por Guilherme Fiuza
Os perigosos verde e amarelo ficaram restritos aos milhões de golpistas que lotaram as ruas do país fingindo que são pacíficos, democratas, sorridentes e livres
Lições do 7 de Setembro de 2022:
- A tentativa de fingir que o povo não existe é válida, se você estiver firme no seu propósito de criar uma democracia particular. Mas no Brasil, pelo menos neste momento, está provado que isso não vai funcionar. Melhor afirmar que quem não fica em casa é fascista;
- Fechar espaços públicos, travar circulação de caminhões e avisar a população que haverá snipers no alto dos prédios com a multidão na mira são ótimas medidas de intimidação empática. Mas, diante de um povo que não se acovarda, talvez seja melhor jogar fora os conselhos do Maduro e procurar outra consultoria;
- Uma das pérolas da modernidade é o transformismo da imprensa, contrabandeando sua credencial de informar para fazer propaganda enganosa. Todo pilantra endinheirado sempre sonhou com um jornalismo de aluguel. E ele deu show no Dia da Independência;
- Infelizmente, o expediente de botar em campo a milícia checadora em conluio com as grandes plataformas para desmentir a realidade ficou um pouco prejudicado pela enormidade desse 7 de Setembro. Mas isso não é motivo para desânimo. Da próxima vez, quem sabe se possa planejar com antecedência um lockdown climático para a data nacional?
Milhões de pessoas ignorando ao mesmo tempo todas as ameaças e chantagens dirigidas a elas é um péssimo exemplo de insubordinação e onda de ódio
- Espalhar a ideia de que a população reunida em paz pela liberdade é fascismo golpista não deixa de ser uma tática ousada. O problema é o que fazer com todos os alertas que você soltou — do tipo fique em casa contra a violência — depois de ver um país nas ruas transbordando alegria. De qualquer forma, você sabe o que fazer: mantenha tudo que disse e acuse os discordantes de desinformação;
- Não é que você vá perder o respeito à sua pessoa depois dessa fake news por um mundo melhor. Você com certeza continuará sendo respeitado pelos cínicos — e eles não são poucos;
- Usar a Justiça para perseguir inocentes é válido, se o propósito for chutar o balde da democracia. Costuma ser uma tática eficiente jogar o Estado em cima do cidadão, atropelar os seus direitos e transformá-lo em exemplo para que os demais não se atrevam a falar fora da cartilha;
- Por isso é importante que os senhores da verdade providenciem imediatamente o embargo e a remoção de todos os registros do 7 de Setembro de 2022. Milhões de pessoas ignorando ao mesmo tempo todas as ameaças e chantagens dirigidas a elas é um péssimo exemplo de insubordinação e onda de ódio;
- Foi premiada a estratégia inovadora de transformar as cores verde e amarelo em sinônimo de ataque à democracia. Nenhum dos gatos pingados que aderiram ao fique em casa contra o fascismo usou uma única peça de roupa com essas cores no 7 de Setembro. Os perigosos verde e amarelo ficaram restritos aos milhões de golpistas que lotaram as ruas do país fingindo que são pacíficos, democratas, sorridentes e livres. E essa gente finge bem;
- A bandeira nacional foi definitivamente desmoralizada como símbolo pátrio. Pisoteada pela Bebel Gilberto em Nova York, ela sumiu de vez da vida dos brasileiros. Só reapareceu nas ruas do Brasil inteiro no 7 de Setembro como provocação golpista, que há de ser investigada no inquérito dos atos antidemocráticos. E com a remoção de todos os registros da bandeira nacional, por ferir as diretrizes da comunidade, as manchetes poderão informar que o verde-amarelo só foi empunhado por meia dúzia de fascistas.
Revista Oeste
publicadaemhttp://rota2014.blogspot.com/2022/09/fake-news-por-um-mundo-melhor-por.html





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