Bruna Komarchesqui, Gazeta do Povo
As
recentes sanções do Ocidente à Rússia colocaram sob os holofotes informações
sobre a vida pessoal de Putin, que ele sempre tentou manter com o máximo de
reserva possível. No início do mês, os Estados Unidos anunciaram sanções às
duas filhas mais velhas do presidente russo, decisão que a União Europeia (UE)
acompanhou dois dias depois. O novo pacote foi motivado pela “brutalidade
repugnante” do massacre na cidade ucraniana de Bucha e pela “natureza
desprezível do regime de Putin”, disse um representante do governo
norte-americano à imprensa, no dia em que as sanções foram anunciadas.
A
inclusão na lista de pessoas que sofreram sanções expôs a identidade das filhas
mais velhas de Vladimir Putin, Maria Vorontsova e Katerina Tikhonova, fruto de
um casamento de quase três décadas com a ex-comissária de voo Lyudmila Putina.
O divórcio do casal foi anunciado publicamente em 2013.
Os nomes
dos filhos do presidente russo nunca foram divulgados oficialmente. Perguntado
por repórteres em uma coletiva, em 2015, sobre o assunto, ele preferiu uma
resposta genérica. "Minhas filhas moram na Rússia e estudaram apenas na
Rússia, estou orgulhoso delas. Eles falam três línguas estrangeiras
fluentemente. Eu nunca falo sobre minha família com ninguém", resumiu.
Maria
Vorontsova
Nascida
em Leningrado, hoje São Petersburgo, no dia 28 de abril de 1985, a primogênita
de Putin, Maria Vorontsova, estudou biologia na Universidade de sua cidade
natal e medicina em Moscou. Segundo reportagem do Daily Mail, ela trabalha com
pesquisas em endocrinologia pediátrica, sendo considerada uma das maiores
especialistas da Rússia em nanismo, inclusive com a coautoria de um livro sobre
a temática.
De acordo
com o jornal britânico Mirror, Maria se beneficiaria de programas financiados
pelo Estado. "Vorontsova lidera programas financiados pelo Estado que
receberam bilhões de dólares do Kremlin para pesquisas genéticas e são supervisionados
pessoalmente por Putin", declarou o Departamento do Tesouro dos Estados
Unidos, segundo a publicação.
A
imprensa internacional divulgou imagens de Maria concedendo uma entrevista
recentemente à TV estatal russa, ocasião em que não foi identificada como filha
do presidente.
Ela
também teria 20% de participação na empresa médica privada Nomeko (de US$ 894
milhões) dedicada a pesquisas sobre o câncer. O Mirror revela, ainda, que a
filha mais velha de Putin mora em uma cobertura de luxo em Moscou, perto da
embaixada dos EUA.
Maria
Vorontsova foi casada com o empresário holandês Jorrit Joost Faassen. Segundo
uma investigação da agência de notícias Reuters, publicada em 2015, ele
trabalhava para o Gazprombank, “um grande credor com fortes ligações com a
elite em torno de Putin”. O casal, que teria se separado recentemente, tem um
filho, embora Putin nunca tenha falado oficialmente sobre o neto.
Katerina
Tikhonova
A segunda
filha do presidente russo nasceu em Dresden, Alemanha, no dia 31 de agosto de
1986. Katerina Tikhonova usaria o sobrenome da avó materna para manter o
anonimato. De acordo com o Tesouro dos EUA, Katerina atua como uma liderança
executiva de tecnologia, dedicada a apoiar o governo russo e a indústria de
Defesa do país. Formada em física e matemática, a vice-diretora do Instituto de
Pesquisa Matemática de Sistemas Complexos da Universidade Estadual de Moscou
estaria na liderança de uma importante iniciativa russa de inteligência
artificial.
O portal
Bloomberg afirmou que a segunda filha de Putin está ligada a um projeto de US$
1,6 bilhão, focado no desenvolvimento de um centro de ciências e de uma
incubadora de startups ao lado da Universidade onde ela atua.
Uma de
suas aparições públicas mais recentes foi a participação remota no Fórum
Econômico Internacional de São Petersburgo, em 2021. Além da vida acadêmica,
Katerina é dançarina de "rock'n'roll acrobático", uma mistura de
ginástica e dança, apreciada no leste europeu. No YouTube, há vídeos de suas
participações em competições mundiais da modalidade, como uma ocorrida na
Suíça, em 2013.
Tikhonova
foi casada até 2018 com Kirill Shamalov, bilionário mais jovem da Rússia,
segundo a Forbes, e filho de um antigo amigo de Putin. O pai, Nikolay Shamalov,
é acionista do Banco Rossiya, “que as autoridades dos EUA descreveram como o
banco pessoal da elite russa", informou a Reuters.
A BBC
conta que o casamento ocorreu em 2013, em um resort de esqui, perto de São
Petersburgo, com direito a entrada dos noivos em um trenó puxado por cavalos
brancos. Segundo a emissora, o Tesouro dos EUA apontou que "suas fortunas
melhoraram drasticamente após o casamento".
Aos 26
anos, Shamalov se tornou vice-presidente da empresa petroquímica russa Sibur,
segundo a Forbes. Logo após se tornar genro de Putin, ele comprou uma
participação de US$ 380 milhões na empresa por apenas US$ 100, conforme
investigação da iStories e do Projeto de Denúncia de Crime Organizado e
Corrupção (OCCRP), divulgada no fim de 2020.
Na
ocasião, Vladimir Putin disse que Shamalov adquiriu ações da gigante
petroquímica como “parte de um programa de incentivo à administração”, divulgou
a Reuters. Em 2015, Kirill e Katerina tinham participações corporativas no
valor de cerca de US$ 2 bilhões, segundo estimaram analistas financeiros à
agência de notícias.
Sanções
As
restrições impostas pelos EUA (que impedem operações no sistema americano e
congelam bens no território do país) também atingem a esposa e filha do
ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. Washington já havia
imposto sanções a Putin algumas semanas antes, mas suspeita-se que o presidente
russo "esconde seus bens" atrás de familiares e amigos.
O
porta-voz da presidência da Rússia, Dmitry Peskov, criticou a medida do governo
norte-americano contra as filhas de Vladimir Putin. "O caminho adotado de
restrições contra membros das famílias fala por si só. É difícil de entender e
de explicar", disse o representante do Kremlin, em coletiva no dia 7 de abril.
"Lamentavelmente, é preciso lidar com esse tipo de adversários",
completou Peskov, referindo-se ao governo americano e de países europeus.
Maria e
Katerina também estão proibidas de viajar ao território da UE e terão todos os
seus bens ali congelados, da mesma forma que ocorreu em março com Putin e
alguns de seus associados mais próximos.
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