Pois bem, e com todo o respeito: o professor tirou férias. Encontra-se
fora da escola, em lugar incerto e não sabido, mesmo imaginando-se ser
no Maranhão. Sumiu.
Outra explicação não há para a obtusa entrevista concedida esta semana
por sua filha, a governadora Roseana Sarney, na presença do ministro da
Justiça, para falar sobre as barbaridades ocorridas nos presídios de seu
estado.
Como aceitar que o barbarismo tenha tomado conta de São Luís porque o
Maranhão ficou mais rico e sua população aumentou? Então a riqueza, lá,
não gerou mais empregos, senão fez aumentar o crime. Como solução para
maior número de habitantes, por sinal desempregados, cortam-se cabeças?
Incendeiam-se ônibus? Assaltam-se cidadãos que pagam impostos, na rua e
dentro de casa? ...
A governadora também vestiu o boné de dedo-duro, ao acentuar que a
situação nos presídios e nas ruas das cidades de São Paulo, Rio, Santa
Catarina, Rio Grande de Sul e Alagoas é igual ou pior. Não consta que se
cortem cabeças ou se dissequem cadáveres, com direito a registro
televisivo, nos estabelecimentos penais desses estados. Estão os
respectivos governadores na obrigação de reagir. De não aceitar a
acusação.
Mas teve mais, na lamentável entrevista de Roseana. Disse que o
presídio feminino da capital maranhense é um exemplo para todo o Brasil.
Corre o risco de ser desmentida caso alguma cabeça de
mulher-presidiária venha a rolar.
Acrescentou estar chocada com a violência na prisão de Pedrinhas,
rotulando de inexplicável o que aconteceu lá. Errou de novo, porque
explicação há. Faz pelo menos dois anos que a violência campeia, na
prisão, de lá chefiada, e fora dela.
Não foi de graça que enquanto a governadora falava à imprensa, sob o
olhar atônito do ministro José Eduardo Cardoso, o Procurador-Geral da
República anunciava que pedirá a intervenção federal no Maranhão,
enquanto o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
solidarizava-se com Rodrigo Janot.
Vale repetir, Roseana Sarney esqueceu todas as lições recebidas do pai
com relação à postura que as autoridades públicas devem manter diante
de graves crises. Explicações como as dadas por ela para o caos reinante
a partir das Pedrinhas merecem nota zero. Tomara que o professor
retorne logo ao palácio dos Leões.
Fonte: Carlos Chagas-Diário do Poder





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