Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 2 de março de 2016

"Entrevista comigo mesmo",

por Arnaldo Jabor O Globo
O Brasil está sendo destruído pelos delírios primitivos de um bando de idiotas



“Oi, Arnaldo, tudo bem?”
— Tudo bem, Arnaldo....
— Por que esta entrevista consigo mesmo?
— É que eu não estou entendendo mais nada do país nem de mim mesmo. É a crise na alma. Preciso saber quem eu sou. Ando numa recessão mental.
— Por quê?
— Porque recessão causa recessão mental. Esses caras, além de arrasarem a nossa infraestrutura econômica, acabam também com nossa infraestrutura psíquica.
— Você lembra como era o Brasil?
— Sim. Era uma merda. Sempre foi, mas havia um doce panorama de ilusões que nos mantinham vivos. Eram ilusões ingênuas, mas simpáticas; havia uma precariedade poética, havia um sonho de futuro, mesmo bobo. Um dia, eles chegaram — como uma porcada magra que invade o batatal —, acabaram com nossas esperanças e não puseram nada no lugar. A catástrofe do governo do PT ironicamente acabou com nosso sonho de futuro em nome de um “futuro” inventado por eles, chupado das cartilhas leninistas que mal leram. Transformaram Marx em bolivariano.
A minha tristeza é que minha geração sempre teve um “fim”. Não conseguíamos raciocinar sem alguma finalidade histórica ou política, sempre em busca de uma felicidade romântica, que acenava para um futuro de paz e harmonia.
— Você é um babaca, Arnaldo...
— Sou sim, xará, nós dois somos babacas românticos finalistas, sem dúvida, mas, veja um exemplo da loucura dessa gangue: os comunas que entraram no poder eram radicalmente contra o chamado “imperialismo americano”. Aí, nos trancaram num nacionalismo burro, bolivo-brizolista e estatizante. Falimos. Resultado: o imperialismo americano agora chegou, comprando nossa indústria sucateada por preço de banana. Dilma e o PT sempre quiseram acabar com o capitalismo. Pois é... Conseguiram! O PT nos trouxe o imperialismo!
— Para de sofrer, Arnaldo...
— Não consigo. Não posso ver o país sendo destruído, nem por guerra, nem por catástrofes naturais inesperadas, mas pela estupidez. O Brasil está sendo destruído pelos delírios primitivos de um bando de idiotas. Suas neuroses pautam o país. Nem falo da roubalheira, mas da bobagem. Vejam a cara do Rui Falcão por exemplo, vejam ali a insistência no erro, querendo refazer a política que nos ferrou. E não nos deixam fazer nada, nem reformas, nada. Os petistas, cutistas e petrolistas não deixam. Ou seja, f*&#ram com tudo e não deixam consertar. É uma cag*da com perda total.
Agora sou obrigado a pensar o insolúvel, a escrever sobre o que fazer com o país e ainda ter de ouvir de intelectuais idiotas que “Lula nos trouxe inegáveis avanços sociais”. Que avanços? O Bolsa Família, agora com correção monetária? Avançaram na Petrobras e nos fundos de pensão, isso sim. Os avanços sociais foram só para os milhares de petistas aparelhados nas frestas do Estado.
— Você também está muito pessimista...
— Já passei por inúmeros sintomas, para ver se me salvava a cuca.
Já fui obsessivo... (“tenho de ajudar a salvar esse país com meus artigos!”) Passei pelo masoquismo... (“tenho mais é de sofrer mesmo, a culpa é de todos nós”)
Cheguei ao narcisismo assumido... (“quer saber? F&*dam-se; vou cultivar meu jardim”) Fiquei ansioso, tive arritmia, pensamentos invasivos e até com a namorada na cama fico pensando no PMDB. Pode?
— Como foi mesmo seu pesadelo outro dia? Conte para os leitores.
— Eu fugia de um enorme urubu que me perseguia em voos rasantes; quase me bicava e era a cara do Cunha, mas depois mudava para a cara do Temer usando a linda cabeleira branca do Delcídio. Eu corria e me via diante das cúpulas do Congresso que tinham virado umas bolhas de gelatina verde e amarela que tremiam e afundavam para os plenários sob uma chuva de perucas acaju e bigodes nordestinos e um grande pixuleco do Lula rodopiando ali na Praça dos Três Poderes. Acordei entre o medo e um alívio vingativo.
— E aí?
— Aí, continuou o pesadelo acordado. Vi programas políticos com as horrendas carantonhas dos candidatos mentindo, enquanto meninos miseráveis fazem malabarismo nos sinais de trânsito, enquanto cariocas de porre falam de política e paulistas de porre falam de mercado, com o Estado loteado por pelegos.
Deprimo quando vejo a militância dos ignorantes, a burrice com fome de sentido, balas perdidas acertando em crianças, imagens do Rio S. Francisco com obras paradas e secas sem fim, o trem-bala de bilhões atropelando escolas e hospitais falidos, caixas de banco abertas à dinamite, declarações de pobres conformados com sua desgraça na TV.
— E aí? — repito para mim mesmo.
— Eu só consigo pensar em fantasias de vingança. Fantasio que sou do “esquadrão da morte aos políticos”... Já imaginei que invadia o Congresso, vestido de homem-bomba, e explodia o Conselho de Ética. Mas, como bom bipolar, vario para baixo e tenho vontade de entrar num grande buraco e ficar sem os cinco sentidos: não ouvir as negaças dos advogados, não ver a cara do Lula fingindo tranquilidade, não sentir o tato na mão ansiando para dar bofetadas, não quero sentir gosto de merda na boca, não quero ter olfato para o cheiro da lama que escorre em Brasília. Isso — eu quero o nada, nessas horas: os cinco sentidos apagados e eu vagando no espaço sideral de minha mente... Ando na rua em busca de brasilidade e vejo que há algo muito inquietante nas multidões deprimidas.
— Como assim? — pergunto-me, como nos diálogos de maus filmes.
— É que antes havia uma naturalidade mínima na vontade popular. Hoje só vemos projetos desencontrados, sonhos impossíveis, desejos sem rumo, entusiasmos banais.
A crise atinge a todos, menos a duas camadas da sociedade: os muito ricos e os muito pobres. Uns pairam em Miami de bermudas, enquanto os miseráveis nem sabem de crise alguma, pois já vivem no alívio da desesperança.
— Afinal, o que descobriu sobre você, xará?
— Estou de saco cheio de mim mesmo, dessa minha esperançazinha “démodé” e iluminista de articulista do “bem”, impotente diante do cinismo vencedor de criminosos políticos. A única solução é o PT sair. É impossível, é insuportável isso durar mais três anos.
— Em suma, você quer o impeachment?
— Sim.
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Em Brasília, imóveis funcionais até para quem já morreu

Ricardo Corrêa e Lucas Ragazzi  O Tempo

Os imóveis funcionais do governo federal são disputados em nome, inclusive, de funcionários públicos que já faleceram. Além de aposentados que ocupam os apartamentos da União e se recusam a desocupar as residências, dos 60 beneficiários de imóveis funcionais que constam no Portal da Transparência com “função inexistente” no serviço público, 12 já faleceram.
Conforme a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), atualmente o governo federal possui 1.383 imóveis em Brasília. A pasta afirma que esses imóveis funcionais podem ser ocupados por ministros ou servidores públicos em cargos especiais ou de confiança que não possuam residência em Brasília. Já quanto à extinção do direito de ocupação, a SPU explica que o imóvel deve ser entregue em casos de exoneração, demissão, aposentadoria ou falecimento.
A assessoria de imprensa da secretaria explica que sempre que precisa desocupar os apartamentos, a União solicita a retomada administrativa do imóvel e as famílias têm o prazo de 30 dias para retirada. Se esse prazo não for cumprido, a SPU “aciona as medidas judiciais pertinentes”.
No entanto, os servidores de “função inexistente” e os familiares dos funcionários já falecidos também recorrem à Justiça para terem direito de continuar na residência, já que, muitas vezes, residem há décadas nos imóveis. Conforme o Portal da Transparência, a data de ocupação de imóveis por “função inexistente” mais antiga é de janeiro de 1973. Já a ocupação mais recente data de março de 1997. E, enquanto os processos se arrastam, as famílias continuam usufruindo do bem público.







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EVOLUÇÃO

MIRANDA SÁ
“Pode-se facilmente compreender uma criança que tenha medo do escuro. A verdadeira tragédia da vida é quando homens e mulheres adultos têm medo da luz ” (Platão)

Os dicionários trazem o verbete “Evolução” como substantivo feminino – passagem sucessiva de pessoas, coisas, acontecimentos… Prefiro quando evolução é substantivo masculino, substituída por darwinismo, e definida como processo contínuo de mudança, adaptando-se ao meio e se aperfeiçoando.

Não sei explicar o porquê de professores e livros didáticos insistirem em falar da “Teoria da Evolução”… Isso ‘já era’! É a “Lei da Evolução”. Não precisamos ser cientistas para saber que tudo no planeta sofreu transformações ao longo dos bilhões, milhões, milhares de anos…

Os meios científicos falam da origem da vida como iniciada a 4,6 bilhões de anos e afirmam que tal fenômeno se deveu às descargas elétricas interagindo com um amontoado de substâncias cósmicas, gases, poeira, rochas, etc.

Com pesar, atestamos que só no século 19 os sábios, e por decantação a camada mais esclarecida da população, arrancaram a venda dos olhos, que obscurecia a verdade científica, embora se confrontando com a imensa maioria que acreditava na fantasia da humanidade descender de Adão e Eva!

Os gregos antigos já não acreditavam no “criacionismo”; sua mitologia expressava a realidade social. Os deuses e deusas do Olimpo foram criados a imagem e semelhança das pessoas humanas, tinham os mesmos sentimentos e as mesmas emoções. E, além das idiossincrasias, simpatias, desejos e ciúmes, faziam filhos entre si e também com os mortais…

Na sua irreverência, Isaac Asimov escreveu que “Os criacionistas fazem com que uma teoria pareça uma coisa que se inventou depois de beber a noite inteira…” Lembra-nos que os cientistas Harold Urey e Stanley Miller desmontaram a lenda criacionista com uma simples experiência de laboratório, misturando elementos da atmosfera primitiva e lançando sobre eles descargas elétricas. E assim produziram os aminoácidos essenciais à vida.

Fora da ciência, temos diversas religiões que abordam a evolução; pregam a existência de vida após a morte e projetam um sistema evolutivo da alma. No Ocidente há uma farta literatura espírita sobre a evolução espiritual, inspirada em Alan Kardec…

Na política já se fala nisso… Pare escrever este texto, inspirei-me num debate do Twitter em que um simpatizante do PT reconheceu a calamidade do populismo governamental e, confundindo essa coisa que aí está com socialismo, disse ter a esperança na sua “evolução”.

Dessa maneira, por ignorância ou ingenuidade demonstrou mais um distúrbio de orientação. O socialismo não evolui nem evolui. Colocado no céu das utopias modernas – é como a aurora no horizonte, linda, mas dura pouco.

Na prática, até hoje nenhuma sociedade atingiu este regime apesar de várias tentativas conhecidas; na teoria, temos “A República” de Platão, um diálogo socrático do século IV a.C. discutindo um sistema ideal…

A sociedade platônica seria dividida em três classes: os chefes, os militares e os produtores e artesãos. Parece com o PT-governo: acima, os hierarcas do PT; no andar de baixo, a militância aparelhada na administração pública; e nós trabalhadores, só servimos para pagar o sustento deles através de impostos abusivos.

Era inimaginável para o filósofo grego conceber que na sua República que os chefes dos guardiões e os guardiões seriam ladrões descarados e atrevidos, como são os pelegos lulo-petistas…

Também o nosso Machado de Assis conquanto julgasse impossível instituir a República de Platão, simpatizava com ela; mas ele também, ao seu tempo, jamais poderia imaginar que o Brasil se tornaria a República da Corrupção!
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OS MÚSICOS DO TITANIC

 por Ives Gandra da Silva Martins.
(Publicado originalmente em O Globo)
Ao ler e ouvir as manifestações da presidente e de seu grupo ministerial, que não se dão conta de que, sob seu governo, o país está afundando num poço ainda sem fundo, fico com a impressão que foram invadidos pelo espírito dos músicos do Titanic, que continuaram tocando, enquanto o navio naufragava lentamente.
Não é possível que não tenham percebido o fracasso dantesco do Plano Dilma 1 e que o Plano Dilma 2, deste segundo mandato, conseguiu acrescentar uma notável “contribuição de pioria” ao já desastrado plano do primeiro mandato.
A expressão aqui usada não representa um neologismo — como aquele utilizado pela presidente Dilma, ao dar sexo vernacular ao mosquito fêmea, chamando-o de “mosquita” —, mas ironia, há anos utilizada por tributaristas em contraposição ao tributo “contribuição de melhoria”, quando se trata de tributos de má qualidade.
O certo é que o segundo rebaixamento promovido pela Standard & Poor’s, a perda do selo de bom pagador da Moody’s, a incapacidade de um ajuste fiscal a curto prazo, a manutenção de uma máquina esclerosada e ineficiente com não concursados preenchendo dezenas de milhares de cargos, a necessidade de impedir o impeachment através de toda espécie de concessões a parlamentares, a dificuldade de conviver com seu partido, com o empresariado e seus ranços ideológicos num saudosismo permanente dos ineficazes regimes de esquerda — sendo seu dileto amigo Maduro o mais estupendo exemplo da derrocada populista —, tudo isto tem transformado a presidente Dilma na pior presidente da República que o Brasil já teve.
Não percebeu a primeira mandatária que, sem confiança, nenhum governante governa e, na sua pessoa, a confiança é quase nenhuma. Sem confiança, ninguém investe, porque não acredita no governo, nem vê segurança em seus investimentos.
Sem investimento, o país patina, o desemprego aumenta e, para equilibrar as contas, em vez de reduzir o peso da burocracia e das alíquotas tributárias para reanimar a sociedade, o governo busca aumentar mais os tributos sobre um doente que se encontra na UTI, que precisa de transfusão de sangue, e não de sangria.
O plano apresentado é pífio. Correto no que diz respeito à Previdência, mas seus efeitos só ocorrerão a longo prazo; tímido no que diz respeito aos cortes orçamentários e quase nulo, no que diz respeito à redução da máquina burocrática.
Os discursos em Brasília são de euforia, por ter colocado um fiel seguidor na liderança do PMDB; por ter feito um mutirão contra a “mosquita”, que põe 400 ovos, por culpar a crise internacional, o permanente vilão de seu desastre.
Nenhum mea-culpa, nenhum plano para reais reformas tributária, administrativa, trabalhista, política e do próprio Judiciário, que consome 1,2% do PIB — enquanto o Poder Judiciário alemão consome 0,32% e o francês, 0,20%.
Não tenho dúvida de que esta insensatez, que retira a esperança de todo o povo e não promove investimentos — projeta-se uma queda do PIB de 10%, nos dois primeiros anos do segundo mandato —, certamente levará para além de 2016 a crise por ela gerada, sem luz no fim do túnel.
Do poço em que o Brasil afunda ainda não se vê o fundo, mas todos nós estamos fadados a acompanhar o governo Dilma em seu dramático naufrágio, ao som da sereníssima orquestra do Titanic.








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NOVO FLANCO DO PT

por Eliane Cantanhêde.
(Publicado originalmente no Estadão)
Não bastassem a crise econômica, o aparelhamento político e a reta final da “sua” CPI, os fundos de pensão das estatais estão sendo chacoalhados por duas novas informações: o presidente do Postalis (Correios) caiu e o prejuízo da Vale do Rio Doce em 2015 foi de R$ 44,2 bilhões, o maior já registrado por uma empresa da Bolsa em 30 anos.
Antônio Conquista, do Postalis, já vinha na mira da Polícia Federal e da Superintendência de Previdência Complementar (Previc) por investimentos que levaram a um rombo estimado em bilhões de reais. Onde estava com a cabeça quando, por exemplo, autorizou, ou permitiu, que o fundo jogasse o dinheiro da aposentadoria de milhares de funcionários em títulos da... Venezuela?!
E onde a Vale entra na história? Assim como milhares de brasileiros aplicaram seu rico FGTSzinho na Vale e na Petrobrás, os fundos de pensão também investiram nas duas grandes. Deu errado. A Vale foi atingida pela onda da China e a consequente queda do preço das commodities, logo, os fundos perdem muito. E todo mundo já conhece o tsunami na Petrobrás.
As novas informações coincidem com a reta final da CPI que apura má gestão e eventuais desvios nos fundos de pensão dos Correios (Postalis), do Banco do Brasil (Previ), da Caixa Econômica Federal (Funcef) e da Petrobrás (Petros). O relatório deve ser apresentado na semana que vem, com votação em meados de março.
Segundo o presidente da CPI, deputado Efraim Filho (DEM-PB), é muito mais fácil desviar recursos dos fundos do que roubar da Petrobrás: “No petrolão, precisava fazer licitação, ter projeto, iniciar a obra, criar o superfaturamento. Dava trabalho. Nos fundos, o dinheiro vai direto a título de investimento, é injeção na veia”.
Receberam dinheiro dos fundos a OAS, a Odebrecht, a Engevix e a Sete Brasil, estrelas dos escândalos da Petrobrás. E ilustra: a OAS assumiu o passivo da Bancoop (que deu no tríplex de Guarujá) em troca de milhões de reais dos fundos; a Sete Brasil (símbolo do petrolão) levou uns R$ 3,5 bilhões dos fundos com apenas um mês de vida.
“Se isso não é tráfico de influência, é o quê?”, indaga Efraim, lembrando que, dos quatro principais fundos, três são presididos por petistas. Esse detalhe deixa de ser detalhe, especialmente se alguns fundos podem aplicar um bom porcentual sem autorização de um colegiado ou de instâncias superiores.
Tudo somado – crise econômica, má gestão, politização –, o resultado é que os fundos têm rombos gigantescos e, para o “equacionamento do déficit”, começaram a garfar parte da aposentadoria dos participantes. O Postalis abriu a temporada com 4%, a Funcef vem atrás em abril com 2,78%, o Petros fica para o segundo semestre e a Previ é só questão de tempo.
Como contraponto, o presidente da Funcef (CEF), Carlos Alberto Caser, diz que o maior vilão da situação dos fundos é “a conjuntura econômica”, ressalva que cada caso é um caso – ou cada fundo é um fundo – e reclama que há uma gritaria porque a Funcef deve cortar 2,78% dos benefícios nas vacas magras, mas já concedeu 11,28% em janeiro deste ano e aumentou 30% nas vacas gordas (2006 a 2011).
Funcionário de carreira da CEF, Caser é filiado ao PT desde 1990, mas reage à tese do aparelhamento petista: “Vá lá ver quem preside as estatais em São Paulo, em 20 anos de PSDB”. Ele também não gosta de traduzir “déficit” por “rombo”, acha que é “injustiçado” e, diante da crise ética do País, prega: “Não se pode pôr todo mundo no altar dos sacrifícios”.
O fato, porém, é que os fundos de pensão são mais um flanco dos já combalidos governos do PT e o relatório final da CPI deve lançar um poderoso slogan para a oposição. Segundo o deputado Efraim, os fundos de pensão escancaram “a face mais cruel dos escândalos petistas, que é roubar do aposentado”
Publicado no "Estadão"








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terça-feira, 1 de março de 2016

IMPEACHMENT. SIM? NÃO? POR QUÊ?

por Percival Puggina.
Gostemos ou não, o tema persiste. O governo padece de rejeição generalizada e irreversível, suficiente para aconselhar respeitosa renúncia. Seria um glorioso, histórico e democrático "Dia do Não Fico". Fosse o governo atento à soberania popular, à voz das ruas e ao som das panelas, não insistiria em permanecer sabendo-se reprovado, há 12 meses, por imensa maioria dos eleitores. Quanto ao impeachment, as opiniões se dividem sobre os motivos e a conveniência. O que segue é uma resenha do que considero principal sobre o tema.
Há os que desejam o impeachment por motivos ligados ao mau desempenho do governo, que acumula inédita galeria de fracassos éticos e técnicos. Até seus feitos foram malfeitos. "Subtraída em tenebrosas transações", a nação descobre que perdeu 13 anos em 13. Muitos indicadores regridem aos anos 1990. Todos os setores de atividade naturalmente afetos ou usurpados pelo Estado brasileiro estão em visível decadência. Há um grupo governante responsável por tudo isso. Perante seus descomunais escândalos e desacertos, são insustentáveis as teses dos companheiros. Para eles, o governo é bom. Ruins seriam os fatos da vida, as agências de risco, os ianques, as forças da direita, o neoliberalismo, sem os quais o Brasil estaria bombando.
Há os que querem o impeachment em virtude do caos social. Ser brasileiro tornou-se cansativo e perigoso. O governo perdeu feio todas as guerras que pretendeu travar. Perdeu para o crime, para as drogas, para as epidemias. A queda do PIB, a recessão, a inflação, o desemprego, tendem a compor um ambiente favorável ao agravamento do caos social. Arrecadando 36% de tudo o que a nação produz, o Estado brasileiro cobra passagem de primeira classe e embarca seus passageiros em carro de boi.
Há os que querem o impeachment por motivos ideológicos. Nossos governantes abraçaram uma ideologia que nunca deu certo. O ufanismo de Lula com o Foro de São Paulo e seus parceiros da esquerda bananeira travou na garganta. O neocomunismo bolivariano foi mais um Muro de Berlim que caiu em desgraça. Além disso, o petismo transformou as diferenças existentes na sociedade brasileira em tema de casa, para serem aprofundadas e convertidas em conflito.
Há, finalmente, os que não querem o impeachment por considerar preferível que o governo carregue sozinho os próprios fardos e culpas até 2018. Concordo com todos esses fundamentos e posições. Mas acrescento: quero o impeachment por imposição moral. Como questão de saneamento básico. É vergonhoso ser cidadão de um país que tolere, bovinamente, saber o que sabemos, ver o que vemos, passar pelo que passamos.






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RENAN RETÉM ILEGALMENTE PEDIDO DE IMPEACHMENT DE BARROSO

(Publicado originalmente na tribunadainternet.com.br)

Renan deu sumiço no pedido de impeachment de Barroso.
Na condição de presidente da Mesa do Senado Federal, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), está retendo ilegalmente a petição de impeachment do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, apresentada pelo médico Ednei Freitas, um dos principais comentaristas da Tribuna da Internet. Embora tenha sido recebido pelo Senado no dia 16, às 17 horas, pelo funcionário Marcelo Gomes, com número de identificação 1375234, até hoje o requerimento não foi protocolado oficialmente, para que possa ter seguimento.
Fundamentada no artigo 41 da Lei 1079/50, conhecida como Lei do Impeachment, a petição demonstra a prática de crimes de responsabilidade pelo ministro Barroso em seu voto na sessão do Supremo de 17 de dezembro último, quando manipulou e suprimiu informações, distorceu fatos e conduziu a erro outros ministros, na decisão sobre as liminares concedidas sobre o rito do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara Federal, que desde então está paralisado.
Em protesto contra o engavetamento da petição pelo senador Renan Calheiros, o autor do requerimento de afastamento de Barroso já enviou cópias da petição a todos os senadores, à exceção dos representantes do PT e do PCdoB, que apoiam incondicionalmente o voto de Barroso por motivos meramente partidários, que nada têm a ver com os interesses nacionais.
FATOS PÚBLICOS E NOTÓRIOS
“Na forma da Lei 1079/50, a petição contém anexos com provas, embora os crimes de responsabilidade praticados pelo ministro Barroso até dispensem comprovação, porque já se tornaram fatos públicos e notórios, pertencendo, portanto, à categoria das denúncias que não dependem de prova, de acordo com o Código de Processo Civil, em seu artigo 334, alínea i”, afirma Ednei Freitas, acrescentando:
“A petição não é inepta, está fincada em argumentos sólidos e irrefutáveis, escrita de modo elegante e respeitoso e, embora desnecessário, segue no anexo com provas documentais. O senador Renan Calheiros não pode dizer que desconhece seu conteúdo, porque também foi enviada para seu endereço eletrônico no Senado Federal a cópia da petição e de seus anexos. Não há motivo para que a petição deixe de ser protocolada e, segundo a lei, lida na sessão plenária do senado no dia seguinte ao seu protocolo”.
“Não pode um senador da república, especialmente o presidente do Senado Federal, desrespeitar uma lei que confere a qualquer cidadão de posse de seus direitos civis, em dia com suas obrigações eleitorais, peticionar contra um ministro do Supremo Tribunal Federal quando há crime de responsabilidade, conclui Ednei Freitas, que vai recorrer ao plenário caso Renan continue engavetando a petição.





 http://www.tribunadainternet.com.br/renan-retem-ilegalmente-pedido-de-impeachment-de-barroso/

"Se queres a paz, prepara-te para a guerra!".

Por Gen Ex Rômulo Bini Pereira*
Informações oriundas do Ministério da Defesa e publicadas em órgãos de imprensa asseguram que 200.000 militares brasileiros estão sendo empregados no mutirão de combate ao mosquito "aedes aegypti", uma verdadeira guerra segundo o próprio titular da Pasta. Para os que possuem um conhecimento do número de militares das Forças Armadas, esse efetivo anunciado é surpreendente.Nesse emprego, válido em seu mérito, a quantidade de militares empenhados causa uma real preocupação. É sinal que nossas fronteiras e organizações militares estão desguarnecidas, nossos navios estão atracados ou à deriva e os nossos aviões sem tripulação para a condução de nossas autoridades para ouvirem suas bases.
As Forças Armadas, no período da Nova República, têm sido empregadas constantemente em "ações complementares", com o objetivo de dar apoio à população, não só em calamidades de toda ordem, mas também em ações de caráter social, a substituírem órgãos que não possuem a capacidade ou competência para conduzir com eficácia tais operações. O Exército, inclusive, adota o lema "Braço Forte - Mão Amiga", esta representando o apoio à população brasileira.
Nos governos petistas este emprego é de um crescimento constante, parecendo não medirem consequências. "Chamem o Exército" é um mote a ecoar nos corredores de Brasília e até mesmo no Palácio do Planalto. Talvez ele represente fielmente o que já foi dito por um de seus líderes: "É uma mão-de-obra barata, nada questiona e nem entra em greve". Sem dúvida uma visão de sindicalistas.
Essa "guerra ao mosquito" representa também uma tentativa do governo central de atingir um grau mínimo de credibilidade. Efetivos expressivos das Forças Armadas — instituição de maior credibilidade no país —, o noticiário intenso da mídia televisiva e a presença de autoridades do primeiro escalão governamental nas grandes capitais são fatos que assinalam uma jogada de marketing na busca da sonhada credibilidade.
Para renomados infectologistas e pesquisadores do vírus não será o empenho dos militares que irá atenuar a gravidade da epidemia. Asseguram não só que a "guerra ao mosquito" poderá desmoralizar as Forças Armadas, bem como que os elevados recursos empenhados seriam melhor aplicados em pesquisas ou no aparelhamento de hospitais e postos médicos.
É preciso deixar claro que essa ação deve ser temporária, sob pena de as Forças se tornarem uma "ZICABRÁS", uma estatal com garantia de ineficiência, como as demais. É uma ação meritória, porém não poderá ser de longa duração, pois ela e outras "ações complementares" já influenciam as missões constitucionais das Forças Armadas.
Essa influência, claramente negativa, apresenta dois efeitos. O primeiro se faz sentir em especial na Força Terrestre, por sinal, a que sempre emprega maiores efetivos, em sua grande maioria, oriundos do Serviço Militar Obrigatório, com duração de nove a doze meses. O segundo dificulta nesse período anual, juntamente com as "ações complementares", a realização de adestramentos coletivos, estes sim a principal componente da formação militar e que realmente proporciona à tropa o grau de operacionalidade desejado. Atualmente se observa uma ênfase em instruções individuais especializadas.
Esta operacionalidade não visa somente o campo externo — Defesa da Pátria — mas também o campo interno que, gradativamente, vai se tornando um campo prioritário, como prescreve o artigo 142 da Constituição, como garantidora dos poderes constitucionais da lei e da ordem. É sempre um questionamento se as Forças Armadas estão preparadas para tais missões.
Nestes tempos de crises políticas, econômicas e sociais, bem como de desgovernos e escuridões, este questionamento ganha vulto no campo interno.
Movimentos sociais, sindicatos, organizações estudantis e não governamentais, militância e até partidos políticos, com destaque para setores radicais do Partido Comunista do Brasil, que tem como uma das proeminências o atual Ministro da Defesa, pregam abertamente a tomada do poder pela força, caso necessária. Nas badernas que conduzem invadem propriedades, quebram, destroem, bloqueiam vias e estradas, agridem e matam. Não se nota qualquer medida de maior expressão para coibir estes vandalismos. Seus líderes tem livre trânsito nas altas esferas governamentais.
E esses vandalismos poderão se agravar caso o ex-presidente Lula sofra qualquer pena judicial, em razão de denúncias que o apontam como tendo recebido benefícios de empreiteiras, conforme processos que já correm no Judiciário. Segundo seus seguidores, os processos são um golpe político-eleitoral e se pretenderem prender o ex-presidente, "haverá reação e vão tocar fogo no país". O seu próprio filho repetiu essas ameaças, alertando que "não se tem ideia da reação que será desencadeada". E, o pior, eles realmente podem iniciar conflitos e manifestações que poderão incendiar o país. Já fizeram no passado e recentemente nas manifestações que antecederam a Copa do Mundo. Estão preparados e estruturados para tal fim, como consta de seus blogs: "Precisarão pôr tanques na rua (de novo) para concretizar esse golpe eleitoral, mas serão fragorosamente derrotados".
Uma afirmativa inconsequente que, se concretizada, poderá agravar o estado de pré-caos em que vive a nação e que levará o povo brasileiro a um conflito interno indesejável e de proporções muito maiores dos que já foram vividos no passado. Uma grave instabilidade institucional que obrigará o emprego das Forças Armadas de acordo com a Constituição. Para isto elas deverão estar prontas, devidamente adestradas em alerta para esses momentos críticos. É tempo de relembrar com ênfase Publius Vegetius:"Si vis pacem, parabellum!".
*Ex-Chefe/Estado-Maior da Defesa






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A degradação da Venezuela -

 O Globo - *Rodrigo Botero Montoya
Esta forma de governar tem os traços de uma ópera bufa, mas as consequências para o povo venezuelano são trágicas O grau de deterioração ao qual se submeteu a sociedade venezuelana está adquirindo características dramáticas. Começam a escassear os superlativos para descrever a magnitude da catástrofe. Dezessete anos de megalomania, desmedida e desperdício levaram a Venezuela à beira do colapso econômico e de uma convulsão social. O que se discute já não é se haverá uma suspensão de pagamentos da dívida soberana, mas quando. A falta de alimentos e de medicamentos produziu uma crise humanitária.
Em meio a uma atividade econômica em queda livre, com uma inflação de três dígitos, os sinais que emitem as autoridades são os de um regime em fase terminal. Nicolás Maduro designou em janeiro como ministro de Economia a um personagem pitoresco, que durou 39 dias no cargo. Uma de suas contribuições à disciplina econômica consiste em afirmar que a inflação não existe. Para contribuir com o fornecimento de alimentos, foi criado um Ministério de Agricultura Urbana, cuja missão seria promover o plantio nas cidades.

Em dezembro de 2013 foi convertido em lei o Plano da Pátria, cujo grande objetivo histórico era “converter a Venezuela em grande potência energética mundial”. Atualmente, o país começou a importar petróleo dos EUA e está sofrendo apagões. Exigiu aos centros comerciais e aos grandes hotéis que gerem sua própria eletricidade. Pouco depois do anúncio presidencial de que os militares deveriam regressar aos quartéis, decide-se que criar a Companhia Anônima Militar das Indústrias Minerais, Petrolíferas e de Gás, cujos dirigentes se reportam ao ministro da Defesa. Maduro conclama pelo aumento da produção nacional, ao mesmo tempo que ameaça intervir na empresa Polar, a principal produtora de alimentos do país, e insulta seu presidente, Lorenzo Mendoza, chamando-o de “bandido, oligarca e ladrão.”
A falta de divisas para pagar as importações do setor privado está paralisando a produção por falta de insumos e reposições. As prateleiras vazias se converteram na imagem emblemática do Socialismo do Século XXI. Esta forma de governar tem os traços de uma ópera bufa. Mas as consequências para o povo venezuelano são trágicas. As possibilidades de correção de rumo, embora subsista no governo atual, são mínimas. Como anotava Friedrich Schiller: “Contra a estupidez, até os deuses lutam em vão.”
O desprezo pela autoridade legislativa da Assembleia Nacional evidencia a natureza autoritária do regime. Sua política externa foi reduzida à invocação da soberania nacional para justificar as flagrantes violações dos direitos humanos. O desastre venezuelano tem causas adicionais além da inépcia de Maduro e da ignorância de Chávez. O erro fundamental foi ter tentando implementar na Venezuela um sistema socioeconômico fracassado, cuja vigência, sem exceção, requer o estabelecimento de uma ditadura férrea. Como advertia Albert Camus, “as ideias falsas terminam em sangue, mas em todos os casos se trata do sangue de outros.”
*Rodrigo Botero Montoya é economista e foi ministro da Fazenda da Colômbia



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VERDADES QUE A ESQUERDA DETESTA OUVIR

Deputada espanhola Isabel Bonig, com admirável eloquência, refuta colega Marina Albion, da bancada comunista, e faz afirmações que todo brasileiro também deveria ouvir.

Instituição vê Dilma "isolada" e risco maior de impeachment

O isolamento da presidente Dilma Rousseff, do PT, reflete a diminuição de sua base de apoio e determina o aumento do risco de impeachment da petista, segundo relatório do Barclays assinado pelo economista Bruno Rovai.Para Barclays, grande teste de resistência de Dilma será nos protestos contra seu governo previstos para 13 de marçoDe acordo com a instituição financeira, durante a semana passada, três diferentes setores de apoio de Dilma foram abalados a partir da prisão de João Santana, marqueteiro responsável pelas campanhas presidenciais da petista, das fortes críticas de seu partido sobre as políticas econômicas do governo e dos primeiros sinais de que os movimentos sociais estão se distanciando de Dilma.
As acusações contra Santana podem ser utilizadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em uma eventual cassação de sua candidatura de 2014. Rovai diz acreditar que este processo será demorado, mas sinaliza que as denúncias enfraquecem sua imagem ainda mais, o que dificulta a estratégia de Dilma de conseguir apoio no Congresso contra o impeachment.A agenda econômica do governo, que estaria colocando o PT contra a presidente, desestabiliza seu apoio no Congresso.Os movimentos sociais também reprovam a agenda do governo e acabam contribuindo para que a petista lidere entre os presidentes mais impopulares da história recente.
De acordo com o Barclays, esse conjunto de informações aumenta as chances de que a presidente perca o mandato ainda em 2016. O banco aponta que um presidente isolado se torna mais suscetível a um processo de impeachment e pontua que o grande teste de resistência de Dilma será nos protestos contra seu governo previstos para 13 de março







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O sacerdote que se pretendia intocável foi desmascarado

VALENTINA DE BOTAS
Às vezes nossos desacertos se acertam com os do mundo e algo bom acontece: no aniversário de 36 anos do PT, quem comemora é o Brasil que presta.

Gosto de ler jornais e revistas velhos. Os astrônomos dizem que estamos vendo o céu de 2012. Li isso em janeiro numa revista científica de julho do ano passado, lá no dentista. Paciente dele há décadas, o doutor mantém as revistas antigas por afetuosidade. Uma bobagem, não? Mas essas coisas – à toa assim, despretensiosas e simbólicas, indeléveis na sua delicadeza – são o ninho do afeto.
Que Brasil é este que vemos no 36º aniversário do PT? Todos os índices mostram um país que regrediu, em muitos fundamentos econômicos e sociais, para níveis dos anos 90; o descalabro fiscal do governo ladrão e inepto, somado aos vícios estruturais, levou não somente à diminuição da produção de riqueza como à corrosão da riqueza produzida; a Lei de Responsabilidade Fiscal foi morta pelas pedaladas de Dilma Rousseff devolvendo o Estado à pré-história republicana.
Saúde e educação não escaparam do sucateamento, nem a infraestrutura e a segurança pública no que também compete ao governo federal. A política externa inovou, avançando no primitivismo: nunca estivemos tão resolutamente do lado de bandidos internacionais. Os pastores do atraso tiveram em Lula – o farsante que dissimulava a essência primitiva na aparência do operário que revolucionaria o país – o sacerdote ideal e fizeram o diabo para protegê-lo para, assim, também proteger os próprios desejos, negócios, amantes, famílias, caprichos e o vidão, afinal, ninguém é de ferro.
A proteção exigiu a cópula ininterrupta entre o público e o privado nesse viveiro repugnante para a constante geração de mentiras; disfarçou-se em devoção à causa tão delinquente que, alegadamente pelo nosso bem, só se nutriu do nosso mal. A aparência do sacerdote era a imunização contra a lei, as críticas, a luz e a verdade. Na clivagem vigarista da nação entre nós e eles, no discurso de ódio aos opositores tolerado pelos que agora se levantam contra o “ódio fascistoide da nova direita”, no financiamento do JEG, no mensalão, nas negociatas com antigos inimigos políticos, na desinstitucionalização da república, o jeca atrofiou a nossa incipiente política de tal modo que ela não o detivesse.
Assim, coube à Justiça revelar a essência do sacerdote miserável àqueles que ainda acreditavam na aparência e impor aos comparsas dele a abolição da farsa que patrocinaram. A Lava Jato e as investigações que chegaram ao sítio e ao tríplex educam uma geração inteira ao colocar na cadeia delinquentes com poder político e econômico e desmascarar o sacerdote que se pretendia intocável, coisa impensável desde sempre: desacertos nossos tão singulares que, a partir deles, nos acertamos com o mundo civilizado saltando para um futuro que sempre pareceu utópico.
Isso melhora o país submetido ao retrocesso que lhe custará um bocado do futuro. Enquanto o Brasil que presta deve comemorar o novo patamar civilizatório, o PT, na festa tristonha, comemora o anúncio da PF de que investigará as inúteis confusões íntimas de Mirian Dutra. A nação esbulhada pode deixar o passado para trás; o PT, desesperado por um passado incessante, asfixia-se.







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"Um verão inesquecível",

por José Casado O Globo
Hoje estão sob investigação a presidente e o vice; três ex-presidentes da República; presidentes do Senado e da Câmara e mais 25% dos deputados e senadores



Nunca houve um fim de verão como este. Na chegada das águas de março, assiste-se à perplexidade da elite política brasileira com o inédito e incômodo desafio de provar sua inocência.
Neste 1º de março estão sob investigação em tribunais e delegacias de polícia: a presidente Dilma Rousseff e o vice Michel Temer; três ex-presidentes da República (Lula, Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor de Mello); os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, e mais 25% dos senadores e deputados federais.
As acusações têm natureza diversa. Assim, não é recomendável comparar os casos de Dilma e Collor, nem o de Lula e Fernando Henrique. Em telas de Botticelli ou Dalí, por exemplo, eles habitariam diferentes círculos, vales e esferas do inferno — da luxúria à fraude, no caos ordenado e bem-humorado de Dante Alighieri em “Divina comédia”.
Em Brasília, amanhã, o Supremo Tribunal Federal começa a decidir se o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, será processado por corrupção e lavagem de dinheiro subtraído dos cofres da Petrobras, a maior entre companhias estatais e de capital aberto no país.
A tendência é Cunha virar réu e, nesse caso, o Supremo precisará decidir sobre o seu afastamento da presidência da Câmara. Ele é o primeiro na linha de sucessão presidencial, depois do vice-presidente Michel Temer. Se o STF afastar Cunha, haverá eleição imediata do substituto na Câmara, porque “a República não pode ficar banguela na linha sucessória”, lembra o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ).
Também amanhã abre-se uma etapa decisiva em Curitiba, 1.400 quilômetros ao sul do Planalto. O juiz federal Sérgio Moro começa a escrever a sentença sobre o caso de Marcelo Odebrecht, acionista e ex-presidente, e de diretores do Grupo Odebrecht, líder entre as empreiteiras de obras públicas. São acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e financiamento ilegal de campanhas eleitorais para obter R$ 7 bilhões em contratos com a Petrobras.
No próximo dia 17, completam-se dois anos de investigação sobre as estranhas transações desse condomínio de poder, que partilhava o Orçamento da União, planos de investimentos das empresas estatais e acesso privilegiado às reservas financeiras líquidas dos fundos de pensão e bancos públicos, como o BNDES.
O inquérito levou, até agora, 179 pessoas ao banco dos réus. Dissolveu uma era de delírios político-empresariais. E lançou no limbo uma presidente recém-reeleita. Hoje ela anuncia o centésimo ministro em cinco anos. Na melhor hipótese, seu governo deve atravessar o próximo triênio arrastando correntes entre o Palácio da Alvorada e a Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Ironia da história: as 84 sentenças já proferidas, cujas penas somam 825 anos de prisão, foram escritas numa corte da outrora Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba, vilarejo formado à volta de um pelourinho plantado três séculos e meio atrás pelo sertanista Gabriel de Lara. Era o símbolo de sua autoridade na defesa dos interesses do Erário português sobre a lavra de ouro.
 
 
 
 
 
 
 
 
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O congelamento de Dilma

Paulo Rabello de Castro: Publicado no Globo
Não é o que alguns podem pensar. A proposta não é congelar Dilma, e sim falar do congelamento por ela praticado sobre nós. Mas qual? Até a própria autora da façanha pode não ter se dado conta do congelamento de preços por ela ordenado entre 2013 e 2014, quando Dilma repetiu o Sarney de 1986, com seu Plano Cruzado. Mas o Plano Dilma se diferenciou do de Sarney num ponto fundamental: o controle dos preços foi indireto, nunca decretado em âmbito geral.
O congelamento de Dilma foi específico para os fins políticos a que se destinava. E isso foi conseguido. Começou segurando as tarifas e outros preços sob controle do Planalto. Num anúncio bombástico, ainda em 2013, Dilma rebaixou as tarifas de energia em 18%. Em paralelo, sem anúncio formal, o Planalto ia travando o repasse do custo do barril de petróleo sobre os combustíveis vendidos no mercado interno. Resultado bem conhecido: a energia “barata” arrebentou as finanças das empresas distribuidoras e sufocou investimentos no setor; a Petrobras, pobre dela e, sobretudo, seus miseráveis acionistas, foram vilipendiados pelo “suicídio” imposto à empresa, com direito a corda, banquinho e empurrão.
Existe outro aspecto do congelamento de Dilma que passou desapercebido: o papel do câmbio, manobrado por supostas “razões técnicas” pelo Banco Central, que assinou contratos de entrega futura de dólares a preços ruinosos a fim de conter a queda do real. A conta chegou com a desvalorização pós-eleitoral, gerando (até agora) R$ 100 bilhões em prejuízos aos pagadores de impostos, decorrentes dos contratos liquidados. Mas onde estaria, afinal, a vantagem política do congelamento seletivo de Dilma? A inflação amordaçada. O custo das fontes de energia foi contido, deixando a conta amarga para 2015. Os chamados “preços administrados” ficaram congelados em 1,6% de variação em 2013, passando a 5% no pós-eleição, para explodir em 17,9% no fim do ano passado. Aí os efeitos danosos da manobra se multiplicaram. E os preços afetados pelo câmbio, que batem no custo de vida dos eleitores, tiveram sua curva inflacionária contida em 1% (IPA-FGV) até outubro de 2014, para saltarem a 10,7%, nos 12 meses seguintes. No período, o câmbio foi de R$ 2,45 por dólar para R$ 3,87.
Dilma e sua equipe, sem desconfiar da própria esperteza, aperfeiçoaram o artifício de um congelamento sarneyzista de preços, salários e câmbio. Com Sarney, a medida era geral e ostensiva. Com Dilma, a manobra foi astuta e seletiva. Os preços livres continuaram liberados, principalmente os salários, garantindo a felicidade momentânea dos eleitores. Os preços sensíveis aos custos de energia e ao câmbio ficaram aprisionados. A indústria não podia exportar com o câmbio controlado; mas encarou uma espiral de salários, embalada pelos então flamejantes setores de serviços e da construção civil, impulsionados por gastos públicos e crédito a todo o vapor. Foi, portanto, um congelamento dissimulado e segmentado, mas muito eficaz, de resultado cirúrgico sobre o placar eleitoral.
Economistas debaterão anos a fio sobre aspectos curiosos do congelamento dilmista como, por exemplo, o fato de a medida não haver incidido sobre os salários e a despesa pública. O que seria visto como catástrofe pelo lado técnico, foi “genial” pelo aspecto eleitoral. Só que o rescaldo de um congelamento seletivo é sempre mais grave. Pagaremos mais caro para sair dessa do que o freezer da era Sarney. O desemprego, a recessão, a redução do poder aquisitivo, a destruição de riqueza, tudo será mais agudo e penoso. Isso explica a surpresa — para muitos — da intensidade do recuo da economia em 2015. E seu trágico prolongamento neste ano e no próximo, na ausência de uma reação à altura da tragédia instalada.







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Persona não grata

Publicado no Estadão Dora Kramer:
Antes de ser reconhecida pela incompetência, a presidente Dilma Rousseff ficou conhecida pelo cultivo dos maus modos. Maneira de ser, tratada pelo departamento de propaganda do Palácio do Planalto – no momento desativado e posto em desassossego nas dependências da Polícia Federal em Curitiba – como sinal de austeridade e exigência na eficácia do trabalho. Na versão de sua assessoria, a presidente está sempre “irritada” com alguma coisa. Com o Congresso irritou-se a ponto de considerar desnecessário estabelecer relações cordiais até com parlamentares e partidos e sua base de apoio.
Com subordinados (dos mais aos menos qualificados) irrita-se ante qualquer contrariedade. Com a oposição irrita-se só pelo fato de ela existir. Com a imprensa mostra-se extremamente irritada se cobrada a falar sobre este ou aquele escândalo envolvendo sua administração. Chegou aos píncaros da irritação quando, ainda ministra, (des)qualificou como “rudimentar” a proposta dos então ministros Antonio Palocci e Paulo Bernardo para a condução da economia, cuja preliminar era o ajuste fiscal.
Agora a presidente da República está muito irritada com seu partido, o PT, que resolveu voltar às origens e negar o apoio que deu a Lula em 2003 para a adoção de medidas racionais. Com isso, cai o último bastião de defesa de Dilma. O partido não a quer. E nessa hora em que se encontra cercada de males por todos os lados, não há mais quem a queira, estão todos muito irritados com ela: se fala na TV, a presidente é alvo de panelaços, se transita por ambientes não protegidos arrisca-se a ser vaiada, quando apela ao Congresso não obtém a resposta pretendida. O empresariado não lhe tem apreço e os movimentos sociais já a tratam como inimiga.
Dilma é a “persona” menos grata da República. Não se encontra quem esteja disposto a lhe estender a mão ou nutra por ela alguma simpatia. Resultado da antipatia que semeou.
Isolada, a “rainha” não paira “sobranceira sobre os adversários” como prometeu João Santana. Antes, colhe os frutos da malquerença que com tanto afinco cultivou.
Nem Moro nem PT. Durante o período em que esteve preso, o senador Delcídio do Amaral chegou a cogitar a hipótese de propor ao Ministério Público um acordo de delação premiada. A família incentivava.
Mas, pensando melhor sobre as acusações que lhe são imputadas, pesando o custo e o benefício, desistiu por considerar perfeitamente possível derrubá-las com argumentos jurídicos. Por exemplo, contestando a legalidade da gravação feita pelo filho de Nestor Cerveró (ex-diretor da Petrobras) e argumentando que seu mal foi contar vantagem indevida ao sugerir influência sobre ministros do Supremo Tribunal Federal.
Num primeiro momento, o senador concentrará esforços em convencer seus pares em geral, e os integrantes do Conselho de Ética em particular, a não cassar-lhe o mandato. Se fizesse acordo com o MP, a preliminar seria admissão de que realmente tentou obstruir o trabalho dos investigadores, o que por si só já configuraria quebra de decoro.
Preservado o foro especial de parlamentar, Delcídio do Amaral mantém prudente (na visão dele) distância do juiz Sérgio Moro. Num segundo momento, o senador cuidará de sua vida partidária. Encerrando sua carreira de petista que, hoje conclui, nunca deveria ter sido iniciada.
Conta zerada. Se o silêncio de Marcelo Odebrecht tinha como objetivo a preservação da empresa, a motivação cessou com os depoimentos de Mônica e João Santana, atribuindo à construtora a prática de ilícitos no âmbito internacional.






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É o fim do caminho

Publicado no Globo Fernando Gabeira:
“A liberdade é vermelha”, escreve num post de Paris Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana. É uma alusão a uma trilogia de filmes inspirados nas cores da bandeira francesa. O primeiro deles se chamou “A liberdade é azul”. É compreensível que Mônica Moura tenha escolhido o vermelho entre as cores da bandeira. E que tenha escolhido a liberdade do lema da Revolução Francesa, que também conta com fraternidade e igualdade.

João Santana e Mônica ficaram milionários levantando a bandeira vermelha, no Brasil, na Venezuela, com as campanhas agressivas do PT e do chavismo. Com os bolsos entupidos de dólares, a liberdade é vermelha, pois à custa da manipulação dos eleitores latino-americanos, João Santana e Mônica Moura podem viajar pelo mundo com um padrão de vida milionário.
Mas chega o momento em que a cadeia é vermelha, e Mônica Moura não percebeu essa inversão. Nas celas da Polícia Federal e do presídio em Curitiba, o vermelho predomina. José Dirceu, Vaccari, o PT é vermelho. Marcelo Odebrecht, a Odebrecht é vermelha, basta olhar seus cartazes.
Uma vez entrei na Papuda e filmei uma cela vermelha com o número 13. Os condenados do mensalão estavam a ocupar o presídio. A divulgação da imagem foi um Deus nos acuda, insultos: as pessoas não têm muita paciência para símbolos. Mônica Moura fala esta linguagem. Se tivesse visto o take de seis segundos da cela vermelha, ela iria buscar outra cor para a liberdade.
A situação de Dilma e a do chavismo convergem para um mesmo ponto: tanto lá quanto aqui a aspiração majoritária é derrubá-los do poder. João Santana, num país onde se valoriza a esperteza, foi considerado um gênio. Gênio da propaganda enganosa, dos melodramas, dos ataques sórdidos contra adversários. O único critério usado é a eficácia eleitoral avaliada em milhões de dólares, certamente com taxa extra para os postes, Dilma e Haddad.
Sua obra continental se espelha também no resultado dos governos que ajudou a eleger: Dilma e Maduro são rejeitados pela maioria em seus países. O que aconteceu na semana passada é simplesmente o fim do caminho. Com abundantes documentos, cooperação dos Estados Unidos e da Suíça, não há espaço para truque de marqueteiros.
O dinheiro de Santana não veio de fora. Saiu do Brasil. Saiu de uma empresa que tinha negócios com a Petrobras, foi mandado para o exterior por seu lobista Zwi Skornicki. E saiu também pela Odebrecht.
A Lava Jato demonstrou que a campanha de Dilma foi feita com dinheiro roubado da Petrobras. E agora? Não é uma tese política, mas um fato, com transações documentadas.
Na semana passada ouvi os panelaços por causa do programa do PT. O programa foi ao ar um dia depois da prisão de João Santana. Mas o tom era o mesmo, uma mistificação para levantar os ânimos. E um pedido de Lula: parem de falar da crise que as coisas melhoram.
Em que mundo eles estão? Em 2003, já afirmei numa entrevista que o PT estava morto como proposta renovadora. Um pouco adiante, com o mensalão, escrevi “Flores para los muertos”, mostrando como uma experiência que se dizia histórica terminou na porta da delegacia.
Na semana passada, escrevi “O processo de morrer”. Não tenho mais saída exceto apelar para “O livro tibetano dos mortos”, que dá conselhos aos que já não estão entre nós. O conselho é seguir em frente, não se apegar, não ficar rondando o mundo que deixaram.
Experimentei aquele panelaço como uma cerimônia de exorcismo: as pessoas saíam às janelas e varandas para espantar fantasmas que ainda estavam rondando as casas. Poc, poc, poc. Na noite escura, o silêncio, um grito ao longe: fora PT. E o PT na tela convidando para entrar nas fantasias paradisíacas tipo João Santana, já trancafiado numa cela da PF em Curitiba.
Simplesmente não dá para continuar mais neste pesadelo de um país em crise, epidemia de zika, desemprego, desastres ambientais, é preciso desatar o nó, encontrar um governo provisório que nos leve a 2018.
De todas as frentes da crise, a que mais depende da vontade das pessoas é a política. Se o Congresso apoiado por um movimento popular não resolver, o TSE acabará resolvendo. Com isso que está aí o Brasil chegará a 2018 como um caco, não só pela exaustão material, mas também por não ter punido um governo que se elegeu com dinheiro do assalto à Petrobras.
É hora de o país pegar o impulso da Lava Jato: carro limpo, governo derrubado, de novo na estrada. É uma estrada dura, contenções, recuperação da credibilidade, quebradeira nos estados e cidades. É pau, é pedra, é o fim do caminho.
A semana, com a prisão do marqueteiro do PT e os dados sobre as transações financeiras, trouxe mais claramente o sentido de urgência. E a esperança de sair desta maré.






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De que foge Lula

Editorial do Estadão:
Diante da montanha de evidências de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter se beneficiado pessoalmente de suas relações com as maiores empreiteiras do país, é justo esperar que o capo petista venha a público prestar os devidos esclarecimentos. Afinal, a “viva alma mais honesta deste país” decerto não teria nenhuma dificuldade para dissipar as suspeitas a respeito de sua conduta.
Mas Lula decidiu refugiar-se no silêncio. As únicas manifestações em seu nome partem quase sempre do Instituto Lula, que instituto não é, pois funciona como assessoria de imprensa e escritório político do ex-presidente. E essas manifestações, geralmente furibundas, limitam-se a negar as acusações e a disparar impropérios contra aqueles que, segundo a tigrada, invejam as conquistas desse grande homem e o bem que ele fez ao país.
Lula mesmo não fala, e até seus apoiadores, quando ousam tocar no assunto, na esperança de ouvir dele sua versão dos fatos e assim orientar-se sobre o que dizer quando questionados, recebem como resposta resmungos indignados. Em recente reunião do PT, ele se queixou: “Não aguento mais falar disso”.
Os atos de Lula, porém, valem mais do que mil palavras. Sem ter como justificar os imensos favores que recebeu das empreiteiras camaradas, pois qualquer explicação que ele der terá de vir acompanhada de documentos, ao ex-presidente restaram as chicanas mais ordinárias. A mais recente foi o ataque ao promotor Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público Estadual, que chamou Lula e sua mulher, Marisa Letícia, para depor sobre o misterioso triplex do Guarujá totalmente reformado pela construtora OAS e cuja propriedade se atribui ao petista. A coisa toda respeitou o bem conhecido padrão de comportamento do ex-presidente. O nome de Lula, como sempre, não aparece em nenhum lugar – há sempre uma interposta pessoa a fazer o serviço que lhe convém. No caso do promotor Conserino, quem fez esse serviço foi o deputado petista Paulo Teixeira (SP).
Às vésperas do depoimento de Lula e Marisa Letícia, marcado para o dia 17/2, Teixeira entrou com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) alegando que o promotor Conserino havia transgredido a Lei Orgânica do Ministério Público ao supostamente antecipar juízo de valor sobre o caso em entrevistas à imprensa. Além disso, o deputado argumentou que o processo deveria ter sido distribuído a um outro promotor, que já cuida de uma investigação semelhante.
Em caráter liminar, o CNMP aceitou os argumentos de Teixeira e adiou o depoimento. Foi uma decisão excêntrica, antes de mais nada porque o deputado Teixeira nem é parte no processo e, por razões óbvias, não poderia ter ingressado com a representação.
Dias depois, os advogados de Lula protocolaram requerimento no CNMP em que apoiavam a representação de Teixeira, mas a liminar acabou derrubada por unanimidade pelo plenário desse órgão, por sua evidente fragilidade. O imbróglio, no entanto, dá pistas de qual será a estratégia lulopetista para criar embaraços técnicos ao processo e, assim, livrar Lula da obrigação de falar. A ideia é questionar a conduta dos que acusam o ex-presidente, sem enfrentar o mérito das acusações. Os advogados do petista, por exemplo, já avisaram que também vão reclamar ao CNMP e ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a respeito do comportamento dos procuradores do Distrito Federal em inquérito que apura se Lula cometeu tráfico de influência. É, portanto, um método.
Enquanto isso, nem a defesa de Lula nem os petistas que lhe servem de títeres fornecem qualquer explicação concreta a respeito das caríssimas benfeitorias bancadas pelas empreiteiras companheiras no apartamento do Guarujá e também no sítio de Atibaia, aquele para o qual o chefão petista enviou sua mudança quando deixou a presidência, mas que ele jura que não lhe pertence.
Não será surpresa se, para justificar tanto mimo da parte de empresas enroladas no Petrolão e o usufruto de imóveis que não constam de sua declaração de renda, Lula acabe dizendo apenas que tem bons amigos – e amizades puras como essas, afinal, dispensam a apresentação de provas à Justiça.







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O que o Príapo da república pixuleca teme é a nossa liberdade

VALENTINA DE BOTAS
“Se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto corre risco, estarei com 72 anos e tesão de 30 para ser presidente da República”. Como Hilda Hilst, quero brincar de ver beleza nas coisas, numa resistência ao vício do jeca em enfear tudo com esse priapismo vigarista.

“Vocês” se refere à escumalha militante no aniversário flácido do PT; o caudilho não se importa com o tesão da nação, se ela está no clima ou não. E ela não está. Ou está sim, mas não com o fauno grotesco. O “não” que ela tem lhe dito, traduzido em pesquisas e que temos de reafirmar no dia 13 de março, soa como charminho golpista para o macho mais incivilizado da história da política brasileira. Claro, ele só satisfaz as deformações da libido autoritária no primitivismo, pois dar no couro como democrata que é bom, esqueça.
Julga o estado de direito democrático uma preliminar dispensável, de tal modo que a tentativa de bolinar a Polícia Federal via Ministério da Justiça, as espertezas para não encarar o procurador Cassio Conserino e as ameaças transmitidas por eunucos morais de convulsionar o país se a Justiça cumprir o dever evidenciam não só a impossibilidade de atestar uma honestidade fictícia, mas sobretudo a percepção do jeca como alguém cuja conduta não há parâmetro ou ser terrenos ou divinos dignos de avaliar.
É mais do que estar acima da lei, nessa condição se pretendem Cunha, Calheiros, o casal marqueteiro – ao Priapo da república pixuleca sequer ocorreu que um dia seria necessário invocar o status que acredita inerente. Não sei que parte do “não” ele ainda não entendeu, mas a nação pode deixar ainda mais claras a consoante e as duas vogais no dia 13.
Não é só pelo fim de um governo cuja remoção é indispensável para o Brasil se reconstruir, ter a si como assunto e projeto, é também pela defesa das investigações, da Política Federal, do Ministério Público, contra o qual Lula tenta um estupro bolivariano enquanto mente que “lutamos” para tê-lo forte, “e não fazendo o jogo da Veja”. Ora, o jogo da revista é o do país que presta, como no fundo sabem ressentidos que apregoam, nas redes sociais, uma súbita sedução da revista pelo PT e convencem gente chegada a uma conspiração de boteco virtual.
Pesquisas mostram que Eduardo Cunha na presidência da Câmara desanima muitos brasileiros a irem para as ruas defender o impeachment, numa lógica desossada determinando que, por não se remover um patife menor, preserva-se o maior; além do tal não-adianta-nada. Por favor, não há mais território para esses medos e, conforme ensinou Nietzsche, do outro lado do medo está a liberdade. O que o jeca teme é nossa liberdade, é descobrirmo-nos livres – apesar de Cunha e do que mais for – para brincar de ver a beleza em mandar para a cadeia um garanhão tosco de alma senil porque para ele (parafraseando Roberto Freire), com ou sem tesão, não há solução. Um beijo






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