Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Entre supremos, pecados e incertezas

 Judiciário em Foco 


Durante o julgamento, pelo STF, sobre o recebimento da denúncia contra a segunda leva dos “golpistas de papel”, chamou atenção a profusão de citações bíblicas entremeadas aos discursos jurídicos. Da parte das defesas, alusões ao profeta Jonas e a Jesus soavam como apelos desesperados a uma esfera sobrenatural, diante da inexistência de instâncias institucionais às quais recorrer. Já do outro lado da sala de julgamentos, referências ao Gênesis, e até à antiga proibição hebraica de cobrança de juros, emanavam de figuras que, no exercício do poder sem freios, zombavam, à vontade, das normas vigentes e do sofrimento humano injusto.


Se ainda dispuséssemos de mecanismos de freios e contrapesos em operação, os abusos televisionados teriam ensejado a imediata remoção dos envolvidos. Porém, os “pecados” cometidos contra o nosso ordenamento jurídico não encontraram reação à altura, nem por uma maioria de políticos acovardados nem por uma sociedade contaminada pela apatia e/ou pelo pânico de retaliações provenientes dos nossos divinos togados. Dentre as faltas, proponho a seguinte compilação ilustrativa das mais acintosas:


1 – Proibição de veiculação de imagens do denunciado Filipe Martins: na véspera do julgamento, o ministro Alexandre de Moraes vedou a circulação das imagens, ainda que captadas por terceiros, sob pena de prisão do ex-assessor de Bolsonaro. Em mais um de seus despachos arbitrários, o togado impôs a Martins novas cautelares não previstas em nosso Código de Processo Penal e impediu o rapaz de exercer atividades políticas em Brasília. Incorreu na criminalização indevida da política, assim como no reconhecimento implícito de que a “gravidade” do caso residiria tão somente na representatividade de Martins como figura política.


Não satisfeito, ainda submeteu o ex-assessor à iminência de um novo período de privação de liberdade em decorrência de condutas de outrem. Nova violação ao princípio constitucional da responsabilidade penal individual, segundo o qual, no universo dos delitos, cada um só pode responder pelas próprias práticas.


2 – Atentado à advocacia: antes do início do julgamento, o ministro Zanin, na qualidade de presidente da turma julgadora, ordenou a lacração dos celulares dos advogados em prol da pretensa segurança na corte. Contrariou a garantia constitucional e legal dos causídicos à inviolabilidade, própria e de seus instrumentos de trabalho, e o fez à margem do devido processo e sem motivação verossímil para tanto.


Em seus dias de causídico, o Dr. Zanin repudiava a prática por ele designada como “criminalização da advocacia”, representada pela expedição de mandados de busca e apreensão cumpridos em escritórios de advogados suspeitos de delitos graves, tais como lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Após endossar a toga, porém, não hesitou em privar seus ex-colegas da posse de seus próprios telefones sem sequer esclarecer os riscos oriundos do uso dos aparelhos.


3 – Atuação de togados impedidos: a exemplo do ocorrido durante o recebimento da denúncia contra a leva anterior de “golpistas”, os ministros Dino, Zanin e Moraes rechaçaram o próprio impedimento e votaram em assunto em relação ao qual possuíam interesse direto inequívoco. Dino, ex-ministro da justiça de Lula no fatídico 08.01 e protagonista da disseminação da narrativa sobre o “golpe”, da demonização de todos os possíveis envolvidos e do desaparecimento das imagens dos eventos, deliberou em desfavor de membros de um grupo político por ele execrado em um passado bem recente. Da mesma forma, Zanin, ex-advogado do arqui-inimigo político de Bolsonaro e membro da equipe de transição do governo de seu ex-cliente, não manifestou qualquer desconforto em votar.


Mais indecorosa ainda foi a atuação de Moraes como relator de uma trama em que teria figurado como o principal alvo da sanha de “golpistas” sob julgamento. Como declarado pelo togado à maior emissora brasileira, em narrativa reafirmada pela PF e pela denúncia da PGR, os insurretos teriam seguido os passos de Moraes e chegado a arquitetar um plano de homicídio do figurão. Nessas circunstâncias, é de se esperar que o todo-poderoso togado aja dentro de padrões mínimos de isenção e imparcialidade?


4 – Apoio de Dino à nota oficial de Barroso: corroborando o tom político da sessão, o ministro Dino fez questão de endossar a nota publicada por Barroso no site oficial do tribunal contendo mentiras e falácias em resposta à revista The Economist. Bem distante dos cânones jurídicos, nossos togados não apenas “reagem” a críticas legítimas da imprensa como ainda interrompem discussões sobre casos concretos para reafirmarem posturas politiqueiras.


5 – Nova exibição de vídeo: reincidindo em conduta praticada no julgamento anterior, o ministro Moraes exibiu mais um vídeo fora dos autos, narrando as imagens no tom dramático próprio aos procuradores das partes, mas inadmissível a um dito juiz. Ao reproduzir cenas de sua própria escolha, editadas sabe-se lá como, pisoteou de vez o dever de imparcialidade para agir como acusador, em visível prejuízo à defesa dos denunciados.


6 – Prejulgamento: na toada farsesca de mais uma sessão destinada a conferir verniz de legalidade à confirmação das “verdades” dos togados, o ministro Moraes sequer se preocupou em disfarçar seus juízos apriorísticos. Impôs, em português claro, sua própria versão sobre a tentativa “inequívoca” de um golpe de estado no 08.01 e deixou a cargo da defesa de cada denunciado a produção da prova de sua não-participação.


Em julgamento onde se discutia apenas o recebimento da denúncia, fase preliminar do processo, bem anterior à formação de um eventual juízo de culpa, o togado já asseverou a materialidade (prática efetiva) dos delitos imputados aos envolvidos, e ainda incorreu em uma inversão inquisitorial do ônus da prova: enquanto, à luz do devido processo legal, cabe à PGR demonstrar a participação dos denunciados e a estes o ônus de contrapor as provas trazidas pela acusação, sob a égide das “normas” alexandrinas, são os denunciados os incumbidos de comprovar o seu não-envolvimento na tal trama.


7 – Manifestação abusiva sobre anistia: durante o seu discurso iracundo, Moraes lançou um questionamento bem usual em programas sensacionalistas de auditório, mas inusitado em uma sessão de julgamento. “E se (a quebradeira) fosse na sua casa, você daria anistia?”, indagou o togado performático, no tom patrimonialista de um figurão que enxerga a coisa pública como sendo de “sua” propriedade. O comentário configurou uma provocação ao parlamento, onde tramita um projeto sobre anistia, e mais uma intervenção indevida na atuação legislativa, em violação ao princípio da separação entre os poderes.


8 – Rediscussão de matéria eleitoral: no voto sobre os supostos indícios de participação no tal “golpe” do ex-diretor da PRF, Silvinei Vasques, Moraes procedeu a um reexame despropositado de fatos ocorridos durante as eleições de 22 e pertinentes tão somente àquele escrutínio. Para sustentar o envolvimento de Vasques na trama, Moraes aludiu ao descumprimento da ordem emanada do próprio togado, então à frente do TSE, sobre a proibição de operações policiais em veículos coletivos, no dia da eleição. Porém, a deliberação de Moraes foi proferida no âmbito de uma corrida eleitoral encerrada, há muito, com a derrota do candidato suspeito de “golpismo”, razão pela qual inexiste utilidade jurídica em ressuscitar o assunto. Tal rediscussão só pode ser enxergada como mais uma manobra intimidatória por parte de um togado que, mesmo após ter deixado a justiça eleitoral, se sente empoderado para reapreciar um tema eleitoral mais que superado.


Em suma, mais um cerimonial togado marcado pela incerteza jurídica acarretada pela afronta aos ritos e destinado a sacralizar a certeza de um resultado definido de antemão. E o nosso porvir?


Os livros finais do Antigo Testamento narram a destruição dos israelitas e de sua terra prometida, pelas mãos despóticas de Nabucodonosor da Babilônia. Segundo a narrativa bíblica, o tirano teria sido enviado pelo próprio Deus de Israel e senhor dos exércitos como instrumento de punição implacável a sucessivas gerações de hebreus que afrontavam a lei divina com a prática interdita da veneração a ídolos e outras condutas enxergadas como pecaminosas. Somente após a queda de Jerusalém e o longo período de exílio, os israelitas foram autorizados por Deus a retornarem ao seu território e a reconstruírem o templo e as tribos sobre novas bases, com maior grau de amadurecimento e de aversão ao pecado.


Sob uma ótica laica, é possível conceber que a permissividade crescente em Israel e o distanciamento da tradição legada por seus anciãos fundadores tenham enfraquecido as instituições a ponto de tornar aquela coletividade uma presa fácil da sanha do tirano vizinho. A exemplo do ocorrido com os antigos hebreus, devastados por um déspota como castigo pelo desrespeito aos ditames de Deus, sociedades modernas corroídas pela corrupção endêmica e por um “vale-tudo” de flexibilização das normas jurídicas também podem sofrer os efeitos avassaladores dos desejos de autocratas de plantão. Afinal, em ambientes onde o saque ao erário público segue impune, à luz do dia; onde a tripartição de poderes se torna ficcional; e onde membros de tribunais são investidos da toga por interesses meramente politiqueiros, julgamentos se tornam simulacros de uma legalidade em extinção.


Na Israel de outrora, os hebreus arcaram com o peso e as amargas consequências de seus pecados. Nos dias de hoje, sob o sol dos trópicos, uma população inteira se vê exposta a desmandos de toda espécie, incluindo descontos criminosos em folhas de pagamento de aposentados, insegurança pública generalizada e ineficiência do judiciário nas mais diversas instâncias. Espera-se que o laivo de lucidez de atores políticos, econômicos e midiáticos evite, a tempo, eventos trágicos comparáveis àqueles descritos pelos profetas bíblicos.










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As cores da Seleção Brasileira

 Lucas Berlanza 


Não me considero um tolo completo ou um romântico bobo, mas também não sinto identificação alguma por uma iconoclastia insossa. A Seleção Brasileira foi campeã do mundo no governo desenvolvimentista e inflacionário de Juscelino Kubitschek. Foi bicampeã no começo do caótico governo esquerdista de João Goulart.


Foi tricampeã na ditadura militar, no governo Médici. Foi tetra no fim do governo Itamar e penta no fim da era FHC, acompanhando os sucessos do Plano Real. Governos diferentes, cenários econômicos diferentes, até regimes políticos diferentes; mas em todos eles a seleção era uma coisa só: um time de futebol que veste as cores do nosso país, disputa um campeonato que mobiliza a nossa sociedade há gerações e tem impacto simbólico no mundo – com direito a Pelé suspender guerra e ter torcida organizada do outro lado do globo. É um símbolo poderoso da nossa cultura popular. Ninguém é obrigado a gostar, mas não sou obrigado a ter vergonha de torcer pela seleção, como meus pais e avós sempre fizeram. Ninguém vive de engajamento político o tempo todo – se disser que vive em protesto constante, ou é doido, ou hipócrita.


Lamento pelas práticas corruptas da CBF, que não começaram agora, e pelos comportamentos vexatórios de jogadores e empresários, mas, enquanto forem as cores do Brasil entrando em campo, eu estarei a favor.


Enquanto forem as cores do Brasil. Se colocarem a seleção para entrar em campo com uma camisa vermelha na Copa do Mundo – alegando que somente os “bolsonaristas” estão reclamando de tal atrocidade simbólica -, não terei argumentos, só silêncio.


 








PUYBLICADAEEMhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/as-cores-da-selecao-brasileira/

Tarcísio tem 66,8% de aprovação dos eleitores de S. Paulo

 Diário do Poder


O Instituto Paraná Pesquisas divulgou nesta terça-feira (6) um levantamento sobre a avaliação do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) no Estado de São Paulo.

Contando com a preferência do eleitorado, o governador desponta no requisito aprovação, alcançando 66,8% de aprovação; 28,9% desaprovam o governo e 4,3% não sabem ou não opinaram.

Na avaliação, 49,5% do eleitorado consideram positiva (Sendo Ótima: 16,9% e Boa: 32,6%), 30,2% consideram Regular e 18,4% consideram negativa (Ruim: 6,8% e Péssima: 11,6%).

Para a realização desta pesquisa foi utilizada uma amostra de 1700 eleitores, em 85 municípios. Tal amostra representativa do Estado de São Paulo atinge um grau de confiança de 95,0% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,4 pontos percentuais para os resultados gerais.









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ESCÂNDALO TAMANHO PLUS

 GILBERTOSIMÕESPIRES/PONTOCRITICO


GOLPE BILIONÁRIO

Visivelmente nocauteado pelo GOLPE BILIONÁRIO (este mais do que real e legitimo) promovido por criminosos sindicalistas, todos muito bem-mandados, orientados e chefiados pelo presidente Lula e seu dileto amigo e apoiador Carlos Lupi, a minha consciência informa que bem antes de ficar lamentando por mais este CRIME BRUTAL preciso me concentrar na busca de recursos suficientes para pagar a minha cota-parte desta imensa FRAUDE PETISTA.  


MINISTÉRIO DO TRABALHO

Pois, em meio a forte tontura tomei conhecimento, via UOL de que através de vários convênios, o Ministério do Trabalho quintuplicou no ano passado o valor de convênios com ONGs, tendo como uma das campeãs a organização ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, de onde o atual ministro, Luiz Marinho (PT), emergiu para a política. ATENÇÃO: O dinheiro total contratado saltou de R$ 25 milhões em 2023 (em valores nominais) para R$ 132 milhões no ano passado, sendo que a maior parte veio das emendas feitas por deputados e senadores ao Orçamento federal.


UNISOL

A terceira ONG com maior volume de contratos com o Ministério do Trabalho na atual gestão, iniciada em 2023, é a Unisol (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil), com R$ 17,6 milhões em parcerias. A cifra atual foi alcançada graças a um contrato de R$ 15,8 milhões que prevê ajuda da Unisol na organização de catadores de lixo em Roraima e na retirada de resíduos sólidos da terra indígena yanomami, entre outros pontos. Esse contrato é bancado com recursos do próprio governo federal destinados a combater a crise humanitária na terra indígena.


POLÍTICA DA SAFADEZA

A Unisol foi fundada em 2000 com apoio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O atual presidente da entidade, Arildo Mota Lopes, era da diretoria do sindicato na gestão 2002-2005, sob a presidência do hoje ministro Marinho. O Ministério do Trabalho afirma que o aumento nos convênios é parte de uma retomada de políticas, com investimentos em estudos sobre mercado de trabalho e outras áreas e que o contrato com a Unisol foi resultado de uma chamada pública chancelada por banca examinadora formada por especialistas.

Dos R$ 76,3 milhões previstos nos dez maiores contratos do Ministério do Trabalho com entidades sem fins lucrativos, R$ 60,6 milhões vêm de emendas. O grupo das dez entidades com maiores valores em contratos com o ministério tem quatro organizações ligadas de alguma forma ao movimento sindical.


ESPAÇO PENSAR

A propósito o deputado estadual Gustavo Victorino (Republicanos) comentou que, “no caso do escândalo das fraudes contra os velhinhos do INSS, o irmão do Lula foi mais esperto, e contratou o filho do ministro Ricardo Lewandowski para defendê-lo.” Victorino se mostra inconformado diante do fato de que “achacaram os velhinhos de forma monstruosa, nenhum presidente de sindicato ou dessas associações foi preso até agora, e a quadrilha é dentro do INSS: como é que as pessoas sabem o seu telefone para ligar para o senhor e dizer que o senhor foi aposentado quando nem publicada ainda foi sua aposentadoria? Como sabem o número do seu benefício para lançar débito?”. O deputado projeta ainda outras dúvidas:

– São tão ágeis para prender blogueiro, chutar porta de gente da direita. E até agora não vi ninguém ser preso. Vocês acham que vai dar alguma coisa para alguém? Não vai dar nada para ninguém. Se pinçarem alguém de direita, aí sim, esse vai se arrebentar”, comenta Victorino.




















PUBLICADAEMhttps://pontocritico.com/artigo/escandalo-tamanho-plus

ISSO MENTE QUE NEM SENTE..

 NARRATIVASCURIOSAS


Imagina o estrago se não fossem as nossas ‘milícias digitais’… Os caras iam nadar de braçada nas fake news, e o número de jumêncios aumentaria consideravelmente



Moraes debocha da sua suspeição e diz estar magoado

 DELTANDALLAGNOL/YOUTUBE


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 RUBINHONUNES/YOUTUBE



O VÍDEO QUE VAI DERRUBAR O GOVERNO LULA

 NIKOLAS FERREIRA/YOUTUBE



terça-feira, 6 de maio de 2025

O Bolsonaro, o Direito e todos nós na UTI

 Ricardo Vélez-Rodríguez 


O Ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou, em dias passados, uma oficial de Justiça para que intimasse o ex-Presidente Bolsonaro, na UTI em que está internado. Assisti, perplexo, ao vídeo que registra a intimação. O paciente, deitado numa maca e com sonda nasogástrica, além de estar conectado aos aparelhos que controlam a pressão arterial e os batimentos cardíacos, pede esclarecimentos e, logicamente, sofre uma alteração emocional que comprometeu seriamente o seu estado de saúde.


Concordo, integralmente, com as ponderações do antropólogo e colunista Flávio Gordon a respeito, no seu artigo intitulado: “Bolsonaro na UTI”, publicado na Gazeta do Povo: “Todo ser humano normal respeita o ambiente de uma UTI. O respeito que se deve a uma pessoa nessa condição é tal que, em seu artigo 244, o Código de Processo Civil brasileiro diz que ‘não se fará a citação, salvo para evitar o perecimento do direito, de doente, enquanto grave o seu estado’. Esse direito vale até para criminosos da mais alta periculosidade, cujo estado de vulnerabilidade, quando eles se encontram gravemente enfermos, é também reconhecido. É isso o que prescreve a decência. É isso o que assegura o tão propalado estado de direito”.


“Com a cena abjeta, conclui Flávio Gordon, na qual uma burocrata insípida apresenta ao doente grave um papel contaminado de banalidade do mal, o país chafurda de vez no rol de regimes políticos que, ao longo da história, nos levaram a duvidar da condição humana”.


Ora, com a atitude vexatória do Ministro, quem está na UTI não é apenas o ex-Presidente da República, mas também o Direito e a República Federativa do Brasil. Razão tem o jornalista J. R. Guzzo quando frisa, na sua coluna publicada na Gazeta do Povo (14-04-2025): “Não há mais dúvida: o STF deixou de funcionar como uma Corte de Justiça”


Registro aqui a minha repulsa a essa violação do direito de um doente grave ter sido ignorado no que tange à preservação da sua saúde numa UTI. Quem está hoje sendo ameaçado nos seus direitos fundamentais, não é apenas o ex-Presidente Bolsonaro (cuja saúde voltou a piorar após a sumária intimação), mas, no fundo, todos nós, com a violação às normas do Código Civil.














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Liberais e conservadores, uni-vos!

Ubiratan Jorge Iorio

Os predicados da liberdade e das virtudes morais, quando apresentados isoladamente, são universalmente aceitos: nem mesmo ditadores histéricos e coléricos costumam denegrir publicamente a liberdade ou fazer apologia a vícios. Entretanto, quando se considera uma das formas mais elementares de liberdade — a econômica —, é muito comum associá-la com ganância, licenciosidade, permissividade, egoísmo e outras deturpações morais, o que pode levar desavisados a crerem que a liberdade desestimula a virtude. Porém, essa associação é totalmente imprópria, não só porque liberdade e virtude são inseparáveis e indivisíveis, mas principalmente porque serve de pretexto para a supressão da liberdade em favor de objetivos “superiores” decretados pelos mandachuvas — tanto os que têm votos como os que não os têm, mas vestem togas — com suas canetas ameaçadoras sempre à mão.

Mas a verdade é que, quando existe o império da lei, a economia de mercado estimula as virtudes morais. E isso significa que liberais (não no sentido norte-americano, mas no brasileiro, ou seja, defensores da liberdade econômica) e conservadores têm mais pontos em comum do que se costuma imaginar. Para entender tais semelhanças, é conveniente começar por mencionar que em uma sociedade virtuosa e de cidadãos livres há três instituições básicas, a saber: o Estado de Direito, a economia de mercado e a democracia representativa.

O Estado de Direito

Um dos desafios da modernidade no campo político é o de criar regras jurídicas que ao mesmo tempo garantam a autonomia dos indivíduos e limitem a possibilidade de danos perpetrados por terceiros. O ordenamento da sociedade segundo os três Poderes clássicos reflete uma visão realista da natureza social do homem, a qual exige uma legislação adequada para proteger a liberdade de todos. Para tal fim, é essencial que cada Poder seja equilibrado pelos demais e por outras esferas de competência que o mantenham no seu justo limite. Esse é o princípio do Estado de Direito, no qual prevalece a soberania da lei, definida como um conjunto de normas gerais, abstratas e prospectivas de conduta, e não como a expressão da vontade de um indivíduo ou de grupos esparsos de indivíduos. Aliás, na história da civilização, foi a necessidade de regras de justa conduta que levou à necessidade de existência de um ente para formulá-las e as fazer respeitar, ou seja, o Estado.

O Estado de Direito é uma solução prática para minimizar os riscos de corrosão ou mesmo de destruição da liberdade de consciência e de ação dos cidadãos por parte do próprio Estado. Seu objetivo é restringir, tanto quanto possível, as tarefas e os poderes do setor público e do processo político, ampliando ao máximo possível a liberdade individual. É a instituição mais adequada para a implantação da justiça e a única forma de organização jurídica capaz de permitir a convivência livre e harmoniosa dos indivíduos. Todavia, não é uma mera norma legal, mas uma complexa doutrina metalegal e um profundo ideal político, que diz respeito àquilo que o Estado e as leis devem ser. No plano prático ele pode ser entendido como o “império da lei”, ou seja, o respeito à autoridade moral das leis — e não à imoralidade das “leis das autoridades” —, a rigorosa delimitação constitucional dos poderes públicos, a submissão da lei ao princípio da isonomia e à eficácia da justiça.

Alguns princípios básicos configuram o Estado de Direito, como, entre outros: a supremacia da lei, a isonomia, a ausência de privilégios, o respeito aos direitos individuais, a aplicação da justiça, a promoção (e não transferência) da responsabilidade individual, a existência de salvaguardas processuais, a limitação do poder discricionário, o respeito às minorias e o constitucionalismo. O Estado de Direito é uma condição necessária para o bom funcionamento da economia de mercado e para a instauração de uma democracia representativa que não se torne despótica. Ou seja, onde não prevalece o Estado de Direito não podem existir liberdade econômica e democracia verdadeira, porém a sua prevalência não é suficiente para garantir nem uma nem outra.

A economia de mercado

A ordem de mercado pode ser sintetizada na explicação de Hayek de que não existe uma economia (como se fosse um aposento da casa sem comunicação com os demais), mas um sistema extremamente complexo formado por miríades de economias interconectadas, que são as famílias, as empresas e os negócios em geral, e de que a ciência que estuda essas interconexões é a cataláctica (ou cataláxia), que procura analisar as ordens espontâneas produzidas pelo mercado mediante as ações dos indivíduos e baseadas em normas de direito de propriedade, de respeito aos contratos e de obrigações. Uma das características essenciais de uma economia de mercado é a descoberta permanente que proporciona aos participantes, dado que o processo de mercado decorre da ação humana ao longo do tempo de milhões de indivíduos (que nem se conhecem), em condições de incerteza genuína, isto é, não mensurável.

Então, a relação entre moral e economia é necessária e intrínseca: atos econômicos e comportamentos morais se complementam intimamente, e a distinção entre ambos não significa separação entre os seus âmbitos, mas uma importantíssima reciprocidade. A dimensão moral da economia transforma em finalidades indivisíveis, não separadas e não alternativas a eficiência econômica e a promoção de um desenvolvimento solidário. João Paulo II nos deixou uma defesa clara e veemente da economia de mercado segundo essa concepção:

“A atividade econômica, em particular a da economia de mercado, não se pode realizar num vazio institucional, jurídico e político. Pelo contrário, supõe segurança no referente às garantias da liberdade individual e da propriedade, além de uma moeda estável e serviços públicos eficientes. A principal tarefa do Estado é, portanto, a de garantir essa segurança, de modo que quem trabalha e produz possa gozar dos frutos do próprio trabalho e, consequentemente, sinta-se estimulado a cumpri-lo com eficiência e honestidade. A falta de segurança, acompanhada pela corrupção dos poderes públicos e pela difusão de fontes impróprias de enriquecimento e de lucros fáceis fundados em atividades ilegais ou puramente especulativas é um dos obstáculos principais ao desenvolvimento e à ordem econômica” (Carta Encíclica Centesimus Annus, Loyola, São Paulo, 1991, nº 48, p. 65).

Na vida econômica em particular e na vida humana em geral, a primazia da moral é uma lei demonstrável e fundamental para a prosperidade, é um princípio filosófico e empírico que não pode ser violado. Quando isso ocorre, estimulam-se os vícios morais, como preguiça, desonestidade, corrupção, coerção, avareza, apropriação do Estado por máquinas partidárias, conflitos entre os três Poderes e tantos outros que, como traças, corroem a sociedade.

A democracia representativa

A verdadeira democracia não se restringe ao mero respeito formal a certas regras, nem à “vontade da maioria”, e nem aos discursos convenientes de poderosos, mas deve ser o resultado da aceitação dos valores inspiradores dos sentimentos democráticos mais autênticos: a dignidade da pessoa humana, o respeito aos direitos individuais e a consciência de que o bem comum deve ser o fim e o critério regente da vida política. Um dos maiores riscos para as democracias consiste no relativismo moral, que induz subjetivamente à negação da necessidade de critérios objetivos e universais para estabelecer o fundamento e a reta hierarquia de valores. Ora, ao negarmos a existência de verdades consagradas durante muitos séculos na civilização ocidental — a tradição judaico-cristã — para guiar e orientar a ação humana no campo político, então as ideias e as convicções podem ser facilmente instrumentalizadas e utilizadas para fins de poder. Uma democracia sem valores morais sólidos que a fundamentem pode facilmente converter-se em um totalitarismo aberto ou disfarçado (“democracia relativa”), como a história é farta em demonstrar.

A democracia é apenas um dos possíveis ordenamentos da ordem política e social, certamente aquele com menos defeitos que os homens descobriram no processo evolutivo das ordens espontâneas no plano político. Contudo, ela não pode e não deve ser vista como um fim absoluto, mas como um meio, um instrumento a serviço da dignidade da pessoa humana e do bem comum. Seu conteúdo moral não é automático, porque depende da sua conformidade ou de sua falta de conformidade com a lei moral à qual deve estar submetida, tal como acontece, a rigor, com qualquer outra forma de ação humana. Isso significa que a democracia depende da moralidade dos fins que busca e dos meios que utiliza para atingi-los.

Uma democracia representativa, no âmbito de uma sociedade virtuosa, deve atender a diversos requisitos, dentre os quais: o empenho dos eleitos na busca do bem comum; a dimensão moral da representação; o fato de que o Estado existe para servir aos cidadãos (e não para servir-se deles); a punição a qualquer forma de corrupção política, que é uma das mais graves deformações do sistema democrático, porque ela agride a um só tempo os princípios da moral e as normas da Justiça; o acesso de todos às responsabilidades públicas; o respeito total à liberdade de informação, em todos os setores da vida social, a saber, o econômico, o político, o cultural, o educativo e o religioso; o respeito à vontade da maioria, mas com o resguardo da garantia, também, dos direitos da minoria; a não ideologização do Estado e o seu não aparelhamento por representantes do partido que eventualmente ocupa o poder; e a descentralização do poder (princípio da subsidiariedade).

Liberais precisam ser mais conservadores (e vice-versa)

O homem que age e reage no campo moral é o mesmo homem racional e volitivo que age e reage nos campos da economia, da política e da religião, e é também o mesmo que age e reage nos campos cultural, esportivo e artístico. Por outro lado, a vida de todos nós — queiramos ou não — está condicionada à economia que, por sua vez, está vinculada à quantidade e à qualidade dos bens produzidos, ou seja, à atividade produtiva, que é o campo cheio de vida e animação em que deve florescer a liberdade interior dos indivíduos, das associações de indivíduos e das relações entre indivíduos, relações essas que se constituem na fonte da responsabilidade e, portanto, da moralidade das ações humanas e, por conseguinte, dos acertos e erros, das virtudes e dos vícios que existem no mundo.

Não são poucos os economistas liberais que não dão a devida atenção à importância das pautas morais nos processos econômicos e sociais, assim como existem conservadores pouco atentos ao valor da liberdade econômica e da economia de mercado. Seria desejável que ambos reconhecessem a importância e a interdependência das ligações entre economia e moral. Aliás, face à lamentável situação de deterioração institucional que estamos presenciando no Brasil, essa união entre liberais e conservadores, mais do que prudente e urgente, é vital.

Somente uma unidade assim concebida pode ser capaz de vir a formar no futuro uma novus ordo saeculorum, em cujo centro deve estar a liberdade integral e indivisível: a democracia ou liberdade política, a economia de mercado ou liberdade econômica e o pluralismo ou liberdade religiosa e de opinião, ressaltando-se que esta última é a primeira das liberdades, porque é a fonte e a síntese das outras duas. Tais elementos permitem a conciliação entre liberais e conservadores em defesa de uma práxis política objetiva, em cujo centro está a primazia da pessoa humana e que se coloca como diametralmente oposta a qualquer forma de planejamento central, de monopólio do Estado, de intervencionismo e dirigismo econômico, de niilismo, de relativismo moral e de totalitarismo.

-Artigo publicado originalmente na Revista Oeste.


Haja corrupção

 - Lula já mandou pagar R$2,3 bilhões em emendas parlamentares


O governo Lula (PT) já pagou este ano R$2,3 bilhões em emendas parlamentares. O número é do Tesouro Nacional, já que o Portal da Transparência esconde desde o início do ano as despesas do governo petista. A maior parte da grana dos pagadores de impostos bancou emendas individuais (R$1,6 bilhão) e os R$780 milhões restantes em emendas de bancada. Apesar de todo o show do Planalto em consórcio com o STF, Flávio Dino à frente, as emendas têm sido transferidas regularmente todos os meses, este ano.

Nem um mês

O ministro do STF Flávio Dino “suspendeu” emendas, interferiu, fez reuniões, distribuiu ameaças, mas houve pagamentos de janeiro a abril.

Maior de todas

A maior emenda paga este ano pelo governo Lula foi para a bancada do Estado do Tocantins; R$40,5 milhões, só em fevereiro,

Chuva de dinheiro

Araguaína (TO) é o município que mais recebeu emendas em 2025: foram R$ 70,5 milhões, incluindo as duas maiores emendas individuais.

Coincidências

O senador Irajá (PSD-TO) é o campeão em emendas para Araguaína, cujo representante é José Guimarães (MDB), irmão do vice-prefeito.


Diário do Poder






















publicadaemhttps://rota2014.blogspot.com/2025/05/haja-corrupcao-lula-ja-mandou-pagar-r23.html

'Sob um Estado de medo',

 por Flávio Gordon Há método no aparente sadismo com que Alexandre de Moraes mobiliza a força estatal sem eira nem beira contra indivíduos


Em audiência pública realizada no dia 30 de abril, a Comissão de Segurança Pública do Senado (CSP) debruçou-se sobre os áudios recém-vazados de Eduardo Tagliaferro. Tagliaferro é o exassessor de Alexandre de Moraes responsável por chefiar o departamento de censura à internet. Os áudios, referentes a uma conversa telefônica ocorrida entre Tagliaferro e o jornalista exilado Oswaldo Eustáquio no ano passado, haviam sido divulgados no início de abril pelo repórter português Sérgio Tavares (também vítima da polícia política do regime STF-PT). 


Tavares esteve presente à audiência, assim como Glenn Greenwald, jornalista responsável pela série de reportagens da Vaza Toga. Em agosto de 2024 essas reportagens revelaram o modus operandi clandestino de Moraes e seus capangas — dentre eles o próprio Tagliaferro — na perseguição política a críticos e opositores do regime. Os depoimentos dos dois jornalistas (sintomaticamente, ambos de origem estrangeira) nos fazem recordar uma realidade perturbadora: o Brasil vive sob um estado permanente de medo. Um medo calculadamente imposto por um sujeito a quem foram concedidos poderes excepcionais, e que nenhuma instituição hoje se mostra capaz de controlar. 

Escrevi “recordar” no parágrafo anterior porque, a despeito de sua imensa gravidade, aquilo que revelaram Greenwald e Tavares não tardou a cair em esquecimento. Os áudios divulgados pelo segundo — os quais mostram um ex-assessor de Moraes temendo por sua vida — nem sequer receberam a atenção devida. Esse esquecimento já é, em si mesmo, um sinal inequívoco do estado de medo. Assim também como a própria condição de realização da audiência pública na CSP, solenemente ignorada pelo depoente convidado Alexandre de Moraes, e transcorrida numa sessão com baixo quórum. Mais uma prova de que, descontada a resistência movida por uns poucos deputados e senadores, até o Congresso brasileiro, presidido por títeres ou reféns do STF, encontra-se paralisado pelo medo. 


Tavares iniciou sua fala manifestando justamente estranhamento em relação à pouca repercussão dos áudios vazados de Tagliaferro. Afinal, na conversa com Eustáquio, Tagliaferro admitia ter consciência da ilegalidade das ordens recebidas. Que havia tentado sem sucesso pedir exoneração, que gente do Primeiro Comando da Capital (PCC) poderia estar atrás dele e que até um primo teria recebido dinheiro para assassiná-lo. 


Em seguida, o jornalista português lamentou que Tagliaferro não tivesse aceitado o convite para depor na audiência pública, pois teria a chance de explicar por que, aparentemente, seu plano de fuga do Brasil foi abortado e por que, desde a conversa com Eustáquio, nunca mais apareceu na imprensa para expor o que sabe. De acordo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), autor do requerimento para a oitiva de Tagliaferro, o ex-assessor pediu outra data para ser ouvido remotamente, o que sugere que talvez ele já não esteja no Brasil. Por enquanto, todavia, Tagliaferro também parece ter sido paralisado e silenciado pelo medo que paira sobre o país. 

Mais um inquérito ilegal 


Glenn Greenwald, por sua vez, relembrou o conteúdo das matérias da Vaza Toga, e também lamentou que parte dele tenha sido tão rapidamente esquecida ou que não tenha recebido a devida atenção. O jornalista contou que, ao procurar entrevistados do meio jurídico para as reportagens (incluindo gente poderosa), muitos negaram permissão à publicação das críticas que, privadamente, haviam feito sobre Moraes: “Tinham medo de quais seriam as consequências de criticar Moraes publicamente”. 


Em seguida, Greenwald contou como Moraes agiu para impor esse clima de medo aos próprios jornalistas autores da Vaza Toga e ao veículo que as publicou, a Folha de S.Paulo. Adotando a mesma retórica política que usou em todos os seus inquéritos, Moraes sugeriu que também eles haviam passado a colaborar com a “organização criminosa” de “extrema direita” que tentava “minar a credibilidade das instituições”. 


Assim, os jornalistas foram incluídos em mais um inquérito ilegal criado para descobrir a identidade da fonte. “Ele sempre interpreta toda crítica, reportagem ou denúncia como um  crime” — disse Greenwald. “Faço jornalismo que incomoda figuras de autoridade há muito tempo. Mas nunca vi jornalistas sendo formalmente incluídos numa investigação desse tipo.”


A solidão pública 


A sessão de hoje na CSP do Senado me fez recordar de Um Dia Viveremos Sem Medo: A Vida Cotidiana Sob o Estado Policial Soviético, grande livro do historiador e economista Mark Harrison. O livro se insere numa linha de pesquisa que tem por antecessores obras exemplares, como o clássico de Robert Conquest sobre o grande expurgo stalinista (publicado ainda nos anos 1960, antes da abertura dos arquivos de Moscou), ou o livro de Orlando Figes sobre a vida privada na Rússia de Stalin. O estudo documenta um período de quatro décadas de totalitarismo, com base no estudo de sete casos individuais de vítimas da polícia política soviética. 


A partir deles, o autor destrincha os princípios básicos sobre os quais a polícia política operou durante sua história, desde a revolução bolchevique de 1917 até o colapso da URSS, em 1991. Abrangendo uma vasta porção da paisagem geográfica soviética, das fronteiras manchurianas com a China aos limites da região báltica, as histórias são variações sobre um mesmo tema: em cada caso, algo acontece que dispara uma investigação, conduzida sempre de maneira pérfida e fraudulenta, de modo que a coisa escale até o aniquilamento completo da vítima. 


Dentre os princípios do Estado policial elencados pelo autor, destacase a ideia de que “a ordem é criada mediante aparências”. Os dirigentes soviéticos sabiam ser impossível conhecer os pensamentos mais íntimos dos indivíduos. Portanto, em vez de atacar diretamente a esfera dos pensamentos privados, seu foco estava no controle do comportamento público de alvos selecionados para servir de exemplo. Isso implicava recusar-lhes qualquer alternativa que não a de se conformar. 


A cada vez que alguém pensasse em divergir, o regime recorria ao terror estatal como forma de forçar os alvos a, no mínimo, aparentar lealdade para com os próceres. Cada aparência de lealdade, por sua vez, exercia um notável efeito sobre os outros. Ao conformar-se, cada um espelhava a conformidade daqueles ao seu redor, e o resultado era uma imagem hiperbólica de lealdade. Assim, embora muitos pudessem entreter privadamente pensamentos rebeldes, cada um se sentia publicamente sozinho.


A perpetuação do medo 


Nas palavras de Harrison: “Sob Stalin, o regime soviético foi violento. Para manter o regime no poder, milhões de pessoas foram presas, detidas, deslocadas, sujeitas à fome, escravizadas ou eliminadas. A violência era indiscriminada; a maioria desses milhões sofreram não por serem conhecidos inimigos do regime, mas por serem vistos como inimigos potenciais a serem neutralizados antes de fazer o mal, ou mesmo inimigos ‘inconscientes’”.

No Brasil de nossos dias, Alexandre de Moraes age sob princípios perfeitamente stalinistas. Exige uma aparência de lealdade mediante a tática do medo, que não pode prescindir da espetacularização do poder de polícia. Escolhe suas vítimas para servirem de exemplo, donde a preferência pelas mais fracas e vulneráveis ao aparato repressor do Estado. Portanto, há método no aparente sadismo com que o mobiliza a força estatal sem eira nem beira contra indivíduos. 


O método é a perpetuação do medo. E a medida da duração do regime é a medida da duração desse medo. Converto, pois, em pergunta a promessa do título da obra de Harrison: um dia viveremos sem medo? 



Revista Oeste

















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'Faltou pouco'  Francis encerrou a conversa que não tive com Vargas Llosa 

 Augusto Nunes - 


Mario Vargas Llosa também não escapou do enterro de segunda — em cova rasa e na ala dos indigentes — com o qual órfãos do Muro de Berlim infiltrados no jornalismo estatizado tentam vingar-se do sumiço do mastodonte soviético. 


Espremidas em espaços raquíticos, informações paupérrimas só serviram para confirmar que os autores dos textos não sabiam direito quem estavam sepultando: todos se afogariam na própria estupidez caso tentassem cruzar dois parágrafos de Vargas Llosa. 


No dia seguinte, “críticos literários” incapazes de lidar com álbuns de figurinhas resolveram fuzilar o cadáver. 


“O ficcionista peruano escreveu alguns livros de boa qualidade, mas se perdeu em análises políticas que continham pouquíssimos acertos e uma infinidade de bobagens”, decidiu um VAR de consoantes e vogais produzido pela USP. 


A “boa qualidade” lhe valeu o Nobel de Literatura e o tornou um dos mais premiados escritores da história. Tudo isso vale menos que zero desde o pecado irremissível cometido em 1971. Ao constatar que Cuba se transformara numa ditadura detestável como todas, e que o Fidel Castro que apoiara com entusiasmo não existia no mundo real, o democrata radical rompeu publicamente com a ditadura caribenha – e até o fim da vida combateu ditaduras à esquerda e à direita. \


O ficcionista virou apenas mais um nome na prateleira. Restou o reacionário extremista a neutralizar.

“Sou contrário a que divergências políticas se convertam em inimizades pessoais”, disse numa entrevista ao jornalista Ricardo Setti. “Isso me parece uma manifestação de barbárie.” Mas o Vargas Llosa elegante, gentil, cosmopolita e risonho convivia harmoniosamente com o peruano persistente, determinado, sem medo e bom de briga. Em vão, o pai autoritário fez o diabo para que o filho esquecesse a ideia de ser escritor. Achava aquilo “coisa de maricas e boêmios”. Era pouco mais que um adolescente quando escreveu a obra de estreia — a mão, usando uma caneta, como escreveria todas as outras. Nada a ver com apego a tradições e objetos antigos. Ele apenas gostava de escrever assim. Um conservador, aliás, não faria o que fez no parcialmente autobiográfico Tia Júlia e o Escrevinhador. 


Parece mentira, mas ele tinha 19 anos quando se casou com Julia Urquidi, algumas primaveras a mais. Ela era irmã de uma mulher casada com um tio do escrevinhador Varguitas, algunha facilmente decifrável de Vargas Llosa. Ousadia nunca lhe faltou. Ele enfrentou a parentela enfurecida com a mesma bravura que esbanjaria depois de dizer a verdade sobre Cuba. Nenhuma surpresa, portanto. O que eu não poderia imaginar é que o mesmo livro contribuiria para impedir a concretização, em abril de 1995, do sonho perseguido anos a fio: conversar com Vargas Llosa ao menos por meia hora. Faltou pouco. Para ser preciso: faltou controlar o indomável Paulo Francis. 


Eu estava em Porto Alegre porque dirigia a redação da Zero Hora, que publicava as colunas de Francis. Meu querido amigo estava lá a convite do Instituto de Estudos Empresariais, que desde 1988 organiza o Fórum da Liberdade, uma movimentadíssima sequência de palestras e debates. Francis figurava no elenco de palestrantes. Vargas Llosa também, informava a lista. 


“É hoje!”, exclamei ao ver o nome. 


Francis e eu nos juntamos à multidão que buscava acomodar-se no salão de jantar. Avistei duas cadeiras vazias numa das mesas quadradas para quatro, sem lugar marcado. Ao sentar-me, ficou-me claro que chegara a minha vez. Francis estava à minha esquerda. Vargas Llosa, à direita. À minha frente, o economista Roberto Campos contemplava o infinito. 


Durante a tarde, Francis e eu tínhamos consumido várias doses de uísque. Antes mesmo de cumprimentarmos os dois companheiros de jantar laçamos o primeiro garçom que passava e pedimos mais duas doses.


Campos, com expressão de cansaço, quis vinho. Vargas Llosa reivindicou um copo de água mineral. 


— Para começar… — informou.


Não haveria continuação. Às voltas com um surto de surdez, Francis andava falando alguns decibéis acima da linha do grito. Empunhando o copo, ele contemplou Roberto Campos por meio minuto e, subitamente, soltou a voz: 


— Quem diria, hein, Nunes!? Eu era comunista. Agora estou à direita do Roberto Campos!


O restante da mesa fez de conta que nada ouvira. Uns 30 espectadores nas proximidades não seguraram o riso. Nos dois minutos seguintes, Francis passeou os olhos pela figura do escritor famoso. “Pois é…”, murmurou. Foi subindo o tom a cada sílaba. “Todo bonitão, cabelo de sobra, cada fio em seu lugar…” E então berrou: “Terno bem cortado, jeitão de gente fina… Mas fugiu com a tia, porra!”


Pedi a Francis que fosse comigo até o banheiro. Quando voltamos, Roberto Campos e Vargas Llosa tinham sumido. Nunca mais vi de perto o imenso escritor que partiu. Não houve aquela conversa de pelo menos meia hora. Nem haverá.


Augusto Nunes - Revista Oeste

















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ONDE HÁ FUMAÇA...

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POR TRÁS DA ANEDOTA SEMPRE HÁ UM CASO VERÍDICO



'O Cavalo de Troia do STF',

 por Ana Paula Henkel  A história não perdoa traidores, e Hugo Motta escreve seu epitáfio


V olte no tempo, para quando os gregos, com um cavalo de madeira gigante, enganaram os troianos, escondendo traição em um presente reluzente. Seduzidos pela falsa vitória, os troianos arrastaram o embuste para dentro das muralhas, ignorando os gritos de Cassandra e Laocoonte. À noite, os guerreiros gregos emergiram, abriram os portões, e Troia virou cinzas. 


Em 2025, o Brasil tem seu próprio Cavalo de Troia: Hugo Motta, o jovem presidente da Câmara dos Deputados que escalou o poder com promessas tão falsas quanto aquele equino ancestral. Eleito sob a bandeira do Projeto da Anistia, um projeto de lei para libertar cidadãos injustamente presos pela cruzada política de Alexandre de Moraes, Motta revelou sua verdadeira face. 


Após um jantar aconchegante na casa de Moraes e uma viagem ao Japão com o presidente Lula, envolto em mais um grande escândalo de corrupção — agora roubando aposentados e velhinhos —, Motta decidiu que o PL da Anistia “não era tão importante”. Surpresa! Conheçam o mais novo fantoche do Supremo Tribunal Federal, um traidor sem espinha que trocou a coragem do discurso de proteger a Constituição por um lugar à mesa do STF. 


O jovem deputado, com aura de velha política, também está tergiversando sobre a CPI do INSS, que investigaria o roubo de pensões de idosos. Motta não é líder; é marionete, protegendo corruptos e ecoando traições históricas.

Narrado na Ilíada de Homero, a história do Cavalo de Troia é a metáfora perfeita para Motta. Por volta do século 8º a.C., os gregos, exaustos após uma década de cerco, construíram um cavalo de madeira, esconderam guerreiros dentro dele e o ofereceram como presente. Os troianos, deslumbrados, ignoraram todos os alertas de perigo, celebraram a “oferta” e arrastaram-no para dentro da cidade. Naquela noite, os gregos escondidos saíram do cavalo, e Troia foi invadida. 


Motta segue o mesmo roteiro. Ele se apresentou com sorrisos e promessas de defensor da justiça, garantindo que pautaria o Projeto da Anistia para corrigir as prisões arbitrárias ordenadas por Moraes, que, sob o pretexto de “proteger a democracia”, silenciou dissidentes após o 8 de janeiro de 2023. Esse dia, longe de ser um golpe, foi um protesto caótico, explorado para justificar uma caça às bruxas contra cidadãos comuns, muitos presos sem provas sólidas, rotulados como ameaças por postagens, opiniões ou até um batom. 


Motta, com sua juventude e discurso inflamado, convenceu aliados de que seria o porta-voz da correção desses abusos. Assim como os troianos, congressistas da ala da direita compraram a fachada reluzente de Motta, entregando-lhe os votos para liderar a Câmara. Mas Motta mostra agora que pode ter sido uma armadilha, um cavalo recheado de traição, pronto para abrir os portões aos interesses do STF e do Planalto. 

Jantares, viagens e conchavos A primeira facada foi dada em março, com um jantar na residência de Alexandre de Moraes em Brasília. Entre figurões do STF e aliados do governo, Motta e Moraes cruzaram a noite imersos no poder. Entre outros bajuladores, Moraes lembrou a todos quem dita as regras em Brasília. O presidente da Câmara, com sua juventude e suposta ousadia, poderia ter resistido e usado sua posição para frear o autoritarismo que vem destruindo o Brasil. Mas dobrou os joelhos e mudou de lado. 


Antes da eleição da Câmara, o paraibano bradava que o Projeto da Anistia era vital, uma tábua de salvação para presos sob acusações frágeis e forjadas, muitos sem direito a um julgamento justo, apenas por desafiarem o establishment. 


Depois do jantar, deu de ombros, dizendo que o projeto não é tão importante assim. Se isso não é um movimento de Cavalo de Troia — infiltrar-se com falsas promessas e depois trair o movimento que o sustentou —, então o que é? Motta não é apenas um vira-casaca; ele se tornou mais um cãozinho de Moraes, abanando o rabo por migalhas de aprovação do STF. Muitos especularam que pressões — ou até chantagem — o teriam dobrado. O jantar marcou Motta como apenas mais um peão, um jovem promissor reduzido a eco das ordens do Supremo. 


A viagem ao Japão com Lula, em abril, foi o segundo ato da traição. Lula, cuja carreira é manchada por escândalos de corrupção, fez questão de levar Motta em sua comitiva de luxo. O que aconteceu em Tóquio? Talvez acordos nos bastidores ou apenas o brilho do poder presidencial, mas o Motta que voltou é ainda mais subserviente. Segundo aliados, ele voltou mais alinhado ao Planalto, rindo de piadas no avião e distante de suas promessas. Ao retornar, intensificou o desprezo pelo Projeto da Anistia, ignorando os apelos de aliados e das famílias dos presos, que lotam audiências na Câmara com cartazes e lágrimas. 


A mensagem é clara: Motta não lidera; ele segue ordens, dançando ao som de Moraes e Lula, enquanto os inocentes apodrecem em celas e a confiança de seus eleitores vira pó.

Agora, o escândalo do INSS expõe ainda mais sua covardia. A fraude, que atinge milhões de idosos, envolve associações como o Sindnapi, cujo vice-presidente é Frei Chico, irmão de Lula. A oposição, liderada por deputados como Coronel Chrisóstomo (PL-RO) e Nikolas Ferreira (PL-MG), reuniu 185 assinaturas para instalar uma CPI na Câmara, exigindo respostas. Mas Motta, o guardião da Casa, foge. 


Ele alega uma “fila” de 11 outros pedidos de CPI e recusa-se a priorizar a investigação que poderia expor a corrupção no coração do Planalto. No Senado, Damares Alves (Republicanos-DF) busca uma CPMI, já com 27 assinaturas, para contornar sua relutância. Enquanto isso, os aposentados, especialmente na Paraíba, terra de Motta, sofrem com pensões mutiladas. A história é implacável com covardes — e Motta está com um bilhete só de ida para a infâmia. 


Traições históricas O Brasil já viu traições assim. Em 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca, monarquista leal que serviu Dom Pedro II por décadas, liderou o golpe que proclamou a República, depondo o imperador sob o pretexto de “progresso”. Pressionado por elites republicanas e militares, Deodoro traiu seu juramento, enganando o imperador e o povo que confiava na estabilidade da monarquia. Dom Pedro II, exilado na França, morreu em 1891, enquanto Deodoro presidiu um regime instável, marcado por crises e corrupção — mentiras que derrubaram um imperador, um eco da falsidade de Motta ao prometer justiça e entregar subserviência. Deodoro, como Motta, trocou lealdade por poder. 


Em 1780, o general Benedict Arnold, herói da Revolução Americana, por pura ganância e embebedado no poder, traiu seus compatriotas e planejou entregar West Point aos britânicos por dinheiro. 


Descoberto, fugiu, e seu nome virou sinônimo de traição. Vidkun Quisling, primeiro-ministro da Noruega nos anos 1940, se aliou aos nazistas, entregando seu país aos capangas de Hitler para salvar a própria pele. Executado em 1945, o nome de Quisling é lama, uma entrada no dicionário para entreguismo e covardia. 


Na Revolução Francesa, os girondinos, moderados que apoiaram a República, recuaram em 1793 diante do terror jacobino, mas foram guilhotinados mesmo assim. Motta segue o mesmo roteiro.

Nota de rodapé Ele poderia ter honrado o Projeto da Anistia, enfrentado o absoluto descontrole de Moraes, ou apoiado a CPI do INSS para expor a corrupção e corrigir os terríveis roubos cometidos contra os aposentados. Teve a chance de se manter firme, de honrar as alianças que o alçaram ao poder, de lutar por aqueles injustamente esmagados pela cruzada de Moraes. Em vez disso, cedeu e escolheu jantares, viagens e conchavos, temendo o STF ou Lula — ou apenas seduzido pelo poder. 


Motta teve a chance de ser líder, de marcar a história com coragem. Optou por ecoar Deodoro, Arnold e Quisling, cujos legados são puro desprezo. Os troianos pagaram por sua ingenuidade vendo Troia queimar. Os aliados de Motta, que o elegeram, veem suas esperanças incineradas. A história não perdoa traidores, e Motta escreve seu epitáfio. 


Quando os livros de história se fecharem, Hugo Motta não será um herói. Será uma nota de rodapé, um fantoche covarde que deixou a justiça queimar enquanto brindava com o incendiário. 


Vergonha, Hugo Motta. A história está assistindo — e sua memória é implacável.


Revista Oeste



















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