por Cristyan Costa
A doutrinação
esquerdista domina o pensamento acadêmico, desde os livros didáticos até as
escolas e as universidades
7de janeiro de 2021. Durante uma live para estudantes,
o professor Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas, “ensinou” para
seus alunos que o presidente Jair Bolsonaro tentou “dar um golpe” na
instituição, ao indicar para a reitoria a terceira colocada na lista
tríplice.
Durante a transmissão, Hallal chamou Bolsonaro de “defensor de
torturador” e o “único chefe de Estado do mundo que não defende a vacinação
contra a covid-19”. Não ficou por aí. O pró-reitor Eraldo Pinheiro tomou a palavra
e qualificou o presidente de “sujeito machista, homofóbico e genocida, que
exalta torturadores”.
14 de dezembro de 2020. Escola Municipal Guerino Zugno, em Caxias do Sul
(RS). A professora Monique Emer se lamentava em sala de aula porque Pepe
Vargas, candidato do PT, perdera a disputa pela prefeitura do município. Vargas
foi ministro do Desenvolvimento Agrário da ex-presidente Dilma Rousseff.
Em um áudio vazado, Monique declara aos alunos: “Da direita, quanto mais
morrerem de covid-19, aids, câncer fulminante, melhor. Já que a gente não pode
fuzilar, então que vão à praça fazer bandeiraço e, se Deus quiser, morram tudo
de covid. Adultos, mulheres, idosos e crianças. Não vale um, não se salva
um”.
Em seguida, a educadora fez uma publicação em sua conta no Facebook
defendendo a necessidade de “canalizar a revolta incendiária de estudantes” em
prol de pautas de esquerda. “Onde está a resistência?”, perguntou a professora.
“Barricadas? Incêndios? Mobilização popular?” Dias depois, Monique foi afastada
do cargo pela Justiça.
“Esse imbecil ganhou porque a maioria votou”
Professores
deveriam ensinar suas matérias e não usar a influência que têm sobre os alunos
para fazer doutrinação político-partidária. Mas isso não impede que eles ajam
para influenciar diretamente os estudantes, inclusive nas escolas particulares.
Abril de
2019. Um professor de geografia ataca o presidente Jair Bolsonaro e seus
eleitores. “Já pararam para pensar que esse imbecil ganhou porque foi a maioria
que votou?”, pergunta o docente à classe, que se manteve em silêncio. “Mas sabe
o que é pior? É quando a maioria que ganha quer que a outra parte se foda. Se a
maioria ganha e quer ajudar o resto, é uma coisa, mas quando a maioria ganha e
quer que o preto se ferre, o pobre se ferre, o gay se ferre e a mulher se
ferre, aí é pior que uma ditadura.” Ele foi demitido depois de o vídeo ser
publicado nas redes.
Na semana passada, outro caso chocou o país. A indígena Sônia Guajajara,
ex-PT e atual Psol, ex-candidata a vice-presidente na chapa de Guilherme
Boulos, dava uma palestra na Escola Avenues, em São Paulo, que cobra mais de R$
12 mil de mensalidade de seus alunos.
Previsivelmente, a política psolista atacava o agronegócio brasileiro e
o governo federal. Um estudante pediu a palavra e expôs seu ponto de vista, o
que não agradou ao professor Messias Basques.
A arrogância do fake Harvard
O professor
constrangeu o aluno diante de uma plateia de 300 estudantes. “A minha
recomendação é a seguinte: respeite-me, porque sou doutor em Antropologia”,
disse. “Não tenho opinião, sou especialista em Harvard. Isso é ciência. No dia
em que você quiser discutir conosco, traga seu diploma e sua opinião, fundamentada
em ciência. Aí sim poderá discutir com um especialista em Harvard.”
A plateia,
formada por adolescentes, aplaudiu a arrogância do educador. Basques, na
verdade, não tem diploma na universidade norte-americana de Harvard, mas apenas
o certificado de um curso on-line que custou US$ 250.
Uma das vítimas preferidas dos redatores dos livros didáticos é
o agronegócio
Na
sequência, Guajajara retomou sua apresentação e criticou “fazendeiros”, que,
segundo ela, ocupam terras que deveriam ser redistribuídas para a população: “É
preciso democratizar o acesso às terras”. Em carta, o aluno manifestou seu
descontentamento. “Falar do agronegócio de maneira tão pejorativa, para uma
audiência de 300 pessoas, deixou-me extremamente ofendido”, ressaltou. “Os pais
dos meus amigos trabalham no agronegócio, minha família vem da
agropecuária.”
Até o
momento, o professor Messias Basques continua integrando o corpo docente da
escola, apesar de manifestações de repúdio de diversos pais. A instituição
emitiu uma nota minimizando o ocorrido.
100% de doutrinação
A
doutrinação em sala de aula começa nas páginas dos livros didáticos, cujo
conteúdo é elaborado por professores universitários — a maioria com viés de
esquerda. O cientista político Fernando Schüler, professor do Insper, conta o
que descobriu, em 2016, ao se debruçar sobre os principais livros didáticos do
Brasil, com o objetivo de responder à pergunta: há ou não doutrinação
ideológica nesse material?
“Dos dez
livros que analisei, 100% tinham um claro viés ideológico”, disse
Schüler, numa entrevista a Oeste. “Não encontrei, infelizmente, nenhum
livro ‘pluralista’ ou particularmente cuidadoso ao tratar de temas de natureza
política ou econômica. São todos livros mancos. E sempre para o mesmo lado.”
Além do
capitalismo e do conservadorismo, uma das vítimas preferidas dos redatores
desses livros é o agronegócio, retratado como um vilão da natureza. Essa visão
distorcida da realidade origina-se do estrabismo marxista sobre vários aspectos
da sociedade, constatou o professor Mauro Aguiar, diretor do Colégio
Bandeirantes, um dos mais tradicionais de São Paulo.
“Existe um
predomínio do pensamento de esquerda nas Ciências Humanas no Brasil e no mundo
ocidental”, afirmou Aguiar. Para ele, a esquerda conseguiu vencer no campo
ideológico-cultural, apesar da queda do Muro de Berlim, muito em razão da
propaganda bem-sucedida. “Isso atinge as escolas, porque os professores são
educados com base nessa formação.”
Essa
deformação do ensino do agronegócio foi o estopim para a criação do De Olho no
Material Escolar. O movimento começou quando a produtora rural Letícia
Zamperlini presenciou as aulas on-line da filha de 10 anos durante a pandemia.
Entre outras coisas, o setor era apresentado às crianças como responsável pela
miséria de povos indígenas.
“São
inúmeros os exemplos”, contou Letícia, numa reportagem de Oeste. “Todo mundo que nos procura tem uma
história para contar. Se você está perto e olha o material escolar, mesmo não
sendo do agro, percebe o tom negativo e uma ausência de referências
científicas. Não vemos citações da Emprapa, do Ibama ou de órgãos confiáveis.”
Hoje, são
mais de 4 mil simpatizantes e centenas de associados espalhados por dez Estados
brasileiros. O grupo já se encontrou com representantes dos ministérios da
Educação e da Agricultura, além de ter conseguido das editoras a promessa de
revisar os livros didáticos. Há duas semanas, um evento na Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reuniu produtores rurais, diretores
de escolas e representantes das principais editoras do país.
A tirania da minoria
Para Ilona
Becskeházy, ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, as
universidades são dominadas pela esquerda em virtude de um processo complexo e
demorado de ocupação de espaços. Como a classe intelectual é a responsável por
formar diversos ramos da sociedade, a exemplo da classe política, a visão de
mundo da esquerda acaba sendo hegemônica. “São esses acadêmicos que escrevem e
controlam a qualidade dos livros didáticos, por exemplo”, explica. “Não tem
como dar certo.”
Resolver um
problema dessa magnitude leva tempo. A presidente do Instituto Livre pra
Escolher, Anamaria Camargo, apoia a criação de instituições de ensino com
diferentes vieses filosóficos, religiosos e outros focos pedagógicos, como o
sistema STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, em português).
“Devemos garantir a liberdade das famílias para que possam escolher aquela que
está de acordo com seus valores”, disse.
Nesse
modelo, Anamaria defende a criação de um sistema de vouchers, em
que cada família possa usar o valor do recurso estatal que cabe à educação do
seu filho no colégio de sua escolha, como na Holanda. “Enquanto couber ao
Estado e àqueles que dele vivem, como sindicatos, escolher as ‘vozes’ que devem
ser elevadas e as que devem ser caladas em todas as escolas, jamais teremos uma
real pluralidade de ideias.”
Os “líderes geniais das massas”
Cláudia
Costin, especialista em educação e ministra da Administração do governo FHC,
critica a formação de professores e defende a ideia de que o primeiro passo
para alcançar uma escola plural é ensinar os educadores a praticarem, em sala
de aula, o debate livre de ideias. “Na escola, sempre houve a tentação de
doutrinar”, afirma Cláudia.
A
especialista advertiu que esse cenário acaba empobrecendo a produção
intelectual dos educadores, a exemplo dos livros didáticos, que oferecem uma
visão muito limitada da realidade. “Sobretudo os de geografia”, observou, ao
mencionar o agronegócio sendo retratado como inimigo. “Não se deve demonizar um
setor da economia que gera renda e emprego.”
Ela defende
ainda a ideia de que haja uma abordagem mais ampla dos assuntos, que possa
oferecer os dois lados da moeda para o aluno, sem ocultar fatos ou tentar
prejudicar determinada pauta. “Precisamos fugir da ‘verdade única’. Educação é
formar pensadores autônomos e não pessoas que vão seguir ‘líderes geniais das
massas’.”
Revista Oeste
PUBLICADAEMhttp://rota2014.blogspot.com/2022/04/a-lavagem-cerebral-nas-salas-de-aula.html





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