Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Somente 15% dos professores da rede pública que ensinam inglês dominam o idioma

Paula Ferreira, O Globo
LONDRES E RIO - “The book is on the table” (o livro está sobre a mesa) talvez seja a única expressão a compor o repertório linguístico de inglês de boa parte dos brasileiros. Uma realidade muito difícil de ser revertida, levando em consideração a formação dos professores dessa disciplina que atuam na rede pública de ensino. O Ministério da Educação (MEC) estima que em torno de 85% dos docentes que dão aulas de inglês para alunos de escolas públicas não dominam o idioma. A deficiência nos cursos oferecidos pelas universidades e a falta de oportunidades para praticar a língua inglesa são as principais causas do problema.


— Os professores que estão preparados têm oportunidade de intercâmbio. Eles conseguem se inscrever nos editais porque atendem aos requisitos. O problema é o restante, que não consegue sequer entrar na formação continuada. Somente cerca de 15% dos professores que atuam na rede pública nessa disciplina têm proficiência — afirma Silvia Donnini, diretora de Formação e Desenvolvimento dos Profissionais da Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).
A formação insuficiente dos docentes da área fica explícita nos dados do Censo da Educação Básica 2017, divulgado em janeiro pelo MEC. Apenas 42% daqueles que lecionam inglês no primeiro segmento do ensino fundamental têm formação adequada para a área. A disciplina é a pior no quesito de adequação docente, que considera professores com licenciatura ou bacharelado com complementação pedagógica na mesma área de atuação. Ou seja, há docentes formados, por exemplo, para dar aulas de português, mas que atuam como professores de inglês. No segundo segmento do fundamental, do 6º ao 9º ano, o índice é um pouco mais alto, mas ainda representa menos da metade dos docentes: 49,2%. Nessa etapa, a disciplina é a segunda pior no que diz respeito à adequação, perdendo somente para artes.
Ter uma formação considerada “adequada” na teoria, no entanto, não significa nenhuma garantia na prática. A professora Amanda, que prefere usar esse nome fictício, cursou Letras com ênfase em língua inglesa em uma universidade particular e, mesmo antes de chegar às salas de aula, não se sentia preparada para ensinar o idioma a alunos mais velhos.
— Durante o curso na universidade, minha turma foi diminuindo consideravelmente. Acompanhar as aulas em inglês era complicado. Os colegas que não tinham muitos conhecimentos do idioma entraram em contato com a coordenação, que obrigou os nossos professores a darem aulas em português. Quem não busca uma formação paralela não tem condição alguma de trabalhar como professor depois — desabafa.
Por se sentir insegura, ainda na universidade, Amanda procurou um curso de idiomas para complementar a formação. Mesmo assim, encontrou dificuldades quando tentou ensinar inglês para estudantes que já tinham contato com a língua.
— Se você trabalha com crianças até o 5º ano, é mais fácil porque, mesmo que elas façam um curso de inglês, dificilmente estarão no nível intermediário. Já no ensino médio, o aluno sabe que a gramática do professor está errada. Quando eu peguei uma turma nessa fase, passei a me sentir muito insegura, então larguei no final do ano letivo. Preferi trabalhar só com educação infantil.
Para Silvia Donnini, do MEC, melhorar esse quadro passa por uma reformulação do currículo das universidades:
— No Brasil, a formação, em geral, é bastante teórica e menos focada em questões de conversação e proficiência. Isso não corresponde à demanda da prática em sala de aula, que é uma abordagem comunicativa. Precisamos fazer uma revisão do currículo dos cursos de licenciatura e corrigir este problema, que tem sido muito comum. O professor de língua inglesa não é um falante de língua inglesa. Isso faz com que o estudante não tenha uma referência de conversação.
Essa revisão está na mira do Conselho Nacional de Educação (CNE), instância responsável por fazer as modificações desses parâmetros. Antes disso, é necessário que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio, prevista para ser entregue ao órgão em março, seja finalizada. A formação das universidades, em geral, prioriza uma abordagem que se distancia, sobretudo, dos novos objetivos traçados pela Base do ensino fundamental, já homologada pelo MEC. O documento, inclusive, aponta o idioma como a língua estrangeira a ser ensinada nas escolas a partir do 6º ano. Antes não havia essa especificação.
— A BNCC assinala uma ênfase maior na conversação e nas questões tecnológicas, e defende que o aluno tenha contato com a língua real, o inglês falado no mundo, não só nos países onde é língua materna— explica Ivan Cláudio Siqueira, membro do CNE, que participou da confecção da Base relativa ao inglês.
Baixa carga horária

O educador admite, entretanto, que há muitos obstáculos a serem transpostos para garantir que, ao final do ensino fundamental, os alunos tenham uma formação satisfatória no idioma. Um deles é o pouco tempo de aula de língua estrangeira que os alunos têm por semana.
— Ao final do fundamental, o estudante deveria de fato estar no nível básico, o que seria equivalente ao A2 na escala de proficiência, e ter condições de se apresentar, entender coisas relativas à idade. Mas isso está muito relacionado ao contato que ele tem com a língua. Se depender apenas dos cem minutos semanais de aula, o aluno aprende e esquece — analisa Ivan.
Jodie Gray, diretora de desenvolvimento da English UK, uma associação britânica de centros de ensino de inglês, afirma que tornar o idioma a língua estrangeira a ser ensinada nas escolas é uma decisão importante, mas que precisa vir acompanhada de outras estratégias.
— Ainda que não esperemos que todo mundo no Brasil se torne fluente e viaje ao redor do mundo, aumentar o nível de inglês quando as pessoas terminam a educação básica é um ponto de partida. Uma das soluções é fazer uma abordagem mista, em que os docentes melhorem o inglês com uma metodologia de aprendizagem on-line e também presencial.
Para ela, o treinamento inicial de pequenos grupos poderia ajudar nessa tarefa:

— É preciso melhorar as habilidades de linguagem dos docentes e depois pensar sobre metodologia de ensino. Quando há treinamento para um pequeno número de professores, eles se tornam referência e podem ensinar outros. Há um efeito cascata. É sustentável para o futuro e tem custo baixo.



























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Que tiro foi esse? -

DEMÉTRIO MAGNOLI O GLOBO
A Paraíso do Tuiuti recuperou o morro clássico, puro e sofrido, adicionando-lhe o discurso farsesco do PT, que faz a escravidão perenizar-se no “cativeiro social”, celebra a CLT varguista e anuncia uma “libertação” conduzida pelo “quilombo da favela”. Na quarta de cinzas, encerrado o carnaval político pra inglês ver, chegou a intervenção federal, pra brasileiro ver. Que tiro foi esse? Os jornalistas referem-se à “intervenção na área de segurança do Rio”, numa tentativa desesperada de conciliar o conceito à realidade factual. O governador segue no comando do governo estadual. Mas o Planalto, com seu beneplácito explícito, cassa-lhe o controle da segurança pública. O paradoxo indica o triunfo da Tuiuti: continuamos, deploravelmente, a fingir que o morro — tanto faz se casto ou criminoso, subjugado ou sublevado — é um mundo à parte.

A história velha evolui em novo capítulo. Na sua hora áurea, a política das UPPs ganhou tanto apoio, político e popular, quanto terá a intervenção, ao menos na sua fase inicial. As UPPs produziram um equilíbrio temporário, cobrindo com gaze fina a ferida purulenta. Nas “comunidades pacificadas”, atualizaram-se os pactos criminosos, enquanto se redividiam os territórios das facções armadas. A milícia, que é a “polícia do B”, alastrou seu poder, saltando dos serviços de botijão de gás e “gatonet” para os negócios imobiliários. O CV desgastou-se em conflitos com a ADA e o TCP, o que preparou a irrupção do PCC em terras cariocas.

Sob a precária segurança das UPPs, nada se fez para reformar as polícias, identificar as ramificações políticas do crime organizado ou radiografar suas relações com as autoridades públicas. A ruptura do equilíbrio provisório decorreu do colapso financeiro estadual, que provocou uma implosão da Polícia Militar, nas formas de ondas de abandonos abertos ou ocultos dos empregos. Os pedidos de baixa, o absenteísmo disfarçado e a cooptação de policiais pelas milícias e pelas facções escancararam a cidade à criminalidade comum. Agências dos correios pararam de entregar objetos em áreas críticas da metrópole. Táxis começaram a recusar corridas fora dos limites da Zona Sul. Que tiro foi esse? As armas e os projéteis desceram o morro, dinamitando a “normalidade” prévia. Daí, a intervenção.

Temer reassumiu a iniciativa perdida com o arrastado fracasso da reforma previdenciária e, sobretudo, apossou-se da bandeira valiosa da segurança pública, apertando uma tecla estratégica no cenário da campanha presidencial que se avizinha. Nesse passo, contudo, reagiu a uma catástrofe real. Pela primeira vez, o presidente casual, sitiado pelo descrédito, tem a oportunidade de ganhar a atenção popular. As pessoas comuns querem, como mínimo, circular nas ruas sem medo. Por isso, a oposição à intervenção circunscreve-se a forças políticas hipnotizadas pela ideologia (PT, PSOL) ou pelo mais rasteiro oprtunismo eleitoral (PT, novamente, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes). Mas a alma lampedusiana da intervenção de Temer emergirá cedo ou tarde: trata-se de mudar tudo para que tudo permaneça como sempre foi.

Duas perguntas óbvias não terão resposta do Planalto. A primeira: se não há divergências fundamentais de política entre o governador e o presidente, por que cassar as atribuições do primeiro na área da segurança pública? A segunda: por que a intervenção circunscreve-se à segurança se o colapso do Rio abrange as finanças estaduais e atinge o conjunto dos serviços públicos?

“Nós, só com a Polícia Militar e a Polícia Civil, não estamos conseguindo” deter o crime organizado, alegou Luiz Fernando Pezão. A conclusão lógica do diagnóstico seria um pedido estadual para ampliar a operação militar federal de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Mas, no lugar disso, segundo informa-nos o Planalto, Pezão “participou das discussões” e “concordou com a elaboração do decreto” de intervenção. A curiosa unidade de propósitos entre o agente da intervenção e a vítima dela sugere que uma parte crucial da história permanece escondida.

Que tiro foi esse? A intervenção destina-se a restaurar uma película de equilíbrio sem destruir a rede de instáveis alianças que entrelaça a elite política estadual, a polícia, a milícia e as fações criminosas. O poder militar está encarregado de recuperar a capacidade policial de conter a criminalidade comum, circunscrevendo o tiroteio ao universo das favelas. O interventor designado não tem a prerrogativa de extirpar o crime organizado das estruturas políticas, administrativas e policiais do Rio. Sua missão exclusiva é retraçar a linha demarcatória entre a “cidade” e o “morro”, a fim de represar a crise.

Pezão fica. A sua presença no governo, apenas sem o comando da segurança pública, cumpre a função de um seguro. Temer está dizendo aos sócios “respeitáveis” das facções criminosas que, no fim, tudo será como antes. De certo modo, a Paraíso do Tuiuti venceu. O “morro” pode continuar a ser cantado como lugar mítico, de calvário e redenção, desde que a célebre bala perdida não ultrapasse os seus limites. A festa deve seguir, respeitando-se um adequado intervalo de silêncio.

Demétrio Magnoli é sociólogo




























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Chicana -

EDITORIAL O ESTADÃO
Por não terem fundamentos jurídicos sólidos para sustentar no Supremo Tribunal Federal (STF) a legalidade do pagamento do auxílio-moradia a toda a magistratura, no valor de R$ 4,3 mil mensais, juízes federais estão tentando impedir que a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, inclua na pauta de março o julgamento da Ação Originária 1.773, que questiona a constitucionalidade desse benefício. Originariamente, a Lei Orgânica da Magistratura (Loman) previa a concessão do auxílio-moradia apenas nos casos em que os juízes têm de trabalhar durante algum tempo fora das cidades onde residem.

Contudo, por meio de interpretações extensivas dos tribunais, o alcance desse benefício foi sendo alargado de tal forma, que hoje é pago indistintamente a todos os juízes, inclusive aos que têm casa própria nas comarcas onde trabalham. Os juízes não negam que o auxílio-moradia é uma espécie de salário indireto, mas alegam que precisam ganhar bem porque não podem exercer outras funções nem ficar expostos às pressões daqueles que contrariam em suas sentenças.

É por causa da interpretação extensiva usada em larga escala pelos tribunais que as entidades da magistratura alegam que o pagamento do auxílio-moradia é “legal”. E a Ação Originária 1.773 questiona, justamente, essa pretensão de legalidade. Em 2012, o então relator do caso, ministro Ayres Britto, votou contra os interesses dessas entidades. Ao classificar como inconstitucional a extensão do auxílio-moradia a todos os juízes, ele pôs por terra o argumento da legalidade invocado pela corporação.

Mas, quando tudo indicava que o relatório de Ayres Britto seria aprovado, em 2014, o ministro Luiz Fux entrou com pedido de vista e concedeu duas liminares, determinando o pagamento do auxílio-moradia – a título de verba remuneratória, que não é levada em conta para cálculo do teto salarial do funcionalismo público – aos integrantes das Justiças Estadual, Federal, Trabalhista e Militar. Também reteve o processo em seu gabinete por três anos, liberando-o para julgamento, sem alarde, no final de 2017.

É justamente esse julgamento que juízes federais querem evitar que ocorra. O grupo imaginava que o atraso na devolução do processo, por parte de Fux, acabaria permitindo a criação de um fato consumado. Em outras palavras, pensavam que, com o engavetamento do processo, o pagamento do auxílio-moradia se tornaria irreversível. As críticas da opinião pública, contudo, mostraram que eles estavam equivocados. E agora, diante da probabilidade de vários ministros do STF acompanharem o voto de Ayres Britto, ameaçam apelar para estratégias protelatórias.

Uma dessas estratégias é alegar que o processo não estaria em condições de ser apreciado e julgado porque associações recreativas de juízes não teriam apresentado as razões finais após as manifestações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). “Pedimos que a matéria seja retirada de pauta para que seja promovida a intimação para apresentarmos réplica à contestação e contrarrazões”, afirma a direção da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Segundo a entidade, “salvo melhor juízo” o Código de Processo Civil prevê essa manifestação. Outra estratégia é pedir a perda de objeto da ação, sob a alegação de que após as liminares concedidas por Fux o Conselho Nacional de Justiça baixou uma resolução regulamentando o tema. O mesmo foi feito pelo Conselho Nacional do Ministério Público, sob a justificativa de assegurar “a simetria existente entre as carreiras jurídicas, estruturadas com um eminente nexo nacional”. A argumentação não tem lógica, pois, se o STF derrubar as liminares concedidas por Fux, as duas resoluções ficarão sem base legal que assegure sua eficácia.

Portanto, se adotar recursos protelatórios para tentar evitar um julgamento em que poderão sair derrotados, os clubes de juízes estarão apenas praticando chicana, recurso que põe em risco, assim, a credibilidade e a autoridade da Justiça.































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"Agonia do regime bolivariano,

por Rodrigo Botero Montoya O Globo
 A tragédia do povo venezuelano, cuja dimensão excede os superlativos, se converteu num problema hemisférico de primeira ordem. Sua manifestação visível é o êxodo migratório massivo. Os venezuelanos estão expressando seu repúdio ao socialismo do século XXI, votando com os pés. À emigração inicial de empresários, técnicos petroleiros, profissionais e acadêmicos, se agrega agora a de um grupo numeroso de pessoas com baixo nível de capacitação, que podem ser considerados refugiados econômicos.
O manejo desta situação pela comunidade internacional é dificultado pela própria natureza de um regime que se autodenomina revolucionário, mas se converteu numa associação para delinquir. O regime de Nicolás Maduro se nega a reconhecer a existência de uma crise e recusou as ofertas externas de assistência humanitária. Com um processo de demolição que reduziu à metade o tamanho da economia em cinco anos, o governo intensificou a repressão. O exercício crescentemente militarizado da autoridade pode ser descrito como despotismo temperado pela inépcia.
Qualquer solução de fundo para esta tragédia tem como premissa básica a mudança de governo. Esta é uma responsabilidade que compete exclusivamente aos venezuelanos. Há indícios de que a experiência de engenharia social denominada Revolução Bolivariana se aproxima de uma fase terminal, por ser insustentável. Assim o sugerem a degradação da qualidade de vida, a hiperinflação e o colapso das finanças públicas. Diz-se que as falências ocorrem de forma gradual, e em seguida de maneira súbita. O que é difícil de prever é a data na qual ocorrerá o desenlace e as circunstâncias nas quais terá lugar. Em um ambiente melancólico de fim de regime, o governo trata de aparentar normalidade, enfrentando o isolamento, a irrelevância e o repúdio externo generalizado.
Enquanto se sucede o previsível desmantelo político, a comunidade internacional poderia contribuir de imediato para aliviar o sofrimento da população. O apoio à reconstrução de uma nação que esteve submetida ao saque por parte de seus caudilhos seria uma etapa posterior, que pressupõe a existência de um novo governo.
Ante a impossibilidade de abrir um canal humanitário para levar alimentos e remédios à população, a comunidade internacional poderia estabelecer um programa a favor dos venezuelanos que estejam tentando emigrar. A ideia seria propor que Canadá e seis países latino-americanos grandes — Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru — ofereçam acolhimento, no total, a um milhão de refugiados venezuelanos num prazo não maior do que 12 meses. Cada um dos sete países se comprometeria a aceitar uma determinada parcela do total, negociada em função de sua população e tamanho de sua respectiva economia. Isto contribuiria para formalizar um processo que está ocorrendo de forma desorganizada, e às vezes ilegal, colocando um peso desproporcional do impacto sobre uns poucos países. Esta iniciativa daria efetividade às manifestações de solidariedade internacional ao povo venezuelano.

Rodrigo Botero Montoya é economista e foi ministro da Fazenda da Colômbia


































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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

QUEM PEGA O FUZIL

por Alexandre Garcia
Cobri guerra no Líbano em 1982; fui alvo de fuzil AK47, como os cariocas, por um triz escapei da explosão de um carro-bomba que matou 52, andei por terreno minado, vi batalhas se desenvolverem à minha frente, como os cariocas. O estado de guerra, com tropas sírias, israelenses, da ONU, de milícias, de libaneses, em plena guerra fria, durou 25 anos. Mas não havia assaltos, roubos, furtos; todos respeitando os sinais de trânsito, respeitando a propriedade alheia. É a educação de casa. Aqui no Brasil, precisa estar escrito na Constituição que é preciso respeitar as leis - e nem assim. O artigo 144, que trata de segurança pública, estabelece que ela é dever do estado e direito e responsabilidade de todos. Reclamamos do estado que não nos dá segurança, mas temos nós cumprido a nossa responsabilidade, ou enfraquecemos as leis?
Inesquecível o episódio, aqui na capital do país, do advogado que se queixava, na mesa da feirinha do Lago Norte, de que a lei não o protegia, porque fora furtado em dois bujões de gás. Quando vi o BMW dele estacionado embaixo de uma placa de estacionamento proibido, perguntei-lhe: “Como você quer que a lei o proteja, se você enfraquece a lei que jurou cumprir e que garantiu que você comprasse esse carro?” Há 20 anos, uma colega minha mudou-se para Fortaleza. Um mês depois se declarava apavorada ao dirigir por lá. “Não obedecem sinal vermelho, não respeitam faixa de pedestre, estacionam em lugar proibido e até trafegam na contramão”. Previ que não iria acabar bem. Nesta semana lá chegaram reforços da Polícia Federal e da Força Nacional. A média de homicídios no Ceará é 15 por dia.
A sociedade é a força da lei. Ou o enfraquecimento da lei. Mas a lei, mal feita, pode também prejudicar. Pode emascular o direito natural da legítima defesa, pode liberar assaltantes e assassinos por causa da idade, pode significar impunidade e devolver às ruas gente que só pára de cometer crime se estiver apartado da sociedade. O jovem matador de um doutorando da Universidade de Brasília para roubar a bicicleta, já tinha quatro passagens pela polícia - uma das quais por homicídio! A audiência de custódia deixa a polícia com a sensação de enxugar gelo: ladrões e assaltantes presos dez vezes, voltam dez vezes para as ruas, até se tornarem latrocidas. Quando prenderam os primeiros políticos do mensalão, nossos legisladores trataram de suavizar as leis penais para evitar prisão em regime fechado - e beneficiaram a milhares de outros criminosos.
No Rio, no ano passado, foram mortos 134 policiais militares. Não se viu nenhuma manifestação nas ruas, nas praias, na Marquês do Sapucaí protestando contra os assassinos; nenhum enterro cheio, com governador, prefeito, deputados e vereadores e povo irado contra os bandidos. Há especialistas considerando os bandidos “vítimas da sociedade”, quando o óbvio é que suas próprias comunidades são vítimas das quadrilhas de traficantes, subjugados em seus direitos de ir-e-vir, de comprar gás, tv por assinatura; obrigados a fechar portas, a queimar pneus - escravos de seus senhores armados de fuzis. Os financiadores ficam lá embaixo, comprando a droga que compra os fuzis.














* Publicado originalmente em http://www.sonoticias.com.br/coluna/quem-pega-o-fuzil

A recuperação vai se consolidando -

 EDITORIAL O ESTADÃO
O quadro de recuperação da economia nacional fica mais claro, e quase completo, com a reação do setor de serviços, ainda lenta e restrita. No Brasil, a evolução dos serviços normalmente reflete, com algum atraso, o avanço da indústria, da agropecuária e do comércio de bens. O setor tem grande peso na composição do Produto Interno Bruto (PIB), mas seu vigor depende do dinamismo dos demais. Em outros países, segmentos como turismo, finanças, call centers e transportes, para citar alguns exemplos bem conhecidos, têm vida própria e são geradores importantes de receita em moeda estrangeira. Podem prosperar mesmo quando outras áreas de atividade vão mal. Não é, pelo menos até agora, o caso do Brasil, onde a produção material se mantém como a principal fonte de movimento e vigor para todo o sistema.

Essa dependência foi confirmada com muita clareza no ano passado. Só o segmento de transportes fechou o ano com desempenho melhor que o do ano anterior – crescimento de 2,3% em relação ao resultado de 2016. Esse resultado foi uma clara consequência do aumento da produção da indústria e da agropecuária, da expansão do comércio interno e do avanço das exportações.

Os demais segmentos tiveram desempenho mais fraco, embora com tendência de melhora, especialmente nos meses finais de 2017. Em dezembro, a produção do setor de serviços foi 1,3% maior que a de novembro e 0,5% superior à de dezembro do ano anterior. Em 12 meses, no entanto, a produção acumulada foi 2,8% menor que a de 2016. Mesmo esse resultado, no entanto, foi o mais animador depois de 2014, quando o volume produzido cresceu 2,5%. Em 2015, a perda foi de 3,6%. Em 2016, de 5%.

A mera diminuição do ritmo de queda já poderia ser vista como um dado positivo, mas houve mais que isso. Embora só o segmento de transportes tenha fechado o ano com crescimento acumulado em 12 meses, sinais claros de reação surgiram em outras áreas, nos meses finais de 2017.

Do terceiro para o quarto trimestre, o setor de serviços cresceu 0,2%, com expansão nos segmentos de transportes (0,9%), de informação e comunicação (0,7%) e de “outros serviços” (0,2%). Houve estabilidade nos serviços prestados às famílias e queda de 0,1% nos serviços profissionais e administrativos. Na comparação com o trimestre final de 2016 só o segmento de transportes apresentou resultado positivo (ganho de 6,7%).

Os consumidores obviamente concentraram na compra de bens materiais sua disposição de gastar. O aumento dessa disposição, indicado tanto por numerosas sondagens como pelo maior movimento do comércio varejista, é atribuível à combinação de alguns fatores muito importantes. Depois de ter superado a taxa anual de 10% na passagem de 2015 para 2016, a inflação recuou seguidamente. No fim de 2017, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou uma alta de 2,95% em 12 meses.

A redução progressiva dos aumentos protegeu a renda real das famílias, preservando seu poder de compra. Além disso, o recuo do custo da alimentação, um importantíssimo componente do gasto mensal, abriu algum espaço para compras de outros tipos de bens.

Um segundo fator muito importante foi o aumento do crédito às pessoas físicas. Isso possibilitou despesas com bens duráveis de consumo, geralmente mais caros que os de outras categorias, como alimentos, produtos de higiene e beleza e roupas.

Um terceiro fator foi a criação de empregos. Oportunidades de trabalho foram multiplicadas, embora a desocupação tenha permanecido na faixa de 12% durante a maior parte do ano. Com maior segurança quanto à subsistência, as famílias voltaram às compras, de início com muita cautela. Além de crescer em volume, o consumo se alterou de forma qualitativa, com o retorno às compras de bens, mesmo de uso diário, mais sofisticados.

Se a economia crescer mais velozmente, como se prevê, e as oportunidades de trabalho continuarem aumentando, os consumidores deverão voltar-se também para os serviços, tornando mais homogêneo o avanço de setores e atividades.






































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INTERVENÇÃO NO RIO: GUERRA CONTRA POBRES?

 por Wambert Di Lorenzo .
O sofisma de que a intervenção federal no Rio de Janeiro é uma ação de opressão contra as classes mais pobres da cidade só pode ter saído das mesmas pessoas que defendem o desarmamento da população sob a escolta de seguranças armados. Esta classe - que de pobre não tem nada - diz-se a defensora dos oprimidos e não percebe que, na realidade, os que mais sofrem com a criminalidade são os pobres. Estes mesmos que não podem comprar uma arma, porque o Estado não deixa, e não podem contratar seguranças armados. A intervenção federal não resolve o problema da segurança pública como um todo. É um remédio para garantir lei e ordem. Porém, segurança pública é mais que isso.
A segurança pública é o primeiro dever do Estado, que existe para todos, mas deve atender, principalmente, quem dele mais precisa. Razão pela qual precisa tomar medidas que sejam de acordo com a realidade, seja ela normativa ou de exceção.
Misturar pobre com bandido é algo que a esquerda realiza, dando a ilusão de que todo o crime é culpa da desigualdade social, e não uma opção individual. Quem ostenta fuzil, arma de grosso calibre capaz de abater aeronaves, não são pobres, trabalhadores ou vítimas da sociedade, mas combatentes. No caso do Rio de Janeiro, narcoguerrilheiros.
É preciso que seja feita a revisão do código de execução penal de modo que deixemos de tratar policiais como criminosos caso alvejem um meliante durante tiroteio. Neste contexto, é importante lembrar que a primeira e principal função de uma cadeia é a punição, que é a primeira etapa de um processo de ressocialização. Esta ressocialização, contudo, é uma decisão do indivíduo, não do Estado.
Cabe a este dar condições para que cada sujeito possa escolher e trilhar o caminho da ressocialização. Em suma, precisamos de políticas que combatam o crime sem deixar de proteger o cidadão.














* Vereador (PROS) de Porto Alegre
* * Publicado originalmente no Jornal do Comércio

O maior golpe do mundo -

MOISÉS NAÍM O Estado de S. Paulo
A cada dia, 1,5 bilhão de jovens em todo o mundo entram em prédios chamados escolas ou colégios. Ali, passam longas horas em salas nas quais alguns adultos tentam ensiná-los a ler, escrever, fazer contas, ciências e outras coisas. Isso custa 5% do que a economia mundial produz em um ano.

Grande parte desse dinheiro se perde. Um custo ainda maior é o tempo desperdiçado por esse 1,5 bilhão de estudantes, que aprendem pouco ou nada que vá lhes ser útil para enfrentarem o mundo. Os esforços da humanidade para educar seus filhos são titânicos e os resultados, patéticos. No Quênia, na Tanzânia e em Uganda, 75% dos alunos do terceiro ano não sabem ler uma frase simples como “O cão se chama Fido”. Na Índia rural, 50% dos alunos do quinto ano não conseguem fazer subtrações com números de dois dígitos.

O Brasil melhorou o desempenho dos estudantes de 15 anos, mas no ritmo atual eles levarão 75 anos para alcançar a pontuação média em matemática dos colegas de países ricos. Em leitura, a defasagem será de mais de 260 anos. Esses e outros dados desencorajadores estão no Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial, do Banco Mundial. A mensagem central é a de que escolarização não é o mesmo que aprendizagem. Em outras palavras, ir à escola, ou mesmo “tirar diploma”, não significa que o estudante tenha aprendido muito.

A boa notícia é que o progresso na escolarização tem sido enorme. Entre 1950 e 2010, o número de anos de escolaridade de um adulto médio nos países de renda mais baixa triplicou. Em 2008, esses países já estavam matriculando suas crianças no ensino básico no mesmo ritmo que países ricos. O problema, portanto, não é mais a falta de escolaridade mas sim de pouco aprendizado. Mais que uma crise de educação, o que existe é uma crise de aprendizagem.

O Banco Mundial dá ênfase a duas outras mensagens. Uma delas é que escolarização sem aprendizagem não é só uma oportunidade perdida: é também uma injustiça. Os mais pobres são os que mais sofrem as consequências da baixa eficácia do sistema educativo. No Uruguai, os alunos do sexto ano com menor renda fracassam em matemática cinco vezes mais do que os equivalentes de países mais ricos.

O estudante médio dos países mais pobres tem um desempenho pior em matemática e linguagem que 95% dos colegas de países mais ricos. Tudo isso se transforma numa máquina diabólica que aumenta e perpetua a desigualdade, a qual, por sua vez, é um fértil caldo de cultura para conflitos de todo tipo.

As razões dessa falência educacional são múltiplas, complexas e ainda não totalmente entendidas. Vão desde o fato de muitos professores serem tão ignorantes quanto seus estudantes, e faltarem muito ao trabalho, ao fato de os alunos serem subnutridos e não terem livros e cadernos. Em muitos países, como por exemplo México e Egito, os sindicatos de trabalhadores na educação são grandes obstáculos às mudanças, e com frequência a corrupção no setor é alta. Partes significativas dos substanciais orçamentos para a educação não beneficiam os estudantes, mas os burocratas que controlam o sistema.

O que fazer? A primeira coisa é levantar a situação. Por motivos políticos, muitos países resistem a avaliar com transparência seus estudantes e professores. Sem que se saibam quais estratégias educativas funcionam, não dá para melhorar o desempenho. A segunda é começar a dar mais peso à qualidade da educação. Pode ser politicamente atraente anunciar que uma alta porcentagem dos jovens de um país vai à escola, mas isso de nada vale se a maioria aprende pouco. A terceira coisa: começar a educar mais cedo. Quanto melhor a educação na pré-escola, mais capacidade de aprender terão os estudantes. A quarta é usar a tecnologia de maneira seletiva, e não como solução mágica. Ela não é isso.

Mas talvez a mensagem mais importante seja a de que os jovens de países pobres não estão condenados a não aprender. Em 1950, a Coreia do Sul era um país devastado pela guerra e com alto índice de analfabetismo. Em apenas 25 anos, conseguiu criar um sistema educativo que produz alguns dos melhores estudantes do mundo. Entre 1955 e 1975, o Vietnã também passou por um terrível conflito. Hoje, seus estudantes de 15 anos têm o mesmo rendimento escolar que os da Alemanha. Sim, é possível.TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

MOISÉS NAIM É ESCRITOR VENEZUELANO E MEMBRO DO CARNEGIE ENDOWMENT EM WASHINGTON








































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Lula é um assombro -

EDITORIAL O ESTADÃO
Enquanto alguns petistas, demonstrando certo bom senso, já consideram Lula da Silva apenas um retrato na parede e se movimentam para a previsível luta pela sobrevivência política nesse novo cenário sem seu campeão de votos, o demiurgo de Garanhuns continua em campanha como se realmente pudesse se candidatar à Presidência, apesar de ser um corrupto condenado em duas instâncias. Mais do que isso: o ex-presidente está bastante empenhado na quase impossível tarefa de superar-se a si mesmo, ele que já se considera o maior brasileiro da história.

Lula não parece contente em ser apenas um novo messias, com quem já se comparou diversas vezes – a última foi depois da confirmação, em segunda instância, da condenação por corrupção, quando declarou que Cristo foi punido porque “vinha fazer uma coisa boa”, assim como ele. Os fiéis da seita lulopetista pegaram o embalo e chegaram a retratar Lula como Cristo numa cruz, dizendo que ambos foram “condenados sem prova”.

Ele também não parece satisfeito em somente perfilar-se com grandes heróis da história nacional, como Tiradentes. O alferes, por exemplo, serviu para ilustrar o raciocínio de Lula segundo o qual nem sua morte seria capaz de fazer cessar sua labuta como “um despertador de consciências”. Em discurso, Lula afirmou que Tiradentes foi enforcado e esquartejado “para que ninguém nunca mais ousasse gritar pela independência”. Mas “a mesma elite” que matou Tiradentes, explicou Lula, usou o condenado mais tarde como “referência heroica” para “garantir o apoio à Proclamação da República”.

Ao ex-presidente também não basta mais ser Nelson Mandela. O exemplo do líder sul-africano serviu-lhe apenas como referência para a possibilidade de sua volta triunfal depois que passar sua temporada na cadeia: “Prenderam o Mandela, ele ficou preso por 27 anos, nem por isso a luta diminuiu. Ele voltou e foi eleito presidente”. Assim como no caso de Mandela, disse Lula, a prisão não impedirá que sua mensagem se espalhe. “Podem prender o Lula, mas as ideias já estão na cabeça dos brasileiros”, disse o ex-presidente, referindo-se a si mesmo em terceira pessoa, como se o personagem inventado pelo ex-metalúrgico tivesse vida própria.

Mais: Lula considera que não é mais uma pessoa, mas uma inspiração. “Eles não podem prender o sonho de liberdade, a esperança, e o Lula é apenas um homem de carne e osso”, discursou o ex-presidente em outra oportunidade. E na quarta-feira passada, Lula assumiu de vez essa pretensão estapafúrdia. “O problema não é o Lula, são os milhões de Lulas”, bradou, para em seguida atingir um patamar desconhecido de megalomania. “Eles estão lidando com um ser humano diferente. Porque eu não sou eu. Eu sou a encarnação de um pedacinho de célula de cada um de vocês”, declarou a seus adoradores, misturando política com citologia.

Ao se considerar biologicamente integrado aos petistas e aos pobres, Lula explicita, de maneira mais clara que a habitual, sua visão divina do exercício do poder. Ao eliminar totalmente a distância que o separa de seus eleitores, Lula quer dizer que, uma vez eleito, estarão dispensadas todas as formas institucionais de mediação previstas numa democracia. Não haverá mais diferença entre governante e governados, e toda a ordem que emanar desse líder será, por princípio, uma determinação do próprio povo – a cujos integrantes é dispensado pensar por si mesmos, já que esse fardo é daquele que encarna, nas palavras de Lula, todas as células do povo. A próxima etapa será dizer que seu poder emana dos céus.

Se o líder é, em si mesmo, o próprio corpo do povo, torna-se impossível contrariá-lo – muito menos prendê-lo. Bem, pelo menos é nisso que Lula, se se sentisse humano, gostaria que o Brasil acreditasse. Mas, na dura realidade do mundo, a única coisa que Lula está conseguindo encarnar é a figura de um político que se transformou em uma caricatura grotesca de si mesmo. Diante disso, fica fácil entender por que, embora façam campanha em defesa de Lula, vários petistas, na prática, já o tratam como uma sombra do passado.























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Falta o dinheiro da intervenção no Rio -

VINICIUS TORRES FREIRE FOLHA DE SP
HÁ MUITAS teorias de críticos e adeptos da intervenção na segurança do Rio. Há muita ambição política no governismo e muita preocupação no Exército de que a ação seja "ampla". Mas não se sabe quase nada de quanto dinheiro será preciso e de quanto haverá.

Os primeiros planos e os comandantes da intervenção devem ser anunciados na semana que vem, mas a operação não se limita a movimentar ainda mais tropas e veículos das Forças Armadas, não apenas do Exército, o que por si só já encarece a logística bem além do previsto pelo Orçamento federal. Os militares querem reequipar minimamente a polícia do Rio.

No Ministério da Fazenda, o que se diz ainda é que as necessidades de recursos adicionais serão analisadas. Logo, a verba extra para a intervenção no Rio ainda não existe. O orçamento do Exército está no osso.

Militares do Exército dizem que alguns investimentos nem são nada extravagantes, em termos de custos e necessidade, como equipar a polícia de veículos que possam circular. No entanto, é óbvio que o governo do Rio não tomava providências, por desordem e porque não tem dinheiro para comprar pneus, incapaz de colocar todos os salários do Estado em dia. Até agora, não há conta do custo desses extras, na verdade básicos.

Oficiais do Exército dizem que há um círculo vicioso de degradação profissional na Polícia Militar do Rio.

Na opinião desses militares, a tropa seria tida como indisciplinada até segundo padrões de qualquer departamento civil de governo, "paisano", que dirá para uma organização militar. É desorganizada, na rotina burocrática cotidiana ou na disposição de efetivos policiais pela cidade do Rio. Além do mais, a hierarquia é muito relaxada.

A falta de equipamentos básicos, como veículos e equipamentos de proteção, além de prédios e quartéis degradados, baixa ainda mais o moral da tropa, o que por sua vez contribui para a desordem, na opinião de oficiais do Exército baseados no Rio. O número grande de mortes de PMs e a falta de sentido de missão dos policiais seriam o problema de base, porém. Mas falta dinheiro para criar outros fundamentos.

Como se sabe, Rodrigo Maia deu uma canelada em Michel Temer ao dizer que o presidente da República assuntou um aumento de impostos a fim de financiar a segurança pública. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, diz em público que essa ideia jamais foi apresentada a ele.

Seja lá o que o presidente tenha dito, o presidente da Câmara sabia o que estava fazendo, por um motivo e outro. Estava, claro, demonstrando sua irritação por Temer ter roubado a sua "agenda positiva", mas não apenas. Estava expondo o fato de que a pindaíba é um problema da intervenção no Rio.

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, teria dito a Maia nesta quinta-feira (22) que está muito preocupado com a indefinição do governo sobre recursos para a operação, apesar da clareza da ordem de Temer sobre o assunto. Pelo menos isso era o que vazavam parlamentares próximos do presidente da Câmara. Maia quer recuperar sua agenda perdida, até porque deve se lançar pré-candidato a presidente da República agora em março.

Por enquanto, tem mais política do que tutu.

































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