Alex Pipkin
Estou lendo algumas postagens sobre a propaganda da Havaianas com Fernanda Torres num estado misto de perplexidade, espanto e náusea. A ideologização salta aos olhos e, por isso, foi criticada de forma racional. Ainda assim, pela reação de advogados militantes, professores militantes, adultos cronologicamente maduros e cognitivamente infantilizados, tais críticas precisam ser ridicularizadas.
Eles não discordam. Recusam-se a enxergar o que está escancarado. Não enfrentam o argumento; zombam dele, como quem ri para não admitir que o rei está nu — e patrocinado. O ponto nunca foi exagero interpretativo, é puro método. A propaganda não é marketing criativo, nem ousadia estética, nem devaneio de uma agência “cool”. Nada ali é espontâneo. Há interesses ideológicos claros e incentivos econômicos muito bem calculados. Politizar o banal não é acidente; é estratégia. É a cartilha gramsciana aplicada com naturalidade, infiltrando-se na cultura, colonizando o imaginário e transformando o cotidiano em veículo político sem assumir que se trata de política.
Fernanda Torres não aparece como atriz. Aparece como agente simbólico autorizado, alinhada abertamente ao lulopetismo, esse amálgama já conhecido de incompetência administrativa, corrupção recorrente e retórica moralista. Não se vende sandália. Vende-se normalização ideológica. Vende-se a ideia de que é elegante, sofisticado e moralmente superior usar qualquer espaço cultural — até publicidade — para “educar” o público politicamente.
O detalhe que os militantes fingem não perceber é que a Havaianas sentiu pesado no bolso o custo dessa escolha. Politizar a marca de maneira indevida e trágica gerou rejeição, desgaste e impacto econômico real. Ideologia rende aplauso; a soberania do consumidor cobra a conta.
A revolução armada fracassou. Morreu. Foi arquivada com suas fantasias heroicas. Sobrou Gramsci. Sobrou a infiltração lenta, cotidiana, quase invisível. A ocupação da linguagem, da cultura, do entretenimento, da publicidade. É a cultura, estúpido! Sempre foi!
Quando até um produto feito para pisar no chão passa a carregar pedagogia moral, a hegemonia cultural já venceu, mas agora finge ingenuidade. O verdadeiro militante que reage com escárnio à crítica não está apenas sendo desonesto. Ele está preso à dissonância cognitiva. Diante da óbvia ideologização da cultura, do aparelhamento simbólico, da politização indevida de marcas, ele não revisa crenças. Ele reorganiza a realidade para proteger a própria identidade moral. O fato não desaparece; é reinterpretado até deixar de ameaçar o “lado certo”.
Por isso, as postagens são emocionais. Militantes não argumentam; transpiram sentimentalismo barato. Negam o óbvio, porque admitir seria aceitar a guerra cultural; e a própria farsa que encenam. Corrupção vira “contexto”. Militância vira “arte”. Prejuízo financeiro vira “ataque”. Crítica vira “ódio”. Tudo para preservar a sensação narcísica de virtude.
Não é sobre liberdade de expressão, justiça social ou combate à corrupção. Isso é verniz. O que importa é defender o lulopetismo como se defende uma fé. Questionar é profanar.
Ver o óbvio é imperdoável. Vê-los posar de subversivos seria cômico, não fosse revelador. Ocupam mídia, universidades, publicidade, editais — e ainda se apresentam como perseguidos. É o establishment de sandálias, ensinando moral enquanto finge rebeldia.
No fim, não é sobre Havaianas. Nem sobre Fernanda Torres. É sobre militantes que zombam da crítica para não encarar a realidade, inclusive quando ela aparece no balanço financeiro.
Mas enfim, é só um chinelo. Como toda hegemonia bem-sucedida, apenas disfarçada de nada.
PUBLICADAEMhttps://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/quando-gramsci-vestiu-havaianas/





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