Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

República de bandidos e a reação da ministra

Deu no Estadão 
Ninguém melhor do que a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, para expressar o sentimento de frustração que atinge em cheio os brasileiros: “Na história recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós acreditou no mote segundo o qual a esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a Ação Penal 470 (o mensalão) e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora constata-se que o escárnio venceu o cinismo”.
Nessa síntese está toda a trajetória dos embusteiros petistas que, desde a primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, prometeram fazer uma revolução ética e social no Brasil e agora, pilhados em escabrosos casos de corrupção, caçoam da Justiça e da própria democracia.
O mais recente episódio dessa saga indecente, ao qual Cármen Lúcia aludia, envolveu ninguém menos que o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral. Em conluio com o banqueiro André Esteves, o petista foi flagrado tentando comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, que ameaçava contar o que sabia sobre a participação de ambos no petrolão.
NATURALIDADE
As palavras de Delcídio, capturadas em áudio gravado por um filho de Cerveró, são prova indisputável da naturalidade com que políticos e empresários se entregaram a atividades criminosas no ambiente de promiscuidade favorecido pelo governo do PT. Como se tratasse de uma situação trivial – a conversa termina com Delcídio mandando um “abraço na sua mãe” –, um senador da República oferece dinheiro e uma rota de fuga para que o delator que pode comprometê-lo e a seu financiador suma do País. Os detalhes são dignos de um arranjo da Máfia e desde já integram a antologia do que de mais repugnante a política brasileira já produziu.
Delcídio garantiu a seus interlocutores que tinha condições de influenciar ministros do Supremo Tribunal Federal e políticos em posições institucionais destacadas para que os objetivos da quadrilha fossem alcançados. O senador traficou influência. Mas o fato é que, hoje, as ramas corruptas que brotam do sistema implantado pelo PT se insinuam por toda a árvore institucional – com raras e honrosas exceções, entre elas o Supremo, que vem demonstrando notável independência.
Exemplo do contágio é que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), estão sendo investigados pela Lava Jato. A nenhum dos dois ocorreu renunciar a seus cargos para que não sofressem a tentação de usar seu poder para interferir no processo, como já ficou claro no caso de Cunha. Renan, desta vez, tentou manobrar para que fosse secreta a votação do Senado que decidiria sobre a manutenção da prisão de Delcídio, na presunção de que assim os pares do petista o livrariam, criando uma blindagem para os demais senadores – a começar por ele próprio. Temerosos da opinião pública, os senadores decidiram votar às claras e manter Delcídio preso.
SEM SOLIDARIEDADE
Enquanto isso, o PT, com rapidez inaudita, procurou desvincular-se de Delcídio, dizendo que o partido “não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade”, já que o senador, segundo a direção petista, agiu apenas em favor de si próprio.
Se Delcídio tivesse cometido seus crimes para abastecer os cofres do PT, seria mais um dos “guerreiros do povo brasileiro”, como os membros da cúpula do partido que foram condenados no mensalão e no petrolão.
O PT e o governo não enganam ninguém ao tentar jogar Delcídio aos leões. O senador era um dos principais quadros do partido, era líder do governo no Senado e um dos parlamentares mais próximos da presidente Dilma Rousseff e de Lula.
PUTREFAÇÃO
Sua prisão expõe a putrefação da política proporcionada pelo modo petista de governar.
Também ninguém melhor do que a ministra Cármen Lúcia, que resumiu a frustração dos  brasileiros de bem, para traçar o limite de desfaçatez e advertir a canalha que se adonou da coisa pública sobre as consequências de seus crimes: “O crime não vencerá a Justiça” e os “navegantes dessas águas turvas de corrupção e das iniquidades” não passarão “a navalha da desfaçatez e da confusão entre imunidade, impunidade e corrupção”.
É um chamamento para que os brasileiros honestos não aceitem mais passivamente as imposturas dos ferrabrases que criaram as condições para que se erigisse aqui uma desavergonhada república de bandidos.







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FRASES DE CARLOS LACERDA CONTRA O COMUNISMO

 por Carlos Azambuja.
  • ...pois já são muitos os subjugados pelo medo, o medo de parecer reacionários e o medo de lutar contra o inevitável. O medo de se opor e o medo de não se opor. O comunismo é que é reacionário. E não é inevitável."
  • "O domínio pela coação psicológica e intelectual prepara monstros de conformismo, como os aleijões intelectuais que, mal saídos de uma universidade católica, vão dirigir a União Nacional dos Estudantes, ramo brasileiro da União Internacional com sede em Praga, ninho de filhotes de quinta-coluna; e de lá saem, pela mão do presidente em exercício da República, para dirigir a Reforma Agrária, em cujo nome tantos crimes se cometem – crimes contra a Constituição, contra a produção, contra a educação."
  • O comunismo é um sistema de poder totalitário no qual uma casta burocrática e privilegiada, reunindo pela primeira vez no mundo moderno todos os instrumentos do poder nas mesmas mãos, possui ao mesmo tempo os meios de produção e de troca e todos os meios de enquadramento político e cultural, dos quais se serve ditatorialmente.
  • Eis uma síntese para recordar o que o maior brasileiro de seu tempo, Carlos Frederico Werneck de Lacerda, escreveu no prefácio do livro "Em cima da Hora", de Suzanne Labin, editado no Brasil em 1964, traduzido por Lacerda antes de março de 64.
  • No prefácio, Carlos Lacerda escreveu que o livro "Em Cima da Hora" é uma importante contribuição à luta pela democracia no Brasil, pois são impressionantes a ignorância e a candura com que se faz o jogo dos soviéticos, na infiltração, na propaganda e na conquista deste país, decisivo para a América Latina e para o próprio destino da liberdade no mundo.
  • "Os liberais arrependidos, os socialistas retardados, os religiosos tomados de surpresa, os ensaístas deslumbrados, os jornalistas alfabetizados, os intelectuais ressentidos, os desajustados da liberdade, os novos-ricos de certos bancos e os novos-pobres de certo espírito, formam as mais estranhas combinações para abrir caminho à propaganda, ao sofisma, às ideias-força da Guerra Subversiva que os soviéticos movem contra o mundo livre.""Sem defesa adequada, com os partidos em dissolução, as Forças Armadas intrigadas e perplexas, a própria Igreja Católica ameaçada de divisão e de se colocar, em vários setores, a serviço da subversão pensando que assim se renova, o que mais admira é como o Povo, o simples e bom Povo do Brasil ainda não se convenceu, de vez, que o regime soviético é o melhor. Pois, de todos os lados, os responsáveis pela sua formação cultural, espiritual, econômica, e pela sua defesa militar, ou tentam convencê-lo a se entregar ou se omitem, com o pavor de não serem admitidos no paraíso soviético que pretende abrir aqui uma sucursal."
  • "Um Presidente da República tem o desplante de dizer que a Constituição que jurou defender e nunca respeitou nem cumpriu, está superada. E contra ela mobiliza, numa aliança natural, os negocistas e os comunistas, igualmente interessados em saquear o Brasil, privando-o da ordem democrática, da ordem com liberdade, da liberdade com responsabilidade."
  • "Há os que dizem: é inútil combater o comunismo, o que há a fazer é combater a miséria. Supondo que a miséria acabe no mundo antes do comunismo, tomemos o argumento: o comunismo só vence onde há miséria. Logo, ele precisa da miséria para vencer. Portanto, cada vez que se aceita a colaboração dos comunistas e seus auxiliares na alegada luta contra a miséria, está-se trazendo um balde de gasolina para apagar o incêndio."
  • "Outro argumento apresentado com freqüência é o da "coexistência pacífica". Supor que a ditadura soviética se deixará confinar nos territórios já ocupados, e uma nova linha de Tordesilhas dividirá o mundo entre zonas de influência dos Estados Unidos e da Rússia, que se respeitarão entre si, é uma versão nova do espírito de Munique."
  • Com deplorável leviandade, fruto da aflição servida pela ignorância, certos prelados confundem economia social com assistência social, e Jesus Cristo com Jean Jacques Rousseau. Uma epidemia de oportunismo, agravada pela ignorância e pelo pedantismo se apossa do Brasil. Este é bem o momento de fazer ouvir a voz clara e sincera de uma inteligência poderosa, leal à missão que se impôs."
  • "Certo, há que lutar pelo bem-estar social. Mas, a condição de êxito dessa luta é a eliminação do comunismo. Não é só a miséria a estimular o comunismo. É o comunismo a estimular a miséria."
  • "Poucos fatores podem ser tão decisivos, na guerra política, quanto um livro. Foi com livros que Lênin deu saída à Revolução Russa. É com livros, é com idéias que podemos fazer a Revolução Brasileira."
  • "Quem quiser entender o que se está passando no Brasil, e contribuir para mudar esses acontecimentos terríveis, deve ler este livro. Os inimigos também. Ele só não adianta aos tolos."
Carlos Azambuja, historiador, é autor de A Hidra Vermelha.







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ESTADOS UNIDOS E ISLÃ – PEQUENA AULA DE HISTÓRIA

 por Alexandre Borges.
A última de Barack Obama foi dizer que os muçulmanos ajudaram a construir os EUA, que a história do país está entrelaçada com a história dos muçulmanos que estavam lá desde o começo.
Pelo jeito, Obama andou pulando algumas aulas de história. Vamos lá:
- Quando os EUA nasceram, no final do séc. XVIII, havia uma grave crise com os muçulmanos do norte da África. Eram povos oficialmente muçulmanos, que viviam sob as leis do Corão.
- Estes islâmicos atacavam os navios que passavam pelo Mediterrâneo, incluindo americanos, sequestrando, escravizando e matando ocupantes, além de saquear a carga. Os navios americanos eram normalmente protegidos pela marinha inglesa antes da independência mas depois de 1776 era cada um por si.
- Os piratas muçulmanos cobravam fortunas como resgate dos reféns e os preços sempre subiam a cada sequestro bem sucedido. Thomas Jefferson se opôs veementemente aos pagamentos mas foi voto vencido, os EUA e as outras nações com navios sequestrados estavam aceitando pagar os resgates e subornar os piratas. O presidente americano era George Washington.
- Por volta de 1783, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin e John Adams vão para a Europa como embaixadores para negociar tratados de paz e cooperação. Os EUA nasceram em 1776 e estavam mergulhados até então na Guerra de Independência. Assim que a situação acalmou, essas três figuras icônicas saem em missão diplomática para representar o país.
- Em 1786, depois de dois anos de conversas diplomáticas com os islâmicos, Thomas Jefferson e John Adams encontraram com o embaixador dos povos que ficavam na região de Trípoli, na atual Líbia, chamado Sidi Haji Abdul Rahman Adja. Jefferson estava incomodado por conta dos ataques que não acabavam mesmo com todos os esforços de paz e quis saber com que direito os muçulmanos sequestravam e matavam americanos daquele jeito.
- A resposta que ouviu marcou Jefferson para sempre: "o islã foi fundado nas Leis do Profeta, que estão escritas no Corão, e diz que todas as nações que não aceitarem a sua autoridade são pecadoras, que é direito e dever declarar guerra contra seus cidadãos onde puderem ser encontrados e fazer deles escravos e que todo muçulmano que for morto na batalha irá com certeza para o Paraíso." Jefferson ficou chocado, ele não queria acreditar que uma religião literalmente mandava matar todos os infiéis e que quem morresse na batalha iria para o paraíso.
- Durante 15 anos, o governo americano pagou os subornos para poder passar com seus navios na região. Foram milhões de dólares, uma quantia que representava 16% de todo orçamento do governo federal. O primeiro presidente do país, George Washington, não queria ter forças armadas permanentes por não ver riscos de ataques ao país, mas os muçulmanos mudaram esta idéia. Os subornos serviriam para evitar a necessidade de ter forças militares mas não estavam funcionando porque os ataques continuavam. Quando John Adams assume, o segundo presidente, as despesas sobem para 20% do orçamento federal.
- Em 1801, Jefferson se torna o terceiro presidente americano e, mal tinha esquentado a cadeira, recebe uma carta dos piratas aumentando o butim. Ele fica louco e, agora como presidente, diz que não vai pagar nada.
- Com a recusa de Jefferson, os muçulmanos de Trípoli tomaram conta da embaixada americana e declararam guerra aos EUA. Foi a primeira guerra da América após a independência, a marinha americana foi criada exatamente para esse conflito. As regiões das atuais Tunísia, Marrocos e Argélia se juntaram aos líbios na guerra, o que representava praticamente todo norte da África com exceção do Egito.
- Jefferson não estava para brincadeira. Mandou seus navios para a região e o conflito durou até 1805, com vitória americana. O presidente americano ainda colocou tropas ocupando no norte da África para manter a situação sob controle.
Thomas Jefferson ficou realmente impressionado com o que aconteceu. Ele era contra guerras e escreveu pessoalmente as leis de liberdade e tolerância religiosa que estão na origem da Constituição americana, mas ele entendeu que o Islã é totalmente diferente, era uma religião imperialista, expansionista e violenta.
Jefferson mandou publicar o Corão em inglês em 1806, lançando a primeira edição americana. Ele queria que seu povo conhecesse o Corão e entendesse aquele pessoal do norte da África que roubava, saqueava e matava, cobrava resgates e que declarou guerra quando os pagamentos cessaram.
Durante 15 anos, um diplomata de Jefferson chegou a dizer, os americanos eram atacados porque não atacavam de volta e eram vistos como fracos. A fraqueza americana foi um convite para os muçulmanos daquela época como é para o ISIS hoje. Só houve paz na região quando Jefferson atacou e venceu a guerra, depois ocupando o território. Não tem mágica, é assim que se faz.
Barack Obama quer saber como os muçulmanos estão na história americana? Eles estão como os motivadores da primeira guerra, eles forçaram a criação das forças armadas que nem existiam e fazem parte até do hino dos marines que começa com "From the Halls of Montezuma / To the shores of Tripoli".






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A quem interessava o silêncio de Cerveró

Ricardo Noblat
A quem interessava o silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, que o senador Delcídio Amaral (PT-MS) tentou comprar por R$ 50 mil mensais e tudo o mais que ele precisasse para fugir do Brasil?Interessava a ele, Delcídio, a quem Cerveró citara em depoimentos à Polícia Federal. E também ao banqueiro André Esteves, dono do Pactual, igualmente citado por Cerveró.Mas não interessava somente a eles. Na delação premiada que negociara com o juiz Sérgio Moro, Cerveró havia dito que a presidente Dilma sabia de tudo sobre a compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena.
A compra causou um prejuízo gigantesco à Petrobras. Houve pagamento de propinas aos envolvidos com o negócio. E dinheiro sujo acabou repassado ao PT para pagar dívidas da campanha de Lula em 2006.
Na época, Dilma era a toda poderosa presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Nada se compra ou se vende ali sem autorização expressa do Conselho.
Dilma afirmou que se baseara em um parecer “tecnicamente falho” para aprovar a compra de Pasadena. É possível. Mas Cerveró está disposto a provar que ela mentiu.
Razoável imaginar, portanto, que a eventual compra do silêncio de Cerveró interessasse, pois, a Dilma e a Lula, fora Delcídio e André. E a quem mais? A todos os que temem a Lava-Jato.
A operação correu risco de ser torpedeada pela ação de Delcídio e de André, segundo concluiu o ministro Teori Zavaski, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal.
Nos últimos meses, raras foram as vezes em que Lula esteve em Brasília e não se reuniu com Delcídio. Os dois aprontam juntos desde o primeiro governo de Lula.
Delcídio ajudou Lula a sobreviver o mensalão como presidente da CPI dos Correios que denunciou... os mensaleiros. Marcos Valério, operador do mensalão, um dia procurou Delcídio.
Disse que queria dinheiro para não revelar o que sabia. Delcídio foi a Lula e contou o que ouvira de Marcos Valério. Lula orientou-o a procurar Paulo Okamotto, o tesoureiro da família dele, hoje presidente do Instituto Lula.
Deu certo a operação de compra do silêncio de Marcos Valério. Por que não daria certo a operação de compra do silêncio de Cerveró? Não deu porque o filho de Cerveró a denunciou.
Não há um só suspeito pela gatunagem na Petrobras que não lamente o insucesso da dupla Delcídio-André Esteves.










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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Cerveró estremece o poder

ISTOÉ - Independente -Mário Simas Filho
Por que o PT tem tanto medo de CerveróAlém de colocar Dilma, Lula, Palocci e Gabrielli no Petrolão, ex-diretor Internacional da Petrobras pode levar a Lava Jato para dentro do BNDES
 Desde 14 de janeiro, quando os agentes da Lava Jato levaram o ex-diretor de Assuntos Internacionais da Petrobras, Nestor Cerveró, para a carceragem de Polícia Federal em Curitiba (PR), petistas de alto escalão vinham demonstrando uma enorme preocupação com uma possível delação premiada. Ao longo dos últimos dois meses, em conversas reservadas, amigos de Lula que têm o hábito de frequentar o instituto que carrega o nome do ex-presidente, mais de uma vez disseram que uma delação de Cerveró teria maior teor explosivo do que as colaborações policiais que pudessem ser feitas por empresários e lideranças políticas. No Palácio do Planalto, entre os mais próximos da presidente Dilma, a conversa não era diferente. Na semana passada, quando ficou praticamente sacramentada a delação de Cerveró, o que era preocupação se transformou em medo explícito. Petistas e aliados têm a certeza de que as revelações do ex-diretor da Petrobras podem levar tanto Dilma como Lula para o olho do furacão, além de comprometer outros líderes ilustres como José Dirceu, Antônio Palocci, Graça Foster e José Sérgio Gabrieli. Na noite da quinta-feira 26, era voz corrente tanto no Planalto como no Instituto Lula que Cerveró detém informações que vão além das falcatruas perpetradas na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA – um negócio que trouxe à estatal um prejuízo avaliado em cerca de US$ 800 milhões – e que pode efetivamente vincular a presidente Dilma ao escândalo do Petrolão (leia reportagem na pág. 48). “Como conhece muito bem os negócios feitos pela Petrobras fora do País, o Cerveró poderá colocar a Lava Jato dentro do BNDES”, avalia um cacique petista que conversa frequentemente com o ex-presidente Lula.
ELE ESTREMECE O PODER
Delação de Nestor Cerveró transcenderá compra de PasadenaMais do que Pasadena, o que assusta os petistas é a possibilidade de Cerveró detalhar outras operações irregulares feitas pela Petrobras no exterior e que teriam servido para bancar o PT, os petistas e muitas de suas campanhas. Já sabem, por exemplo, que em depoimento prestado aos investigadores da Lava Jato, Cerveró revelou que a campanha de Lula em 2006 recebeu de forma irregular cerca de R$ 50 milhões que teriam sido desviados da Petrobras. A operação se deu a partir de um contrato de exploração de petróleo em águas profundas no litoral de Angola. Cerveró detalhou a operação e revelou que a estatal entrou no negócio com aproximadamente US$ 300 milhões sabendo que teria prejuízo e que estariam aportando recursos em áreas pouco viáveis. Procuradores que ouviram o depoimento, dizem que Cerveró afirmou ter ouvido de Manuel Domingos, ex-presidente da estatal angolana de petróleo, que entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões pagos pela Petrobras voltaram ao Brasil para abastecer a campanha do PT. No mesmo depoimento, Cerveró teria dito que toda a operação foi feita com o consentimento e orientação do ex-ministro Antônio Palocci, que na época era membro do Conselho de Administração da Petrobras. Há cerca de duas semanas, os procuradores e delegados da Lava Jato informaram ao ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal, que essas revelações de Cerveró acabaram confirmando o que já dissera em delação premiada um ex-funcionário da Petrobras cujo nome é mantido em sigilo. As declarações do ex-funcionário foram prestadas no primeiro trimestre do ano passado. “O caso de Pasadena pode ser apenas um capítulo de um roteiro bem mais amplo. E Cerveró poderá nos esclarecer muita coisa”, disse à ISTOÉ na quinta-feira 26 um dos procuradores da Lava Jato.
Outro caso que os procuradores esperam contar com a colaboração de Cerveró para comprovar o pagamento de propinas diz respeito à venda da refinaria de San Lourenço, na Argentina, que envolve o ex-presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Ao contrário do que ocorreu em Pasadena, quando a estatal brasileira fez uma compra superfaturada, na operação da refinaria de San Lourenço, a Petrobras fez uma venda subfaturada e arcou com um prejuízo de US$ 100 milhões. Já há na Polícia Federal um inquérito que investiga o pagamento de propinas com remessas de dinheiro feitas da Argentina para o Brasil. Cerveró disse aos procuradores que a Gabrieli autorizou a venda desprezando diversos relatórios e avaliações internacionais. Uma delas foi feita pela Petrobras Argentina e encaminhada à matriz, no Rio de Janeiro. Segundo esse estudo e relatórios de auditorias independentes também já em poder da PF, o valor da refinaria incluindo 360 postos de distribuição e estoques de combustível poderia chegar a US$ 351 milhões, mas a Petrobras concretizou a venda por US$ 102 milhões.
Funcionário da Petrobras desde 1975, Nestor Cerveró assumiu a diretoria Internacional da empresa em 2003. Inicialmente ocupou uma cota destinada ao PMDB, mas com o aval do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Com o passar dos anos, ganhou a confiança de Lula e do ex-presidente José Sérgio Gabrielli. Permaneceu na diretoria Internacional até 2008, quando foi transferido à BR Distribuidora, onde ficou até março de 2014. Condenado a mais de 17 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Cerveró é apontado pela Lava Jato como um operador que pode ter recebido propinas superiores a US$ 30 milhões. “Chegamos a Cerveró a partir das delações feitas pelo doleiro Alberto Youssef e por Paulo Roberto Costa, mas temos a certeza de que ele pode nos contar muito mais do que os dois disseram”, conclui um dos procuradores responsáveis por conduzir a deleção premiada do homem que mais assusta o PT.





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O PT nas cordas

Editorial do Estadão
A prisão do senador petista Delcídio Amaral, líder do governo na Câmara Alta, teve sobre o PT o efeito do golpe direto que deixa o pugilista zonzo, momentaneamente sem saber onde está e o que faz. A “grande burrada” que, segundo Lula, foi cometida por Delcídio parece ter contaminado o partido e o governo, a começar pela nota oficial em que o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, afirma que o PT “não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade” em relação ao prisioneiro porque as acusações que sobre ele pesam “não têm qualquer relação com sua atividade partidária”.
Para Lula, numa atitude típica de capo mafioso, o errado não é a tentativa de Delcídio de salvar a própria pele subornando um condenado no escândalo da Petrobras, mas o fato de ter-se deixado flagrar com a prova indesmentível da gravação em áudio de sua proposta indecorosa. Para Falcão, que quer convencer o distinto público de que o PT não tem nada a ver com a história, o condenável é Delcídio ter agido em benefício próprio.
Disso se pode deduzir que, na judiciosa opinião do alto comissário petista, se estivesse praticando o mesmíssimo delito como uma “atividade partidária”, o senador estaria automaticamente inscrito na galeria dos “guerreiros do povo brasileiro”.
Como é de seu feitio, Lula evita os jornalistas em situações críticas nas quais é pego de surpresa, mas na quinta-feira – depois de, segundo se apurou, ter dado sinal verde a Rui Falcão para se manifestar em nota oficial –, no ambiente protegido de um almoço com dirigentes da CUT e do PT, embora reticente, mostrou-se extremamente contrariado com os fatos – como era de esperar – e limitou-se a exclamações do tipo “loucura” e “absurdo”. E teria deixado claro que apenas na hipótese de Delcídio Amaral apresentar uma “defesa consistente” ele teria condições de manifestar algum tipo de apoio. Não seria, com toda certeza, com base na risível alegação do senador de que agiu “por razões humanitárias”.
A atitude de Lula é compreensível, seja porque é coerente com seu histórico de não meter a mão em cumbuca, seja porque as evidências contra o ex-líder do governo no Senado são sólidas e dificilmente contestáveis.
De qualquer modo, esse novo episódio do calvário petista dividiu o partido, principalmente porque Rui Falcão, embora tenha, como sempre, agido de acordo com Lula, não se deu ao trabalho de consultar as bancadas petistas no Congresso. Assim, submeteu os senadores do partido ao constrangimento de tomar conhecimento da nota oficial do PT por intermédio do oposicionista Ronaldo Caiado, líder do DEM, que a leu da tribuna.
A reação mais forte à atitude de Falcão partiu das bancadas petistas também porque o texto indica claramente a tendência da direção nacional de agir duramente contra Delcídio. Tudo isso deixou alarmados os deputados e senadores petistas que têm o rabo preso em investigações da PF, pela razão óbvia de que podem esperar o pior no caso de a direção do partido decidir que é hora de marcar posição clara no combate à corrupção.
É sintomática, nesse sentido, a declaração do presidente do diretório estadual do partido em São Paulo, Emídio de Souza: “Sou favorável à expulsão (de Delcídio). Não podemos ter tolerância com esse tipo de coisa”.
Se no PT a prisão de Delcídio Amaral criou perplexidade e conflito, no Planalto a reação foi de catatonia. Afinal, o que dizer quando o líder do governo no Senado é pego com a boca na botija armando um esquema criminoso de compra do silêncio de um ex-diretor da Petrobras – seu antigo subordinado na estatal – condenado por corrupção? Nos altos escalões do governo os prognósticos são pessimistas em termos da necessária articulação com o Parlamento para, nos últimos dias da atual sessão legislativa, obter a aprovação de medidas importantes para a administração federal, entre elas a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Desvinculação das Receitas da União (DRU). Quando parecia que podia melhorar, a situação piora para o governo e o PT.







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"Filme de terror",

 por Eliane Cantanhêde O Estado de São Paulo
Quando o impeachment parecia esfriar a caminho da geladeira, eis que a semana esquenta e acaba com a presidente Dilma Rousseff na linha de fogo. Mais uma vez, o problema não é a oposição, mas sim os próprios aliados que põem os pés pelas mãos, sabem das coisas e podem decidir falar poucas e boas. Aí, vira um salve-se quem puder.
Estamos falando, obviamente, dos novos personagens da semana, que vêm se somar a Dirceu, Genoino, Delúbio, Vaccari, João Paulo Cunha e André Vargas: o ex-líder do governo Dilma no Senado, Delcídio do Amaral, o banqueiro André Esteves e o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, além do pecuarista José Carlos Bumlai, o amigão do Lula que andou levando vantagem do nosso BNDES.
Todos eles estão presos. Todos eles sabem coisas do arco da velha. Todos eles têm um enorme potencial de atingir não mais só o PT e o governo Lula, mas também Dilma Rousseff. Principalmente se reavivarem a história levantada com exclusividade pelo Estado no ano passado sobre a compra inacreditavelmente irresponsável da refinaria de Pasadena, nos EUA. Essa história vaga como alma penada na Procuradoria, na Polícia Federal e no TCU.
Nesse enredo que deixou de ser econômico, passou a ser policial e está virando filme de terror, Cerveró diz na delação premiada (que vazou para os principais interessados) que Dilma não apenas “sabia de tudo” como acompanhou diligentemente a negociação de Pasadena.
Afora o fato, em si já muito grave, de que alguém deve ter ganho fortunas para repassar a delação a Delcídio e ao banqueiro Esteves, acendem-se todos os sinais amarelos no Planalto e no PT. Se Cerveró já andou dizendo isso, o que mais poderá dizer sobre a participação de Dilma, que era chefe da Casa Civil de Lula e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás? E Esteves, o que tem a dizer? E Delcídio, vai cair sozinho?
É por essas e outras que o Planalto tenta fazer “hedge” alardeando que teme “as mentiras” de Delcídio. Já o PT se precipitou perigosamente ao jogá-lo aos leões depois de pôr Vaccari e outros no colo. Em nota classificada de “covarde” pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, o PT diz que “nenhuma das tratativas atribuídas ao senador (Delcídio) tem qualquer relação com sua atividade partidária”. E arremata: “O PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade”. Com Delcídio preso, depondo e sem muito mais a perder, essa nota tem explosivo potencial bumerangue.
Muitíssimo mais esperto, como sempre, foi Lula. Lê-se que, em evento na CUT ontem, ele reduziu a prisão e as agruras de Delcídio a um erro tático: deixar-se gravar pelo filho de Cerveró, fazendo as propostas mais obscenas ao ex-diretor. Segundo Lula, foi “uma grande burrada”, uma coisa “imbecil” e “idiota”. Leia-se: que Delcídio desviasse, roubasse, cometesse qualquer crime, tudo bem. Só não podia cair na esparrela de falar demais diante de um microfone escondido.
Tem-se, assim, que o grande escândalo não foi a prisão inédita de um senador no exercício do mandato, nem a prisão do líder do governo no Senado, nem a prisão de um dos homens mais ricos do país, que navega com igual desenvoltura nas águas do PT e do PSDB. Isso foi apenas mais uma etapa da Lava Jato. O maior escândalo, aparentemente, ainda está por vir. É por isso que os nervos andam à flor da pele no Planalto e arredores.
Força feminina. Foram duas médicas de Pernambuco que suspeitaram do súbito aumento de microcefalia. Foi uma médica da Paraíba que tomou a iniciativa de pedir análise para o Rio. Foi a equipe de uma médica da Fiocruz que identificou o Zika vírus. E foi uma jornalista, Ligia Formenti, do Estado, quem divulgou primeiro tanto o surto de microcefalia quanto as suspeitas sobre o Zika vírus. Parabéns, mulheres!
extraídaderota2014blogspot

"E a OAB? Filho de Cerveró grava Mefistos em Brasília",

 por Vitor Hugo Soares  Com Blog do Noblat - O Globo
Perguntar não ofende”, proclama um dos jargões mais utilizados no jornalismo brasileiro. Escuto há décadas e inúmeras vezes tenho posto em prática este mandamento profissional básico e essencial. Para ser exato, desde os meus passos iniciais em A Tarde, depois no Jornal do Brasil e na Veja, para citar apenas três pousos da minha estrada.
Fazer perguntas e, principalmente, buscar respostas verdadeiras e convincentes virou algo mais fundamental, ainda, nesta incrível semana de fim de novembro, de tramas diabólicas em Brasília e  transações mais que tenebrosas na vida política, econômica, governamental e criminal do Brasil.  
Raramente senti tanta necessidade e urgência de “fazer boas perguntas (incômodas ou não), esta arte maior na entrevista ou na reportagem”, a exemplo do que ensinava o mestre Juarez Bahia (sete prêmios Esso conquistados), quando editor nacional do Jornal do Brasil.
Isto, principalmente, diante dos fatos e seus devastadores desdobramentos, a partir da divulgação do conteúdo das gravações, no telefone celular, feitas por Bernardo Cerveró (filho do ex-diretor da Petrobras apanhado na Lava Jato), que levaram à cadeia o senador do PT, Delcídio Amaral (líder do Governo Dilma no Congresso); Diogo Ferreira, seu chefe de gabinete, e o banqueiro André Esteves (do Pactual BTG). Além do advogado Edson Ribeiro, (“defensor” de Cerveró), preso pela Polícia Federal,&n bsp;nesta sexta-feira 27, no aeroporto internacional do Rio de Janeiro, ao desembarcar de uma viagem a Miami, novo paraíso brasileiro nos Estados Unidos.
Sobre o senador Delcídio, muito foi dito e perguntado, desde a votação histórica do Senado - contra a vontade expressa de seu presidente Renan Calheiros -, que acatou a decisão do ministro Teori Zavaski (acolhida à unanimidade dos membros do Supremo) de manter preso o líder do governo Dilma, figurão de larga e transversal influência em outros governos, na política e na atividade parlamentar e dos negócios dos últimos anos no País.
Ainda assim, sobram inumeráveis questões no ar. O representante de Mato Grosso do Sul precisará respondê-las, sem os jogos vazios de palavras e sem escamotear os fatos, como pareceu evidente no seu primeiro interrogatório na PF, a deduzir pelo relato apresentado aos jornalistas por seu advogado. Perguntas, perguntas: é preciso interrogar cada vez mais, doa a quem doer. É preciso ser incômodo mesmo.
É assim que se chega à verdade por inteiro e sem máscaras. Salvo em lampejos brilhantes, a exemplo da idéia de Bernardo Cerveró (ou de quem o orientou) de gravar com um celular ligado no bolso da calça, toda a conversa com o senador, o assessor e o advogado, num quarto de hotel em Brasília. Ação arriscada, mas elogiável ato em defesa do pai e de sua família. Digno dos maiores heróis de contos e romances policiais, do passado ou da tecnológica atualidade.
Depois disto, de tudo que se viu e ouviu até aqui, urgentes e inescapáveis questões devem ser destinadas ao advogado Edison Ribeiro e aos condutores atuais dos destinos da histórica e (outrora) gloriosa Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),  seu Conselho Federal e seccionais estaduais.
Qual o motivo do estranho e complacente comportamento da Ordem, até esta sexta-feira, neste caso mais que escabroso para o parlamento e para a advocacia no Brasil?  Que análise ética faz e como interpreta, a OAB, o “modus operandi” de quase gangster mafioso, exibido por um de seus mais afamados filiados, cujo nome e ações, comparáveis à de um Mefisto (diabólico personagem de Klaus Mann, que vende a alma por dinheiro, fama e poder), ganham agora dimensões internacionais com a  demolidora gravação no hotel em Brasília.
O presidente da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coelho, enviou um ofício, quinta-feira (26), à seccional do Distrito Federal, "solicitando a abertura de um procedimento ético-disciplinar para apurar a conduta do advogado Edson Ribeiro”. Ok, mas, apesar do palavrório de ofício formal e burocrático (tão ao gosto no país de quem não quer apurar nada, ou deseja empurrar tudo com a barriga), resta a pergunta: Qual a palavra moral da OAB à sociedade, frente a torpe e escancarada ação de um agente do direito, traindo a vontade de um cliente e de sua família, tenta ndo obstruir a ação da Justiça? 
Pessoal e profissionalmente, quantos investigados ele ajudou a escapar do alcance da polícia e dos juízes, utilizando-se da ponte aérea clandestina e criminosa “do Mercosul”, via Paraguai, como ele se vangloriou na conversa com o senador Delcídio, o assessor e o filho de Cerveró. Quais os nomes? Quem financiou tais operações criminosas?
E cai o pano deste ato insólito da peça em cartaz, imprópria até para adultos. A sociedade aguarda as respostas que se seguirão neste teatro nacional de vergonha.  A conferir.
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"Crise sem fim",

 editorial da Folha de São Paulo
Dado seu impacto e ineditismo, a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) ofuscou, ao menos por uns dias, outras fontes de turbulência no cenário político.
Não se pode desprezar, contudo, uma sequência de acontecimentos que é capaz de impor novas dificuldades à sobrevivência do esquema de corrupção e desgoverno criado em torno do PT.
Um dia antes de estourar o caso Delcídio, era preso um amigo do ex-presidente Lula –o pecuarista José Carlos Bumlai, por envolvimento na contratação suspeita de um navio-sonda para a Petrobras. Ele alega ter recebido do lobista Fernando Baiano um "empréstimo" de R$ 12 milhões.
O lobista, que conta com o benefício da delação premiada nas investigações da Operação Lava Jato, dá outra versão: o dinheiro teria sido retribuição pela ajuda de Bumlai nos negócios da Petrobras.
A dimensão política do episódio assume maior interesse porque cerca de R$ 2 milhões, segundo Fernando Baiano, teriam sido repassados pelo pecuarista a ninguém menos que uma nora de Lula.
Enquanto se vai projetando sobre a família do ex-presidente um conjunto de graves suspeitas, não diminuem os riscos de que sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), conheça novos problemas.
É que, depois de longas tratativas, formaliza-se o acordo de delação premiada entre os procuradores da Lava Jato e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, peça-chave na malfadada aquisição da refinaria de Pasadena. Em que medida, e a partir de quais evidências, será possível dizer que Dilma conhecia as irregularidades do negócio?
Outra delação premiada –a do próprio Delcídio do Amaral– não está descartada das inquietações que rondam o Planalto.
Desse modo, a Lava Jato parece não ter fim; e não se extingue, por isso mesmo, a crise política que corrói o PT e o governo Dilma.
A próxima semana há de trazer mais turbulências. A começar pela continuidade do processo de cassação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), temporariamente eclipsada pela agitação no Senado.
Há muito de positivo, sem dúvida, no clima de seriedade e autonomia institucional que emana das investigações e das prontas respostas da Justiça.
Há muito de negativo, contudo, no fato de o governo se mostrar a reboque dos acontecimentos. Paralisa-se a discussão sobre economia no Legislativo. Medidas inadiáveis de controle do deficit público são praticamente abandonadas, e nem sequer uma previsão orçamentária se sustenta.
A hipótese de uma desorganização cabal da economia não pode ser esconjurada enquanto a crise política se prolonga a perder de vista.
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"Delcídio do Amaral tem algo a dizer a respeito de Pasadena e Dilma",

por Demétrio Magnoli Folha de São Paulo
O relógio marcava 19h59, na quarta (25), quando Renan Calheiros tomou o microfone para qualificar como "oportunista e covarde" a nota oficial na qual o PT tentava se desvincular dos atos de gangsterismo de Delcídio do Amaral. Depois, como a confirmar o diagnóstico de Calheiros, o líder petista Humberto Costa encaminhou o voto de sua bancada, contrário à prisão determinada pelo STF. Um a um, com apenas duas exceções, os senadores do PT expuseram-se ao escárnio público, votando pela libertação do celerado. Uma análise apressada indicaria a cisão entre a direção partidária e a bancada no Senado. De fato, não foi isso: os senadores petistas inclinaram-se à voz do Planalto. Delcídio é um fio desencapado.
A voz do Planalto soou três vezes na sessão do Senado. Na primeira, às 19h06, o deputado José Pimentel, líder do governo no Congresso, propôs que, violando a Constituição, os senadores escondessem seus votos na urna do segredo. Na segunda, pela boca alugada de Calheiros, o governo rasgou a nota petista assinada por Rui Falcão. Na terceira, às 20h59, quando tudo já estava perdido, Humberto Costa chamou seus pares a praticarem o gesto de autoimolação destinado a conquistar o silêncio do companheiro preso. Delcídio nunca foi um "soldado do partido", como Delúbio ou Vaccari. Mas, como eles, sabe demais.
O personagem que tramava melar a Lava Jato, organizando a fuga de Nestor Cerveró, um colaborador sentenciado, não é um senador petista qualquer. Desde abril, desempenhava o papel de líder do governo no Senado. Ele representava Dilma Rousseff na Câmara Alta, condição que não perdeu mesmo após a delação de Fernando Baiano, na qual figura como destinatário de US$ 1,5 milhão em propina pela compra da refinaria de Pasadena. Delcídio tem algo a dizer sobre o único documento do "petrolão" que leva a assinatura da presidente da República.
Pasadena ocupa um lugar político especial. O "petrolão" adquiriu dimensão explosiva em 18 de março de 2014, quando Dilma afirmou que, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, aprovou a aquisição com base em "informações incompletas" de um "relatório falho" produzido por Cerveró. 
Naquele dia, tentando insular-se, a presidente rompeu o cristal da confiança que a ligava a Lula: as relações entre ambos nunca mais foram as mesmas. Os blogs chapa-branca reverberaram a fúria do ex-presidente, vociferando contra a "traição". Dilma lançava Cerveró ao mar, desatando um nó invisível no trançado da malha do "petrolão". Hoje, tantos nós depois, só o incerto silêncio de Delcídio pode evitar a exposição do capítulo faltante na história oculta da Petrobras.
"No caso da Dilma, ele [Cerveró] diz: a Dilma sabia de tudo de Pasadena." São palavras de Delcídio, gravadas no smartphone do filho de Cerveró. Só néscios duvidam de que "Dilma sabia de tudo", mas um processo exige mais que uma delação premiada. Delcídio, um dos padrinhos da indicação de Cerveró à diretoria da Petrobras, sabe "de tudo" –e é por isso que a voz do Planalto contrariou a do PT na tensa sessão do Senado.
Diversos fios conectam Delcídio a Bumlai, preso um dia antes. Foi o senador que apresentou o pecuarista a Lula, intermediando uma bela e proveitosa amizade. 
Segundo duas delações premiadas, a de Baiano e a do banqueiro Salim Schahin, Bumlai também operou na esfera da Petrobras, influenciando a bilionária licitação de um navio-sonda. Dilma "sabia de tudo" sobre Pasadena, mas talvez não soubesse de toda a extensão da pilhagem organizada na estatal. "Não é o meu governo que está sendo acusado atualmente", disse a presidente há um mês, colocando o acento no pronome "meu" para enviar uma mensagem óbvia.
O Planalto assustou-se com a prisão de Delcídio. Mas o outro Planalto, o Planalto do B, tem motivos ainda maiores para acender a luz de alerta vermelho. 
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"No limite",

por Igor Gielow Folha de São Paulo
O desânimo que tomou conta dos círculos mais altos do governismo é boa régua da fragilidade do terceiro ciclo de Dilma Rousseff na Presidência, iniciado na reforma ministerial de outubro.
Ainda sofrendo o choque das prisões da semana pela Lava Jato, os remanescentes na cidadela de Dilma estão sem reação, como moradores intramuros sitiados pela peste.
Os termos do acordo da Andrade Gutierrez no escopo da operação, admitindo corrupção em vistosas vitrines dos anos do PT no poder, vieram como prego de caixão luxuoso. Como diz um governista graúdo, "agora é rezar em dobro".
As preces até estavam funcionando. O arco narrativo da crise sugeria um respiro tático a Dilma, jogando alguns de seus problemas centrais para 2016. Não mais: os sortilégios insinuados na delação de Nestor Cerveró e numa eventual fala de Delcídio do Amaral se unem à vitória progressiva da entropia na vida real.
A gravidade da situação é mensurável no terrorismo feito por Joaquim Levy em entrevista ao "Estado". O ministro da Fazenda sugeriu uma variante bananeira do "shutdown" americano. Não acabou bem assim, mas indica a extensão do efeito das forças destrutivas na economia.
Como escreveu o senador tucano José Serra, só uma solução política, qualquer que seja, pode fazer a roda girar. Dada a geleia em que o Parlamento se transformou e o fato de que o Executivo é um senhorio ausente, os olhos se voltam para o conglomerado jurídico-policialesco para que o desejado "algo" aconteça.
Há riscos evidentes nesse cenário, como um ativismo judicial que seja confundido com asseveração de autoridade. A esta altura, contudo, são preferíveis interpretações legais draconianas à estarrecedora sem-cerimônia explicitada na trama hollywoodiana contra a Lava Jato.
É o melhor que temos agora, e sinaliza algum limite para a esgarçadura institucional do país.
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"Para quem o cachorro ainda",

 por Ruy Castro Folha de São Paulo
Nenhum escritor policial inglês ou americano conseguiria criar sozinho a trama que estamos vivendo sob o nome de Operação Lava Jato. Nem Agatha Christie ou Raymond Chandler seria capaz de dar conta de tantos plots e subplots, quebras de narrativa, cenas de ação e, como suspeitos, gente com conta bancária de até 11 dígitos. Sem falar na dança dos coadjuvantes: todos os dias um novo nome assume o primeiro plano. Só não tivemos –até agora– um cadáver.
O primeiro grande personagem foi José Dirceu. Equivalia ao sinistro professor Moriarty, criado por Conan Doyle como o cérebro por trás de tudo de ilícito na Londres vitoriana. Como um Moriarty com ideologia, Dirceu armou o esquema que drenaria milhões da Petrobras e financiaria um sistema que se eternizaria no poder. Só que, de repente, Dirceu se tornou um personagem de John Le Carré: revelou sua fraqueza humana. Aproveitou para também locupletar-se em causa própria e foi apanhado.
Mas o esquema sobreviveu, graças ao caso de amor do partido e de seus aliados com diretores e gerentes da Petrobras. O resultado foi uma armação de deixar no chinelo as redes de corrupção descritas por Dashiell Hammett em "Seara Vermelha" e "A Chave de Vidro". A chegada de tubarões como André Esteves, José Carlos Bumlai e Marcelo Odebrecht, por sua vez, conferiu à história uma densidade digna de Frederick Forsyth.
Já o senador Delcídio do Amaral deu-lhe um toque de 007. Sua tentativa de comprar o silêncio do diretor da Petrobras Nestor Cerveró, tirá-lo da cadeia e despachá-lo para a Espanha num jatinho secreto parece coisa de James Bond.
E todos os fãs de romances policiais sabem que, se o cachorro não latiu para o criminoso, é porque este era conhecido do cachorro. Só falta, portanto, descobrir para quem o cachorro ainda não latiu.









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Mistérios dentro de enigmas cercados por charadas

Carlos Chagas 

Do presidente do partido, Rui Falcão, ao ex-presidente Lula, passando pela presidente Dilma e os ministros petistas – todos optaram por lançar Delcídio do Amaral ao mar, como carga supérflua. Continuar flutuando tornou-se essencial para eles, mesmo com o sacrifício do agora ex-líder do governo no Senado.  Mais do que os anéis, sacrificaram um dedo gordo, isso depois de terem cortado outros, como José Dirceu e demais condenados no mensalão. O diabo é que o PT vai ficando maneta. Já não consegue manipular os desafios que se sucedem. Logo a embarcação dos companheiros irá a pique e seus principais dirigentes tomarão o rumo das profundezas.
A pergunta é saber se chegarão a 2018 antes do naufrágio. As variadas pesquisas de opinião, as ostensivas e as reservadas, indicam que o PT não manterá poder. Aproxima-se o ensaio geral, daqui a menos de um ano, com as eleições municipais. Se o fracasso já era previsto para a escolha dos prefeitos das capitais estaduais e principais cidades, mais escancarado se torna com o decorrer dos dias. Prenúncio da derrota maior quando se tratar da eleição do sucessor de Madame. Hoje, nem o Lula se salvaria, ainda que a indefinição sobre os candidatos oposicionistas torne a disputa nebulosa. Fora do ex-presidente, porém, nenhuma hipótese petista.
Do lado dos tucanos, Aécio Neves, Geraldo Alckmin ou José Serra? No cada vez mais distanciado PMDB, o vice Michel Temer conseguirá empolgar? Entre os avulsos, Ciro Gomes, Ronaldo Caiado, Marina Silva, Jair Bolsonaro, Álvaro Dias, Cristovam Buarque, Joaquim  Barbosa e quantos mais?
Aguarda-se o desdobramento do petrolão. Entre companheiros, peemedebistas e integrantes de outros partidos, o desespero é grande. Nem se fala dos empreiteiros e banqueiros também envolvidos. Mas chumbo grosso virá com certeza. O ministro Teori Zavaski recomendou que se espere mais denúncias. O juiz Sérgio Moro não esmorece. E o país inteiro aplaude cada nova ação do Judiciário.
2018 AINDA ESTÁ LONGE
Em suma, as preocupações com 2018 ficam esmaecidas diante das surpresas de 2015 e seguintes. Ainda na próxima semana saberemos se o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, dará andamento a um pedido de impeachment contra a presidente Dilma, reação prévia a sua provável condenação por falta de decoro parlamentar pelo Conselho de Ética. Nesse caso, se aprovado o afastamento da presidente por deputados e senadores, assumiria o vice Michel Temer, com a dúvida sobre se teria condições de pleitear a reeleição. Obviamente, se o Congresso não rejeitar o princípio do segundo mandato, imposto desde os tempos de Fernando Henrique. Mistérios dentro de enigmas,  cercados por charadas.








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Adiar reajuste do salário mínimo (10% em janeiro) será ilegal

Pedro do Coutto

Em reportagem publicada na edição de 25 de O Globo, Martha Beck revelou que a equipe econômica comandada pelo ministro Joaquim Levy está estudando, entre as alternativas para reduzir as despesas do governo, adiar a entrada em vigor do novo salário mínimo do mês de janeiro para maio de 2016. Um erro político enorme que acrescentará pesado reflexo negativo a Dilma Rousseff, em particular, e ao PT de modo geral. Além do mais, tal medida depende de aprovação de lei pelo Congresso Nacional.
Isso porque a lei 13.152 de julho de 2015 determina taxativamente que o piso salarial para 2016 entrará em vigor a partir de janeiro próximo e será fixado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE para os últimos doze meses. Como de novembro de 2014 a novembro de 2015 esse índice está em 9,9%, pode-se projetar, com apenas pequena margem de erro, que o custo de vida neste exercício fechará na escala de 10%.
Mudar a percentagem da “reposição” inflacionária ou a data de sua vigência é algo que somente pode ser determinado por uma nova lei. A equipe econômica – acrescenta Martha Beck – admite a hipótese de Dilma Rousseff recorrer a uma Medida Provisória. Mas esta, de qualquer forma, abalaria o que resta de aprovação ao governo junto à opinião pública, e poderia vir a ser rejeitada. Aspecto ótimo para a oposição este debate, sobretudo num ano eleitoral como está previsto no calendário do país.
Adiar o reajuste de janeiro para maio, de outro lado, seria de fato diminuir a reposição inflacionária em 33%, já que valeria para oito meses e não para os doze meses do ano. O espírito da lei seria violado de qualquer forma.
APOSENTADOS E PENSIONISTAS
Mas o drama político salarial não acaba ainda neste aspecto. Ao contrário. Estende-se aos 32 milhões de aposentados e pensionistas do INSS, cuja atualização dos vencimentos está também prevista para o mês de janeiro, de acordo com a mesma lei 13.152/2015. Este ano, por exemplo, o reajuste dos segurados da Previdência Social, na escala de 6,2% foi decretada pela presidente Dilma, a partir de janeiro. O salário mínimo subiu um pouco mais – gostaria que Flávio Bortolotto e Wagner Pires comentassem a matéria – porque a legislação estabelece que o piso básico deve ser acrescido do percentual do crescimento do PIB registrado dois anos atrás.
Mas agora vê-se que o PIB relativo a 2014 aumentou 0% e o previsto para o exercício em curso, em vez de crescer, vai recuar em torno de 3%. Portanto, a atualização do salário mínimo, que abrange 1/3 das 100 milhões de pessoas que compõem a mão de obra ativa do país, e a relativa aos 32 milhões de aposentados e pensionistas do INSS será pelo mesmo índice. Ou seja: 10%. Adiar para maio, em ambos os casos, será uma desgraça social, acarretando, não 10% de reajuste, mas sim 2/3 desta taxa.
Como dois terços de 10 são 6,6%, o que a equipe econômica no fundo está propondo é a redução do salário mínimo e a diminuição dos vencimentos dos segurados da Previdência. A realidade é uma só: reajustar salários abaixo da inflação concretamente representa diminuÍ-los de maneira indireta. O que colide tacitamente com o princípio constitucional da sua irredutibilidade.
Isso de um lado. De outro, como vai refletir no voto na urna?








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Época afirma que Lula deve ser o próximo a ser investigado

Murilo Ramos Época
Agentes da Polícia Federal encontraram na manhã de terça-feira fotos de Lula abraçado ao pecuarista José Carlos Bumlai. As imagens estavam num escritório de Bumlai em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Numa delas, obtida pela coluna Expresso, o ex-presidente está juntinho de Bumlai numa festa animada ao som de viola.  Os policiais ainda não sabem quando as fotografias foram tiradas. Até hoje, só havia uma imagem pública de Bumlai e Lula juntos. Recentemente o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, disse que Lula e Bumlai não eram “tão amigos assim”.
Bumlai foi preso hoje em Brasília durante a 21ª fase da Operação Lava Jato. Ele deporia na CPI do BNDES, mas foi surpreendido pela Polícia Federal num quarto de um hotel luxuoso da capital federal.
Os procuradores da Lava Jato acreditam que o ex-presidente Lula se tornou um alvo possível na investigação. Há três meses, imaginavam que focar a investigação em Lula causaria tumulto excessivo. De lá para cá, no entanto, jorraram elementos que o aproximaram dos crimes investigados. Os mais importante deles foram os fatos apurados contra o pecuarista José Carlos Bumlai – que, segundo o delator Fernando Baiano, agia em nome de Lula – e acerca do dinheiro do petrolão nas campanhas do petista.
DELAÇÃO DE DELCÍDIO
O senador Delcídio do Amaral, preso pela Polícia Federal por tentar obstruir a Lava Jato, começou a negociar uma delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Os procuradores, no entanto, só vão topar se ele entregar mais do que malfeitos de Nestor Cerveró. Já avisaram: se quiser conversa, Delcídio vai ter que atirar para cima.




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ENTREVISTA À TURMA DO "VOLTEMOS À DIREITA"

 por Percival Puggina.
Se você procura por estridência e espalhafato, desista de Percival Puggina.
Nosso entrevistado de hoje é para bons paladares, que preferem uma prosa aprimorada a um estilo escandaloso.
Com precisão e objetividade, estabeleceu-se como uma das vozes mais notáveis do conservadorismo brasileiro. Dono de um olhar único para as coisas do nosso Brasil, possui o raro dom de transmitir aos leitores conclusões sólidas, elegantemente redigidas, daquilo que a maioria sequer conseguiria verbalizar.
Percival está lançando seu novo livro A TOMADA DO BRASIL PELOS MAUS BRASILEIROS e, mesmo em meio à correria do lançamento, nos concedeu a entrevista que vai a seguir, falando do novo livro e também de visões e perspectivas do Brasil atual e da Direita nacional.
Ler Percival Puggina é um prazer. Divulgá-lo, uma obrigação de todo aquele que se identifica com o pensamento de Direita e que compreende a importância da explanação das ideias conservadoras, advindas de homens cuja intelectualidade e vida pública sejam irretocáveis, como é o caso dele.
Percival, em primeiro lugar, obrigado por nos atender. O senhor é um representante importante do conservadorismo brasileiro, com inúmeros serviços prestados a esta vertente de pensamento político. Particularmente, sempre que alguém me pede indicações sobre o que ler para compreender a essência do pensamento de Direita, recomendo-o como uma das vozes mais sensatas e brilhantes do Brasil atual. Como o senhor se sente com este reconhecimento, que traz recompensas, mas também cobranças?
Eu me surpreendo com isso porque me parece, por um lado, que apenas mudo a forma e os motivos para repetir obviedades; por outro espanta-me sermos tão poucos os dedicados a essa tarefa de esclarecimento. Sem falsa modéstia, algum destaque que eu possa ter talvez só se justifique pela insuficiência do próprio trabalho que faço. Penso que não estou conseguindo mobilizar mais pessoas influentes para a tarefa de preservar e difundir nossos princípios, verdades e valores.
Fala-se muito numa “nova direita” brasileira. O senhor acredita que esse movimento é capaz de formar uma nova geração política, realmente calcada em princípios caros ao pensamento direitista, ou essa é apenas uma reação advinda do antipetismo, que terá dificuldade para se manter diante da tradição esquerdista da Academia brasileira?
A esquerda brasileira trabalhou tempo demais sem enfrentar resistência. Essa oposição no campo da cultura só surgiu com a total desmoralização do “novo céu e da nova terra” prometida pelo petismo. Até então, o Olavo e mais uns poucos malhávamos ferro frio. Se temos, hoje, um número substancial de jovens empenhados em soltar as amarras do atraso em que o país foi enrolado pelas atuais elites dirigentes, isso não significa que as velhas ideias não migrem para outras seitas políticas ainda mais à esquerda. O apito pode estar, apenas, mudando de boca. Ainda há muito caminho a percorrer para que as boas teses conservadoras e as boas teses liberais penetrem na alma nacional.
Um dos argumentos mais usados pela esquerda é afirmar que o Brasil sempre foi governado pela direita, inclusive, colocam FHC dentro dessa condição (Governo “neoliberal”). O senhor concorda com essa análise? Políticos como José Sarney, Paulo Maluf e o falecido ACM, podem ser apontados como políticos da direita?
Ser anticomunista não significa ser “de direita”. Eu me enquadro num conceito de direita que é conservadora em relação ao que tem valor permanente, que quer mudar dentro da ordem o que precisa ser mudado, que serve ao bem da pessoa humana, segundo uma antropologia cristã, democrática, que vê a liberdade como sócia bem sucedida da verdade e da responsabilidade. E que, por isso, sabe o quanto é necessário pôr freios e limites ao Estado. Nessa direita não há lugar para marxistas fabianos, companheiros de viagem de esquerdistas, nem para políticos patrimonialistas.
Caso Dilma Rousseff, mesmo diante de tantas evidências, não seja cassada, e permaneça, mesmo cambaleante, até 2018, o que isso representará para a democracia e para as instituições?
A permanência, não apenas de Dilma, mas do petismo no poder, a partir de 2005, quando os fatos do mensalão se tornam conhecidos, é uma bofetada das instituições desferida nas consciências bem formadas do país. A alma da democracia vem sendo permanentemente pisoteada e o anseio por soluções extra-constitucionais se amplia. Espero, com esperança quase metafísica, que isso sirva para convencer a maioria da população sobre algo irrefutável: vivemos sob um modelo institucional ficha-suja, esperando que ele seduza e promova a vitória eleitoral de um bom número de estadistas. A regra do jogo político determina quem senta para jogar.
O atual momento do Brasil de crise econômica, corrupção, baixa qualidade no ensino, declínio cultural, etc, pode ser entendido como uma ampliação a nível nacional, daquilo que gestões petistas fizeram em alguns Estados que governaram, como o Rio Grande do Sul, por exemplo?
Não só pode como deve. Qualquer vitória petista abre a porteira para atraso e para o jogo político mais rasteiro. Por que haveria de funcionar aqui algo que deu errado mundo afora? Vejam o que está acontecendo nos países do Foro de São Paulo.
O senhor se desfilou do partido ao qual pertencia e não está mais ligado a nenhum. Teve desilusão com a política?
Qual a pessoa bem intencionada que não teve desilusões com a política? Tive, sim. No entanto, minha desfiliação do PP, há dois anos, foi motivada pelo vencimento do prazo de validade do meu próprio entusiasmo com a via partidária e pela crescente convicção de que o trabalho mais importante a fazer é a formação da consciência política num sentido amplo, abrangendo o maior número possível de pessoas. Para essa atividade, a filiação, qualquer filiação partidária, iria atrapalhar. Fico mais livre e suscito mais atenção se as pessoas percebem que não tenho qualquer ambição pessoal naquilo que faço, digo ou escrevo.
Uma grande notícia para os que acompanham o seu trabalho é o lançamento de A TOMADA DO BRASIL PELOS MAUS BRASILEIROS, que compreende uma seleção de artigos do senhor, escritos nos últimos 4 anos. Qual a sensação de estender a um público ainda maior as constatações feitas em tempo real sobre um período tão importante da história recente do Brasil?
Esse livro atende a um pedido de muitos leitores. Eles observaram algo que todo colunista sabe. A coluna do jornal, a crônica do blog, uma vez lida, some nas pilhas dos jornais velhos e nos arquivos do PC. Eu os meus editores consideramos conveniente que ao menos alguns textos destes últimos quatro anos pudessem estar nas prateleiras, ao alcance da mão dos leitores… Na minha opinião, bem organizado e bem editado, produziu-se um livro bom de ler. Mas sou suspeito para dizê-lo. Então, considere não dito.
Tendo analisado a “Tomada do Brasil pelos maus brasileiros”, o senhor considera possível, num futuro próximo, a retomada do Brasil pelos bons brasileiros?
Quando você aponta para algo ou alguém e diz que há, nesse algo ou nesse alguém, um erro, um mal, um engano ou falsidade, você está, simultaneamente, sinalizando o certo, o bem, o correto e o verdadeiro. Não creio que haja qualquer texto nesse livro em que as indicações positivas não estejam explicitadas ou não possam ser deduzidas pelos leitores. Sim, eu acredito na retomada, mas ela só produzirá as consequências desejadas se um novo arranjo estabelecer racionalidade às nossas instituições. Com esse presidencialismo de corrupção, de negócios, de ocupação de todos os espaços por um partido político (qualquer que ele seja), não tem jeito. Pode ficar menos pior, mas não é só isso que devemos almejar, não é mesmo?
Quais defeitos o senhor percebe na direita brasileira?
Pois eu penso que essa pergunta está respondida acima. A direita, salvo grande engano meu, crê que tudo se resolve com a simples substituição das pessoas no poder. Ninguém parece disposto a afirmar que, além disso, é preciso mudar, também, o modo como o poder se organiza.
“A retomada do Brasil pelos bons brasileiros” pode ser o título do seu próximo lançamento? (Risos). Podemos ficar na expectativa de novas surpresas como o foi sua recente obra?
Eu pretendo lançar, até meados do ano que vem uma nova edição ampliada e atualizada de “Cuba – A tragédia da utopia”, um livro meu de 2004, totalmente esgotado. Estou nos últimos capítulos.







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Antes de ser preso: Delcídio foi gravado mais de uma vez

Antes de ser preso, Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, estava grampeado com autorização da Justiça

Por Ricardo Noblat/Foto: Andre Coelho / Agência O Globo
A Polícia Federal tem outras conversas dele gravadas - inclusive com um ministro do Supremo Tribunal Federal. ...

O grampo começou a ser legalmente aplicado depois que Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras preso pela Lava-Jato, entregou à Procuradoria Geral da República (PGR) a gravação do seu encontro com Delcídio em um hotel de Brasília.

Não foi de Bernardo a iniciativa de bater às portas da PGR. Foi a Polícia Federal que o procurou a respeito. Quando o fez, Bernardo já havia recebido a primeira das 48 parcelas de R$ 50 mil que Delcídio lhe prometera em troca do silêncio do seu pai.

Estrelas da República sabiam que Delcídio fôra incubido de tentar evitar que Cerveró firmasse acordo de delação premiada.

Delcídio não agiu unicamente em defesa de sua reputação, e da reputação do banqueiro André Esteves, seu parceiro na tarefa.

Havia mais gente interessada em calar Cerveró.

Foi por isso que hoje, ao depor na Polícia Federal, Delcídio se descontrolou quando lhe contaram que Lula o chamara de "burro" e o acusara de cometer "uma idiotice".

Como Lula, logo ele que já se meteu em tantras trapalhadas, disse uma coisaa dessas de Delcídio?

O senador preferiu suspender seu depoimento à polícia. Deverá retomá-lo na próxima segunda-feira. Ou ainda neste fim de semana.






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O país vai dormir melhor

 VALENTINA DE BOTAS
“Coisa de imbecil. Uma burrada”, faltou o jeca alérgico à verdade dizer a verdade: é coisa de canalha. Jequice também é coisa de imbecil, mas não é crime. Jequice com roubalheira, coisa de caudilho lolopetista, é. Como mãe, cidadã indignada e entristecida, a exemplo de todo não lulopetista, pela asquerosa paisagem moral que o lulopetismo desenha há 13 anos nas nossas janelas, disse à minha filha que o país está mais simples.

Essa paisagem parecia ter na mentira o suporte mais musculoso, mas os brasileiros temos sido expostos à tamanha sistematização da mentira cuja amplitude degenerou em torpeza ainda mais insidiosa e mais articulada do que o encadeamento doentio e contumaz de mentiras sobrepostas. Houve um tempo em que, para driblar a verdade, o PT apenas mentia. Sem papas na língua, mentia com a objetividade solene de qualquer antagonista da decência na vida pública.
José Dirceu, por exemplo, era de uma falsidade concisa: “o PT não róba nem deixa robá”. Contudo, hoje, Lula nem diz mais que petista não é ladrão, mas que não admitirá que ladrões o digam; Dilma não conseguiu dizer que o governo dela não estava metido em roubalheira, apenas que não estava sendo investigado; a nota do Rui Falcão sobre a conversa de covil gravada por Bernardo Cerveró não fala que o PT a repudia, mas que não envolve o partido, aquele que franqueou aos envolvidos tetas, boquinhas e regaços de um Estado inútil à nação.
A mentira – pão da alma dos lulopetistas –, como mera negação da verdade, sofisticou-se na deformação discursiva da realidade: assim, coisa de escroque vira coisa de imbecil. A extensão disso está na vigarice de sagrar uma gestora onde só há uma dilma, na higienização de arrendadas reputações irrecuperáveis, na retórica a favor dos pobres quando são eles os mais vulneráveis à cópula entre o idiotismo e a roubalheira.
Às constatações do sempre ótimo Um Minuto com Augusto Nunes, acrescento que Delcídio desapontou Lula também porque, ao ser flagrado, mostra que estava nessa narrativa abjeta porque dada pelo PT. Ou não é o partido o corretor da venda de Pasadena à Petrobras? Zonzo, escolhe quais delinquentes remirá e quais sacrificará como se ele próprio fosse mais do que uma voz mentirosa do além. Quanto mais a realidade se lhe é imposta, mais rejeita que o país refaz a cosedura do tecido da realidade esburacada pelo regime.
Num Brasil perplexo com narrativas que normalizam o avesso de tudo, coisas simples como ladrões poderosos irem para a cadeia abalam o regime – que, de aspirante à perenidade, quer apenas fugir do camburão – e melhoram qualquer país, simplificam-no quando os pais podem dizer aos filhos que poderosos ladrões também vão para a cadeia. Nada, nada, estancaram-se a sabotagem à República e o escárnio a quem cumpre a lei. A súcia já foi forte em dentes, músculos e narrativas, hoje nem tanto; e o Brasil vai dormir melhor, mais simples.





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