preocupar com o que fazer.







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Banheiro unissex: um atentado contra as mulheres

Banheiros da UFRN após intervenção de “coletivos”.
Não se engane: a instalação de banheiros unissex nas escolas e universidades não representa nenhum avanço em favor das mulheres ou das minorias.
No Brasil moderno você pode defender qualquer bizarrice desde que ela venha embalada em um discurso de “respeito às minorias” ou “combate ao preconceito”.
Foi em nome do “combate ao preconceito” que o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoções dos Direitos de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais” publicou, no dia 12 de março, no Diário Oficial da União, a resolução que estabeleceu o seguinte: “As escolas e universidades, públicas e particulares, devem garantir o uso de banheiros, vestiários e demais espaços segregados acordo com a identidade de gênero de cada sujeito”.
Ou seja, a partir de agora, eu e minha barba podemos frequentar os banheiros femininos de escolas e universidades. Para tal, basta que eu me “autoafirme” como um transgênero ou qualquer outra categoria sexual inventada nos últimos 10 minutos.
É claro não há como impedir que oportunistas frequentem o banheiro feminino mediante a alegação de que são transexuais. Qualquer marmanjo que alegue que acordou se sentindo a Julia Roberts poderá dividir o banheiro com as mulheres.
Todos estamos chocados com o caso da menina de 12 anos que foi estuprada no banheiro  de uma escola da Zona Sul de São Paulo. A garotinha foi abusada por três colegas (menores de idade), por quase uma hora, sem que nenhum funcionário notasse.
Dá pra imaginar o quanto este cenário vai piorar quando os banheiros de todas as escolas do Brasil forem transformados em locais de convívio entre meninos e meninas – em nome, é claro, do combate ao preconceito.
Banheiro por “identificação de gênero” é uma ficção vulgar. O que está sendo proposto é que escolas e universidades tenham banheiros U-N-I-S-S-E-X.
Fachadas
Ideólogos disfarçados de jornalistas ou travestidos de pedagogos estão inundando as redes sociais com suas típicas frases-de-para-choque-de-caminhão que justificam o banheiro unissex a partir do “combate ao preconceito”.


A manipulação da linguagem não é um fenômeno moderno. Desde a Grécia Antiga os sofistas já sabiam que a retórica pode solapar a verdade no discurso público. É por isso que os militantes corrompem palavras e conceitos para defender suas teses perniciosas.

“O ideólogo usa fachadas para esconder suas reais intenções. Ele nunca é sincero. Veja o caso, por exemplo, do banheiro unissex. É defendido a partir da ideia de direitos das mulheres. Na verdade, é um atentado contra as mulheres que agora terão que dividir o banheiro com qualquer homem que alega que se sente uma mulher”, explicou o professor Felipe Nery, presidente do Observatório Interamericano de Biopolítica.

Relativismo
Felipe Nery também destaca uma nefasta característica da neutralidade de gênero: o relativismo que, gradualmente, nos levará ao vale-tudo da sexualidade. A pedofilia, lembrou, já começa a ser chamada por progressistas de “amor entre gerações”…

O gênero sexual é um dado da natureza assim como a altura ou o peso. Negar que você é homem ou mulher faz tanto sentido quanto negar que é alto ou magro.
Até mesmo a moderna psicologia evolucionista – odiada pelos religiosos por sua natureza darwinista – diz claramente que há diferenças naturais (biológicas e psicológicas) entre homens e mulheres e ri dos acadêmicos que falam em “construção social”.
Os ideólogos, contudo, querem reduzir o gênero sexual a uma mera invenção cultural da sociedade patriarcal que deve ser destruída em nome da liberdade e etc.
Mas eu aposto que os militantes de gênero sofrerão a humilhação de enfrentar uma forte resistência das mulheres. Chegará o dia em que os “militantes da tolerância” serão desmascarados justamente por aqueles que dizem representar.
Não serão os políticos que derrotarão o lobby do gênero: serão as mulheres – mães, esposas, filhas – que se levantarão contra esta bestialidade que (como tudo que começa na academia) foi parar no banheiro.

Publicado na Reaçonaria.

Thiago Cortês é jornalista.







EXTRAÍDADEMIDIASEMMASCARA

direitos humanos?

ROGÉRIO MEDEIROS GARCIA DE LIMA - Desembargador - Belo Horizonte - MG)".
 "Quando eu era Juiz da Infância e Juventude em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1993, não havia instituição adequada para acolher menores infratores. Havia uma quadrilha de três adolescentes praticando reiterados assaltos. A polícia prendia, eu tinha de soltá-los. Depois da enésima reincidência, valendo-me de um precedente do Superior Tribunal de Justiça, determinei o recolhimento dos "pequenos" assaltantes à cadeia pública, em cela separada dos presos maiores. Recebi a visita de uma comitiva de defensores dos direitos humanos (por coincidência, três militantes). Exigiam que eu liberasse os menores. Neguei.
Ameaçaram denunciar-me à imprensa nacional, à Corregedoria de Justiça e até à ONU. Retruquei para não irem tão longe, mas tinha solução. Chamei o escrivão e ordenei a lavratura de três termos de guarda: cada qual levaria um dos menores preso para casa, com toda a responsabilidade delegada pelo juiz. Pernas para que te quero! Mal se despediram e saíram correndo do fórum. Não me denunciaram a entidade alguma, não ficaram com os menores, não me "honraram" mais com suas visitas e... os menores ficaram presos. É assim que funciona a "esquerda caviar". Tenho uma sugestão ao Professor Paulo Sérgio Pinheiro, ao jornalista Jânio de Freitas, à Ministra Maria do Rosário e a outros tantos defensores dos "direitos humanos" no Brasil. Criemos o programa social "Adote um Preso". Cada cidadão aderente levaria para casa um preso carente de direitos humanos. Os benfeitores ficariam de bem com suas consciências e ajudariam, filantropicamente, a sociedade a solucionar o problema carcerário do país. Sem desconto no Imposto de Renda," é claro.

PS :Passe esta ideia à frente se você também concorda, é uma boa forma de praticar Direitos Humanos...





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A REVOLTA DOS “IDIOTAS” !!!!!

Gen Marco Antonio Felicio da Silva”
 É impressionante como um sem número das ditas autoridades, instaladas nos diferentes poderes da República, nos mais altos postos, a começar da Presidente da República, tratem como “idiotas” grande parcela da população esclarecida, falando de um País inexistente, manipulando e sonegando informações diante da conhecida e escabrosa situação por que passamos e que envolve, criminalmente, diversas dessas autoridades. Quais as razões que impedem a investigação criminal de Dilma Roussef e de Lula da Silva? “Mensalão” e “Petrolão” não passam de esquemas armados pelo PT, desviando criminosamente dinheiro público para enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas políticas que levaram Lula e Dilma à Presidência. Lula, não é de hoje, antes de 2003, de forma comprovada, já usava dinheiro extorquido ou público, desviado, para tal. Delações premiadas recentes confirmam tais financiamentos criminosos. Como não saberiam eles, Lula e Dilma, de tal corrupção, principais favorecidos e pertencentes à cúpula do Partido, ainda mais que José Dirceu e Delúbio Soares, condenados no Mensalão, e o tesoureiro do PT, hoje, preso, João Vacari, são figuras exponenciais dos esquemas citados ?
Como acreditar num STF aparelhado que mostra juízes, com todo um passado ligado a Lula e ao PT, agindo como advogados de defesa de réus petistas ou tudo fazendo para bllndar o ex-presidente e Dilma. Tribunal que dá guarida a juíz sem saber jurídico ou militante do PT e defensor do MST, que, privilegia a imoralidade, não se sentindo impedido de julgar, apesar dos laços com os acusados de interesses e amizade ou de companheirismo presentes.
Primorosa, no sentido de manipular fatos e negar a gravidade da situação e o envolvimento criminoso de seus companheiros, é a entrevista à “Época” (04/05/2015), de Jaques Wagner (MD), também um dos citados como recebedor de propinas para sua campanha, através de delação premiada de empreiteiros e do corrupto doleiro Youssef, já preso. Segue, ele, a mesma linha do manifesto do PT (30/03/2015), que, apesar dos escancarados fatos de envolvimento criminoso no “Petrolão”, afirma, cretinamente, que o PT está sendo “atacado por suas virtudes”. Assim, nos classifica como “IDIOTAS”, como crédulos de mentiras comprovadas.
Afirma Wagner que a sua tristeza com as manifestações de ruas, “já que estavam fazendo tudo certo”, esquecendo-se da situação degradante em que se encontra o País, resultante dos governos ineptos e corruptos do PT, é a bandeira levantada, negativa, o pedido de “impeachment” de Dilma, para ele acima de qualquer suspeita. Esquece, entre outros “malfeitos” da Presidente, que o atraso de repasse de recursos para os bancos públicos, escamoteando o déficit público e manobrando para aumentar gastos que facilitariam a sua propaganda eleitoral e consequente eleição, é crime de responsabilidade que leva ao impeachment.
Os “IDIOTAS”, cada vez mais pisados, se voltam para as ruas, até mesmo não só para reivindicar mais intensamente contra as mentiras e descalabros impostos à Nação, por este bando de corruptos, como também, possivelmente, incitados à revolta e desespero crescentes, para fazer justiça pelas próprias mãos face a esse total e imoral desgoverno.






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O MELHOR DO BRASIL, EM MUITAS DÉCADAS.

PERCIVAL PUGGINA
Em relação ao que aconteceu e ao que não aconteceu no dia 27 de maio, firmo algumas certezas. Se três índios tivessem saído de Manaus a pé para Brasília, levando postulações ao Congresso, haveria forte mobilização da mídia nacional e internacional, repercutindo imagens e reivindicações. Se o senhor João Pedro Stédile, ou o frei Betto, fizessem algo parecido, as grandes emissoras de tevê acompanhariam passo a passo a peregrinação e os delírios revolucionários dos romeiros. Utopias são assim, quanto mais trágicas, maior a sedução e maior o número de adeptos. Vá entender!
 Segunda certeza. Há uma deliberada intenção de dificultar, por todos os modos possíveis, o surgimento de lideranças jovens, cujas posições, no quadrante das ideologias, se situam do centro para a direita. Para quem estava acostumado a emprenhar a juventude brasileira pelos ouvidos e, depois, levá-la pelo nariz a colaborar com os objetivos do petismo e da esquerda, é intolerável o surgimento de núcleos de contestação e reação. De onde saiu essa moçada que se vai transformando em força política?
 Isso não estava previsto. Não fazia parte do projeto. Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete da presidente Dilma, confessou lisamente sua surpresa com o “surgimento de uma direita organizada e mobilizada”. Tal reconhecimento foi feito durante uma reunião com a turma de comunicação dos movimentos sociais, promovida para salvar o decreto dos sovietes de afogamento na onda de rejeição que contra ele se formara.
O projeto de construção da hegemonia petista precisou, então, ser revisto e as providências estão sendo tomadas. A primeira cuida de confinar esses jovens ao ambiente virtual onde teve início sua organização. É preciso transformá-lo em gueto e fazer com que dele não saiam. A segunda é desqualificar todos os grupos transformando seus méritos em motivo de reprovação. Afinal, qual país do mundo precisa de jovens liberais ou de jovens conservadores? O bom para a hegemonia esquerdista é a militância comunista, coletivista, estatizante, castrista, guevarista, chavista, que tem o dom de destruir todas as economias e todas as sociedades em cuja teia envolve.
Os meios usuais de desqualificação não se aplicam ao caso. Não é possível identificar esses jovens com qualquer governo. Os pais deles eram crianças em 1964. Eles próprios sequer haviam nascido ao tempo da redemocratização. Nada há para agravá-los exceto o que são: liberais e/ou conservadores. Assim, esses inegáveis méritos são atacados por quem não tem mérito algum. Muitos dos que se integram à tentativa de jogar no ostracismo essa moçada brilhante – o que de melhor aconteceu ao país nas últimas décadas! - já abandonaram por desilusão moral o barco onde vinham. Já não defendem o indefensável (como fizeram por tanto tempo), mas não perceberam ainda que o problema não está no partido tal ou qual, no líder tal ou qual, mas na ideia. O que aconteceu no Brasil foi o processo natural de amadurecimento e apodrecimento de uma fruta que cairá pelo peso da gravidade. Quem quiser um Brasil melhor terá que mudar a natureza das ideias que planta.
Saibam os jovens que me leem: vocês não têm com o que se decepcionar. Vocês mobilizam a esperança de milhões de brasileiros que, como eu, não souberam fazer o que vocês estão fazendo. Vocês estão enfrentando a malícia e a malignidade das forças do mal. “Sede, pois, prudentes como as pombas e espertos como as serpentes”.








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"Na cozinha do Planalto",

por Demétrio Magnoli FOLHA DE SÃO PAULO
– Uh, LULA, qual é? Quer tocar fogo no meu governo? – Eu, Dilminha?
– Você, sim! "Onde está, no estatuto do PT, que tem que votar contra o trabalhador e o aposentado? Vote de acordo com a sua consciência" –foi isso que você falou pro Paim. –Esquece o Paim, querida. Ele não ia ceder mesmo. Falei por falar.
– Ok, mas e o Lindbergh com aquele manifesto contra o Levy? Esse só faz o que você permite. Tem mais: no congresso do PT de São Paulo, aquele fracasso, todo mundo gritava "Fora, Levy". Vai ser assim no Congresso Nacional, vai? – Dilminha, você sabe como é o PT, né?
– Não sei. Nunca circulei no PT, graças a Deus. Sei que não gritariam isso contra você. O jogo agora é derrubar o Levy, Lula? Onde você quer chegar? – Não grita, Dilma! Não sou teu ministro número 40. Vê se entende: sou candidato. Pronto, falei.
– Isso eu sei, desculpa gritar. Mas combinamos outra coisa. O Levy, aquele desaforado, você quis o Levy! – Eu, não: queria o Brandão. – Dá no mesmo, ora, é o Bradesco. E combinamos que o Levy fica até passar essa fase; depois troco pelo Barbosa. – Sei, Dilminha, não é pra mudar o plano, não. – Ah, não? E o "Fora, Levy"?
– Querida, sou candidato! Não posso ser candidato da recessão, da austeridade. Sou o cara da utopia, do futuro. Entendeu? – Entendi, sim. Bacana, pra você. E eu? Você viu meu Ibope? – Divisão do trabalho, Dilminha. O projeto é o mesmo.
– Projeto? E se o Levy não aguenta, pega o chapéu? Qualquer um pode fazer corte no orçamento, mas ele é o amigão dos caras das agências de rating. Se cortam nossa nota, afundamos. E bau bau teu projeto! – Calma, querida, ele não sai. É bobo, vaidoso. Quer escrever no currículo que salvou a pátria. Dá pra esticar a corda. Não veta a mudança no fator previdenciário. Ele engole mais essa, garanto. E você ainda ganha umas palminhas no congresso do PT.
– Gozado, Lula, você teve oito anos e não mudou o fator previdenciário. – Não precisava, Dilma. Fui reeleito. Você foi eleita. – Captei: eu quebro a Previdência pra te eleger, é assim? – Não grita, querida! O mundo não nasceu hoje: eu comecei a quebrar o país pra te eleger. Todo mundo que lê jornal sabe disso.
– Jornal, Lula, sério? E a tua história da mídia malvada? E essa grana que nós torramos com os puxa-sacos dos blogs? Aliás, puxa-sacos teus! Eles estão nessa do "Fora, Levy" e quase pedem a minha cabeça. Pagos pela Petrobras, logo a Petrobras. Tem graça? – Grana de troco, Dilminha. Você vem falar disso no meio da Lava Jato?
– Lava Jato, Lula, bem lembrado. Gabrielli era teu, não meu. Vaccari, teu. A turma das empreiteiras, teus chapas. Minha era a Graça, que sacrifiquei. – Para, Dilminha. E daí? – Daí, é a tua herança. Tem o Moro, que vai chegar nas elétricas.
Querem abrir os segredos do BNDES. Tem o impeachment, sabe o que é isso? E justo você quer incendiar meu governo! Não admito essa campanha contra o Levy. 
– Querida, sou candidato. É esse o projeto. Até a eleição, preciso da esquerda.
– Sei, depois é outra coisa, né? Você governou com o Levy, quando precisou. Eu não posso? – De novo, Dilminha, esse papo? – Esquerda até 2018, depois Odebrecht. Cara de pau! – Devagar, querida. Chantagem, agora?
– Agora é você que está gritando, Lula. – Olha bem pra mim: sou o o cara, lembra? – O cara? Olha em volta, é só ruína. O Dirceu, o Palocci. Vaiam o PT na rua. Pelo menos o Levy dá editoriais a favor. Esses caras dos jornais acreditam em ajuste fiscal, saci-pererê, mula-sem-cabeça. São minhas únicas vitórias no Congresso. Preciso de uma trégua, Lula.
– Querida, você não aprende mesmo. É política, isso. Segura a onda. Fica com os editoriais, eu fico com o Stédile. É o que tenho, hoje. Mas sem chantagem! 
Esquece os meninos do MBL. Você viu, não são nada. Impeachment? Desencana. Você não é o Collor, porque tem o PT. Ainda. Enquanto eu quiser. 
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"Sigam o dinheiro",

 por Ruy Castro FOLHA DE SÃO PAULO
No filme "Todos os Homens do Presidente" (1976), Bob Woodward e Carl Bernstein são os repórteres do "Washington Post" que expuseram a conspiração (real) armada pela Casa Branca em 1972 –o famoso Caso Watergate– para sufocar o Partido Democrata. Os repórteres tinham um informante secreto, que chamavam de "Garganta Profunda". Quando se viam embatucados, sem saber como continuar, "Garganta Profunda" aconselhava: "Sigam o dinheiro".
Queria dizer que, se seguissem a trama de depósitos, saques e propinas envolvendo alguns suspeitos, chegariam aos cabeças e talvez ao mandante-mor –o que aconteceu e levou à renúncia do presidente Nixon. O filme reflete a história como ela aconteceu, exceto num ponto: "Garganta Profunda" nunca disse a frase "Sigam o dinheiro".
Ela foi uma criação do brilhante roteirista William Goldman, já respeitado então pelos roteiros de "Butch Cassidy" (1969) e "Maratona da Morte" (1976). Talvez sem querer, foi o que Woodward e Bernstein fizeram: seguiram o dinheiro e foram dar nas entranhas do caso. Desde então, a frase de Goldman se tornou um mote para esse tipo de investigação. O mundo fica lhe devendo esta.
Há anos, muitos repórteres e agentes da lei têm tentado seguir o dinheiro que circula nas monumentais negociatas da Fifa. Mas foi preciso que essas se dessem em território americano para que o camburão do FBI saísse para recolher os primeiros implicados. O aprofundamento das investigações revelará um esquema que não operava apenas para render milhões a alguns aqui ou ali, mas para perpetuar-se como uma estrutura de poder –como um sistema que não dependesse dos operadores.
No passado, os corruptos eram avulsos e equivaliam aos ladrões de galinha. Hoje, eles usam um supergalinheiro como frente para os bilhões escusos que movimentam.
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"Sem ´mala preta`",

por Igor Gielow FOLHA DE SÃO PAULO
A janela de oportunidade fornecida pelas autoridades norte-americanas para o saneamento global de um esporte do qual elas entendem patavina está sendo avaliada pelo governo brasileiro.
Aos prós. Desde o fatídico 7 a 1, o Planalto ensaia maneiras de embarcar no desejo nacional por uma melhora de nível no futebol. Haveria um ganho de imagem e diversionismo midiático no mar de escândalos éticos em que o governo está metido, Operação Lava Jato à frente.
No lado das perdas, o problema maior é que a própria União pode acabar tragada por eventuais investigações no âmbito da Polícia Federal e do Ministério Público.
O futebol, ainda que uma atividade privada, é um feudo de políticos. E foi o governo federal o fiador maior do principal manancial de picaretagens e desvios a ser explorado: a "Copa das Copas", como o time de Dilma Rousseff batizou, lembram?
Isso para não falar na questão da escolha do Brasil como sede, com Lula na proa daquele barco.
Um escrutínio mais sério pode sobrar para todo mundo. Só um brasileiro criado numa caverna nas ilhas Pitcairn não deve ter ouvido falar em compras de resultados, juízes etc.
Mas a cultura legal brasileira valoriza muito mais o crime contra o patrimônio público do que eventuais roubalheiras privadas, mesmo com a ressalva de que a CBF seja quase paraestatal –ainda que a tragédia de 2014 tenha ajudado a amainar essa boçalidade nacionalista advogada por cartolas e interessados afins.
No campo do Senado, a CPI sobre o caso hoje parece mais um palanque armado para Romário brilhar, mas o efeito prático inspira desconfiança.
A tendência no governo é pelo embarque, mesmo sob riscos. Até porque a investigação internacional já está em marcha avançada, nem que seja meramente para espezinhar Putin, como sugerem os teóricos da conspiração, mas com risco zero da interferência de uma "mala preta".
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"O produto burro dos erros",

editorial do Estadão
O Brasil continuou afundando na estagnação no primeiro trimestre e precisará de um bom impulso para se livrar do atoleiro. Só o investimento produtivo poderá dar esse impulso, mas o gasto em máquinas, equipamentos e construções continuou diminuindo entre janeiro e março. A redução de 1,3% em relação ao valor investido nos três meses finais do ano passado foi a sétima queda trimestral consecutiva – mais uma prova do fracasso, visível há muito tempo, da política industrial e dos programas de crescimento mantidos no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Se ainda fosse necessário, esses dados confirmariam também, contra a opinião dos mais otimistas, o baixo nível de confiança dos empresários na política econômica. Reconquistar essa confiança é a principal tarefa, a curto prazo, do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
A contração de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre foi até mais suave do que haviam estimado muitos economistas do setor privado. Mas o desastre foi completo e esse é um dos detalhes mais impressionantes divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Desta vez, nem as despesas familiares e os gastos de governo atenuaram a queda. O consumo do governo encolheu 1,3% e o das famílias, 1,5% em relação aos valores do trimestre imediatamente anterior. Com o atraso da aprovação do Orçamento, a administração federal teve de conter suas despesas mesmo antes de iniciado o programa de ajuste. Quanto às famílias, gastaram menos porque sua renda foi erodida pela inflação, as condições de emprego e salário foram menos favoráveis e o crédito, menos acessível. A crise bateu, enfim, até na população recém-agregada ao mercado de consumo. Também isso explica a deterioração da imagem da presidente logo no começo do segundo mandato.
A queda trimestral do PIB ocorreu depois de um crescimento de 0,3% nos três meses finais de 2014. Pode-se falar, tecnicamente, de recessão? Qualquer discussão sobre isso será perda de tempo. Afinal, o PIB do primeiro trimestre foi 1,6% inferior ao de um ano antes e a variação acumulada em 12 meses foi uma contração de 0,9%.
Enfim, a informação relevante é toda negativa e ninguém pode apostar numa recuperação confiável sem um duro trabalho de ajuste nos próximos meses. Esse trabalho, juntamente com a definição de novos critérios para a política econômica – incluídas as normas de concessões na área de infraestrutura –, será fundamental para a retomada do investimento.
O total investido pelos setores público e privado foi 7,8% menor que o do trimestre inicial de 2014. O valor acumulado em um ano encolheu 6,9%. Nos primeiros três meses deste ano, equivaleu a 19,7% do PIB. Há um ano a proporção era 20,3%. Pelo critério anterior das contas nacionais, a relação era menor, porque gastos em pesquisa, incluída a prospecção de petróleo, ficavam fora da soma. De toda forma, a taxa de investimento continua longe dos padrões observados mesmo em países latino-americanos, superiores, em muitos casos, a 24% do PIB. Na Ásia, as porcentagens são geralmente maiores.
Sem surpresa, a indústria de transformação se destacou pelo mau desempenho. Sua produção foi 1,6% menor que a do trimestre final do ano passado e 7% inferior à de janeiro a março de 2014. Em 12 meses, o recuo foi de 5,6% na comparação com os 12 meses anteriores. Esses números atestam de novo a falência da política dos últimos seis anos – prioridade ao consumo, estímulos fiscais e financeiros a setores e grupos escolhidos e protecionismo.
Os números do comércio exterior, com a exportação de manufaturados caindo seguidamente e a indústria perdendo espaço até no mercado interno, atestam a erosão da competitividade, iniciada há vários anos.
Produtividade e competitividade estão na pauta anunciada e repetida nos últimos meses pelo ministro da Fazenda. Não se atingirão esses objetivos com fórmulas admissíveis nas primeiras fases da industrialização, mas esgotadas há muito tempo e abandonadas por outros emergentes, mas revalorizadas pelos governos petistas – sem êxito, como mostram os números do PIB.
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"Na toca das raposas",

 por Ruth de Aquino Epoca
 
A ruptura na bancada do PT, que expulsou os que votaram em Tancredo, demonstra autoritarismo

O Brasil está quente, em momento de boa ebulição, neste maio de 1985.  Ser subeditora internacional do Jornal do Brasil me obriga a viver duas vidas. A do meu dia a dia e a do mundo externo. Eu me preocupo com a perda de prestígio da cidade do Rio após a fusão, com a expansão das favelas e a discussão do pagamento de royalties pela Petrobras ao Estado do Rio. Mas sou forçada pela função – felizmente – a desenvolver um olhar cosmopolita. Tento atrair o leitor para um noticiário longínquo, que possa servir de lição ou reflexão.

Por que alguém lerá que o Iraque rompeu a trégua, bombardeou nove cidades iranianas, e que o Irã ameaçou transformar Bagdá num “inferno”? Mais fácil comover com a Argentina, que briga pela demissão de 600 torturadores. Ninguém vai se emocionar com os 100 mil mortos no ciclone de Bangladesh. Poucos jovens brasileiros localizam Bangladesh num mapa. Será que um dia o ensino vai melhorar? Só com o voto em partidos de esquerda, que priorizam a Educação. O Brasil aprendeu do que é capaz a direita militar, após uma ditadura que nos silenciou e mutilou.

Quem sabe o leitor se interessará por Ronald Reagan. O ex-ator Reagan já ganhou um apelido, meses após a vitória nas urnas: Lame Duck, ou “um  político sem condições de obter um novo mandato”. De popular a impopular, rapidinho, de forte a fraco. Quem manda eleger alguém sem noção? Reagan ameaçou o Congresso de levar suas propostas “diretamente ao povo”, mas percebeu que sem os 535 congressistas não governaria. Experimenta uma série de derrotas. Tentou aprovar um orçamento de US$ 3 bilhões para os mísseis do Pentágono, não conseguiu. Agora, Reagan pretende reduzir drasticamente programas sociais para equilibrar o orçamento.

Isso nunca acontecerá no Brasil se votarmos direito. O Brasil terá um presidente civil que respeitará nossas prioridades. Ou é pura ilusão de uma jornalista de 30 anos, mãe do Bruno, de 3 anos. O editor do JBé um jornalista brilhante: Marcos Sá Corrêa. O chargista da página de Opinião é Millôr Fernandes e, na edição de hoje, 27 de maio de 1985, há o desenho de uma dentadura falante. “Responda depressa: você é a favor de colocar na cadeia homens limpos, de bom aspecto (e de colarinho branco!), ou prefere, como nós, continuar lutando nobremente pela manutenção da pobreza abjeta?”

Muito está em jogo no país. Os partidos políticos estão na berlinda – como diz o artigo da repórter de política do JB em Brasília, Eliane Cantanhêde. As três maiores frentes – PMDB, PFL e PDS – se engalfinham por poder. Dos pequenos partidos, chamados pejorativamente de nanicos, o PT esbarra na sua realidade de partido regional, o PTB sobrevive à custa de Jânio Quadros e o PDT é o que tem mais chances de crescimento. Os testes serão as convenções e a eleição de prefeitos em 15 de novembro. Discute-se até a possibilidade de votações por lista, sem legenda partidária. Você já pensou nisso?

O Partido dos Trabalhadores, ou PT, criado há apenas cinco anos, está dividido entre social-democratas e marxistas. Tem uma vocação mais reformista do que revolucionária. Quem sabe será uma alternativa para um país com tantas necessidades básicas, se conseguir não se tornar escravo dos sindicatos e de uma retórica populista. E se levar adiante seus propósitos éticos. Não fez bem ao PT expulsar três de seus oito deputados federais – Bete Mendes, José Eudes e Airton Soares – por votarem a favor de Tancredo Neves na eleição indireta deste ano. A ruptura, numa bancada tão pequena, demonstra intransigência e autoritarismo. Seu líder, Lula, engajou-se nas Diretas Já e foi um dos oradores mais carismáticos. O tempo dirá até onde o PT de Lula chegará.

O presidente José Sarney explica como será a reforma agrária. Deverá beneficiar 1,5 milhão de famílias por ano numa área de 130 milhões de hectares. Como são grandes os números no Brasil. Mesmo assim, o brasileiro continua apolítico. Só uma minoria sabe o que é Constituinte. Mas todos sabem que Zico foi o destaque do primeiro treino coletivo da nova Seleção Brasileira. Correu, driblou, combateu e fez gols, como sempre. O treino foi na Toca da Raposa.
Este conteúdo faz parte do especial retrô ÉPOCA 1985, em comemoração aos 17 anos de ÉPOCA. Confira outros materiais em http://glo.bo/1985.
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"A Pátria Grande",

por Ruy Fabiano Com Blog do Noblat - O Globo
Não é por outro motivo que o governo reage ferozmente à ideia de abrir a caixa preta do BNDES, que revelará parte dos custos da construção da Pátria Grande
A construção de uma unidade geopolítica latino-americana – ou ao menos sul-americana – não surge com o PT. É ideia antiga, que, há três décadas, inspirou o Mercosul e alterou, para o mal e para o bem, a diplomacia e o comércio continentais.
O fato de ser desejável e necessária, numa época em que as nações se organizam em blocos, para melhor figurar no cenário geopolítico mundial, não a torna menos complexa. A unidade europeia, ideal antigo de séculos, começou a ser implementada após a Segunda Guerra. Passou por diversos estágios e ainda está em curso, cada etapa sendo publicamente discutida.
Não é fácil unir coisas distintas e assimétricas, respeitando-se os espaços de soberania.
O problema da união latino-americana cogitada pelo PT, e pelas organizações da esquerda continental, reunidas no Foro de São Paulo, é tentar impô-la sem debates e sob o tacão ideológico.
A Pátria Grande terá que ser socialista – ou bolivariana - e seu projeto objetiva, com a urgência possível, unificar forças armadas, moeda e territórios. Nada menos.
Para definir sua institucionalização, criou-se a Unasul, cuja última reunião de cúpula, no Equador, em dezembro, aprovou três propostas complicadíssimas: uma Escola Sul-Americana de Defesa – “um centro articulado de altos estudos para formação de civis e militares” -, abertura do espaço aéreo dentro da Unasul, além de passaporte comum, sem distinguir nacionalidades.
São questões que tangenciam a soberania e pressupõem longas e complexas tratativas, acompanhadas de perto pelas sociedades dos países abrangidos. Nada disso, porém, ocorreu: nem na sociedade, nem no Congresso, nem em parte alguma.
Quem assiste os vídeos do PT tratando do assunto – e há vários na internet (deve ser isso que o partido entende como “debate”), constata que se parte de um pressuposto falso: de que a sociedade brasileira está não só ciente desse projeto, mas de pleno acordo – sobretudo quanto a seu teor ideológico.
Num deles, fala-se de “uma América do Sul vermelha”. Em outro, Lula fala da importância de o Brasil investir na infraestrutura de Cuba, sem explicar o porquê. O debate deu-se sempre intramuros, com a militância do partido e do Foro.
Os reflexos dessa manobra são evidentes. Mudou a diplomacia brasileira, trocando parceiros e prioridades. O Brasil é o único país a dispor de duas chancelarias: a oficial, o Itamaraty; e a real, a cargo do chanceler Marco Aurélio Garcia.
As antigas alianças ocidentais foram trocadas por outras, de teor oposto, que em vez de lucro dão prejuízo. Serve-se ao país a política do fato consumado, na base da terapia do susto.
A figura de Simon Bolívar tem peso simbólico nos países hispano-americanos, como libertador do colonizador europeu, mas nenhum no Brasil, que viveu processo de independência diverso.
Impingi-la como elo comum é uma arbitrariedade. Os nossos “pais fundadores” – e os há – são civis. Os mentores de nossa independência não eram militares, que só passaram a ter presença exponencial na política brasileira a partir da República, por eles proclamada. Nosso Bolívar é José Bonifácio.
O problema, portanto, começa na falsificação dos símbolos. A grande figura militar brasileira, o Duque de Caxias, firmou-se menos como guerreiro e mais como pacificador, arquiteto da unidade nacional, ao longo do Segundo Reinado.
Nem ele, no entanto, desfruta mais desse prestígio, tal a eficácia do processo iconoclasta a que foram submetidas as figuras históricas do país de algumas décadas para cá. Sem heróis, não há nação – e por isso as grandes nações sempre cultivaram os seus.
A Pátria Grande não inova nesse ponto: vê em Bolívar um herói comum, ainda que o perfil histórico que esculpiu esteja bem longe da figura real que ele encarnou. O Brasil, e esse é o absurdo maior, mesmo sem ter nada a ver com Bolívar, cumpre o papel de promover e patrocinar esse projeto, sem que sua população saiba de seus objetivos e, sobretudo, do seu custo.
Não é por outro motivo que o governo reage ferozmente à ideia de abrir a caixa preta do BNDES, que revelará parte dos custos da construção da Pátria Grande. Ela também é destinatária de parte do saque à Petrobrás e aos fundos de pensão.
O Foro de São Paulo promove a eleição dos bolivarianos e sustenta a construção (que não é barata) dos alicerces dessa “nação comum”. O dinheiro vem daqui. E Joaquim Levy, antípoda ideológico do pessoal do Foro, foi chamado a administrar o troco que restou ao Tesouro Nacional nessa aventura em pleno curso. 




extraídaderota2014blogspot

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