Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Até quando vamos conviver com a roubalheira institucionalizada

José Carlos Werneck

Até quando este Governo abusará da paciência do povo brasileiro? Até onde pretende substituir, por meio de medidas provisórias, o papel do Poder Legislativo? Até que ponto contribuirá para a intranquilidade e insegurança que tomaram conta da Nação? Até quando pretende, por meio da inflação e do aumento do custo de vida, levar ao desespero a população que paga impostos absurdos, sem receber nada em troca?
É inaceitável permanecer nesta desordem que se alastrou pelos setores administrativo, econômico e financeiro de todo um país com enormes potencialidades e que está parado por conta de tanta corrupção.
Chega de subterfúgios. Chega de deslavadas mentiras criadas por um partido com o intuito de confundir os brasileiros e levar adiante seu plano de se perpetuar no Poder. Basta de casuísmos e demagogia barata, para que, realmente, se façam os ajustes econômicos necessários.
A maioria das medidas tomadas pelo Governo petista, são balelas, sem outro intuito a não ser enganar a boa-fé dos brasileiros, que, estão fartos de tanta ineficiência e roubalheira.
O PAÍS ESTÁ PARADO
Não é aceitável que este caos provocado pela administração petista, que implantou a desordem generalizada, paralise toda a Nação.
Há intranquilidade nas cidades, com uma segurança pública ineficiente, e no o campo, com ações criminosas do MST, intranquilizando igualmente proprietários e camponeses.
A opinião pública repudia veementemente esta política de origem duvidosa contrária às instituições, cuja preservação cabe, por imperativo constitucional, ao próprio Governo.
A Nação anseia pelo respeito à Constituição. Precisamos de ajustes discutidos e votados, sem o toma-lá-dá-cá, pelo Congresso Nacional. Desejamos a preservação das conquistas democráticas. O povo quer eleições limpas e com apuração confiável.
ENTREGUE O PODER
Se a presidente Dilma Rousseff não pode cumprir o papel que lhe é destinado constitucionalmente, não lhe cabe outra saída senão entregar o Governo ao seu legítimo sucessor.
É consenso que a presidente termine o seu mandato como prevê a Constituição. Tudo isso é salutar para a Democracia. Mas, para isso, a presidente da República terá de desistir desta sua política nociva, que está prejudicando o Brasil e os brasileiros.
Os brasileiros não desejam golpes nem contragolpes. Querem preservar e cada vez mais aperfeiçoar o processo democrático, duramente construído, e manter a estabilidade econômica obtida pelo Plano Real, que está sendo jogada no lixo da História. Mas não admitem que seja o Poder Executivo, por interesses espúrios, quem promova o caos social e tente cercear a Imprensa e todos os meios da livre manifestação do pensamento, levando a Nação à ditadura de um partido, corroído pela corrupção.
Os Poderes Legislativo e Judiciário, as Forças Armadas, e todos os segmentos democráticos devem estar vigilantes para combater todos aqueles que pretendem ameaçar a Democracia.
O País já sofreu além dos limites com este desgoverno. Agora, chega de tanta podridão e de tanta mentira!






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O desencanto de certa juventude “nem-nem”

Sandra Starling O Tempo
Em minhas andanças dos últimos tempos, tenho ficado angustiada com o que observo estar acontecendo entre jovens de classe média. Pertenci a uma geração em que as meninas não faziam curso superior, quando muito estudavam pedagogia, e se preparavam para ser mães de família. Fui exceção à regra porque sempre adorei estudar e sempre trabalhei fora. (Até hoje estudo muito e ainda sofro pesadamente por já estar aposentada. Gostaria de fazer ainda uma porção de coisas. Mas ninguém quer dar um bom emprego a alguém de mais de 70 anos).
Pouco depois, isso mudou, e todos, rapazes e moças, demandavam os cursos superiores e empregos bons. É claro que estou me referindo aos de classe média: os pobres ficavam retidos nos cursos elementares ou eram obrigados a aceitar o emprego que aparecesse, sem qualquer qualificação mais sofisticada. E os ricos? Bem, os ricos sempre têm direito a escolher. Agora vejo crescer um fenômeno desconcertante e que não se restringe a este ou àquele país do mundo.
OS DOIS LADOS
De um lado, o desespero dos que querem estudar e que, em busca de seu diploma de curso superior, aceitam bolsas que vão ter de pagar depois de formados. Dia desses, encontrei uma fluminense nessa situação: a jovem, já mãe de uma filha, casada, está terminando sua tese de doutoramento ainda pagando o curso superior que conseguiu fazer a duras penas. Escusado dizer que ela ainda acumula todos os seus esforços com um emprego que lhe demanda muita atenção. Mas ela ainda tem sorte, porque a maioria dos jovens pobres entre 18 e 25 anos são os que mais sofrem com o desemprego que se abate sobre as sociedades, dominadas pela loucura do capital financeiro e dos governantes que a ele servem. Então, você encontra legiões de desesperados buscando qualquer “bico” para ganhar qualquer coisa e sobreviver.
Doutro lado, um grupo grande de jovens de classe média que nem querem estudar, nem querem trabalhar. São denominados juventude “nem-nem”. Têm todas as condições para ir a boas universidades e não conseguem se adaptar a nenhuma rotina de estudo. Têm condições de obter um razoável emprego e optam por vagar por aí, sem eira nem beira.
NEM ESTUDAM NEM TRABALHAM
Conheci uma jovem assim em Berlim. Encantadora, fala mais de uma língua, se vira, como dizem eles, por diversos lugares. Já morou na Argentina, passou pelo Brasil, frequentou a universidade em Göttingen, na Alemanha, e com pouco tempo largou-a e foi bater pernas no Laos, na Tailândia e no Vietnã. Agora, faz trabalhos eventuais como garçonete em Berlim.
Estou também às voltas com um jovem que está do mesmo jeito, matriculado numa boa universidade nos Estados Unidos e que não quer fazer coisa alguma. Enquanto a mãe dá duro para sustentá-lo e ao irmão, ele fica no lero-lero. E o avô pagando caro os cursos em que ele toma bomba sistematicamente.
Conversei muito, recentemente, com os dois, em separado. E fiquei chocada com o desencanto de ambos: não têm nenhum ideal, não desejam coisa alguma, nada os move. O que pode explicar esse desencanto?






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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Impossível desconhecer a Constituição

Carlos Chagas

É conhecido o diálogo entre Alexandre e Diógenes, numa praça de Atenas, quando o vencedor dos gregos e futuro conquistador do mundo indagou do genial pensador o que poderia dar-lhe como retribuição por suas lições: fortunas, palácios, honrarias e tudo o mais que fosse. Estavam defronte ao barril onde Diógenes morava, e a resposta surpreendeu e calou Alexandre: “majestade, não me tires aquilo que não me podes dar…” Acontece que o visitante se colocara entre o sol e o visitado, impedindo-o de receber luz e calor.
Vale o mesmo para as relações entre o Congresso e a presidente Dilma. Ela pode prometer tudo a deputados e senadores, desde nomeações até benesses e favores variados, mas não terá sucesso se estiver pretendendo comprar o silêncio e a imobilidade do Legislativo diante das iminentes iniciativas obrigatórias a ser adotadas como reação às sucessivas denúncias de roubalheira no governo. Parece inexorável a abertura de processo de impeachment contra Madame, não porque ela se tenha locupletado na lambança da Petrobras e outras, mas pelo fato de ser a responsável maior pelo que aconteceu. Como presidente da República, não poderia deixar de saber de tudo, do envolvimento de seu partido, de seus aliados e até de seus ministros no desvio de dinheiros públicos para garantir sua reeleição e a permanência da atual quadrilha no poder.
IMPEACHMENT
Dilma não conseguirá tirar do Congresso o dever irrevogável de zelar pela sobrevivência das instituições democráticas. Porque, frente a tantos escândalos denunciados e evidenciados, não sobreviveremos como nação e como estado organizado caso não se faça justiça. Pode ser cruel o afastamento de quem não participou, pessoalmente, do festival de corrupção encenado até antes de seu primeiro mandato, mas fica claro que tudo aconteceu com seu conhecimento. Como imaginar que pudesse fechar-se na redoma de vidro do palácio do Planalto, cercada por inocentes e, mesmo, por coniventes? Até por isso, se fosse verdade, não teria condições de continuar. O país não aguentará três anos e meio de silêncio, depois de tanto tempo com as vísceras expostas.
Como ignorar tudo o que o Ministério Público e a Polícia Federal vem apurando desde o mensalão do período Lula, sem falar na exposição promovida pela mídia e, mais do que tudo, do trabalho que a Abin obriga-se a prestar? É pouco, quase nada, determinar que cada um dos acusados se defenda, até sem afastá-los de suas funções e de seu círculo mais chegado. Por tamanha leniência, para não falar em conluio, logo se abrirá no Legislativo o processo de afastamento da presidente. Assim como Diógenes não passava sem o seu banho de sol, o Congresso também não desconhecerá a Constituição.





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Pessoa arrasa Edinho Silva e explode o esquema do PT

Pedro do Coutto

O primeiro capítulo da delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, focalizado em monumental reportagem de Robson Bonin, decretou praticamente a demissão do ministro Edinho Silva e detonou publicamente o esquema de corrupção montado pelo PT. A reportagem encontra-se numa sequencia de páginas da Revista Veja que circulou sábado e está nas bancas. Quando me referi ao primeiro capítulo foi por considerar que a delação premiada vai prosseguir e será dividida em várias etapas. Porque ninguém detentor de tantos segredos, como Ricardo Pessoa, vai divulgar o que sabe de uma só vez.
A importância da matéria publicada é tão grande que a revista Veja a colocou em seu site na Internet, sexta-feira, possibilitando assim que O Globo, a Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo também a publicassem no sábado. Uma bomba, como se diz no jornalismo, tão forte que levou a presidente Dilma a retardar seu voo para os EUA, a fim de buscar esclarecimentos por parte de alguns acusados de receber sombrias doações por parte do Clube das Empreiteiras, presidido pelo dono da UTC Engenharia.
Ficou péssima a imagem de Edinho Silva, porque ao procurar Ricardo Pessoa, segundo este dirigiu ameaça frontal ao empresário, condicionando a continuidade dos seus contratos com a Petrobrás a recursos financeiros destinados ao universo da legenda partidária, mas cujo destino real não parece ter sido somente este.
LEGAIS E ILEGAIS
Há doações e doações. É preciso separar as legais daquelas ilegais. E estas aconteceram, tanto assim que os que as receberam procuraram ocultar as provas dos fatos, mas esqueceram-se das imagens gravadas pelos aparelhos instalados nas salas e provavelmente também em restaurantes onde encontros aconteceram.
Caso, por exemplo, de João Vaccari Neto, que picotava as importâncias exigidas escritas em pedaços de papel para evitar gravações sonoras. Rabiscava os papeis e os picotava, jogando-os em latas de lixo diversas. Não adiantou o esforço de blindagem, as câmeras da UTC captaram e arquivaram suas imagens que conduzem seu autor ao campo da ilegalidade praticada e de sua confissão explícita.
As explicações fornecidas por Edinho Silva, Aloizio Mercadante e José Eduardo Cardoso (reportagem de Cristiane Jungblat, O Globo de domingo) não convencem a pessoa alguma no que diz respeito a sua inocência. Principalmente a versão de Edinho Silva, que não nega o fato, preferindo enveredar pelo caminho do que ele chamou de vazamento seletivo voltado para a luta política.
LUTA POLÍTICA
Qual luta política? Em primeiro lugar, não se trata desse tipo de embate, mas sim de um processo de sórdida corrupção, praticada a base da vantagem direta feita sob a capa de ameaça explícita. O caso de Edinho Silva é muito mais grave que o de Aloizio Mercadante, pois este foi apontado como tendo recebido do Clube das Empreiteiras uma doação de 500 mil reais. Mas o caso de Edinho Silva é muitas vezes mais amplo do que este.
E o que dizer de João Vaccari Neto aplaudido de pé no encontro do PT em Salvador? O ex-senador Gim Argelo, num torpe episódio é acusado por Pessoa de ter recebido 5 milhões de reais para sepultar a primeira CPI da Petrobrás no Congresso Nacional. Além disso, Ricardo Pessoa aponta José Dirceu como personagem de falsa consultoria, fórmula usada para encobrir propinas por sua influência no governo, embora já se encontrasse condenado pelo Supremo Tribunal Federal.
COMPERJ
O episódio da construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, orçado em 2006 em 6,1 bilhões de dólares, já passa hoje de 30 bilhões de dólares e ainda não foi concluído ao longo de nove anos. Nesse Complexo Industrial a UTC integrava o grupo construtor ao lado da Odebrecht e da Andrade Gutierrez. Ricardo Pessoa revelou que os subornos iniciais chegaram a 15 milhões de reais, tendo ele sido encarregado de pagar a parte destinada ao PT, nela não incluídas parcelas posteriores destinadas a outros partidos e seus representantes. Quer dizer: um assalto avassalador, com partidos e políticos investidos no papel de assaltantes.
E assim conclui-se a primeira parte da história da delação premiada do dono da UTC, solução aprovada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. Produziu fortes reflexos no governo Dilma Rousseff e certamente, produzirá outros talvez ainda mais intensos. Afinal de contas, a queda inevitável do ministro Edinho Silva deverá estar entre eles.
Pode não ser demitido pela presidente da República, porém deverá demitir-se, já que sua presença no Executivo tornará o Palácio do Planalto cada vez mais vulnerável aos ataques da oposição, que não é liderada pelo PSDB ou por ninguém em especial mas sim pela rejeição destacada na reação da própria população brasileira de forma maciça como as pesquisas do Datafolha estão apontando. Se Dilma Rousseff já se encontrava mal no último levantamento, agora sua posição só pode ser pior, e agravada, se for o caso, pela presença no ministério de um personagem tão indesejado quanto indesejável como o titular da Comunicação Social.




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Em editorial, ‘The Washington Post’ aponta crise na democracia brasileira

A visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos motivou um duro editorial do jornal “The Washington Post” neste domingo. “A presidente enfrenta o desafio de sobreviver no Planalto e tentar governar por mais três anos e meio”, diz o texto, intitulado “Um retrocesso no Brasil”.


De acordo com o “Post”, “a bolha parece ter explodido”: o editorial aponta a recessão econômica e o caso Petrobras – “o maior escândalo de corrupção na História do país, com dezenas de empresários e mais de 50 integrantes do Congresso implicados” – como entraves que “provocam uma crise na democracia brasileira”.
O jornal diz que Dilma se reelegeu com um discurso de que seu principal opositor, Aécio Neves, se submeteria a banqueiros e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), e ressalta que o PT se opõe às correções econômicas da presidente. “A senhora Rousseff está impondo as mesmas medidas de austeridade tipicamente defendidas pelo FMI, incluindo cortes nos subsídios de energia”, aponta o “Post”, que defende medidas liberalizantes na economia para resgatar a confiançade investidores.

O editorial cita ainda a queda de popularidade da presidente, frisando que “não será fácil” reverter o quadro. “Ela viu muito de seu poder efetivamente esvaziado por líderes congressistas, que diluíram algumas de suas medidas de austeridade”, diz. E defende a remoção de barreiras para o investimento privado doméstico e estrangeiro: “Sem isso, o futuro do Brasil permanecerá em suspenso”, conclui.
EXTRAÍDADAFOLHAPOLÍTICA

Avaliação negativa do desgoverno Dilma, de 68%, bate recorde em 29 anos

Estadão Conteúdo
A avaliação negativa do governo da presidente Dilma Rousseff, de 68% dos entrevistados, é a pior da série histórica do levantamento feito pelo Ibope divulgado nesta quarta-feira, 1, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O porcentual daqueles que avaliam como ruim ou péssimo o governo bateu o recorde nos 29 anos dos dados compilados pela pesquisa e ultrapassou a marca negativa do então presidente José Sarney em julho de 1989.
Por outro lado, a avaliação positiva do governo de Dilma , de 9%, só não foi pior à registrada por Sarney em sondagens realizadas em junho e em julho de 1989. Na ocasião, Sarney tinha 7% de avaliação ótima ou boa dos entrevistados.
O levantamento foi realizado entre 18 e 21 do mês passado, antes da divulgação do conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 141 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos porcentuais e o grau de confiança é de 95%.
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Governo muda estratégia e parte para o ataque

por Cristiana Lôbo G1 - Globo.com
 Desde o início da Operação Lava Jato o governo dá a mesma resposta, como um mantra: "todas as doações são legais e estão declaradas à imprensa". Depois de divulgados trechos da delação premiada de Ricardo Pessoa, agora envolvendo as contas da campanha da presidente Dilma Rousseff de 2014, uma nova estratégia está em execução.
Além de assegurar que todas as doações são legais, os petistas também partem para o ataque e passam a questionar que não há suspeição sobre doações semelhantes a outros partidos e outros candidatos. O primeiro nome citado é o de Aécio Neves (PSDB), que foi para o segundo turno com Dilma e tem comandado as ações da oposição desde a posse. Para eles, "há uma tentativa de criminalizar as doações feitas ao PT".


Alguns sinais foram claros para mostrar que aumentou muito a preocupação da presidente Dilma com os termos da delação premiada de Pessoa: ela fez uma reunião de emergência na manhã deste sábado no Palácio da Alvorada e convocou os dois ministros citados – Aloízio Mercadante e Edinho Silva.
O terceiro chamado foi José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça e superior hierárquico da Polícia Federal que faz as investigações. A conversa se prolongou e até atrasou a saída de Dilma para a viagem aos Estados Unidos. Mercadante, que integrava a comitiva, acabou ficando. Os ministros passaram, então, a afinar o discurso.
O primeiro ponto determinado por Dilma foi questionar o que eles chamam de "vazamento seletivo" de informações na operação Lava Jato. Segundo os petistas, não se fala de outras doações feitas a outros partidos – se esquecendo da citação do nome do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) que também foi citado e desmentiu ter recebido contribuição em caixa dois.
Na entrevista ao lado de Cardozo, Edinho logo questionou o que chamou de "tese da criminalização das doações ao PT", o que, segundo eles, não tem acontecido com outras campanhas.
Aloízio Mercadante, que não foi à viagem, mas também não participou da entrevista de Edinho, decidiu falar – e explicar o que havia dito na véspera, que as doações à campanha dele foram legais e têm recibo que já foi apresentado.







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Ibope mostra que Dilma atingiu maior índice de reprovação em 29 anos

A aprovação ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) chegou a 9% segundo pesquisa Ibope encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada nesta quarta-feira (1º). De acordo com a pesquisa, 9% dos entrevistados consideravam o governo Dilma como "ótimo ou bom". A pesquisa indica ainda que 21% dos entrevistados avaliam o governo como "regular" e 68% dos entrevistados classificam o governo como "ruim ou péssimo".

Na pesquisa anterior, divulgada em março de 2015, o percentual dos entrevistados que avaliavam o governo como "ótimo ou bom" era de 12%. Os que classificavam o governo como "regular" totalizavam 23% e os que avaliavam o governo como "ruim ou péssimo" somavam 64%.
O índice de reprovação de 68% é o pior da série histórica da pesquisa em 29 anos.

Esta é a segunda pesquisa CNI/Ibope divulgada desde o início do segundo mandato da presidente petista. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Os menores índices de avaliação de governo registrados pela pesquisa foram nos meses de junho e julho de 1989, durante a gestão do ex-presidente José Sarney (PMDB). Nesses dois meses, o percentual dos entrevistados que classificou o governo como "ótimo e bom" foi de 7%.

Já em relação à aprovação à maneira de governar, a série histórica da pesquisa CNI/Ibope começou a ser feita durante o governo do ex-presidente Fernando Collor (PTB), mas foi sistematizada a partir do primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Os 15% de aprovação obtidos por Dilma são o índice mais baixo de toda a série histórica registrada pela pesquisa.

A pesquisa avaliou também o índice de confiança na presidente Dilma. Segundo o Ibope, em junho, 20% dos entrevistados afirmaram confiar na presidente. Em março deste ano, o índice chegava a 24%. Na série histórica, apenas Sarney obteve um índice de confiança menor que Dilma. Em junho de 1989, apenas 16% dos entrevistados diziam confiar no então presidente.

Já os que afirmaram não confiar na presidente Dilma em junho deste ano somam 78%. Em março, este índice era de 74%. Novamente, apenas Sarney superou Dilma neste quesito. Em junho de 1989, 80% dos entrevistados afirmavam não confiar no presidente.

A pesquisa foi feita entre os dias 18 e 21 de junho e ouviu 2002 pessoas em 141 municípios de todo o Brasil. O grau de confiança é de 95%.

Agenda "positiva" e más notícias

A queda nas taxas de aprovação do governo Dilma acontece mesmo depois de a presidente ter ampliado a chamada "agenda positiva", que incluiu o lançamento de um plano de concessões de R$ 198 bilhões para o setor de infraestrutura e do Plano Safra, voltado ao agronegócio e com investimentos anunciados de R$ 187 bilhões.

No campo político e econômico, entretanto, o ambiente de crise permanece. Segundo o IPCA, a inflação acumulada entre maio de 2014 e maio de 2015 foi de 8,7%, a maior taxa desde dezembro de 2003. De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego chegou a 6,7% nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, a maior taxa desde julho de 2010. 

No campo político, o governo Dilma enfrenta novas denúncias relacionadas à operação Lava Jato. Na última semana, foram divulgados trechos da delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, executivo da empreiteira UTC. Segundo o executivo, a empreiteira teria doado R$ 7,5 milhões à campanha para a reeleição de Dilma por temer prejuízos em contratos da empreiteira com a Petrobras. 

Os baixos índices de popularidade da presidente Dilma também foram aferidos pela pesquisa Datafolha divulgada no último dia 20. Segundo a pesquisa, apenas 10% dos entrevistados avaliavam o governo da presidente como "ótimo ou bom". A margem de erro do Datafolha também era de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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LULA APRONTA MAIS UMA DE SUAS CAFAJESTADAS

Coluna do Marcelo Madureira –Revista VEJA
 Lula, o ex-presidente em exercício, é cafajeste até não mais poder (com trocadilho, por favor). Percebendo o tamanho e a profundidade do buraco em que meteu o PT e a presidente Dilma, prepara mais um golpe. Aliás, coisa corriqueira em sua trajetória de vida. Lula resolveu agora virar “oposição” do seu próprio partido e transformar-se no maior crítico de sua criatura, a mãe do PAC e gerente competente, Dilma Vana Rousseff.
O Brasil já perdeu muito tempo com o Lula e o lulismo. Uns 20 anos pelo menos. Imaginem o incrível salto para adiante que o país poderia ter dado se o Lula tivesse um miligrama de estadismo, preparo e entendimento da História. Além de herdar o Brasil “arrumado” do governo FHC, tinha cacife político para aprofundar as reformas estruturais que a Nação tanto precisa. Poderia, mercê da conjuntura internacional positiva, ter realizado grandes investimentos em Educação, Infraestrutura e Saúde. Poderia, enfim, ter entrado para a História pela porta da frente. Mas, como dizia o Barão de Itararé, o bisavô dos humoristas: “de onde menos se espera, é de lá que não sai nada mesmo”.
Lula preferiu chafurdar na lama do patrimonialismo, da demagogia, da incompetência e da desonestidade, e ninguém deveria se surpreender com isso.
Um breve exame da biografia do Lula (ou será prontuário?) não deixa a menor dúvida do que nos esperava ao dobrar a esquina.
Oriundo de família desfuncional, como tantas no Brasil, o problema do Lula não foi ter nascido pobre. Milhões de brasileiros nascem e morrem pobres.
Todo mundo enfrenta dificuldades na vida e, mesmo assim, incorpora valores morais e éticos, constrói uma família, trabalha, enfim, vive uma existência modesta mas digna. Dona Lindu, abandonada pelo marido alcoólatra, assoberbada na luta pela sobrevivência da prole, talvez não tenha conseguido arrumar nem tempo nem forças para edificar valores no seio do lar. Mas isso também não serve como desculpa para os desvios de conduta do Lula.
Afora o curso de torneiro no Senai, Lula nunca foi afeito ao aprendizado e muito menos ao trabalho. Perspicaz, percebeu na burocracia sindical uma possibilidade de escapar do estafante chão da fábrica.
Lula pode ser um homem ignorante, grosseiro até, mas de burro não tem nada. Apesar da inteligência inata, Lula desenvolveu um enorme complexo por sua ignorância formal e pela pobreza material. Por isso mesmo, Lula elegeu como objetivo de vida acabar com a pobreza. A sua, no caso. Aliás, nada contra isso, só discordo é dos métodos e caminhos escolhidos.
Lula abriga dentro de si um enorme ressentimento. Começa aí, talvez, o discurso do “eu contra eles”, que acabou virando depois “o nós contra eles”.
Esperto como o capeta, Lula se apropriou do “novo movimento sindical do ABC” que surgiu no fim dos anos 70, em contraposição ao pelego da ditadura, o notório Joaquinzão. No sindicato Lula conhece, gosta e cultiva com prazer as benesses do poder. E como gosta… Essa história está muito bem contada no livro O Que Sei de Lula, do jornalista José Neumanne Pinto, vale a pena ler. Logo em seguida, na esteira da criação do partido Solidariedade na Polônia por outro operário, Lech Walesa, funda-se o PT no Brasil.
Carismático, Lula teve um papel importante na organização das greves do ABC ao final dos anos setenta e era cortejado pelos partidos de esquerda (ainda na ilegalidade), inclusive pelo PCB onde eu militava. Astuto, Lula percebeu que, no recém-nascido PT, ainda com uma estrutura partidária frágil, seria mais fácil impor a sua liderança, que não admite concorrência. Assim, Luiz Inácio também se apropriou do PT sociedade com o seu comparsa, o Zé Dirceu. Lula se aboletou no PT, que virou uma farandola de várias tendências de esquerda, todas sem uma clara definição de tática ou estratégica, e de conteúdo ideológico raso, para não dizer ignorante, nas coisas do marxismo e nos problemas da realidade contemporânea, fenômeno comum na dita esquerda latino-americana. Mas uma coisa tinham em comum: não se entendiam uma com as outras.
Lula e seu amigo Zé fundaram mais uma tendência, o Campo Majoritário que, como o nome já diz, conquistou a hegemonia no partido. Em vez de Mimi – o metalúrgico do filme de Lina Wertmuller –, tínhamos o nosso Lula, o metalúrgico seduzindo os intelectuais, a Academia, os estudantes e, principalmente, a mulherada… O operário chegava ao Paraiso!
Militante do PCB, tomei conhecimento das primeiras greves na Scania, acompanhava as assembleias no estádio de Vila Euclides e, confesso, via com simpatia a sua liderança ao mesmo tempo em que desconfiava do seu radicalismo oportunista. Achava aquilo meio “jogo de cena”.
Nos tempos da ditadura, os partidos de esquerda, ainda na clandestinidade, se apropriaram de recursos gerados em seus braços legais, como sindicatos, entidades estudantis e movimentos populares. O PCB não era exceção, mesmo porque o Ouro de Moscou, que a União Soviética mandava – mandava, sim, senhor! – não era suficiente para bancar a luta revolucionária.
Não quero me justificar, mas havia a atenuante de que, na ditadura, eram partidos postos na ilegalidade, clandestinos, não havia outra forma de custear o seu funcionamento. O PT, mesmo na legalidade, levou essas “práticas políticas heterodoxas” às últimas consequências, já que, no socialismo, os fins justificam os meios… Isso se fortaleceu quando os petistas começaram a se eleger nas prefeituras e implantaram o lucrativo sistema em contratos de coleta de lixo e assemelhados, drenando o dinheiro público para fortalecer o partido, além do que, claro, sempre sobra algum qualquer para o uísque e o charuto da companheirada.
Ah!!! O Poder!!! E como tem dinheiro no poder!
O PT mafioso foi se fortalecendo em governos estaduais, comissões parlamentares (com trocadilho) e quetais e quitandas. E ai de quem fosse contrário às diretrizes partidárias! Não estão mais aí o ex-prefeito Celso Daniel e o Toninho de Campinas para provar o que escrevo.
Quando, finalmente, o PT com Lula conquistou o poder federal, então foi o Céu na Terra!
Mas a roda da História gira e hoje a carroça petista, atolada em contradições, mal se arrasta levando consigo o Brasil.
Lula, que não quer largar o osso, aprofundou sua personalidade raivosa, acusa as elites às quais ele mesmo pertence. Cada vez mais o mundo de Lula se transforma no eu contra o resto. Para permanecer no poder Lula, não hesita em arremessar um brasileiro contra o outro. Para Lula, só poder interessa, o poder traz segurança, bem-estar e benquerença. Para ele, é claro. E Lula adora ser adulado. Lula precisa estra cercado de áulicos e puxa-sacos, os quais não vacila em sacrificar em função de seus interesses mais mesquinhos. Lula virou uma espécie de Stalin do PT, partido que hoje ele está a ponto de renegar. Este mesmo PT que Lula ajudou a transformar num partido de funcionários públicos medíocres, cujo entendimento do Estado é como um meio de vida parasitária. Este mesmo PT que no jogo político não tem adversários, mas inimigos que devem ser obliterados.
Lula nunca foi nem nunca será um estadista. Lula jamais pensou em transformar a realidade do país nem em projetar o futuro do Brasil. Ele só se interessa em mudar uma realidade, a dele.
E tenho dito.






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TRAGÉDIA GREGA

por Ronald Hillbrecht.
Com poucas exceções, os países da zona do euro compartilham uma longa história de indisciplina fiscal. A dívida pública média mais que dobrou entre 1970 e 1995, passando de aproximadamente 30% do PIB dos respectivos países para mais de 60%. Nos dez anos seguintes ela se reduziu um pouco, mas a partir da crise financeira global de 2008 a dívida pública média aumentou rapidamente, chegando a quase 100% em 2013. Embora todos os países da zona do euro tivessem aumento nas suas dívidas públicas, em dois casos (Irlanda e Grécia) o aumento foi explosivo. No que diz respeito à acumulação de dívida pública, é razoável que ela ocorra durante períodos de dificuldades econômicas, como guerras ou mesmo recessões, mas não é razoável que ocorra persistentemente ao longo do ciclo econômico. O problema é que a acumulação da dívida tem consequências negativas para o crescimento econômico, em particular quando a dívida se torna grande e sujeita a crises autorrealizáveis.
Considere o caso da Grécia. Em 2007, sua dívida pública representava mais de 100% do PIB e mesmo assim o prêmio de risco relativo a títulos do governo alemão era pequeno. Investidores não consideravam seriamente o risco imediato de calote pelo governo grego e, na ausência da crise financeira de 2008, tratava-se de um cenário plausível. Esta situação representa o que se chama equilíbrio bom. Entretanto, com o advento da crise financeira global, os investidores começaram a questionar cada vez mais este cenário, o que elevou o prêmio de risco e tornou a dívida grega cada vez mais instável, particularmente em função da queda subsequente do PIB.
O rápido crescimento da renda per capita grega até 2009 foi fruto de uma bolha criada pela acumulação de dívida pública e financiada com endividamento externo, pois não teve contrapartida em crescimento de produtividade.
dicionalmente, o déficit público grego ficou, em média, em 11,3% do PIB entre 2008 e 2013, elevando a dívida pública rapidamente de um patamar de 100% do PIB em 2006 para 175% em 2014. Esta rápida acumulação de dívida levou a economia grega a um equilíbrio ruim: da mesma forma que os prêmios de risco no equilíbrio bom eram muito baixos, eles se tornaram exageradamente elevados em 2010 – considerando ainda a descoberta de “contabilidade criativa” na mensuração dos déficits.
Em 2009, no rastro da crise financeira global, a situação econômica da Grécia começou a deteriorar muito rapidamente, o que levou à sua crise autorrealizável. O governo grego começou a perder acesso a mercados e ficou rapidamente claro que não seria capaz de lidar sozinho com esta situação: ou receberia auxílio externo –o que ocorreu – ou decretaria moratória.A deterioração iniciada em 2009 agravou-se pela adoção parcial das condicionalidades impostas pelo acordo de bailout: por um lado, a implantação de um regime de austeridade fiscal requer a redução do déficit público, o que tem um impacto negativo adicional sobre o PIB, já em queda; por outro lado, a não implantação de reformas estruturais impediu os ganhos de produtividade necessários para que a economia grega voltasse a crescer.
A despeito dos ajustes já efetuados, a Grécia ainda precisa de recorrentes socorros financeiros, mas seu governo parece ser incapaz de estabelecer os necessários compromissos de longo prazo. O problema é que as dificuldades econômicas da Grécia têm origem política. O atual partido no poder, o Syriza, tem compromissos com seus eleitores que são incompatíveis com novos acordos com a troika. Adicionalmente, elevados gastos públicos e empreguismo no setor são considerados virtudes pelo eleitor do partido, enquanto reformas pró-mercado são condenáveis. Entretanto, fica o lembrete: sair do euro para poder desvalorizar sua nova moeda apenas reduz os gastos correntes, permitindo que o país sobreviva à margem dos mercados financeiros. Mas ela não resolve os problemas de falta de crescimento de produtividade que comprometem a prosperidade do país.
Ronald Hillbrecht, doutor em Economia pela University of Illinois, é professor do Programa de Pós-Graduação em Economia da UFRGS e especialista do Instituto Millenium.








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A ESCOLA DO MST: REVOLUÇÃO ANTICRISTÃ E ASSALTO À SAGRADA ESCRITURA

por Bruno Braga.
 Notas publicadas no Facebook.

I. A revolução anticristã na escola do MST.

A Escola Nacional Nacional Florestan Fernandes (ENFF) - o núcleo de "formação" do MST - recordou recentemente a data de falecimento de Antonio Gramsci. O fundador do Partido Comunista Italiano é um dos grandes inspiradores da estratégia revolucionária que há décadas vem sendo aplicada no Brasil: a revolução cultural, que de forma eficaz contribuiu com a promoção do projeto de poder comuno-petista do Foro de São Paulo, do qual os próprios sem-terra são protagonistas e parte atuante.

Para celebrar Antonio Gramsci, a "escola" do MST publicou nas redes sociais uma sentença programática do comunista italiano: "O mundo civilizado tem sido saturado com cristianismo por 2000 anos, e um regime fundado em crenças e valores judaico-cristãos não pode ser derrubado até que as raízes sejam cortadas".

É importante recordar que o MST sempre apoiou suas ações - invasões de terra, saques, atividades de guerrilha - na perversão do Cristianismo da Teologia da Libertação. A instrução de Antonio Gramsci publicada pela "escola" dos sem-terra deixa à mostra o caráter pernicioso dessa "catequização" revolucionária. A fraude de um discurso religioso exposta. Uma pretensão anticristã ostentada. "Cortar" as "crenças" e "valores" judaico-cristãos - falsificá-os, enfraquecê-los, subjugá-los - para a promoção do projeto de poder comunista.

II. O MST e o assalto à Sagrada Escritura.

Um "Caderno de Educação" publicado pelo MST em 2000 apresenta um título significativo: "Ocupando a Bíblia" .

Trata-se de um manual elaborado para auxiliar a "educação religiosa" dos responsáveis pela "catequese" dos sem-terra - sobretudo das crianças - nos assentamentos e acampamentos, grupos de jovens, nas Comunidades Eclesiais de Base (pp. 07-08). A publicação proclama com distinção o propósito de "formar para a cidadania"; porém, uma "cidadania" que exige "engajamento e a militância" (p. 136). Para isso, o manual traz até um "decálogo". Sim, um "decálogo"! Dez mandamentos ditados por Frei Betto - "apóstolo" da Teologia da Libertação e "coroinha" de Fidel Castro - para articular "fé" e "militância política" (p. 116).

"Ocupando a Bíblia". Ora, não é mais segredo para ninguém. O Movimento Sem Terra chama cinicamente de "ocupação" as suas atividades criminosas: invasões, destruição de propriedades públicas e privadas, saques, ações terroristas e de guerrilha. Portanto, se o próprio MST assume que "ocupa" a Bíblia, outra coisa não faz que assaltar a Sagrada Escritura. E o faz com um "instrumento" conhecido e pernicioso: a Teologia da Libertação. Um embuste criado para ser inoculado dentro da Igreja Católica e perverter, modelar a fé para que ela esteja a serviço do projeto de poder comunista.

III."Mestrado" na escola do MST.

Uma "bela mística" - com facão e foice - no núcleo de "formação" dos sem-terra. O ritual foi promovido por uma turma de "mestrado". Uma "cerimônia" que mostra o "conteúdo" de um curso de pós-graduação ministrado na escola do MST, e com uma "intenção" que expõe os propósitos do grupo de guerrilha comuno-petista: "defesa da nossa América Latina" é lutar pela "Patria Grande" comunista do Foro de São Paulo (Cf. imagem - os destaques em vermelho são meus).


LEITURA RECOMENDADA.

BRAGA, Bruno. "O MST e a Teologia da Libertação, a CNBB e o projeto de poder petista-socialista-comunista no Brasil" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/11/o-mst-e-teologia-da-libertacao-cnbb-e-o.html].

______. "MST - acordo bolivariano, doutrinação e guerrilha" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/11/mst-acordo-bolivariano-doutrinacao-e.html].

______. "A Escola do MST, o acordo bolivariano e o treinamento dos sem-terra" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/11/a-escola-do-mst-o-acordo-bolivariano-e.html].

______. "Os 10 anos da "escola" do MST. As foices erguidas em honra de Genézio Boff e a emissora bolivariana TeleSUR".

______. "O MST e o Foro de São Paulo" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/12/o-mst-e-o-foro-de-sao-paulo.html].

______. "Lula ameaça com 'exército' do MST" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/02/lula-ameaca-com-exercito-do-mst.html]. 







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Homenagem da mulher sapiens à mandioca inspira a primeira música em dilmês

Título: Saudação à Mandioca
Letra: Dilma Rousseff
Música e Programação: Eliel Gatti Robles
Gravado no Timbu Estúdio em 26 de Junho de 2015

‘O lulopetismo viu que apenas roubando como nunca poderia ficar no poder para sempre’

Valentina de Botas:
A relação que a memória tem com o tempo e com a realidade é isto: uma relação. O caráter simbólico da memória desmancha o tempo e processa a realidade. Ou não haveria as artes, as paixões, a História, a Literatura, o próprio homem. Nem as madeleines de Proust. Consoladora criação para nossos corações, humanizados em desejos solenemente desdenhados pelo tempo jamais cúmplice.

Também a memória, esta sim, nossa cúmplice, permanece com os nexos dela que tecem sentidos incólumes à erosão do tempo. Ela diz quem somos, quem é nossa gente, como e onde é nossa pátria. Pode ser a rua onde crescemos, a nossa língua ou qualquer outra, digamos, experiência na qual esbarremos com nós mesmos e nos reconheçamos.
E pode ser a resistência democrática como vimos fazendo, na qual nos reconhecemos mesmo sem nos conhecer. A identidade de um país e de um indivíduo não existe sem a memória. E esta coluna é guardiã da memória do país que sonhamos e podemos ser nos textos luminosos dela e nos comentários que suscitaram e que, somados ao restante da resistência democrática, já conversavam com o futuro que é hoje.
Combatemos as trapaças do lulopetismo que desfaziam a memória e forjavam uma cínica e monolítica versão da história e do presente, outro integrante do arsenal de vigarices para emparedar o estado de direito democrático. Eis que é sob ele que o lulopetismo agoniza; o antídoto contra esse bando não é intervenção militar ou o atropelo das instituições, mas justamente o apelo a elas, pois esta sordidez de 13 anos não é inerente à democracia.
Comprova isso o próprio lulopetismo que, depois de alcançar o poder pela via democrática, viu que apenas roubando como nunca poderia ficar no poder para sempre. Não era política de esquerda nem de direita, mas somente roubalheira e incompetência – a substância do petismo que, concebido por um jeca oportunista, não tem ideologia além a de garantir o perene exercício do poder para se arrumar na vida.
Há uma práxis lulista sim, mas não um pensamento; este é arrendado segundo a conveniência. À afirmação segundo a qual o que está dominado é o bando, alguém dirá ah, mas o jeca está solto, Dilma continua presidente, o Estado aparelhado e tal. São realidades que se superpõem, não se negam nem se complementam, mas enfrentam-se até que a decência vença.
Diluir esse embate essencial – e contínuo na defesa e aprimoramento da democracia – no limite brumoso entre entoar semanalmente que a casa caiu ou conclamar à resignação porque tudo estaria dominado é dispensar-se de tatear as nuances da realidade nas lonjuras do alarmismo e do conformismo. Se tenho certeza de que o país que presta vencerá? Ora, temos sido vencedores em manter o embate no qual preservamos a memória do país que queremos ser.
É memória que impregna o futuro. Que, como toda certeza, não pode ser cicatrizada, mas manter-se ferida primordial e sangrante para que, nos cuidados com ela, sustentemos o combate que não nos deixa esquecer: não somos dominados.





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O nome da crise é o “Custo PT”. Enquanto essa gente estiver por aí, o país não sai da lama

REINALDO AZEVEDO
O conteúdo da delação premiada de Ricardo Pessoa, da UTC, que veio a público na edição de VEJA desta semana, é de estarrecer. O que se viu ali é a expressão da privatização não de estatais, com regras transparentes, mas do estado brasileiro. O PT se organizou, e já escrevi isso aqui tantas vezes, para ser uma espécie de gerente do capitalismo nacional. O partido, que sempre foi autoritário, posando de socialista, se juntou a um setor do empresariado, que sempre foi autoritário, posando de capitalista, e, juntos, promoveram o aggiornamento do patrimonialismo. Luiz Inácio Lula da Silva já é o maior coronel da história do Brasil. E isso, é óbvio, nada tem a ver com suas raízes nordestinas. Até porque ele é um coronel urbano.
O que a Operação Lava Jato, nos seus aspectos virtuosos — e há muitos aspectos viciosos também —, revela? Um partido que operou e opera com extrema intimidade com os potentados nacionais. Atenção! Estão sendo desvendadas as relações do partido com as empreiteiras — um setor que nunca gozou de boa reputação na imprensa porque constituiu, sem trocadilho, um dos pilares do regime militar, com a sua conhecida propensão para o concreto armado. A má fama, justa ou injusta, vem de lá.
E se fôssemos desvendar as outras intimidades? Será que as relações do PT com o setor financeiro sempre foram as mais republicanas? E com algumas expressões da agroindústria? E com alguns eleitos da área industrial propriamente?
A verdade é que, sob as vestes de um partido socialista e igualitário, o PT se aproveitou para tomar de assalto não apenas o estado, mas também o capital privado. Lula percebeu a fragilidade teórica dos nossos empresários. Lula percebeu que, com raras exceções, eles se deixam conduzir por um pragmatismo bronco e viam e continuam a ver o estado como extensão de seus interesses. Então o PT olhou para esses senhores e disse: “O estado financiador de grandezas é o caminho, e nós somos o pedágio”. E o empresariado topou pagar. Notem que todo o grande capital brasileiro estava “petista” até anteontem.
Nota à margem: é por isso que o PT odeia tanto a classe média — o que já foi vocalizado por Marilena Chaui e sua vassoura teórica. Lula não se conformava que os banqueiros gostassem tanto dele, que os empreiteiros gostassem tanto dele, que muitos empresários do setor industrial e agroindustrial gostassem tanto dele, mas não as camadas médias. Daí o ódio que petistas no geral tem ao Estado de São Paulo.
A origem
De onde vem isso? É claro que o PT assustava parte do empresariado brasileiro. Sabem como é… As pessoas levavam Lula a sério, embora ele próprio não se levasse — o que, felizmente, descobri quando tinha 16 anos. Contei aqui: já fui de esquerda, sim! Lulista, nunca! Sempre foi uma fraude como convicção. É um falastrão que contou com circunstâncias favoráveis, dono, isto sim, de notável inteligência para entender o jogo político. Ainda bem que é preguiçoso. Tivesse se instruído também, teria sido um perigo maior. Adiante.
O PT teve de assinar a tal “Carta ao Povo Brasileiro” em 2002, na qual se comprometia com os fundamentos da economia de mercado. Funcionou como um primeiro chamariz para empresariado. Aos poucos, setores do capital perceberam que Lula queria apenas ter a sua máquina no controle — e a muitos isso pareceu positivo, desde que pudessem fazer negócios. Um empresário realmente liberal tem, sim, por objetivo o lucro e a expansão dos seus negócios, mas segundo valores. Um empresário sem valores se contenta com o lucro e não vê mal nenhum em contar com um ente de razão como sócio — no caso, o PT.
O que é que a delação de Ricardo Pessoa revela senão isto? O PT se tornou um parceiro dos empresários, e, juntos, se apropriaram do estado. Não é que essa comunhão não renda benefício nenhum ao país. De tudo, como diria o poeta, sempre fica um pouco, também para os pobres. Aos trancos e muitos barrancos, o país avançou em alguns indicadores. Posso apostar que há muita gente que achava a tal parceria muito “natural”. Mas atenção: dentro das regras e sem roubalheira, teríamos avançado muito mais.
A conversão do PT à economia de mercado, em suma, tinha um preço. E amplos setores do empresariado brasileiro decidiram pagar apenas porque parecia positivo para os negócios. E tudo teria ido muito bem — porque, afinal, não há mal nenhum em que um governo mantenha uma interlocução com o capital — se essa parceria não tivesse se dado à custa da degradação institucional, da ilegalidade, do compadrio e da mais descarada e aloprada corrupção.
Não existe mais crise mundial. A crise é brasileira. E o nome da crise é o “Custo PT”. Enquanto essa gente estiver no poder, o país está condenado ao atraso. E ponto.




Por Reinaldo Azevedo
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"Lula herda a si mesmo",

por Ruy Fabiano Com Blog do Noblat - O Globo
Não tendo a quem acusar, Lula acusa sua sucessora, na tentativa de se descolar de um legado que o inviabiliza politicamente
Em sua palestra a religiosos, semana passada, Lula queixou-se do ambiente de ódio ao PT, que teria se instalado no país. Mencionou episódios de petistas vaiados e hostilizados em restaurantes e locais públicos – e até em hospitais.
Esqueceu-se apenas de um detalhe: de que tal ambiente é construção dele próprio e de seu partido, que, no poder, investiram na máxima maquiavélica de dividir para governar.
A fala de Lula deu-se dias após o 5º Congresso Nacional do PT, em que um dos temas era justamente “Um partido para tempos de guerra”. A guerra instalou-se com a posse de Lula, em cujos discursos a constante era o “eles”, as elites (da qual, diga-se, ele próprio e a cúpula do PT fazem parte), contra “nós”, o povo.
Ao adotar o discurso de vitimização do povo, indispunha os setores que o PT contemplava contra o restante da sociedade. Chegou ao extremo, na eleição passada, de tentar indispor São Paulo, que massacrou eleitoralmente o partido, contra o Nordeste.
Não percebia que, agindo assim, criava uma cilada contra si próprio, gerando focos de rejeição entre os não abrangidos pelo seu projeto de poder. A agressão perpetrada pela professora Marilena Chauí, na presença de Lula – que achou muita graça e aplaudiu –, contra a classe média, considerando-a “fascista, ignorante” e “uma abominação”, é um dos momentos mais patéticos desse processo.
Agressão despropositada e politicamente desastrosa, já que a estabilidade política se ancora exatamente na classe média - e por uma razão simples: não se trata de um todo homogêneo; ao contrário, é caleidoscópica, reunindo as mais diversas tendências político-ideológicas. Ao ofendê-la, a professora, um dos ícones do partido, conseguiu a façanha de uni-la – e atirar no próprio pé.
O PT, assim como a esquerda brasileira em seu conjunto, é bem mais classe média que proletário. Foi no ambiente de classe média dos intelectuais da USP e de outras academias que o partido foi gestado, ganhou corpo e chegou ao poder.
Lula é um mito da porção intelectualizada da classe média, que idealiza o operário, como Jean Jacques Rousseau e outros intelectuais europeus do século XVIII idealizaram o “bom selvagem”, a população nativa dos territórios colonizados. O mito é uma construção, um símbolo, não uma realidade.
Nada o desfaz mais rapidamente que a própria realidade. E esta se apresentou, nesta era petista, por duas vias, simultâneas e inapeláveis: a incompetência gerencial e a corrupção. O PT estruturou-se a partir de um discurso moralista, que tinha como palanques a imprensa e as CPIs.
Ali, transmitiu à sociedade – e especialmente à classe média – a convicção de que só a moralização político-administrativa daria jeito no país. Degolou, ao tempo em que era oposição, diversas lideranças políticas, culpadas ou inocentes (pouco importava), tendo em vista a construção de sua própria credibilidade moral.
Enquanto o fazia, ensaiava mensalões nos âmbitos municipais e estaduais onde já era governo. Santo André e Campinas, cujos prefeitos foram assassinados, em tramas políticas gestadas dentro do partido – e ainda carentes de maiores esclarecimentos -, precedem a chegada do PT ao poder federal. Os métodos se mantiveram, se expandiram e saíram do controle.
Hoje, o partido se vê às voltas com a polícia e o Judiciário. Parte de sua cúpula foi à cadeia. Outra parte deve segui-la. O próprio Lula admitiu, nessa mesma palestra aos religiosos, que “o próximo” (referia-se à prisão de seu amigo Marcelo Odebrecht) seria ele. Há dias, o advogado Maurício Ramos Thomaz impetrou habeas corpus preventivo contra eventual prisão de Lula.
Pode ter sido pegadinha, mas o simples fato de levantar dúvidas mostra a que nível chegou a credibilidade do ex-presidente. O PT é vítima do próprio veneno: investiu no discurso moralista e agora é seu principal alvo. A delação premiada de Ricardo Pessoa – que poupa Lula – evidencia as conexões criminosas do partido, suas relações incestuosas com as empreiteiras.
O governador de Minas, Fernando Pimentel, um dos políticos mais próximos de Dilma, enfrenta também o Código Penal, com escassas chances de sucesso. Sua vitória em Minas não apenas garantiu a de Dilma como serviu para a tentativa de desmoralização política de Aécio Neves, derrotado em sua própria terra.
O que se vê, no entanto, é que não se tratou propriamente de uma vitória eleitoral, mas de uma bem sucedida operação criminosa. Pimentel corre hoje o mesmo risco de sua amiga Dilma, de não concluir o mandato. O partido, que usou à exaustão a desculpa de “herança maldita”, é hoje herdeiro de si próprio.
Não tendo a quem acusar, Lula acusa sua sucessora, na tentativa de se descolar de um legado que o inviabiliza politicamente. Dilma, a “mulher sapiens”, é obra de Lula, não do PT, que teve que engoli-la. O país que entrega aos brasileiros é bem pior – econômica, política e moralmente – que o recebido das mãos de Fernando Henrique, ainda que este estivesse longe do ideal.
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"Venezuela",

por Ferreira Gullar FOLHA DE SÃO PAULO
Ninguém que leve a sério a democracia dirá que o governo da Venezuela é democrático. Não por causa do incidente recente com os senadores brasileiros; não, isso vem de longa data, pois quem o instalou foi o falecido Hugo Chávez, inventor dessa figura patética chamada Nicolás Maduro.
Chávez, no começo de sua aventura política, já mostrara quem era ao tentar chegar ao poder por meio de um golpe militar. Deu-se mal e mudou de tática: passou a explorar o antiamericanismo, inventou o tal socialismo bolivariano e prometeu ao povão tudo o que lhe faltava. No poder, tratou de desmontar a estrutura legal do Estado venezuelano e pôs nos lugares-chaves –Forças Armadas, Judiciário e Legislativo– gente sua. Já no final, pouco antes de adoecer gravemente, conseguiu que o Congresso aprovasse sua reeleição sem limites. 
Enfim, desejava perpetuar-se no poder até morrer. Por ironia do destino, o conseguiu.
Hugo Chávez era, sem dúvida, um líder político, coisa que Maduro não é; ainda assim, após a morte de Chávez, elegeu-se presidente da Venezuela e logo mostrou quem era: passou a dizer que conversa com Chávez tendo como intermediário um passarinho e, pouco depois, criou o vice-ministério para a "Suprema Felicidade do Povo". E como ainda assim sua popularidade vem caindo, inventou que os Estados Unidos estão se preparando para invadir a Venezuela e derrubá-lo. 
Diante de uma tal ameaça, pôs as Forças Armadas em prontidão. Parece piada, mas é a mais pura verdade.
Outra providência que toma frequentemente é mandar prender seus adversários políticos, sob qualquer pretexto, como, por exemplo, pregar a violência nas manifestações políticas. Como tem a Justiça nas mãos, decide e logo o adversário entra em cana. Pois bem, foram as mulheres desses presos políticos que vieram ao Brasil pedir, em nome dos princípios democráticos, a solidariedade dos políticos brasileiros a seus maridos, presos arbitrariamente. Um grupo de senadores da oposição decidiu ir a Caracas se solidarizar com os presos políticos venezuelanos e também sugerir ao presidente Maduro que marque a data das eleições para o Congresso, o que ele está adiando faz vários meses. Sabem por quê? Porque as pesquisas indicam que apenas cerca de 20% dos eleitores apoiam o seu governo.
Os senadores brasileiros seriam levados por um avião da Força Aérea Brasileira, mas, para isso, seria necessária a permissão do governo venezuelano, que não veio. Como o presidente do Senado considerou aquilo um desrespeito ao Congresso brasileiro, Maduro recuou e permitiu a ida do avião. Pensei cá comigo: o que ele vai aprontar agora? Sim, porque a última coisa que Maduro desejaria era a presença de senadores brasileiros na penitenciária onde estão presos os seus adversários políticos.
Ao chegar ao aeroporto de Caracas, o avião da FAB não recebia permissão para pousar. Afinal, a permissão foi dada. Durante o desembarque, mais complicações e dificuldades. Finalmente, com a presença do embaixador brasileiro, os senadores puderam deixar o aeroporto num micro-ônibus rumo à prisão onde estão presos os adversários políticos de Maduro. Um detalhe: o embaixador brasileiro não foi no mesmo carro, mas num outro, como se já soubesse, ou antevisse, o que iria ocorrer. E ocorreu: um grupo furioso de simpatizantes de Chávez e Maduro cercou o carro que levava os senadores, gritando e esmurrando os vidros do automóvel, impedindo-o de seguir adiante. Logo, os senadores souberam que as vias que conduzem à penitenciária estavam bloqueadas, por várias razões, sendo uma delas "para limpeza dos túneis". Claro, tudo mera coincidência, cujo resultado foi impedir a missão dos senadores brasileiros.
Diante de tamanha afronta a representantes do poder Legislativo brasileiro, que faz o governo da presidente Dilma? O Itamaraty emitiu uma nota considerando lamentável a ação dos manifestantes contra nosso senadores. Da chefe do governo, nenhuma palavra, como era de se esperar, uma vez que, na sua última viagem à Europa, perguntada o que achava das arbitrariedades do governo Maduro, respondeu: "Muita gente gostaria que virássemos as costas para a Venezuela, como foi feito com Cuba".
Não é preciso dizer mais nada.
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"Sozinha à beira do abismo",

por Bernardo Mello Franco Folha de São Paulo
 A delação de Ricardo Pessoa empurrou Dilma Rousseff de volta para a beira do abismo. Desde os protestos de março, o governo nunca pareceu tão frágil, e o desfecho da crise, tão incerto.

O chefe do "clube das empreiteiras" transferiu a delegacia da Lava Jato para o Palácio do Planalto. Em uma só tacada, envolveu dois ministros no escândalo, os petistas Aloizio Mercadante e Edinho Silva, e lançou suspeitas sobre o financiamento das duas campanhas que elegeram Dilma, em 2010 e 2014.
Segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", Pessoa ainda entregou aos procuradores uma planilha com título autoexplicativo: "Pagamentos ao PT por caixa dois". Se comprovados, os repasses podem desmontar o discurso do partido de que a prática de receber dinheiro em espécie ficou para trás com o mensalão.
De quebra, o delator acrescentou um novo verbete ao dicionário da corrupção, ao relatar que o tesoureiro João Vaccari se referia à propina como "pixuleco". Nos últimos dias, o partido voltou a pedir a libertação do ex-dirigente preso, alimentando os rumores de que ele está ameaçando romper o pacto de silêncio.
Ninguém mais questiona a gravidade da situação. Entre sexta e sábado, Dilma convocou duas reuniões de emergência no Alvorada, atrasando a aguardada viagem oficial aos Estados Unidos. Passará a visita de quatro dias com a cabeça no Brasil, onde sua base se desmancha e a oposição tenta ressuscitar o fantasma do impeachment.
O repique da crise encontra a presidente mais fraca e mais sozinha, pouco depois de bater novo recorde de impopularidade no Datafolha. Enrolado em seus próprios problemas, Lula ensaia um afastamento e sinaliza que não saltará do precipício com ela. O PMDB retomou o clima de ameaças, lideradas pelo presidenciável Eduardo Cunha. As citações a Mercadante e Edinho fragilizam a blindagem que resta, a das paredes e janelas do palácio.
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"Confusão proposital",

por Merval Pereira  O GLOBO
É patética a tentativa do PT e de seus aliados na rede mídiática financiada pelo governo de confundir alhos com bugalhos, colocando na mesma cesta os políticos financiados pelo dinheiro corrupto desviado da Petrobras e outros, também financiados pela empreiteira UTC de Ricardo Pessoa.

Como as doações foram feitas para políticos de vários partidos, querem fingir que todos deveriam ser criminalizados ou absolvidos, o que é uma besteira. Os políticos de qualquer partido que tiverem recebido dinheiro do caixa 2 para suas campanhas eleitorais merecem punições da legislação eleitoral.

Pode ser o caso do senador do PSDB Aloysio Nunes Ferreira, que nega ter recebido R$ 200 mil em dinheiro, mas declarou R$ 300 mil de doações da Constran, uma subsidiária da UTC. Como Aloysio na ocasião das doações tinha nas pesquisas 2% de intenções de votos e estava em sétimo lugar nas pesquisas para Senador em São Paulo, candidato por um partido de oposição, as doações certamente só poderiam ser feitas por amizade, e não por interesse em sua atuação. Em nota, ele atribuiu as doações à amizade com um executivo da Constran.

Outro caso é o do deputado Júlio Delgado, do PSB, que teria recebido R$ 150 mil da UTC para ajudar a melar a CPI da Petrobras. Além de se sentir um otário, pois, segundo delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa o ex-presidente do PSDB já falecido, Sérgio Guerra, teria recebido R$ 10 milhões para o mesmo fim, Delgado, se ficar provado que agiu de má-fé nesse sentido, merece punição grave da Câmara, até mesmo ser cassado por falta de decoro.

O fato de os dois pertencerem a partidos de oposição que aparecem na lista não anula as acusações contra os petistas e os aliados do governo. O que é preciso buscar é a razão por que candidatos receberam dinheiro da empreiteira, legal ou ilegalmente. O caminho mais simples é identificar quais políticos teriam condições de ajudar a UTC a ter vantagens no governo petista ou, mais especificamente, na Petrobras.

Certamente políticos de oposição não podem entrar nesta lista, o que faz com que a seleção natural dos culpados por desvios de dinheiro dos contratos da Petrobras e suas subsidiárias leve aos candidatos do PT e dos aliados do governo.

Por isso, não tem a menor importância que a UTC tenha dado milhões de reais para a campanha de Aécio Neves a presidente. É claro que o interesse nesse caso era o de garantir simpatia, caso a oposição vencesse as eleições. Aliás, essa distribuição de dinheiro sem critérios programáticos é uma das correções que devem ser feitas na regulamentação do financiamento privado das campanhas eleitorais. Não é possível permitir que a mesma empresa doe para diversos partidos e candidatos na mesma eleição.

A mesma lógica torta aparece para tentar desqualificar o processo do Tribunal de Contas da União (TCU) contra a presidente Dilma. Na delação premiada de Ricardo Pessoa, ele revelou que deu uma mesada de R$ 50 mil ao filho do presidente daquele órgão Aroldo Cedraz para receber informações privilegiadas sobre os processos que interessassem à empreiteira.

Ora, mesmo que se prove verdadeira a acusação, ela não invalida o trabalho dos técnicos do TCU sobre as contas do governo Dilma, nem tem o condão de desfazer as “pedaladas” fiscais e os crimes contra o Orçamento realmente praticados.

Esse raciocínio de má-fé leva a que, no extremo, chegue-se à inviabilização de um eventual processo de impeachment da presidente Dilma por que há políticos notoriamente corruptos no Congresso. Talvez seja mesmo esse o objetivo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Todos os corruptos, seja de que partido forem, merecem punições de acordo com o que praticaram.

Na corrupção da Petrobras, não há como retirar do PT a culpa original, e dos partidos aliados do governo uma co-autoria com direito a altas somas. Basta lembrar que Ricardo Pessoa declarou em sua delação premiada que o grupo do senador Fernando Collor recebeu nada menos que R$ 20 milhões de comissão por uma obra na BR Distribuidora.






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