Jornalista Andrade Junior

sábado, 20 de março de 2021

"Loquidau, a hipnose",

  por Guilherme Fiuza


Aepidemia de coronavírus enfeitiçou as sociedades. 

Parte desse feitiço está nas palavras mágicas “pandemia” e “covid” — por isso elas foram deliberadamente evitadas na frase anterior. 

Não que tenhamos aqui o poder de desfazer esse feitiço. 

É só uma pequena desobediência aos ditames de um senso comum adoecido. 

A covid (citando pela última vez, por razões psicossemânticas) é real. 

E também é hipnótica. 

Aparentemente, pronunciando essa palavra você adquire poderes extraordinários sobre o seu semelhante.

A hipótese acima ainda não tem confirmação científica. 

Mas… 

Dane-se. 

Quem transformou a ciência em licença poética não fomos nós. 

Já vimos de tudo, até a Organização Mundial da Saúde empurrando pomposamente a humanidade para um gueto existencial chamado loquidau (se virar ciência a gente ajeita a grafia). 

Enfim, foram eles que começaram.

O tal feitiço está solidamente fundado num tabu. 

O fato de que o vírus se espalha rapidamente pelo mundo inteiro e realmente pode ser letal em milhares de casos foi transformado na seguinte armadilha: ou você aceita todo o repertório de salvacionismos estúpidos e inócuos que se espalhou igualmente pelo mundo inteiro, ou você é uma criatura horrenda que despreza a vida dos outros. 

Fotografar alguém andando de bicicleta para denunciar descumprimento de loquidau e falta de empatia é o diagnóstico inequívoco dessa outra doença que se espalhou junto com a c…

Essa epidemia de dedos-duros, patrulheiros, x-9 e como mais se queira chamar os empáticos de video game se tornou o combustível perfeito para a ascensão dos tiranetes. 

Se uma grande parte da sociedade está disposta a linchar moralmente um vizinho ou um irmão que não se sujeite a qualquer boçalidade apresentada como segurança sanitária, o caminho está livre para o autoritarismo envergonhado sair do armário. 

E ele perdeu mesmo a vergonha.

Governadores e prefeitos que se apresentam como democratas limpinhos já fizeram as seguintes bondades dizendo que estão “salvando vidas”: toque de recolher ilegal supostamente contra aglomerações noturnas (mantendo aglomerações diurnas nos transportes); bloqueio de gôndolas de supermercados fingindo que a restrição ao consumo de parte dos produtos diminuirá o contágio; proibição de pessoas nas ruas mesmo durante o dia se o motivo da circulação for protesto contra essas falsas medidas sanitárias; fechamento de comércio à força soldando portas de lojas; proibição a lojista de expor na vitrine número de telefone para delivery; agressão física por parte de forças de segurança pública contra cidadãos (incluindo mulheres e adolescentes) que estavam circulando sem aglomeração (eventualmente sozinhas) por espaços abertos como orlas e praças; invasão a residências para contar o número de pessoas presentes em reuniões particulares; proibição ao trabalho de vendedores ambulantes ao ar livre sem restrição aos que se espremem no ambiente fechado dos ônibus; rodízios de automóveis que aumentaram aglomeração nos transportes públicos e até rodízio de pessoas por número de CPF.

Mas nenhum desses estagiários de Coreia do Norte é tratado como ditador. São todos “empáticos”.

Decide aí. 

Se você quer continuar sendo enxotado para dentro de casa que nem rato porque te dizem que assim você é um empático contra a c…, fique à vontade. 

Você preferia não entregar sua liberdade de bandeja a tiranetes brandindo falsa ciência, mas e a c…? 

Você não se importa com a c…?? 

É horrível ficar na berlinda dos negacionistas, fascistas e terraplanistas, né? 

Então chega disso. 

Veste logo a sua ética de butique e sai rastejando aliviado, que ser rato não é tão ruim assim.

Não se esqueça de calar a boca para sempre sobre os estudos em torno do tratamento precoce — esse que médicos medalhões de São Paulo e Rio prescrevem discretamente aos seus pacientes, com todo o cuidado para não atrapalhar a ação dos senhores da verdade que perseguem, insultam, estigmatizam e banem como charlatões desgraçados os que fazem referência a essa terapêutica. 

O que salva é o loquidau.

Revista Oeste












publicadaemhttp://rota2014.blogspot.com/2021/03/loquidau-hipnose-por-guilherme-fiuza.html

0 comments:

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More