RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) tornou secretos os documentos que tratam de financiamentos do Brasil aos governos de Cuba e de Angola. Com a decisão, o conteúdo dos papéis só poderá ser conhecido a partir de 2027.
Empresa negociou contrato durante ida de Lula a Cuba
Lula diz que viagens pagas por empresas servem para 'vender' país
Empreiteiras pagaram quase metade das viagens de Lula ao exterior
Lula levou diretor da Odebrecht em viagem oficial à África
Governo teve gastos com viagens privadas de Lula
Marcelo Odebrecht: Viaje mais, presidente
Lula diz que viagens pagas por empresas servem para 'vender' país
Empreiteiras pagaram quase metade das viagens de Lula ao exterior
Lula levou diretor da Odebrecht em viagem oficial à África
Governo teve gastos com viagens privadas de Lula
Marcelo Odebrecht: Viaje mais, presidente
O BNDES desembolsou, somente no ano passado, US$ 875 milhões em
operações de financiamento à exportação de bens e serviços de empresas
brasileiras para Cuba e Angola. O país africano desbancou a Argentina e passou
a ser o maior destino de recursos do gênero.
Indagado pela Folha, o ministério disse ter baixado o
sigilo sobre os papéis porque eles envolvem informações
"estratégicas", documentos "apenas custodiados pelo
ministério" e dados "cobertos por sigilo comercial".editoria de arte /folhapres
Os atos foram assinados por Pimentel em junho de 2012, um mês após
a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação. É o que revelam os termos
obtidos pela Folha por meio dessa lei.
Só no ano passado, o BNDES financiou operações para 15 países, no
valor total de US$ 2,17 bilhões, mas apenas os casos de Cuba e Angola receberam
os carimbos de "secreto" no ministério.
Segundo o órgão, isso ocorreu por que havia "memorandos de
entendimento" entre Brasil, Cuba e Angola que não existiam nas outras
operações do gênero.
O ministério disse que o acesso a esses outros casos também é
vetado, pois conteriam dados bancários e comerciais já considerados sigilosos
sem a necessidade dos carimbos de secreto.
INEDITISMO
Antes da nova Lei de Acesso já existia legislação que previa a
classificação em diversos graus de sigilo, mas é a primeira vez que se aplica o
carimbo de "secreto" em casos semelhantes, segundo reconheceu o
ministério. O órgão disse que tomou a decisão para se adaptar à nova lei.
O carimbo abrange praticamente tudo o que cercou as negociações
entre Brasil, Cuba e Angola, como memorandos, pareceres, correspondências e
notas técnicas.
As pistas sobre o destino do dinheiro, contudo, estão em
informações públicas e em falas da presidente Dilma.
Em Havana, onde esteve em janeiro para encontro com o ditador Raúl
Castro, ela afirmou que o Brasil bancava boa parte da construção do Porto de
Mariel, a 40 km da capital, obra executada pela empreiteira Odebrecht.
Ela contou ainda que o Brasil trabalhava para amenizar os efeitos
do embargo econômico a Cuba. "Impossível se considerar que é correto o
bloqueio de alimentos para um povo. Então, nós participamos aqui, financiando,
através de um crédito rotativo, US$ 400 milhões de compra de alimentos no
Brasil."
Na visita a Luanda, em Angola, Dilma falou em 2011 que "os
mais de US$ 3 bilhões disponibilizados pelo Brasil fazem de Angola o maior
beneficiário de créditos no âmbito do Fundo de Garantias de Exportações"
do BNDES.
A Folha revelou que o ex-presidente Lula esteve em Angola,
em 2011, onde participou de um evento patrocinado pela Odebrecht.
O Desenvolvimento diz que os financiamentos têm o objetivo de dar
competitividade às empresas brasileiras nas vendas ao exterior. A Folha
não conseguiu falar com as assessorias das embaixadas de Cuba e de Angola.






0 comments:
Postar um comentário