Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

STJ gasta R$ 7,8 mil em carteiras para ministros



#vamosmudarbrasilia
SITE CONTASABERTAS
Marina Dutra
Dignos de remuneração líquida que, muitas vezes, ultrapassa os R$ 20 mil, os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) contam com regalias. O tribunal reservou R$ 7,8 mil para a aquisição de carteiras funcionais para os magistrados. Foram encomendados 19 porta-documentos em couro legítimo. São dois tipos de carteiras, com preços unitários de R$ 361,83 e R$ 493,28.
A corte máxima do país, por sua vez, resolveu investir em novos telefones. O Supremo Tribunal Federal (STF) reservou R$ 23,7 mil para a compra de 50 telefones IP da marca Avaya. Os aparelhos possuem configuração para quatro linhas, porta para conexão de fone de ouvido tipo headset e display em LCD, com teclas de navegação para acesso interativo a menus. Cada um sairá por R$ 475,00.
Às vésperas das eleições presidenciais de outubro, será possível medir a “temperatura” na Presidência da República. O órgão comprará dois termômetros digitais por R$ 294,00. Os medidores de temperatura possuem infravermelho com mira à laser LCD entre -50 ºC a 380 ºC. Os aparelhos fazem medição sem contato e mostram as temperaturas em graus Celsius e em Fahrenheit, com distância de medição entre 15 centímetros e um metro.
Ainda na linha dos eletrônicos, a Aeronáutica vai comprar 20 pen drives por meio do Gabinete do Comandante da Aeronáutica. Os armazenadores possuem memória interna de 16 GB e custarão R$ 700,00. De acordo com a Pasta, os itens são necessários a manutenção da rotina de trabalho.
Outras aquisições curiosas foram feitas pela Base Aérea de Anápolis, município do estado de Goiás. O órgão reservou R$ 9,9 mil para a compra de rações para cães. Serão adquiridos 300 kg de alimento “super premium” para filhotes de grande porte e uma tonelada para cães adultos.
De acordo com a Base Aérea, a ração deve ser apropriada ao nível de atividade desenvolvida pelos animais do canil, os quais são utilizados frequentemente durante rondas internas e em diversas atividades relacionadas à guarda e segurança da órgão. “O gasto com uma boa alimentação animal gera grande economia, pois reduz os gastos com medicamentos e possíveis intervenções médicas”, explica o órgão.
A Base Aérea ainda vai investir R$ 5,7 mil na compra de três notebooks. “Atualmente a estrutura física do parque de Tecnologia da Informação encontra-se bastante defasada em relação às novas tecnologias digitais disponíveis no mercado, ocasionando lentidão em aplicativos, que sofrem constantes atualizações para melhorias de suas funcionalidades”, justifica.
*Vale ressaltar que, a princípio, não existe nenhuma ilegalidade nem irregularidade neste tipo de gasto feito pela União e que o eventual cancelamento de tais empenhos certamente não ajudaria, por exemplo, na manutenção do superávit do governo ou em uma redução significativa de despesas. A intenção de publicar essas aquisições é popularizar a discussão em torno dos gastos públicos junto ao cidadão comum, no intuito de aumentar a transparência e o controle social, além de mostrar que a Administração Pública também possui, além de contas complexas, despesas curiosas.

A mentira esportiva

Foi-lhe perguntado sobre o que lhe dava mais prazer na vida. Respondeu que era quando o time pelo qual ele torcia marcava um gol.
Ele não estava sozinho nessa deformação da alegria.

Na minha juventude, por mais difícil que seja me lembrar dela atualmente, eu era muito bom nos esportes. Nunca poderia, no entanto, ser mais que apenas muito bom neles, porque nunca os levei suficientemente a sério para isso. Um jogo era, para mim, apenas um jogo; eu me dedicava a ele de corpo e alma apenas enquanto ele estava sendo jogado. Depois que ele terminava, era como se não tivesse passado de fumaça dispersada pelo vento.

Não tinha nada contra aqueles que se dedicavam aos esportes, mas achava-os tolos; eu continuava a jogar tênis, regularmente, às vezes, mas vencer ou perder me causava apenas uma emoção fugaz, exultante ou triste, de acordo com o caso. Para mim, na verdade, o jogo é que importava.
Mas os Jogos Olímpicos me causaram repulsa desde o início, com suas conotações políticas perversas, ao mesmo tempo infantis e sinistras, suas trapaças óbvias (alguém realmente acreditou que Tamara e Irina Press eram mulheres como quaisquer outras?), seu falso amadorismo, e sua deformação de vidas humanas dedicadas, por exemplo, a arremessar o peso uma polegada à frente de onde ele havia sido arremessado antes. Uma vida passada nas minas de carvão me parecia muito mais bem vivida do que essa.
Desde então, minha maneira de encarar os esportes só se tornou mais inflexível, e sinto agora um desgosto visceral por eles. Se isto significa uma mudança em mim, ou nos esportes, não tenho certeza. Os esportes são, hoje em dia, um pouco como a propaganda numa sociedade totalitária: inescapáveis. Recentemente, por exemplo, estava num restaurante muito bom em Washington D.C., onde, apesar disso, havia uma grande televisão de tela plana que exibia um jogo de beisebol. Alguém me explicou certa vez as regras do beisebol, mas elas me entediaram antes mesmo que eu tivesse começado a compreendê-las. Os jogadores pareciam gordos demais para serem atletas de verdade, e as garotas sacudindo pompons e os homens vestindo as cores de seu time favorito pareciam arquétipos da suspensão espontânea da inteligência e do autorrespeito.
As coisas não são melhores na Europa, onde é o futebol que é inescapável. As pessoas falam sobre ele enquanto andam pelas ruas; os jornais estão repletos dele, e, na verdade, mais repletos dele do que qualquer outra coisa; os bares e pubs o transmitem, aparentemente, vinte e quatro horas por dia; e, o que é mais sinistro, as pessoas têm medo de não demonstrar qualquer interesse por ele.
Um antigo estudante meu, atualmente um eminente professor, deu recentemente uma entrevista num jornal acadêmico, e lhe foi perguntado sobre o que lhe dava mais prazer na vida. Respondeu que era quando o time pelo qual ele torcia marcava um gol.
Tentei imaginar o que seria pior, se ele estivesse mentindo ou falando a verdade. Se fosse verdadeiro, significaria uma existência um tanto quanto triste, na qual uma bola sendo chutada na rede do gol adversário por um mercenário muito bem pago, que jogaria sem pestanejar pelo oponente se lhe fosse oferecido alguns míseros milhões a mais por ano ou por semana para fazê-lo, e que não tinha qualquer ligação, seja ela geográfica, cultural, pessoal, familiar ou até mesmo nacional, com a região do time pelo qual ele jogava, era o ponto mais alto imaginável. Mas, se falso, por que a mentira, por que fingir que um gol marcado pelo "seu" time lhe era tão importante?
Ele não estava sozinho nessa deformação da alegria. Praticamente todas as pessoas importantes entrevistadas na imprensa ou em qualquer outro lugar alegam "torcer" por um time ou outro. Isto se tornou tão onipresente que não se pergunta aos entrevistados se eles se interessam por futebol, mas para que time torcem, como se fosse inconcebível eles não torcerem para time algum. Não me recordo de uma única pessoa que ousasse dizer com todas as letras que não tinha qualquer interesse por futebol, quanto mais que o abominasse.
Por que essa reticência? Será realmente verdade que todos os nossos políticos, principais executivos, intelectuais, cientistas, artistas, jornalistas, e assim por diante, são entusiastas deste esporte? Acredito que este suposto interesse pelo futebol é um apelo implícito a um igualitarismo puramente simbólico. Veja bem, diz o entrevistado, posso ganhar numa semana o que outros ganham durante toda uma vida, posso sentar no topo da árvore ou de toda uma floresta de árvores, posso ter casas em todos os lugares do mundo, frequentar apenas os círculos sociais mais elevados, mas na realidade sou exatamente como você: eu também amo, penso, sonho com o Juventus, Real Madrid, Corinthians ou Manchester United. O interesse compulsório pelo futebol é como a igualdade perante a lei, mas sem o significado filosófico dela. Ele só poderia existir numa era de ansiedade, justificada ou não, com a desigualdade econômica. O interesse pelo futebol é, para o grande executivo moderno, o que se vestir de camponesa era para Maria Antonieta (e veja de que lhe adiantou fazer isso).
Fiquei, portanto, extasiado quando descobri, recentemente, na França, um livro chamado L'Idéologie sportive: Chiens de garde, courtisans, et idiots utiles du sport (A Ideologia Esportiva: Cães de Guarda, Cortesãos e Idiotas Úteis do Esporte), um livro escrito por um grupo de autores anônimos da extrema esquerda que, com um toque sutil de um sarcasmo desdenhoso, dissecam e destroem as supostas justificativas do esporte no mundo moderno. Embora a minha visão de mundo seja diametralmente oposta à deles em diversos aspectos, me peguei rindo da maneira com que expuseram as idiotices cometidas por intelectuais em sua defesa desta arma de distração em massa que é o esporte.
O esporte é moral e financialmente corrupto, de cima a baixo. Sobre a corrupção nas camadas mais altas nem sequer é necessário falar. E as lições que ele ensina, até mesmo nos níveis amadores, são terríveis: vencer a qualquer custo, ser inescrupuloso, trapacear se necessário, utilizar drogas que o deixem mais forte. Ele desperta emoções primitivas, violentas, e parece estar piorando, nesse aspecto: os autores citam estatísticas que mostram que foram registradas agressões graves em 7750 jogos amadores de futebol na França entre 2006 e 2007, e, no ano seguinte, em 12.008 jogos (metade destes incidentes foi de violência real).
Não me lembro de ser assim na minha infância. Ocasionalmente, por exemplo, eu jogava uma ou outra partida de cricket nas quais, a despeito da competitividade, o bom humor e a conduta cavalheiresca prevaleciam (a menos que eu estivesse cego ao outro tipo). Mas, recentemente, estive presente numa partida de cricket de uma cidade pequena pela primeira vez em muitos anos, e descobri que até mesmo nesse nível, uma atividade chamada sledging, que consiste em insultar o oponente e intimidá-lo de diversas maneiras, teve que ser proibida, e os árbitros instruídos para expulsar de campo qualquer um que recorresse a ela. Isto era inconcebível, trinta anos atrás.
Nos últimos anos os esportes deixaram de ser um meio de propagar a cordialidade e passaram a ser um meio de destruí-la.
Restam-me poucos escrúpulos que me impedem de sugerir o banimento total dos esportes, que certamente seria a única maneira de eliminar o dopping e outras más condutas. O primeiro é que aqueles números sobre agressão e violência nas partidas de futebol amador francês compartilham de um erro estatístico comum entre os que desejam horrorizar seus leitores: eles são numeradores sem denominadores. Se tivéssemos 12.000 partidas com violência de um total de 13.000, os números seriam realmente chocantes; mas se fosse de um total de 12.000.000 de partidas, sua importância seria muito menor e nem um pouco chocante.
Meu segundo escrúpulo é que o homem sempre foi um vândalo, com tendências destrutivas e outras maldades para seu próprio deleite. Lembro-me da leitura que fiz de um livro brilhante muitos anos atrás do clássico Alan Cameron, intitulado Circus Factions: Blues and Greens at Rome and Byzantium, onde o autor demonstrou que a terrível destruição urbana acarretada por facções nos jogos não tinha nenhuma razão de ser, e não tinha nenhuma motivação política que autores anteriores relacionaram a ela. É simplesmente possível (embora eu geralmente seja avesso a este modelo hidrodinâmico de maldade humana) que se as pessoas não pudessem expressar suas maldades na arena esportiva, elas iriam expressa-la em algum outro local mais sério.
Então a questão se agiganta: O que é sério na vida? Por que não tanto o esporte quanto a filosofia?
Finalmente, o autor de L'Idéologie sportive deixa implícito que a grande massa é ludibriada por aqueles que lhe proporcionam o esporte, para seus próprios grandes lucros. As massas são ludibriadas, enganadas, da maneira que Marx pensou que os religiosos eram ludibriados e enganados. O esporte, diz o autor, é o ópio das massas.
Eu hesito em pensar que somente eu sou esperto, enquanto todos os outros (exceto aqueles poucos que concordam comigo) são tolos.

Theodore Dalrymple é médico psiquiatra e escritor. Aproveitando a experiência de anos de trabalho em países como o Zimbábue e a Tanzânia, bem como na cidade de Birmingham, na Inglaterra, onde trabalhou como médico em uma prisão, Dalrymple escreve sobre cultura, arte, política, educação e medicina. Além de seu trabalho em medicina nos países já citados, ele já viajou extensivamente pela África, Leste Europeu, América Latina e outras regiões.

Publicado no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

domingo, 29 de junho de 2014

‘O PAC do trem fantasma’,

#vamosmudarbrasilia
editorial do Estadão
Um trem fantasma circula entre Campinas e Rio de Janeiro, correndo nos trilhos imaginários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Prometido inicialmente para este ano, o trem-bala nunca saiu da promessa, continua como um vago projeto e, assim mesmo, seu status aparece como “adequado” no 10.º balanço do PAC, apresentado na sexta-feira pela ministra do Planejamento, Míriam Belchior. Em agosto do ano passado o leilão do trem de alta velocidade, com percurso de 511 quilômetros e custo estimado de R$ 32 bilhões, foi adiado pela terceira vez. Mas oficialmente o projeto está em dia.
Bastaria essa classificação para minar a credibilidade de mais um balanço triunfal de realizações federais. Mas outros dados comprovam, mais uma vez, o baixo grau de sucesso de um programa destinado principalmente, como indica seu nome, a ampliar a capacidade de expansão da economia brasileira.
CONTINUE LENDO EM
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-pac-do-trem-fantasma-imp-,1520078


No Brasil, salário de professor é metade do que recebem outros profissionais

#vamosmudarbrasilia

Salário médio é de R$ 1.874; enquanto outras categorias com curso superior ganham, em média, R$ 29 por hora trabalhada, o professor brasileiro da educação básica recebe apenas R$ 18


A remuneração média dos professores brasileiros é equivalente a 51% do valor médio obtido, em 2012, pelos demais profissionais com nível superior completo. Há sete anos, esse porcentual era de 44%. Atualmente, o salário médio do docente da educação básica no País é de R$ 1.874,50. Essa quantia é 3 vezes menor que o valor recebido por profissionais da área de Exatas, como por exemplo, os engenheiros.
Uma das metas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE), que aguarda sanção presidencial, é equiparar o rendimento médio dos profissionais do magistério das redes públicas com as outras categorias.

Os dados comparativos de evolução salarial ente os professores e as demais categorias estão presentes no Relatório de Observação sobre as Desigualdades na Escolarização do Brasil produzido por um comitê técnico do Conselho de Desenvolvimento de Econômico e Social (Cdes) da Presidência da República. O documento foi apresentado a todos os membros do Cdes, entre eles a presidente Dilma Rousseff, no último dia 5 de junho em Brasília.

O relatório traz dados de indicadores construídos a partir de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), além de outras fontes oficiais referentes a data base de 2012. O documento tem o objetivo de propor ao Conselhão – como é conhecido - ações que deveriam ser priorizadas na política educacional do País.
"A remuneração dos professores da educação básica tem melhorado, embora lentamente. Aprofundar e acelerar as mudanças nos nossos indicadores educacionais depende de esforços integrados de atores e instituições nas três esferas de governo e em toda a sociedade", afirmam os técnicos do Comitê do Observatório da Equidade, que elaborou o relatório em nome do Cdes.
Para o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo Filho o quadro apresentado pelo Cdes é reflexo de uma "situação histórica" do Brasil. "O argumento dos gestores para manter esses baixos salários é que os profissionais de educação estaduais e municipais são numerosos. Esse argumento de contingente é sem sentido. Percebe-se que não dá para acreditar no que os políticos dizem na televisão, quando defendem a melhoria das condições e salários dos professores. É um discurso que não é verdadeiro", diz Araújo Filho.

Valor por hora
Se os valores do rendimento médio de professores e de outros profissionais já são díspares por si só, a desigualdade também é sentida no valor da hora de trabalho. Enquanto outras categorias com curso superior recebem, em média, R$ 29 por hora trabalhada, o professor recebe apenas R$ 18.
A situação fica ainda mais complicada para os docentes quando é feita a comparação por áreas. Profissionais da saúde, por exemplo, recebem em torno de R$ 35 por hora de trabalho. Os dados, também de 2012, são do Observatório do PNE, que sistematiza dados educacionais relacionados ao Plano Nacional de Educação.
Diante desse quadro, os técnicos que elaboraram o relatório dizem que é preciso "avançar na valorização e reconhecimento dos trabalhadores em educação, com o estabelecimento de programas e ações que estabeleçam maiores oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional aos professores e demais trabalhadores da educação".
Essa posição é compartilhada por José Fernandes de Lima, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE). "Se queremos modificar essa situação, primeiro temos que ter consciência desses fatos, em seguida fazer investimentos não só em formação como na valorização", fala Lima.
Tal questão, a da valorização, é vista como fundamental para que os estudantes recém saídos do colégio passem a enxergar a carreira de professor como uma opção profissional viável. Isso é o que afirma o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2014, lançado no final de maio deste ano. Atualmente, não são muitos os jovens que têm como sonho trilhar a carreira docente no País.
"Só teremos Educação de qualidade com bons professores e, para isso, é preciso atrair para a carreira do magistério os melhores alunos egressos do Ensino Médio. O magistério precisa ter atratividade suficiente, pois ´concorre´ com outras carreiras mais rentáveis ou de mais prestígio", afirma texto do Anuário, produzido pela ONG Todos pela Educação e a Editora Moderna.



Aquém do ideal
Se o valor do rendimento médio do docente já é inferior ao ser comparado com outras profissões, o presidente do CNE lembra que há alguns anos, a situação era ainda mais complicada. "O salário do professor já ficou abaixo do salário mínimo. Era irrisório mesmo. E, infelizmente, ele ainda continua baixo. Os esforços para mudar essa situação ainda não foram suficientes", diz Lima.
Um desses esforços citados pelo presidente do CNE foi a criação do piso salarial do magistério. O valor atual desse piso nacional é de R$ 1.697. O rendimento tem como referência o professor com jornada de 40 horas semanais.
Mas, se a definição do piso da carreira docente é visto como algo positivo, o seu valor ainda está aquém do devido, afirma o diretor da CNTE. "O piso é importante para o país, mas questionamos o valor que ele vem sendo reajustado desde o seu começo. Hoje, ele deveria estar em torno de R$ 2.380".
Além disso, Heleno Araújo Filho ainda fala que nem todos os professores recebem o piso. "Ainda há Estados onde o professor em início de carreira ganha R$ 480 como salário base. O resto é completado com gratificação. Isso está em desacordo com a Lei do Piso", diz.
Araújo Filho ainda aponta outro "risco" para o não cumprimento da meta do PNE. "Há um projeto de lei, atualmente no Congresso, que prevê o reajuste do piso pela inflação. Isso é outra ameaça para o devido cumprimento da meta", explica o diretor do CNTE.

Cálculo
De acordo com comunicado emitido no início do ano pelo Ministério da Educação (MEC), "durante o período de 2009 a 2014 a correção do piso foi de 78,63%, valor superior à elevação do salário mínimo no período (55,69%) e ao reajuste das principais categorias profissionais".
Atualmente, segundo o informe da pasta, "a correção reflete a variação ocorrida no valor anual mínimo por aluno definido". Ou seja, o índice é apurado com base na variação do valor aluno-ano do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
“Para o cálculo desse valor aluno, cabe ao MEC apurar o quantitativo de matriculas que serão a base para a distribuição dos recursos, e ao Tesouro Nacional a estimativa das receitas da União e dos Estados que compõem o fundo e a definição do índice de reajuste”, afirma o comunicado.


A Seleção é uma caricatura do time que venceu a Copa das Confederações

AUGUSTO NUNES - DIRETO AO PONTO
RECEBI O TEXTO VIA E MAIL E RETRANSMITO NA INTEGRA

Nos quatro jogos da Copa do Mundo, a Seleção foi uma caricatura do time que venceu, merecidamente, a Copa das Confederações. Os nomes do técnico e dos titulares não mudaram. Mas a indigente vitória contra o Chile, outro evento de alto risco para torcedores cardiopatas, reforçou a suspeita de que, passados 12 meses, quase todos se transformaram em sósias de si mesmos. As exceções são Neymar, Thiago Silva e Luis Gustavo. A performance na decisão por pênaltis pode devolver a Júlio César a antiga autoconfiança e acabar por incluí-lo nessa reduzida tropa de elite.
Há um ano, Felipão comandou uma equipe suficientemente ágil, entrosada e corajosa para meter medo em qualquer adversário. Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luís e Marcelo sabiam sair jogando, fechar espaços, desarmar e, eventualmente, aparecer na grande área adversária. Luis Gustavo, Paulinho e Oscar protegiam a retaguarda, dominavam o meio de campo e abasteciam com passes em profundidade um ataque que, além de finalizar com frequência e eficácia, também marcava a saída de bola. Hulk se multiplicava nos dois lados do gramado, Fred fazia gols. E Neymar reiterava a cada partida que logo seria o melhor do mundo.
Um ano depois, o padrão de jogo sumiu e não há vestígios de combinações táticas. O repertório da família Scolari é diminuto e bisonho. O goleiro coleciona chutões para a frente, os zagueiros insistem em ligações diretas, os encarregados da armação se escondem ou trocam passes miúdos, o centroavante marca quem deveria marcá-lo, as jogadas de ataque se limitam a cruzamentos sobre a área ou investidas individuais natimortas. Cumpre a Neymar compensar tantas deficiências com momentos luminosos, lances mágicos e gols de placa. Foi o que fez  durante a fase eliminatória. Neste sábado não deu.
Além de estreitamente vigiado por dois ou três chilenos, o dono da camisa 10 passou 120 minutos sozinho (enquanto Fred se arrastou em campo) ou mal acompanhado pelo inverossímil Jô. Também lhe coube a cobrança do último pênalti. Haja dependência. Neymar é genial. Mas tem apenas 22 anos. É improvável que vá muito longe um grupo de atletas que transfere para um garoto a missão de carregar o Brasil nas costas.

Dilma tenta, mais uma vez, usar o ódio como um ativo eleitoral! Lula conta piadas involuntárias

REINALDO AZEVEDO
A presidente Dilma Rousseff, a criatura, participou da convenção do PT baiano que oficializou a candidatura de Rui Costa ao governo do Estado. Disse que estava feliz por estar lá no momento em que seus “adversários apelam para o ódio, apelam para os xingamentos e apelam para a política desqualificada”.
De novo essa conversa! Muito bem! Desafia-se aqui qualquer petista a demonstrar em que momento as oposições recorreram a esses expedientes. Isso nunca aconteceu! O PT, sim, é um “odiador” profissional. Quando, em 2003, Lula, o criador, lançou a tese vigarista da “herança maldita”, estava fazendo o quê? Amando? Até porque a herança era bendita. Quem xingou Dilma no Itaquerão não foi a oposição, mas os torcedores.
Lula também estava presente, claro! O homem falou, ora vejam, da necessidade de uma reforma que moralize a política. O chefão petista que, até agora, nega a existência óbvia do mensalão, se apresenta como um moralizador. Parece piada. O PT, como sabemos, insiste em fazer um plebiscito para arrancar uma constituinte exclusiva para fazer tal reforma. O expediente só seria benéfico ao próprio partido.
O ex-presidente estava mesmo propenso à piada. Afirmou que o tal “mercado” nunca apoiou o PT, o que, obviamente, é mentira. Basta ver as doações que os petistas receberam e recebem do tal “mercado”. Aliás, é do próprio Lula a frase de que o setor financeiro nunca lucrou tanto como em sua gestão, o que é verdade.
Por Reinaldo Azevedo

A visão de um gringo sobre o Brasil

#vamosmudarbrasilia

Duas semanas de Brasil e meu horário ainda está desregulado. Meu estômago também está desregulado. Ontem me levaram a um bloco de maracatu num inferninho. Bebemos caipirinhas demais. Alguns amigos ainda estão por aqui no quarto, batucando e bebendo. O que não contam, antes de vir para o Brasil, é que aqui a festa não acaba nunca.
As mulheres são tudo o que se diz delas: morenas, com curvas, chapinhas e obscenamente bonitas. E não têm qualquer pudor de chegar nos homens. São o que aqui se chama de desencanadas. Têm a consciência menos pesada do que as europeias.
Dos homens, nem sei o que dizer; quase não reparei neles. Dos que me foram apresentados, percebi que a maioria é fanho, com voz de ganso - pode ser o sotaque. Muitos deles usam uma barba de Conchita Wurst. A versão feminina usa vestido florido e sapato de boneca. Uma dessas, desde a hora que acordou, não para de falar comigo.
Brasileiros têm horror ao silêncio. Tudo precisa ser comentado; do seu sapato ao seu topete, da umidade relativa do ar ao jogo do Irã, e quase não tem um lugar onde não existe alguém falando, muito menos espaço para ficar sozinho. Ainda procuro descobrir as regras de convívio. Uma que logo percebi é que em grupo todo mundo pode falar ao mesmo tempo. Aquele que for mais rápido pode cortar o assunto do outro. Quanto a isso, parece que não há nenhum problema, ninguém se irrita. Mas o assunto tampouco é retomado.
Uma diversão tipicamente brasileira é puxar papo na fila, no bar, no mictório. Em poucos minutos é possível saber da vida inteira de um desconhecido que mija do seu lado. Você entra no banheiro público e sai de lá com um amigo novo. É uma intimidade que, para quem não está acostumado, pode passar por deseducada. Disse uma tiazinha do hostel que essa invasão da intimidade explica as altas taxas de violência - o que faz algum sentido. Roubos e furtos não faltam por aqui. Não encontrei ninguém que não tenha tido o celular roubado ou furtado pelo menos uma vez nos últimos anos.
No momento só se fala de futebol, mas alguns parecem um pouco apreensivos com as eleições daqui a alguns meses. Dilma, Sarney, Luciano Huck, muitos invocam esses nomes na tevê. O que será Cátia Fonseca?
O país é uma festa sem fim, rico de diversões. Todos os lugares por onde passei, vi ruas pintadas de verde e amarelo, bandeirinhas verdes e amarelas, poodles e crianças pintados de verde e amarelo.
A cerveja é fraca, aguada. Mas o calor ajuda.
Os fracos da cabeça, além de bêbados, põem o som do carro no último volume - olha aí a invasão da privacidade de que eu estava falando. Funk carioca institucionalizou-se como música oficial. O funk domina as ruas. É um poder paralelo. Já os bêbados são os mesmos de todos os lugares.
Uma de minhas diversões preferidas é observar como brasileiros reagem quando criticamos alguma coisa que não funciona direito aqui. Eles ficam apreensivos em saber o que os estrangeiros pensam deles. Adoram se sentir o centro das atenções. A Copa, nesse sentido, cobriu o país de júbilo. Tornou real o sonho brasileiro de ser o centro das atenções. A maneira mais rápida de irritar um brasileiro, segundo uma mendiga que conheci, é falar mal do país - mas eles mesmos são ótimos nisso.
As capitais combinam a arquitetura antiga com a moderna. Mas os prédios mais antigos vão todos morrendo. No lugar há estacionamentos, prédios com varandas gourmet e templos de igrejas pentecostais. Algumas estações de metrô parecem shopping center. Prédios de luxo, como as favelas, são um show de horror à parte. Mesmo que seja um país com tanta desigualdade, pobres e ricos dividem o mau gosto igualmente.
Você ficaria horrorizada com as casas daqui, carentes de jardins, de livros, de pôsteres.
O que não quer dizer que brasileiros não sejam apreciadores de arte. Longe disso. Voltava para o hostel outro dia quando um homem me perguntou se eu gostava de teatro. Depois, em mais duas ocasiões, outros homens me perguntaram a mesma coisa. Achei curioso. Brasileiros devem gostar muito de teatro, e de maracatu e de poesia.
Estou voltando com uma mala só de bugigangas. Paçocas, pedras, Fulecos, araras de ametista, tucanos entalhados em madeira, livros de Jorge Amado, CD da Claudia Leitte - a Beyoncé deles -, biquínis, palavras terminadas em inho e saudade, bastante saudade.

Apoio do PP a Dilma é ‘casamento na delegacia’



Josias de Souza
#vamosmudarbrasilia

O ministro Henrique Neves (foto), do TSE, indeferiu a liminar que pedia a suspensão do apoio do PP à reeleição de Dilma Rousseff. O governador de Minas, Alberto Pinto Coelho, um dos signatários da ação, lamentou: “Estamos avaliando se cabe outra iniciativa judicial.” E ironizou o modo como seu partido se coligou com Dilma: “É sempre bom lembrar que casamento na delegacia não costuma dar certo.”
Partidário da candidatura presidencial de Aécio Neves, Alberto Coelho defendeu na convenção do PP, realizada há dois dias, que a legenda ficasse neutra na disputa federal. Além do diretório mineiro, apoiam o candidato tucano as seções do PP em outros quatro Estados: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Goiás e Santa Catarina.
“A atitude do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, em não ouvir os convencionais, não permitir votação na convenção e tomar decisões a portas fechadas [em reunião da Executiva], evidencia que a presidente Dilma não tem o apoio real do PP”, afirma o governador de Minas.
Seja como for, o que Dilma queria era o tempo de propaganda do PP no rádio e na tevê. Isso ela obteve. E o TSE manteve. No mais, pouco se lhe dá se o PP está ou não rachado.

Sobre mordidas, beijos e surubas


#VAMOSMUDARBRASILIA
Além da mordida de Suárez, que dizer das dentadas que os políticos dão uns nos outros?

RUTH DE AQUINO 
As maiores zebras da Copa até agora foram protagonizadas por um herói isolado e por milhões de vilões. O herói era o uruguaio Suárez, ou “Luisito” para os íntimos. Ao abocanhar com seus dentes protuberantes o ombro do italiano Chiellini, Suárez decepcionou torcedores e patrocinadores – e foi suspenso. Logo no início da Copa, emocionou o mundo ao vencer uma contusão séria, fazer um gol decisivo contra a Inglaterra e beijar seu fisioterapeuta. Por que o ídolo Celeste vira vampiro em plena luz do dia e, assim, renuncia a si próprio, num suicídio moral diante das câmeras?
Descobrimos que Suárez é um mordedor compulsivo, que se descontrola ao ser contrariado ou provocado – e usa em campo sua arma mais evidente. Nos últimos quatro anos, meteu os dentes no pescoço de um rival e no braço de outro. Nem quero saber como se comporta em casa ou com a mulher. Em sua defesa, o capitão uruguaio Lugano disse que “futebol é paixão e contato”. Paixão e contato deveriam significar algo bem diferente. O “beijinho no ombro” do adversário rendeu ao craque suspensão por nove jogos oficiais e multa equivalente a R$ 247 mil. É uma tragédia pessoal.

Psicólogos do esporte afirmam que a dentada de Suárez revela alguém que não sabe lidar com a frustração. A mordida reincidente vai além do carrinho, da cotovelada, da rasteira e até da cabeçada – todas elas manifestações desleais e antiesportivas. Foi a terceira agressão primitiva dele. O close em vídeo é chocante. Mesmo assim, sou contra as manchetes sensacionalistas de “canibal”. Está claro que esse rapaz tem um problema e deve se tratar.

A outra zebra somos nós. Os vilões, no período que precedeu a Copa, eram o povo brasileiro. Houve tantos episódios de crueldade bárbara, tantos assassinatos com requintes de violência, domésticos ou urbanos, tantos protestos incendiários e desumanos, que todos perguntávamos, aturdidos: onde está o homem cordial do Brasil? Ele reapareceu com força total na primeira fase deste Mundial.

Os turistas estrangeiros elogiaram as belezas naturais do Brasil e foram conquistados por algo mais: o povo brasileiro, de todas as cores e todas as classes. “Fantastic people”, alegre, generoso, gentil, caloroso e atencioso – foi o que disseram de nós. Claro que os gringos não conseguem entender que o país decrete feriados mesmo sem jogo do Brasil, para evitar engarrafamentos. Um estudante de engenharia colombiano, Mario Rojas, achou ótimo: “O ambiente é maravilhoso, porque o país inteiro para na hora dos jogos”.

Especialmente no Rio, onde havia medo de insegurança, a Fan Fest na Praia de Copacabana tem sido um sucesso, um Carnaval fora de época, com azaração e beijaços entre várias nacionalidades. O sol carioca ajuda. O maior artilheiro da Copa é o povo. “As pessoas são extraordinárias e ajudam muito os visitantes”, afirmou o jornalista colombiano Jorge Ceballos. De vilões, viramos heróis...

Se somos anfitriões desse naipe, fica claro que a mordida raivosa das ruas pode ser evitada se nossa verdadeira “classe dominante” – a elite política, a burguesia do Planalto – respeitar os direitos básicos escritos na Constituição. A maioria dos brasileiros condena a violência contra o patrimônio público e privado, contra jornalistas e contra os trabalhadores. A maioria dos brasileiros também se sente desrespeitada no dia a dia.

Com a trégua do Mundial, ficou óbvio o que já sabíamos: o brasileiro prefere festa a protestos, prefere beijos a mordidas. Diante desse traço da personalidade verde-amarela, nossa classe política deveria ser mais inteligente e responsável, se não for pedir muito. Os governantes não deveriam abusar da cordialidade brasileira. Podemos ser gentis, mas não servis. Festeiros, mas não alienados. Todas as pesquisas mostram que o brasileiro não é um povo deprimido. Recuperar a confiança e o otimismo no Brasil depende muito da classe política e de sua influência no mundo real, fora da Copa.

O que esperar, se muitos deles se mordem uns aos outros com dentes gananciosos, cheirando dinheiro como a seleção de Gana? As traições entre partidos e dentro de partidos se avolumam. O objetivo é levar vantagem nessa disputa onde tudo é permitido: cotoveladas, carrinhos por trás, socos e simulações. Não há coerência ideológica nem programas partidários claros. Só marketing.

Depois da abstenção e do voto nulo, suspeito que o voto útil seja a grande estrela da eleição de 2014, porque o eleitorado sente hoje mais rejeição que paixão. O troca-troca afobado entre políticos, por interesses eleitoreiros, tem sido apelidado de suruba eleitoral. Acho uma injustiça com o termo suruba.

A CULPA TAMBÉM É SUA

CANAL DO OTÁRIO PUBLICA VÍDEO EXPLICANDO ABSURDOS DA COPA 2014 E DISPARA - "A CULPA TAMBÉM É SUA..." ASSITA

O Principe do exotismo e o Rei da Cracolandia

Reinaldo Azevedo, 
A nobreza europeia gosta de paisagens e países exóticos, uma herança, vá lá, cultural das duas grandes ondas colonialistas, a de século 16, que se fixou nas Américas e nas costas africanas, e a do século 19, que buscou o interior da África, com as potências fazendo a partilha formal das terras ignotas. O que está fora da Europa é o “outro”. Antes, imaginava-se que aqueles mundos estranhos pudessem ser civilizados; hoje em dia, com o triunfo do pensamento politicamente conveniente, que chamam, impropriamente, de “politicamente correto”, há um troço que eu chamaria de “tolerância antropológica”. Os europeus se divertem com os hábitos dos exóticos. Não pensem que isso é só virtude. O pai de Harry, por exemplo, o príncipe Charles, é um ecologista convicto. Está entre aqueles que acham que o nosso papel é conservar macacos e florestas, deixando a tecnologia para os europeus…
Mas não vou me perder no atalho. Não sou do tipo que se envergonha de ser brasileiro. Nem me orgulho. Indivíduos são indivíduos em qualquer parte. Há coisas no Brasil que adoro. Há outras que abomino. Mas também as haveria de um lado ou de outro se meu país fosse a Suécia. A cada vez, no entanto, que vejo autoridades brasileiras se orgulhando da nossa miséria, da nossa degradação, da nossa desgraça, sinto revirar o estômago de puro constrangimento. E foi precisamente essa a sensação que tive ao ler as várias reportagens sobre a visita de Harry à Cracolândia, em São Paulo, devidamente escoltado pelo prefeito Fernando Haddad, com seu ar de deslumbramento servil, depois de ter esperado pelo príncipe por longos 45 minutos.
O rapaz foi levado para conhecer o programa “Braços Aberto”. Ninguém poderia ter dado melhor definição do programa do que um de seus formuladores, o secretário de Segurança Urbana, Roberto Porto, um dos queridinhos de certa imprensa descolada. Ele resumiu assim o espírito da visita do príncipe à Cracolândia: “Pelo contato que tive, que foi limitado, ele gostou do que viu. Ele quis saber a lógica de se ter um local monitorado, com as pessoas continuando a venda de crack”. Ele é promotor. Deve conhecer o peso das palavras. A venda de uma substância ilegal se chama “tráfico”; se tal substância é droga, é “narcotráfico”. Dr. Porto diz que o nobre inglês gostou de saber que há um pedaço no Brasil em que não se respeitam a Constituição e o Código Penal.
Sempre afirmei neste blog que o programa “Braços Abertos” era, na prática, uma ação coordenada de incentivo ao consumo de drogas. Talvez Harry tenha ficado mais espantado ainda ao saber que a Prefeitura garante o fluxo de dinheiro a uns 400 e poucos viciados, aos quais oferece moradia gratuita — em nome da dignidade, é claro! Quando foi informado, se é que foi, que os dependentes não precisam se submeter a nenhuma forma de tratamento, deve ter pensado: “Como são estranhos esses brasileiros! Na Inglaterra, nós recuamos até das liberalidades que haviam sido criadas para o consumo de maconha”. Ao olhar a paisagem que o cercava, deve ter dado graças aos Céus pelo vigilante trabalho dos conservadores de seu país.
Sim, senhores! Antes da visita do príncipe, a Cracolândia passou por uma rápida maquiagem, com lavagem das ruas, coleta de lixo, retirada do entulho que os zumbis vão largando por ali. Assim como deveríamos ter Copa o ano inteiro para que as autoridades sejam um tantinho menos incompetentes, a realiza europeia poderia nos visitar amiúde. As ruas seriam mais limpas, eu acho. Nem que fosse apenas para inglês ver.
O príncipe, o prefeito, seus auxiliares e os outros deslumbrados se foram — antes da hora prevista porque teve início um tumulto. Meia hora depois, os dependentes retornavam para o tal “fluxo”, aquele perambular contínuo marcado por consumo, tráfico, escambo, degradação pessoal, desordem pública… Um dos viciados sentenciou, informa o Estadão, pouco antes de ameaçar a reportagem com uma pedrada: “Venha quem vier, mas a Cracolândia sempre vai ser nossa”.
Eis o programa de combate ao crack que Haddad prometeu implementar na campanha eleitoral de 2012. Não sei quantos anos vai levar para a cidade se recuperar das consequências trágicas da gestão deste senhor. Para encerrar: em qualquer democracia do mundo, o Ministério Público — ou seu homólogo — levaria o prefeito Fernando Haddad e seu secretário de Segurança Urbana aos tribunais. Basta ler a Constituição. Basta ler o Código Penal. Basta ler a lei antidrogas. Quem responde por essa tragédia moral? Em primeiro lugar, os que a promovem. Em segundo lugar, os que, com o seu voto, puseram Haddad onde ele está.

FONTE - diplomatizzando

Brasil é um dos países com pior retorno de imposto entre os 32 da Copa

O Brasil é um dos líderes de arrecadação entre os 32 países que participam da Copa do Mundo, mas está entre os últimos lugares quando o assunto é o retorno dos impostos em serviços e qualidade de vida à população.
A conclusão é do estudo “Copa do Mundo da Economia e Tributação”, feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) com base em dados como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), renda per capita, carga tributária e arrecadação.
O estudo mostra que o PIB do Brasil, de US$ 2,24 trilhões, é o sexto maior entre os 32 que disputam a Copa, ficando atrás apenas de Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Inglaterra. A carga tributária brasileira equivale a 36,27% do PIB, a sétima maior observada na pesquisa.
Apesar disso, o país aparece na 29ª colocação em termos de serviços de qualidade de vida aos cidadãos, de acordo com o instituto. Essa medição é feita por meio do Índice de Retorno De Bem Estar à Sociedade (Irbes), que cruza os dados da carga tributária em relação ao PIB com o IDH.
“Estamos à frente apenas de países como a Nigéria, Costa do Marfim e da Bósnia e Herzegóvina, que oferecem as piores condições aos habitantes pelo que pagam de impostos”, diz, em nota, o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike.
O estudo do IBPT analisa, ainda, o poder de compra dos contribuintes dos países que participam da Copa do Mundo, combinando os indicadores de carga tributária e renda per capita com o “Índice Big Mac”, criado pela revista britânica The Economist e usado por se referir a um produto comercializado mundialmente.
A Austrália é o país que apresenta o melhor resultado: os australianos podem consumir 57 Big Macs por dia. O Brasil aparece como um dos mais mal colocados, com 3,33 unidades por habitante, superado apenas por Costa Rica (3,18), Colômbia (2,39) e Camarões (0,33).
Fonte: IBPT.


FONTE- imil.ORG

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