Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 31 de março de 2013

Contrarrevolução de 64: Cumprimento constitucional do dever

Contrarrevolução de 64: Cumprimento constitucional do dever Por Aileda de Mattos Oliveira* Ao obstruírem o direito que é facultado a todos os cidadãos, por força de lei, de respirarem uma democracia oxigenada na total liberdade de manifestação, independente de cor política; ao imporem impedimentos às Forças Armadas de comemorarem as suas mais caras datas simbólicas, fica atestada, publicamente, a forma autoritária de governo dos que temem, dos que estão inseguros de sua força de persuasão no seio da grande massa, permeável, é certo, porém, muito mais propensa à diversão do que à doutrinação.

Esqueceram-se de que há uma considerável parcela da sociedade de sã memória, de valores incontestáveis, e que reviverá, sempre, as datas consagradas aos movimentos de libertação da Nação Brasileira, os quais a impediram de transformar-se num gigantesco satélite do totalitarismo vermelho.
Apesar dos párias políticos que pululam em todos os setores do governo e que, prazerosamente, se abastecem do dinheiro público; apesar de esses párias escolherem como alvo de suas perseguições instituições altamente credenciadas, permanecem elas silenciosas, mas vigilantes, no cumprimento do dever e na fidelidade ao Estado Brasileiro. Entidades, rígida e disciplinarmente constituídas, seguidoras da Lei Maior, quanto à segurança e à defesa do país, irrompem nos momentos em que o comportamento anárquico dos incentivadores da desorganização do regime põe em perigo a estabilidade do ainda inconsistente sistema republicano brasileiro.
A parte da sociedade que não se deixa submeter às distorções doutrinárias há que comemorar, há que exaltar a data em que foi desestruturado mais um desses movimentos traiçoeiros de implantar no Brasil a ingovernabilidade com objetivos de impor um regime, cujas diretrizes vinham sendo traçadas e determinadas, de fora, pelo totalitarismo estrangeiro, alimentado por ideologias incompatíveis com as mais caras tradições brasileiras. Há que comemorar, há que exaltar o dia 31 de Março de 1964, quando os militares sustentaram a pesada carga que lhes caiu sobre os ombros, em nome da integridade do Estado Brasileiro, de seu patrimônio cultural, de sua História, escrita por homens de distintas etnias, e que não poderia sofrer os arranhões da histeria vermelha.
Há quarenta e nove anos, povo, imprensa e outras instituições não esperaram o desastre acontecer e clamaram pela presença das Forças Armadas e deram a elas irrestrito apoio para que o país retornasse ao estado de direito, mantivesse intacto o patrimônio público e privado, ameaçado pela turba insana, dirigida por líderes negativos, dispostos a restringir a liberdade de seus opositores e das instituições, liberdade duramente conquistada pela FEB, nos campos da Itália, na Segunda Guerra Mundial.
Hoje, hipócritas, escorregadios, povo, imprensa e outras instituições, todos carregando o imbecil epíteto de “sociedade civil”, dependentes do erário, seja pelos benefícios financeiros da publicidade governamental, seja pelo assistencialismo mantenedor da ignorância popular, seja, ainda, pela compra de identidade de órgãos carnavalescos, já dominados pelos tentáculos da torpe política de inseminação ideológica, que lhes determina o enredo a ser desenvolvido num carnaval de arranjos e manobras ocultas [1]. Todos iconoclastas, a serviço do niilismo que domina a alma (será que eles a têm?) dos que, por atavismo, regrediram a um estágio de degradação moral.
Há, sim, que comemorar a grande data nacional, quando os militares, em cumprimento constitucional do dever, mais uma vez, enfrentaram outra geração de renegados, de complexados elementos que, por acaso, aqui nasceram, mas sempre estiveram a serviço de caudilhos estrangeiros e a eles submetidos, reduzindo-se a serviçais seguidores de uma doentia doutrina secretora de viscosa retórica de subversão da lógica natural.
Torna-se, pois, a Contrarrevolução de 64 um marco histórico, momento crucial em que os militares, RESOLUTAMENTE, abraçaram o Brasil, impedindo-o de que fosse tragado pelo lamaçal pútrido de ideias já ensanguentadas pela vermelhidão da bandeira alienígena.
A “sociedade civil”, presa fácil em razão das facilidades que lhe concedem os governantes; fantoche da política rasa que lhe proporciona contínuos direitos, sem exigência de deveres; fingindo que não vê as rachaduras nas leis penais que instituem o crime como norma; essa dócil “sociedade civil”, gado manso que segue o cheiro das bolsas, das cotas, do dinheiro público, em direção ao curral prisional de suas consciências, quando a última porteira se fechar atrás de si, clamará, tardiamente, pela presença dos militares, relegados, agora, por essa tropa de mulas que não deve, em hipótese alguma, ser chamada ‘povo’.
Quarenta e nove anos se passaram, mas os vermes criados em laboratórios doutrinários robusteceram-se e ameaçam, novamente, o equilíbrio nacional, com a sua devastadora gana de poder e de destruição. Eis a razão para que se mantenham vivas as lembranças dos lastimáveis fatos que levaram à confrontação os Defensores Constitucionais do Brasil e os traidores que desejavam destruí-lo, títeres de governos totalitários, controladores de seus destinos.
Eis a razão para que não se permita o esquecimento, a negação, a ignorância dos verdadeiros motivos que determinaram a Contrarrevolução de 64, pois o Tempo é História, nele está registrado esse momento de grandes lutas, em favor de um país livre dessa mancha vermelha que tenta, no seu retorno, cobrir a terra brasileira, torná-la estéril de valores humanísticos para mais facilmente dominá-la. Rápida é a destruição de um país; vagaroso é o seu desenvolvimento por aqueles que o desprezam e pretendem transformá-lo numa cópia de certo Estado sul-americano, cujas Forças Armadas, dizem as notícias, já estão sob o comando de militares do mesmo credo político, mas de outra bandeira.
Que as sucessivas gerações de militares façam permanecer o dia 31 de Março de 64 como símbolo da reação das Forças Armadas Brasileiras, que cumpriram o seu dever, de acordo com a Constituição vigente, e mantiveram-se fiéis na defesa do Brasil contra a invasão estrangeira, representada por sub-brasileiros, usados por velhacos tiranos que lhes abastardaram o raciocínio pelo enfraquecimento da resistência psicológica, a fim de torná-los cativos da degenerativa doutrina comuno-gramscista.
[1] Uma agremiação carnavalesca fez da imagem de Che Guevara o símbolo de sua escola nos instrumentos e camisas.
(*Dr.ª em Língua Portuguesa, membro da Academia Brasileira de Defesa, articulista do Jornal Inconfidência).

sábado, 30 de março de 2013

ATENÇÃO! URGENTE - NOVO GOLPE

NOVO GOLPE NO CARTÃO DE DÉBITO
Abasteci o carro e na hora de pagar, o frentista fez a 'gentileza' de me alcançar a maquininha, só que nesse momento os dedos dele taparam o visor.

Digitei a senha e ele colocou de volta na bancada, ai veio a minha sorte:
Por engano, digitei um número a menos e o cara sem querer falou: 'tá faltando um número'.

Como eu estava ao lado, olhei rapidamente para o visor e minha senha estava ali digitada, ao invés dos tradicionais asteriscos:**** !!!
Como já conheço o gerente do posto (Ipiranga) chamei-o na hora e perdi mais umas duas horas na delegacia.

Lá veio o esclarecimento do novo golpe:

O atendente faz uma 'gentileza' e segura a máquina pra digitarmos a senha, neste momento, tapando o visor com a ponta dos dedos, na verdade ele não colocou o valor da compra, e os dígitos da senha aparecem no visor ficando expostos como se fossem o valor da compra.
Ele anota a senha e diz que não funcionou por qualquer motivo. Faz novamente o procedimento só que correto e a gente paga a despesa.

PRONTO: O cara tem a senha anotada e o número do cartão que fica registrado na bobina.
Segundo a delegada, em dois dias um cartão clonado com qualquer nome está na mão da quadrilha e os débitos caem direto na sua conta!!!
O frentista confessou que 'nem conhece quem são as pessoas por trás disso' um motoqueiro passou no posto, ofereceu R$ 600,00 por semana e passava lá pra pegar a lista de cartões e senhas e para deixar o dinheiro pro cara.

Segundo a delegada está acontecendo muito em barzinhos, botecos, danceterias, lojas de conveniência, posto de gasolina, etc.


Se puderem, repassem! Muita gente ainda vai cair nessa, infelizmente

Cresce a bancada dos mais ausentes no Congresso

Cresce a bancada dos mais ausentes no Congresso

Quase dobra de um ano para o outro o número de parlamentares que faltaram a mais de um terço das sessões em que o comparecimento era obrigatório. Foram 49 em 2012
Principal palco da atividade parlamentar, o plenário foi relegado a segundo plano por um grupo de congressistas. O número de deputados e senadores que faltaram a, pelo menos, uma de cada três sessões destinadas a votação quase dobrou, em 2012, em comparação com 2011: saltou de 27 para 49. Se eles não tivessem justificado suas ausências, poderiam ser cassados. Essa bancada é puxada pela Câmara, onde 44 deputados deixaram de registrar presença em 31 (um terço) ou mais dos 91 dias com sessões voltadas para votação. Desses, 12 disputaram prefeituras.
No Senado, onde houve 126 sessões deliberativas, cinco senadores faltaram, pelo menos, a 42 reuniões (um terço) em plenário. Um dos menos assíduos no Senado, Mário Couto (PSDB-PA) diz que participou ativamente das eleições, mesmo não sendo candidato, para fortalecer seu papel como opositor. “Ausência do Senado em nada representa ausência de trabalho. Pelo contrário, é quando mais arregaçamos as mangas”, afirma. Os dados são de levantamento sobre a assiduidade no Parlamento, publicado na quinta edição da Revista Congresso em Foco.
Cadeiras vazias
Em alguns casos, as faltas foram ainda mais acentuadas. Ao todo, oito deputados acumularam mais ausências que presenças em 2012. Desses, dois disputaram a eleição para prefeito. Sétimo mais faltoso na Câmara, José Priante (PMDB-PA) foi apenas o quarto colocado em Belém. Obteve 68.021 votos (8,79% da votação válida). Primo de Jader Barbalho, Priante atribuiu todas as suas 46 ausências, em 91 dias de trabalho, a obrigações político-partidárias.
Com o mesmo número de faltas que o deputado paraense, Teresa Surita (PMDB-RR) teve mais sucesso nas urnas. Com 57 mil votos, voltou à prefeitura de Boa Vista pela quarta vez. Ela atribuiu 35 de suas ausências a compromissos políticos. As nove faltas restantes foram justificadas como missão oficial ou licença médica.
Alguns desses mais faltosos atribuíram a problemas de saúde a maior parte de suas ausências. Caso de Nice Lobão (PSD-MA), campeã de faltas em 2011 e terceira colocada em 2012. A deputada, que sofre de dores na coluna, tirou 35 licenças médicas nos 55 dias em que faltou ao trabalho. Nas demais faltas, Nice alegou que cumpria obrigações partidárias.
Vice-campeão em faltas, Aníbal Gomes (PMDB-CE) recorreu a atestados médicos para justificar 38 de suas 60 ausências. Quarto colocado nesse ranking, Zé Vieira (PR-MA) apresentou justificativas médicas para 52 de suas 54 faltas.
Entre os deputados que faltaram a mais de um terço das sessões estão o novo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado no processo do mensalão, o ex-prefeito paulistano Paulo Maluf (PP-SP) e o tucano Carlos Alberto Leréia (GO), que responde a processo por quebra de decoro devido à sua relação com o contraventor Carlinhos Cachoeira.
Justificar é preciso
Em tese, faltar sessões destinadas a votação sem justificar implica desconto de salário. E faltar em grande número sem dar explicações pode resultar até em cassação. O artigo 55 da Constituição Federal determina a perda do mandato do parlamentar que faltar a mais de um terço das sessões ordinárias de um ano sem justificar. Até hoje, apenas os deputados Mário Bouchardet (MG) e Felipe Cheidde (SP) foram cassados por esse motivo. Foi em 1989.
De todas as 8.477 faltas registradas pelos deputados em 2012, 7.789 foram abonadas. Apenas 688 (8%) delas ficaram sem justificativa. No entanto, as faltas ainda podem ser revertidas já que os deputados têm até o último dia do mandato para justificar as ausências. No Senado, quase 80% das ausências foram atribuídas a algum compromisso externo, a tratamento de saúde ou a licença para tratar de interesses particulares.

Governos e sindicatos, relações bastardas



‘Governos e sindicatos, relações bastardas’, por Almir Pazzianotto Pinto

João Goulart (1919-1976) é personagem singular e enigmática da nossa história. Escolhido por Getúlio Vargas para sucedê-lo como condutor da política trabalhista, Jango herdou a resistência das elites e a desconfiança das Forças Armadas.
A aproximação entre Vargas e Jango iniciou-se no final de 1945 quando o presidente, deposto no dia 29 de outubro pelos generais, foi confinado na estância de Itu, município de São Borja, vizinha da propriedade da família Goulart. Partiu daí a transformação do jovem criador de gado em político do PTB gaúcho, pelo qual se tornou deputado estadual em 1947, federal em 50, presidente nacional do partido em 52, ministro do Trabalho em 53.
Convocado por Vargas ─ que voltara ao Catete eleito presidente da República em 1951 ─ para fortalecer vínculos com o movimento sindical, Jango “tornou-se figura de destaque e árbitro dos conflitos entre os trabalhistas, ao mesmo tempo em que, em estreita ligação com Vargas, passava a controlar os principais cargos de chefia na Previdência Social”. Simultaneamente, se empenhava na tarefa de atribuir importância nacional às organizações sindicais, “de forma a constituir uma força que pudesse dar respaldo ao presidente, atingido, no segundo ano do governo, pelos efeitos da crise política, latente desde o período eleitoral” (Dicionário Histórico- Biográfico Brasileiro, vol. III).
Desde a Carta Constitucional de 1937, sob a qual foi redigida a CLT, governo e sindicatos cultivam relações bastardas. Relata João Pinheiro Neto, no livro “Jango, Um Depoimento Pessoal” (Ed. Record) que, quando Ministro do Trabalho, várias vezes Goulart lhe disse “Tu, que és menino inteligente, diga a esses homens (referia-se às lideranças sindicais) que não forcem demais, que me deixem um pouco tranquilo. E acrescentava: Podes anotar: se me apertarem demais e eu cair, virá por aí uma ditadura militar que vai durar vinte anos. E, quando isso acontecer, os nossos líderes sindicais não poderão andar nem na rua…”  O temor de quem se sentia acossado, e não dispunha de força para resistir ao assédio sindical, era profético, e seria confirmado pelos fatos.
A promiscuidade com o peleguismo foi obra de Vargas, exímio na arte de manipulá-lo. Jango não aprendeu com o mestre, e (na presidência da República) se deixou envolver por dirigentes ambiciosos, que imaginavam assumir o domínio do País a partir de movimentos grevistas, como o deflagrado em outubro de 1963 por 77 sindicatos e 4 federações estaduais, representantes de metalúrgicos, têxteis, gráficos, marceneiros, químicos-farmacêuticos, liderados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) controlada por aliança entre PTB e PCB.
Apoiada abertamente por Jango e Amauri Silva, Ministro do Trabalho, a “greve dos 700 mil” não resistiu à intervenção do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, acionado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Mas eliminou a escassa confiança do setor patronal no propalado espírito cordato e conciliador do presidente.
O golpe de 31 de março de 64 provocou total desarticulação do sindicalismo comuno-petebista. Entre os primeiros 100, cujos direitos políticos foram suspensos por 10 anos pelo Ato nº 1 (de 9/4/1964) do Comando Supremo da Revolução, 40 eram sindicalistas, entre os quais Clodismith Riani, Dante Pelacani e Hércules Correia, diretores da CNTI e líderes Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Para ocupar os postos deixados pelos cassados o governo nomeou interventores como Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, que seria presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.
A truculência do governo militar provocou a substituição dos protagonistas da promiscuidade. Ao invés de sindicalistas ligados à denominada esquerda progressista, o que se observou foi a brusca ascensão de elementos das oposições na chefia de sindicatos, federações e confederações, em íntima colaboração com o Ministério do Trabalho, que lhes garantia sucessivas reeleições e os alimentava com o Imposto Sindical.
Em 1946 e 1988 perderam-se duas excelentes oportunidades de moralização do movimento sindical. O art. 8º (da Constituição de 88), o pior texto da história na matéria, afastou o poder de intervenção direta do Estado, mas conservou o sistema confederativo, a divisão de empregadores e empregados em categorias, o monopólio de representação, a Contribuição Sindical obrigatória para não associados, o registro no Ministério do Trabalho.
Governo e sindicatos cultivam relações bastardas. O primeiro, porque lhe dão tranquilidade, capacidade de controle e apoio eleitoral. Quanto aos segundos, tiram o máximo proveito da promiscuidade: recebem polpudas ajudas em dinheiro público, gozam de prestígio político, interferem na escolha de ministros, têm livre acesso a palácios e ministérios. Ser dirigente sindical próximo do governo é a melhor posição que alguém pode almejar, por trazer vantagens sem gerar preocupações.
A presidente Dilma Rousseff havia adotado postura austera e firme diante das centrais. Buscou, aparentemente, fazer com que entendessem haver larga distância entre interesses pessoais de dirigentes, ávidos de dinheiro ou de ascensão política, e relevantes projetos nacionais, como tornar a economia competitiva no mundo globalizado, começando pela reforma dos portos e aeroportos.
Aconselhada pelo ex-presidente Lula, deu um passo atrás e as reconduziu a lugar de honra no Planalto. O primeiro fruto da reaproximação consiste na atitude da Força Sindical, autora de manifestações contra a privatização de terminais portuários prevista na Medida Provisória 595, em tramitação no Poder Legislativo.
S.Exa. poderia dedicar algumas horas à história do trabalhismo janguista, e certamente concluirá que relações incestuosas, com o peleguismo, jamais trarão resultados benéficos ao País.
Almir Pazzianotto Pinto é advogado; foi Ministro do Trabalho e presidente do TST.

 

Deputados tiveram 20% mais faltas em 2012

Deputados tiveram 20% mais faltas em 2012

Dos 91 dias em que a presença era obrigatória na Câmara, cada parlamentar apareceu, em média, 74 vezes para votar, revela levantamento da Revista Congresso em Foco. Queda na frequência coincidiu com eleições e baixa produção legislativa
Para o trabalhador em geral, o ano passado teve 252 dias úteis. Mas, para os deputados, o calendário não chegou a um terço disso. Dos 91 dias em que a presença na Câmara era obrigatória, cada parlamentar compareceu, em média, 74 vezes para votar. Em um ano marcado por intensa disputa eleitoral, os deputados faltaram quase 20% mais às sessões reservadas a votação em comparação com o ano anterior. Como a quase totalidade dessas ausências recebeu algum tipo de explicação, poucas faltas ficaram sujeitas, em tese, a desconto no salário. O levantamento sobre a assiduidade dos parlamentares em 2012 é um dos destaques da quinta edição da Revista Congresso em Foco. Em 2011, quando a frequência foi exigida em 107 dias do ano, cada deputado apareceu, em média, 90 vezes para examinar propostas legislativas. Assim como em 2012, também naquele ano o número de dias úteis para quem não usufrui das benesses do mandato foi de 252 dias.
As ausências também cresceram em relação à legislatura passada, de 2007 a 2010. A média anual de comparecimento dos deputados naqueles quatro anos foi de 86 dias. Os dados são baseados em informações oficiais da própria Câmara sobre a assiduidade de todos os deputados que exerceram o mandato ao longo de 2012.
Dessa vez, nem o tradicional recesso branco, período em que a Casa suspende as votações por várias semanas seguidas para liberar os parlamentares para a campanha eleitoral, evitou o esvaziamento do plenário. E o pior: o vazio não ficou só nas cadeiras.
Prejuízo legislativo
A baixa na presença dos deputados coincidiu com outro ponto negativo de 2012: a queda na produção legislativa, verificada tanto na quantidade de projetos convertidos em lei quanto, principalmente, na qualidade das normas geradas para o país. Em relação a 2011, o número de leis produzidas caiu de 208 para 192. Ainda a título de comparação, em 2008, ano em que também houve eleições municipais, o então presidente Lula sancionou 259 normas aprovadas pelo Congresso.
Se 2011 marcou a sanção de propostas de grande alcance popular, como a correção da tabela do Imposto de Renda, a atualização do sistema tributário para micro e pequenas empresas, a nova política do salário mínimo e a Lei de Acesso à Informação, o ano passado será lembrado por poucas mudanças legislativas de impacto.
“Desculpas fajutas”
Alguns parlamentares atribuem o aumento das ausências às atividades das campanhas eleitorais e da CPI do Cachoeira, cujas investigações acirraram os ânimos entre oposição e governo. Para o cientista político David Fleischer, essas duas explicações não se sustentam. O problema, diz o professor da Universidade de Brasília (UnB), é bem mais grave. “Isso não passa de desculpa fajuta. Apenas alguns parlamentares participaram da CPI e houve recesso branco durante as campanhas municipais. Esses argumentos são apenas uma forma de desviar o foco do verdadeiro motivo das faltas”, avalia.
Segundo o cientista político, o grande número de faltas dos deputados é consequência do despreparo generalizado dos parlamentares que ocupam as cadeiras do Congresso. “Os partidos estão sem capacidade de mobilizar suas bancadas. Os líderes são fracos e não conseguem avançar nas negociações. Por isso, há um esvaziamento das funções parlamentares que acaba refletido até mesmo na assiduidade deles”, explica David.
A prioridade dada pelos parlamentares candidatos às eleições, em detrimento do trabalho em plenário, não se mostrou tão eficaz. Pelo menos para aqueles que concorreram.
Dos 87 deputados que disputaram o cargo de prefeito ou vice, apenas 26 conseguiram se eleger. O resultado foi pífio entre os senadores: nenhum dos cinco que entraram na corrida eleitoral obteve sucesso. Mas muitos congressistas não candidatos também mergulharam fundo na campanha, tentando eleger o maior número possível de aliados, já pensando no apoio que poderão receber, em troca, nas próximas disputas eleitorais.

Oficiais da reserva reclamam de parcialidade dos trabalhos

Oficiais da reserva reclamam de parcialidade dos trabalhos
Presidentes dos clubes Militar, Naval e da Aeronáutica se queixam de que investigação só atinja agentes do Estado
Juliana Dal Piva 
O Globo- Os presidentes dos clubes Militar, Naval e da Aeronáutica divulgaram nota, em ato comemorativo ao golpe militar de 1964, com ataques à Comissão Nacional da Verdade. No texto, o almirante Ricardo Antônio da Veiga Cabral, o general Renato Cesar Tibau da Costa, e o tenente-brigadeiro do ar Ivan Moacyr da Frota criticam a resolução da comissão de investigar apenas os crimes cometidos por agentes do Estado.

"E que não venham agora os democratas arrivistas, arautos da mentira, pretender dar lições de democracia", escreveram os militares reformados. "Ao arrepio do que consta da Lei que criou a chamada Comissão da Verdade, os titulares designados para compô-la, por meio de uma resolução administrativa interna, alteraram a lei em questão limitando sua atividade à investigação apenas dos atos cometidos por agentes do Estado", criticaram
Procurado, o almirante Veiga Cabral disse que no domingo, dia 31, não será realizado nenhum ato pelo aniversário da revolução de 64, devido aos problemas ocorridos no ano passado, quando manifestantes entraram em confronto com militares reformados em frente ao Clube Militar, no Rio.
- Este ano, o ministro proibiu qualquer manifestação das Forças, mas os clubes não são subordinados e podem se pronunciar. Então, nós resolvemos publicar essa nota por uma questão de justiça com essa Comissão da Verdade que só está chamando casos de um lado - disse Cabral.
Segundo ele, os comandantes das Forças Militares não participaram da produção da nota. A Comissão da Verdade afirmou que não iria comentar as declarações.

31 de março: Palavras de um Pica-Fumo

31 de março: Palavras de um Pica-Fumo
Cel José Gobbo Ferreira
Era o ano de 1964. Em Juiz de Fora havia uma Unidade de Material Bélico, a 4ª Companhia  Leve de Manutenção, que se destacava entre as demais da guarnição.
Pequena,  mas ativa na prestação dos serviços de apoio a todas as guarnições da 4ª Região, perfeitamente integrada no espírito de servir, e com  equipes  esportivas poderosas, tanto de Oficiais como de Sargentos, frequentemente Campeã em basquete, vôlei ou FutSal nas competições da guarnição.
Eu servia  orgulhosamente  nessa Unidade, onde havia chegado  Aspirante  no início do ano anterior, feliz como só um Aspirante pode se  sentir. Um dia, meu Comandante me chamou para uma conversa em seu gabinete. Ela versou sobre a situação política, minhas convicções, o que achava do que estava acontecendo etc. Não  seria honesto lhes narrar minhas respostas, pois não me lembro mais   delas. Sei que, no dia seguinte, o  Capitão  me ordenou que me apresentasse ao Gen.  Mourão, nosso Comandante de Região, no QG.
Lá chegando, tive mais ou menos a mesma conversa com o General, acompanhado de um índio velho paisano envolto em um poncho, do Cel. Batista, Chefe do Estado Maior, e do TC Heitor de Caracas Linhares, o E3 da Região.  Imaginem o humilde pica-fumo, 2ºTenente MB, nessa companhia...

Lá chegando confabularam entre si e, ao final, me chamaram de volta. Aí descobri que o índio velho era o Gen. Muricy. Sob condição de sigilo total me ordenaram que me preparasse para cumprir uma missão de risco.
No dia 28  de março fui chamado  pelo Cel.  Batista. Ele me deu uma leve noção do que estava para acontecer e me ordenou que  organizasse uma equipe de suprimento Classe III (Combustíveis, lubrificantes,    etc) e, na madrugada de 30 me deslocasse  pela velha União e Indústria  até Areal  -  RJ  e estabelecesse um posto de reabastecimento e apoio a um grande efetivo de tropa que deveria se deslocar rumo ao Rio de Janeiro passando por ali.  Em  seguida,  devia retrair  para a margem esquerda do Paraíba e aguardar novas ordens.
O Coronel me deu uma carta pessoal para um sobrinho seu que  devia colocar o posto de gasolina de Areal à minha disposição e me desejou boa sorte.   No dia 30 lá fui eu, com meu jipe, três  ou quatro  caminhões militares e  um caminhão pipa  civil com gasolina, requisitado por nós.
Cumpri a missão. Só que, quando  voltei à  noite para a  margem esquerda do Paraíba, de manhã  completamente deserta, encontrei uma aglomeração de tropas, tendo à frente o 10º RI de Juiz de Fora, a comando do  Cel.  Everaldo.  Era o glorioso estacamento Tiradentes,  em sua marcha rumo ao Rio de Janeiro.  Acomodei meus homens,  fui dormir exausto e  acordei com  um alvoroço, alta madrugada. Era o  Ten. Monteiro de Barros (o mais novo), vadeando o rio para se juntar aos nossos.Pouco depois recebi ordem do TC Linhares para que partisse rumo ao posto em Areal, à frente do Destacamento e com alguma antecipação, para estar perfeitamente pronto e operacional quando a coluna passasse por lá.
Areal era um pequeno vilarejo, quase  que só uma rua, em um vale.    Elementos de vanguarda da infantaria do Rio  já haviam ocupado as elevações  ladeando a  estrada.
Passávamos, completamente desabrigados, com o “inimigo”  a cavaleiro de nós.  No ar frio da manhã, podíamos ouvir os golpes de manejo da velha Madsen  nos recepcionando.  O coração veio à boca.  O medo se apresentou para o serviço.  Mas conseguimos o objetivo maior do guerreiro, que é vencê-lo. Prosseguimos, passamos por entre eles e nos instalamos.
O esquema que organizamos funcionou  bem.  Trabalhamos dois dias e  a noite  que os separou  sem parar  e quase sem comer.  Enquanto isso os chefes se acertaram,  e o interessante da missão é que, ao fim de um certo tempo, recebi ordem de abastecer também as viaturas do  “inimigo”, que voltavam para o Rio praticamente  juntas com as nossas.  Prevaleceu o bom senso. Prevaleceu o espírito de conciliação que o brasileiro inha naqueles tempos.
Hoje...
Já no Rio,  recebi o  eficiente  grupamento de manutenção, a comando do  Ten.  Adilson Bertolino, meu querido irmão, e como, embora sem merecê-lo, eu fosse o mais antigo,assumi o comando de toda a tropa da  4ª Leve em operação  na Guanabara.  O  restanteda missão foi trivial e bem conhecido.
Recebi elogios de todos os chefes do Destacamento, mas o de meu Comandante, Capitão Amaury Friese Cardoso, está gravado até hoje:
[...] por ter voluntariamente  atendido à conclamação feita por este Comando, incorporando-se ainda em  hora incerta à Revolução Democrática de 31 de março, ajudando a restaurar no Brasil o domínio da Constituição, a ordem jurídica e suas tradições cristãs. [...]. No momento em que a vitória vai pouco a pouco se consolidando  apresento  sinceros agradecimentos e  francos louvores por toda sua atuação no Movimento Revolucionário Democr
ático e concito  a que continue trilhando os mesmos caminhos de amor à Pátria e lealdade  aos princípios sagrados de nosso juramento à Bandeira do Brasil, como tão bem o fez até hoje (Individual).Meu Capitão: pode contar com isso!
É com esse  background  e esses parcos serviços prestados  ao primeiro passo da Contrarrevolução  que ouso  alinhavar  estas  palavras,  hoje,  como  uma homenagem ao manifesto    “À Nação Brasileira : 31 de março”  dos Clubes Militares, em particular  ao meu, o Clube Militar, a Casa da República.
República é um termo  que traz  embutido o conceito de liberdade! Liberdade de pensar, de falar, de agir, dentro dos limites da lei.  De ousar apontar os erros e os errados e de buscar solução para ambos. Mas estamos atravessando tempos  pouco republicanos. O triste espetáculo de março do ano passado nas portas do Clube Militar se repetiu  há  pouco,  recorrentemente,  com  nossa hóspede,  a  blogueira cubana  Yaoni Sánchez. As tropas SA  do nazi-petismo,  dessa vez  a serviço de Cuba,  encurralaram a moça onde quer que ela pretendesse  exercer seu direito de se expressar livremente em um país que ela imaginava fosse democrático. Essa é uma amostra clara do que nos espera se não reagirmos a tempo.
A incompetência, a demagogia  e a falta de  respeito do grupelho no poder brada aos céus por punição. A  economia  recua;  o aumento do PIB é desprezível,  abaixo da inflação e do crescimento  populacional;  a Petrobrás, antigo gigante econômico da Nação, se estiola;  a inflação ergue a cabeça maldita  e a inadimplência aumenta. A insensibilidade do governo é revoltante: enquanto patrícios sofrem a desonestidade e a irresponsabilidade dos políticos, sendo desalojados e morrendo como moscas nas intempéries previsíveis,  madame presidente,  ateia  e comunista,  vai  farisaicamente beijar  a mão do Papa,  torrando milhões de reais  com sua comitiva turística em Roma: O povo perdeu seus barracos? Que more em palácios...
A delinquência atormenta a sociedade em suas duas vertentes: a corrupção, dentro do governo, rapinando nossos recursos com incrível  naturalidade patrimonialista, e a violência, aqui fora, exercendo o terrorismo  rural e urbano  que, aliás, atacou o próprio Clube em março passado.  A pressão do vapor nessa caldeira  que se tornou nosso país está subindo perigosamente. Fatos portadores de futuro apontam para a possibilidade real de uma explosão sangrenta, cuja probabilidade aumenta a cada dia.
Enquanto não tomamos posição, a Nação Brasileira está sendo esquartejada. O inimigo divide para vencer.  Não somos mais a tão decantada  fusão  das  raças branca, negra e indígena como me ensinaram em meus  tempos de primário e ginasial. Hoje temos toda uma  quinta-coluna  promovendo  nossa divisão em grupos: índios e quilombolas com direito a extensos territórios próprios, à custa da expulsão dos proprietários legais e produtivos;  negros com direito a cotas especiais,  esbulhando o justo direito dos  mais qualificados;  ong´s  estrangeiras  atuando descaradamente para impedir nosso desenvolvimento, sob a capa da proteção ambiental  e aos indígenas;  uma  imensidade de cidadãos, refratários ao trabalho, com direito a bolsas a fundo perdido  das mais diversas  denominações, em troca de votos de cabresto. E, pagando  e sofrendo por tudo isso,  a  classe média, à qual, por especial  deferência  do governo, são  conferidos também  dois  direitos: o  de trabalhar  e o de pagar impostos  escorchantes  e sem etorno.
Repito mais uma vez que nós militares temos a  obrigação  moral e constitucional de defender  as instituições tradicionais e a  integridade  da Pátria. Nós  juramos  que o faríamos. Não há Ativa  ou Reserva. Não há Exército de ontem , de hoje ou de amanhã.
Há um e um só: o Exército de Caxias,  que tantas vezes impediu a secessão no Brasil.
Pois bem, parece que terá que fazê-lo de novo.  Que cada um esteja aprestado, dentro de suas possibilidades.
Precisamos de  um núcleo que congregue  todos aqueles dispostos a  afrontar o  avanço das trevas. E o Clube Militar  é o  espaço  nato  para esse núcleo.    A nota de hoje é um passo importante  para arrancá-lo  da acomodação em que se encontra e conduzi-lo de novo à condição de  guardião  e  Casa da República. E depressa,  enquanto ainda temos uma República  democrática, de princípios  cristãos,  pois ela  está sendo pouco a pouco corroída  pelas ameaças acima e pela  ação açambarcadora do executivo  lulopetista,corrompendo o Legislativo, ameaçando o Judiciário  e aparelhando o Estado. Dentro em breve  República, tal como a conhecemos  hoje,  será apenas uma lembrança dos tempos em que éramos felizes e bem sabíamos  e, no entanto  deixamos, por covardia, que aquela felicidade escorresse por entre nossos dedos...

Intelectuais e raça



George Orwell certa vez disse que algumas ideias são tão insensatas, que somente um intelectual poderia acreditar nelas. O multiculturalismo é uma dessas ideias.
Há tantas falácias ditas sobre raça, que é difícil escolher qual é a mais ridícula. No entanto, uma falácia que costuma se sobressair é aquela que afirma haver algo de errado com o fato de que as diferentes raças são representadas de forma numericamente desproporcional em várias instituições, carreiras ou em diferentes níveis de renda e de feitos empreendedoriais.
Cem anos atrás, o fato de pessoas de diferentes antecedentes raciais apresentarem taxas de sucesso extremamente discrepantes em termos de cultura, educação, realizações econômicas e empreendedoriais era visto como prova de que algumas raças eram geneticamente superiores a outras.
Algumas raças eram consideradas tão geneticamente inferiores, que a eugenia foi proposta como forma de reduzir sua reprodução. O antropólogo Francis Galton chegou a exortar "a gradual extinção de uma raça inferior".
E as pessoas que diziam essas coisas não eram meros lunáticos extremistas. Muitos deles eram Ph.D.s oriundos de várias universidades de ponta, lecionavam nas principais universidades do mundo e eram internacionalmente reputados.
Reitores da Universidade de Stanford e do MIT estavam entre os vários acadêmicos defensores de teorias sobre inferioridade racial — as quais eram aplicadas majoritariamente aos povos do Leste Europeu e do sul da Europa, uma vez que, à época, era dado como certo o fato de que os negros eram inferiores.
E este não era um assunto que dividia esquerda e direita. Os principais proponentes de teorias sobre superioridade e inferioridade genética eram figuras icônicas da esquerda, de ambos os lados do Atlântico.
John Maynard Keynes ajudou a criar a Sociedade Eugênica de Cambridge. Intelectuais adeptos do socialismo fabiano, como H.G. Wells e George Bernard Shaw, estavam entre os vários esquerdistas defensores da eugenia.
Foi praticamente a mesma história nos EUA. O presidente democrata Woodrow Wilson, como vários outros progressistas da época, eram sólidos defensores de noções de superioridade e inferioridade racial. Ele exibiu o filme O Nascimento de uma Nação, que glorificava a Ku Klux Klan, na Casa Branca, e convidou vários dignitários para a sessão.
Tais visões dominaram as primeiras duas décadas do século XX. 
Agora, avancemos para as últimas décadas do século XX. A esquerda política desta era já havia se movido para o lado oposto do espectro das questões raciais. No entanto, ela também considerava que as diferenças de sucesso entre grupos étnicos e raciais era algo atípico, e clamava por uma explicação única, vasta e arrebatadora.
Desta feita, em vez de os genes serem a razão predominante para as diferenças nos êxitos pessoais, o racismo se tornou o motivo que explicava tudo. Mas o dogmatismo continuava o mesmo. Aqueles que ousassem discordar, ou até mesmo questionar o dogma predominante em ambas as eras, era tachado de "sentimentalista" no início do século XX e de "racista" na era multicultural.
Tanto os progressistas do início do século XX quanto os novos progressistas do final do século XX partiram da mesma falsa premissa — a saber, que há algo de estranho quando diferentes grupos raciais e étnicos alcançam diferentes níveis de realizações.
No entanto, o fato é que minorais raciais e étnicas sempre foram as proprietárias — ou gerentes — de mais da metade de todas as principais indústrias de vários países. Dentre estas minorias bem-sucedidas, temos os chineses na Malásia, os libaneses na África Ocidental, os gregos no Império Otomano, os bretões na Argentina, os indianos em Fiji, os judeus na Polônia, os espanhóis no Chile — entre vários outros.
Não apenas diferentes grupos raciais e étnicos, como também nações e civilizações inteiras apresentaram níveis de realizações extremamente distintos ao longo dos séculos. A China do século XV era muito mais avançada do que qualquer país europeu. Com o tempo, no entanto, os europeus ultrapassaram os chineses — e não há nenhuma evidência de ter havido alterações nos genes de nenhuma destas civilizações.
Dentre os vários motivos para estes diferentes níveis de realizações está algo tão simples quanto a idade.  A média de idade na Alemanha e no Japão é de mais de 40 anos, ao passo que a média de idade no Afeganistão e no Iêmen é de menos de 20 anos. Mesmo que as pessoas destes quatro países tivessem absolutamente o mesmo potencial intelectual, o mesmo histórico, a mesma cultura — e os países apresentassem rigorosamente as mesmas características geográficas —, o fato de que as pessoas de determinados países possuem 20 anos a mais de experiência do que as pessoas de outros países ainda seria o suficiente para fazer com que resultados econômicos e pessoais idênticos sejam virtualmente impossíveis.
Acrescente o fato de que diferentes raças se desenvolveram em diferentes arranjos geográficos, os quais apresentaram oportunidades e restrições extremamente diferenciadas ao seu desenvolvimento, e as conclusões serão as mesmas.
No entanto, a ideia de que diferentes níveis de realização são coisas atípicas — se não sinistras — tem sido repetida ad nauseam pelos mais diferenciados tipos de pessoas, desde o demagogo de esquina até as mais altas eminências do Supremo Tribunal.
Quando finalmente reconhecermos que as grandes diferenças de realizações entre as raças, nações e civilizações têm sido a regra, e não a exceção, ao longo de toda a história escrita, restará ao menos a esperança de que haja pensamentos mais racionais — e talvez até mesmo alguns esforços construtivos para ajudar todas as pessoas a progredirem.
Até mesmo um patriota britânico como Winston Churchill certa vez disse que "Devemos Londres a Roma" — um reconhecimento de que foram os conquistadores romanos que criaram a mais famosa cidade britânica, em uma época em que os antigos bretões eram incapazes de realizar esta façanha por conta própria.
Ninguém que conhecesse os iletrados e atrasados bretões daquela era poderia imaginar que algum dia os britânicos criariam um império vastamente maior do que o Império Romano — um império que abrangeria um quarto de toda a área terrestre do globo e um quarto dos seres humanos do planeta.
A história apresenta vários exemplos dramáticos de ascensão e queda de povos e nações, por uma variada gama de motivos conhecidos e desconhecidos. Mas há um fenômeno que não possui confirmação histórica, um fenômeno que, não obstante esta ausência de exemplos práticos, é hoje presumido como sendo a norma: igualdade de realizações grupais em um dado período do tempo.
As conquistas romanas tiveram repercussões históricas por séculos após a queda do Império Romano.  Um dos vários legados da civilização romana foi o alfabeto latino, o qual gerou versões escritas dos idiomas da Europa ocidental séculos antes de os idiomas do Leste Europeu serem transformados em letras. Esta foi uma das várias razões por que a Europa ocidental se tornou mais desenvolvida que a Europa Oriental em termos econômicos, educacionais e tecnológicos.
Enquanto isso, as façanhas de outras civilizações — tanto da China quanto do Oriente Médio — ocorreram muito antes das façanhas do Ocidente, embora a China e o Oriente Médio posteriormente viessem a perder suas vantagens.
Há tantas reviravoltas documentadas ao longo da história, que é impossível acreditar que um único fator sobrepujante seja capaz de explicar tudo, ou quase tudo, do que já aconteceu ou do que está acontecendo. O que realmente se sabe é que raramente, para não dizer nunca, ocorreram façanhas iguais alcançadas por diferentes pessoas ao mesmo tempo.
No entanto, o que mais temos hoje são grupos de interesse e movimentos sociais apresentando estatísticas — que são solenemente repercutidas pela mídia — alegando que, dado que os números não são aproximadamente iguais para todos, isso seria uma prova de que alguém foi discriminatório com outro alguém.
Se os negros apresentam diferentes padrões ocupacionais ou diferentes padrões gerais em relação aos brancos, isso já basta para despertar grandes suspeitas entre os sociólogos — ainda que diferentes grupos de brancos sempre tenham apresentado diferentes padrões de realizações entre si.
Quando os soldados americanos da Primeira Guerra Mundial foram submetidos a exames mentais durante a Primeira Guerra Mundial, aqueles homens de ascendência alemã pontuaram mais alto do que aqueles de ascendência irlandesa, sendo que estes pontuaram mais alto do que aqueles que eram judeus.  Carl Brigham, o pioneiro do campo da psicometria, disse à época que os resultados dos exames mentais do exército tendiam a "desmentir a popular crença de que o judeu é altamente inteligente".
Uma explicação alternativa é que a maioria dos imigrantes alemães se mudou para os EUA décadas antes da maioria dos imigrantes irlandeses, os quais por sua vez se mudaram para os EUA décadas antes da maioria dos imigrantes judeus. Alguns anos depois, Brigham viria a admitir que a maioria dos mais recentes imigrantes havia sido criada em lares onde o inglês não era a língua falada, e que suas conclusões anteriores, em suas próprias palavras, "não possuíam fundamentos".
Nessa época, os judeus já estavam pontuando acima da média nacional dos exames mentais, e não abaixo. 
Disparidades entre pessoas do mesmo grupo, em qualquer área que seja, não são obviamente uma realidade imutável. Mas uma igualdade geral de resultados raramente já foi testemunhada em qualquer período da história — seja em termos de habilidades laborais ou em termos de taxas de alcoolismo ou em termos de quaisquer outras diferenças — entre aqueles vários grupos que hoje são ajuntados e classificados como "brancos".
Sendo assim, por que então as diferenças estatísticas entre negros e brancos produzem afirmações tão dogmáticas — e geram tantas ações judiciais e trabalhistas por discriminação — sendo que a própria história mostra que sempre foi comum que diferentes grupos seguissem diferenciados padrões ocupacionais ou de comportamento?
Um dos motivos é que ações judiciais não necessitam de nada mais do que diferenças estatísticas para produzir vereditos, ou acordos fora de tribunais, no valor de vultosas somas monetárias. E o motivo de isso ocorrer é porque várias pessoas aceitam a infundada presunção de que há algo de estranho e sinistro quando diferentes pessoas apresentam diferentes graus de êxito pessoal.
O desejo de intelectuais de criar alguma grande teoria que seja capaz de explicar padrões complexos por meio de algum simples e solitário fator produziu várias ideias que não resistem a nenhum escrutínio, mas que não obstante têm aceitação generalizada — e, algumas vezes, consequências catastróficas — em vários países ao redor do mundo.
A teoria do determinismo genético, que predominou no início do século XX, levou a várias consequências desastrosas, desde a segregação racial até o Holocausto. A teoria atualmente predominante é a de que algum tipo de maldade explica as diferenças nos níveis de realizações entre os vários grupos étnicos e raciais. Se os resultados letais desta teoria hoje em voga gerariam tantas mortes quanto no Holocausto é uma pergunta cuja resposta requereria um detalhado estudo sobre a história de rompantes letais contra determinados grupos odiados por causa de seu sucesso.
Estes rompantes letais incluem a homicida violência em massa contra os judeus na Europa, os chineses no sudeste asiático, os armênios no Império Otomano, e os Ibos na Nigéria, entre outros.  Exemplos de chacinas em massa baseadas em classes sociais e voltadas contra pessoas bem-sucedidas vão desde os extermínios stalisnistas do kulaks na União Soviética até a limpeza promovida por Pol Pot de pelo menos um quarto da população do Camboja pelo crime de serem pessoas cultas e de classe média, crime este que era evidenciado por sinais tão tênues quanto o uso de óculos.
Minorias que se sobressaíram e se tornaram mais bem-sucedidas do que a população geral são aquelas cujo progresso provavelmente em nada está ligado ao fato de terem ou não discriminado as maiorias politicamente dominantes. No entanto, foram exatamente estas minorias que atraíram as mais violentas perseguições ao longo dos séculos e dos países ao redor do mundo.
Todos os negros que foram linchados durante toda a história dos EUA não chegam ao mesmo número de homicídios cometidos em apenas um ano contra os judeus na Europa, contra os armênios no Império Otomano ou contra os chineses no sudeste asiático.
Há algo inerente aos sucessos de determinados grupos que inflama as massas em épocas e lugares tão distintos. O que seria? Esse fenômeno inflama não apenas as massas, como também leva a genocídios cometidos por governos, como os da Alemanha nazista ou o regime de Pol Pot no Camboja. Podemos apenas especular as razões, mas não há como fugir desta realidade.
Aqueles grupos que ficam para trás frequentemente culpam seu atraso nas malfeitorias cometidas por aqueles grupos mais bem-sucedidos. Dado que a santidade não é comum a nenhum ramo da raça humana, é óbvio que nunca haverá escassez de pecados a serem mencionados, inclusive a arrogância e a insolência daqueles que calham de estar no topo em um determinado momento. Mas a real pergunta a ser feita é se esses pecados — reais ou imaginários — são de fato o motivo destes diferentes níveis de êxitos pessoais.
O problema é que os intelectuais — pessoas de quem normalmente esperaríamos análises racionais que se contrapusessem à histeria das massas — frequentemente sempre estiveram na vanguarda daqueles movimentos que promovem a inveja e o ressentimento contra os bem-sucedidos. Tal comportamento é especialmente perceptível naquelas pessoas que possuem diplomas mas que não possuem nenhuma habilidade economicamente significativa que lhes permita obter aquele tipo de recompensa que elas esperavam ou julgavam ter o direito de auferir.
Tais pessoas sempre se destacaram como líderes e seguidoras de grupos que promoveram políticas anti-semitas na Europa entre as duas guerras mundiais, o tribalismo na África, e as mudanças sociais no Sri Lanka, um país que, outrora famoso por sua harmonia intergrupal, se rebaixou, por influência de intelectuais, à violência étnica e depois se degenerou em uma guerra civil que durou décadas e produziu indescritíveis atrocidades.
Intelectuais sempre estiveram por trás da inflamação de um grupo contra outros, promovendo a discriminação e a violência física em países tão díspares quanto Índia, Hungria, Nigéria, Tchecoslováquia e Canadá.
Tanto a teoria do determinismo genético como sendo a causa dos diferentes níveis de realizações pessoais quanto a teoria da discriminação como o motivo destas diferenças, ambas contraditórias e criadas por intelectuais, geraram apenas polarizações raciais e étnicas. O mesmo pode ser dito da ideia de que uma dessas teorias tem de ser a verdadeira.
Essa falsa dicotomia de que uma delas tem de ser a verdadeira deixa aos grupos mais bem-sucedidos duas opções: ou eles se assumem arrogantes ou se assumem culpados criminalmente. Da mesma forma, deixa aos grupos menos exitosos a opção entre acreditar que sempre foram inerentemente inferiores durante toda a história ou que são vítimas da inescrupulosa maldade de terceiros.
Quando inumeráveis fatores fazem com que a igualdade de resultados seja virtualmente impossível, reduzir estes fatores a uma questão de genes ou de maldade é a fórmula perfeita para se gerar uma desnecessária e perigosa polarização, cujas consequências frequentemente são escritas em sangue ao longo das páginas da história.
Dentre as várias e ignaras ideias a respeito de grupos raciais e étnicos que polarizaram as sociedades durante séculos e ao redor de todo o mundo, poucas foram mais irracionais e contraproducentes do que os atuais dogmas do multiculturalismo.
Aqueles intelectuais que imaginam que, ao utilizar uma retórica multicultural que redefine e até mesmo revoga o conceito de atraso, estarão ajudando grupos raciais e étnicos que ficaram para trás estão, na realidade, levando estas pessoas para um beco sem saída.
O multiculturalismo é um tentador paliativo aplicado àqueles grupos que ficaram para trás porque ele simplesmente afirma que todas as culturas são iguais, ou "igualmente válidas", em algum sentido vago e sublime. De acordo com este dogma, as características culturais de todas as etnias e raças seriam apenas diferentes — nem melhores nem piores.
No entanto, tomar emprestadas características particulares de outras culturas — como os algarismos arábicos que substituíram os algarismos romanos, mesmo nas culturas ocidentais oriundas de Roma — implica que algumas características não são simplesmente diferentes, mas sim melhores, inclusive os números utilizados. Algumas das mais avançadas culturas de toda a história pegaram emprestados comportamentos e características de outras culturas; e isso pelo simples fato de que até hoje nenhuma coleção única de seres humanos foi capaz de criar as melhores respostas para todas as questões da vida.
Todavia, dado que os multiculturalistas veem todas as culturas como sendo iguais ou "igualmente válidas", eles não veem nenhuma justificativa para as escolas insistirem, por exemplo, que as crianças negras aprendam seu idioma materno. Em vez disso, cada grupo é estimulado a se apegar ferreamente à sua própria cultura e a se orgulhar de suas próprias glórias passadas, reais ou imaginárias.
Em outras palavras, membros de grupos minoritários que são atrasados educacionalmente e economicamente devem continuar se comportando no futuro como sempre se comportaram no passado — e, se eles não conseguirem os mesmos resultados dos outros, então a culpa é da sociedade. Essa é a mensagem principal do multiculturalismo.
George Orwell certa vez disse que algumas ideias são tão insensatas, que somente um intelectual poderia acreditar nelas. O multiculturalismo é uma dessas ideias. A intelligentsia sempre irrompe em indignação e ultrajes a qualquer "diferença" ou "disparidade" de resultados educacionais, econômicos ou outros — e denuncia qualquer explicação cultural para esta diferença de resultados como sendo uma odiosa tentativa de "culpar a vítima".
Não há dúvidas de que algumas raças ou até mesmo nações inteiras foram vitimadas por terceiros, assim como não há dúvida de que câncer pode causar morte. Porém, isso é muito diferente de dizer que as mortes podem automaticamente ser imputadas ao câncer. Você pode pensar que intelectuais seriam capazes de fazer essa distinção. Mas muitos não são.
Ainda assim, intelectuais se veem a si próprios como amigos, aliados e defensores das minorias raciais, ao mesmo tempo em que empurram as minorias para a estagnação cultural. Isso permite à intelligentsia se congratular e se lisonjear de que estão ao lado dos anjos contra as forças do mal que estão conspirando para manter as minorias oprimidas.
Por que pessoas com altos níveis de capacidade mental e de talentos retóricos se entregam a este tipo de raciocínio deturpado é um mistério. Talvez seja porque elas não conseguem abrir mão de uma visão social que é extremamente lisonjeira para eles próprios, não obstante quão deletéria tal visão possa ser para as pessoas a quem elas alegam estar ajudando.
O multiculturalismo, assim como o sistema de castas, encurrala e amarra as pessoas naquele mesmo segmento cultural e social no qual elas nasceram. A diferença é que o sistema de castas ao menos não alega beneficiar aqueles que estão na extremidade inferior.
O multiculturalismo não serve apenas aos interesses ególatras dos intelectuais; ele serve também aos interesses de políticos que têm todos os incentivos para promover uma sensação de vitimização — e até mesmo de paranóia — entre grupos de cujos votos eles precisam em troca de apoio material e psicológico.
A visão multicultural do mundo também serve aos interesses daqueles que estão na mídia e que prosperam ao explorar os melodramas morais. O mesmo pode ser dito de todos os departamentos universitários voltados para estudos étnicos e sociais, bem como de toda a indústria de assistentes sociais, de especialistas em "diversidades" e da ampla gama de vigaristas que prosperam ao fazer proselitismo racial.
Os maiores perdedores de toda essa história são aqueles membros das minorias raciais que se permitem ser conduzidos para esse beco sem saída do ressentimento e da raiva, mesmo quando há várias outras avenidas de oportunidades disponíveis. E todos nós perdemos quando a sociedade fica polarizada.

Thomas Sowell, um dos mais influentes economistas americanos, é membro sênior da Hoover Institution da Universidade de Stanford. Seu website: www.tsowell.com.

Publicado no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil. 

As águas de março

As águas de março - ZUENIR VENTURA

O GLOBO -

Pode ser nostalgia das quatro estações, na verdade é, mas acho que o Rio seria melhor se as tivesse de forma nítida, diferenciada, não todas num só dia, como às vezes acontece, e sim cada uma a seu tempo, a exemplo do que ocorre com a vida da gente e na bela música de Vivaldi. Com o atual desequilíbrio climático, não se fazem mais estações como antigamente, quando os poetas e seresteiros escolhiam a preferida para cantar. Carlos Drummond de Andrade exaltou a primavera, a exemplo de Rubem Braga. Já outro cronista, Paulo Mendes Campos, dizia que o Rio era "praticamente o mês de fevereiro" Ele garantia: "Quem vive esses dias viveu tudo (ou quase tudo)." Manuel Bandeira escolheu o verão para uma elegia cheia de evocações: "Dêem-me as cigarras que ouvi menino."

Do nosso cancioneiro popular, um dos mais pungentes hinos do amor perdido se passa nesse período de agora, fim de verão/começo de outono. É "As rosas não falam" do grande Cartola. "Bate outra vez/Com esperança o meu coração/Pois já vai terminando o verão, enfim" (nessa música, há uma divertida autocorreção do poeta, fingindo dar-se conta de que disse uma tolice: "Queixo-me às rosas,/Mas que bobagem,/As rosas não falam"). E ele continua:

"Volto ao jardim/Na certeza que devo chorar/ Pois bem sei que não queres voltar/Para mim." De minha modesta parte, curto o verão e gosto tanto do calor que - meu dermatologista que não ouça - costumo expor a careca ao sol inclemente do meio-dia, sem chapéu, só com um cremezinho que não protege muito. O suor escorrendo, a cabeça cozinhando, a endorfina agindo, é um prazer quase erótico. Mas mesmo assim preferiria que o verão, como o pensamento, não fosse único. Embora admitindo que frio não dá samba nem poesia, o inverno carioca me tenta, porque é quando a cidade é mais amena, a luz mais transparente, o ar mais fresco e o sol menos tórrido, aquecendo, em vez de queimar.

Mas voltando à desordem ecológica. Nada melhor para ilustrar seus trágicos efeitos (e o descaso das autoridades) do que as águas de março. Cantadas como "promessas de vida" por Tom Jobim, elas se tornaram, ao contrário, ameaças de morte nas cidades serranas fluminenses, com enchentes, desabamentos e, em consequência, centenas de vítimas nestes últimos anos. A triste ironia é que a linda música de Tom foi composta em seu sítio Poço Fundo, na região de Petrópolis, quando das chuvas torrenciais resultava poesia, não a morte de mais de 30 pessoas, como agora.


Desoneração e liberdade de imprensa

Desoneração e liberdade de imprensa - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR -

O plano do governo federal de desonerar as empresas de telecomunicações em R$ 6 bilhões para a construção e ampliação da infraestrutura de banda larga, objeto de uma portaria do Ministério das Comunicações publicada no dia 13, virou o pretexto para um novo ataque do Partido dos Trabalhadores à imprensa livre. Inconformado com o benefício concedido às empresas e com a decisão do governo de adiar a discussão sobre um marco regulatório para o setor, o PT volta a direcionar suas baterias à defesa do que chama, eufemisticamente, de “democratização da mídia”, expressão da novilíngua petista que designa o controle de conteúdo.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, vem recebendo toda sorte de ataques de seus colegas de partido devido ao plano de desonerar as teles. “Traidor” e “privatista” é o palavreado encontrado em mídias sociais e sites alinhados com o petismo. O deputado paranaense Dr. Rosinha preferiu o argumento ao xingamento. “Empresa privada não tem de ter subsídio, tem de ser regulada pelo mercado”, afirmou o parlamentar ao jornal O Globo. Independentemente do juízo de valor que se faça sobre a desoneração das teles (aprovada, aliás, por especialistas no setor), não deixa de ser curioso perceber que o PT avalia de forma bem mais positiva os benefícios a outros setores, como as reduções de impostos para a indústria automobilística, produtos da linha branca e móveis, ou para a cesta básica. Só a desoneração das teles causa a fúria petista.

Sem conseguir bloquear a desoneração, o presidente do PT, Rui Falcão, voltou a dizer que o partido se empenhará para obter a tal “democratização da mídia”. Neste mesmo espaço, em 6 de março, a Gazeta do Povo mostrou as armadilhas para a liberdade de expressão escondidas nas diretrizes aprovadas na 1.ª Conferência Nacional da Comunicação e que, segundo o próprio PT, servirão de base para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular, para o qual o partido exorta seus militantes a coletar assinaturas. Falcão, recordemo-nos, é o mesmo que em janeiro acusou imprensa e Ministério Público de “experiências que no passado levaram ao nazismo”, quando na verdade o controle da imprensa sonhado pelo PT é que se assemelha ao programa do Partido Nazista.

Bernardo, com razão, lembrou o PT que o partido não devia ter colocado no mesmo saco a desoneração das teles e sua militância histórica de controle da imprensa, na resolução publicada pelo partido no início do mês – e que continha um erro grosseiro, ao afirmar que o benefício era de R$ 60 bilhões em vez de R$ 6 bilhões. O ministro também acerta ao deixar claro que o governo diverge do PT quanto à prioridade e ao conteúdo do tal “marco regulatório”.

Essa não é, no entanto, uma batalha fácil, pois entre os entusiastas do controle da imprensa estão não apenas o presidente da legenda, mas também vários petistas com prestígio dentro do partido, como os mensaleiros condenados José Dirceu e José Genoino, sem falar no ex-presidente Lula, que durante seu governo manteve Franklin Martins, um dos mais ardorosos defensores do “controle social da mídia”, à frente da pasta que Bernardo comanda hoje. Que o ministro e os demais petistas comprometidos com a imprensa livre saibam resistir ao assédio totalitário dos companheiros de legenda.

Uma leitura para Dilma

Uma leitura para Dilma - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO -
A economia brasileira crescerá 3,1% neste ano, com inflação de 5,7%, muito acima dos 4,8% projetados no fim de 2012, segundo as novas estimativas do Banco Central (BC). Os preços continuarão subindo bem acima da meta, de 4,5%, pelo menos até o primeiro trimestre de 2015, de acordo com o Relatório de Inflação, um panorama divulgado a cada três meses pelo BC. Rico de informações e projeções sobre a economia nacional e os mercados globais, esse estudo seria, no entanto, mais completo, e muito mais realista, se incluísse uma seção especial sobre as intervenções desastradas da presidente Dilma Rousseff na política de contenção de preços. A última interferência notável ocorreu na quarta- feira, véspera da publicação do relatório. O palavrório estabanado da presidente, numa entrevista em Durban, na África do Sul, provocou tensão no mercado financeiro, seguida de explicações oficiais, desmentidos e uma reação irada da própria Dilma.

"Foi uma manipulação inadmissível de minha fala", disse a presidente, numa vã tentativa de atribuir a outras pessoas o próprio erro. Não houve manipulação. Durante o dia todo as emissoras de televisão reapresentaram a desastrada fala presidencial sobre a "política superada" de combate à inflação. Sua declaração foi interpretada, como era de esperar, como condenação do uso dos juros no combate à inflação. Nenhuma outra interpretação seria mais compatível com o discurso habitual de quem apresenta como conquista do governo a redução dos juros básicos.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, foi mobilizado para cuidar do estrago. Em entrevista ao Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado, ele tentou desfazer o "mal-entendido". Afirmou o compromisso da presidente com o combate à inflação como "um valor em si", negou a tolerância à inflação e acrescentou uma explicação tão importante quanto tardia: "De inflação fala a equipe econômica. Em relação à política de juros fala o BC". Mas esta e a mais perfeita negação do comportamento habitual da presidente e também do ministro da Fazenda. Sobram razões para ninguém levar a sério, desde o começo do atual governo, o discurso oficial sobre a autonomia do BC.

O escorregão presidencial já seria bastante grave, e até grotesco, se o episódio tivesse terminado na quarta- feira. Seria difícil, no entanto, apagar em tão pouco tempo as impropriedades ditas em tom professoral pela presidente da República. Ela tentou provar seu ponto de vista apontando o contraste do baixo crescimento econômico do ano passado com a inflação próxima de 6%. Segundo ela, a alta de preços decorreu de um fator externo e fora do controle do Brasil - a alta das cotações das commodities. Qual teria sido o crescimento - esta é a pergunta implícita - se os juros tivessem subido?

É uma argumentação ingênua, incrivelmente inepta e desmentida no Relatório de Inflação divulgado ontem. Ao mencionar a resistência da inflação, o documento cita a alta de preços do setor de serviços (8,66% nos 12 meses até fevereiro), "a maior dispersão recentemente observada" nos aumentos de preços ao consumidor, além de "pressões sazonais e pressões localizadas no segmento de transportes, entre outros fatores".

Faltou acrescentar: o encarecimento dos serviços e a dispersão dos aumentos são claros indícios de inflação de demanda, sustentada por fatores também citados no relatório, como a geração de emprego e renda e a expansão do crédito (moderada, segundo o BC, mas nem tanto). Falta uma ressalva. Não se pode chamar de "recente" a dispersão dos aumentos, há muito tempo destacada pelos analistas independentes.

Para completar, o relatório contesta a oposição simplória entre crescimento econômico e combate à inflação. Segundo o documento, a evidência internacional, ratificada pela experiência brasileira, aponta distorções graves resultantes da inflação elevada. Essas distorções aumentam os riscos e deprimem os investimentos, encurtando os horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos e reduzindo a confiança dos empresários. Em suma, taxas altas de inflação "reduzem o potencial de crescimento da economia" e as possibilidades de geração de emprego e renda. Esse relatório seria uma leitura instrutiva para a presidente.

sexta-feira, 29 de março de 2013

SEXO - COMÉDIA

UMA ESPÉCIE DE COMÉDIA DA VIDA PRIVADA. CASAIS DIFERENTES, MOMENTOS SEMELHANTES E O QUE ROLA NO SEXO... VALE PARA DIVERTIR...




JOGADA ESPETACULAR

O TENIS É MESMO UM ESPORTE FANTÁSTICO. ALGUNS LANCES SÃO IMPOSSÍVEIS E DEIXAM O ADVERSÁRIO EMBASBACADO.. VEJA ESTA JOGADA DE AGNIESZKA RADWANSKA. NA REALIDADE, NEM ELA CONSEGUIU ACREDITAR NO QUE FEZ...


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