Jornalista Andrade Junior

terça-feira, 6 de agosto de 2019

"Volta às aulas",

por Silvio Navarro

“Agora é força total. Pode deixar que eu vou cuidar. Qualquer avanço você me liga, está bom? Abração, querido.” Minutos depois, nova ligação de Toffoli. O ex-ministro ouviu e só falou no final: “Tudo bem. Eu vou falar com o nosso baixinho.” É como ele se refere a Gilberto Carvalho. Toffoli foi nomeado ministro semanas depois.  (Trecho da Revista Piauí, “Pão e Glória”, dez. 2009)
Seu Alexandre, meu vizinho de quina, anda muito irritado porque em plena temporada de volta às aulas seus sobrinhos não param de se queixar da nova moda da Segunda Turma — a patota lá se divide no pátio da escolinha em Primeira e Segunda Turma e até trocam de carteira às vezes. Só que a troça da vez é fuçar num combo clandestino de mensagens roubadas que acabou de chegar ao corredor. A parada, diz a menina Suelen, não deixará nem pai nem mãe dormir.
Ainda que a molecada não tenha noção do que está fazendo, o rolê tem dado likes a granel. É bafo capaz de terminar qualquer namoro e afastar encosto, demitir o motorista e nunca mais comprar fiado na padaria do Gilmar. A carga roubada rendeu.
Alê estava tão bravo na semana passada que mandou mensagem para o músico Luizinho, também nosso vizinho. Mas pegou Luizinho num dia ruim. Estava tingindo a cabeleira e se assustou com alguma coisa que piscou no aplicativo do celular. Os dois resolveram sair para beber uma IPA e ouvir rock’n’roll (Alê optou por uma taça de vinho tinto italiano ao som de Bella Ciao), contaram mentiras que os mantêm no mesmo grupo do WhatssApp de pais e mestres vigilantes e até reclamaram do diretor da fanfarra — o Zezinho reage com o coração canhoto, ainda gosta do rock da Asa Norte e tem juros a pagar na quitanda do seu eterno patrão, o finado seu Márcio Thomaz Bastos, eterno dono da banca. A conta ali nunca fechou.
Luizinho ficou atônito quando ouviu de Alê que nas cópias das conversas disparadas às nuvens o tesouro do pirata continha segredos demais. Pediram a conta.
– Mas o tio Márcio morreu, não?”_ perguntou Alê.
– Sim, mas a conta dos advogados chegou_ respondeu Luizinho.
Agora ninguém larga mais a mão de ninguém.






EXTRAÍDADEROTA2014BLOGSPOG

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