Jornalista Andrade Junior

sexta-feira, 19 de março de 2021

Os histéricos na redação da Globo

 Hélio Costa Jr - Estudos Nacionais

“Mataram o Boca de Ouro!”. O bicheiro?, pergunta o jornalista do jornal O Sol. “O Duarte está lá! Encontrado morto, na sarjeta, com a cara enfiada na lama”, confirma a fonte. Figura da mitologia suburbana carioca, Boca de Ouro ganhou vida no teatro de Nelson Rodrigues, peça escrita em 1959. Para instigar os leitores quanto à morte do bicheiro, Caveirinha, repórter do jornal, vai à casa de uma das ex-amantes do contraventor, a D. Guigui.

Durante a entrevista, vemos três versões de um suposto assassinato cometido por Boca de Ouro, ou Celeste, outra ex-amante. As cenas do crime variam conforme os elementos da narrativa influenciam psicologicamente D. Guigui, ficando a critério do jornalista qual história veiculará no jornal. Não precisaríamos recorrer à literatura para ilustrar que um fato possa ser descrito sobre vários aspectos que variam desde o estado mental da testemunha, sua capacidade de descrever o ocorrido como também, no caso da peça, a engenhosidade do responsável por uma matéria de jornal.

Mas esta pequena introdução é necessária para entender o que Jeffrey Nyquist quer dizer quando afirma: “A opinião pública é o subproduto de frases de efeito nascidas de uma epistemologia jornalística suspeita”. Destaquemos o “suspeita”, pois é assim que devemos encarar qualquer notícia. Também é preciso desconfiar do testemunho de agentes de saúde cujas opiniões alimentam estes mesmo jornais a respeito da covid-19. Se a uma simples matéria policial abre-se tantas imprecisões, o que dizer quando o assunto é uma pandemia?

Assunto enormemente complexo que desperta todo tipo de indagações e na mesma proporção um mar de opiniões de médicos, enfermeiros e jornalistas ansiosos por opinar sobre algo cuja realidade lhes escapa completamente. Neil Postman, autor do livro Amusin Ourselves to Death (divertindo-se até a morte), de 1985, descreve um fenômeno contemporâneo que se resume na transição de uma cultura literária, onde pessoas se informavam com livros, para a cultura televisiva: uma cultura pós literária onde o telespectador se aproveita de uma imagem e dela tira conclusões mesmo sem possuir familiaridade com o assunto.

Supõe dominar o tema que já vem recortado, mastigado e dentro da perspectiva elaborada pelo editor do jornal (seja impresso, televisivo, no YouTube, de esquerda ou direita, é sempre assim). O sujeito tira de uma imagem inúmeras conclusões e com elas alimenta opiniões. Passa a acreditar em histórias pouco precisas, reportadas por tantos Caveirinhas ou Donas Guiguis.

Queimar jornais ou viver alheio ao que se passa no país não é o caminho apropriado. O filósofo Olavo de Carvalho dá o antídoto logo no início de seu Seminário de Filosofia: façam voto de abstinência em matéria de opinião, recomenda aos alunos. Uma notícia é apenas o fato recortado, transmitido por uma grande emissora e reaproveitado por todo ecossistema midiático. O número de informações contraditórias sobre origem do vírus, medicamentos, métodos de prevenção, restrições e vacinas acachapa a psique de qualquer pessoa despreparada para articular tamanha quantidade de informações.

Não bastasse o tempo de crise, jornalistas histéricos caem de alegria a cada nova morte, nova onda, nova cepa, novo sintoma ou novo lockdown. “O choro é livre” da jornalista Maju Coutinho é apenas sintoma de uma doença muito mais grave que há anos agoniza o Brasil. Por sintoma dela podemos citar justamente a concentração dos meios de comunicação a um número reduzido de grupos econômicos, associada à tomada das redações por uma geração de jornalistas ideologicamente comprometidos que transformaram os veículos de informação e debate em agências de engenharia comportamental, diz Olavo de Carvalho.

Criar o hábito de informar-se por livros, embora importante, é quase desnecessário no momento. É preciso parar um segundo, pensar e apontar o dedo aos responsáveis que ajudaram a criar esta crise atual: jornalistas, governadores e prefeitos. Do lado de lá, nas redações de jornais e gabinetes do executivo, o dedo em riste já aponta em direção ao trabalhador, pequeno empresário, autônomos ou famílias que se reúnem aos finais de semana. Por incrível que pareça, é isto que o Governo do Estado de Santa Catarina veicula pela imprensa em propaganda oficial, paga com o dinheiro de quem é impedido de trabalhar.

Um fato que resume muito bem a situação é a iniciativa da União dos Advogados do Brasil (UNAB) e Ordem dos Advogados Conservadores do Brasil (OACB), apoiados pela Orgazizzazion Mondiale per la Vita (OMV), exigindo de governos relatórios científicos que tenham embasado as medidas restritivas contra a população.

Não será grande a surpresa quando descobrirmos que poucos ou nenhum dado científico sustente os lockdowns.

Hélio Costa Jr., Estudos Nacionais




















publicadaemhttp://rota2014.blogspot.com/2021/03/os-histericos-na-redacao-da-globo.html


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