Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sábado, 1 de julho de 2023

'Gabinetes de senadores abrigam servidores com renda de até R$ 48 mil',

 revala Lúcio Vaz


Além dos 2,7 mil cargos comissionados – de livre nomeação –, os gabinetes dos senadores contam com mais 150 servidores de carreira com renda média de R$ 39 mil, chegando a R$ 48 mil em alguns casos, com a inclusão do abono permanência. O senador Plínio Valério (PSDB-AM) tem três desses assessores. No gabinete pessoal do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), há um servidor com renda de R$ 48 mil e outro com R$ 42 mil. Mas ele conta ainda com os servidores do gabinete da Presidência.

A chefe de gabinete pessoal de Pacheco, Regina Simplício, tem remuneração bruta de R$ 37,4 mil. Com o abono permanência de R$ 4,8 mil, a renda total é de R$ 42 mil. Ela é servidora de carreira, no cargo de técnica legislativa. Maria de Almeida, analista legislativa, na função de assistente técnica, tem salário de R$ 43,7 mil. Sofre abate-teto de R$ 2 mil. Com o abono de R$ 6,7 mil, recebe um total de R$ 48,3 mil. João Marques, chefe de gabinete da presidência do Senado, técnico legislativo, tem remuneração bruta de R$ 42 mil. Com o abono, a renda chega a R$ 47 mil.

No gabinete de Valério, a servidora efetiva Silvana Moura tem remuneração de R$ 42,3 mil. Sofre um redutor constitucional de R$ 657, mas o abono de R$ 6,4 mil eleva sua renda para R$ 48 mil. Ela recebeu ainda R$2,6 mil de horas extras. Eduardo da Cunha, analista na especialidade orçamento público, tem renda bruta de R$ 45,5 mil. Com a aplicação do abate-teto e o abono de R$ 6,8 mil, a sua renda alcança R$ 48,4 mil. A chefe de gabinete, Gláucia Benevides Gadelha, tem renda bruta de R$ 50 mil. Teve um abate-teto de R$ 8,4 mil, mas o abono elevou sua renda para R$ 48,4 mil.


Os números da fartura

Nos gabinetes dos senadores Paulo Paim (PT-RS), Jayme Campos (União-MT), Fernando Dueire (MDB-PE), Confúcio Moura (MDB-RO), Beto Faro (PT-PA) e Wellington Fagundes (PL-MT), também há servidores de carreira com renda total de R$ 48 mil. Dez servidores efetivos lotados em gabinetes de senadores alcançam a renda de R$ 48 mil. 33 servidores recebem o teto salarial ou um pouco mais. Um grupo maior, de 148 servidores, tem renda acima de R$ 30 mil, com média de R$ 39 mil.

No gabinete de Faro, o servidor efetivo Moisés de Barros, tem renda bruta de R$ 47,2 mil. Com o abate-teto e o abono de R$ 6,7 mil, sua renda alcança R$ 48,3 mil. O servidor Luno Barbosa, lotado no gabinete de Dueire, tem rendimento bruto de R$ 49 mil, com a abate-teto de R$ 7,3 mil. Mas o abono de R$ 6,8 mil eleva sua renda total para R$ 48,4 mil.

O abono de permanência é concedido ao servidor público que preencheu os requisitos para se aposentar, mas opta por continuar trabalhando. Na prática, funciona como um reembolso da contribuição previdenciária.


“Regidos pela lei”

O blog perguntou aos senadores citados se não seriam exageradas essas remunerações de servidores de gabinete, num momento em que o governo federal enfrenta crise fiscal e que 30 milhões de brasileiros vivem na miséria.

A assessoria do senador Dueire afirmou ao blog que os salários e benefícios dos servidores do Senado Federal estão regidos pela Lei 12.300, de 2010, “não cabendo ao senador a definição desses valores. Além disso, o Senado Federal aplica rigorosamente o teto do funcionalismo público federal. Qualquer questionamento sobre os vencimentos dos servidores deve ser feito à diretoria geral da Casa”. Acrescentou que Luno atua no assessoramento de processos e de atividades legislativas.

O senador afirmou, por meio de nota da sua assessoria, que os servidores citados pelo blog, “são funcionários de altíssimo profissionalismo, efetivos, com mais de 40 anos de experiência na administração de gabinete e assessoria legislativa”.

O presidente do senado afirmou que "a remuneração dos cargos de assessor parlamentar e de secretário parlamentar atende estritamente as normas legais."




















PUBLICADAEMhttp://rota2014.blogspot.com/2023/06/gabinetes-de-senadores-abrigam.html

'Amorim é o passarinho de Lula',

 segundo Augusto Nunes


Magro e miúdo, cabeça mal coberta pelos cabelos curtos de recruta, barba de dois dias, pernas mirradas, braços magros estendidos para baixo como asas sem serventia, o passageiro que entrou tremendo na primeira classe parecia um passarinho implorando por agasalho. Mas era gente, avisaram o blazer preto bem cortado, a camisa social azul-claro, a calça bege e os sapatos pretos de cromo alemão. Mas não gente como a gente, dei-me conta ao reconhecer aquilo que acabara de subir a escada do avião estacionado na pista do aeroporto em Paris, na noite de 4 de setembro de 2005. Era o ministro das Relações Exteriores do Brasil.

Minutos antes, ao folhear o jornal, eu soubera que Celso Amorim estava em Bruxelas fazendo não me lembro mais exatamente o quê. O chanceler do governo Lula quase perdera a conexão na capital francesa, deduzi pelo atraso da decolagem, pelo andar apressado do ilustre retardatário e pela expressão de alívio do assessor que o escoltava. Amorim foi direto para o banheiro carregando uma maleta. Saiu cinco minutos mais tarde enfiado num pijama cinza-chumbo, calçando chinelas pretas de avó de antigamente, com um tapa-olhos pendurado no pescoço, protetores de orelha na mão direita e, na esquerda, uma coberta amarela.

Com o sorriso que uniformiza todas as aeromoças do mundo, uma jovem de cabelos ruivos aproximou-se do passageiro acomodado uma fileira adiante da minha. Traindo no sotaque a nacionalidade gaúcha, murmurou as perguntas de praxe: “Alguma revista, algum jornal do dia?”. “Não”, informou Amorim balançando horizontalmente a cabeça. “Já examinou o cardápio do jantar?” “Sim”, informou o balanço perpendicular da cabeça. “Vinho ou champanhe?” “Quero um copo de leite”, piou meu companheiro de viagem. “E mais um cobertor.” “Nenhum país merece isso”, pensei na poltrona logo atrás. Nem mesmo um Brasil governado por Lula.

A figura não rimava com a obra. O que via nada tinha a ver com alguém que participara laboriosamente dos trabalhos de parto da política externa da canalhice. Parecia apenas um passarinho com frio, uma espécie de pintassilgo em busca do calor do Planalto Central. Durante o voo de 10 horas, resisti bravamente à tentação que assaltava o grande Nelson Rodrigues sempre que topava, numa rua do Rio, com o igualmente franzino cronista Carlinhos Oliveira. Por muito pouco não perguntei a Celso Amorim se queria um pouco de alpiste.

Não voltaria a ver a poucos centímetros de distância o diplomata que já se transformara numa das peças mais valiosas do meu acervo de infalíveis referências pelo avesso. Amorim é o meu norte invertido em questões internacionais. Espero que escolha um lado, uma causa, um caminho. Escolho o outro e nunca erro. Tem sido assim desde o início de 2003, quando virou ministro das Relações Exteriores. Nos oito anos seguintes, graças às escolhas desastradas do chanceler de Lula, meu índice de acertos chegou a 100%. Mantive a marca entre a posse de Dilma Rousseff, em janeiro de 2011, e o impeachment da presidente que instalou Amorim no Ministério da Defesa. Fiquei sem essa referência pelo avesso com a interrupção da Era PT. Lula resolveu o problema com a criação de uma assessoria especial para complicações internacionais. O chefe só poderia ser o nosso pintassilgo-do-Planalto.

O Amorim modelo 2023 escreveu o prefácio de um livro que louva a política externa do grupo palestino Hamas. Haja imaginação para enxergar ações diplomáticas entre a explosão de um míssil e a implosão de um homem-bomba

Com Amorim no posto, vou repetir meu desempenho nos dois primeiros mandatos de Lula. Rompi relações com Fernando Lugo, por exemplo, um minuto depois de saber que Amorim andava eufórico com a promoção do priápico fantasiado de bispo a presidente do Paraguai. Muito antes, portanto, da descoberta do método aperfeiçoado pelo Reprodutor-de-Batina para multiplicar o rebanho entregue aos seus cuidados: engravidar fiéis incautas, de preferência as mal saídas da adolescência. Outro exemplo: meia dúzia de elogios de Amorim a Evo Morales bastou-me para adivinhar que o Lhama-de-Franja provaria que até na Bolívia é possível piorar o que aparentemente chegou ao limite do péssimo. Bingo.

Também fiz bonito enquanto o ex-chanceler foi ministro da Defesa de Dilma Rousseff. A conselho do campeão de palpites infelizes, o poste fabricado por Lula aprofundou o fosso que separa o Brasil de Israel para flertar com o Irã dos aiatolás atômicos, com os grupos terroristas que sonham com o afogamento de todos os judeus no Mar Morto, até mesmo com os assassinos aglomerados no Estado Islâmico. “É preciso dialogar com eles”, propôs a presidente. Quem diz uma frase dessas pode negociar sem medo com os extremistas do deserto. Só pode haver degola se há alguma cabeça funcionando acima do pescoço.

Aos 81 anos, o chefe da assessoria especial já provou que não há perigo de melhorar. Confrontado com a notícia de que um exército de mercenários contratados por Vladimir Putin resolvera mudar de lado e mandar chumbo no Kremlin, Amorim anunciou que não interessa ao mundo o enfraquecimento militar da Rússia. Quem tinha dúvidas sobre o certo e o errado na guerra que já dura 15 meses pode dormir em sossego: a Ucrânia tem razão. Sempre na contramão da sensatez, o conselheiro para complicações cucarachas sugeriu ao presidente que não economize declarações de amor a abjeções como Venezuela, Cuba e Nicarágua, nem deixe de desperdiçar o dinheiro que o Brasil não tem com caloteiros crônicos como a Argentina. O especialista em trapalhadas planetárias segue exortando Lula a afastar-se dos Estados Unidos, bajular a China e mandar às favas a União Europeia. 

Até apertar pela primeira vez a mão de Lula, e descobrir que encontrara o que passou a chamar de “Nosso Guia e Mentor”, o diplomata sem brilho serviu com a mesma animação ao regime militar e a seus adversários civis. Antes de virar lulista desde criancinha, ele foi diretor-geral da Embrafilme no governo do general-presidente João Figueiredo, filiou-se ao PMDB a convite de Ulysses Guimarães e assumiu o Ministério das Relações Exteriores no governo Itamar Franco. É difícil acreditar que aquele esforçado funcionário do Itamaraty e o beligerante octogenário destes tempos estranhos sejam a mesma pessoa. 

O Amorim modelo 2023 escreveu o prefácio de um livro que louva a política externa do grupo palestino Hamas. Haja imaginação para enxergar ações diplomáticas entre a explosão de um míssil e a implosão de um homem-bomba. Como Amorim coleciona proezas do gênero, é natural que o Brasil tenha superado a Venezuela na modalidade não olímpica “assombros paranormais”. Lá, Hugo Chávez já se transformou duas vezes em passarinho para aconselhar Nicolás Maduro a fazer o certo. Aqui, há mais de 20 anos um passarinho-do-Planalto finge que é gente para impedir que seu dono perca alguma chance de errar.


Augusto Nunes, Revista Oeste













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'O terrorismo do novo feminismo',

 por Ana Paula Henkel


College life. A expressão, muito usada pelos norte-americanos, se refere à vida universitária nos Estados Unidos que engloba estudos acadêmicos, discussões intelectuais, festas, eventos e a vida esportiva, para quem é atleta e para os alunos que apoiam os times universitários. As competições entre universidades nos Estados Unidos, aliás, é a grande razão pela qual eles são uma potência olímpica e esportiva. As universidades são a principal fonte que alimenta as ligas profissionais americanas, como NBA, NFL etc.

A intensa vida universitária nos Estados Unidos, além de marcante na vida de todo jovem americano, pode trazer encontros que acabam em relacionamentos duradouros e muitos casamentos. É ali, afinal, que a maturidade intelectual acaba florescendo de maneira mais estável, e os pares se encontram em muitas salas de aula ou eventos. Mas isso mudou. E muito.

Meu filho acabou de se formar em economia em Stanford e, infelizmente, para a sua geração a experiência do college life foi bem diferente. Houve uma pandemia, claro, e encontros com outras pessoas e professores se limitaram, por um ano, a frias janelinhas virtuais na tela do computador. Mas não foi apenas o vírus e a histeria trazida com ele que marcaram uma experiência diferente para os jovens dessa geração. Mesmo antes da pandemia, meu filho e seus amigos já relatavam uma aura diferente na vida social no câmpus. Rapazes bem-educados e respeitosos, eles tiveram dificuldades em entender o tom que é imposto hoje pelo atual movimento feminista global para cortejar, sempre de maneira respeitosa, uma moça. E optaram, na grande maioria das vezes, pelo silêncio e pela falta de ação.

O caminho natural para os rapazes corretos, que seria conversar com as moças, flertar, trocar telefones, tomar um café, trocar ideias e quem sabe encontrar uma namorada e seguir em um relacionamento saudável e maduro, foi tarefa impossível. Os jovens de hoje estão em pânico com as novas regras feministas. E não apenas em pânico, mas perdidos. Eles não sabem o que está na lista dos cancelamentos e da destruição de reputações. O respeito às mulheres, que sempre foi passado de geração em geração aos homens de bem, hoje não é mais válido. Há uma lista interminável do que pode e do que não pode ser feito ou dito, e nem sempre essa lista é conhecida pelos rapazes — ela muda de acordo com a lua, as estrelas, os “gatilhos”, o que a Madonna disse na TV e o que o movimento Me Too pregou na semana passada. Escuto constantemente dos rapazes: “Não sabemos se podemos elogiar o cabelo, ou se podemos falar que ela é bonita, ou se podemos mandar alguma mensagem chamando para um café sem que haja uma armadilha do outro lado que nos levará a uma acusação de assédio”. Então eles entram em uma bolha e só dão algum passo em direção a alguma moça se estiverem absolutamente certos de que não cairão em ciladas armadas para que elas marquem pontos com a turma feminista. Mesmo assim, a tática nessa guerra, não há outra expressão para a realidade, consiste em sempre estar com amigos por perto para que haja testemunhas e sempre tirar prints das mensagens que ELAS mandam para que qualquer um possa se defender de falsas acusações no futuro. Sim, é muito triste ver como os rapazes estão perdidos com o novo “empoderamento” feminino — que vai acabar isolando as mulheres.

Mas essa triste constatação do que o novo feminismo está fazendo com os homens não é uma exclusividade da vida universitária. Recentemente, durante o lançamento de seu novo filme, o ator britânico Henry Cavill foi questionado novamente sobre uma entrevista que concedeu à revista GQ Australia, em 2018. Na ocasião, ele disse que não flertava mais por medo de ser acusado de assédio: “Algumas coisas têm de mudar [em relação a certas condutas masculinas], absolutamente. Mas é também importante manter as coisas boas, que eram qualidades no passado, e se livrar das coisas ruins”. E acrescentou: “Há algo maravilhoso em um homem indo atrás de uma mulher. Eu acho que uma mulher deveria ser cortejada, mas acho que eu sou tradicional por pensar assim. É muito difícil fazer isso se há certas regras em vigor. Porque é assim: ‘Bem, eu não quero levantar e ir falar com ela, porque eu serei chamado de estuprador, assediador ou algo assim’. Então você fica, tipo: ‘Esquece, eu vou chamar uma ex-namorada em vez disso e voltar para um relacionamento que nunca funcionou de verdade’. Mas pelo menos é mais seguro do que me jogar nas chamas de um incêndio, porque sou alguém que está sendo observado pelo público e, se eu flertar com alguém, quem sabe o que pode acontecer?”.

É claro que a declaração do ator gerou a terceira guerra mundial cibernética. O movimento Me Too ficou ofendidíssimo, e a turba jacobina veio correndo pelo pescoço de Cavill. A verdade incomoda. Fato. E Henry fez aquilo que Jordan Peterson sempre nos aconselha a NÃO fazer — pedir desculpa por um crime que você não cometeu a uma turba sedenta de sangue. Após as críticas, o ator soltou um comunicado oficial de “esclarecimento”: “Vendo a reação ao artigo [da GQ Australia], em particular sobre meus sentimentos ao flertar e sobre o movimento #MeToo, eu quero me desculpar por qualquer confusão e má interpretação que isso tenha criado. Ser insensível não era a minha intenção. Eu quero esclarecer e confirmar que eu sempre mantive e sempre manterei o máximo respeito pelas mulheres, não importa se a relação for de amizade, profissional ou romântica. Nunca quis desrespeitar ninguém, de maneira alguma. Essa experiência me ensinou uma valiosa lição sobre contexto e liberdades editoriais”, finalizou.

Ou seja, o belo ator precisou se desculpar por falar que a grama é verde e o céu é azul. Cavill foi devorado pelo mostro de cabelo azul que foi criado pelo estúpido movimento Me Too, e a virulência à qual sua entrevista foi submetida — e trazida à superfície até hoje — só mostra o correto ponto do ator. Os homens estão com medo, pânico, das mulheres. Não importa o que façam, eles estarão sempre errados e pela simples razão de que há em curso uma guerra contra eles.

Esse tal “empoderamento” feminino, muito além do devido respeito às mulheres, vem trazendo consequências graves ao sexo feminino, não apenas no campo emocional, mas também no profissional. Em Wall Street, o coração financeiro da nação mais próspera do mundo, os homens passaram a evitar mulheres para fugir de acusações de assédio infundadas. Em uma pesquisa da Bloomberg, 30 executivos responderam sobre seu comportamento profissional em relação às mulheres, e o resultado é amedrontador — jantar sozinho, mesmo sendo um jantar profissional, com mulheres? Nem pensar. Muito menos ficar no mesmo andar do hotel. Os homens estão evitando até sentar ao lado delas nos voos. Os executivos de Wall Street estão assustados com o “efeito Me Too” e as denúncias infundadas de assédio sexual. Assustados com a lista, muitas vezes invisível, do que pode e do que não pode ser dito ou feito, os homens estão escolhendo o excesso de zelo — e a distância — e se guiando pelo pensamento “e se ela entender algo da forma errada? Melhor eu nem estar perto”.

Em um ambiente majoritariamente masculino, e com enorme potencial de crescimento para as mulheres, até aquelas corretas e REAIS, que querem distância do movimento feminista que se cala diante das atrocidades cometidas contra as mulheres no Afeganistão, por exemplo, acabam sendo marginalizadas e entrando no “pacote da segurança” masculina.

E, como parece não haver um caminho seguro para os homens, muitos são acusados de discriminação. Mas, diante do “novo normal”, eles ainda preferem essa rota do que o assassinato completo de reputação por “assédio sexual”. Um dos executivos de Wall Street ouvidos para a pesquisa da Bloomberg diz que se mantém num canto oposto aos das mulheres em elevadores, e outro executivo estabeleceu a idade mínima de 35 anos para as mulheres com quem ele janta durante viagens profissionais. Aterrorizados, eles também admitem que as mulheres acabam excluídas de ocasiões como happy hours, ajudando a criar um novo tipo de “clube dos meninos” entre funcionários de grandes corporações financeiras. Todos nós sabemos que o tal clube sempre existiu, mas havia sido deixado para trás diante do reconhecimento da capacidade intelectual e profissional das mulheres em ambientes outrora inóspitos para o sexo feminino.

E, vejam vocês, o comportamento narrado pelo meu filho e seus amigos no ambiente universitário também é compartilhado por homens formados, mais velhos e experientes. Um dos entrevistados relata que prefere a segurança exagerada e adota atitudes como ter sempre uma terceira pessoa junto nos encontros, ou manter a porta aberta enquanto conversa com uma mulher.

Parabéns, feministas. Vocês estão conseguindo isolar as mulheres. E, o pior, jogar na vala do comportamento comum atitudes machistas e abusivas, que devem ter todo o nosso desprezo, como se fossem a regra — e não a exceção. Dessa maneira, esse movimento tosco que também se cala quando homens resolvem competir em esportes femininos, tira toda a atenção necessária às reais vítimas de abusos sexuais.

Esse ambiente histérico — e estéril — criado por movimentos hipócritas e pelo politicamente correto, um ambiente onde o flerte saudável e o cortejo são demonizados e que impede relações verdadeiras e humanas trará exatamente o oposto ao que o movimento alega defender. No final, as mulheres se sentirão sozinhas e desvalorizadas. Esse ambiente de hipersensibilidade, em que qualquer aproximação masculina pode ser considerada assédio, está inibindo em escalas globais a naturalidade de sentimentos humanos genuínos e fundamentais para a sobrevivência das sociedades fortes — compostas da união das forças distintas de homens e mulheres.

É claro que o consentimento é o ponto central de qualquer relação correta entre um homem e uma mulher. No entanto, a paralisia que está sendo criada na aproximação NATURAL humana é e será sempre nociva para as mulheres e para todos nós. O politicamente correto já extrapolou todas as esferas do racional e ceifará de maneira permanente a sensatez, alimentando uma cultura destrutiva de desconfiança e paralisia. Há ainda os néscios que querem pregar a ideia bizarra de que homens são “mulheres com defeito”, e de que basta “castrá-los”, fazê-los pedir desculpas pelos pecados de todos os homens na Terra, no passado, no presente e no futuro, para que sejam dóceis, obedientes e respeitadores.

Quando qualquer coisa é comparada a estupro e abuso sexual, não estamos curando a sociedade, mas infectando relacionamentos com o veneno da desconfiança

A quebra de confiança entre os sexos é o legado trágico do vazio movimento feminista moderno, ou pelo menos a tentativa avassaladora de silenciar dissidentes que não rezam a cartilha hipócrita das feministas. A campanha do novo feminismo assumido pelo movimento Me Too assumiu um fervor inédito, que se alimenta da crescente acusação de que a masculinidade é vil, tóxica e inerentemente predatória. O medo dos homens é legitimado, pois qualquer acusação é tratada como fato, e os homens são vistos como “o inimigo”, um desvio incorporado que deve ser remodelado na imagem de uma mulher. Sua sexualidade é assumida como naturalmente brutal, uma ameaça a ser controlada e reduzida para que o homem individual seja considerado “seguro”.

Embora a disposição das mulheres para responsabilizar os homens por reais comportamentos sexuais criminosos deva ser aplaudida, a abordagem de terra arrasada que estamos vendo hoje é destrutiva — ela mina a confiança saudável e o mais grave: a própria segurança de todas nós. Quando qualquer coisa é comparada a estupro e abuso sexual, não estamos curando a sociedade, mas infectando relacionamentos com o veneno da desconfiança. Seja no local de trabalho, em um restaurante, uma igreja, seja em casa, a interação entre um homem e uma mulher é única e primordial para todos os outros relacionamentos. Quando uma quebra de confiança acontece, quando o medo do outro sexo se generaliza, a sociedade simplesmente não consegue prosperar.

Tudo o que envolve a dinâmica sexual saudável é essencial para o relacionamento entre homens e mulheres. Para que a confiança floresça, essa realidade não pode ser negada e deve ser tratada com respeito, cuidado e honestidade, e não simplesmente apagada da vida moderna. Não pode haver abuso nessa relação, e uma parte da polaridade — seja ela masculina ou feminina — não pode ser rotulada como tóxica, brutal ou maligna, inclusive como foi feito no passado por certas religiões totalitárias em relação à sexualidade feminina. Uma vez que esse rótulo fica impregnado, a desconfiança é gerada em detrimento de todos. Se as mulheres acreditam que todos os homens são perigosos, não pode haver confiança entre os sexos.

Os homens não vão se tornar eunucos, mudar e se comportar como o sexo oposto, abandonando sua masculinidade natural, só porque algumas mulheres querem que tenhamos medo dela. Isso é impossível, essa é a identidade e a natureza dos homens, e ela não pode ser expurgada sem destruir quem eles são como indivíduos livres, como homens e protetores. Sim, protetores. Por causa dessa masculinidade de homens bons e fortes, o mundo é um lugar mais seguro e livre para todos nós.


Ana Paula Henkel, Revista Oeste



















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