Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

terça-feira, 2 de junho de 2015

"Na toca das raposas",

 por Ruth de Aquino Epoca
 
A ruptura na bancada do PT, que expulsou os que votaram em Tancredo, demonstra autoritarismo

O Brasil está quente, em momento de boa ebulição, neste maio de 1985.  Ser subeditora internacional do Jornal do Brasil me obriga a viver duas vidas. A do meu dia a dia e a do mundo externo. Eu me preocupo com a perda de prestígio da cidade do Rio após a fusão, com a expansão das favelas e a discussão do pagamento de royalties pela Petrobras ao Estado do Rio. Mas sou forçada pela função – felizmente – a desenvolver um olhar cosmopolita. Tento atrair o leitor para um noticiário longínquo, que possa servir de lição ou reflexão.

Por que alguém lerá que o Iraque rompeu a trégua, bombardeou nove cidades iranianas, e que o Irã ameaçou transformar Bagdá num “inferno”? Mais fácil comover com a Argentina, que briga pela demissão de 600 torturadores. Ninguém vai se emocionar com os 100 mil mortos no ciclone de Bangladesh. Poucos jovens brasileiros localizam Bangladesh num mapa. Será que um dia o ensino vai melhorar? Só com o voto em partidos de esquerda, que priorizam a Educação. O Brasil aprendeu do que é capaz a direita militar, após uma ditadura que nos silenciou e mutilou.

Quem sabe o leitor se interessará por Ronald Reagan. O ex-ator Reagan já ganhou um apelido, meses após a vitória nas urnas: Lame Duck, ou “um  político sem condições de obter um novo mandato”. De popular a impopular, rapidinho, de forte a fraco. Quem manda eleger alguém sem noção? Reagan ameaçou o Congresso de levar suas propostas “diretamente ao povo”, mas percebeu que sem os 535 congressistas não governaria. Experimenta uma série de derrotas. Tentou aprovar um orçamento de US$ 3 bilhões para os mísseis do Pentágono, não conseguiu. Agora, Reagan pretende reduzir drasticamente programas sociais para equilibrar o orçamento.

Isso nunca acontecerá no Brasil se votarmos direito. O Brasil terá um presidente civil que respeitará nossas prioridades. Ou é pura ilusão de uma jornalista de 30 anos, mãe do Bruno, de 3 anos. O editor do JBé um jornalista brilhante: Marcos Sá Corrêa. O chargista da página de Opinião é Millôr Fernandes e, na edição de hoje, 27 de maio de 1985, há o desenho de uma dentadura falante. “Responda depressa: você é a favor de colocar na cadeia homens limpos, de bom aspecto (e de colarinho branco!), ou prefere, como nós, continuar lutando nobremente pela manutenção da pobreza abjeta?”

Muito está em jogo no país. Os partidos políticos estão na berlinda – como diz o artigo da repórter de política do JB em Brasília, Eliane Cantanhêde. As três maiores frentes – PMDB, PFL e PDS – se engalfinham por poder. Dos pequenos partidos, chamados pejorativamente de nanicos, o PT esbarra na sua realidade de partido regional, o PTB sobrevive à custa de Jânio Quadros e o PDT é o que tem mais chances de crescimento. Os testes serão as convenções e a eleição de prefeitos em 15 de novembro. Discute-se até a possibilidade de votações por lista, sem legenda partidária. Você já pensou nisso?

O Partido dos Trabalhadores, ou PT, criado há apenas cinco anos, está dividido entre social-democratas e marxistas. Tem uma vocação mais reformista do que revolucionária. Quem sabe será uma alternativa para um país com tantas necessidades básicas, se conseguir não se tornar escravo dos sindicatos e de uma retórica populista. E se levar adiante seus propósitos éticos. Não fez bem ao PT expulsar três de seus oito deputados federais – Bete Mendes, José Eudes e Airton Soares – por votarem a favor de Tancredo Neves na eleição indireta deste ano. A ruptura, numa bancada tão pequena, demonstra intransigência e autoritarismo. Seu líder, Lula, engajou-se nas Diretas Já e foi um dos oradores mais carismáticos. O tempo dirá até onde o PT de Lula chegará.

O presidente José Sarney explica como será a reforma agrária. Deverá beneficiar 1,5 milhão de famílias por ano numa área de 130 milhões de hectares. Como são grandes os números no Brasil. Mesmo assim, o brasileiro continua apolítico. Só uma minoria sabe o que é Constituinte. Mas todos sabem que Zico foi o destaque do primeiro treino coletivo da nova Seleção Brasileira. Correu, driblou, combateu e fez gols, como sempre. O treino foi na Toca da Raposa.
Este conteúdo faz parte do especial retrô ÉPOCA 1985, em comemoração aos 17 anos de ÉPOCA. Confira outros materiais em http://glo.bo/1985.
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"A Pátria Grande",

por Ruy Fabiano Com Blog do Noblat - O Globo
Não é por outro motivo que o governo reage ferozmente à ideia de abrir a caixa preta do BNDES, que revelará parte dos custos da construção da Pátria Grande
A construção de uma unidade geopolítica latino-americana – ou ao menos sul-americana – não surge com o PT. É ideia antiga, que, há três décadas, inspirou o Mercosul e alterou, para o mal e para o bem, a diplomacia e o comércio continentais.
O fato de ser desejável e necessária, numa época em que as nações se organizam em blocos, para melhor figurar no cenário geopolítico mundial, não a torna menos complexa. A unidade europeia, ideal antigo de séculos, começou a ser implementada após a Segunda Guerra. Passou por diversos estágios e ainda está em curso, cada etapa sendo publicamente discutida.
Não é fácil unir coisas distintas e assimétricas, respeitando-se os espaços de soberania.
O problema da união latino-americana cogitada pelo PT, e pelas organizações da esquerda continental, reunidas no Foro de São Paulo, é tentar impô-la sem debates e sob o tacão ideológico.
A Pátria Grande terá que ser socialista – ou bolivariana - e seu projeto objetiva, com a urgência possível, unificar forças armadas, moeda e territórios. Nada menos.
Para definir sua institucionalização, criou-se a Unasul, cuja última reunião de cúpula, no Equador, em dezembro, aprovou três propostas complicadíssimas: uma Escola Sul-Americana de Defesa – “um centro articulado de altos estudos para formação de civis e militares” -, abertura do espaço aéreo dentro da Unasul, além de passaporte comum, sem distinguir nacionalidades.
São questões que tangenciam a soberania e pressupõem longas e complexas tratativas, acompanhadas de perto pelas sociedades dos países abrangidos. Nada disso, porém, ocorreu: nem na sociedade, nem no Congresso, nem em parte alguma.
Quem assiste os vídeos do PT tratando do assunto – e há vários na internet (deve ser isso que o partido entende como “debate”), constata que se parte de um pressuposto falso: de que a sociedade brasileira está não só ciente desse projeto, mas de pleno acordo – sobretudo quanto a seu teor ideológico.
Num deles, fala-se de “uma América do Sul vermelha”. Em outro, Lula fala da importância de o Brasil investir na infraestrutura de Cuba, sem explicar o porquê. O debate deu-se sempre intramuros, com a militância do partido e do Foro.
Os reflexos dessa manobra são evidentes. Mudou a diplomacia brasileira, trocando parceiros e prioridades. O Brasil é o único país a dispor de duas chancelarias: a oficial, o Itamaraty; e a real, a cargo do chanceler Marco Aurélio Garcia.
As antigas alianças ocidentais foram trocadas por outras, de teor oposto, que em vez de lucro dão prejuízo. Serve-se ao país a política do fato consumado, na base da terapia do susto.
A figura de Simon Bolívar tem peso simbólico nos países hispano-americanos, como libertador do colonizador europeu, mas nenhum no Brasil, que viveu processo de independência diverso.
Impingi-la como elo comum é uma arbitrariedade. Os nossos “pais fundadores” – e os há – são civis. Os mentores de nossa independência não eram militares, que só passaram a ter presença exponencial na política brasileira a partir da República, por eles proclamada. Nosso Bolívar é José Bonifácio.
O problema, portanto, começa na falsificação dos símbolos. A grande figura militar brasileira, o Duque de Caxias, firmou-se menos como guerreiro e mais como pacificador, arquiteto da unidade nacional, ao longo do Segundo Reinado.
Nem ele, no entanto, desfruta mais desse prestígio, tal a eficácia do processo iconoclasta a que foram submetidas as figuras históricas do país de algumas décadas para cá. Sem heróis, não há nação – e por isso as grandes nações sempre cultivaram os seus.
A Pátria Grande não inova nesse ponto: vê em Bolívar um herói comum, ainda que o perfil histórico que esculpiu esteja bem longe da figura real que ele encarnou. O Brasil, e esse é o absurdo maior, mesmo sem ter nada a ver com Bolívar, cumpre o papel de promover e patrocinar esse projeto, sem que sua população saiba de seus objetivos e, sobretudo, do seu custo.
Não é por outro motivo que o governo reage ferozmente à ideia de abrir a caixa preta do BNDES, que revelará parte dos custos da construção da Pátria Grande. Ela também é destinatária de parte do saque à Petrobrás e aos fundos de pensão.
O Foro de São Paulo promove a eleição dos bolivarianos e sustenta a construção (que não é barata) dos alicerces dessa “nação comum”. O dinheiro vem daqui. E Joaquim Levy, antípoda ideológico do pessoal do Foro, foi chamado a administrar o troco que restou ao Tesouro Nacional nessa aventura em pleno curso. 




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Crise de Dilma se aprofunda e leva um terço dos trabalhadores de montadoras a ficar em casa em junho

Cleide Silva - O Estado de São Paulo


Do total de 122,2 mil empregados das fábricas de veículos, cerca de 43 mil terão férias coletivas ou folgas no próximo mês; no acumulado do ano, vendas caíram 20% em relação aos mesmos meses de 2014, a maior queda porcentual para o período desde 1999

Cerca de 35% dos trabalhadores das montadoras de veículos vão ficar em casa em junho - em férias coletivas, folgas, semanas reduzidas e lay-off (suspensão de contratos de trabalho) -, por causa das medidas que estão sendo adotadas em decorrência da forte retração nas vendas. Até quinta-feira, a redução acumulada no ano era de 20% na comparação aos primeiros cinco meses de 2014. É a maior queda em porcentual para o período desde 1999, quando chegou a 23% na comparação com o ano anterior. 


Nesta sexta-feira, foi a vez da General Motors anunciar férias coletivas a 1,7 mil trabalhadores da unidade de automóveis da fábrica de São José dos Campos (SP). Toda a produção ficará parada de 15 a 30 de junho. Nesta semana, a GM já havia comunicado aos trabalhadores a parada da produção em São Caetano do Sul (SP) em quase todo o mês de junho, com férias aos 5,5 mil funcionários.
De janeiro até quinta-feira (faltando portanto um dia útil para completar o mês), as montadoras venderam 1,090 milhão de veículos novos, ante 1,362 milhão no mesmo intervalo do ano passado. Em maio, os negócios estão 23,4% mais fracos que os do mesmo mês de 2014, com 196,4 mil unidades vendidas. Em relação a abril, a queda é de 3,6%. “É uma crise sem precedentes”, admite o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan.
Segundo ele, os níveis de estoque nas fábricas continuam elevados, por isso a necessidade das empresas em adotar medidas como férias coletivas para ajustar a produção. Moan ressalta que o ajuste fiscal - que poderia trazer algum alívio à economia - não está concluído, as vendas estão extremamente baixas, assim como o nível de confiança dos consumidores.
Seguro emprego. A Anfavea, junto com as centrais sindicais, está insistindo na necessidade de o governo federal adotar, rapidamente, o Programa de Proteção ao Emprego, uma medida que ajudaria a evitar demissões. “Já mudei o nome para Programa de Seguro Emprego”, afirma Moan, que aguarda “para breve” uma resposta positiva por parte do governo .
Pelo programa, jornada e salários podem ser reduzidos em períodos de crise e parte dos salários seria bancada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em substituição ao lay-off e ao seguro desemprego. Algumas das vantagens, na visão da Anfavea e das centrais, é que o trabalhador continua vinculado à empresa e o governo mantém o recolhimento de tributos.
Do total de 122,2 mil empregados das fábricas de veículos, cerca de 43 mil terão férias coletivas ou folgas em junho, em períodos que variam de uma semana a quase um mês. Além da GM, estarão em férias funcionários da Fiat (16 mil), Ford (2,8 mil), Mercedes-Benz (7 mil) e Scania (3,4 mil).
Os 1,6 mil trabalhadores da Agrale terão um dia a menos de trabalho por semana de junho a agosto, enquanto 200 operários da Iveco trabalham apenas três dias por semana. A Ford tem ainda 424 pessoas em banco de horas.
Uma parte do pessoal (4,2 mil) está em lay-off. Desse grupo, 500 estão sendo dispensados pela Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) e 819 correm risco de serem demitidos pela GM em São Caetano.
Tratores. As fábricas de máquinas agrícolas, que empregam 17,3 mil trabalhadores, também estão adotando medidas de corte de produção. A John Deere dará férias a 1,3 mil funcionários de 8 a 28 de junho na unidade de Monte Negro (RS), que produz tratores.
A Agco concederá férias entre a segunda quinzena de junho e a primeira de julho aos funcionários das unidades de Santa Rosa (RS), Ibirubá (RS), Canoas (RS) e Mogi das Cruzes (SP), mas não informou número de envolvidos.
A Marcopolo, fabricante de carrocerias de ônibus, dispensará entre 6 mil e 8 mil funcionários até seis dias por mês entre junho e agosto nas duas fábricas de Caxias do Sul (RS).
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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Do shopping ao motel, a política vai despencando

Bernardo Mello Franco Folha

Escárnio. Abuso. Estupro. Afronta. Tragédia. Vergonha. Essas foram algumas das palavras ouvidas nesta quinta no plenário do Senado. O tema dos discursos era o chamado shopping dos deputados, projeto de Eduardo Cunha para construir três edifícios com gabinetes, restaurantes e lojas na Câmara.
O ímpeto empreendedor do peemedebista forjou uma aliança incomum no Senado. Adversários políticos se uniram contra a inclusão do artigo que abriu caminho ao “parlashopping” em uma medida provisória sobre a tributação de importados.
“É um estupro que se coloca, um escárnio. É um deboche”, protestou Cristovam Buarque (PDT-DF). “É um desmantelamento completo, um insulto”, emendou Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). “É uma verdadeira tragédia legislativa”, disse Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). “É uma bomba, fonte de escândalos futuros garantidos”, avisou José Serra (PSDB-SP).
MERCADO PERSA
“Aquela Câmara dos Deputados, que já é de muito tempo um balcão de negócios pela prática do governo do PT, vai se transformar agora num mercado persa”, sintetizou Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).
Outros senadores atacaram a profusão dos “jabutis”, artigos incluídos em MPs sobre outros temas. A do “parlashopping” reuniu mais 16, distribuindo incentivos a produtores de leite, igrejas, fábricas de bebidas. A palavra “negociata” foi pronunciada seis vezes antes do meio-dia.
“Daqui a pouco, nós vamos ter que fazer uma CPI sobre tramitação de medida provisória”, disse Jorge Viana (PT-AC). “Há anos, estamos vendo acontecer algo, negociatas, um balcão de negócios, em que parlamentares fecham acordos para pagar dívida de campanha, para financiar novas campanhas, para enriquecer.”
Diante da ousadia de Cunha, até Jader Barbalho (PMDB-PA) se sentiu autorizado a protestar. “Só está faltando mesmo, me desculpem, proporem aqui no Congresso a construção de um motel”, disse.
Do jeito que a coisa vai, é melhor não duvidar.




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Ficará o mais do mesmo

Carlos Chagas

No fim, a montanha gerou um rato. Da reforma política tão decantada pela presidente Dilma, o Lula, deputados e senadores de todos os matizes, sobrou apenas a extinção do direito de reeleição para presidentes da República, governadores e prefeitos no período seguinte a seus primeiros mandatos, sem necessidade de desincompatibilização. Provavelmente terão, semana que vem, seus mandatos estendidos de quatro para cinco anos, além da data de suas posses passar do esdrúxulo primeiro dia do ano para dez dias depois. Discute-se outra desimportante proposta, da coincidência num só dia de todas as eleições nacionais, estaduais e municipais, mudança que afastará o eleitorado das urnas, ficando em aberto, apenas, se os senadores disporão de cinco anos, como os deputados, ou se dobrarão para dez o seu período de sacrifícios para a nação.
No mais, tudo ficará como antes, ou seja, o sistema eleitoral permanecerá o mesmo, meio proporcional e meio majoritário. As empresas continuarão dominando as eleições através de empréstimos-doações aos partidos, por sua vez canalizando-os aos candidatos, que pagarão os vultosos investimentos na forma da aprovação de leis e benesses favoráveis aos doadores.
Em suma, nada de novo sob o sol. A Câmara dos Deputados deixou passar a oportunidade de aprimorar as instituições, assim como o Senado manterá os mesmos postulados político-eleitorais, retornando-se apenas à nossa tradição histórica de proibir reeleições. Uma experiência canhestra que não deveria ter sido intentada, não fosse pela ambição desmedida dos tucanos no período em que galgaram o poder.
BALAIO DE JABOTIS
Sequer uma das maiores aberrações jurídicas dos tempos modernos foi suprimida. No caso, as medidas provisórias próprias do parlamentarismo e impostas ao presidencialismo, quando governo e Congresso esquecem seu caráter, que deveria ser de urgência e relevância, para transformá-las num balaio de caranguejos, ratos e jabotis.
Não se dirá que a população frustrou-se com a reforma política em vias de escoar pelo ralo, já que a maioria dos cidadãos pouca ou nenhuma atenção deu às reuniões parlamentares da última semana. Mesmo assim, perdeu-se mais uma oportunidade de passar o Brasil a limpo. Ficará o mais do mesmo, para satisfação das elites e econômicas e políticas.
MAIS UM MONUMENTO
Um monumento deverá ser erigido na já arquitetonicamente conturbada Praça dos Três Poderes: um centro comercial cheio de lojas, lanchonetes, restaurantes, biroscas e luxuosos gabinetes para deputados, ao preço mínimo de um bilhão de reais.
Ainda sobre a reforma política, deve-se ressaltar momentos de baixaria explícita verificados no plenário da Câmara durante debates onde deputados demonstraram péssimas relações com o vernáculo e as boas maneiras.
Se uma imagem fica da semana que passou, deve ser buscada nos versos de Cervantes sobre os Cavaleiros de Granada, aqueles que “alta madrugada, brandindo lança e espada, saíram em louca cavalgada. Para quê? Para nada…”






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Não sei como dar um título a coisas como estas…

Sandra Starling O Tempo
Pensei em intitular como um circo o que anda acontecendo no Congresso. Mas os circos merecem meu respeito e minha saudade. Um mau teatro? Deles podemos escapar: é só não ir. Se a novela é ruim, a gente desliga a televisão. Mas o que fazer com essas excelências?! Vejam só.
Ex-senador pelo PTB, Gim Argello – é aquele mesmo, apadrinhado por Dilma e Renan que seria sabatinado por seus pares para ocupar uma vaga de ministro do TCU e renunciou antes – mudou de nome parlamentar no fim de seu mandato. Se alguém tentar saber algo sobre ele, no Senado Federal, nada mais encontrará nas páginas oficiais. Teria morrido? Não! Está vivinho da silva, mas não adota mais esse apelido de guerra. Voltou a ser o cidadão Jorge Afonso Argello, seu nome de batismo. Até aí, tudo bem.
Todo mundo que usa um apelido – registrado na Justiça Eleitoral –, como Chico Vigilante ou Tiririca, ou que só usa um sobrenome, tem todo o direito de voltar a ser um cidadão comum e, como tal, readotar seu nome completo. Eu mesma só assino Sandra Starling, quando, na verdade, sou Sandra Meira Starling e, até hoje, tomo um susto ou não me reconheço quando, na fila do médico ou de algum exame laboratorial, sou chamada por Sandra Meira. Mas nunca vi ninguém mandar sumir de seu prontuário na Câmara dos Deputados ou no Senado o nome que usou como parlamentar. Pois foi isso o que o Gim fez.
APAGANDO OS RASTOS
No dia 26 de dezembro do ano passado, requereu em ofício ao presidente da Casa que fosse expungido de atas, projetos, relatórios, requerimentos e discursos o nome que usava ao tempo em que circulava como pajem-mor. Você, talvez, não se recorde: era aquele que, na campanha presidencial de 2010, costumava acompanhar a candidata Dilma em suas caminhadas matinais e andanças por missas nas cidades-satélite de Brasília. Deferido o ofício em janeiro por Renan Calheiros, de Gim não resta rastro algum nos registros oficiais do Senado. Talvez – quem sabe? – para não deixar evidências que lhe criem embaraços em investigações judiciais a que já está submetido. Ou evitar que possa ser mencionado na operação Lava-Jato, o que, aliás, já ocorreu. Detalhe: o agora cidadão comum Jorge Afonso foi vice-presidente da CPI da Petrobras do ano passado, aquela que nada concluiu sobre o que investigava.
Tudo isso posto, cabe perguntar: que nome dar a isso aí?!






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Ascensão e queda de um mito

A. P. QUARTIM DE MORAES O ESTADO DE S. PAULO
Vou começar por onde Fernando Gabeira terminou, com o brilho habitual, seu artigo de 22 de maio: “O Brasil não precisa apenas de um ajuste fiscal, mas de rever todo o modelo que nos jogou no buraco.” Bravo! Mas o Brasil precisa também se livrar do governo do PT, que não é o único, mas é certamente um enorme obstáculo à modernização política, econômica e social. E é o principal responsável pelo buraco.

Livrar-se do PT é, bem entendido, uma maneira de dizer. Não há de acontecer com Lula & Cia. nada além do que têm feito por merecer desde que optaram por trair os princípios pelos qual vieram à luz e se transformaram no símbolo de tudo aquilo que se propunham a combater na política. Fraudaram a boa-fé dos brasileiros, que agora lhes viram as costas. É o que merecem.

A trajetória do PT da esperança ao descrédito é a história da ascensão e queda de um mito. Gestado, nos anos derradeiros da ditadura militar, a partir da bem-sucedida mobilização dos operários fabris da Grande São Paulo em torno da reivindicação de seus direitos trabalhistas, desde sua origem esse movimento, o chamado sindicalismo autêntico, esteve declaradamente focado não nos interesses do País como um todo, mas na defesa dos interesses dos assalariados. Principalmente daqueles que integravam a elite da massa operária: os empregados na indústria automobilística e de autopeças. O líder mítico que surgiu então não foi “Lula, o trabalhador”, mas “Lula, o metalúrgico”.

Desde que começou a se destacar na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Lula, o metalúrgico, sempre fez questão de manifestar desdém pela atividade política e a firme determinação de jamais disputar eleições. A posterior influência de intelectuais de esquerda e outros apoiadores acabou convencendo Lula e seus liderados da necessidade de participarem da luta político-partidária, o que supunha conquistar o apoio de um eleitorado mais amplo do que o operariado fabril.

Dois anos depois da fundação do PT Lula era candidato a governador de São Paulo, no pleito vencido por Franco Montoro. E então já não falava apenas em nome dos metalúrgicos, mas de “milhões de brasileiros” decididos a “intervir na vida social e política do País para transformá-la”. O manifesto de criação do PT, como que pedindo desculpas pelo fato de os petistas se entregarem ao sacrifício de participar de um jogo político-eleitoral viciado, já explicara que a “participação em eleições e suas atividades parlamentares se subordinarão ao objetivo de organizar as massas exploradas e suas lutas”.

Uma das poucas coisas que nunca mudaram no PT é exatamente o tom populista que já permeava o manifesto divulgado por ocasião do lançamento da legenda, em fevereiro de 1980. Um texto obviamente destinado também a explorar o sentimento nacional de resistência a uma ditadura no poder havia mais de 15 anos. Contra um regime “de direita” o PT proclamava generalidades “de esquerda”, tais como “é preciso que as decisões sobre a economia se submetam aos interesses populares” e que “esses interesses não prevalecerão enquanto o poder político não expressar uma real representação popular”. Uma questão para a qual, como se vê hoje, os petistas não conseguem dar resposta.

Por um bom tempo, pelo menos até a primeira eleição presidencial disputada por Lula, em 1989, contra Fernando Collor, o discurso petista, repetindo enunciado do seu manifesto de fundação, insistia em que “a democracia plena é exercida diretamente pelas massas”. Uma colocação contraditória, porque uma democracia jamais será “plena” quando o conceito de massas exclui, por exemplo, a classe média não operária ou as tão odiadas “elites”. Ou seja, pura retórica populista a serviço de um projeto de poder que foi gradualmente se transformando num fim em si mesmo.

Trinta e cinco anos depois de sua fundação, o PT não tem mais nada que ver com a legenda que sindicalistas “autênticos” fundaram, com o apoio de intelectuais de esquerda e dirigentes católicos progressistas, para combater a ditadura militar e transformar “a vida social e política do País”. Os intelectuais de esquerda verdadeiramente idealistas foram aos poucos se afastando, por uma questão de coerência, depois de Lula ter chegado ao poder disposto a qualquer concessão para lá permanecer. A Igreja Católica está hoje mais preocupada em manter seu rebanho a salvo da sedução dos evangélicos. Sobraram no partido, com honrosas exceções, os oportunistas, que se dividem agora entre os que apoiam o governo e os que lhe fazem oposição, de acordo com seus próprios interesses.

Assim, hoje totalmente convertido à prática de um sistema político conveniente a seu projeto de poder, o PT não tem interesse em reformá-lo em profundidade, como o demonstra o fato de que em 12 anos não mexeu uma palha nessa direção.

Sobre a modernização da economia em benefício da criação de riquezas que beneficiem todos os brasileiros, a evidência de que hoje o País anda para trás se revela em indesmentíveis números e cifras. Mais do que de incompetência, porém, esse fiasco resulta da teimosia de quem, como Dilma Rousseff, não acredita na iniciativa privada para a produção de riquezas e entende que o Estado provedor é a solução para todos os problemas.

Consequentemente, as conquistas sociais em que o governo do próprio PT avançou nos dois mandatos de Lula estão agora ameaçadas de retrocesso, pois a cornucópia do governo se exauriu.

Atendida a urgência do ajuste fiscal, será preciso lutar, portanto, pela revisão de todo o modelo que nos jogou no buraco. E também dar um basta a quem o cavou. O meio para isso é o voto. E a primeira oportunidade para usá-lo se oferece já em outubro do próximo ano.







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O desmonte da Universidade pública -

EDITORIAL O GLOBO
Radicalização de grupos de estudantes e o ativismo sindical de funcionários têm contribuído para tumultuar os campi, onde o ensino passa a ficar em segundo plano


Não fosse suficiente a crise de qualidade enraizada no ensino básico, a Universidade pública passa por uma fase de turbulência, a qual a falta de recursos em função da crise fiscal do Estado não explica por inteiro. A degradação educacional brasileira tende a fechar o círculo: vai da falta de creches ao ensino superior precário.

A alegada escassez de recursos aparece apenas na superfície de uma fase de conflitos, muitas vezes violentos, entre reitoria, professores, alunos e servidores, alimentados por muita politização radical e sindicalização de atividades secundárias nos campi, mas que afetam a própria finalidade dos estabelecimentos: a formação de profissionais de alto nível, sem os quais nenhum país eleva seu estágio de desenvolvimento.

A depredação, na noite de quinta-feira, do campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com a participação de estudantes e pessoas que resistiam à remoção de parte de uma favela próxima, retrata este momento da crise do ensino superior financiado pelo contribuinte.

Foi iniciado também na quinta um movimento de greves nas universidade federais. O sindicato nacional de docentes (Andes—SN) contabilizou paralisações em 18 instituições, distribuídas em 12 estados. Movimento que o novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, critica porque, segundo ele, não foi dada chance para negociações. Parece que é mais forte a motivação política das paralisações, outro sintoma da radicalização nos campi.

O fenômeno não é novo. Há tempos, a Universidade de São Paulo (USP), a instituição de ensino superior brasileira mais bem colocada em rankings mundiais, tem enfrentado sérias dificuldades devido a esta exacerbação de grupos de alunos e sindicatos de servidores.


Mal administrada, a USP estourou a folha de salários. Por isso, está em fase de ajuste, o que alimenta a radicalização. Em artigo ontem na “Folha de S.Paulo”, o professor Francisco Carlos Palomanes, do curso de História, relatou as dificuldades para conseguir dar aula. A tendência é a universidade cair nas avaliações internacionais.

A banalização da greve nos campi levou, por sua vez, o professor da UFF, também de História, Daniel Aarão Reis a criticar publicamente esses movimentos. Insuspeito perante a esquerda, participante da chamada luta armada, preso político, Daniel, em entrevista ao GLOBO, de que é articulista, destacou a absoluta falta de representatividade das assembleias que decretam essas greves. Nas quais os maiores prejudicados são os estudantes da graduação.

Mas como parece haver outra e delirante agenda para esses grupos que infestam os campi, a ebulição continua. Vozes sensatas como a dos dois professores não devem ser minoritárias entre o corpo docente. Porém, falta mobilização política daqueles que entendem qual o papel da Universidade. Enquanto isso não ocorrer, o ensino superior público corre sérios riscos.







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"PADRÃO FIFA"

MIRANDA SÁ -   tribunadaimprensa

O tal bordão “padrão FIFA” se repetiu tanto, e foi tão festejado, que foi usado pelos marqueteiros do PT como bandeira, na última campanha eleitoral de Dilma… Era tido pelos pelegos lulo-petistas como sinônimo de qualidade.
Como não há nada como um dia após o outro, descobrimos agora que o “padrão FIFA” é um engodo: A FIFA, na verdade, adotava o “padrão PT”…  E, superpondo os rótulos, não esquecemos a badalação do PT-governo que carimbou com ele a roubalheira da Copa das Copas, nos estádios, serviços de transportes e mesmo em hospitais.
Os sorrisos dos parceiros da FIFA se abriram quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo: o brilho das dentaduras de Lula, Sérgio Cabral e Eduardo Paes ofuscaram o que havia por trás disso, a nuvem de corrupção que acompanhava a FIFA há décadas.
Gravitando em torno do poder lulo-petista, políticos, diplomatas e empreiteiros vibraram confiantes de que a entidade máxima do futebol mundial, reconhecida como poderosa e influente até na ONU, serviria de escudo para a oportunidade da roubalheira já instalada na Petrobras.
O guarda-chuva aberto pelo ex-presidente Lula abrigaria a chance dos companheiros junto aos donos do futebol. A mídia, principalmente as redes de televisão e rádio, a hotelaria, serviços médicos, empresas de segurança e milhares de “voluntários” fizeram um carnaval. Enquanto isso, os críticos comiam o pão que o diabo amassou.
Quando, porém, cresceu o clamor popular diante da gastança descomedida, deixando em segundo plano as necessidades básicas da sociedade, educação, saúde e segurança, o senhor Joseph Blater enfrentou os protestos dizendo que “A FIFA não pediu o Brasil para sediar a Copa, foi o Brasil que a procurou”.
A desfaçatez de Blater não recebeu condenações, nem ao menos censuras. Mas a revista “France Football” teve uma edição com a capa toda negra, e a manchete “Peur sur le Mondial” (“Medo do Mundial”). Uma montagem gráfica pôs a letra “O” da palavra “mondial” sobre a bandeira do Brasil, e onde há o dístico “Ordem e Progresso”, saiu uma tarja negra.
De longe, se viu claramente o disfarce das alegorias, que enganaram os brasileiros e proporcionaram o assalto ao Tesouro Nacional. Hoje, comprova-se a extorsão praticada pelo PT-governo e seus parceiros, com as recentes prisões na sede da FIFA feitas pela polícia suíça, em Zurique, orientada pelo FBI. Foi uma operação surpresa, realizada com mandados de prisão para 14 dirigentes da associação.
Não foi um fato isolado, nem desproporcional, mas decidida pelo Departamento de Justiça dos EUA e o Departamento de Justiça da Suíça, que já investigava a FIFA por corrupção e lavagem de dinheiro.
Os estilhaços da bomba atingiram o Brasil com a prisão de José Maria Marn, ex-presidente da CBF, envolvido no esquema de corrupção na gestão mundial do futebol. Pairam suspeitas de superfaturamento nos contratos da CBF, transações ilícitas com uma empresa de fornecimento de material esportivo e a compra de direitos de transmissão por agências de marketing esportivo.
No cenário do escândalo, a Copa América Centenária, edições da Copa América, Libertadores, e a Copa do Brasil (campeonato nacional dos clubes brasileiros). Assim, a dimensão das propinas chegou ao Senado, que aprovou por iniciativa de Romário, a criação de uma CPI para fazer diligências na CBF.
Romário, ex-jogador de futebol e hoje político – senador eleito pelo Rio de Janeiro – sempre foi um crítico da CBF e denunciante de crimes praticados pelos “cartolas”. Ele resume o que assistimos, dizendo que “Muitos dos corruptos, ladrões e que fazem mal ao futebol foram presos. Inclusive um dos maiores do país, no que se refere ao esporte, que se chama José Maria Marín”.
Com o Senador, lamentamos que “Infelizmente não foi a nossa polícia que prendeu, mas alguém tinha de prender algum dia. Ladrão tem que ir para a cadeia”. Aliás, queremos mais: que o sistema lulo-petista no poder também seja desmascarado e que seus responsáveis acompanhem Marín na prisão.
O “padrão FIFA”, na realidade, “padrão PT”, deve ser varrido da Nação brasileira, extinguindo para sempre esta mancha infame que enluta nossa Pátria.
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A aristocracia petista vive o seu pior momento

Marco Antonio Villa - historiador
E Lula não vai sair do poder sem antes usar de todas as armas, legais ou não

Em 2015, em meio a muita tensão política, a Constituição de 1988 terá sua prova de fogo. Não há qualquer paralelo com o episódio do impeachment de Fernando Collor. Este já tinha percorrido mais de dois anos de mandato quando foi apeado do poder. E o momento mais agônico da crise foi resolvido em quatro meses — entre julho e outubro de 1992.Também deve ser recordado que o então presidente tinha um arremedo de partido político, sua conexão com a sociedade civil era frágil — e quase nula com os setores organizados, a relação com o Congresso Nacional era ruim, e com medidas heterodoxas descontentou amplos setores, do empresariado ao funcionalismo público. Sem contar que, em 1990, o país passou por uma severa recessão (-4,3%) e tudo indicava — como efetivamente ocorreu — que, em 1992, teria uma nova recessão.
O quadro atual é distinto — e causa muito mais preocupação. O governo tem um sólido partido de sustentação — que está em crise, é verdade, mas que consegue agir coletivamente e tem presença dominante em governos estaduais e dezenas de prefeituras. A base congressual é volátil mas, aparentemente, ainda responde ao Palácio do Planalto. As divergências com o sócio principal do condomínio petista, o PMDB, são crescentes mas estão longe do rompimento. Em 12 anos, o governo construiu — usando e abusando dos recursos públicos — uma estrutura de apoio social. E, diferentemente de Collor, Lula estabeleceu uma sólida relação com frações do grande capital — a “burguesia petista” — que é hoje dependente do governo.
O país está vivendo um impasse. O governo perdeu legitimidade logo ao nascer. Dilma não tem condições de governar, não tem respeitabilidade, não tem a confiança dos investidores, dos empresários e da elite política. E, principalmente, não tem mais apoio dos brasileiros horrorizados com as denúncias de corrupção e a inépcia governamental em enfrentá-las, além do agravamento dos problemas econômicos, em especial da inflação.
Deve ser reconhecido que Fernando Collor aceitou o cerco político que sofreu sem utilizar da máquina de Estado para coagir os adversários. E foi apeado legalmente da Presidência sem nenhum gesto fora dos limites da Constituição. Mas o mesmo não ocorrerá com Dilma. Na verdade, não com Dilma. Ela é um nada, é uma simples criatura, é um acidente da História. O embate vai ser travado com Lula, o seu criador, mentor e quem, neste momento, assumiu as rédeas da coordenação política do governo.
Foi Lula que venceu a eleição presidencial de 2014. E agora espera repetir a dose. Mas a conjuntura é distinta. As denúncias do petrolão e a piora na situação econômica não permitem mais meros jogos de cena. O momento do marketing eleitoral já passou. E Lula vai agir como sempre fez, sem nenhum princípio, sem ética, sem respeito a ordem e a coisa públicas. O discurso que fez no Rio de Janeiro no dia 24 de fevereiro é apenas o início. Ele — um ex-presidente da República — incitou à desordem, ameaçou opositores e conclamou o MST a agir como um exército, ou seja, partir para o enfrentamento armado contra os adversários do projeto criminoso de poder, tão bem definido pelo ministro Celso de Mello, do STF.
Lula está desesperado. Sabe que a aristocracia petista vive o seu pior momento. E não vai sair do poder sem antes usar de todas as armas, legais ou não. Como um excelente leitor de conjuntura — e ele o é — sabe que os velhos truques utilizados na crise do mensalão já não dão resultado. E pouco resta para fazer — dentro da sua perspectiva. Notou que, apesar de dezenas de partidos e entidades terem convocado o ato público do dia 24, o comparecimento foi pífio, inexpressivo. O clima no auditório da ABI estava mais para velório do que para um comício nos moldes tradicionais do petismo. Nos contatos mantidos em Brasília, sentiu que a recomposição do bloco político-empresarial que montou no início de 2006 — e que foi decisivo para a sua reeleição – é impossível.
A estratégia lulista para se manter a todo custo no poder é de buscar o confronto, de dividir o país, jogar classe contra classe, região contra região, partido contra partido, brasileiro contra brasileiro. Mesmo que isso custe cadáveres. Para Lula, pouco importa que a crise política intensifique ainda mais a crise econômica e seus perversos efeitos sociais. A possibilidade de ele liderar um processo de radicalização política com conflitos de rua, greves, choques, ataques ao patrimônio público e privado, ameaças e agressões a opositores é muito grande. Especialmente porque não encontra no governo e no partido lideranças com capacidade de exercer este papel.
O Brasil caminha para uma grave crise institucional, sem qualquer paralelo na nossa história. Dilma é uma presidente zumbi, Por incrível que pareça, apesar dos 54 milhões de votos recebidos a pouco mais de quatro meses, é uma espectadora de tudo o que está ocorrendo. Na área econômica tenta consertar estragos que produziu no seu primeiro mandato, sem que tenha resultados a apresentar no curto prazo. A corrupção escorre por todas as áreas do governo. Politicamente, é um fantoche. Serve a Lula fielmente, pois sequer tem condições de traí-lo. Nada faria sozinha.
Assistiremos à lenta agonia do petismo. O custo será alto. É agora que efetivamente testaremos se funciona o Estado Democrático de Direito. É agora que veremos se existe uma oposição parlamentar. É agora que devemos ocupar as ruas. É agora que teremos de enfrentar definitivamente o dilema: ou o Brasil acaba politicamente com o petismo, ou o petismo destrói o Brasil.





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: O sigilo do BNDES

 Editorial do Estadão
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não pode invocar o sigilo bancário para impedir que instituições públicas de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), tenham acesso a informações sobre suas operações de crédito. A decisão diz respeito a um processo específico – o financiamento da JBS/Friboi –, mas deverá servir de referência para outros casos em que o BNDES for questionado. Ainda que tal desfecho possa inibir os negócios do banco no futuro, pois os clientes demandam discrição para proteger seus dados estratégicos, a exigência de maior transparência é uma medida razoável tendo em vista o fato de que, afinal, se trata de dinheiro público.

Em setembro de 2014, o TCU requereu do BNDES acesso a dados referentes aos contratos de operações de crédito com a JBS/Friboi desde agosto de 2009. A intenção era realizar uma auditoria para entender os critérios usados para a escolha da empresa beneficiada, verificar as vantagens sociais da operação e observar o cumprimento das cláusulas contratuais, além de saber se o banco teve prejuízo com a aquisição de debêntures e sua troca por posição acionária na empresa – o BNDES passou a deter 24,58% das ações globais da JBS/Friboi e, para isso, investiu mais de R$ 8 bilhões.
Em resposta, o BNDES forneceu apenas parte dos dados, dizendo que os demais estavam protegidos pelo sigilo bancário, conforme o artigo 5.º da Constituição. Em seguida, o banco entrou com um mandado de segurança no Supremo para tornar sem efeito o acórdão do TCU sobre o contrato com a JBS/Friboi.
No mandado, o BNDES apoiou-se em uma decisão do Supremo, de 2007, segundo a qual o TCU não tem poder para quebrar sigilo, num caso em que havia exigido acesso irrestrito a dados do sistema do Banco Central. O BNDES alegou também que o tribunal estava invadindo áreas de competência do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários para fiscalizar o sistema financeiro nacional.
Para o banco, a operação com a JBS/Friboi não caracteriza subvenção, e sim um financiamento, e que os recursos utilizados não são “genuinamente públicos, aqueles previstos no Orçamento da União”, pois se trata de dinheiro próprio ou de terceiros. E o BNDES sustentou que a política de juros mais baixos que os de mercado em seus empréstimos é exatamente o que justifica a própria existência do banco estatal. “Há que se indagar: qual seria a utilidade de uma instituição financeira pública que pratica a mesma política de juros dos demais agentes privados?”, questionou o BNDES no mandado. Para o banco, seu papel é “exercer uma função desruptora na economia”.
A 1.ª Turma do STF, porém, entendeu que os contratos do BNDES envolvem recursos públicos – os juros subsidiados e o capital do banco, inteiramente estatal – e que, nesse caso, o sigilo bancário não se aplica, razão pela qual o TCU deve ter amplo acesso a esses dados para realizar seu trabalho de fiscalização.
Para o relator do mandado, ministro Luiz Fux, a preservação dos dados bancários, embora seja uma condição essencial para o exercício da atividade econômica, não é uma garantia absoluta. Para Fux, as empresas que fazem contratos com o BNDES devem “aceitar que a exigência de transparência, tão estimada em nossa República contemporânea para o controle da legitimidade dos que exercem o poder, justifica o conhecimento por toda a sociedade de informações que possam influenciar seu desempenho empresarial”.
A decisão do STF vai na contramão da decisão da presidente Dilma Rousseff de vetar a quebra do sigilo das operações de crédito do BNDES, prevista em projeto aprovado pelo Congresso em abril. Para Dilma, tal restrição visa a preservar “a competitividade das empresas brasileiras no mercado global”. Mas o Supremo considera, com razão, que nenhum argumento de caráter comercial pode se sobrepor ao imperativo da transparência no trato da coisa pública.








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"A máscara não serve",

editorial da Folha de São Paulo
Poucos congressistas se dispõem a diminuir benefícios sociais já consagrados na legislação, por mais irrealistas e contraproducentes que possam ser.
Foi portanto necessária muita pressão do Executivo, ademais de alguma consciência da absoluta necessidade de um ajuste nas contas públicas, para que o Senado viesse finalmente a aprovar, nesta semana, as medidas preconizadas pelo Ministério da Fazenda.
O pacote era certamente impopular, ainda que seu teor tivesse conhecido alguma diluição em relação à proposta original.
Dentro de um contexto em que se impunha recuperar com urgência a saúde da economia nacional, não se pode classificar como draconianas ou indiscriminadas as restrições agora efetuadas.
Tome-se, por exemplo, o benefício da pensão em caso de morte. Até o momento, era concedido em sua integralidade ao cônjuge, sem que se calculasse o tempo mínimo de casamento ou de contribuição.
Ajustaram-se minimamente os mecanismos legais. Fica estipulado o prazo de 18 meses de contribuição, e de dois anos de união, para que o cônjuge enlutado receba o benefício. Haverá também de ser proporcional à sua idade, sendo recebido vitaliciamente apenas por quem tiver 44 anos ou mais ao perder o companheiro.
Modificações desse tipo não representam violências gritantes contra o trabalhador –muito menos dada a economia proporcionada aos cofres públicos–, ainda que envolvam um quinhão de sacrifícios com que antes não se contava.
Por legítimas que sejam as críticas quanto à irresponsabilidade do primeiro governo Dilma Rousseff (PT) no manejo das contas públicas, e por mais diversas que se afigurem as alternativas hipotéticas aos cortes e ajustes, era necessário que o Legislativo os aprovasse –e a maioria terminou cedendo a esse imperativo.
Não foi o que aconteceu, porém, com o PSDB. O partido de Aécio Neves –que sem dúvida teria encaminhado propostas de austeridade semelhantes caso eleito para a Presidência– negou seus votos para o ajuste. Reeditou, com isso, a atitude que tanto criticava no PT de outros tempos: a tática do "quanto pior, melhor".
Não parece ser vocação dos tucanos ou de parte significativa de seu eleitorado deixar-se seduzir pelo populismo sindical e pela ignorância das leis da aritmética.
Em recente propaganda política veiculada em rádio e TV, o PSDB anunciava um lema: "Ser oposição não é dizer não a tudo. É ser a favor do país". Diante do ajuste econômico, contudo, eis que o partido se desacredita de modo notável. A máscara não lhe pertence; não terá nem mesmo ganho mais votos ao usá-la nesse baile.
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"As contas do governo, do avesso",

por Vinicius Torres Freire Folha de São Paulo

Passou um terço do ano, e as contas do governo ainda estão de cabeça para baixo.

Isto é, o resultado ainda é mais ou menos o contrário do que o governo pretende para o ano.
Os economistas de Dilma 2 esperam um aumento de receita de uns 5,5% neste 2015 (alta da receita líquida ante 2014; em termos reais: descontada a inflação). 
Até abril, a receita caiu 4,4%.
No caso da despesa, a estimativa é de redução de algo em torno de 1%, segundo o que se pode calcular com base nos números apresentados na sexta passada pelo governo. Até abril, a despesa cresceu 0,3%.
Em termos de dinheiro, a diferença entre receitas e despesas, o superavit primário do governo, foi de R$ 14,8 bilhões. O governo pretende poupar R$ 55,3 bilhões.
Faltam, pois R$ 40,5 bilhões, em média mais de R$ 5 bilhões de superavit por mês (ante R$ 3,7 bilhões até aqui).
Pode ser que, daqui em diante, a receita comece a aumentar ou deixar de cair porque começam a pingar os dinheiros do pacote fiscal que vai sendo aprovado, diminuído, pelo Congresso. Mas várias fontes de receita vão penar, devido à recessão e ao desemprego.
De resto, há dúvidas que no momento não podem ser dirimidas a respeito de pagamentos atrasados, penduras horrendas do governo Dilma 1. Não se sabe ainda muito bem o que o governo está limpando, pagando, e o que talvez empurre para o ano que vem.
O que está pegando, do lado da despesa?
Previdência. As contribuições previdenciárias quase não cresceram de janeiro a abril, 0,7% ante igual período de 2014. As despesas, sim, alta de 4,8%, mais de R$ 6 bilhões.
Subsídios. Essa conta engloba o que o governo gasta por oferecer empréstimos a juros baixos para empresas, grosso modo (dinheiros do BNDES, crédito agrícola, microcrédito). O que deve estar pegando mesmo é o subsídio para empresas via BNDES. A despesa cresceu R$ 2,8 bilhões (aumento real de 76,3%).
Despesas de custeio. Gastos para prestar serviços de saúde e educação (o grosso), defesa, Bolsa Família, para fazer a máquina andar. Mais R$ 4,4 bilhões.
Gastos com pessoal e investimento caem. O grosso do corte do governo tem sido feito no investimento, pois quase todo o resto é imexível ou perto disso. A despesa com investimento foi brutalmente talhada em 34,3% (R$ 10,3 bilhões).
O problema central do governo, no entanto, é a queda horrível da receita, fruto da recessão e das "desonerações", reduções de impostos e contribuições, como, repita-se, aquelas a princípio devidas à Previdência.
Em um ano, nos doze meses contados até abril, a receita caiu R$ 72 bilhões (do total de R$ 1,144 trilhão). A despesa cresceu uns R$ 52 bilhões.
Neste ano, os economistas de Dilma 2 até que estão dando um jeito na despesa, embora a solução por ora seja um remendo, não seja sustentável, como se diz: corta o investimento (em "obras").
Logo, no curto prazo, um ano, a receita vai ter de aumentar. Por isso o combate do Ministério da Fazenda pelo fim das desonerações do INSS, entre outras (que no entanto deve resultar em algum aumento adicional de desemprego). Por isso, pelo andar da carruagem, vai ser muito difícil não vir mais aumento de imposto por aí.
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"Petrolão prejudica os pobres",

editorial do Estadão
O rombo bilionário no patrimônio da maior estatal brasileira, a Petrobrás, e a onda de descrédito que reduz a cinzas sua reputação, construída em meio século de conquistas e competência, trazem à tona prejuízos em alta escala causados por propinas e sobrefaturamento. Mas os efeitos desastrosos que comprometem a sobrevivência de pequenas empresas e trabalhadores, cujas vidas foram afetadas pelo escândalo, são difíceis de quantificar, pois os negócios são pequenos e pulverizados. A reportagem dos enviados especiais do Estado ao Recife Alexa Salomão e Alex Silva, Petrobrás espalha prejuízos e desilusão, revela como o escândalo afetou a realidade de pequenos negociantes e operários que sonharam com dias melhores, anunciados nas promessas do governo e da empresa, e agora enfrentam dificuldades para sobreviver com dignidade.
O Nordeste é o cenário onde se percebe esse drama da forma mais evidente e cruel. O renascimento, em grande estilo, da cadeia de petróleo e gás no Brasil, prometido pelo governo, produziu sonhos dourados que se tornaram pesadelos no Porto de Suape, a 40 quilômetros da capital pernambucana. Lá se instalaram estaleiros, como o Atlântico Sul, e, principalmente, o megalomaníaco projeto de Abreu e Lima, primeira e maior de uma sequência de refinarias, que incluía a Premium I, no Maranhão, e a Premium II, no Ceará. A euforia foi imensa e o tombo, depois das revelações da corrupção devassada pela Operação Lava Jato, mostra-se traumático. Revelados roubo e sobrepreço, cancelaram-se as obras de duas refinarias. “Ao menos, a Abreu e Lima foi construída, o que não ocorreu com as demais refinarias.
Entre mortos e feridos, só saímos feridos”, disse Tiago Norões, secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco. O estaleiro, sem receber, rompeu contrato com a Sete Brasil e reduziu atividades. Não deu para evitar o efeito dominó.
As construtoras locais, terceirizadas e até quarteirizadas da Petrobrás, firmaram contratos com grandes consórcios de empreiteiras acusadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF) de terem constituído cartel para obter vantagens na contratação de obras em troca de vultosas propinas para petroleiros e políticos. Quando deixaram de receber das acusadas na devassa, as firmas pernambucanas viram começar seu calvário particular.
Depois, a quebradeira atingiu praticamente todos os setores: locadoras de automóveis e de guindastes, fornecedores de material de segurança e de limpeza e até pousadas que hospedavam funcionários. Calcula-se que R$ 500 milhões pode ser o valor total das dívidas feitas e não pagas com pequenas e médias empresas pernambucanas por causa da crise da Petrobrás. Mas ninguém tem certeza das reais dimensões do impacto negativo local.
Entre os prejudicados, os setores mais organizados são o metal-mecânimo, que calcula o próprio prejuízo em R$ 50 milhões, e o de fretamento de ônibus, em R$ 35 milhões. “Menos da metade da propina de um simples gerente da Petrobrás resolveria o problema de dois setores daqui em Pernambuco”, ironizou Eduardo Cunha, da Plain, fabricante de estruturas metálicas, que viu seu galpão se ampliar de 2,5 mil para 8 mil metros quadrados com as encomendas e esvaziar desde 2013, quando deixou de receber. Ele se referiu ao ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco, que declarou, em delação premiada, ter recebido R$ 210 milhões em propinas. 
O pesadelo provocado por furto e má gestão na Petrobrás não atingiu apenas os empresários, que imaginaram incrementar seus negócios na época das vacas gordas. Um deles, Paulo Rebouças, sócio da MKS, do setor metal-mecânico, contou: “Hoje a gente vê fornecedores nossos, de alimentação, gente pequenininha, que têm problemas para conseguir capital de giro”. O mesmo ocorre com os operários: nos anos dourados de contratações, o número de trabalhadores no setor metal-mecânico em Pernambuco passou de 18 mil para 38 mil - 10% de crescimento por ano. No ano passado, a tendência virou: a retração foi de 9%: mais de 4 mil postos foram fechados. E o pesadelo 




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Coerentes na incoerência

Carlos Chagas
Para proteger as galinhas, o cidadão trancou o galinheiro com cadeado. No dia seguinte, entregou a chave para a raposa. Nenhuma imagem definirá melhor o que se passou na Câmara, terça e quarta-feira. Num dia os deputados votaram a proibição de as empresas doarem dinheiro para as campanhas eleitorais. No outro, aprovaram as doações das empresas para os partidos políticos financiarem as campanhas dos candidatos.
Melhor fechar a extinta Casa do Povo. Pelo menos, deixar que o Supremo Tribunal Federal legisle contra a corrupção. Hoje os empreiteiros amanheceram em festa. Os banqueiros também. E outros empresários. Todos garantiram seus investimentos até o final do século. Basta que cada um escolha o seu parlamentar, adiantando-lhe recursos para comprar um mandato nas próximas eleições. Depois, será exigir a compensação através de emendas, de leis, facilidades e benesses. A Câmara acaba de decretar a República dos Contrários. No espaço de 24 horas votou contra e a favor. Claro que vai prevalecer a doação desenfreada. Não se votará teto algum.
O pior nessa história de horror é que a imensa maioria da Câmara apoiou a segunda proposta. Eduardo Cunha e Celso Russomano puxaram a fila, mas não se exime culpa de ninguém.
Na mesma quarta-feira da aprovação de doações empresariais, a Câmara extinguiu o princípio da reeleição para presidentes da República, governadores e prefeitos, por 452 votos a 19. A Constituição exige outra votação. A dúvida é se Suas Excelências da próxima vez votarão em massa pelo segundo mandato. Estariam, ao menos, sendo coerentes na incoerência.
O GRANDE DERROTADO
Ninguém se lembrou de consultar Fernando Henrique a respeito do fim da reeleição. Ele também preferiu ficar calado. Dezenove anos atrás, foi o grande beneficiário da mudança, que impôs ao Congresso junto com a aberração de que a desincompatibilização não era necessária.
Lula e Dilma aproveitaram-se da maré, mas fica claro que a nação rejeita a disputa pelo segundo mandato imediatamente após o primeiro, com o candidato dispondo da caneta e do diário oficial.







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Ameaça de Dirceu a Lula, se concretizada, explodirá o PT

Pedro do Coutto

O título constitui, creio, uma síntese em cores e consequências fortes, que se pode extrair da excelente reportagem de Daniel Pereira, publicada na edição da Revista Veja que está nas bancas, a respeito do episódio do mensalão e a ponte entre aquele escândalo de ontem e o assalto gigantesco de hoje praticado contra a Petrobrás. A matéria abrange o papel representado por Marcos Valério, o grande condenado de 2005, uma entrevista com declarações entre aspas de José Dirceu, além de afirmações do senador Delcídio Amaral, que presidiu a CPI dos Correios, onde tudo começou, do deputado Osmar Serraglio, relator, e do alte. Roberto Carvalho, ministro da Marinha de 2003 a 2007, primeiro governo Lula.
Todas as versões publicadas convergem para uma questão básica; o presidente Luis Inácio tinha conhecimento do esquema articulado por José Dirceu e operado por Marcos Valério, ambos condenados, aliás, pelo STF. Especialmente Valério, punido a mais de 40 anos em regime de prisão fechada. Deve estar vivendo tempos de desespero.
Outro preso solitário no peso da pena imposta, hoje sem amigos solidários, extremamente preocupado, na véspera de um descontrole emocional, é o ex-ministro José Dirceu, como revela Daniel Pereira.
Temendo ser novamente preso por sua suposta participação no esquema de roubo a Petrobrás, ele agora emite sinais de que pode contar o que sabe sobre os dois esquemas de corrupção, mensalão e petróleo, usados pelo governo – acrescenta a reportagem – para comprar o apoio de partidos aliados. Dirceu, assim, pode-se deduzir, focaliza a passagem do falso sistema político de um governo para outro, já que o de Dilma Rousseff começou em 2011. Amigos de Dirceu garantem que, se cumprir a promessa, diz Daniel Pereira (ameaça, digo eu), José Dirceu vai expor o antigo chefe.
MUDANÇA PARA PORTUGAL
O ex-primeiro ministro de Lula, o capitão do time, comunica que, se não for preso de novo, tem planos de se mudar para Portugal com a esposa e sua filha mais nova. A reportagem possui grande importância política e deve ser lida, na íntegra, por todos. Pois afirmações convergentes surgem em seus capítulos.
O reflexo mais importante, claro, no caso da ameaça vir a ser cumprida, será a fatal explosão definitiva do PT, produzindo uma avalanche contra o governo, abalando ainda mais sua estabilidade. Dilma Rousseff ficará sozinha no campo da luta partidária. Isso porque, pelo menos, o Partido dos Trabalhadores terá sua divisão interna mais exposta à opinião pública.
CENÁRIO IMPREVISÍVEL
Mais exposta porque, atingido, Lula partirá para o início de sua campanha as eleições presidenciais de 2018, buscando suceder no Palácio do Planalto a antecessora que elegeu por duas vezes. Curioso tal panorama. Mas quem poderia prever tal desfecho? Ninguém. Aliás, em matéria de política, pessoa alguma pode prever qualquer coisa. Quem poderia prever o suicídio de Vargas, renúncia de Jânio, cassação de Lacerda pelo movimento de 64 do qual foi o principal líder, a morte de Tancredo Neves que levou José Sarney à presidência da República? Para não estender demais a lista de exemplos, quem poderia pensar que a cassação de José Dirceu representaria o surgimento da candidatura de Dilma Rousseff em 2010?
Os fatos, portanto, são imprevistos, as consequências nem tanto. Dependem da concretização dos compromissos e promessas. No caso de Dirceu, agora, da ameaça com a qual ele acena, registrada por Daniel Pereira nas páginas imperdíveis da Veja desta semana.








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Temos um governo que não aprende com os próprios erros

Wagner Pires

Causada pelo excesso de despesa pública capitaneada pelos repasses ao BNDES, na tentativa frustrada de ativar a economia (política errônea em que a presidente Dilma Rousseff ainda teima, insistindo com o repasse de mais R$ 30 bilhões ao banco), a recessão econômica fez o mercado de trabalho entrar em um círculo vicioso e pernicioso. As demissões ou o fechamento massivo de postos de trabalho pelas empresas, que correm para cortar custos ou que, sucumbindo ao arrocho econômico, fecham suas portas, fazem com que haja uma superoferta de mão-de-obra.
Esta oferta excessiva desencadeia a quebra da capacidade dos trabalhadores que permanecem em seus postos de pleitear reajustes. Na verdade, dá aos empregadores a capacidade de comprimir os salários, através da opção pela substituição do cargo por outro trabalhador com menor remuneração.
Vê-se assim que a recessão desencadeia um processo de compressão salarial. Isso corrobora ainda mais com a redução da massa salarial disponível na economia e já combalida com milhares de demissões desencadeadas pela recessão.
BNDES TEM MAIS 30 BILHÕES
O fato de Dilma continuar com as transferências de recursos do Tesouro para o BNDES, via crescimento do endividamento público, não melhora a economia, pelo contrário. Traria resultado se a taxa de juros básica administrada pelo Banco Central estivesse dando vantagem aos investimentos na economia real e não em títulos do governo, em títulos de renda fixa.
Desta maneira, o “modus operandi” deste governo, que se pautou pelo excesso de liquidez dado pelo festival de despesas públicas, vai ganhando sobrevida através desses repasses ao BNDES, o que nos permite afirmar que tal ação vai dificultar ainda mais a vida do Banco Central no controle inflacionário.
Ou seja, o Banco Central será obrigado a continuar com o movimento de alta da taxa Selic e retardará a reversão do processo recessivo em que nos encontramos. Recessão a que o próprio governo de Dilma nos empurrou, é preciso deixar claro.
Podemos, então, afirmar que é um governo que não aprende com os próprios erros, pois os governantes não refletem sobre os fatos econômicos, por mais claros e evidentes que eles sejam.







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