Jornalista Andrade Junior

domingo, 23 de julho de 2023

A coisa certa

 Percival Puggina


Nos seis anos durante os quais o PT ficou na oposição, sua estratégia foi muito simples e altamente produtiva. A Lava Jato dera proporçÔes bilionårias ao abalo moral antes causado pelo mensalão e a imagem do partido ficara em frangalhos. Qual a coisa certa a fazer, durante um inesperado governo que unira conservadores e liberais? A coisa certa era tirar o partido dos holofotes e deixar a oposição parlamentar por conta dos pequenos parceiros (Rede, PCdoB e PSOL), terceirizando o trabalho oposicionista mais visível ao combo STF/TSE com total cobertura da velha imprensa.

Os parlamentares mais aguerridos do PT recolheram-se a uma discrição inusitada. Como no dito popular, o partido se fazia de morto para ganhar sapato novo. Quando o governo Bolsonaro se instalou, em 2019, foi recebido por um Supremo jĂĄ com faca nos dentes. Os dois adversĂĄrios mais evidentes? O presidente, do qual a Corte se sentia obrigada a “proteger” a nação, e as emergentes redes sociais, sem as quais a campanha dele sequer teria acontecido por falta de meios.

As apariçÔes pĂșblicas das lideranças petistas ocorriam quando alguma bem estudada narrativa podia repercutir fora do paĂ­s. Nessas ocasiĂ”es, bastava um estalar de dedos para que a mĂ­dia camarada atendesse ao chamado: Le Monde Diplomatique, The Guardian, The New York Times e El PaĂ­s, entre outros.

Por isso, num cenĂĄrio de tanta adversidade, vejo como coisas certas a serem feitas no futuro imediato, a multiplicação dos nĂșcleos conservadores em todo o paĂ­s e a estratĂ©gia de comunicação internacional sobre o estado de exceção instalado no Brasil. Esse foi o intuito da comitiva que representando 52 congressistas brasileiros levaram ao embaixador SĂ©rgio França Danese a denĂșncia de violação de direitos humanos dos presos no dia 8 de janeiro.

Nas 50 pĂĄginas do documento, os parlamentares apontam:

  1. a não individualização de conduta dos presos;
  2. o cerceamento dos advogados aos autos do processo;
  3. a incompetĂȘncia do Supremo Tribunal Federal (STF) para o julgar o caso, pois os envolvidos nĂŁo possuem prerrogativa de foro; 
  4. a total falta de imparcialidade por parte do ministro Alexandre de Moraes na anĂĄlise dos fatos, bem como dos demais integrantes do STF. 

Na sequĂȘncia dos procedimentos, essa denĂșncia serĂĄ protocolada na ComissĂŁo de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.













publicadaemhttps://www.puggina.org/artigo/a-coisa-certa__17842

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