Jornalista Andrade Junior

terça-feira, 10 de julho de 2012

RESPOSTA DO PARAGUAI A POSIÇÃO (BOLIVARIANA) BRASILEIRA:

Brilhante o texto de *Chiqui Avalos que recebi via e-mail de um amigo leitor do blog. É mais um daqueles artigos para reflexão.
(Traduzido)

     
Não  compreendemos a posição do Brasil. Ou não queremos compreender, tanto é o  bem que lhe queremos. Nos arrasou como sicário da Rainha Vitória e nós lhe  perdoamos e juntos construímos o colosso de Itaipu. O tratamos bem e ele  defende a continuidade de uma das piores fases de nossa história, em nome do  quê? Nega-nos o direito à autodeterminação, mas se esquece do papelão  ridículo que fez em defesa de um cretino como Zelaya, um corrupto ligado a  grupos somozistas de extermínio e que era tão esquerdista como Stroessner e  democrático como Pinochet.

Foi deplorável o papel do chanceler  Patriota (que não se perca pelo nome), saracoteando pelas ruas de Assunção  em desabalada carreira, indo aos partidos Liberal e Colorado pressionar em  favor de um presidente que caía. Adentrando o Parlamento ao lado do  chanceler de Hugo Chávez, o Sr. Maduro, para ameaçar em benefício de um  presidente que o país rejeitava. Indo ao vice-presidente Federico Franco  ameaçar-lhe, com imensa desfaçatez, desconhecendo seu papel constitucional e  o fato de que ninguém renunciaria a nada apenas por uma ameaça calhorda da  Unasul (que não é nada) e outra ameaça não menos calhorda do Mercosul (que  não é nada mais que uma ficção). O Barão do Rio Branco arrancou seus bigodes  cofiados no túmulo profanado pelo Itamaraty de hoje. O que quer o governo  Dilma? Passar pelo mesmo vexame de Lula na paupérrima Honduras? Se  afirmativo, já fica sabendo que passará. Nós temos imensa disposição de  continuar uma parceria que se relevou positiva e decente para ambos os  países. Mas não temos da austera presidente o mesmo terror-medo-pânico que  lhe devotam seus auxiliares e ministros. Cara feia não faz história, apenas  corrói biografias. Dilma chamou seu embaixador em Assunção e Cristina fez o  mesmo. As radicais matronas só não sabiam que: o embaixador brasileiro é um  ausente total, vivendo mais tempo em Pindorama do que por aqui. Recorda o  ex-embaixador Orlando Carbonar, que foi pego de surpresa em fevereiro de  1989 pelo movimento que derrubou o general Stroessner. Até meus filhos,  crianças na época, sabiam que o golpe se avizinhava e que estouraria a  qualquer momento, menos o embaixador brasileiro, que descansa no carnaval de  Curitiba, sua cidade natal. Voltou às pressas, num jatinho da FAB, para  embarcar Stroessner rumo ao Brasil. E a Argentina… Bem, a Argentina não tem  embaixador no Paraguay faz alguns meses… Ocupadíssima, Dona Cristina não  nomeou seu substituto. País de necrófilos, chamou um fantasma até a Casa  Rosada para consultas.

O Paraguay fez o que tinha que fazer. Seguirá  adiante, como seguem adiante as Nações, testadas e curtidas pelas crises que  retemperam e reforçam os povos. O religioso que não honrou seus votos de  castidade e pobreza e traiu sua igreja, foi por ela rejeitado. O presidente  que não honrou nossos votos e nos traiu, foi por nós deposto. Deposto por  incapaz, por mentiroso, por ineficiente. Mas, principalmente, por que traiu  as esperanças de um país e um povo que precisaram dele e nele confiaram e  ele os traiu a todos. E, por isso, Lugo não voltará.

(*) Chiqui  Avalos é conhecido escritor e jornalista paraguaio. Combateu a ditadura de  Stroessner e apoiou a candidatura de Fernando Lugo. É o editor de “Prensa  Confidencial”, influente boletim digital editado no Paraguai.




(Extraído do Portal  Militar).

0 comments:

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More