Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

VOTO DE CONFIANÇA? EM DILMA?

PERCIVAL PUGGINA
  "Não creio que seja hora de torcer contra nem de ficar cobrando pelo que foi dito em campanha". Economista Roberto Teixeira da Costa, em artigo publicado no jornal "O Globo" deste domingo,  30/11.
 
 O texto em questão leva um título bem alinhadinho e elegantemente palaciano: "Voto de confiança". O quê? Voto de confiança? Quer dizer que não se deve cometer a leviandade de cobrar o que foi dito em campanha? Ora, leitor, isso me parece moral com agendamento, com data de vigência, segundo calendário eleitoral. A propósito: calendário eleitoral tem foto de mulher pelada, como folhinha de borracharia? Quer dizer que a presidente pode se eleger dizendo uma coisa até o dia 26 de outubro e fazer o oposto a partir do dia 27? E quem apontar a desonestidade de tal conduta torce contra o país?
O autor do referido artigo crê que a presidente deve receber um voto de confiança. Quanta infelicidade em apenas três palavras! Tenho certeza de que ele não daria esse voto de confiança para fazer dela gerente de seus próprios negócios. Aliás, pergunto: qual grande empresário, desses que despejaram quase R$ 400 milhões na campanha da candidata Dilma Rousseff, cometeria o desatino de admiti-la como executiva, mesmo em escalões inferiores de suas empresas? Os motivos para não o fazerem são tão evidentes que dispensam análise minuciosa, seja de currículo, seja de desempenho, seja - para usar a palavra do texto em análise - de confiança. Mas para presidir a República e gerir os recursos dos pagadores de impostos, ela lhes convém.
Convém, sim, claro. E merece "voto de confiança". Mesmo que tenha chantageado os miseráveis espalhando, de inúmeras maneiras, que o Bolsa Família seria extinto se fosse eleito seu adversário. Logo o seu adversário, que propôs a transformação do referido benefício em programa de Estado e não contou, para esse fim, com o apoio dela e de seu partido, exatamente porque perderiam a capacidade de chantagear a miséria nacional. Esse fato torna evidente a grande verdade de 2014: não são os pobres que precisam do PT, mas é o PT que precisa dos pobres em estado de pobreza. Para quem não se deu conta, essa é a nova relação de causa e efeito da miséria no Brasil.
O texto que comento aqui afronta o bom senso e os mais elementares princípios morais. Não se pode dar voto de confiança a quem mentiu e mente tanto, e há tanto tempo, que não pode mais distinguir verdade de mentira. Dilma ocultou dados, dissimulou estatísticas, iludiu o mercado e o eleitorado. Criou a contabilidade criativa. Na contramão, injuriou seus adversários acusando-os de intenções tão malévolas quanto a de entregar a área financeira do governo a bons economistas do odioso "mercado". E o pior é que, de tanto mentir, de tanto conviver e comandar partidos com raízes cravadas no submundo da corrupção, acabou por corromper milhões de brasileiros que já não se importam de ser guiados por ladrões. Contanto que também levem seu quinhão.

“Eu perdi a eleição para uma organização criminosa”, diz Aécio Neves



No Globo:
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato à Presidência derrotado nas eleições de outubro, afirmou que não perdeu nas urnas para um partido político, mas para uma “organização criminosa” existente em empresas apoiadas pelo governo da presidente Dilma Rousseff (PT). A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Roberto D’Ávila, da GloboNews, que foi ao ar na noite de sábado. “Na verdade, eu não perdi a eleição para um partido político. Eu perdi a eleição para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinadas por esse grupo político que aí está”, disse o tucano.
Na entrevista, Aécio fez várias outras críticas a Dilma, sua adversária nas eleições de outubro. Ele afirmou que Dilma se mantém no poder às custas do que classificou como “sordidez” investida contra os oponentes, em especial durante a campanha eleitoral. “Essa campanha passará para a História. A sordidez, as calúnias, as ofensas, o aparelhamento da máquina pública, a chantagem para com os mais pobres, dizendo que nós terminaríamos com todos os programas sociais. Não só eu fui vítima disso. O Eduardo (Campos) foi vítima disso, a Marina (Silva) foi vítima disso e eu também. Essa sordidez para se manter no poder é uma marca perversa que essa eleição deixará”, disse Aécio a Roberto D’Ávila.
Para o tucano, um ataque em campanha eleitoral, com respeito a determinados limites, “faz parte do jogo”. Ele ressaltou que a disputa entre candidatos deve ser de ideias, não de caráter pessoal. O senador lembrou que os embates com a presidente durante a campanha foram duros: “Eu tinha que ser firme, mas sempre busquei ser respeitoso. Mas, nesses embates, eu representava o sentimento que eu colhia no dia anterior, ou no mesmo dia de manhã, de uma viagem que eu tinha feito por alguma região do Brasil. Eu passei a ser porta-voz de um sentimento de mudança e também de indignação com tudo isso que aconteceu no Brasil.”
A comparação do PT com uma organização criminosa feita por Aécio não caiu bem no partido da presidente. O secretário nacional de Comunicação do partido, José Américo, considerou a declaração irresponsável e típica de quem não sabe se conformar com a derrota na eleição. José Américo disse que não viu a entrevista toda, mas vai pedir ao departamento jurídico do PT para analisar se é o caso de buscar alguma ação na Justiça contra o tucano. “É desagradável. Aécio mostra que não sabe perder. Não é só um problema político, ele está abalado psicologicamente. A derrota em Minas abalou Aécio porque, ao perder no seu estado, perdeu também a corrida dentro do próprio PSDB. Está em desvantagem na sociedade e no PSDB. E aí faz uma acusação irresponsável desse tipo”.
Na mesma entrevista, Aécio alertou para o risco de o Judiciário brasileiro ser politizado pelas indicações que a presidente Dilma fará para tribunais superiores. Ao longo do novo mandato, a petista indicará pelo menos seis dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque cinco dos atuais ocupantes das cadeiras completarão 70 anos, limite para a aposentadoria compulsória, até 2018. A outra vaga foi aberta em julho deste ano, quando o ministro Joaquim Barbosa pediu aposentadoria.
A presidente Dilma também fará seis nomeações para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos próximos quatro anos. O STJ é composto de 33 ministros. Antes de tomar posse, o ministro escolhido precisa passar por sabatina no Senado. Aécio pediu atenção aos parlamentares. “É preciso que o Congresso esteja muito atento às novas indicações, seja para o STJ, seja para o STF. Não podemos permitir que haja qualquer tipo de alinhamento político do Judiciário brasileiro. A sociedade está mais atenta do que nunca para que as nossas instituições sejam preservadas”, disse.
Por Reinaldo Azevedo

"Vem aí a vez dos políticos"

, editorial do Estadão

Assentados os fundamentos da identificação dos autores e beneficiários da torrencial sangria dos cofres da Petrobras - com a conclusão dos depoimentos em regime de delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e de seu comparsa, o doleiro Alberto Youssef -, o acerto de contas da Justiça com o maior esquema de corrupção da história da República está em vias de se iniciar. Em breve começarão a ser conhecidas, a caminho da barra dos tribunais, dezenas de protagonistas (fala-se em 70) cujos nomes ainda permanecem à sombra, diferentemente do que se passou com os mais de 20 controladores do clube das megaempreiteiras nacionais que chegaram a ser encarcerados e com os executivos da Petrobras, seus parceiros no crime continuado. Já não sem tempo, é para os políticos que os holofotes irão se voltar.
O primeiro movimento acaba de ser anunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Com base no que a dupla Costa & Youssef entregou - e sem a necessidade, ao que tudo indica, de esperar o que delatarem outros envolvidos que resolveram imitá-los para colher os benefícios similares quando forem julgados -, Janot pretende pedir ainda este ano a abertura dos primeiros inquéritos para apurar as culpas dos parlamentares e outras autoridades públicas que embolsaram a parte que lhes tocava no ultraje. Em geral, sob a forma de comissões destinadas nominalmente aos respectivos partidos, era a paga generosa pela abertura das portas facilmente destrancáveis das diretorias da Petrobras com as quais os cartéis da empreita firmariam contratos superfaturados - cobrindo, com margens superlativas, o pedágio requerido por intermediários e contratantes.
A sensata ideia do procurador é solicitar ao relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, o desmembramento dos autos. Serão julgados pela Alta Corte os acusados detentores de foro privilegiado. Dos demais, que não dispõem dessa prerrogativa, se ocuparão os tribunais de primeira instância - salvo se ficar comprovado que tiveram participação direta em eventuais crimes cometidos por políticos. Só então, de todo modo, as delações que embasarem as ações penais deixarão de ser segredo judicial. "O que temos de fazer, dentro do limite do possível, é manter no Supremo aquilo que é do Supremo", adiantou Janot semanas atrás. "Aquilo que não puder ser cindido em razão da prova, no limite fica também no Supremo." A tendência, portanto, é não repetir o "maxiprocesso" do mensalão, que trancou a pauta do plenário do STF por mais tempo do que seria razoável.
Desta vez, tampouco o Ministério Público produzirá uma única e cabal denúncia. A fragmentação poderá acelerar a análise dos casos. De qualquer forma, o acionamento das engrenagens da Justiça será lento, a princípio. Antes de encaminhar os seus pedidos ao ministro Zavascki, por exemplo, o procurador-geral terá de esperar que ele homologue o teor das delações premiadas. Youssef fechou o seu depoimento apenas na última terça-feira - e foram mais de 100 horas de revelações a serem conferidas. Janot adotou também uma posição sensata diante dos pedidos para que fossem invalidados os atos do juiz federal do Paraná, Sergio Moro, relacionados com a Operação Lava Jato. Alegou-se que, tendo os delatores citado políticos, os autos deveriam ser remetidos de pronto ao Supremo. Janot esclareceu que as menções a eles não integram os processos em curso no Paraná.
Respeitada, evidentemente, a cadência dos ritos processuais, quanto antes puderem ser conhecidos os nomes desses políticos, melhor para todos. Sairão de cena os vazamentos das informações que teriam sido prestadas pelos delatores. O uso do condicional se justifica. O público, destinatário último dos repasses à imprensa, não tem como avaliar se a fonte anônima está jogando limpo quando sopra que o ex-diretor Gosta ou o doleiro Youssef apontaram tais ou quais mandatários como envolvidos no saque da Petrobras; a motivação do vazador é obscura. O público tampouco pode avaliar se os citados têm de fato culpa em cartório - delação premiada não é prova objetiva nem necessariamente sinônimo de verdade.
FONTE ROTA2014

"O petrolão não é um fato isolado"

Sérgio Fausto   O ESTADO DE SÃO PAULO

Ante os fatos estarrecedores que surgem na apuração do escândalo da Petrobrás, o governo empenha-se em tentativas disparatadas de ora borrar a singular gravidade do esquema de corrupção descoberto, ora atribuir a si os méritos pelo desenrolar desimpedido dos trabalhos da Polícia e do Ministério Público Federais, como se isso não se devesse à autonomia constitucionalmente assegurada a esses órgãos do Estado brasileiro. Melhor teria feito o governo se não tivesse solenemente ignorado, desde 2009, os alertas do TCU de que havia algo de muito errado acontecendo na maior empresa brasileira.
O disparate chega a tal ponto que dias atrás o ministro da Justiça se aventurou em análise sobre a "cultura brasileira" para "explicar" as causas do petrolão. A culpa seria de todos nós, supostamente tolerantes com a prática diária de atos de corrupção, como se o assalto continuado aos cofres da Petrobrás, perpetrado pela associação criminosa de agentes públicos, atores políticos e um cartel de empresas privadas, fosse fenômeno equivalente ao pagamento de propina ao guarda da esquina para evitar uma multa de trânsito. Por mais reprovável que seja este ato, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, muito mais grave aquela, por suas repercussões gerais, do que esta. Trata-se de uma obviedade que não deveria escapar a um homem esclarecido e normalmente sensato como José Eduardo Cardozo. É que mesmo as mais lúcidas cabeças do governo andam confusas nos dias que correm.
O rei está nu. No caso, a nudez decorre da revelação de um padrão de desvio de recursos públicos que é novo não apenas por sua escala, mas também porque é parte integrante de um fenômeno político inédito no Brasil: a formação de um bloco de poder articulado por um partido com máquina política e sindical, que mobiliza os instrumentos de um Estado em expansão desregrada para cooptar setores do empresariado e da sociedade e assim tornar viável seu projeto de hegemonia política duradoura. A captura de empresas estatais, agências reguladoras, bancos públicos e fundos de pensão é uma operação constitutiva desse modelo e de sua perpetuação (não um acidente de percurso). Nele há uma peculiar acoplagem dos interesses políticos dominantes à ideologia de que cabe ao Estado o papel de líder e motor do desenvolvimento. Os ideólogos de boa-fé, imbuídos do propósito de fazer a grandeza do Estado e da Nação, não raro confundidos como uma só e mesma coisa, preparam inadvertidamente o terreno ideológico e operacional, quando têm poder para tanto, em que vicejam esquemas de corrupção nos moldes do petrolão.
Com a bonança econômica dos anos Lula, propiciada em boa parte por condições externas muito favoráveis, com a oposição enfraquecida social e politicamente, o modelo rodou a mil por hora. Havia condições financeiras e políticas para contemplar todos os apetites, os legítimos e os ilegítimos. Como costuma acontecer em momentos de euforia, os operadores do modelo - e, por favor, não confundamos os "de boa-fé" com os "de má-fé" - perderam a noção dos riscos econômicos e/ou criminais em que incorriam. Os "de má-fé" experimentaram até recentemente a sensação de impunidade que só o poder aparentemente irrefreável é capaz de oferecer.
O petrolão não pode ser analisado como um ato isolado. Ele é o sintoma mais grave de uma doença que se instalou nos fundos de pensão, nos quais o PT passou a controlar a representação governamental e dos empregados, quando antes havia equilíbrio de forças; nas agências reguladoras, em que a nomeação por critérios técnicos foi substituída pela ocupação partidária; nos bancos públicos, cujas diretorias se abriram aos partidos, a ponto de o tesoureiro de um deles ter sido recentemente nomeado para uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal - para ficar apenas em algumas referências.
Dizer que já havia corrupção nas relações entre agentes públicos, atores políticos e empresas privadas antes de o PT chegar ao poder é afirmar o óbvio. Nessa matéria nenhum partido é puro, nem aqui nem em nenhuma parte do mundo. Não se trata, portanto, de apontar mocinhos e bandidos, mas de verificar em que medida essas relações vão ganhando forma de organização criminosa e penetrando as estruturas do Estado e do sistema político. No limite, dá-se a constituição de um poder paralelo e oculto que comanda o jogo político e empresarial, sob a carapaça da legalidade formal do Estado democrático. É o que aconteceu na Itália, onde até o venerando Giulio Andreotti, diversas vezes primeiro-ministro, se tornou parte integrante da rede mafiosa desbaratada pela Operação Mãos Limpas, no início dos anos 1990.
É desse risco que o Brasil possivelmente se está livrando com a operação Lava Jato, se ela produzir os efeitos desejados na esfera penal. A corrupção que ganhou forma nos últimos 12 anos não é moralmente mais condenável do que a que a precedeu. Mas é politicamente mais perigosa, pela imbricação sistemática de partidos, instituições do Estado e cartéis de empresas de grande porte, num esforço coordenado para desviar recursos públicos com o fim último de perpetuar no poder o mesmo sistema que engendrou ou permitiu a ação criminosa organizada. Não é que exista um gênio do mal por trás de tudo isso. O que temos é uma lógica de poder que, se não for quebrada, produzirá um mostro que possivelmente fugirá ao controle mesmo dos que se imaginavam capazes de controlá-lo.
Claro que reformar o sistema político é imprescindível para reduzir as chances de novos petrolões e fortalecer a democracia. Para isso, no entanto, nada é mais importante agora do que traçar com nitidez a divisória que separa a legalidade democrática da atividade criminosa, punindo exemplarmente os que cruzaram essa fronteira, não importa a cor partidária que tenham ou os interesses que representem.
FONTE ROTA2014

"Outro ponto na curva",

  por Dora Kramer

O Estado de São Paulo



Os ministros da 5.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça negaram por unanimidade na quarta-feira o pedido de liberação de um homem acusado de trabalhar para o doleiro Alberto Youssef e aproveitaram a ocasião para se manifestarem abertamente sobre a corrupção que assola do País, tomando como exemplo o caso da Petrobrás.
"Uma das maiores vergonhas da humanidade", nas palavras do ministro Newton Trisotto; "Acho que nenhum país viveu tamanha roubalheira", acompanhou Félix Fischer; "O petróleo não é nosso, é deles, dessa quadrilha", sugeriu o subprocurador da República Brasilino Pereira dos Santos.
Palavras duras, que sustentam a posição do juiz federal Sérgio Moro, cuja atuação no processo decorrente da Operação Lava Jato vem sendo fortemente contestada pela defesa dos acusados. Guardadas as proporções e o momento, assim como ocorreu com o ministro Joaquim Barbosa, acusado de cometer toda sorte de arbitrariedades como relator do processo do mensalão.
A atitude dos ministros do STJ pode ensejar alegações de que estejam antecipando decisões futuras sobre outros recursos apresentados pelos advogados que atuam nesse caso. E não se pode negar que seja isso mesmo. É quase como se estivessem dizendo: "Por aqui não passarão".
Por uma questão bastante objetiva: a bandalheira ultrapassou todas as barreiras do abuso, forçando uma mudança de parâmetros. Os mesmos utilizados pela maioria dos ministros no processo do mensalão e que privilegiaram a realidade, a lógica e a clareza dos fatos em detrimento das tecnicalidades jurídicas. Os navegantes do mar de lama das transações ilícitas à custa do Estado passaram a desafiar abertamente a Justiça, que, se não reage, submete-se aos ditames da ilegalidade.
Estamos vendo agora que o processo do mensalão não foi um ponto fora da curva. Muito menos o Supremo fez o papel de tribunal de exceção: julgou os réus na conformidade do vigor dos fatos apresentados na denúncia da Procuradoria-Geral da República e depois relatados por Joaquim Barbosa.
Exorbitância houve, mas quem cometeu não foram os juízes, e sim os autores dos crimes que, à altura em que foi exposta ao País sua dimensão, foram vistos como "a mais grave agressão aos valores democráticos que se possa conceber", nas palavras do então procurador-geral, Roberto Gurgel, ao manter a denúncia apresentada cinco anos antes pelo antecessor Antonio Fernando de Souza.
Descobria-se ali que, a partir da Casa Civil, no governo montara-se um esquema de ilícitos envolvendo partidos, banqueiros, empresários, políticos e publicitários. A ambição desmedida, a certeza de que a bandeira da ética seria proteção garantida, que a aliança com notórios finórios o faria apenas sócio ideológico do projeto de financiamento de permanência no poder fizeram o PT perder a cerimônia e atuar com zero parcimônia.
Primeiro o partido deparou-se com a fúria de um aliado em quem pretendia passar a rasteira (Roberto Jefferson) e depois com a lisura de juízes que acreditava serem capazes de trocar a tarefa de guardar a Constituição pelo "favor" que supostamente teriam ficado devendo aos autores de suas indicações.
A julgar pelo prosseguimento do esquema da Petrobrás (ou quantos mais houver) mesmo depois de presos os envolvidos no mensalão, a lição não foi bem compreendida.
Virou tostão. Com os escândalos de corrupção girando em torno de bilhões, foi-se o tempo em que aumento de salários de autoridades provocava reações indignadas.
Diante das notícias sobre a Operação Lava Jato e seus desdobramentos, parece até bobagem se preocupar com o aumento de 26% que a Câmara dos Deputados se prepara para aprovar na remuneração de parlamentares, ministros, presidente da República e, consequentemente, funcionalismo público federal, estadual e municipal País afora.
fonte rota2014

"O erro no veto a empresas no financiamento de eleições",

 editorial de O Globo

Em vez de uma ‘reforma política’, deve-se fazer mudanças tópicas para acabar com legendas de aluguel, combater o fisiologismo e melhorar o nível da representação


É inevitável que a agenda do momento seja ocupada por temas relacionados à montagem do governo do segundo mandato da presidente Dilma Roussef. Continuará assim ainda por algum tempo, mas, em algum momento, passada a fase de montagem e acomodação da nova equipe, alguns assuntos se imporão, à margem da problemática econômica — que não é pequena.
Entre esses, o da “reforma política”, tema muito falado na campanha, porém sem maiores consequências, dada a contaminação do debate pelas paixões político-partidárias.
Mas é certo que a próxima legislatura será convocada a deliberar sobre esta reforma, mesmo porque faz parte do programa do PT para os próximos quatro anos tentar viabilizar o plano golpista da “Constituinte exclusiva". Não conseguirá, mas a pauta do Congresso, de alguma forma, será ocupada, em parte por essa reforma. O tema foi tratado no Tribunal Superior Eleitoral, durante a campanha, e frequenta fóruns de discussões. Na quinta, em um deles, o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), o senador eleito José Serra (PSDB-SP) e o presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, também do Supremo, concordaram que é um erro proibir o financiamento de campanha por empresas — já decidido pelo STF, mas ainda não promulgado.
Foi consenso que esta barreira apenas estimulará o caixa dois, conclusão correta. Militantes do PT usam o escândalo na Petrobras, em que empreiteiras financiadoras de campanhas se misturam a lobistas, a dirigentes da estatal e a doleiros, como argumento a favor desta proibição, entendido pelo partido como último estágio antes do financiamento público integral da política.


Trata-se de estrondoso equívoco. O escândalo demonstra ser impossível coibir completamento o “por fora” de empresas para políticos, diante da ampla e sofisticada tecnologia de lavagem de dinheiro disponível. O caminho certo é outro: manter as empresas como contribuintes de campanhas, mas ampliar ao extremo a transparência no relacionamento do mundo dos negócios com a política.
Como o Supremo já decidiu por maioria vetar a contribuição das pessoas jurídicas, o Congresso terá de voltar ao tema, inclusive com a ajuda de Toffoli, autor ainda de outras propostas razoáveis para melhorar a campanha eleitoral, encurtando-a e com o banimento de trucagens dos programas de candidatos na TV.
Espera-se que a sensatez vingue e o que se chama de “reforma” se resuma a ajustes tópicos de grande efeito saneador: cláusula de barreira e fim das coligações nos pleitos proporcionais. Medidas simples para acabar com legendas de aluguel, facilitar a formação de maiorias nas Casas legislativas, combater o fisiologismo e aumentar a qualidade da representação política.
fonte rota2014

O PT vai finalmente expulsar Dirceu?

Rodrigo Constantino - Veja
Ao ler a notícia hoje de que o Diretório Nacional do PT aprovou a expulsão de seus membros comprovadamente envolvidos em corrupção (mas não de imediato), fiquei com a sensação de déjà vu e fui me certificar de que não pegara um jornal de uma década atrás. Como assim? Eu poderia jurar que o estatuto do PT já contemplava tal expulsão para corruptos!
“Manifestamos a disposição firme e inabalável de apoiar o combate à corrupção. Qualquer filiado que tiver, de forma comprovada, participado de corrupção, deve ser expulso”, diz trecho. Bem, deixando de lado essa questão de que a coisa já era assim antes e não fica claro ao certo o que mudou, resta perguntar: então José Dirceu vai finalmente ser expulso do PT e não mais receber aplausos emocionados sob o grito de “guerreiro nacional”?
Quer comprovação maior do que ser condenado pelo STF após todos os devidos processos legais e chances quase inesgotáveis de apelação? “Se há algum envolvimento, quero saber se as denúncias são comprovadas ou não. Todos têm direito a defesa e contraditório. Reafirmo que se alguém estiver envolvido, não ficará no PT”, disse Rui Falcão, presidente do PT. Mais direito a defesa do que teve Dirceu, Delúbio e companhia? No entanto, não vamos esquecer que nem William Bonner nem Aécio Neves conseguiram arrancar de Dilma sequer sua opinião sobre a condenação dos companheiros…
Tudo isso é uma grande piada de mau gosto. As coisas que o PT fala, escreve e faz são para “inglês ver”, ou mais precisamente para “inocente útil brasileiro ver”. Todo o esforço do partido vai na direção de simular que os escândalos que arrastam os seus na lama se devem a fatores exógenos, ao sistema político, ao financiamento privado de campanha, e que ele faz de tudo para combater tal corrupção.
O pior é que ainda tem gente que acredita! Como escreve Guilherme Fiuza em sua coluna da “Época” desta semana, um tanto incrédulo, surge em meio às vozes que defendem Dilma e o PT para se sentir progressistas “o postulado central para tentar salvar o pescoço do governo: relativizar a corrupção da Petrobras”.
Pessoas que se acham sérias e não estão (ainda) a soldo do petismo repetem que o ocorrido na maior estatal do país foi algo “normal”, que sempre ocorreu antes. O foco dos petistas em debater a “reforma política” e proibir o financiamento privado de campanha visa justamente a essa tática: jogar para ombros alheios o que o partido fez, e tratar tudo como parte natural da política brasileira.
O mesmo recurso usado por Lula no mensalão ao falar de caixa dois, o que “todos fazem”. Um empresário que se disse tucano chegou ao absurdo de escrever em um artigo na Folha que hoje se rouba até menos na Petrobras que no passado. Música para os ouvidos dos petistas e dos inocentes úteis que desejam fechar os olhos para a realidade para preservar a sensação de defensores dos pobres e oprimidos (só porque apertaram 13 nas urnas). Diz Fiuza:
Vamos explicar aos ignorantes ou mal-intencionados (a esta altura, dá no mesmo): o PT não ficou igual aos outros; o PT não é corrupto como os outros, nem um pouco menos, nem um pouco mais; o PT é o único, sem antecessor na história do Brasil, que montou um sistema de corrupção no Estado brasileiro, de dentro do Palácio do Planalto, para enriquecer o partido e se eternizar no poder.
Como alguém ainda não se deu conta disso é, para mim, um espanto. José Dirceu, o ex-ministro de Lula e homem forte do ex-presidente, foi preso não por corrupção “apenas”, mas por montar um duto entre as estatais e o caixa do partido, privatizando o dinheiro dos “contribuintes” para alimentar o projeto autoritário de poder do PT. O mesmo se deu na Petrobras, sem nenhum tipo de receio da quadrilha após o mensalão vir à tona. Fiuza pergunta:
Deu para entender, queridos inocentes úteis? O roubo não é a velha esperteza de uns oportunistas com cargos na máquina. O roubo é um projeto político de poder. Que, aliás, graças a seres compreensivos como vocês, dá certo há 12 anos. [...] Vocês estão esperando o quê? Que um companheiro bata na sua porta informando-lhe com ternura que veio buscar suas calças?
Parece que é exatamente aquilo que alguns esperam. Fiuza é até obsequioso ao chamá-los de “inocentes úteis”. São aqueles que vão aplaudir as “mudanças” aprovadas no PT para, agora, expulsar os corruptos. Mas não imediatamente. Afinal, ninguém precisa ser tão duro assim com esses pobres heróis injustiçados, que tentam apenas melhorar a vida dos oprimidos em um sistema cruel que os obriga a desviar recursos públicos…
fonte rota2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Com o cinismo habitual, Dilma afirma que só a reforma política fecha Roubobras. Ela e Lula nada têm a ver com a roubalheira...

Com Blog do Josias


Nos últimos 12 anos, Dilma Rousseff foi ministra de Minas e Energia, chefe da Casa Civil, comandante do Conselho de Administração da Petrobras e presidente da República. Exerceu o poder em sua plenitude. Carregou na coleira a maior estatal do país, hoje rebatizada pelos fatos de Roubobras.

Pois bem. Na noite desta sexta-feira (28), discursando para a plateia companheira do diretório nacional do PT, Dilma apontou a causa de tanto roubo: a falta de uma reforma política. Sem uma “verdadeira reforma política”, disse ela, o combate à corrupção nunca será totalmente eficaz. Vai ser um eterno “segura daqui, aparece ali, segura de lá, aparece acolá.”

Em essência, Dilma aplicou para o petrolão a mesma tese que Lula tentara usar para o mensalão —a tese segundo a qual rouba-se o dinheiro público porque os partidos precisam forrar suas caixas registradoras. O argumento é falso como nota de três reais.

Conforme já foi comentado aqui, se os crimes na Petrobras tivessem alguma coisa a ver com a caixa de campanha, o roubo seguiria o manual: os contratos seriam superfaturados e a diferença se converteria em doações das empreiteiras aos partidos e aos comitês de candidatos. Tudo registrado na Justiça Eleitoral.

Não haveria a necessidade de envolver na transação atravessadores como Alberto Youssef. Quem recorre à lavanderia do doleiro está atrás de outro serviço: a transformação do dinheiro da corrupção em patrimônio.

Num caso em que um simples gerente-executivo da Petrobras concorda em devolver ao erário propinas de US$ 97 milhões, quem invoca a tese do caixa dois sem tirar as crianças da sala arrisca-se a passar por bobo. Ou cúmplice.

Boba vê-se que Dilma não é. Cúmplice ela não admite ser. Resta à presidente consultar um oculista. Corrigindo a deficiência visual, ela talvez perceba que o dinheiro sai pelo ladrão no orçamento da Petrobras porque os ladrões entraram em profusão no orçamento da companhia.




fonte rota2014

Expectativa de crise na Câmara acelera disputa pelo Conselho de Ética

Isabel Braga, Eduardo Bresciani e Evandro Éboli - O Globo

A expectativa de que o ano de 2015 comece com uma crise na Câmara devido ao possível envolvimento de dezenas de deputados no escândalo da Petrobras acelerou a disputa, nos bastidores, pelo comando do Conselho de Ética. Ali são julgados os deputados acusados de quebra de decoro parlamentar. A decisão final é do plenário, mas, como essa votação agora é aberta, o peso de um parecer do conselho pela cassação deve ser cada vez maior para direcionar o futuro dos investigados. Uma amostra será dada na votação desta semana em plenário sobre o caso de André Vargas (sem partido-PR), que mantinha uma ligação próxima com o doleiro Alberto Youssef, segundo a Polícia Federal.
O atual presidente do colegiado, Ricardo Izar Filho (PSD-SP), já anuncia sua candidatura à reeleição. Está ciente, no entanto, das dificuldades que terá pelo caminho. Seu partido é da base do governo, ocupa ministério e deve continuar na Esplanada. Em 2013, sua legenda se recusou a indicá-lo. Izar Filho só chegou ao colegiado graças ao PSDB, que o indicou. Ele afirma que não aceitará continuar no cargo se a missão for de engavetar processos.

— Pretendo disputar a reeleição. Mas não de um Conselho de Ética que seja um engavetador-geral de todas as denúncias e processos que chegarem lá. Aí, prefiro nem estar ali — disse Izar Filho.
A tensão na Câmara é grande por não se saber ainda quais deputados foram citados nas delações premiadas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef e se tornarão alvo de pedidos de inquérito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Por isso, os partidos deverão ter atenção redobrada nas indicações que farão para o Conselho.
No discurso, deputados do PT admitem que não há muito interesse na bancada para as indicações. A ida para o colegiado, pelo desgaste que traz, é vista como missão. O deputado Sibá Machado (PT-AP), que é do atual conselho, diz que só continuará se for a pedido do partido.
— Ninguém quer fazer de lá um lugar de crescimento. É um lugar chato. Os petistas têm outras agendas. Mas seja quem for o escolhido, terá que ter seriedade na condução. O conselho terá que analisar caso a caso e não fazer das denúncias que vierem contra políticos uma roleta- russa — disse Sibá.
O PT atacou a forma como Izar conduziu o processo contra Vargas e sinaliza resistência à sua permanência. Existe a mesma crítica em relação a Júlio Delgado (PSB-MG), que relatou o caso de Vargas e o do ex-ministro José Dirceu. Delgado é citado por alguns parlamentares como possível candidato ao conselho, mas seu plano é disputar a presidência da Câmara.
Outro nome que aparece no páreo é o do deputado Marcos Rogério (PDT-RO). Derrotado em 2013 por apenas um voto na disputa pelo comando do conselho, Rogério foi relator do processo de Luiz Argôlo (PSD-BA), que teve o pedido de sua cassação aprovado. Rogério é próximo do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), favorito à presidência da Câmara. No ano passado, o peemedebista foi pessoalmente ao conselho e ameaçou paralisar os trabalhos da Câmara se o pedetista não fosse eleito.

Cunha, porém, evita comprometer-se novamente com o aliado e diz que tudo dependerá da composição decorrente da eleição para o comando da Casa:
— Defendi o Marcos Rogério porque defendo o cumprimento de acordos políticos. Tudo terá que ser tratado com tranquilidade no Conselho de Ética.
Ex-presidente do colegiado por 4 anos, José Carlos Araújo (PSD-BA) é outro nome lembrado. Ele nega que seja candidato, mas diz que não recusaria a indicação. Defende que o conselho passe a ter mais poderes e funcione com prerrogativas como as de uma CPI, principalmente para poder convocar pessoas que possam ajudar na investigação.
 

fonte rota2014 


"Elite branca do B",

por Fernando Gabeira

O Globo


Um amigo que veio do exterior estava surpreso com o Brasil. Soube da campanha eleitoral, da luta contra a elite branca, dos filmes mostrando como um banqueiro iria tirar a comida da mesa dos pobres. Ao chegar, encontra a vencedora procurando alguém do mercado, com capacidade para ajustar suas contas, que por sinal bateram um recorde negativo em outubro: R$ 8,13 bilhões negativos nas transações correntes.

Como explicar isso? Respondi que os números falavam por eles próprios. Ou melhor, começaram a falar depois das eleições, porque muitos deles foram, devidamente, engavetados durante a campanha. E as famílias pobres diante da mesa de jantar? A lógica implacável dos números acaba impondo do PT o que mais estigmatizava no adversário: um fazedor de contas, alguém que não espanque a aritmética.

Mais surpreendente ainda é a possível escolha de Kátia Abreu para a Agricultura. O amigo leu no “Guardian” sua primeira entrevista dela. Kátia disse que seu modelo político era Margaret Thatcher.

 E o repórter concluiu que combaterá os ecologistas como Thatcher combateu os mineiros em greve.

Para isso não tenho grandes explicações. Conheci Kátia no Congresso e tanto com ela como com Ronaldo Caiado tive discussões produtivas. Não acredito que veja no meio ambiente um entrave ao progresso, como Dilma, naquele célebre ato falho em Copenhague. Mas as pessoas mudam. Não entendo como se espelhar em Thatcher e querer subir na carreira política sem conhecer melhor a trajetória da mulher que a inspira sua jornada.

Thatcher jamais mudou de partido e dificilmente entraria num governo no auge de um escândalo de proporções mundiais, o maior das democracias ocidentais, segundo o “New York Times”.

Ela pode usar uma bolsa a tiracolo, como Thatcher, mas seu programa é muito distinto dos conservadores ingleses, ainda hoje no poder. Eles têm uma das políticas ambientais mais avançadas do mundo. Talvez em outras entrevistas ela possa se explicar melhor. A impressão que o “Guardian” transmitiu era de que o meio ambiente e os grupos indígenas seriam um obstáculo para o projeto de Kátia: superar os EUA na produção de alimentos. Ela sabe que grande parte dos problemas tem solução negociada, e a própria ciência pode ser uma excelente referência para definirmos o caminho de um crescimento sustentável. Grandes dramas como a crise hídrica envolvem, por exemplo, a agricultura e toda a sociedade brasileira: não há bala de prata nem dama de ferro que dê conta deles.

O tom da reportagem assusta. Mas não deixa de ser irônico, concluí para o amigo que chega: o grande fantasma da campanha de Dilma era a elite branca e agora nos oferecem um diretor de banco e uma discípula de Margaret Thatcher numa versão tropical. Só mergulhando na nossa cultura política para tornar isso ao menos inteligível. O PT tem o hábito de dividir o país; pobres contra ricos, regiões contra regiões.

Mas quando a situação aparece com mais complexidade, precisa de novas subdivisões. Daí a necessidade de uma elite branca do B. A mesma subdivisão já aplicada à direita: uma direita como Ronaldo Caiado e uma direita do B, Paulo Maluf, Jader Barbalho, Newton Cardoso. Ninguém deve, portanto, temer ser considerado de direita ou da elite branca. Há sempre a escolha: elite branca do B ou direita do B. Uma política econômica sensata é o que precisamos, inclusive nesta conjuntura internacional. Seria algo estável no horizonte, porque os céus da política indicam tempestade.

O escândalo do Petrolão deve deixar inúmeras marcas. A própria imagem internacional do Brasil está em jogo. O momento é especial porque entramos num pesadelo de cifras. Todos os protagonistas levando milhões, até as formigas no Espírito Santo custaram R$ 67 milhões à Petrobras. Sessenta e sete milhões para as formigas, 200 para um subgerente, quanto não desapareceu nesse circuito?

Os malabaristas terão trabalho para explicar. Sua tática é sempre sumir no tempo e na multidão, com duas frases típicas: sempre foi assim, todo mundo faz. Houve corrupção na Petrobras em governos anteriores. Mas nada se compara ao uso sistemático da empresa para alimentar partidos políticos. O argumento de que sempre foi assim e todos fazem assim é a maneira de nos ejetar do aqui e agora e mergulhar num espaço mítico. Aliás, esta ideia de que sempre foi assim lembra um pouco da rigidez da morte. É só nela que não existem caminhos de renovação. Enquanto os petistas estiverem escondidos nas dobras do tempo e na multidão de corruptos, será difícil abordá-los.

Creio que é de Mark Twain esta frase: é mais fácil enganar as pessoas do que convencê-las de que foram enganadas. Compreender o Petrolão é uma dura tarefa. Se falharmos, o Brasil vira uma espécie de buraco negro. No espaço, esses buracos são uma singularidade gravitacional: não valem na sua proximidade as leis da física. Aqui embaixo, buracos negros são os países onde não valem as leis do Código Penal.



fonte rota2014

‘Em 2014, nós vivemos a eleição mais suja da história', diz o historiador Marco Antonio Villa

Em uma conversa com Joice Hasselmann, o historiador e colunista de VEJA Marco Antonio Villa comenta o cenário eleitoral permeado por reviravoltas e denúncias, a vitória de Dilma Rousseff e o saldo da disputa mais acirrada desde a redemocratização do país. O novo livro de Villa, “Um País Partido”, será lançado segunda-feira na Livraria Cultura, em São Paulo.

veja a entrevista em
http://veja.abril.com.br/multimidia/video/em-2014-nos-vivemos-a-eleicao-mais-suja-da-historia-diz-villa

Didático, PT combate a corrupção cometendo-a

Com Blog do Josias
Reunido neste final de semana, o diretório nacional do PT aprovou uma resolução severa contra a corrupção. “Temos o compromisso histórico de combater implacavelmente a corrupção”, explicou o presidente do partido, Rui Falcão. Impossível discordar. Nenhuma outra legenda contribuiu tanto para desnudar os crimes do poder. Didático e revolucionário, o PT combate a corrupção praticando-a.
“Foi durante os governos Lula e Dilma que se estabeleceram, como políticas de Estado, as principais políticas de combate à corrupção”, anota a resolução do PT. Movido por forças antagônicas, o partido agiu mais ou menos como o viciado que, conhecendo as próprias fraquezas, cerca a bebida e as drogas com um sistema de câmeras e alarmes contra si mesmo. Os resultados foram extraordinários.
Em sua resolução, o PT critica os que o acusam de “ser o partido responsável por um alegado aumento da corrupção no Brasil.” Ora, francamente. Como realça o texto, “se hoje a corrupção aparece mais, ao contrário do passado, é porque ela, pela primeira vez na história do país, está sendo sistematicamente combatida.”
Realmente, o combate à roubalheira passou a ser sistemático. O PT inovou. Em governos anteriores, os escândalos eram denunciados por opositores. Hoje, o próprio PT se encarrega de cometer os crimes que o asfixiam. Nos seus 12 anos de poder federal, o PT só errou certo. Já na escolha do elenco de apoiadores, o petismo revelou-se o igual disfarçado de novo. E passou a deixar os rastros para que o apanhassem.
Foi um aliado do PT, Roberto Jefferson, quem jogou o mensalão no ventilador. Agora, são os delatores, com o suor dos seus dedos, que se encarregam de impulsionar a elucidação do petrolão. Em matéria de corrupção, o PT é um catalisador do avanço institucional. Ele mesmo planeja os escândalos, ele mesmo coordena a execução dos crimes, ele mesmo inspira os denunciantes.
O PT informa em sua resolução que se autoimpôs “o desafio de reafirmar a sua liderança no combate à corrupção sistêmica no Brasil.” Bobagem, não é mais necessário. Em matéria de corrupção, o PT já é visto como líder inconteste. Draconiana, a resolução prevê dias difíceis para os petistas flagrados no petrolão.
O documento do diretório informa: “Qualquer filiado que tiver, de forma comprovada, participado de corrupção, deve ser imediatamente expulso, como já afirmou publicamente o presidente do partido.”
Bem verdade que a bancada mensaleira da Papuda continua nos quadros do PT. Mas isso pode ser apenas mais uma anormalidade proposital do partido para denunciar a normalidade de um sistema político baseado na hipocrisia. No momento, o mais importante é notar que o PT conseguiu mais uma proeza: dissociou-se das suas próprias ações, mantendo-se incólume a si mesmo.
A insistência de Dilma 2ª em preservar no segundo mandato as mesmas criminosas alianças foi a forma que o PT encontrou para esclarecer que, numa ilícitocracia, tudo é permitido, até o assalto à Petrobras —desde que feito por gente que tem “o compromisso histórico de combater implacavelmente a corrupção”, mesmo que para isso tenha de cometê-la.
fonte rota2014

‘Caro Golpista’



Publicado na edição impressa de VEJA
ROBERTO POMPEU DE TOLEDO
Você que foi à manifestação da Avenida Paulista e pediu intervenção militar, vamos lá, raciocinemos juntos. Intervenção militar precisa de militar, certo? Veja o que disseram os comandantes militares à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo. O comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto: “Os militares estão totalmente inseridos na democracia e não vão voltar. Isso eu garanto”. O comandante da Aeronáutica, Juniti Saito: “São coisas de extremistas. (…) não há a menor chance de essas ideias evoluírem”. O comandante do Exército, Enzo Peri: “Nós vivemos há muitos anos em um ambiente de absoluta normalidade”. O.k., mas imaginemos que em algum momento esses comandantes mudem de ideia, ou que outros venham a sobrepujá-los e aceitem aderir à sua proposta. Um golpe precisa de uma justificativa, não é verdade? O que temos à frente do país é um governo legitimamente reeleito, ainda que por pequena margem. Sim, é um governo incompetente, que levou a economia ao fundo do poço, teve medíocre desempenho na educação e na saúde, só fez trapalhadas na infraestrutura e, para culminar, se vê enredado num escândalo de corrupção gigante. Mas as instituições funcionam, em primeiro lugar as encarregadas de apurar as roubalheiras, e não há sinal de motins dentro das Forças Armadas, como em 1964. O.k., se você insiste, continuemos – mesmo assim o golpe é desfechado e instala-se a ditadura.

O quê? Será que ouvi bem? Você diz que a intervenção é ”só” para afastar o atual governo, não para implantar a ditadura? Em 1964 havia também esse argumento. Mas vamos lá: depois de afastar o governo, o que se faz? Ahn? Ah, entendi: convocam-se novas eleições, você diz. Nesse caso, abrem-se duas alternativas: ou se restauram completamente as liberdades democráticas, e nesse caso o partido deposto pode participar da nova eleição, ou se restauram pela metade, e ele é proibido de participar. Se lhe é permitido participar, é grande a chance de ganhar, e desta vez ganhar com ampla vantagem, fortalecido pela aura de vítima. Lembre-se do que ocorreu na Venezuela, com o ridículo golpe desfechado contra Chávez em 2002. Foi a partir daí que ele cresceu, ganhou crescente confiança, arrebatou multidões e acabou por projetar sua sombra por cima das instituições do país. Pela segunda alternativa, propõe-se uma eleição viciada. É imperativo que as forças democráticas, inclusive da oposição, se recusem a participar de tal farsa. Inviabiliza-se a saída eleitoral. Os militares anunciam que governarão eles mesmos. Fecham o Congresso, censuram a imprensa, prendem opositores. No dia seguinte
Não, nem será preciso esperar o dia seguinte. No mesmo momento, pela internet e pela televisão, a imagem de um general de óculos escuros sintetiza os acontecimentos no Brasil. Uma risada universal explode em resposta. Você se lembra do Bananas, de Woody Allen? Mas isso não é o pior. Seguem-se os pedidos de boicote ao Brasil pela quebra da ordem democrática. O governo dos Estados Unidos anuncia a reavaliação das relações. Países europeus chamam seus embaixadores para consultas. Dezenas de países decidem não participar da Olimpíada do Rio de Janeiro. O movimento cresce, e os Jogos são cancelados. Cineastas recusam-se a ceder seus filmes para a mostra de São Paulo e escritores recusam-se a vir para a Flip.
Enquanto isso ocorre no plano externo, no interno os novos donos do poder enfrentam dificuldades. Por mais que prendam, torturem e silenciem, não conseguem conter os desafios. Goste-se dele ou não, o partido alijado do poder tem raízes profundas na sociedade. Sucedem-se as greves, que, quanto mais reprimidas, mais se multiplicam. Manifestações de rua afrontam as proibições e são engrossadas mesmo pelas forças democráticas que se opunham ao governo deposto. Mais grave é o que acontece no campo. Movimentos sociais se transmudam em forças de guerrilha. Quem temia o fantasma da Venezuela tem agora pela frente o fantasma da Colômbia. A situação se agrava, e a unidade militar, que nunca fora tão unida assim, se rompe. Nesse ponto ou eclode uma guerra civil, o país se incendeia e as ruas se juncam de cadáveres…
…ou o amigo golpista acorda, recolhe sua faixa e toma juízo. Deixe de ser besta, cara. Se você quer fazer oposição ao governo, está marcando gol contra.

Valentina de Botas e o resumo da ópera: ‘A escória lulopetista, corrupta, incompetente e autoritária, só será vencida por democratas’


Intrigado com a quantidade de comentaristas ansiosos por “intervenções militares”, estava no segundo parágrafo de um post sobre o assunto quando li o texto da nossa Valentina de Botas. Como vocês verão, ela escreveu pela coluna. (AN)
A reeleição de Dilma Rousseff, um vexame planetário, mostrou que frustração, por pouco ou por muito, é melhor quando não acontece. Não sou fatalista, determinista, nem supersticiosa – superstições dão azar –, também não faço o jogo do contente e duvido um pouco dessa história de que tem mal que vem para o bem – prefiro mesmo é bem que vem para o bem. Mesmo a volta da oposição não é bem que atribuo à vitória do PT, mal do qual não nasce nada bom. Mas pode vir mais mal e, provando isso, o cara que pede intervenção militar seria até engraçado se não fosse uma besta, como bem encerra Roberto Pompeu de Toledo.
Na linha do grande texto, as perguntas poderiam continuar: o cara quer intervenção para…? Acabar com a corrupção? Ora, a ditadura militar foi extremamente corrupta e vá tentar apurar maracutaias sob uma ditadura. Nem mesmo é possível denunciá-las. Considerando que qualquer grupo rouba menos do que o PT, essa anomalia, por que não uma intervenção dos, sei lá, astrólogos? Ah, sim, o sujeito quer intervenção militar para defender as instituições democráticas. Outra vez, seria cômico, se não fosse cretinice.

Os problemas de uma democracia são resolvidos com mais democracia. Quem pede intervenção militar não é um democrata, portanto, esse cara errou de manifestação; que pegue o cartaz dele, junte-se a outros cretinos que encontrar e vá marchar pelo fim das liberdades nas manifestações pró-governo, pois é dele que a cretinice os aproxima, e não de quem quer um governo decente, o que exclui qualquer ditadura e qualquer petista. Tá bom, talvez não seja nada disso e o cara simplesmente paga esse mico porque não gosta do PT. OK, tamu junto, só que separado.
Também não gosto, aliás detesto essa escória e o que ela fez ao país. Mas invocar o militarismo é ato de feitiçaria que se volta contra o feiticeiro sempre, além de ser justificada pelos argumentos mais tipo R$1,99, e é um favor chamá-los de argumentos. Não importa o quanto demore, e já demorou muito, a história mostra que quanto mais tempo falsos democratas permanecem no poder, mais triste será a queda deles. A escória lulopetista, corrupta, incompetente e autoritária, só será vencida por democratas.

Não queremos nenhuma ditadura. Precisamos de mais democracia



REYNALDO ROCHA
A melhor maneira de interromper uma dor derivada de uma metástase ainda é simplesmente morrer. Um dos maiores pecados – e erros – dos grupos armados que foi tentar substituir uma ditadura por outra.
Alguém pode até ter dificuldades para definir o que seja ditadura. Quem viveu uma delas não precisa. Sabe na pele o que é.
Quem defende o retorno às trevas ou é um dos que ajudaram a mergulhar o país no horror ou é um desavisado que quer dar razões aos lulopetistas para continuarem a defender a anarcoditadura bolivariana.

Num momento histórico em que se vê a camarilha desmanchar -se por si mesma, sob o efeito sanitário do sol, trata-se de um desserviço ao Brasil. Não queremos uma ditadura. JAMAIS a desejamos. Fomos às ruas lutar até pela concessão da anistia a quem pretendia trocar por outra a que nos infelicitava.
Queremos o fim do projeto ditatorial a que deram o nome de bolivarianismo. E não quero trocar uma incompetente boneca de ventríloquo por um general de óculos escuros. Não troco. Não faz parte de meu jogo. Nem do Brasil.
Queremos o resgate da cidadania. E neste conceito, há um papel reservado às Forças Armadas, sob as ordens do Poder Executivo.
Se havia um Muricy, havia um Sérgio Macaco. Para cada Burnier, tínhamos um Moreira Lima. Hoje, para cada Lula ainda temos um Ayres Brito, um Joaquim Barbosa ou um Pedro Simon.
São mais do que otários os que pedem o retorno do que lutamos tanto (NÓS, O POVO) para jogar no lixo. São covardes. Precisam de bedeis para alcançar o que julgam ser democracia.
O PT fez renascer a direita no Brasil. Levou-nos a desprezar a América Latina recheada de populistas de quinta categoria. Usou a mentira em defesa de seus (deles) próprios crimes. Copiou a ditadura, abandonou a meritocracia e promoveu a substituição dos “coronéis” por “militantes”. Destruiu empresas. Envergonhou um país.
Nada mais parecido com a ditadura que caiu de podre, ao balançarmos a árvore. A árvore está balançando. Alguns frutos (os mais podres) já estão caindo.

O PNDH-3 DESMASCAROU O GOVERNO


Este artigo foi publicado em 18/01/2010 no Correio Braziliense, antes do desfecho da exitosa pressão do então Ministro da Defesa Nelson Jobim e dos Cmt da Marinha, EB e Aeronáutica em 2010. Não precisava ter uma "bola de cristal" para saber onde os radicais queriam chegar”. Rocha Paiva.
General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva
Professor emérito e ex-comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército
O Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) fez cair a máscara da esquerda radical do governo. Nas eleições para a presidência da República em 2002, ficou patente a guinada para o centro do PT e do seu então candidato, consubstanciada na Carta ao Povo Brasileiro. Após três derrotas sucessivas, entenderam que o discurso e a proposta de um regime socialista radical - ultrapassado e desagregador - eram rechaçados pela Nação amante da liberdade e da paz e avessa ao totalitarismo e à intolerância. Havia uma dúvida. Seria autocrítica sincera ou apenas tática protelatória para acumular forças, esperando o momento propício para desvendar o véu?
O PT abriga diferentes linhas de pensamento da esquerda, mas sua identidade original é a da corrente radical. Ela ocupa amplos espaços no governo e no Estado, exercendo cargos importantes e a chefia dos ministérios e secretarias da área social, de relações internacionais, da justiça, de direitos humanos, de comunicação, da Casa Civil [era, então, a atual Presidente da República] e outras.
Uma das vedetes do Plano é o “Reconhecimento da Memória e da Verdade”. O interesse da sociedade em nossa história recente não se resume, é claro, em conhecer as violações aos direitos humanos e violências praticadas pelo Estado, na repressão à luta armada, mas também as cometidas pela esquerda revolucionária, que foi deixada fora do Plano. A propósito, conhecer a história não obriga rever a Lei de Anistia.
A verdade só virá à tona se a pesquisa não ficar a cargo de grupos dirigidos e compostos, em sua maioria, por pessoas ligadas à perfeitamente identificada esquerda radical do governo ou por ela selecionadas para constituir a “Comissão Nacional da Verdade”, como prevê o PNDH. O trabalho da Comissão só terá credibilidade se realizado por historiadores de pensamento ideológico distinto e sem vínculo político-partidário, indicados em igual efetivo pelos ministérios da Justiça e da Defesa. A presidência da Comissão não pode estar a cargo de nenhum dos lados em conflito, sendo esta a maior dificuldade para sua constituição.
Na realidade, a verdade histórica será conhecida com o tempo, havendo ou não a tal Comissão, cujo propósito não é resgatar a verdade. Trata-se de um instrumento de propaganda ideológica e de ação psicológica visando ao desgaste, intimidação e desconstrução das instituições, particularmente das Forças Armadas, o que se enquadra na estratégia de tomada do poder.
O PNDH desvendou a força e o propósito golpista da esquerda radical do governo ao revogar, de fato, a Constituição Federal e travestir de legalidade instrumentos ilegítimos de pressão e controle da sociedade como foi mostrado detalhadamente na mídia. As reações das instituições, imprensa, setores democráticos do próprio governo e a repercussão na sociedade implicam a tomada de uma decisão pelo presidente da República, que tem três alternativas.
Anular o decreto do PNDH e reduzir substancialmente o poder da esquerda radical governista. Justifica-se, pois é imperdoável que ela tenha traído a confiança do presidente, mais uma vez, ao fazê-lo assinar um documento sem alertá-lo sobre seu conteúdo explosivo. Calaria quem considera a postura adotada em 2002, na campanha eleitoral, uma tática dissimuladora e oportunista. Decisão típica de estadistas, pois eles têm sabedoria para identificar as aspirações e os valores fundamentais dos povos que dirigem e zelar pela paz e harmonia social.
Determinar a revisão do PNDH, ciente de que ela será superficial, contemporizando inicialmente e decidindo a favor de um lado quando a conjuntura indicar que tem poder para neutralizar o que vier a ser contrariado. Opção de um chefe político de perfil tradicional, que costuma priorizar a manutenção do poder e os interesses político-partidários, mesmo com riscos para a coesão nacional, a paz e harmonia social.
Manter o Plano como está ou com modificações que não inviabilizem o seu propósito original de preparar o terreno para a tomada do poder. Reforçaria a opinião dos que consideram um engodo a mencionada guinada para o centro e veem o presidente como adepto de um regime totalitário, ainda que sua imposição gere um conflito interno com sérias conseqüências para a Nação.
Uma outra alternativa caberia à sociedade e às instituições, por meio de seus representantes e dentro da lei, impondo a opção pela democracia, ou seja, a anulação do nefasto PNDH-3.




fonte rota2014

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