Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 2 de novembro de 2014

"O estouro da bolha da incompetência"

, por Rolf Kuntz

O Estado de São Paulo


Seis anos depois do estouro da bolha financeira no mundo rico, explode no Brasil a bolha da incompetência e do populismo. O novo aumento de juros e a promessa de um esforço fiscal maior no próximo ano são um reconhecimento, pelo menos implícito, dos estragos produzidos em quatro anos de erros, de remendos mal feitos e de um espantoso "modelo" de expansão do consumo sem aumento da produção.
Quem anunciou o esforço fiscal maior foi o quase ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, pouco antes de conhecido o o balanço das contas públicas até setembro. O secretário do Tesouro, Arno Augustin, voltou a prometer resultados melhores no mês seguinte. Qualquer promessa desse tipo, nesta altura, soa como piada. Para alcançar o superávit primário de R$ 80,8 bilhões fixado para o governo central, neste ano, seria preciso obter no último trimestre um saldo de R$ 96,5 bilhões, pelas contas do Tesouro, ou R$ 100,27 bilhões, pelo critério do Banco Central (BC). Sem mistério: no relatório do Tesouro, o governo central teve um déficit primário de R$ 15,7 bilhões em nove meses; no do BC, o buraco chegou a R$ 19,47 bilhões. Pelo segundo critério, leva-se em conta a necessidade de financiamento.
Neste ano, pelo menos até setembro, fracassou até a encenação de um superávit primário anabolizado com dividendos, bônus de concessões e prestações de tributos em atraso. O governo acaba de conseguir do Congresso Nacional mais uma reabertura do Refis, o programa de parcelamento de dívidas tributárias. A anterior, encerrada em 25 de agosto, proporcionou menos dinheiro que o esperado. Mas esse tipo de manobra, já muito usado, produz sempre alguma receita por um prazo curto e é condenado mesmo no governo como um incentivo à sonegação. Afinal, se é sempre possível apostar num novo Refis, impor um calote ao Tesouro pode ser bom negócio.
Mas o déficit primário acumulado em nove meses chama a atenção para um dado muito mais importante, a longo prazo, e tomado como guia da política fiscal em países com melhores tradições de governo. A administração pública tem de produzir superávits primários para cobrir os juros e amortizações devidos pelo Tesouro. No fim, o número realmente importante é o resultado nominal, isto é, o saldo geral das contas públicas, incluídos os pagamentos de juros e amortizações. O desastre fiscal no mundo rico, a partir da crise iniciada em 2008, foi sempre medido com base nesse conceito.
Por esse critério, o Brasil já estava em pior situação que muitos países desenvolvidos, no ano passado, e a comparação se tornou ainda mais desfavorável em 2014. Nos 12 meses até setembro o déficit nominal do setor público brasileiro chegou a 4,92% do produto interno bruto (PIB). Na zona do euro, a média dos déficits deve ficar em 2,9% neste ano, segundo projeção publicada em outubro pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Apesar disso, a presidente Dilma Rousseff ainda insistia, até há pouco tempo, em apontar a situação fiscal do Brasil como muito melhor que a da maior parte dos países desenvolvidos. Talvez ainda insista. Afinal, seu nível de informação é, na melhor hipótese, tão bom quanto o de seus assessores econômicos. Além do mais, ela e seus auxiliares sempre poderão, em último caso, apontar o endividamento público das economias avançadas, muito maior que o do Brasil. Mas qualquer argumento desse tipo se esfarela quando se comparam as notas de crédito soberano daquelas economias e as do Brasil.
A diferença reflete-se na distância entre os juros pagos pelos governos para vender ou rolar seus títulos. Os custos enfrentados pelo Tesouro brasileiro são muito maiores. A desvantagem do Brasil no mercado financeiro poderá aumentar, nos próximos dois anos, se o governo for incapaz de reforçar sua credibilidade. Dirigentes de agências de classificação de risco têm transmitido recados muito claros nos últimos dias. Têm chamado a atenção tanto para o mau estado das contas públicas quanto para o baixo crescimento econômico.
Uma piora da classificação poderá ser especialmente danosa numa fase de aperto nos mercados. O Federal Reserve, o banco central americano, anunciou o fim de sua política de incentivos monetários à recuperação da economia dos Estados Unidos. Isso representará o fim de grandes emissões de dinheiro para facilitar o crédito. O próximo grande passo deve ser uma elevação dos juros básicos americanos. A data ainda é desconhecida, mas quem tiver juízo tratará de se preparar para condições mais difíceis de financiamento internacional.
Um aumento dos juros básicos no Brasil pode ser uma resposta a esse aperto progressivo do mercado financeiro externo. Afinal, um dos efeitos prováveis da mudança nas condições internacionais será um desvio de capitais para os Estados Unidos ou, de modo geral, para destinos mais seguros. Mas o Banco Central brasileiro tem um forte motivo interno para retomar a alta de juros. A elevação de 11% para 11,25%, anunciada na quarta-feira, pode ser o primeiro passo de um ajuste.
A inflação seguiu o rumo previsto por muitos economistas desde o primeiro semestre. Perdeu impulso na primeira metade do ano e em seguida voltou a subir vigorosamente, alimentada principalmente por distorções da economia nacional - desajuste das contas públicas, crédito ainda em expansão, aumentos salariais superiores aos ganhos de produtividade e capacidade de oferta industrial muito limitada. A inflação brasileira, o baixo ritmo de atividade, o desastre das contas públicas e a piora das contas externas - com déficit comercial de US$ 1,88 bilhão, no ano, até 26 de outubro - refletem o mesmo conjunto de erros da política econômica. O tal modelo de crescimento proclamado como grande inovação nos últimos anos produziu - muito mais que um fracasso - um desastre de dimensões incomuns. O desastre ficará muito maior se a presidente Dilma Rousseff tiver ignorado também essa lição.
fonterota2014

"Tempestade à frente"

, por Miguel Reale Júnior

O Estado de São Paulo


Com diferença de 2% dos votos, Dilma Rousseff reelegeu-se, propondo união em seu discurso de candidata vencedora, o que é natural dizer tão logo obtida a magra vitória. Mas não foi bom sinal a falta de menção ao adversário portador de mais de 50 milhões de votos. A isso se somam o temperamento da reeleita, o processo eleitoral e de novo a ideia de plebiscito, fatores indicativos de como será difícil a propalada união.
Grande parte da sociedade votou em Aécio Neves, e também contra Dilma em repúdio ao PT, cujo tom na campanha aumentou sua taxa de rejeição em três regiões do País. Esse sentimento, prevalecente em metade do Brasil, só cresceu em face do modo desabusado do PT na desconstrução dos adversários Marina Silva e Aécio. Ficaram marcas que uma conversa de fim de festa não tem o condão de apagar.
Para avaliar a desfaçatez basta lembrar que, após Dilma ter sido agressiva com Marina em debate televisivo, esta se queixou chorosamente no carro, ao sair do programa, da violência com que fora tratada, sendo tal fato relatado pela imprensa. Dilma comentou a sensibilidade da adversária considerando-a pessoa fraca, pois, a seu ver, presidente precisa saber enfrentar percalços todos os dias, sem choro.
Em debate, no segundo turno, no SBT, a candidata Dilma, após fazer a Aécio uma acusação inverídica, recebeu, em retorsão, o comentário de estar sendo leviana. Tal foi o suficiente para se transformar a fortaleza Dilma, mulher forte para os percalços diários da Presidência, numa mulher frágil, mãe e avó, nos dizeres do propagandista Lula, sendo Aécio apresentado continuamente como homem agressivo com as mulheres. Lula, em seu histrionismo, chegou a tratar a disputa presidencial como briga de rua, indagando se Aécio teria o mesmo comportamento diante de um homem.
Importa registrar a forma como se fez a dedução da contundência de Aécio, extraída de termo normal em debate franco - "leviana" -, utilizado por Lula em debates anteriores, para se concluir que seria homem agressivo em face de uma frágil avó e, logo, também violento com os pobres.
De outra parte, o anúncio aos mais pobres de corte dos benefícios sociais, como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, foi outra falsidade largamente espalhada à boca pequena. Esse vale-tudo mostra o que pode ser o futuro exercício do poder.
Os dias a vir apresentarão fortes conturbações no campo da economia, com inflação e estagnação, já se reconhecendo no próprio governo o estado de recessão técnica. Dados do Ipea, maliciosamente não divulgados antes das eleições, serão publicados com um retrato real de nossa situação social e econômica, sem as maquiagens dos marqueteiros da rainha. Mas, além do quadro econômico, há uma crise política à frente.
O PT, Dilma e Lula abriram baterias contra a revista Veja por ter publicado parte do depoimento do doleiro Alberto Youssef. Importante, todavia, é o conteúdo do que foi revelado nos depoimentos do doleiro, tão ou mais gravemente retratados pelos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo da véspera da eleição, dia 25 de outubro.
Em matéria de autoria do jornalista Mário César Carvalho afirma a Folha: "O doleiro Alberto Youssef disse em sua delação premiada que soube que o então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve conhecimento do esquema de propina na Petrobrás após a eclosão da crise do mensalão, em 2005". O delator conta também, segundo noticia a Folha, ter sido procurado pelo presidente do PP à época, José Janene, para discutir como acalmar os deputados do partido, descontentes com a perda do financiamento ilícito que recebiam via mensalão.
Frisa a Folha ter o doleiro dito que a presidente Dilma Rousseff tinha conhecimento do esquema de desvios de recursos e completa: "As citações a Dilma e a Lula foram reveladas pela 'Veja', mas duas pessoas que acompanham a investigação confirmaram à Folha que Youssef mencionou a atual e o ex-presidente em depoimento".
Por sua vez, o Estado de dia 25, em matéria assinada pelos jornalistas Ricardo Brandt e Fausto Macedo, traz a lume a grave acusação de ter o doleiro Alberto Youssef afirmado, na delação premiada, que o então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva teria dado ordem em 2010 ao então presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, para que resolvesse pendência com agência de publicidade suspeita de integrar o esquema de corrupção na Petrobrás. Em continuação, a notícia do Estado explicita: "Youssef afirmou que, depois da suposta ordem, Gabrielli teria acionado o então diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, outro personagem central do caso, e pedido para que ele usasse 'o dinheiro das empreiteiras e passasse para a agência'".
Essas indicações do doleiro, dadas a conhecimento não pela considerada arqui-inimiga Veja, mas por dois jornais que confirmam a matéria da revista, não foram acompanhadas de provas, mas o Ministério Público e a Polícia Federal deverão prosseguir nas investigações. Essa questão grave, com certeza, será objeto de averiguação também pela oposição liderada por Aécio Neves, um candidato à Presidência com mais de 50 milhões de votos. Os tempos próximos são tempestuosos.
A vitória nas eleições não representa uma absolvição antecipada com relação aos comportamentos atribuídos a Dilma e a Lula, sujeitos ainda a comprovação, é certo, mas que não podem ser considerados inexistentes em razão da conquista eleitoral.
Não se deve fustigar a continuidade da disputa eleitoral, mas é inafastável o clima deixado pela forma como o PT realizou a desconstrução dos "inimigos". Por outro lado, a apuração mais profunda dos fatos trazidos pela delação do doleiro só tornará mais aguda a crise da República.
É esse o quadro preocupante que se apresenta a nossos olhos e desafia nossa prudência.
fonte rota2014

sábado, 1 de novembro de 2014

"Reforma para valer"

, editorial Folha de São Paulo

Durou dois dias a disposição da presidente Dilma Rousseff (PT) para encetar uma reforma política por meio de plebiscito.
O trâmite escolhido para a medida foi criticado pelos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ambos defenderam um referendo, e Dilma entendeu o recado.
Em qualquer hipótese, a polêmica é vazia. Nada indica que os políticos estejam de fato interessados em alterar de forma radical as regras de que eles próprios se beneficiam. Mecanismos de consulta popular fortalecem a democracia, mas, nesse caso, o debate sobre o tema surge como obstáculo a mais no caminho das melhorias.
Mudanças pontuais, por outro lado, não perderiam em legitimidade se conduzidas dentro do Congresso. Essa via incremental tem, aliás, a vantagem de preservar os grandes marcos legais, garantindo certa previsibilidade à disputa.
A experiência internacional mostra que modificações nas regras muitas vezes trazem resultados contraproducentes. A prática brasileira ensina o mesmo: a imposição da fidelidade partidária teve como efeito colateral a proliferação de legendas criadas com o propósito de abrigar desertores.
Especialistas no assunto, argumentando que os malefícios potenciais estão diretamente relacionados à amplitude da reforma, recomendam intervenções específicas, voltadas a uma distorção por vez.
Existe razoável consenso em torno da necessidade de corrigir problemas no pleito legislativo. As atuais regras do sistema proporcional, além de confundir o eleitor, fomentam alianças interesseiras e alimentam siglas que representam apenas seus dirigentes.
Duas ações deveriam ser adotadas em relação a isso. Primeiro, impedir coligações na disputa proporcional. Hoje, o voto dado ao candidato a deputado ou vereador de um partido pode ajudar a eleger alguém de outra legenda.
Depois, instituir uma cláusula de desempenho, de modo que agremiações com parcos votos pelo país teriam direito a pouquíssimo tempo para fazer propaganda na TV e acesso limitadíssimo a recursos do Fundo Partidário, por exemplo.
Presume-se que siglas de aluguel tenderiam a se recolher a sua insignificância, pois não seriam assediadas por partidos competitivos sequiosos por exposição no horário eleitoral –com o que se restringem acordos tipo "toma lá dá cá".
Haveria mais a fazer, sem dúvida. Esta Folha há muito defende o voto distrital misto, pelo qual o eleitor aponta um candidato que concorre por uma determinada área e, com um segundo sufrágio, escolhe um partido. A disputa seria menos custosa para o postulante e mais compreensível para o eleitor, que saberia em quem votou.
Em termos ideais, também deveria ser corrigida a distorção entre as bancadas estaduais na Câmara dos Deputados (para ser correta, a representação dos Estados mais populosos teria de ser maior) e adotado o voto facultativo.
De nada adianta, porém, pretender implementar todas as medidas de uma só vez. Tentar mudar tudo talvez seja o melhor meio de assegurar que nada mude –e os políticos sabem disso muito bem.
fonte rota2014

"Heróis da resistência",

  por Demétrio Magnoli

Folha de São Paulo


A verdade jurídica é una e definitiva: uma sentença transitada em julgado. A verdade histórica é múltipla e temporária: o fruto da narrativa dos historiadores. 
No Brasil, as comissões da verdade oscilam no espaço vazio que as separa, sem produzir as consequências práticas da primeira nem as luzes da segunda. A lista de perseguidos pela ditadura militar elaborada pela Comissão da Verdade da USP (Folha, 27/10) evidencia os equívocos desse projeto de fabricação de uma verdade estatal sobre nosso passado recente.
Olhos fixos num ponto indefinido, cabelos compridos, barba por fazer, número 9.442 da ficha do Dops, eu, aos 18, estou na foto. Detido por algumas horas, duas ou três vezes, junto com outros estudantes, em manifestações contra o regime, recebo agora um selo oficial de herói da resistência. Não "desapareci", obviamente, e não fui preso, torturado ou exilado. Devo, como tantos oportunistas, tentar converter esse selo em direito pecuniário, reivindicando uma bolsa-anistia que será paga por todos os brasileiros?
A "verdade administrativa" é uma violação da verdade histórica, pois nasce de métodos de generalização que apagam contextos e circunstâncias. Minha foto estampada na Folha não é de 1964, quando a perseguição da ditadura conduziu FHC ao exílio, nem de 1973, quando o estudante de Geologia Alexandre Vanucchi Leme "desapareceu" no DOI-Codi, mas de 1977. As torturas sistemáticas tinham sido abolidas no ano anterior, após os assassinatos no cárcere de Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho. O regime ingressava em lento declínio. Qual é o sentido histórico de uma lista indiferenciada de 664 figuras uspianas reunidas sob o rótulo de "perseguidos"?
Naquele ano, ainda calouro, participei da redação do efêmero jornal estudantil "Avesso". Na segunda ou terceira edição, enchemos a capa com uma das imagens icônicas de Mao Tsé-tung celebrizadas durante a Revolução Cultural chinesa. O contraste entre a capa e o conteúdo libertário dos textos compunha uma crítica irônica, mas feroz, à esquerda stalinista. O coronel Erasmo Dias, secretário estadual da Segurança Pública, apreendeu alguns exemplares e concedeu entrevista para acusar-nos de "maoísmo". Havia divertimento gratuito, em meio à tensão.
Janice Theodoro, uma das coordenadoras da comissão da USP, é historiadora notável e, como seus colegas, certamente opera com as melhores intenções. Contudo, a lógica inflexível da "verdade administrativa" distorce a verdade histórica, coagulando narrativas míticas. Entre as oito fotos selecionadas pelaFolha estão a minha e a de Eduardo Giannetti, que estudava economia, mas já ostentava um semblante de filósofo. A opção preferencial por colunistas do jornal revela as armadilhas da recepção midiática de uma "verdade" não filtrada pelas técnicas historiográficas.
As nossas comissões da verdade cumprem a função política de difundir a falsa percepção de que o Estado democrático ajusta as contas com a ditadura militar. 
Por essa via, oculta-se o mais relevante: desistimos de punir os crimes cometidos contra os direitos humanos. No Chile e na Argentina, os chefes dos regimes ditatoriais experimentaram sentenças de prisão: a verdade jurídica ergueu marcos nas memórias nacionais. No Brasil, pelo contrário, a Lei de Anistia promulgada pela ditadura sedimentou-se na forma de um pacto político sagrado, protegendo as autoridades militares que comandaram a máquina de repressão, bem como seus aliados e financiadores civis.
De Sarney a Dilma, passando por Collor, FHC e Lula, sucessivos governos inclinaram-se à Lei de Anistia, que impede o Judiciário de cumprir o dever de processar e sentenciar. Uma abdicação leva a outra: em nome da verdade, no lugar de interpretações históricas criteriosas, erguemos panteões de heróis da resistência. No fim, saímos mal na foto.
fonte rota2014

“O Brasil perdeu o medo do PT”, diz Aécio

Bela Megale - Veja

O candidato tucano tinha fortes razões para acreditar que venceria, mas reagiu rapidamente à derrota e se prepara para voltar a enfrentar Dilma como líder da oposição

Pelo telefone, a voz de Aécio Neves em nada se parece com a do candidato vencido que, no domingo, ao assumir a derrota, discursou em tom abatido por pouco mais de dois minutos. O timbre mudou — é de novo o de alguém em combate. De sua fazenda em Minas Gerais, o tucano falou a VEJA sobre os erros da campanha, os planos para o futuro e o novo país que ele acredita ter saído destas eleições.

O senhor saiu desta eleição com a maior votação que um candidato do PSDB já teve no segundo turno, o apoio de 51 milhões de brasileiros e o título de “líder natural da oposição”. Como pretende usar esse patrimônio?
Pretendo usá-lo para cumprir minha parte no que será a missão do nosso partido a partir de agora: ser a voz e o sentimento de mais de 50 milhões de brasileiros que demonstraram com a contundência do voto que estão cansados da incompetência e dos desvios éticos desse grupo que está no governo. Desvios éticos que na eleição ficaram ainda mais patentes como o modo de ser deles. O uso despudorado da máquina pública e o terrorismo com que o PT intimidou os eleitores são manifestações de uma mesma visão de mundo, a de que eles são donos do país e podem fazer impunemente tudo o que quiserem. Essa violência não tem paralelo na nossa história democrática. Foram cruéis com os eleitores ao mentir descaradamente para eles. Na baixeza para com seus adversários,
o PT estabeleceu também um novo e degradante patamar. Primeiro o Eduardo Campos e depois a Marina Silva foram tratados não como adversários políticos com visões diferentes das deles. Foram tratados como inimigos da humanidade, como seres humanos moralmente defeituosos, maus e insensíveis. Uma eleição ganha dessa maneira diminui o Brasil perante o mundo e perante nós mesmos. A torpeza de métodos do PT depois se voltou contra mim com toda a força, o que me fez pensar com mais carinho em Eduardo e Marina, pessoas decentes, figuras públicas com contribuições sociais extraordinárias para o povo brasileiro, destroçadas sem dó pela máquina do PT. Mas essa campanha produziu um avanço importante. Enquanto o PT envenenava o horário eleitoral, surgia nas ruas uma reação espontânea de resistência cívica popular. As pessoas retomaram as ruas, redescobriram a coragem. Finalmente, depois de tantos anos, o Brasil perdeu o medo do PT.

Esse sentimento cívico que o senhor despertou vai durar quanto tempo?
A vitalidade que esta campanha injetou nas pessoas é uma força que não se dissipará facilmente. Ela vai nos manter unidos. Esse Brasil sem medo do PT
vai ser percebido logo pelo governo. A sociedade está muito mais atenta, vigilante e serenamente imune ao discurso raivoso dos petistas. A oposição saiu revigorada desse processo. Estou pronto para assumir meu lugar nela.

Sem trégua nem lua de mel, como disse o senador (e candidato a vice na chapa tucana) Aloysio Nunes?
Os 51 milhões de brasileiros que se puseram na oposição nas eleições esperam que seus representantes no Congresso sejam vigilantes e firmes. Que se oponham ao governo, e não ao país. Seremos firmes porque nossos eleitores reprovaram nas urnas os métodos do PT, sua visão de mundo, seus desvios éticos, a forma como compõe o governo e a forma como governa. Não vamos permitir que o governo desvie a atenção dos brasileiros do maior escândalo de corrupção da nossa história, o da Petrobras.

Leia a continuação dessa reportagem na Veja 

 

 

 

fonte rota2014 

Com rombo recorde em setembro, Tesouro passa a ser deficitário no ano, pela primeira vez desde o Plano Real

UOL
O governo Dilma Rousseff gastou além de sua arrecadação pelo quinto mês consecutivo, e o Tesouro Nacional agora acumula até setembro um deficit inédito em duas décadas.
No mês passado, as despesas com pessoal, programas sociais, investimentos e custeio superaram as receitas em R$ 20,4 bilhões, o maior valor em vermelho já contabilizado em um mês. Com isso, o resultado do ano passou de um saldo fraco para um rombo de R$ 15,7 bilhões.
Em outras palavras, o governo federal teve, de janeiro a setembro, deficit primário, ou seja, precisou se endividar para fazer os pagamentos rotineiros e as obras de infraestrutura.
Nas estatísticas do Tesouro, é a primeira vez que isso acontece por um período tão longo desde o Plano Real, lançado em 1994 -os dados anteriores são distorcidos pela hiperinflação e não permitem comparações apropriadas.
A deterioração das contas federais começou em 2012, quando o governo acelerou seus gastos na tentativa de estimular a economia, e o descompasso entre receitas e despesas se agravou neste ano eleitoral.
As primeiras, prejudicadas pela debilidade da indústria e do comércio, tiveram expansão de 6,4% até o mês passado; as segundas, de 13,2%.
A escalada dos gastos neste ano é puxada pelos programas sociais -especialmente em educação, saúde e amparo ao trabalhador- e pelos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
O desequilíbrio fiscal produziu um círculo vicioso na economia, ao elevar a dívida pública, alimentar o consumo e dificultar o controle dos preços. Com credores mais temerosos e inflação elevada, o Banco Central precisa manter juros altos, comprometendo ainda mais o crescimento da economia e a arrecadação.
Passadas as eleições, o mercado aguarda o anúncio de medidas para conter despesas e elevar receitas. As alternativas à disposição do governo, porém, não são animadoras.
Cerca de três quartos do Orçamento são ocupados por pagamentos obrigatórios, como salários, repasses ao Sistema Único de Saúde, benefícios previdenciários e assistenciais. Por isso, as vítimas preferenciais dos ajustes são as obras públicas, das quais o país precisa para enfrentar as deficiências da infraestrutura.
Um aumento de impostos elevaria ainda mais a carga tributária do país, a mais alta do mundo emergente ao lado da argentina -e criaria um desgaste político adicional para uma presidente que acabou de passar por uma reeleição apertada.
FONTE ROTA2014

Para PSDB, confiança do TSE é muito suspeita

Com Blog do Josias
Há no Brasil 142.822.046 eleitores aptos a votar. Desse total, foram às urnas no segundo turno da eleição presidencial 112.683.879 almas. Houve 1.921.819 votos em branco e 5.219.787 nulos. Restaram 105.542.273 votos válidos. Desses, 54.501.118 (51,64%) foram para Dilma Rousseff. Seu rival Aécio Neves arrastou 51.041.155 (48,36%). Com 3.459.963 votos a mais, Dilma prevaleceu sobre Aécio, reelegendo-se. E os brasileiros foram cuidar do seu feijão com arroz.
De repente, decorridos quatro dias, o PSDB de Aécio protocolou no Tribunal Superior Eleitoral um pedido de “auditoria especial” do resultado do pleito. O tucanato esclarece na petição que não põe em dúvida a lisura da apuração e o trabalho da Justiça Eleitoral. Em nota, o partido enfatizou: “Temos absoluta confiança de que o TSE cumpriu seu papel, garantindo a segurança do processo eleitoral.”
Uma pessoa apressada poderia perguntar: se o PSDB confia na correção do TSE, por que diabos deseja auditar as urnas? Um observador mais sofisticado compreenderá os tucanos. Pode existir alguma coisa mais suspeita do que uma conduta absolutamente irrepreensível? Pois é. O PSDB reiterou sua “confiança na Justiça Eleitoral''.  Mas a turma da internet levou o pé atrás.
O PSDB anotou em sua petição: “Nas redes sociais, os cidadãos brasileiros vêm expressando (…) descrença quanto à confiabilidade da apuração dos votos e à infalibilidade da urna eletrônica, baseando-se em denúncias das mais variadas ordens'', anota a petição do PSDB. É para tranquilizar a militância virtual que o PSDB pede uma auditoria. Bom, muito bom, ótimo. Há mesmo muita coisa estranha no ar.
Por exemplo: a eleição ocorreu em outubro. Trata-se de um mês que está assentado no calendário bem perto de outros dois meses suspeitíssimos. Como explicar que o 11º e o 12º mês do ano se chamem NOVEmbro e DEZembro?
Não é só: na última terça-feira (28), ao proclamar o “resultado parcial” das urnas, o TSE designou ministros para conferir os dados. Os Estados foram subdivididos em grupos e repartidos por sorteio.
O ministro Gilmar Mendes vai aferir os dados de quatro Estados: Amazonas, Alagoas, São Paulo e Tocantins. Seu colega Luiz Fux passará em revista as informações de Minas, Espírito Santo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. E assim sucessivamente… Só depois dessa revisão geral é que ocorrerá uma “proclamação oficial” do resultado das eleições.
Tanta checagem só poderia mesmo despertar essa onda de desconfiança que o PSDB detectou nas redes sociais. De novo, pode ter algo mais suspeito do que uma conduta assim, digamos, absolutamente irrepreensível?
O TSE ainda não deu uma resposta ao pedido de auditoria formulado pelo PSDB. Enquanto espera, o partido talvez devesse realizar uma auto-auditagem. Olhando-se no espelho, os tucanos poderiam perguntar a si mesmos: num instante em que 7 em cada 10 eleitores desejavam mudanças, como a maior legenda de oposição do país conseguiu eleger a adversária da continuidade?
Refinando a auto-investigação, o PSDB poderia perseguir uma segunda resposta: como Aécio Neves, o príncipe das Minas Gerais, foi capaz de ser  derrotado no seu principado pela mineira-gaúcha Dilma Rousseff? Se encontrar respostas para essas questões, o tucanato talvez retire o pedido de auditoria que protocolou no TSE.
FONTE ROTA2014

Fornecedores da Petrobras deram R$ 206 milhões a firmas de doleiro

Cleide Carvalho - O Globo

Dinheiro teria sido distribuído a integrantes do esquema de corrupção

Contas correntes de três empresas de fachada usadas pelo doleiro Alberto Youssef para receber propinas de fornecedores da Petrobras registraram depósitos de R$ 206,3 milhões entre novembro de 2009 e dezembro de 2013. Os valores mais altos foram creditados nas contas da GDF Investimentos, que recebeu depósitos num total de R$ 96,3 milhões. A MO Consultoria recebeu depósitos de R$ 70,4 milhões e a Empreiteira Rigidez, de R$ 39,5 milhões.
Os valores constam em levantamento feito pelo Ministério Público Federal com base na quebra de sigilo bancário das empresas ligadas ao doleiro. Youssef era o operador do esquema de corrupção na estatal, que envolvia políticos aliados do governo.
Na outra ponta, apenas a Empreiteira Rigidez repassou R$ 21,5 milhões para empresas do grupo Labogen, que Youssef usava para fazer remessas ilegais de recursos para o exterior.
O executivo Julio Camargo, do grupo Toyo Setal, que assinou acordo de delação premiada depois que Youssef citou seu nome como o principal contato na empresa, depositou pelo menos R$ 16,6 milhões para as empresas usadas pelo doleiro para distribuir propinas a envolvidos no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.
Camargo fez os depósitos por meio de três empresas controladas por ele: Auguri, Piemonte e Treviso. A Piemonte fez depósitos de R$ 8,5 milhões; a Treviso, de R$ 6,9 milhões e a Auguri, de R$ 1,15 milhão. As empresas de Camargo doaram recursos para campanhas políticas. Em 2010, foi doado R$ 1,1 milhão a sete políticos, cinco deles do PT. No total, segundo reportagem da “Folha de S.Paulo", as empresas de Camargo fizeram doações de R$ 5 milhões ao PT e ao PR entre 2006 e 2014.
Além de Camargo, outro executivo ligado à Toyo Setal, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, fez depósitos em contas de empresas ligadas ao doleiro. No valor de R$ 7,3 milhões, os depósitos foram feitos pela empresa Tipuana Participações. Mendonça era um dos sócios da Tipuana, que pertencia à PEM Engenharia, que prestou serviços à Petrobras na construção da plataforma P-51 e foi uma das empresas que deram origem ao Grupo Toyo Setal.
Segundo depoimento de Alberto Youssef à Justiça Federal de Curitiba, a Toyo Setal também fez depósitos no exterior a título de propina. O doleiro trabalhou para internalizar os recursos e distribui-los no Brasil, em reais. O GLOBO entrou em contato com a Toyo Setal e com entidades que contam com a participação de seus executivos, mas não obteve retorno deles.
Na campanha deste ano, a Toyo Setal doou R$ 2 milhões para o comitê do PR e R$ 150 mil para três candidatos a deputado federal pelo PT: Benedita da Silva (RJ), Henrique Fontana Júnior (RS) e Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira (RJ).
Foram detectados depósitos de várias fornecedoras da Petrobras citadas na investigação da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Na conta da Empreiteira Rigidez, que Youssef admitiu servir apenas para receber recursos de obras da estatal, foram registrados, entre maio de 2010 e dezembro de 2013, depósitos da Mendes Júnior Trading e Engenharia (R$ 1,978 milhão); OAS (R$ 1,749 milhão), e MPE Montagem de Projetos Especiais (R$ 3,129 milhões).
FONTE ROTA2014

 

Dilma, a Priscila do Deserto Moral

COLUNA DE REINALDO AZEVEDO NA FOLHA DE SÃO PAULO 
Em Kakânia, o país imaginário de Musil em “O Homem Sem Qualidades”, podia-se, às vezes, tomar um “gênio por um patife”, mas “nunca se tomava um patife por um gênio”. Dia desses, um dublê de colunista político e cortesão resolveu me ironizar porque afirmei que o país sai das urnas “dividido, rachado ao meio”. As esquerdas, que produziram vasta literatura sobre a indústria eleitoreira da miséria, agora pretendem negar as suas próprias constatações. O Nordeste servia como emblema dessa relação quando o quase extinto PFL dava as cartas na região. Hoje, apontar o óbvio seria sinal de preconceito e demofobia. Em Banânia, não apenas se tomam gênios como patifes, mas também patifes como gênios.
Vejam os 15 Estados em que Dilma venceu no segundo turno, o seu percentual de votos (primeiro número) e o percentual de famílias atendidas pelo Bolsa Família (segundo número). Os dados são do TSE (desprezei os algarismos depois da vírgula) e do Ministério do Desenvolvimento Social (setembro de 2014). Maranhão (78-58), Piauí (78-54), Ceará (76-47), Bahia (70-47), Pernambuco (70-47), Rio Grande do Norte (69-40), Sergipe (67-49), Paraíba (64-50), Amazonas (64-43), Alagoas (63-53), Amapá (61-33), Tocantins (59-38), Pará (57-46), Rio de Janeiro (54-17) e Minas (52-21).
Agora seguem os Estados em que Dilma perdeu, com os mesmos dados: Santa Catarina (35-07), São Paulo (35-11), Acre (36-42), Distrito Federal (38-12), Paraná (39-13), Goiás (42-19), Mato Grosso do Sul (43-21), Rondônia (45-26), Mato Grosso (45-22), Rio Grande do Sul (46-13), Espírito Santo (46-19) e Roraima (42-47).
É preciso ser intelectualmente desonesto para não constatar que existe uma óbvia relação entre o benefício e a fidelidade ao petismo, que é o coronelismo da hora.
(…)
Para ler a integra, clique
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldoazevedo/2014/10/1541087-dilma-a-priscila-do-deserto-moral.shtml 

"Aprender a conviver"

Dora Kramer

O Estado de São Paulo

O PMDB poderia perfeitamente ter esperado a virada do ano para deflagrar o processo de sucessão na presidência da Câmara, que normalmente ocorre nas últimas semanas de janeiro, pouco antes da escolha no início de fevereiro.
Mas, a exemplo do que fez Lula com a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, o partido resolveu antecipar o lançamento do líder da bancada, Eduardo Cunha, a fim de demarcar terreno, ocupar espaço e mandar à presidente o seguinte recado: seja qual for o perfil predominante no colegiado dos deputados eleitos, o PMDB não pretende que o comando da Câmara seja submisso às orientações do Palácio do Planalto.
Isso não deve se confundir com a pretensão do Poder Legislativo de se impor ou viver em confronto perma­­nente com o Executivo. A ideia é justamente recupe­­rar o conceito de equilíbrio entre os Poderes da Repú­­bli­­ca, aproveitando o momento em que essa paridade se refletiu no resultado das urnas e que o PT não sai da eleição com a mesma força avassaladora de antes.
A figura do deputado Eduardo Cunha talvez não seja a ideal do ponto de vista da opinião pública, mas sob a ótica dos deputados peemedebistas é quem melhor representa uma posição ao mesmo tempo de enfrentamento latente e negociação quando conveniente. O poder dele emana do apoio da bancada, não de sustentação do governo. 
Ao contrário. No ano passado a presidente entrou em embate direto com ele, tentou isolá-lo na Câmara e perdeu a parada.Isso não deve se confundir com a pretensão do Poder Legislativo de se impor ou viver em confronto perma­­nente com o Executivo. A ideia é justamente recupe­­rar o conceito de equilíbrio entre os Poderes da Repú­­bli­­ca, aproveitando o momento em que essa paridade se refletiu no resultado das urnas e que o PT não sai da eleição com a mesma força avassaladora de antes.
Dilma mostrou inexperiência, pois um presidente não se confronta com um depu­­­­tado, muito menos para ficar em desvantagem. Cunha também é do PMDB fluminense, a seção regional que se posicionou na con­­venção mais claramente contrária à renovação da aliança com o PT pela reeleição.
Já na noite de domingo assim que saiu o resultado da eleição Eduardo Cunha sem assumir a candidatura – como convém ao nome do jogo nessa altura – ressaltava o impacto do escândalo da Petrobras no próximo ano, recebia com descrédito a proposta da presidente ao “diálogo” e apontava o PT é quem dá o “tom” do clima entre os aliados.
Referia-se, na ocasião, às derrotas de líderes do PMDB muito próximos do Planalto em disputas para governos de esta­­dos: Eunício Oliveira (CE), Eduardo Braga (AM) e Hen­­rique Eduardo Alves (RN). Os adversários de todos eles ajudados pelo PT ou aliados. Lembrava que os candidatos mais distantes do governo haviam se saído melhor.
O campo não estaria tão mi­­­­nado se o PMDB estivesse sozinho nessa atitude mais ofensiva. No momento é o PT quem se encontra mais perto das cordas. Por isso mesmo o Planalto reconhece a urgência de reorganizar toda sua articulação política. O próprio líder na Câmara, Arlindo Chi­­na­­glia, admite a necessidade. Para ele o erro central foi a quase inexistência de interlocução entre o Palácio e sua base, principalmente as lideranças do PT, no Congresso.
Mas as medidas de ajuste vão além. Se quiser recuperar terreno, o governo vai precisar adaptar seu modo de agir ao tempo de estio nos quesitos popularida­­de e força política. Desde que assumiu o poder, o PT estava acostumado a falar sozi­­nho. Primeiro por meio dos monólogos de Lula e depois pelos modos ariscos de Dilma.
Isso sem contar a arrogância de um partido que se pretendia hegemônico, proprietário do monopólio do bem estar social e imbuído da certeza de que as opiniões contrárias na sociedade seriam eternamente residuais. Já há algum tempo o vento sopra de outra forma, mas o governo vem se enganando, arrumando desculpas, evitando olhar as coisas como elas são.
Gastou tanto capital que perdeu o crédito de confiança. Prova é o ceticismo com que foi recebida a mão estendida da presidente. Agora vai precisar reaprender a jogar, construir convergências, lidar com as divergências, enfim, reconhecer que não inventou nem é dono do Brasil.
FONTE ROTA2014

 

Com dívidas milionárias, aliados recorrem a Dilma

CÁTIA SEABRA e GUSTAVO URIBE - Folha de São Paulo


Amargando dívidas milionárias referentes à disputa eleitoral deste ano, candidatos a governador aliados ao governo federal pedem agora socorro ao comando da campanha de Dilma Rousseff à reeleição.

Os apelos são suprapartidários: vão do PT ao PSB de Marina Silva, como é o caso do governador reeleito da Paraíba, Ricardo Coutinho."Devo e não nego. Pagarei quando puder", afirma o governador.

O comitê de campanha de Coutinho recorreu à equipe da presidente no segundo turno. Os petistas recomendaram a um doador que colaborasse com R$ 2 milhões para a campanha do pessebista.

Os pedidos mais insistentes partem dos próprios petistas, sobretudo os derrotados. Terceiro na corrida para o governo de São Paulo, Alexandre Padilha encerrou a disputa com um buraco de cerca de R$ 30 milhões.

Nos dois primeiros meses de campanha, a candidatura angariou R$ 4,2 milhões, menos de 1/3 do que arrecadou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) no mesmo período.

Além de Padilha, o senador Lindbergh Farias também pede ao PT ajuda para liquidar suas dívidas de campanha ao governo do Rio. Segundo ele, o rombo pode superar R$ 6 milhões.

"É muito ruim perder. Os doadores acabam fugindo", lamenta Lindbergh.
As prestações de contas finais dos candidatos que não foram ao segundo turno deverão ser entregues à Justiça Eleitoral até terça-feira (4).

O prazo para os que disputaram o segundo turno é maior: 25 de novembro. As dívidas pendentes devem ser assumidas pelos partidos.

A penúria não é exclusividade dos derrotados. A campanha de José Ivo Sartori (PMDB) teve como intermediário o ex-ministro Eliseu Padilha, que pediu ajuda para o recém-eleito governador do Rio Grande do Sul.

A dívida do comitê de Sartori é de cerca de R$ 5 milhões, segundo a Folha apurou.
"Pedi dinheiro ao comitê de Dilma até a véspera da eleição", conta Eliseu, que representava o PMDB na coordenação de campanha da presidente Dilma.

Embora derrotado, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), não deve registrar dívidas significativas. "Devem ser de cerca de R$ 300 mil", calcula Carlos Pestana, coordenador da campanha de Tarso.

RIO

Reeleito para o governo do Rio, o peemedebista Luiz Fernando Pezão contou com o ministro Moreira Franco (Aviação Civil) como porta-voz junto ao comitê de Dilma. Ele solicitou recursos para bancar atividades conjuntas organizadas pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB).

"Pedi dinheiro, mas não sei quanto recebemos", diz Paes.

Também no Rio, a deputada estadual eleita Clarissa Garotinho (PR) buscou ajuda da campanha de Dilma para o pai, deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ).
Derrotado na disputa ao governo, ele admite ter dívida milionária, mas não a revela.

"Ela [Clarissa] fez por conta própria. A situação está difícil. Não quero mais conversa com essa gente", queixa-se.

Procurado, o tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, afirma que seu foco agora é saldar dívidas do comitê da presidente. Ele não quis comentar a situação financeira das candidaturas aliadas.

O comando da campanha da presidente não acredita que ela deva fechar o balanço eleitoral com dívidas.

Apesar disso, o PT ampliou neste mês em R$ 40 milhões o limite de gastos do comitê para cobrir despesas compartilhadas com os estados. O teto passou de R$ 298 milhões para R$ 338 milhões.




FONTE ROTA2014

Doutrinação ideológica nas escolas

Projeto de lei tenta impedir doutrinação política em escolas públicas. Segundo a CITIZENGO, uma das marcas do governo do PT e de seus militantes foi (e continua sendo) o uso da estrutura educacional para doutrinar os jovens, seja nas escolas ou nas universidades. Para responder a essa política perversa, a entidade estabeleceu uma parceria com a iniciativa Escola sem Partido a fim de apoiar a aprovação de um projeto de lei que proíbe a doutrinação ideológica nas escolas. Esse projeto será apresentado em diversas Câmaras Municipais e Assembléias Legislativas do Brasil. O primeiro passo será dado na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia.
 Assine a petição para pedir aos vereadores locais que aprovem o PL 019/2014, que tem como objetivo assegurar o respeito ao direito do estudante de não ser doutrinado por seus professores:
http://citizengo.org/pt-pt/12803-aprovacao-do-pl-0192014-autoria-do-vereador-gilzete-moreira

Vitória da Conquista pode ser a primeira de muitas cidades a aprovar esse projeto e, portanto, servirá de combustível para que o projeto ganhe força. A idéia é que esse projeto seja apresentado em até 1.000 casas legislativas nos próximos anos! CitizenGO apoiará a aprovação de cada um (ou de boa parte deles) individualmente. Isso significa, Aderval , que você receberá outros e-mails semelhantes a este para que apóie a iniciativa em outras cidades.

Por favor, se você não concorda com o uso indevido que milhares de professores fazem de sua posição para doutrinar jovens em sala de aula, não deixe de assinar a petição e compartilhá-la nas redes sociais, com seus amigos e familiares:

De onde surgem os jovens radicais que se tornam militantes de partidos de índole totalitária como o PT, o PSOL e o PC do B? Da sala de aula de escolas municipais e estaduais de todo o Brasil! Quando entram na universidade, muitos desses jovens apenas recebem um reforço sobre aquilo que aprenderam durante 10 anos!

Extrato do projeto: Art. 1º.  Fica criado, no âmbito do sistema municipal de ensino, o "Programa Escola sem Partido", atendidos os seguintes princípios:
I - neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado;  II - pluralismo de idéias no ambiente acadêmico; III - liberdade de aprender, como projeção específica, no campo da educação, da liberdade de consciência; IV - liberdade de crença; V - reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado; VI - educação e informação do estudante quanto aos direitos compreendidos em sua liberdade de consciência e de crença; VII - direito dos pais a que seus filhos menores recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.

A inciativa é de suma importância para barrar a doutrinação esquerdista realizada em escolas de todo o Brasil. É necessário que nossos jovens encontrem suas próprias convicções políticas, e é nosso dever protege-los de qualquer tipo de manipulação realizada no ambiente escolar.

A iniciativa é apoiada pela Revista Sociedade Militar. http://sociedademilitar.com.br



FONTE AVERDADESUFOCADA

"Dilma 2"

por Eduardo Giannetti

Folha de São Paulo


O enredo foi dramático e tortuoso ao extremo, mas o desfecho seguiu a convenção do gênero: o trator governista garantiu a vitória da presidente, como é praxe desde a adoção da reeleição. A incerteza sobre o resultado das urnas deu lugar à dúvida sobre os rumos da política econômica no segundo mandato. Curva de aprendizado ou aposta redobrada?
É difícil não carregar nas tintas: economia em recessão; investimento em queda livre; deficit fiscal elevado; inflação alta e artificialmente represada (preços administrados e câmbio) e volta da vulnerabilidade externa (deficit em conta corrente acima de U$ 80 bilhões em 2014).
Se Lula 1 preparou o terreno para o avanço social em Lula 2, o estrago de Dilma 1 ameaça sepultar essa conquista em Dilma 2.
Considerando a gravidade do quadro, não deixa de haver justiça na recondução de Dilma ao Planalto. Quem armou e subestimou o tamanho da encrenca que cuide dela agora. À vencedora, os pepinos.
Dois cenários básicos se delineiam. O primeiro, menos pessimista, é o da curva de aprendizado. Passado o ardor da campanha, o governo admite pelo menos parte dos erros cometidos e promove uma correção de rumos.
Como a reputação não ajuda, isso exigirá bem mais que juras, jogo de cena e abertura ao diálogo. Exigirá transparência e resultados, com ênfase na área fiscal, além de uma presidente que aceite abrir mão da condição de patroa de uma equipe econômica café com leite.
Alguns indícios reforçam este cenário. Com anos de atraso, o governo avançou no marco regulatório para o investimento privado em infraestrutura; aceitou reduzir os repasses da bolsa-BNDES e descobriu que não é capaz de baixar os juros no grito. Economistas próximos ao governo tornaram-se críticos abertos da "nova matriz" e o ministro da Fazenda está de "aviso prévio".
O outro cenário é o da aposta redobrada. A reeleição seria a prova do sucesso e o sinal verde para ir até o fim. Não fosse a conjuntura externa adversa, tudo teria sido ainda melhor do que foi. Vale aqui o princípio da contra-indução, enunciado por Mario Henrique Simonsen: "uma experiência que dá errado inúmeras vezes deve ser repetida até que dê certo".
Entre os elementos de apoio à aposta redobrada destacam-se: a retórica agressiva e populista da campanha, incluindo a desmoralização do Banco Central e o autismo fiscal; o estado de negação em que vivem expoentes do petismo e a dificuldade da presidente em admitir erros e delegar poderes.
Some-se a isso a bomba-relógio do petrolão, a queda de preço das commodities, a alta dos juros americanos e a eventual perda do "grau de investimento" e a conclusão é só uma: a Argentina é logo ali.
FONTE ROTA2014

 

Advogado nega retificação de depoimento do doleiro Youssef. Lula e Dilma sabiam tudo da roubalheira

O Globo

‘Não existiu depoimento na quarta, não existiu retificação’, diz Basto



O advogado Antonio Figueiredo Basto negou nesta quinta-feira que tenha ocorrido um segundo depoimento de seu cliente, o doleiro Alberto Youssef, no âmbito da delação premiada. Segundo Basto, na semana passada ele foi ouvido apenas na terça-feira, dia 21, sem qualquer retificação no dia seguinte, diferentemente do que publicou O GLOBO na edição de quarta-feira. Em sua última edição, a revista “Veja” informou que Youssef dissera no depoimento de terça-feira que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula sabiam dos desvios de dinheiro de obras da Petrobras para partidos políticos.

Antes disso, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, afirmara em depoimento à Justiça Federal de Curitiba que o esquema beneficiava três partidos políticos — PT, PMDB e PP.
Basto explicou que participam dos depoimentos a Procuradoria Geral da República, delegados da Polícia Federal e agentes, além de um advogado de defesa, que não faz perguntas. Segundo ele, o advogado apenas confere os documentos produzidos e as assinaturas.
— Não existiu depoimento (de Youssef) na quarta, não existiu retificação, e os advogados não se manifestam — afirmou.
O advogado disse que os depoimentos de Youssef têm sido valiosos para a Justiça e que há muitos interesses, econômicos e políticos, para que a investigação não dê certo. Lembrou ainda que no depoimento à Justiça Federal de Curitiba seu cliente havia afirmado que não era o responsável pelo esquema, que estava muito acima dele e do ex-diretor Costa. Ele defendeu investigação sobre os vazamentos.
FONTE ROTA2014

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