A
Venezuela celebrou no ultimo domingo eleições presidenciais, fraudulentas deste
a data, uma vez que o pleito deveria ter sido convocado pelo menos
desde janeiro deste ano, quando se anunciou a impossibilidade de Chávez
voltar a governar, e em vez de Nicolás Maduro deveria estar governando
até novas eleições o presidente da Assembléia, Diosdado Cabello. O CNE,
órgão eminentemente chavista, fez vista grossa a essas irregularidades e
ainda deu posse oficialmente a Nicolás Maduro no dia 8 de março.
Na edição do dia 4 de abril o Notalatina
havia anunciado que a vitória seria de Maduro, não sem fraude, pois
esta foi uma das deliberações do Foro de São Paulo (FSP) que realizou um
encontro em Caracas, em edição extraordinária, no dia 1º de abril.
Embora
toda a imprensa brasileira tenha anunciado que as eleições ocorreram em
um clima de “paz e tranqüilidade”, não foi isto que vi e que era
denunciado freneticamente por venezuelanos via Twitter e FaceBook
durante todo o dia. Denunciavam que Maduro mandou fechar as fronteiras
do país para dificultar o acesso de possíveis opositores e destaco o que
assisti pelo canal Globovisión: no Liceu de Montalban, onde
ocorreu mais fraudes em número e em diversificação, umas senhoras
denunciavam haver chegado ao local às 5 h. da manhã e já passadas as 4
da tarde ainda não haviam votado. Dnunciavam que chegou um ônibus com 100 (CEM) cubanos, com cédulas novas, para votar naquela unidade mas que não pertenciam à comunidade. Nesta mesma localidade, o site La Patilla denuncia
(com fotos e um vídeo que recomendo) que motorizados armados ameaçavam
as pessoas; que um cidadão que chegou com o deputado Carlos Sierra, do
PSUV, foi detido pela Polícia, pois trazia consigo 40 cédulas de identidade.
Que os militantes chavistas continuavam fazendo campanha abertamente -
quando era expressamente proibido pelo CNE a partir do dia 10 -, e o
próprio Maduro não cessou de utilizar todos os canais de rádio e
televisão em seu favor. Através do Twitter, um eleitor publica foto de urnas sendo levadas pela Guarda Nacional sem ser auditadas. Também através do Twitter Henrique Capriles denunciava: “Exigimos
à reitora Tibisay Lucena o encerramento total das mesas de votação,
estão tratando de votar com mesas encerradas. Fazer RT!”.
E
como se fraudou, finalmente, as eleições? No dia 10 de abril, a
ex-juíza eleitoral Ana Mercedes Díaz, que trabalhou no CNE por 25 anos,
denunciou no programa de Jaime Bayly que as fraudes vêm ocorrendo desde o
ano de 2004 e nunca mais pararam. Dentre uma das maneiras de se fraudar
está na tinta utilizada para captar a impressão digital, que deveria
ser indelével mas não é, onde pode-se apagar a digital impressa
no papelete quantas vezes se deseje e no lugar ir colocando outras. Esta
falha na qualidade da tinta foi também uma das incontáveis denúncias
feitas pelos eleitores no Twitter ontem à tarde e parte da noite. A entrevista da Drª Ana Mercedes foi publicada em dois vídeos que podem ser vistos aqui e aqui, mas não deixem de ver, se quiserem compreender porquê há anos se denuncia o cometimento de fraude eleitoral na Venezuela.
O
CNE tardou demais em apresentar os resultados e as expectativas eram
imensas. O comando de Capriles estava seguro, pois tinha cópia das atas,
que a vitória era do seu candidato. Em anos anteriores parece que a MUD
(Mesa de Unidade Nacional) não teve fiscais em todas as mesas do país
mas este ano sim, daí que puderam ter cópia de todas as atas. E o
resultado dava Henrique Capriles com um vitória colossal, conforme
pode-se ver no gráfico e na relação por estados abaixo. E enquanto
aguardávamos, recebi essa informação que foi divulgada pelo Twitter, de alguém que trabalha no CNE:
“Com 95% de atas escrutinadas: Capriles 7.800M, Maduro 6.400M. Sou membro do CNE
Passa urgente para que se vejam de mãos atadas”.
E
já passava da meia-noite quando finalmente os reitores do CNE
resolveram apresentar os resultados, quando, segundo informação desse
órgão, já se havia apurado 99,12% dos votos e àquela altura se poderia
afirmar que o resultado era irreversível. Segundo Tibisay Lucena, com
78% de participação, Maduro alcançou 7.505.403 votos, com 50,66%, e Capriles 7.270.403 votos e 49,07%.
Hoje
pela manhã recebi outra informação grave que traduzo literalmente, de
pessoa que trabalha no CNE e por motivos óbvios não pode se
identificar:
“Amiga, tremendo porre por aqui. Só Vicente (o único dos cinco reitores não-chavista G.S.) dá a cara. Já baixaram a diferença para 100 mil votos e ainda faltam os do exterior, esses não chegaram. Era mentira o que disseram. Difunde por favor para que as pessoas saibam da verdade e possamos mover as massas.
Querem proclamar Nicolás hoje mesmo à tarde.
No fiquemos calados! AGORA OU NUNCA!”.
Quer
dizer, demoraram a anunciar os resultados porque estavam vendo de que
maneira poderiam arranjar as coisas e anunciar o resultado determinado pelo Foro de São Paulo e pela ditadura cubana,
mesmo sabendo que, além de mentir nos números que tinham em mãos, ainda
faltavam os votos do exterior e que me foi informado que nos Estados
Unidos, onde vivem mais de 9 mil famílias exiladas, a vitória foi de
Capriles.
Tão
logo Tibisay anunciou a farsa, Maduro fez um discurso histérico e
desconexo desde o Palácio de Miraflores. Dalí ele gritava cheio de ódio
contra a oposição, colocando no final de seus grunhidos o Hino Nacional
cantado por Chávez. Capriles demorou a se pronunciar mas quando o fez,
foi corajoso e preciso. Se em outubro de 2012 ele tivesse tomado a
atitude de ontem, a Venezuela hoje não estaria passando por tudo isto de
novo e talvez, a esta altura, Chávez e seu legado, sobretudo os agentes
cubanos, fossem apenas partes de uma história nefasta, de um pesadelo
maligno que durou 14 anos e foi parar no rol do esquecimento.
Em
seu discurso calmo e comedido Capriles dirigiu um alerta a Maduro que
resume tudo: “Se você antes era ilegítimo, agora está mais carregado de
ilegitimidade”. No vídeo que apresento abaixo, de parte do seu
discurso, Capriles disse que não vai aceitar os resultados apresentados
pelo CNE e que exige uma auditoria com cada uma das urnas, 100% dos
votos. Denunciou ainda que o resultado apresentado pelo CNE está baseado
em 3.200 “incidências” e que quer que se conte voto por voto. Sobre o pedido de auditoria, José Miguel Insulza, Secretário Geral da OEA, afirmou que “respaldava” a iniciativa e que colocaria à disposição da Venezuela uma equipe de experts da OEA, “de reconhecido prestígio e longa experiência nesta matéria”. Apesar desse apoio, temo pelo que vão fazer tais “experts”, pois eles sempre
avalizaram as fraudes cometidas por Chávez ao longo de mais de 10 anos,
uma vez que a única eleição que lhe deu uma vitória “limpa”, foi a
primeira, em 1998.
E hoje Capriles voltou a se pronunciar
diante de seus leitores e pediu às autoridades eleitorais que suspendam
a proclamação de Maduro até que se faça a re-contagem dos votos. A
Maduro ele disse através de uma conferência de imprensa: “Se você vai e corre hoje covardemente a se proclamar, você é um presidente ‘ilegítimo e espúrio’”. Em
seguida, dirigindo-se a seus eleitores, conclamou a um panelaço, caso o
CNE desrespeite a solicitação de auditoria e dê posse a Maduro antes de
se concluir a re-contagem. E concluiu dizendo: “Queremos um panelaço
que se ouça no mundo inteiro para fazer sentir nossa indignação porque
não se quer dar a conhecer a verdade expressada nas urnas no dia de
ontem”. Vejam no vídeo abaixo.
Tenho
fé que desta vez os venezuelanos, vendo a coragem e a força moral
apresentada por Capriles agora, não deixem que a ditadura cubana e o FSP
decidam seus destinos. Que vão às ruas fazer o panelaço, que façam
muito barulho para que o mundo inteira conheça que Chávez implantou uma
ditadura violenta na Venezuela e que o povo não agüenta nem aceita mais.
Que Deus abençoe a Venezuela e seu “bravo povo”, que a paz, a
democracia, a liberdade e a prosperidade possam voltar àquela terra de
gente tão querida. Fiquem com Deus e até a próxima!







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