Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Desarmamento e genocídios


No dia 24 de abril deste ano, o primeiro genocídio do século XX completará 98 anos: o governo turco dizimou mais de um milhão de armênios desarmados. A palavra-chave da frase é justamente esta última: "desarmados".
Os turcos escaparam de uma condenação mundial porque utilizaram a desculpa de tudo ter sido uma 'medida de guerra'. Findada a Primeira Guerra Mundial, eles não sofrerem nenhuma represália por este ato de genocídio. É como se o governo turco não houvesse conduzido absolutamente nenhuma medida de homicídio em massa contra um povo pacífico.
Outros governos perceberam que o ardil funcionara e rapidamente tomaram nota do fato. Era um precedente internacional conveniente demais para ser ignorado.
Setenta e nove anos após o início daquele genocídio, o famoso Hotel Ruanda abriu as portas.
Os Hutus também se safaram.  Ironicamente, pelo menos uma década antes do massacre em Ruanda — gostaria de me lembrar da data exata -, a revista americana Harper's publicou um artigo em que profetizava com acurácia este genocídio, e por uma razão muito simples: os Hutus tinham metralhadoras; os Tutsis, não. O artigo foi escrito em um formato de parábola, sem se preocupar em fazer previsões especificamente políticas. Lembro-me vivamente de, ao ler aquele artigo, ter imediatamente pensado: "Se eu fosse um Tutsi, emigraria o mais rápido possível".
O fato é que, em todo o século XX, não foi um bom negócio ser um civil.  As chances sempre estavam contra você.
Péssimas notícias para os civis
Tornou-se um lugar comum dizer que o século XX, mais do que qualquer outro século na história conhecida da humanidade, foi o século da desumanidade do homem para com o homem. Embora esta frase seja memorável, ela é um tanto enganosa. Para ser mais acurada, o certo seria modificá-la para "o século da desumanidade dos governos para com civis desarmados". No caso do genocídio, no entanto, tal prática não pode ser facilmente descartada como sendo um dano colateral imposto a um inimigo de guerra. Trata-se de extermínio deliberado.
O século XX começou oficialmente do dia 1º de janeiro de 1901. Naquela época, uma grande guerra já estava em andamento; portanto, vamos começar por ela. Mais especificamente, era a guerra iniciada pelos EUA contra as Filipinas, cujos cidadãos haviam sido acometidos da ingênua noção de que a libertação da Espanha não implicava uma nova colonização pelos EUA. Os presidentes americanos William McKinley e Theodore Roosevelt enviaram 126 mil soldados para as Filipinas para ensinar àquele povo uma lição sobre a moderna geopolítica. Os EUA haviam comprado as Filipinas da Espanha por US$20 milhões em dezembro de 1898. O fato de que os filipinos haviam declarado independência seis meses antes dessa compra era irrelevante. Um negócio é um negócio. Aqueles que estavam sendo comprado não podiam dizer nada a respeito, muito menos protestar.
Naquela época, era uma prática comum fazer a contagem de corpos dos combatentes inimigos. A estimativa oficial foi de 16 mil mortos. Algumas estimativas não-oficiais falam em aproximadamente 20.000.  Para os civis, tanto naquela época quanto hoje, não há estimativas oficiais.  O número mais baixo fala em 250 mil mortos. A estimativa mais alta é de um milhão.
E então veio a Primeira Guerra Mundial e as comportas foram abertas — ou melhor, os banhos de sangue foram institucionalizados.
Turquia, 1915
O genocídio armênio de 1915 foi precedido por uma limpeza étnica parcial, a qual durou dois anos, 1895—97. Aproximadamente 200 mil armênios foram executados.
Os armênios eram facilmente identificáveis. Alguns séculos antes, os invasores turcos otomanos os haviam forçado a acrescentar o "ian/yan" aos seus sobrenomes. Como os armênios estavam dispersos por todo o império, eles não possuíam o mesmo tipo de concentração geográfica que outros cristãos possuíam na Grécia e nos Bálcãs. Eles nunca organizaram uma força armada para oferecer resistência. E foi isso o que os levou à destruição. Eles não tinham como lutar e resistir.
Os armênios eram invejados porque eram ricos e mais cultos do que a sociedade dominante. Eles eram os empreendedores do Império Otomano. O mesmo ocorreu na Rússia. O mesmo ressentimento existia na Rússia, embora não com a intensidade do ressentimento que existia na Turquia.
As estimativas não-turcas falam em algo entre 800 mil e 1,5 milhão de armênios mortos. Embora a maioria destes homicídios tenha ocorrido com o uso de baixa tecnologia, os métodos eram extremamente eficazes. O exército capturava centenas ou milhares de civis, levava-os até áreas desertas e inóspitas, e os deixava lá até que literalmente morressem de fome.
O nome Arnold Toynbee é bem conhecido. Já na década de 1950 ele era um dos mais eminentes historiadores do planeta. Seu estudo, compilado em 12 volumes (1934—61), sobre 26 civilizações não possui precedentes em sua amplitude. Sua obra O Tratamento dos Armênios no Império Otomano foi sua primeira grande publicação.
Por que algumas organizações armênias não dão ampla divulgação e notoriedade a este documento é algo que me escapa completamente. O livro está em domínio público. A seção a seguir, que está na Parte VI, "As Deportações de 1915: Procedimento", é iluminadora. Leia-a com atenção. Trata-se do aspecto crucial de todo o genocídio. O governo confiscou as armas dos cidadãos.
Um decreto foi expedido ordenando que todos os armênios fossem desarmados.  Os armênios que serviam no exército foram retirados das fileiras combatentes, reagrupados em batalhões especiais de trabalho, e colocados para construir fortificações e estradas.  O desarmamento da população civil ficou a cargo das autoridades locais.  Um reino de terror foi instaurado em todos os centros administrativos.  As autoridades exigiram a produção de uma quantidade estipulada de armas.  Aqueles que não conseguissem cumprir as metas eram torturados, frequentemente com requintes satânicos; aqueles que, em vez de produzir, adquirissem armas para repassá-las ao governo — comprando de seus vizinhos muçulmanos ou adquirindo por qualquer outro meio —, eram aprisionados por conspiração contra o governo.
Poucos desses eram jovens, pois a maioria dos jovens havia sido recrutada para servir o estado.  A maioria era de homens mais velhos, homens de posse e líderes da comunidade armênia, e tornou-se claro que a inquisição das armas estava sendo utilizada como um disfarce para privar a comunidade de seus líderes naturais.  Medidas similares haviam precedido os massacres de 1895—96, e um mau presságio se espalhou por todo o povo armênio.  "Em uma certa noite de inverno", escreveu uma testemunha estrangeira desses eventos, "o governo enviou soldados para invadir as casas de absolutamente todos os armênios, agredindo as famílias e exigindo que todas as armas fossem entregues.  Essa ação foi como um dobre de finados para vários corações".
Desarmamento
Lênin desarmou os russos. Stalin cometeu genocídio contra os kulaks ucranianos durante a década de 1930. Pelos menos seis milhões de pessoas foram mortas.
Como mostrou a organização Jews for the Preservation of Firearms Ownership (Judeus pela Preservacao da Propriedade de Armas de Fogo), o modelo do Decreto do Controle de Armas de 1968 nos EUA — até mesmo as palavras e o fraseado — foi copiado da legislação de 1938 de Hitler, a qual, por sua vez, era uma revisão da lei de 1928 aprovada pela República de Weimar. Uma boa introdução a esta história politicamente incorreta da história do controle de armas pode ser vista aqui.
Quando as tropas de Mao Tsé-Tung invadiam um vilarejo, elas capturavam os ricos. Em seguida, elas ofereciam a devolução das vítimas em troca de dinheiro. As vítimas eram libertadas quando o pagamento fosse efetuado. Mais tarde, o governo voltou a sequestrar essas mesmas pessoas, só que desta vez exigindo armas como resgate. Ato contínuo, assim que as armas eram entregues, as vítimas eram libertadas. Essa mudança de postura — exigir armas em vez de dinheiro — fez com que a negociação parecesse razoável para as famílias das próximas vítimas. Porém, tão logo o governo se apossou de todas as armas de uma comunidade, os aprisionamentos e as execuções em massa começaram.
A ideia de que o indivíduo tem o direito à autodefesa era tão comum e difundida no século XVIII que ela foi escrita na Constituição americana: a segunda emenda. Carroll Quigley, eminente historiador e teórico da evolução das civilizações, era também um especialista na história do uso de armas pela população. Ele escreveu um livro de mil páginas sobre o uso de armas como meio de defesa durante a Idade Média. Em sua obra Tragedy and Hope (1966), ele argumenta que a Revolução Americana foi bem sucedida porque os americanos possuíam armas de poder de fogo comparável àquelas em posse das tropas britânicas.  Foi exatamente por isso, disse ele, que houve toda uma série de revoltas contra governos despóticos em todo o século XVIII. 
Tão logo as armas em posse do governo se tornaram superiores, os movimentos e manifestações em prol da redução do tamanho do estado deixaram de ter o mesmo êxito que haviam tido nos séculos anteriores.
Há uma razão por que os governos são tão empenhados em desarmar seus cidadãos: eles querem manter seu monopólio da violência a todo custo. A ideia de haver cidadãos armados é apavorante para a maioria dos políticos. Afinal, para que serve um monopólio se ele não pode ser exercido?  Cidadãos armados impõem um limite natural à tirania do estado. 
Conclusão
Genocídios acontecem.
Mas não há genocídio quando os alvos estão armados.


Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website.

Publicado no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Brasileiros terão apenas 4 feriados nacionais em dias úteis neste ano

Do UOL
Depois de um 2012 cheio de folgas, os trabalhadores terão um 2013 com apenas quatro feriados nacionais em dias úteis, contra sete do ano que acaba de passar.
Entre o Carnaval e o Natal, apenas Páscoa, Dia do Trabalho, Corpus Christi e Proclamação da República cairão em dias de semana.

Ao todo, 2013 terá 255 dias úteis, três a mais do que o ano que passou. Os meses de julho e outubro serão os "mais longos", com 23 dias de trabalho, enquanto fevereiro, março, junho e novembro, com 20, serão os "mais curtos".

O primeiro feriado depois do Carnaval será a Paixão de Cristo, no dia 29 de março, uma sexta-feira. Em abril, o Dia de Tiradentes, 21, cairá em um domingo. O feriado seguinte será o Dia do Trabalho, 1º de maio, uma quarta-feira.

Corpus Christi cairá no dia 30 de maio, uma quinta-feira, e será a única folga que poderá ser prolongada. A Independência do Brasil, em 7 de setembro, cairá em um sábado, assim como o Dia de Nossa Senhora de Aparecida, 12 de outubro, e o feriado de Finados, 2 de novembro. Depois de tantos feriados em fins de semana, a Proclamação da República, em 15 de novembro, chega como um prêmio de consolação antes do Natal e cai em uma sexta-feira.

Para engordar a lista

Se os feriados nacionais não darão folgas prolongadas aos trabalhadores, os municipais e estaduais podem ajudá-los neste ano. Em São Paulo, há os dias 25 de janeiro, uma sexta-feira, que celebra o aniversário da cidade; 9 de julho, uma terça-feira, da Revolução Constitucionalista de 1932; e 20 de novembro, quarta-feira, que comemora o Dia da Consciência Negra, para descansar.
Já no Rio de Janeiro, o dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, cairá em um domingo, 20 de janeiro. Sobram para os cariocas, os feriados de 23 de abril, uma terça-feira, Dia de São Jorge, e 20 de novembro, uma quarta-feira, Dia da Consciência Negra.

Em Belo Horizonte, os mineiros terão folga apenas na quinta-feira, dia 15 de agosto, no feriado de Assunção de Nossa Senhora. Oito de dezembro, dia de Imaculada Conceição, vai cair em um domingo.

No Nordeste, Salvador terá dois dias de folga: 24 de junho, uma segunda-feira, dia de São João; e 2 de julho, Independência da Bahia, uma terça-feira. O feriado de Nossa Senhora da Conceição da Praia, 8 de dezembro, cairá em um domingo.

No Recife, as folgas serão maiores do que na capital baiana. Além dos dias de São João e de Nossa Senhora da Conceição da Praia, a terra do frevo terá para folgar os dias 6 de março, data em que se comemora a Revolução Pernambucana, uma quarta-feira; e 16 de julho, Dia de Nossa Senhora do Carmo, uma terça-feira.

Os moradores de Brasília terão menos sorte em 2013. A capital federal terá dois feriados e ambos caindo em fins de semana. A data em que se comemora a fundação da capital brasileira, 21 de abril, será um domingo, e 30 de novembro, Dia do Evangélico, um sábado.

No Sul, Porto Alegre terá o aniversário da cidade, 26 de março, uma terça-feira, e o Dia da Revolução Farroupilha, 20 de setembro, uma sexta-feira, de feriados em dias úteis. Dois de fevereiro, data de Nossa Senhora dos Navegantes, cairá em um sábado.

O Brasil é o oitavo no ranking dos países que têm mais folgas, ao lado de Polônia, Cingapura, França, Suécia, Itália, Nova Zelândia, China e Paquistão: são 11 feriados nacionais no total.

De acordo com a consultoria Mercer, a Colômbia é o país com mais folgas oficiais no mundo: 18 no total. Líbano, Índia, Tailândia vêm na segunda colocação com 16, cada um, e Japão e Coreia do Sul estão em empatados em terceiro, com 15.

A cegueira da CIDH ante as atrocidades das FARC

Emilio Álvarez, secretário da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), esteve durante uma semana percorrendo o país. Ele e outros membros desse organismo visitaram cidades como Bogotá, Cali, Medellín e Quibdó. Eles haviam sido convidados pelo presidente Juan Manuel Santos.
No final, Álvarez declarou a um jornal bogotano que havia no país “avanços muito importantes” em algumas matérias, como a Lei de Vítimas. Porém, que também havia falhas e ausência de realizações em matérias-chave como o assunto do deslocamento de populações e a atuação dos “bandos criminosos (...) que têm todo o sentido e a lógica dos para-militares”.
O alto funcionário estimou que havia desigualdades “estruturais” que ainda não foram revertidas. Citou, em particular, a “discriminação à população afro e à população indígena” (sic). Álvarez viu que em matéria de justiça havia uma curiosa contradição: que há um “grande número de desmobilizados” e “na hora dos julgamentos (...) as sentenças e culpados são poucos”.
Lamentavelmente, Emilio Álvarez não viu o principal problema do país em matéria de violação dos direitos humanos: as atrocidades que diariamente as FARC e o ELN cometem, e a impunidade de que gozam os FARC-políticos. Esse grande tema desapareceu ante seus olhos de maneira perfeita e como por encanto. Em outras palavras, Emilio Álvarez entrou na jaula do tigre e não viu o tigre. A prova disso é que foi incapaz de dizer uma só palavra sobre esse tema, pois colocou as atrocidades quotidianas dessa gente em um saco furado que ele comodamente chamou de “conflito armado”.
Como esses crimes são produto de um “conflito armado”, não há por que mencioná-los nem denunciá-los, segundo ele, como violações graves aos direitos humanos. Nesse terreno, o único aspecto que Emilio Álvarez viu foi o da justiça penal militar. E o que ele disse é muito estranho:
“Sabemos que há um conflito armado na Colômbia, que se tem que estabelecer um mecanismo legal que permita nesse caso gerar uma condição de eqüidade processual para que um soldado e um transgressor da lei sejam processado nos mesmos termos, e que um soldado não seja condenado a 40 anos e um transgressor a oito, por exemplo”.
Por que Emilio Álvarez equipara “um soldado” com um “transgressor da lei”? Todo soldado é in pectore um transgressor da lei? Essa é sua noção da “eqüidade processual”? É isso que se deve esperar de um funcionário internacional que entra no país com o respaldo da CIDH e da Presidência da República?
Lendo essas declarações a pessoa se dá conta de que o conceito de “conflito armado” é uma espécie de laboratório de muros transparentes, rodeado de funcionários patenteados em Direitos Humanos que intervêm só para acusar os agredidos. Os agressores têm direito de fazê-lo pois estão, precisamente, em um “conflito armado”. Não deve escandalizar a ninguém se os terroristas atacam os representantes do Estado e a sociedade, pois isso ocorre dentro de um “conflito armado”.
Outra conclusão que se depreende das declarações do senhor Álvarez é que os terroristas são simples “transgressores”. As selvagerias que cometem (tráfico de drogas, seqüestros, fuzilamentos, semeadura de minas terrestres, assassinatos, atentados contra os civis e contra os agentes da força pública, derrubada de aeronaves, assaltos a povoados, demolições de infra-estruturas, desalojamento de comunidades inteiras, roubos de terras, envenenamento de águas, incêndios, etc.) são simples “transgressões”, quer dizer, violações leves do código penal.
A visão deficiente, para não dizer tendenciosa, que exibiu o senhor Álvarez durante sua visita à Colômbia, também foi confirmada pelo que disse sobre os processos em curso contra os militares que recuperaram o Palácio da Justiça de Bogotá, tomado e incendiado por terroristas em 1985. Emilio Álvarez disse o seguinte: “Esse é um caso que está às portas da Corte (Suprema de Justiça) porque há evidência de que houve gente que saiu viva mas que de repente desapareceu. Há vídeos, há material, há evidência. Esse caso está em discussão e está nas portas”.
Todo esse parágrafo é incorreto. Emilio Álvarez não se perguntou por que os únicos não culpados são precisamente os militares que tiveram um papel legítimo nesse episódio sangrento e não se perguntou por que os agressores, os autores sobreviventes desse espantoso crime contra a justiça colombiana, que estão livres após haver participado na tomada de decisão política e na ação desse assalto, não foram ainda objeto de um processo.
Vê-se que Emilio Álvarez não conhece esse tema, pois ele se equivoca ao dizer que “há evidência de que houve gente que saiu viva (do Palácio) mas que de repente desapareceu”.
Há onze meses que se derrubou a crença de que o Coronel Alfonso Plazas Vega tinha algo a ver com os supostos “desaparecidos” do Palácio da Justiça. O Tribunal Superior de Bogotá (TSB) reduziu esses desaparecidos de onze para dois e, na mesma data, o magistrado relator, Hermens Darío Lara Acuña, em seu salvamento de voto pediu a absolvição do Coronel Plazas, pois ele tampouco tinha nada a ver com os dois “desaparecimentos” restantes.
Só os magistrados do TSB confirmaram, é certo, a sentença de primeira instância contra o Coronel Plazas, por dois supostos desaparecidos - o administrador da cafeteria e a guerrilheira Irma Franco -, mas como tampouco há provas sobre esses dois “desaparecimentos”, o TSB teve que basear sua decisão não unânime na doutrina de um jurista alemão, Klauss Roxim, que não tem nada a ver com o sistema penal colombiano, como Roxim mesmo disse. O reaparecimento desse enorme erro judicial, o mais escandaloso da história do Direito na Colômbia, é o que a Corte Suprema de Justiça está a ponto de fazer. Emilio Álvarez está mal informado e uma semana na Colômbia não foi suficiente para ele ver mais claro.


Tradução:
Graça Salgueiro

Milionária chinesa trabalha como faxineira para "dar exemplo" aos filhos

Uma milionária chinesa de 53 anos, proprietária de 17 imóveis, trabalha como faxineira seis dias por semana para, segundo ela, ensinar aos seus filhos as virtudes do trabalho, relata nesta quinta-feira o diário "South China Morning Post".
Yu Youzhen, que vive na cidade de Wuhan e cujas propriedades estão avaliadas em milhões de dólares, trabalha há 15 anos na limpeza do Birô de Administração Urbana por um salário de 1.420 iuanes (US$ 228).

"Quero ser um exemplo para meus filhos. Não quero me sentar ociosamente e dilapidar minha fortuna", assinalou Yu em entrevista ao diário.

Seguindo o exemplo de sua mãe, seus filhos trabalham em atividades comuns, pelo que um deles é motorista e ganha 2 mil iuanes mensais (US$ 320), enquanto outra, cujo emprego não foi revelado, recebe 3 mil iuanes (US$ 481).

Yu se queixa de que muitos vizinhos não entendem sua forma de vida, e alguns já chegaram a insultá-la publicamente por isso.

Durante sua juventude, trabalhou como agricultora e carregou diariamente sacos de hortaliças para vender nos mercados da cidade.

Mais tarde, na década de 1980, economizou o dinheiro com o qual construiria três casas de cinco andares nos arredores de Wuhan, que depois começou a alugar e iniciou um "império" que controla enquanto varre três quilômetros de ruas por dia.

O que trará o Ano Novo



O penhasco fiscal significa, acima de tudo, que a Pax Americana está chegando ao fim. Assim, a Ásia e a Europa estão destinadas a retomar suas velhas rivalidades.

O tempo tem o hábito de passar – e aqui estamos ao final de mais um ano. Em suas Meditações, o imperador romano Marco Aurélio escreveu: “O tempo é como um rio. Assim que alguma coisa é vista nele, logo essa coisa é levada embora para dar lugar à outra”. Arthur Schopenhauer disse: “O tempo é o lugar onde todas as coisas morrem”. Hoje a noite comemoramos a passagem de mais um ano; e então nos perguntamos: o que o Ano Novo trará?

O Presidente Obama disse que colocará “toda a sua influência” na política de controle de armas – enquanto isso, ele culpa o Congresso pelo iminente penhasco fiscal. O Senador Joe Manchin (democrata do estado da West Virginia) colocou em pauta um projeto de lei que supostamente “suaviza” a passagem pelo penhasco fiscal; além disso, o Presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner (republicano de Ohio), emitiu uma nota em resposta ao Presidente Obama, onde ele diz que os “republicanos fizeram todos os esforços para alcançar um déficit ‘balanceado’ conforme o presidente prometeu ao povo americano. Entretanto, o presidente insistiu continuamente em um pacote dramaticamente enviesado em favor do aumento de impostos que destruiriam postos de trabalho.”
Algumas coisas podem ser ditas a respeito do ano vindouro. Primeiramente, uma significante porção dos cortes do orçamento dos EUA foi direcionada aos gastos com defesa, ou seja, os Estados Unidos estarão menos seguros, não importa o quanto se repita o contrário. É esperado um corte de US$ 54,7 no orçamento do Pentágono apenas para o ano fiscal de 2013. Adicionado a isso, programas vitais de defesa serão eliminados, pois serão colocados em conflito direto com programas sociais “necessários”. Por exemplo, será alegado que Washington terá de cortar US$ 11.1 bilhões do Medicare para pagar as inspeções do nosso arsenal nuclear que apodrece.
Dada a mentalidade dos Estados Unidos nos dias de hoje, o Medicare certamente triunfará sobre as armas nucleares. Então se prepare para um mundo sem um desencorajador e confiável arsenal nuclear americano (que já vem perdendo sua confiança pelos últimos três anos). Enquanto isso, o Irã e a China estão trabalhando para produzir armas nucleares como salsichas e a Rússia acionou submarinos silenciosos. A América não vai conseguir manter-se par com a Rússia ou com a China. É uma questão de realidade financeira e política.  É uma realidade que os líderes do Japão e da Alemanha deveriam se preocupar.
No Extremo Oriente a China e o Japão aparecem como inimigos. A batalha sino-japonesa pela Ásia, interrompida em 1945 pelo bombardeio atômico ao Japão, está agora renovada e pronta para começar de novo. O poderio americano já foi ignorado, como se os EUA sequer estivessem lá. Aqui encontramos uma expectativa, uma previsão e um pensamento. O penhasco fiscal significa, acima de tudo, que a Pax Americana está chegando ao fim. Assim, a Ásia e a Europa estão destinadas a retomar suas velhas rivalidades.
Enquanto essas coisas acontecem, a crise financeira europeia pavimenta o caminho para o ressurgimento do nacionalismo, do fascismo e do socialismo linha-dura. O que aconteceu na Grécia foi apenas um antegosto – economica e politicamente falando. O espantoso progresso eleitoral do movimento Aurora Dourada sob o slogan “Grécia para os gregos” nos dá um vislumbre do futuro.  Com a morte do então encarcerado vice-Führer – Rudolf Hess – em 1987, os membros da Aurora Dourada distribuíram proclamações que diziam “Rudolf Hess imortal”. Hoje a Aurora Dourada tem 18 cadeiras no Parlamento grego. É inevitável que esse número aumente. Mas por que – você me pergunta – isso é algo inevitável? Porque a situação econômica piorará em 2013 conforme as soluções erradas forem sendo repetidamente aplicadas. Assim, parece que os líderes da nossa civilização não sabem como manter o que lhes foi legado. Eles estão equipados com ideologias superficiais, slogans superficiais e (Deus os ajude) estão sem dinheiro. Assim como na Revolução Francesa, o descuido não é apenas uma questão financeira.
Aqueles que esperam que as fórmulas políticas de última hora se mantenham em voga falharam em ler sua própria história. Nenhuma ideologia se mantém no poder para sempre. O politicamente correto de hoje será açoitado amanhã. Todas as coisas derrocam e todos os sistemas se tornam senis. “O tempo é como um rio” escreveu Marco Aurélio. “Assim que alguma coisa é vista nele, logo essa coisa é levada embora para dar lugar à outra.”
Cícero disse: “Não há nada feito pelas mãos dos homens que [...] o tempo não destrói.”

Publicado no Financial Sense.

Tradução:
Leonildo Trombela Júnior

A lição

A lição de Antonio Ribeiro Netto
Por Elio Gaspari - O globo - 

O neurocirurgião que matou o plantão e deixou uma menina com uma bala na cabeça pode aprender o que é ser médico
O neurocirurgião Adão Crespo, do Hospital Salgado Filho, do Rio, faltou ao serviço no dia de Natal. Por isso, a menina Adrielly dos Santos, de 10 anos, ficou oito horas esperando por atendimento adequado. Tinha uma bala na cabeça.

Chamado à polícia, informou que faltava aos plantões há um mês, porque discordava da escala de serviço. Segundo o doutor, uma determinação do Conselho Regional de Medicina manda que haja nos hospitais públicos dois neurocirurgiões por plantão. Como escalavam-no sozinho, não ia. Lindo.
O Cremerj determina que os plantonistas sejam dois e o neurocirurgião decide que é dois ou nada, passa o dia de Natal em casa e Adrielly fica com a bala na cabeça.
Vale registrar que é uma temeridade botar um caso como o da menina nas mãos de um só neurocirurgião. Seria necessário que no plantão houvesse pelo menos um residente para assisti-lo. Bingo: o sistema público do Rio não tem mão de obra para respeitar essa necessidade.
Se o doutor Crespo, ou qualquer outro, quer se rebelar contra a má qualidade dos serviços públicos de saúde, tem dois caminhos: pede as contas ou usa o seu tempo disponível para infernizar a vida do prefeito Eduardo Paes, do governador Sérgio Cabral, do ministro Alexandre Padilha e da doutora Dilma. Pode até protestar contra o Papa, mas não pode faltar ao serviço, nem se defender na polícia com o manto branco do corporativismo médico.
Crespo e todos os seus similares deveriam ser convidados a preparar uma biografia de um colega: Antonio Ribeiro Netto. Durante mais de 40 anos, até sua morte, nos anos 90, foi cirurgião de tórax do Hospital Souza Aguiar. Lá, o CTI da neurocirurgia chamava-se “Coreia”. Não sabia quanto ganhava. Quando se aborrecia com as questões do cotidiano, ia para o hospital adiantar procedimentos cirúrgicos. Em 1993, vendo a medicina pública do Rio assolada por “escolhas de Sofia”, nas quais os médicos eram obrigados a decidir quem morreria por falta de atendimento, ele olhava para o descalabro e dizia: “A culpa é minha. Fui míope. Talvez se eu tivesse ido para os jornais atacar o governador, talvez se eu tivesse entrado aos gritos no gabinete do secretário, não sei. A verdade é que deixei a peteca cair.” Dizia isso sabendo que nunca faltara a plantão. Hoje Ribeiro Netto é nome de policlínica, mas seu exemplo perdeu-se na poeira do descaso.
As guildas médicas são incapazes de diagnosticar as patologias individuais de seus profissionais. Algo como se um doutor, diante de um caso de pneumonia (o neurocirurgião que falta ao serviço), quisesse discutir o aspecto epidemiológico do problema (a falta de dois profissionais no plantão). Nisso, Adrielly ficou com a bala na cabeça. O Conselho Regional de Medicina faz bonito quando pede dois neurocirurgiões, mas fica numa posição troncha quando um deles se justifica usando sua recomendação para deixar o plantão sem neurocirurgião algum.
Já os presidentes, ministros, governadores e prefeitos dedicam-se a uma espetacularização da ruína. Sérgio Cabral chegou ao governo dizendo que a medicina pública do Rio praticava um “genocídio” e o prefeito Eduardo Paes disse que Adão Crespo é “um delinquente”. E o chefe do doutor, a quem ele diz ter comunicado que não iria aos plantões?

2013, o ano que já terminou

Guilherme Fiuza - Revista Época - 
    O ano de 2012 se encerrou de forma absolutamente normal no Congresso Nacional. Em sua última sessão, o Senado aprovou um trem da alegria para os Três Poderes, com a criação de milhares de cargos numa só canetada. É normal porque a caneta era de José Sarney, companheiro de Dilma Rousseff, uma aliança que, todos sabem, serve ao Brasil de todos – todos os que fizeram as amizades certas. Se você está fora dessa, terá de cumprir em 2013 o destino trágico dos reles mortais, esses infelizes que não têm uma Rosemary para chamar de sua – e que ainda fazem uma coisa primária que os companheiros revolucionários não precisam mais fazer: trabalhar.
Texto completo
Mas não se desespere. A vida dos excluídos (do banquete petista) tem lá suas compensações. É bem verdade que você nunca verá um filho seu ficar famoso da noite para o dia por ter arranjado uma boquinha na Anac ou no Senado. Nunca o convidarão, também, para uma reunião com José Dirceu para “reforçar o Marco Maia”.
Enfim, você não tem a menor importância na República do Oprimido, mas nem tudo são espinhos. Ninguém lhe pedirá para cantar “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” em desagravo ao filho do Brasil – o que já é um vidão.
Para consolar os excluídos, os que vivem miseravelmente sem acesso a uma única teta do Estado brasileiro, uma ponderação: o Brasil se tornou um país previsível, de rumo firme. Isso torna possível antecipar o que acontecerá em 2013. Isso jamais seria possível antes do Descobrimento (em 2003) – portanto, não reclame de barriga cheia.
Em março, Dilma Rousseff convocará a primeira cadeia nacional de rádio e TV da série 2013. Fará um pronunciamento à nação pelo Dia Internacional da Mulher. Falará com a voz embargada, sobre um fundo de violinos, e, se a iluminação do estúdio estiver correta, parecerá ter os olhos molhados. Encherá os brasileiros de orgulho por ser governados por uma “presidenta” – palavra que seus assessores saberão encaixar no discurso – e anunciará algum programa social novo, tipo Brasil Caridoso, Brasil Sem Tristeza ou Brasil Fofo. Apresentará uma estatística impressionante, encomendada ao Ipea e à FGV, mostrando que nos anos Fernando Henrique lugar de mulher era na cozinha.
A inflação em 2013 continuará subindo, e a aprovação a Dilma tambémEm 2013, o Brasil sofrerá novos apagões, provocados por raios neoliberais e elitistas. A tarifa populista de energia será implantada, ajudando a sucatear as empresas do setor, que por isso investirão menos ainda em manutenção – mas os blecautes não terão nada a ver com isso. O ministro Edison Lobão explicará que nosso sistema é um dos melhores do mundo e que essa mania de ter luz o tempo todo é coisa de burguesia consumista. Sarney ficará orgulhoso de seu afilhado – e pedirá a Roseana, com jeito, que deixe Lobão governar um pouquinho o Maranhão (“Filha, agora descansa e deixa seu colega brincar também.”).
A inflação em 2013 continuará subindo, e a aprovação a Dilma também. Explica-se o paradoxo: a principal causa da subida dos preços será um novo aumento explosivo dos gastos públicos, incluindo a distribuição de mais dinheiro de graça para a população – através dos programas carinhosos, o Bolsa Tudo. É a “destruição invisível” da economia nacional, que em 2013 será caprichada, porque em 2014 tem eleição. Os simpatizantes do governo popular ficarão felizes com a farta distribuição de bolsas, cargos, convênios a granel para os ministérios parasitários, e Dilma marchará tranquila para a reeleição. Aécio Neves assistirá a tudo escondido nas Alterosas e rezando para que Eduardo Campos o ultrapasse na corrida para não chegar.
Joaquim Barbosa, o redentor, fará muitos comícios sociais na presidência do Supremo, deixando pela primeira vez os brasileiros na dúvida: talvez exista outro ser tão bonzinho quanto Lula da Silva. Barbosa evidentemente será mordido pela mosca azul, mas o eleitor acabará ficando mesmo com o pacote Lula/Dilma, para não arriscar a mesada (o mensalão popular).
Rosemary não entregará seu chefe. Terá um ano sofrido, sem passaporte diplomático, mas ficará firme. Afinal, Lula não sabia (dona Marisa muito menos), e o amor sempre vence.
Como se vê, 2013 já foi. Se quiser uma passagem direta para 2014, passe no caixa da revolução, que o pessoal da Rose na Anac arranja para você.
Fonte: revista Época
 

Escravos, mas satisfeitos!

Nosso papel é tentar abolir essa escravidão não percebida do indivíduo ao estado, mostrando a esses pobres coitados aparentemente felizes que na verdade eles não são felizes, porque ninguém pode ser feliz se for privado de suas liberdades individuais.

“Nada é tão desalentador como um escravo satisfeito". A frase, postada anteontem no Facebook, atribuída ao famoso anarquista mexicano Ricardo Flores Magón (1874-1922), por me levar a pensar no quanto é tristemente verdadeira, me deu a ideia que procurava para minha postagem de hoje.

Nunca me considerei um anarquista. No plano da filosofia política, estou mais para um, vamos dizer assim, minarquista conservador (se é que existe tal coisa). Minarquista porque concordo com os que acham que o papel do estado não pode ser mais do que assegurar os direitos negativos dos indivíduos, ou seja, garantir que estes não sofram coerção física e moral, inclusive por parte do estado. E conservador no sentido de que, embora defenda o estado laico, sei que isso não significa estado ateu e  luto pela tradição moral judaico-cristã, o que me leva a rejeitar, tanto pela fé como pela razão – já que ambas sempre caminharam juntas - muitas propostas de "transformações" da sociedade, como as tentativas de mudar artificialmente e por decretos a ordem espontânea que gerou a família, legalizar o aborto, o casamento de pessoas do mesmo sexo, as drogas pesadas, as políticas afirmativas, etc.
Aceito como funções do estado a segurança (interna e externa) e a justiça, não mais do que isso. Sou, portanto, um defensor do chamado estado mínimo, o que me afasta dos chamados anarco-capitalistas, embora reconheça que me aproximo bastante deles quando sustentam que as minarquias tenderiam com o tempo a se transformar, pelo elemento coercitivo inerente ao estado, em estados tradicionais. Mas ainda creio, talvez ingenuamente, que mecanismos corretos de contenção de poder poderiam impedir essa tragédia (um deles poderia ser as chamadas instituições intermediárias entre indivíduos e estados, na linha da filosofia do chamado movimento focolares). Em outras palavras, concordo totalmente com Rothbard em teoria quando ele diz que o estado é nosso inimigo, pois seus argumentos são irrefutáveis. Mas penso em termos práticos que, já que não nos é possível acabar com esse inimigo nem convencê-lo a se tornar nosso amigo, então devemos lutar para transformá-lo em adversário, por saber que ter um adversário é sempre melhor (ou menos ruim) do que ter um inimigo.
Não tenho a menor simpatia por nenhuma das classificações do tipo liberal, libertário, neoliberal, novoclássico, minarquista, anarquista, anarco-capitalista, conservador e outras, porque acho que todas nos amarram a padrões fixos de um tipo ou de outro. Na verdade, creio que sou um pouco disso tudo, mas meus dois traços mais fortes creio serem  a minarquia e o conservadorismo. O que importa, para mim - em termos teóricos também, mas principalmente em termos práticos, é a redução do tamanho do estado moderno, esse gigante engolidor de tributos e escravizador de indivíduos. A única categorização que aceito com orgulho e na qual creio me encaixar perfeitamente é a de ser um economista da Escola Austríaca, mas no plano da filosofia política procuro fugir de qualquer carimbo para ser eu mesmo, para ter independência, para desfrutar de vida própria, para ter, enfim, a liberdade de criticar sem medo.
É claro que a frase do anarquista Magón me tocou porque prezo a liberdade individual como um valor de que não podemos abrir mão. Liberdade econômica, política e de consciência, mas liberdade entendida em um contexto de indivíduos vivendo - queiram ou não! -, dentro de uma sociedade, o que torna sua liberdade, como a chama o antropólogo espanhol Juan Luis Lorda, uma liberdade sitiada: ninguém, em sã comsciência, por exemplo, pode sair nu pelas ruas, simplesmente porque não pode, porque isso já está estabelecido pelos usos, costumes e tradições. Liberdade, portanto, não é, como acreditam alguns libertários ingênuos e despreparados, se arvorar o direito de fazer o que der na veneta, mas sim ser livre vivendo de acordo com os princípios morais e éticos que ordenam a vida em sociedade, que aquele antropólogo define como "a arte de viver bem”.
Feitas essas ligeiras divagações, voltemos a Magón e sua feliz frase. Vou modificá-la um pouco, para "Nada é tão desalentador como um escravo satisfeito e que não se dê conta de sua condição de escravo". Quando alguém perde sua liberdade e não mostra insatisfação com isso porque não consegue perceber que é tratado como escravo, é mesmo de desanimar qualquer um que preze a liberdade e que deteste a estupidez! Você perguntará, talvez, "mas será possível alguém perder sua liberdade, não perceber isso e ainda assim se mostrar satisfeito"? A resposta é: sim, porque existem os homens-toupeiras e basta olhar para as sociedades modernas para ver que existem mesmo! Vamos dar uma dezena de exemplos do Brasil, mas que são válidos, com pequenas alterações de país para país, para praticamente todos eles.
(1) Você trabalha até o final de maio para pagar os tributos dos publicanos insanos (ou coletores impostores) do estado;
(2) você não tem segurança nem justiça: dois exemplos disso são o da moça que foi atingida por uma bala perdida no ônibus em que ia trabalhar no bairro do Lins de Vasconcelos, no Rio, e veio a falecer e o de uma famosa CPI  recente que inocentou um conhecido acusado de corrupção, ligado a poderosos, que foi solto imediatamente;
(3) mesmo paganto tributos descomunais, você não tem acesso a bons serviços (por favor, não pensem que estou entre os que acham que, desde que esses serviços sejam “bons”, podemos aceitar elevadas cargas tributárias). Dois exemplos disso foram a fila, mostrada na televisão, dobrando o quarteirão em um hospital carioca no bairro de Bonsucesso, apenas para marcar consultas em um hospital público e o deste Natal, em que uma menina de dez anos, atingida na cabeça por uma bala perdida no subúrbio da Piedade foi levada pelos pais ao hospital Salgado Filho, também do governo, no Méier, e ao chegar lá não havia um neurocirugião, porque o que havia sido escalado para o plantão na noite de Natal simplesmente faltou, o que fez com que a pobre criança tivesse que esperar quase dez horas para ser atendida por um especialista requerido pela gravidade de seu ferimento. Por essa razão, quem tem alguns recursos, embora seja descontado para uma “saúde pública” que só existe na cabeça dos adoradores do estado, precisa pagar por um plano de saúde privado;
(4) se você se aposentar pela previdência estatal compulsória, estará condenado a viver o resto de seus dias - e noites - à míngua. Por isso, quem pode (e também quem não poderia, mas corta aqui e ali para poder), além de pagar pela previdência compulsória, paga também por um plano privado de aposentadoria;
(5) se você não entregar a sua declaração de imposto de renda até o dia 30 de abril, receberá a chicotada de uma multa e terá como castigo oito chibatadas de uma só vez, já que desobedeceu a seu senhor - o estado –, as de perder o direito ao parcelamento em oito vezes. E, se esquecer de declarar algum rendimento, será caçado impiedosamente pelos capitães do mato de seu senhor, que lhe arrancarão até o último centavo de suas algibeiras. As reportagens na TV, como sempre, entrevistam pascácios felizes da vida porque se anteciparam à correria de última hora e incentivam todos a preencherem logo aquelas malditas declarações, não deixando para fazer isso nos últimos dias do prazo decretado pela hiena do imposto de renda (o leão é um animal nobre e não merece ser comparado ao fisco);
(6) se você quiser abrir uma empresa, por menor que seja, é tratado pelo estado com total desconfiança e terá que provar ser honesto e passar por uma via crucis burocrática até que seu senhor autorize a abertura do seu negócio. Uma vez aberto, receberá frequentes visitas dos feitores-fiscais do seu senhor, para ver se está recolhendo direitinho o que lhe deve;
(7) se você desejar transportar, por exemplo, o seu neto de cinco anos em seu carro e este não for equipado com aqueles banquinhos obrigatórios, seu senhor o multará impiedosamente;
(8) se você parar o seu carro em um sinal vermelho durante a noite, em uma cidade perigosa, a probabilidade de ser assaltado por marginais é alta, mas se você não parar essa probabilidade será de 100%, porque seu senhor ali mandou instalar um pardal cuja função é não mais do que arrecadar;
(9) se você não gosta do tipo de educação que seu senhor impõe às escolas e quiser educar seus filhos em casa, será levado acorrentado da senzala até a barra dos tribunais;
(10) como disse o recém-falecido Joelmir Beting com o bom humor inteligente que o caracterizava, “Se você entrar na farmácia tossindo , paga 34% de imposto; se entrar latindo, paga só 14%”, pois a taxação sobre os medicamentos para nós, seres humanos, é mais do que o dobro da taxação sobre os produtos veterinários.
Dei apenas dez exemplos, mas poderia dar, sem exagero, centenas. Os brasileiros são escravos do estado prepotente, contraproducente, confrangente, oprimente, intransigente, incompetente, repelente, incongruente e que impõe a seus escravos uma droga estupefaciente, de efeito analgésico e euforizante e que pode provocar dependência, a ponto da maioria dos escravos simplesmente não saberem viver sem ela. Muitos deles chegam ao cúmulo de se apaixonarem por seu algoz, em uma síndrome de Estocolmo estatista.
Por isso, nosso papel, antes de partir para a abolição completa do estado pretendida pelos anarco-capitalistas mais radicais, é tentar abolir essa escravidão não percebida do indivíduo ao estado, mostrando a esses pobres coitados aparentemente felizes que na verdade eles não são felizes, porque ninguém pode ser feliz se for privado de suas liberdades individuais. Porque eles são escravos, mas poucos dentre eles percebem isso. Amam o estado, por isso não acreditam que são permanentemente traídos por ele. Serão os últimos a saberem. E a maioria segue na senzala, mas feliz da vida. Escravos, mas satisfeitos, jogando caxangá. Bobos alegres.

Novos deputados chegam à Câmara sob suspeita

Além de Genoino, condenado pelo Supremo, outros parlamentares que assumem também são alvos de denúncias. Um responde por homicídios e dois são acusados de trabalho escravo
A renúncia dos parlamentares que se elegeram prefeitos traz de volta à Câmara pelo menos cinco políticos que estiveram envolvidos em denúncias recentemente. Além de José Genoino (PT-SP), condenado no processo do mensalão pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), outros quatro personagens retornam à Casa, pela qual já passaram como titulares ou suplentes, respondendo a acusações. Um deles é acusado de dois homicídios e de participar de um esquema que desviou R$ 200 milhões dos cofres públicos em Alagoas; dois são acusados de explorar trabalho escravo. Outro teve seu nome envolvido em denúncias que derrubaram o então ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), em dezembro de 2011.
Apesar do recesso parlamentar, a Câmara deve empossar 14 deputados na tarde desta quinta-feira (3). Ao todo, 26 deputados saíram vitoriosos nas eleições municipais de outubro e trocaram o Legislativo federal pelo Executivo municipal. Outros 12 já assumiram. A expectativa, porém, é que novos suplentes sejam empossados. Isso por causa de afastamentos provocados pelos titulares que terão cargos nos municípios. Após ser notificado pela Casa, o suplente tem até 30 dias para entregar a documentação necessária. Se isso não ocorrer, assume o próximo da lista da Justiça Eleitoral.

Mensalão

Condenado a seis anos e 11 meses de prisão pelo Supremo, em regime semiaberto, José Genoino volta à Câmara três anos após deixar a Casa e não conseguir se reeleger. O ex-presidente nacional do PT foi condenado pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa no processo do mensalão. Ele volta à Câmara numa dança das cadeiras promovida pela efetivação do deputado Vanderlei Siraque (PT-SP), efetivado com a renúncia de Carlinhos Almeida (PT-SP), novo prefeito de São José dos Campos. Como Siraque, que vinha ocupando a suplência do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), herda a vaga de Carlinhos, o caminho fica aberto para a posse de Genoino como suplente da coligação.
Em uma decisão controversa, os ministros do Supremo decidiram pela perda do mandato dos parlamentares condenados no processo do mensalão. O ex-presidente do PT se junta, então, ao grupo formado por Valdemar Costa Neto (PR-SP), João Paulo Cunha (PT-SP) e Pedro Henry (PP-MT), que esperam manter o mandato e se livrar das penas quando seus recursos assim que apresentarem seus recursos.

Assassinatos
Delegado da Polícia Civil de Alagoas, Francisco Tenório (PMN-AL) retorna à Câmara para assumir em definitivo o mandato de deputado no lugar de Célia Rocha (PTB), nova prefeita de Arapiraca (AL). Tenório responde a duas acusações de assassinatos na Justiça. Em um dos processos, é acusado de ter feito um “consórcio” com outros deputados estaduais para encomendar a morte de um cabo da Polícia Militar em 1996. Em 2005, passou a responder pelo homicídio de um motorista.
Tenório foi preso em 2 de fevereiro de 2011, um dia após concluir seu mandato na Câmara e perder a imunidade parlamentar. Deixou a prisão um ano depois, em fevereiro de 2012, e permaneceu utilizando uma tornozeleira eletrônica, que permitia à Justiça seguir todos os seus passos, até setembro, quando o Tribunal de Justiça acolheu seu pedido para se livrar do aparelho. Nesse intervalo, ele tentou sem sucesso voltar a exercer a função de delegado.
No último dia 13 de dezembro, o agora novamente deputado ganhou novo problema. Desta vez, relacionado à sua passagem pela Assembleia Legislativa de Alagoas. A Justiça Federal no estado aceitou denúncia contra ele pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato e formação de quadrilha. As condutas foram investigadas durante a Operação Taturana, que apontou o desvio de mais de R$ 200 milhões da Assembleia. De acordo com a acusação, deputados estaduais faziam empréstimos pessoais que, mais tarde, eram pagos pela própria Assembleia. Os valores variavam de R$ 150 mil a R$ 300 mil, por deputado estadual.
Trabalho escravo I
Empossado ontem, primeiro dia útil após a virada do ano, o deputado Camilo Cola (PMDB-ES), fundador do Grupo Itapemirim, viu o nome de uma de suas propriedades incluído na mais nova versão da chamada lista suja do trabalho escravo, atualizada na semana passada pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Secretaria de Direitos Humanos. Camilo, que foi deputado na legislatura passada, volta à Câmara na vaga de Audifax (PDT-ES), novo prefeito de Serra.
Os fiscais encontraram, em 2011, 22 empregados em situações degradantes na Fazenda Pindobas IV, entre os municípios de Brejetuba e Muniz Freire, no sul do Espírito Santo. Os trabalhadores faziam o corte e o tombamento de pinus na propriedade da família do parlamentar. Segundo a denúncia, os trabalhadores foram contratados de forma irregular, os alojamentos eram precários e os salários chegavam a ficar 45 dias atrasados.
Trabalho escravo II

Quem também enfrenta denúncia por trabalho escravo é Urzeni Rocha (PSDB-RR). Deputado na legislatura passada, ele ficou na suplência e será efetivado agora com a saída de Teresa Surita (PMDB-RR), prefeita de Boa Vista. Desde o ano passado, Urzeni responde a processo na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária de Boa Vista, em Roraima, sob a acusação de ter submetido 26 trabalhadores em condições análogas à de escravo, entre setembro de 2009 e outubro de 2010, quando ainda era deputado federal.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, os trabalhadores estavam sujeitos a condições degradantes de trabalho e viviam sem locomoção num local de difícil acesso, entre os municípios de Cantá e Iracema. Os trabalhadores atuavam em atividades da pecuária de corte, como roço de pasto, construção de cercas e currais.
As vítimas contaram que, para chegar até Iracema, a cidade mais próxima, tinham de caminhar de quatro a oito horas ela mata fechada e atravessar o Rio Branco. Segundo elas, os gêneros alimentícios, os instrumentos de trabalho e os equipamentos de proteção individual eram descontados posteriormente de seus salários. Eles afirmaram, ainda, que eram obrigados a utilizar água com lodo de um córrego para tomar banho, beber, cozinhar e fazer suas necessidades fisiológicas.

Na mira do MPF
Efetivado desde ontem (2) no mandato, após duas passagens pela Casa como suplente no ano passado, o deputado Weverton Rocha (PDT-MA) teve seu nome em evidência na série de denúncias que resultou na demissão do também pedetista Carlos Lupi do Ministério do Trabalho. O suplente foi efetivado deputado com a posse de Edivaldo Holanda Júnior (PTC) como novo prefeito de São Luís.
Ex-assessor especial de Lupi, Weverton é acusado pelo Ministério Público Federal no Maranhão de ter utilizado de maneira irregular R$ 6 milhões repassados pelo Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem Urbano) quando era secretário estadual de Esporte e Juventude do Maranhão.  A Justiça ainda não se posicionou sobre a denúncia, feita em novembro pelo Ministério Público.
Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo em novembro de 2011 revelou que o Ministério do Trabalho repassou R$ 4 milhões a uma organização não-governamental mantida pela mãe do deputado para capacitação profissional de jovens. A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou, na época, várias irregularidades na execução do convênio. Ele também foi personagem da crise aberta com uma viagem de Lupi ao Maranhão em dezembro de 2009, em avião alugado por um empresário que recebia recursos do ministério para sua ONG. O então ministro responsabilizou Weverton e o diretório do PDT no Maranhão pelo aluguel da aeronave. Ainda em reportagem da revista Veja, ele foi acusado de participar de um esquema de cobrança de propina no ministério.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Previsões para 2013:

Lula vai cobrar o acordo com Dilma e sair candidato em 2014? Ou Dilma vai romper e enfrentá-lo nas urnas?
Carlos Newton - Tribuna da Imprensa -

Em meio às especulações sobre a importantíssima eleição de 2014, surge o intrigante posicionamento do ex-marido de Dilma Rousseff, Carlos Araújo, que faz críticas abertas ao PT e agora está tentando se filiar ao PDT. Como ele é considerado o principal interlocutor político de Dilma (além de Lula, é claro), essa manobra merece ser analisada. .
texto completo
Até que a política os separe…
Araújo, que foi deputado estadual gaúcho pelo PDT na década de 80, há vários meses vem fazendo críticas ao PT e se aproximando dos netos de Leonel Brizola, especialmente do deputado Brizola Neto, que desde a demissão de Carlos Lupi é ministro do Trabalho “Eu sempre tive uma visão muito crítica do PT. Uma coisa é a liderança do Lula, que é incontestável, mas o PT hoje é muito mais uma força eleitoral do que uma força política. Não diria que é uma falsa esquerda, mas as divergências dentro do partido são tão grandes que está virando de tudo um pouco. Eu digo até que virou um PMDB de esquerda, infelizmente”, afirmou Araújo numa entrevista ao portal Terra, em julho.
Na mesma época, em declarações à revista IstoÉ, o ex-marido de Dilma Rousseff fez uma surpreendente autocrítica e afirmou que “a luta armada foi ingênua e equivocada”, vejam bem que, no atual posicionamento político do antigo casal Araújo, um morde e o outro assopra.
Por coincidência (e no caso não há mera coincidência), desde então tem circulado informações de que a presidente Dilma Rousseff teria um Plano B para a eleição de 2014, com a possibilidade de sair candidata pelo PDT, partido ao qual era filiada antes de entrar no PT e fazer a surpreendente carreira política que a conduziu à Presidência.
RACIOCINEMOS
Essas informações, é claro, têm base em alguma manobra real. Raciocinemos. O que seria mais provável e aceitável – o ex-marido de Dilma entrar no mesmo partido dela, o PT, com todas as honras, ou partir para um partido que abandonou de uma forma abrupta e oportunista, pois na época ele e ela lideraram a debandada de 504 importantes filiados do PDT gaúcho? Pense nisso.
E ainda há um grande complicador. A direção do PDT, que é controlada por Carlos Lupi e jamais concordou com a nomeação de Brizola Neto para o Ministério do Trabalho, não quer aceitar a filiação de Carlos Araújo, vejam só que confusão, na qual a presidente Dilma Rousseff está envolvida, podem acreditar.
Em meio a esse imbróglio delicadíssimo e importantíssimo, surgem informações de que a grande maioria do PT quer Lula candidato a presidente em 2014. Não seria nenhuma surpresa, pois quando Lula lançou Dilma como candidata em 2009, dizia-se que existia um acordo entre os dois e ela só ficaria um mandato, para que o ex-presidente se candidatasse de volta ao Planalto.
Logo em seguida, Lula pegou o câncer na laringe. Dilma ficou politicamente aliviada, porque passou a governar sem menos ordens e pressões do ex-presidente, amigo e mentor. Mas ele ficou bom, e a mosca azul voltou a rondá-lo, incessantemente. E ele só fala em voltar à política.
MOVIMENTAÇÃO
Ele pode até ser candidato a governador de São Paulo, para alívio da presidente Dilma. Mas a movimentação no PT a favor da candidatura de Lula é impressionante. Todos sabem que Lula domina o PT como um bedel domina a sala de aula do jardim de infância, é consensual, não há oposição.
Neste tabuleiro de xadrez político, a grande jogada dos lulistas é paparicar Dilma até o dia 3 de outubro de 2013, data fatal para ela mudar de partido e tentar outra via para a reeleição. Faltam oito meses, isso passa voando para Dilma, mas esse curto período pode ser uma eternidade para Lula, em função dos problemas deste final de ano – o novo depoimento de Marcos Valério, que diz ter anexado documentos provando que Lula recebeu recursos do mensalão, e o caso de Rosemary Nóvoa de Noronha, que se agrava progressivamente e no qual Lula está diretamente envolvido, não há explicações a dar. Fatos são fatos.
Por tudo isso, quando o ministro Gilberto Carvalho diz que “o bicho vai pegar em 2013”, podem acreditar nele. Carvalho tem o título de secretário-geral da Presidência (cargo sem a menor importância, mas no Planalto todos sabem que ele é “o homem de Lula” lá dentro.
COMPLICADORES
O atual comando do PDT ameaça vetar a entrada de Araújo. “Imagina se você vai querer na sua casa alguém que antes de entrar já esteja falando mal de você”, afirmou o vice-presidente e líder do partido na Câmara, André Figueiredo (CE), em entrevista à repórter Andreza Mathais, da Folha.
Lupi afirmou que é “candidatíssimo” a continuar na presidência do partido e negou discriminação. “Hoje o Brizola Neto é vice-presidente, e a irmã dele é secretária. O que pude fazer para ajudá-los eu fiz.”
Pois Carlos Araújo diz exatamente o contrário. Ao “Jornal de Brasília”, o ex-marido de Dilma afirmou: “Quero ajudar os netos de Brizola, para que eles ocupem os lugares que merecem no comando do PDT”.
Araújo conseguirá influir no PDT? É possível, mas altamente improvável. Lupi é o Lula do PDT, domina o partido como se fosse um leão-de-chácara de baile infantil.

Confiança nas instituições

Estadão.com
Os brasileiros confiam muito mais nas Forças Armadas, cuja atuação nada tem a ver com seu cotidiano, do que na polícia ou no Judiciário, que têm importância bem maior no seu dia a dia. O último Índice de Confiança na Justiça, o ICJBrasil, elaborado pela FGV, mostra que as instituições judiciárias e de segurança padecem de significativa descrença por parte dos cidadãos, que delas esperam eficiência e celeridade.
Texto completo
Como diz a própria FGV, esse quadro afeta diretamente o próprio desenvolvimento do País, pois, se a população não enxerga o Judiciário como instância legítima e confiável para a resolução de conflitos, entra em xeque o Estado de Direito.
A pesquisa, realizada em sete Estados e no Distrito Federal, ouviu 3.300 pessoas no segundo e no terceiro trimestres de 2012. É um levantamento qualitativo que visa a medir o sentimento dos brasileiros em relação a suas instituições, ou seja, se os cidadãos comuns acreditam que elas sejam capazes de cumprir suas funções de modo satisfatório, se elas são importantes em sua vida e se seus benefícios justificam seus custos. Nessa pesquisa, as Forças Armadas, que no mesmo período de 2010 já apareciam como a instituição mais confiável, com 66% de aprovação, mantiveram a liderança, mas sua aprovação saltou para 75%. Em seguida, aparece a Igreja Católica, com 56%. Ela havia conquistado essa posição já em 2010, em meio à polêmica causada pela questão do aborto nas eleições presidenciais daquele ano. Até então, a Igreja aparecia emsétimo lugar na lista, com 34% de aprovação. Na sequência são citados o Ministério Público (53%), as grandes empresas (46%), a imprensa escrita (46%) e governo federal (41%). Só então aparecem a polícia e o Judiciário, ambos com 39% de menções positivas, seguidos pelas emissoras de TV (35%). Na lanterna permanecem o Congresso (19%) e os partidos políticos, com apenas 7% – índice que já foi de 21%.
A desconfiança em relação à polícia, mais ou menos generalizada, é particularmente notável à medida que caem a renda e a escolaridade, isto é, na faixa da população mais exposta à violência. Dos entrevistados com renda inferior a quatro salários mínimos, 63% disseram não confiar na polícia; entre os negros, pardos e indígenas, o índice alcança 65%; e entre os cidadãos de baixa escolaridade, chega a 63%. Já entre os brancos e amarelos, a desconfiança é de 57%, índice semelhante ao dos que ganham mais de 12 salários mínimos (60%) e ao dos que têm maior escolaridade (58%).
Em relação ao Judiciário, a situação não é melhor. A FGV salienta que a crise de credibilidade do Judiciário se acentuou a partir da década de 80 e o quadro segue alarmante, mesmo com a reforma de 2004 e a criação do Conselho Nacional de Justiça, em 2005. Aparentemente, a população brasileira ainda não se convenceu de que o esforço para o saneamento do Judiciário, com a transparência requerida sobre suas atividades nos últimos tempos, é para valer. Um indício claro dessa percepção é que, para 90% dos entrevistados, a Justiça é considerada lenta demais, e para 82% é cara demais. Além disso, 64% declararam considerar o Judiciário pouco honesto, e 61% disseram que essa instituição não é independente. Um dado positivo da pesquisa é que os mais jovens parecem mais propensos a acreditar na Justiça e se dizem mais dispostos a recorrer ao Judiciário para resolver seus conflitos do que os de mais idade.
Os resultados do ICJBrasil revelam, enfim, uma situação paradoxal. Enquanto a maioria dos brasileiros parece satisfeita e até entusiasmada com a situação econômica e com as perspectivas para o futuro, ocorre acentuada desconfiança nas instituições que se destinam a garantir que a justiça seja feita, que haja paz social, que as leis sejam iguais para todos, que os contratos sejam cumpridos e que não haja impunidade. Graças à longa história de desigualdade no Brasil, o direito ainda é concebido como um instrumento dos ricos, apesar de todas as mudanças positivas pelas quais o País passou nos últimos anos. Cabe ao Judiciário e à polícia demonstrar que esse sentimento já não se justifica. 

Leo Strauss e o direito natural



Jung, nos seminários sobre o Zaratustra antes da II Guerra se recusou a traduzir o Canto Noturno, como se fosse o alemão um novo hebraico.
É sempre comovente ler o livro Direito Natural e História, do Leo Strauss. Uma tentativa hercúlea de compreender o que houve com Ocidente ao fim da Segunda Guerra.

Leo Strauss foca no historicismo filosófico e seu desdobramento, o positivismo e o existencialismo (pensava em Heidegger) como causa intelectual de tudo.

Como Hitler foi possível? Como o comunismo foi possível? Como a regressão à barbárie foi possível? Evidentemente foi o abandono de Deus. O esforço de Strauss para compreender era fundar uma via que pudesse impedir a recaída. Se conseguiu erguer um edifício, falhou na política. A segunda metade do século XX foi o triunfo do socialismo e dos direitos humanos, essa falsificação do direito natural. O mundo pronto de novo para a barbárie. Strauss evita o ponto crítico: explicar a erupção do mal. Hegel, Goethe, Nietzsche, Heidegger e Jung. Este último foi didático e claro. A tradição esteticista inaugurada por Goethe fecha o ciclo com Jung. Seus seminários sobre o Zaratustra de Nietzsche são instrutivos. Todos os filiados à corrente do esteticismo foram cultuadores do mal como elemento 'benéfico' e motor da história. A Negação era tudo. A psicologia analítica é o apogeu do culto ao mal. Jung viu no Zaratustra esse emergir do elemento essencial da história. Jung viu o alemão como língua sacra dessa nova igreja germanista/racista. O demônio do Norte como elemento criativo. O Canto Noturno como oração.

Jung, nos seminários sobre o Zaratustra antes da II Guerra se recusou a traduzir o Canto Noturno, como se fosse o alemão um novo hebraico. Essa reverência com a erupção do mal preparou os caminhos do genocídio. É aterrador saber que os esteticistas faziam rituais secretos. Algo desses rituais podemos ver no filme de Kubrick De Olhos Bem Fechados. Era coisa muito louca. O abandono de Deus é loucura completa.

Leo Strauss fracassou porque o direito natural clássico não pôde ser restabelecido. A loucura continuou e está mais ativa do que nunca. Já são quinhentos anos de loucura, desde a Reforma. Tempos revolucionários foram inaugurados. O mal pôde prevalecer nas letras e na filosofia.

Os sete sermões aos mortos
O livro Sete Sermões aos Mortos, do Jung, só foi publicado depois da morte, embora tenha sido um escrito de juventude. O autor revelou seu receio ao retardar a divulgação do texto. Fez certo. Jung descreveu ali fatos vividos. Mas mortos não falam, demônios falam por eles. Foram experiência-limite com o mal, que tanto fascinou Jung. De fato, foi um duelo do Ocidente com o Oriente. Mortos que falam é algo estranho ao cristianismo. Mortos que falam é platonismo degenerado. O Oriente ganhou a alma de Jung. Basílides de Alexandria é seu novo codinome. Um neoplatônico fora de época. Um cultuador de Satã. Ou Mefisto. Esquizofrênicos que achavam que falavam com mortos encontravam em Jung não um curador, mas um consolador, alguém portador do mesmo mal.

No livro A Montanha Mágica Thomas Mann insere uma sessão espírita. Invocado o morto, aparece Mefisto ele mesmo. É sempre assim. A doença espiritual de Jung é a doença do nosso tempo, que acha que fala com mortos e invoca Satanás. O mal desfila sobre a terra.

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