diz Filipe Sabará Ex-secretário de Assistência Social de São Paulo defende sufocar o tráfico e apoia o trabalho e a renda como meios de ressocialização
Cristyan Costa, Revista Oeste
Endurecer a fiscalização contra ilegalidades envolvendo o lixo na capital paulista, sufocar o tráfico de drogas e enfrentar ONGs de fachada. Esses são os remédios que Filipe Sabará, ex-secretário municipal de Assistência Social, defende como essenciais para erradicar a cracolândia, na região central.
Sabará critica gestões anteriores, sobretudo a de Fernando Haddad, a quem ele atribui a acentuada deterioração da área. Em entrevista a Oeste, o ex-secretário falou ainda sobre o abandono do centro da cidade. Para reverter o cenário, acredita na parceria entre o poder público e a iniciativa privada.
A seguir, os principais trechos da entrevista que Oeste fez com Filipe Sabará.
1 — Quais os principais desafios para pôr fim à cracolândia em São Paulo?
Em linhas gerais, são três. O lixo é uma das fontes de renda dos dependentes químicos. Com o dinheiro, eles conseguem comprar diversas pedras de crack — há casos de pessoas que consomem cerca de 80 por dia. No centro de São Paulo, muitos estabelecimentos colocam o lixo na calçada, em desconformidade com a lei. Acima de 200 litros por dia, a companhia tem de contratar uma empresa especializada, o que não ocorre. É preciso, portanto, resolver esse problema do lixo com mais fiscalização. A outra questão é sufocar a chegada da droga em seu destino, com mais operações policiais. Em terceiro lugar, faz-se necessário prender os traficantes. Lembro ainda que há denúncias de participação de membros do crime organizado infiltrados em ONGs que prometem “ações filantrópicas” na cracolândia. ONGs desse tipo precisam ser combatidas, visto que muitas estão disfarçadas para abrigar criminosos.
2 — Por que a situação da cracolândia chegou ao estágio atual?
Por causa do abandono de gestões municipais anteriores, em especial a de Fernando Haddad (2012-2016). O programa Braços Abertos alimentou o consumo de drogas na cracolândia, em vez de acabar com ele. Ao assumir a Secretaria de Assistência Social, em 2017, descobri que funcionários de ONGs ligadas à Saúde faziam uso de drogas em cinco “hotéis sociais” criados pelo Braços Abertos. Não é correto oferecer tratamento para os dependentes químicos no local. Tem de tirá-los de lá. Esse programa, o “Bolsa Crack”, foi, na verdade, um “braços abertos” para a morte. Eu encerrei esse projeto funerário.
3 — Quais as medidas de enfrentamento desse problema?
Montar programas sociais que gerem emprego e renda. Na Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade (ARCAH), há milhares de ex-drogados ressocializados. O trabalho ocupa a mente das pessoas. Precisamos acabar com a leniência das ONGs de esquerda, que defendem o “direito” dos dependentes químicos de usar crack como bem entenderem. É possível fazer com que a pessoa saia da droga. A direita precisa entender que essa questão também se resolve com trabalho e oportunidade.
4 — Sobre a cidade de São Paulo: como o senhor vê o mais recente episódio na Avenida Paulista, com uma gangue de crianças assaltando as pessoas? O que pode ser feito para mitigar esse problema?
Entre outros fatores, trata-se de um reflexo da política do “fique em casa, que a economia a gente vê depois”. Muitas famílias perderam renda, e seus filhos, crianças e adolescentes, saíram para assaltar. Recebi vários depoimentos de jovens que foram cooptados pelo crime organizado em virtude da falta de dinheiro em casa. Há lideranças maiores operando, que, covardemente, promovem assaltos na Paulista. Além disso, não podemos esquecer o enfraquecimento da Polícia Militar, que hoje tem de andar com uma câmera na farda e se sente acovardada, porque, se fizer algo, pode acabar indo para a cadeia. Ressalto ainda a necessidade de discutir a redução da maioridade penal, porque os adultos estão formando gangues. É um mix de problemas.
5 — Por que o centro da cidade de São Paulo está tão abandonado?
Por falta de gestão e estímulo da prefeitura em parceria com o setor privado. Há inúmeros projetos parados que propõem ocupar prédios abandonados e revitalizá-los, além de criar edifícios modernos. Pode-se ainda ter modelos com moradia em cima e o comércio embaixo, por exemplo. O Executivo municipal precisa evoluir nas parcerias e nos incentivos para que o setor privado possa conseguir investimento justo. Se houver um movimento de cascata nesse sentido, muitos empreendedores vão apostar no centro da cidade de São Paulo. O coração da capital precisa de iluminação, que afasta o crime, câmeras de segurança de última geração e policiais com equipamentos modernos.
publicadaemhttp://rota2014.blogspot.com/2022/04/cracolandia-se-deteriorou-por-abandono.html





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