Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O presidente de 2015 tem de acordar -

#vamosmudarbrasilia

VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP -

Cofre do governo esvazia, outro sinal de 'fim de modelo'; transição política será também difícil


NO ANO QUE VEM, o governo terá tão pouco dinheiro quanto neste 2014. Será ainda o terceiro ano de reajuste reduzido do salário mínimo, de crescimento mais reduzido do emprego, se não de algum desemprego, de inflação além de 6%, o que não pega bem entre o eleitorado.

Enfim, será um ano de vazio na caixinha de mágicas e milagres que vinha permitindo ao governo minorar a dureza da vida de ao menos metade da população e subsidiar empresas de modo a evitar uma paradeira de fato na economia.

Esta é uma perspectiva neutra de 2015, digamos, caso em que não se toma medida mais drástica a fim de corrigir os desarranjos mais elementares da economia. Mas, politicamente, já não cheira bem, a princípio.

A princípio, pois política não é aritmética econômica. Em 2003, o Brasil namorava o colapso e as condições materiais de vida eram muito piores, mas o eleitorado tinha confiança em Lula da Silva e na melhoria econômica --é o que diziam as pesquisas de então.

Os tempos parecem outros, porém. Tivemos uma década de expectativas aumentadas de melhorias. Há muito adulto que não conheceu a vida de crises do final do século passado. Anos de democracia e as administrações do PT, goste-se ou não delas, mudaram os termos da conversa entre pobres e governo; a conversa em geral sobre pobreza. A tolerância com "políticos" anda baixíssima. A população é mais educada, conversa pelas redes, tem mais voz e ouvidos políticos.

Dada a melhora das condições de vida, parece que seria menos difícil administrar as insatisfações dos períodos de baixa econômica. Mas nem isso. Mudamos. Se precisávamos de um exemplo, considere-se julho de 2013 e seus estilhaços.

Isto posto, o que os candidatos têm a dizer ao eleitorado, o que decerto vai influenciar os cidadãos sob o novo governo? A pequenez dos discursos, mais do que decepcionar, preocupa. Há um problema sério de expectativas para "administrar", econômicas e, mais desprezado, políticas.

As dificuldades do próximo governo já estão salientes no final mesmo deste. Note-se o esfriamento do mercado de trabalho, um dos dois últimos esteios "econômicos" do prestígio oficial (o outro são os programas sociais). Note-se agora o definhamento da receita de impostos, que já não bastava para bancar o gasto social ou qualquer outro.

A receita do governo federal não cresceu quase nada neste ano, até maio. As contas não estavam tão estouradas desde meados da década passada, quando no entanto o país pagava uma conta de juros muito maior. O governo gastou o que não tinha a fim de manter uma estabilidade, quase-estagnação, precária.

A receita não cresce porque a renda do país, o PIB, quase não cresce, porque o governo reduziu impostos cobrados de empresas, porque o nível de emprego cresce (e crescerá) devagar, porque o ritmo de formalização da economia diminuiu (entra menos dinheiro de empresas e salários que não pagavam impostos porque eram "informais").

Raspa-se o resto do fundo do tacho do "modelo", ou seja lá como se chame o que foi feito nos últimos cinco anos. Um governante de visão e convicções tem de explicar como vamos chegar a um acordo para sair disso.


fonte - avarandablogspot

As brancas elites -

ARNALDO JABOR

O GLOBO -

Eu sou da elite branca. Infelizmente, nasci com olho azul, herança de sangue alemão temperando meu lado sírio libanês, o que talvez me faça ser da elite árabe ou suspeitosamente palestino e portanto antissemita e jihadista ?

Ou serei nazista? De parte de mãe, meu sobrenome é Hess. Serei parente do Rudolph Hess - um dos carrascos do Terceiro Reich? Quer dizer: será que eu sou um daqueles que estimulam setores reacionários a maldizer os pobres e sua presença nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes , como afirmam petistas graduados? Será que eu desejo mesmo que os pobres morram de fome, como disse Dilma, porque a elite branca não suporta ver mulheres e crianças melhorando de vida ?

Por que sou tão malvado? Preciso fazer um exame de consciência. Mas antes vamos continuar a analisar esse termo vago: elite branca. Evoca doenças antigas, como flores brancas, peste branca .

Um comunista clássico diria classe dominante , mas Lula é um simplificador de categorias.

Lula inventou o termo, obedientemente repetido por Gilberto Carvalho. Esse termo é propositadamente impreciso, de modo que sirva de carapuça para todos os opositores. Lula sabe fazer bem um sarapatel de conceitos marxistas para o povão entender. Discorda? Elite branca.

E elite ? Essa palavra sempre foi muito usada por Lula, para engrandecer sua ignorância pessoal, para desovar sua inveja de gente que teve a sorte de estudar (Ex: FHC, sua obsessão).

E branca ? Há um claro racismo nisso aí. Brancos não são classe, são raça. Será que existe uma elite afrodescendente? Ou uma elite caucasiana? Não haverá cotas raciais para as elites? Afinal, e as elites pardas, onde ficam? E a elite amarela, elite índia? Não há elite preta, claro, pois Lula decretou que os pretos são pobres e bons. Branco é ruim? E os brancos que ajudam o PT como aliados? Sarney, Renan serão da elite branca e portanto malvados? Não; para Lula, eles são agentes duplos da elite branca e usados pelo PT para combatê-la. E são puros e bons os que roubaram e foram presos pelo Joaquim do STF? Claro, bons revolucionários injustiçados. Ele obviamente deve ser chefe de alguma elite negra secreta e pode ser merecidamente ameaçado de morte. Como seria essa malévola elite negra?

Digamos que o termo elite branca tivesse sido usado pelo ministro Joaquim; ele seria trucidado por racismo, sem dúvida. E se o Gilbertinho ou o Lula fossem pretos, eles usariam o termo? Não. Seria inconveniente politicamente. É muito melhor que eles sejam brancos e assim possam atacar brancos porque, apesar de o serem, estão do lado dos negros que sofrem no país todo . Ou seja, são brancos mas são bons, são brancos que não temem condenar os maus brancos. Por exemplo, não havia pretos pobres nas arenas porque a terrível elite branca é que concordou com os preços da Fifa. Ou foi o Lula, que topou tudo desde 2008?

Lula é um mestre em inventar termos úteis para desfigurar a verdade. Ele não tem o menor pudor disso, porque sabe que os pobres não sabem nada e engolem tudo que ele diz. Pobre pensa que dossiê é doce de batata! - ele falou com desdém no escândalo do dossiê dos aloprados, lembram? Havia negros entre os aloprados? Não, mas eles não eram brancos da elite - talvez fossem aloprados (militantes esforçados, mas, trapalhões... coitados) da ralé branca .

Outro dia, o Lula bradou: A elite brasileira está conseguindo fazer o que nunca conseguimos: despertar o ódio de classes . Este ato falho de Lula é sensacional. Tradução: sempre quisemos despertar o ódio de classes, mas nunca conseguimos. Mas, eis que vem a elite branca e consegue!

Ou seja, a elite branca é capitalista-leninista , quer a luta de classes contra o pobre PT, com seus militantes desvalidos, proletários oprimidos. Lula, que culpou os brancos de olhos azuis pela crise econômica mundial, só pensa em dividir os brasileiros entre nós e eles . É uma paranoia programada: a técnica de vitimização que funciona bem para ditadores que se dizem sempre defensores do povo - suas vítimas.

Todo mundo é responsável pelos anos de governo do PT, menos o PT.

Fascina-me a caradura com que condenam o passado, se eles são o passado. Estão aí há 12 anos e só conseguiram o caos. Mas a culpa não é deles, claro. Nunca. Através de mentiras revolucionárias vão aos poucos fulanizando os escândalos, como, por exemplo, na Petrobras. Segundo Gabrielli e seus colegas, houve erros passageiros, como Pasadena e Abreu e Lima, que ficaram um pouco caras... (só US$ 20 bilhões)... Graças a CPIs fajutas, ninguém jamais saberá como era o esquema entre os políticos de apoio e a Petrobras.

E os milhões desviados desde o mensalão, que foram um troco, comparados com os bilhões ainda lá fora, tirados dos fundos de pensão revolucionários ? E a inflação? Quando haverá correção monetária para o Bolsa Família?

Mas o perigo máximo é o programa ideológico que traçaram para o país. Não querem governar. Querem mudar o Estado. Se conseguirem, seremos jogados num bolivarianismo abrasileirado que acabará desmanchando nossas instituições já abaladas. Isso é o óbvio, mas tem de ser repetido! Pena que o povo não entenda porra nenhuma.

Se não, vejamos:

Em 1985 o PT foi contra a eleição de Tancredo Neves e expulsou deputados que votaram nele. Em 1988, votou contra a Constituição. Em 1994, votou contra o Plano Real, dizendo que era eleitoreiro. Em 1996, votou contra a reeleição, que hoje defende. Depois, em 1998, foi contra a privatização da telefonia, hoje com 200 milhões de linhas. Depois, foi contra a adoção de metas para a inflação. Em 2000, luta ferozmente contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que obriga os governantes a gastarem apenas o que arrecadam. O Proer, que nos salvou, impedindo a quebradeira dos bancos em 2008, foi demonizado. Quando FHC criou o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e o Vale Gás, o PT foi contra, dizendo que eram esmolas eleitoreiras. Ou seja, o PT se acha uma elite vermelha, mas não passa de uma reles elite branca.
FONTE -AVARANDABLOGSPOT

Agora sem Copa, cidades buscam soluções para arenas

#vamosmudarbrasilia
RAPHAEL RAMOS - Agência Estado

A Copa do Mundo acabou. Pelo menos para Curitiba, Cuiabá, Natal e Manaus, que não terão mais partidas do torneio. Cada uma dessas cidades recebeu quatro jogos da primeira fase do Mundial e viveu dias de efervescência. O balanço oficial feito pelos governantes é que o Mundial foi positivo e trouxe benefícios aos municípios.
O público total das 16 partidas realizadas nesses estádios foi de 634.102 torcedores, média de 39.631, número muito distante da realidade dos campeonatos regionais. Agora, de volta à rotina, os governantes buscam soluções para as arenas. A próxima cidade a se despedir da Copa é Recife, que recebe neste domingo Costa Rica x Grécia, pelas oitavas de final.
Em Curitiba, a Arena da Baixada se tornou um enorme desafio para o Atlético Paranaense. A diretoria planeja operar o estádio com média de público próxima à capacidade total, de 43 mil torcedores. As receitas de bilheteria serão decisivas para o clube conseguir honrar os empréstimos feitos durante o período das obras. "A parte mais difícil vem depois da Copa do Mundo, que é pagar a conta", admitiu o presidente Mauro Celso Petraglia.
A previsão inicial era de que a reforma da arena custaria ao clube R$ 135 milhões, mas o valor saltou para R$ 330 milhões. O Atlético tenta dividir a conta com o governo do Estado e a prefeitura de Curitiba, mas ainda não resolveu o impasse.
Como a reforma atrasou, o estádio foi entregue incompleto à Fifa para a Copa do Mundo. Agora, o Atlético vai ter mais gastos para terminar a obra e ainda fazer os trabalhos de adaptação da arena às necessidades do clube.
EM MANAUS - O futuro da Arena Amazônia preocupa. O governo do Estado, proprietário do estádio, já contratou uma empresa que deverá apresentar nos próximos meses um estudo com as opções mais viáveis de utilização do espaço.
Atualmente há duas possibilidades: o Estado continua com o estádio e apenas repassa a operação para a iniciativa privada ou abre licitação para concessão integral durante o período de 20 anos. Um dos principais entraves da operação é o alto custo de manutenção, estimado em aproximadamente R$ 500 mil por mês.
O destino do estádio, inclusive, é motivo de muita polêmica em Manaus. O Tribunal de Justiça do Amazonas já chegou a sugerir que a arena seja transformada em um centro de triagem de presos. Há quem defenda que o estádio, que custou quase R$ 670 milhões, seja vendido.
EM NATAL - Natal já faz planos para o seu estádio depois do Mundial. Com a retirada das arquibancadas provisórias, a Arena das Dunas terá sua capacidade reduzida de 40 mil para 31 mil espectadores. A ideia é não deixar o estádio com muitos lugares vazios em dias de jogo, já que ABC e América, os dois maiores clubes do Estado, têm médias de público baixas.
No primeiro semestre, a média no estádio foi de pouco mais de 6 mil torcedores por jogo. Assim, o governo planeja levar shows de grande porte para a cidade, a fim de manter a arena ocupada. "O Rio Grande do Norte tem o cenário propício para grandes eventos internacionais, que têm força para impulsionar o desenvolvimento do turismo", apostou o secretário de Esportes, Joacy Bastos.
Pelos próximos 20 anos, o local será administrado por uma Parceria Público Privada (PPP) entre o Estado e a concessionária responsável pela obra.
EM CUIABÁ - O secretário extraordinário da Copa no Mato Grosso, Maurício Guimarães, chegou a dizer que, se tivesse de dar uma nota para o desempenho de Cuiabá no evento, "sem dúvida seria dez", apesar de muitas obras de mobilidade urbana não terem sido concluídas. "A Copa do Mundo no Estado de Mato Grosso passou muito longe do fracasso que todos acreditavam que seria. Não houve necessidade de um plano B", disse.

O desafio dos mato-grossenses agora é não deixar que a Arena Pantanal se transforme em um elefante branco. Já na última quinta-feira, um dia depois do último jogo da Copa no estádio, o processo de licitação da arena para concessão à iniciativa privada foi iniciado. Também caberá ao governador Silval Barbosa (PMDB) conduzir negociações para levar jogos do Campeonato Brasileiro para Cuiabá nos próximos meses. Tudo para não deixar o estádio sem utilidade.
fonte - bolsadedinheiroblogspot

TCU responsabiliza Dilma e gestores da Petrobras por U$ 126 milhões de prejuízo para o país na compra de Pasadena.

#vamosmudarbrasilia
Um relatório inédito da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) indica que os gestores da Petrobras causaram um dano de pelo menos US$ 126 milhões aos cofres da estatal por terem desconsiderado um laudo de avaliação da refinaria de Pasadena, elaborado por uma consultoria contratada pela própria companhia e com apontamento de um preço do empreendimento inferior ao que acabou sendo pago. 

O documento do TCU, obtido pelo GLOBO, cita ainda que a estatal declarou ter pago US$ 170 milhões pela metade de um estoque que não valeria US$ 66,7 milhões.

Os auditores do TCU consideram que, no caso dos estoques, há indício de irregularidade na maneira como a Petrobras tratou do assunto. A estatal informou ao mercado que pagou os US$ 170 milhões por estoques de produtos que estavam na refinaria na época da compra. Mas, ao analisar os detalhes do contrato, os auditores dizem que essa cifra efetivamente paga e declarada ao mercado não tinha relação com os estoques. Era de outra natureza, fazia parte de ajuste de preço na transação comercial.

Os indícios de irregularidades são citados no primeiro parecer técnico elaborado pela Secretaria de Controle Externo (Secex) de Estatais do TCU, responsável pelo amplo pente-fino realizado no processo de compra da refinaria de Pasadena, no Texas. O procedimento foi instaurado em fevereiro de 2013, sob a relatoria do ministro José Jorge. Em 27 de novembro, o diretor da Secex Bruno Lima Caldeira, supervisor da fiscalização, concluiu um documento de 17 páginas com apontamentos de indícios de irregularidades na aquisição de Pasadena.

GESTORES ‘CONHECIAM’ PARECERES

Trata-se de um “exame técnico” preliminar, a partir das primeiras descobertas das equipes de auditoria. As investigações prosseguem até a conclusão do relatório final, que será submetido ao gabinete do ministro para, então, ser apreciado em plenário. A Petrobras continua fornecendo diversos documentos para tentar derrubar os indícios de irregularidades.

No documento, é possível saber pela primeira vez — todo o processo é sigiloso — quem são os gestores listados no rol de supostos responsáveis pelo negócio. Os integrantes do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva da Petrobras na ocasião da aprovação da compra, em 2006, são listados como responsáveis a serem investigados. Entre eles, estão a presidente Dilma Rousseff, que presidia o conselho quando era ministra da Casa Civil; o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli; e os ex-diretores Nestor Cerveró, da Área Internacional, e Paulo Roberto Costa, de Abastecimento, este último preso no Paraná por conta de supostos desvios e lavagem de dinheiro de obras da estatal.

O nível de responsabilidade dos conselheiros na compra da refinaria é um dos pontos analisados pelas auditorias. O relatório da Secex Estatais cita, na página 5, que conselheiros e diretores “tinham conhecimento” dos pareceres da Área Internacional sobre a compra da refinaria. Um desses pareceres foi “um dos principais instrumentos técnicos de persuasão que levaram tanto a Diretoria Executiva quanto o Conselho de Administração a aprovarem a primeira oferta para a compra de 70% das ações da refinaria”.

O parecer da Área Internacional mencionava a consultoria Muse Stancil, que avaliou Pasadena por um preço inferior ao valor efetivamente pago. Anexado a esse parecer estava o documento da área jurídica da Petrobras que analisou a compra da refinaria. No documento, é citada a existência da cláusula contratual de put option, que obrigava a aquisição integral do empreendimento em caso de litígio.

A versão da presidente Dilma é de que o aval à compra de 50% da refinaria ocorreu por conta de um “parecer falho” elaborado por Cerveró. Ele omitiu do sumário executivo levado à reunião do conselho a existência da put option e de outra cláusula contratual, a marlim, que garantiria dividendos mínimos à Astra em caso de prejuízos. Dilma alegou não ter tomado conhecimento de nenhuma das duas cláusulas.

A auditoria do TCU sustenta que os conselheiros decidiram pela compra da primeira metade da refinaria com base em estudo de viabilidade técnica e econômica elaborado pela Petrobras, que apontou um valor de US$ 745 milhões a Pasadena. Mas, ressalta o primeiro exame técnico do TCU, eles também tinham conhecimento do parecer da Área Internacional com a citação à consultoria Muse Stancil. O valor a ser pago por 100% da refinaria, no estado em que se encontrava em janeiro de 2006, era de US$ 126 milhões, conforme o laudo de avaliação da Muse citado na auditoria.

“Fica constatado indício de irregularidade grave na prática de gestão de ato antieconômico por parte dos gestores da Petrobras que, ao desconsiderarem laudo elaborado pela Muse, compraram 50% da refinaria por US$ 189 milhões, resultando injustificado dano aos cofres da companhia no montante de US$ 126 milhões”, cita o parecer técnico. Com os estoques, o valor desembolsado na primeira metade de Pasadena foi de US$ 360 milhões. Após uma longa disputa arbitral e judicial, os outros 50% do empreendimento foram adquiridos pela Petrobras, que desembolsou ao todo US$ 1,249 bilhão.

O “erro de estratégia” na compra da primeira metade foi admitido em relatório da área técnica da estatal, conforme o documento do TCU. Os técnicos reavaliaram em 2010 o estudo de viabilidade econômica e concluíram que deveriam ter sido consideradas “possíveis diferenças de pontos de vista entre comprador e vendedor”.

O relatório do TCU considera “inadmissível” a concessão da Petrobras à Astra de uma receita bruta de comercialização dos estoques de US$ 170,2 milhões. “O pagamento dessa alocação especial foi garantido mesmo que as receitas brutas da trading fossem insuficientes”, cita o documento.

Cláusulas contratuais, ainda segundo o parecer, corroboram que o valor pago não correspondia aos estoques da época. "O valor encontrado pela Astra para o inventário líquido a ser pago pela Petrobras seria de US$ 66,7 milhões. Em nenhuma situação haveria pressuposto para um pagamento de US$ 170 milhões por conta da aquisição dos estoques."

O parecer faz duras críticas às condições em que foi estabelecida a cláusula contratual de put option, que teriam sido favoráveis apenas à Astra. Os pagamentos por estoque da refinaria, decorrente da aplicação da cláusula, teriam levado a um prejuízo de US$ 150,2 milhões. Pagou-se por um bem que não existia, segundo a Secex. Ainda conforme o relatório, o valor pago na entrada do negócio chegou a US$ 644 milhões, superior aos US$ 360 milhões informados pela estatal.

O entendimento técnico do TCU é de que a Petrobras deveria ter “partido diretamente para a arbitragem” na compra da segunda metade da refinaria. Uma carta de intenções elaborada por Cerveró fez a proposta de US$ 700 milhões pelos 50% restantes. “O laudo arbitral fixou o valor referente ao put option da refinaria em US$ 300 milhões, menos da metade do que o senhor Nestor Cerveró aceitava pagar pela via negocial.” A segunda metade da refinaria, depois de uma longa disputa judicial, saiu por US$ 820,5 milhões.

TCU QUER MAIS ESCLARECIMENTOS

O relatório conclui que o “elevado grau de complexidade” demanda maiores esclarecimentos por parte da Petrobras, antes de um pronunciamento definitivo da unidade técnica sobre os indícios de irregularidades. Somente depois dessas explicações é que a unidade deliberaria sobre pedido de audiência dos responsáveis ou abertura de tomadas de contas especiais para pedido de ressarcimento aos cofres públicos.

A decisão de realizar uma audiência — o que pode ocorrer com a presidente Dilma — é do ministro relator do processo, José Jorge. A opção pela audiência indica que o responsável não tem culpa por danos financeiros, mas por má gestão ou por uma determinada irregularidade, o que acarretaria a aplicação de multa. A necessidade de ressarcimento, por sua vez, leva à citação dos investigados.

José Jorge tem mantido o silêncio sobre o processo. Não há previsão de quando ele receberá o relatório final, elaborará o voto e levará o processo a plenário. O ministro se aposenta em novembro. Ele é ex-senador pelo PFL (hoje DEM) de Pernambuco, foi candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006 e ministro de Minas e Energia no fim do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ocasião em que presidiu o Conselho de Administração da Petrobras.

Por conta do processo que conduz no TCU, José Jorge entrou no foco dos governistas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista da Petrobras. Eles querem convocá-lo para um depoimento sobre supostas irregularidades cometidas no período em que esteve à frente do conselho da estatal.

O GLOBO procurou a assessoria de imprensa da Petrobras no início da tarde de ontem, mas não houve resposta aos questionamentos até o fechamento desta edição. (Link O Globo)

fonte - coturno noturno

Na Copa da economia, Brasil ja entrou perdendo

#vamosmudarbrasilia
Ilan Goldfajn
O Globo - O Estado de São Paulo
Não foi nos últimos seis minutos da virada espetacular da Holanda que o México começou a perder o jogo. Começou quando o treinador mexicano Miguel Herrera substituiu o atacante Giovani dos Santos e recuou exageradamente o time. Ele deixou de querer mais e perdeu a vantagem no placar. Acabou perdendo também a chance histórica de classificar o México para as quartas de final da Copa do Mundo.
Na economia deixamos de querer mais já há algum tempo. Os jornais do fim de semana comemoraram os 20 anos do Plano Real. O plano foi um marco, saímos da inflação alta e começamos a enxergar o futuro. Mas anos depois, faltou dar-lhe sequência. Alguns mecanismos de indexação persistiram, o gasto público nunca parou de crescer, e nos contentamos em manter o centro da meta de inflação em 4,5% (para que baixar mais?). O tempo foi passando e fomos recuando. Introduzimos novos mecanismos de indexação, nos acomodamos no teto da meta de inflação (6,5%) e reintroduzimos controles de preços que nunca funcionaram no combate à inflação (na verdade, só pioraram). 
Com o time recuado, começamos a duvidar da sua qualidade. A inflação ainda é alta... deve ser algum problema estrutural. Os juros sobem e a inflação permanece alta... deve ser a falta de eficácia da política monetária. Afinal, vivemos um paradoxo: a inflação hoje é alta e a atividade fraca (como pode haver inflação numa economia fraca?).
De fato, a inflação ronda o teto da meta de 6,5%, apesar do controle de preços administrados, cuja inflação é de apenas 4,1%. No mês de junho a inflação nos últimos doze meses atinge 6,5% e deve ficar acima do teto da banda até dezembro. Para os próximos anos, as expectativas são de inflação ainda alta. A inflação esperada calculada a partir dos títulos indexados encontra-se em 5,9% para os próximos anos. A pesquisa Focus mostra que as expectativas para 2015 estão em 6,1%.
E a atividade vai na direção contrária. O sinal é inequívoco. Um conjunto amplo de indicadores coincidentes para o segundo trimestre — incluindo, entre outros, indicadores para a produção industrial, setor de serviços, demanda por crédito e confiança de empresários e consumidores — aponta para uma retração da atividade econômica (projetamos queda de 0,2%). Assim, no primeiro semestre a economia deve ter estagnado. Os índices de confiança de empresários e consumidores atingiram os menores níveis desde a crise financeira internacional.
O Banco Central (BC) baixou a projeção de crescimento para 1,6% em 2014 no último Relatório de Inflação. Mas com o resultado mais fraco do PIB no primeiro trimestre, bem como esta perspectiva para o segundo trimestre e a análise dos fundamentos econômicos, vai ser difícil a economia conseguir crescer acima de 1% em 2014. É necessária uma recuperação vigorosa no segundo semestre para alcançar essas projeção (uma queda da atividade de -0,2% no segundo trimestre requer uma recuperação de 0,5% por trimestre para a economia ainda crescer 1% neste ano).
A verdade é que não há paradoxo. A princípio, qualquer fenômeno que venha a reduzir a oferta tende a diminuir a produção enquanto eleva os preços. Uma queda da produtividade da economia leva à atividade fraca e inflação alta. O mesmo ocorre quando há uma queda dos termos de troca (preços de exportação sobre importações). Ambos parecem ter afetado a economia brasileira nos últimos anos.
Mas mesmo sem choques de oferta, seria difícil espantar-se com a resistência da inflação. A subida recente de juros ocorreu após uma forte queda nos últimos anos, uma parte é apenas correção de rumos. E, quando vista em conjunto, a política econômica não tem contribuído plenamente para a queda da inflação.
O problema é que apenas um jogador ficou na frente: o Banco Central. O combate à inflação é um jogo de equipe. O aumento de gastos e a queda do superávit primário do governo, associados a incentivos ao consumo privado, têm prolongado o descompasso entre a demanda e a oferta no País.
Nos últimos anos, o superávit primário caiu de 3 a 4% do PIB para 1 a 2%. Em maio, o déficit primário atingiu 11 bilhões (2,5% do PIB), e o acumulado em 12 meses, 1,5%. Estimamos que o superávit recorrente - aquele que é sustentável - atingiu apenas 0,5% do PIB. Neste ano, com a queda da arrecadação devido à atividade mais fraca, será muito difícil atingir a meta fiscal de 1,9%.
 O uso de controles de preços para combater a inflação tem sido um verdadeiro gol contra. Controles mantêm acesa a perspectiva de reajustes de preços administrados no futuro. Não se acredita na queda futura da inflação, apesar da atividade fraca. Com expectativas de inflação em alta, é mais difícil reduzir a inflação corrente (quem quer abdicar de reajuste com perspectiva de inflação em alta?). 
Mas o jogo não está perdido. Longe disso. Estamos distantes das ameaças hiperinflacionárias de décadas atrás. E a sociedade fica incomodada com as altas de inflação que reduzem o seu poder de compra, atuando como um verdadeiro imposto regressivo.
Para a frente, apesar de teoricamente possível, não acredito na persistência prolongada da inflação alta, com queda da atividade. Os preços livres vão acabar cedendo e afetando a inflação. Mas a política econômica tem de atuar em conjunto com um objetivo bem definido. E é importante atuar nas expectativas para reduzir o custo da desinflação. Para isso é necessário desembaraçar a questão dos preços administrados para evitar manter as altas expectativas de inflação. Afinal, tem de querer para avançar.

Ilan Goldfajn é economista-chefe e sócio do Itaú Unibanco.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Nós, do Exército Brasileiro!

#vamosmudarbrasilia
Fomos nós, do Exército Brasileiro, que lutamos nos Guararapes contra o invasor holandês, justificados e motivados pelo sentimento de pátria que o amálgama de raças e o amor à terra fazia surgir.

Fomos nós que asseguramos a Independência, que lutamos na Cisplatina e que defendemos a honra, os interesses, a soberania e o patrimônio da Pátria nas guerras e conflitos internos que abalaram, ameaçaram e fixaram nossas fronteiras e asseguraram a unidade nacional.

Fomos nós que, aliados a antigos adversários, fizemos malograr as intenções expansionistas de Solano Lopes.

Somos nós, do Exército Brasileiro, que temos na consciência o peso da participação na derrubada do Império e que conhecemos a responsabilidade que nos cabe na instauração desta República que, até os dias de hoje, envergonha a história política do Brasil.

Fomos nós que lutamos em Canudos, no Contestado e na 1ª Grande Guerra Mundial. Fomos nós que, ao morrermos movidos pelos ideais "tenentistas", escrevemos a epopeia dos "18 do Forte"

Fomos nós, do Exército Brasileiro, que ajudamos a colocar Getúlio no poder e não o impedimos de implantar o Estado Novo.

Somos os mesmos que, em 35, sofremos na carne a traição e a agressão assassina de comunistas fardados, falsos camaradas, idiotizados pelo internacionalismo vermelho.

Fomos nós que lutamos na Itália e que trouxemos de lá lauréis de bravura e de abnegação que refletem nosso exacerbado amor à  liberdade e à justiça.

Somos os mesmos, os do Exército Brasileiro, que, emMARÇO DE 1964, assumimos a liderança do clamor popular que repudiava a ameaça comunista que, mais uma vez, nos rondava às escâncaras e à sorrelfa, pregando mentiras e preparando o golpe de morte aos valores pelos quais sangráramos em guerras e revoluções.

Fomos nós, do Exército Brasileiro, que lutamos nas matas do Araguaia contra uma guerrilha de lunáticos, preparados por fanáticos da utopia comunista e liderados por falsos profetas que pregavam o ódio e exploravam desigualdades e injustiças que nunca pretenderam ou seriam capazes de corrigir.

Somos os mesmos que,  atônitos, vimos surgir nos grandes centros a ação deletéria, covarde e assassina de terroristas treinados longe da Pátria que, misturados às próprias vítimas, as usavam como escudo e camuflagem. Aprendemos, não sem perdas e sem o sacrifício de pessoas inocentes, a conhecê-los,  a combatê-los e a vencê-los!

Fomos nós que, com o espírito aberto e pacificador de Caxias, assistimos ao retorno dos banidos, dos fugitivos da justiça e dos exilados e que, inocentemente, alimentamos a crença de que, anistiados, voltavam ao convívio e ao aconchego da Pátria para ajudar na construção do Brasil livre, desenvolvido e democrático que o desejo da maioria impunha construir.

Fomos nós, do Exército Brasileiro, que, como Soldados da Paz, arriscamos nossas vidas na África, no Timor Leste e na Bósnia. Fomos nós que, ao levarmos a paz e a solidariedade ao sofrido povo do Haiti, morremos com ele, soterrados no cumprimento do dever.

Fomos nós, do Exército Brasileiro, que conduzimos e executamos as operações que resultaram na retomada de áreas ocupadas por facínoras e traficantes no complexo de favelas do Alemão, devolvendo e assegurando àquelas comunidades os direitos de cidadãos que a covardia, a omissão, os interesses e a conivência de políticos, governantes e até de policiais lhes haviam tirado.

Este rápido, superficial e incompleto passeio pela história de nossos feitos, faz ver que nós, do Exército Brasileiro, desde Guararapes até o "Alemão", carregamos e continuaremos a carregar a herança desses fatos e responsabilidades que não pertencem ao passado ou aos que lá estiveram naqueles momentos, mas a nós todos, soldados de ontem, de hoje e do amanhã, porque é herança de honra, de glória e de responsabilidade!

O que está feito não pode ser mudado e pertence a todos nós.  Não há como apagar a história nem há como fugir à responsabilidade sem deixarmos de ser nós mesmos. Não há ordem ou desconforto, de quem quer que seja, que nos possa fazer esquecer ou ser menos  responsáveis ou orgulhosos dos feitos e fatos que compõem a nossa história, sob pena de termos que abdicar do orgulho de sermos nós, os do Exército Brasileiro!

Que viva a história! Que viva o inesquecível 31 de março de 1964!

Gen Paulo Chagas

Prejuízo de pelo menos US$ 126 milhões

#vamosmudarbrasilia

Relatório inédito do TCU indica 'dano injustificado' na compra de Pasadena

Vinicius Sassine

 O GLOBO
              BRASÍLIA-Um relatório inédito da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) indica que os gestores da Petrobras causaram um dano de pelo menos US$ 126 milhões aos cofres da estatal por terem desconsiderado um laudo de avaliação da refinaria de Pasadena, elaborado por uma consultoria contratada pela própria companhia e com apontamento de um preço do empreendimento inferior ao que acabou sendo pago. O documento do TCU, obtido pelo GLOBO, cita ainda que a estatal declarou ter pago US$ 170 milhões pela metade de um estoque que não valeria US$ 66,7 milhões.
Os auditores do TCU consideram que, no caso dos estoques, há indício de irregularidade na maneira como a Petrobras tratou do assunto. A estatal informou ao mercado que pagou os US$ 170 milhões por estoques de produtos que estavam na refinaria na época da compra. Mas, ao analisar os detalhes do contrato, os auditores dizem que essa cifra efetivamente paga e declarada ao mercado não tinha relação com os estoques. Era de outra natureza, fazia parte de ajuste de preço na transação comercial.
Os indícios de irregularidades são citados no primeiro parecer técnico elaborado pela Secretaria de Controle Externo (Secex) de Estatais do TCU, responsável pelo amplo pente-fino realizado no processo de compra da refinaria de Pasadena, no Texas. O procedimento foi instaurado em fevereiro de 2013, sob a relatoria do ministro José Jorge. Em 27 de novembro, o diretor da Secex Bruno Lima Caldeira, supervisor da fiscalização, concluiu um documento de 17 páginas com apontamentos de indícios de irregularidades na aquisição de Pasadena.

GESTORES ‘CONHECIAM' PARECERES
Trata-se de um "exame técnico" preliminar, a partir das primeiras descobertas das equipes de auditoria. As investigações prosseguem até a conclusão do relatório final, que será submetido ao gabinete do ministro para, então, ser apreciado em plenário. A Petrobras continua fornecendo diversos documentos para tentar derrubar os indícios de irregularidades.
No documento, é possível saber pela primeira vez - todo o processo é sigiloso - quem são os gestores listados no rol de supostos responsáveis pelo negócio. Os integrantes do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva da Petrobras na ocasião da aprovação da compra, em 2006, são listados como responsáveis a serem investigados. Entre eles, estão a presidente Dilma Rousseff, que presidia o conselho quando era ministra da Casa Civil; o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli; e os ex-diretores Nestor Cerveró, da Área Internacional, e Paulo Roberto Costa, de Abastecimento, este último preso no Paraná por conta de supostos desvios e lavagem de dinheiro de obras da estatal.
O nível de responsabilidade dos conselheiros na compra da refinaria é um dos pontos analisados pelas auditorias. O relatório da Secex Estatais cita, na página 5, que conselheiros e diretores "tinham conhecimento" dos pareceres da Área Internacional sobre a compra da refinaria. Um desses pareceres foi "um dos principais instrumentos técnicos de persuasão que levaram tanto a Diretoria Executiva quanto o Conselho de Administração a aprovarem a primeira oferta para a compra de 70% das ações da refinaria".
O parecer da Área Internacional mencionava a consultoria Muse Stancil, que avaliou Pasadena por um preço inferior ao valor efetivamente pago. Anexado a esse parecer estava o documento da área jurídica da Petrobras que analisou a compra da refinaria. No documento, é citada a existência da cláusula contratual de Put option , que obrigava a aquisição integral do empreendimento em caso de litígio.
A versão da presidente Dilma é de que o aval à compra de 50% da refinaria ocorreu por conta de um "parecer falho" elaborado por Cerveró. Ele omitiu do sumário executivo levado à reunião do conselho a existência da Put option E de outra cláusula contratual, a marlim, que garantiria dividendos mínimos à Astra em caso de prejuízos. Dilma alegou não ter tomado conhecimento de nenhuma das duas cláusulas.
A auditoria do TCU sustenta que os conselheiros decidiram pela compra da primeira metade da refinaria com base em estudo de viabilidade técnica e econômica elaborado pela Petrobras, que apontou um valor de US$ 745 milhões a Pasadena. Mas, ressalta o primeiro exame técnico do TCU, eles também tinham conhecimento do parecer da Área Internacional com a citação à consultoria Muse Stancil. O valor a ser pago por 100% da refinaria, no estado em que se encontrava em janeiro de 2006, era de US$ 126 milhões, conforme o laudo de avaliação da Muse citado na auditoria.
"Fica constatado indício de irregularidade grave na prática de gestão de ato antieconômico por parte dos gestores da Petrobras que, ao desconsiderarem laudo elaborado pela Muse, compraram 50% da refinaria por US$ 189 milhões, resultando injustificado dano aos cofres da companhia no montante de US$ 126 milhões", cita o parecer técnico. Com os estoques, o valor desembolsado na primeira metade de Pasadena foi de US$ 360 milhões. Após uma longa disputa arbitral e judicial, os outros 50% do empreendimento foram adquiridos pela Petrobras, que desembolsou ao todo US$ 1,249 bilhão.
O "erro de estratégia" na compra da primeira metade foi admitido em relatório da área técnica da estatal, conforme o documento do TCU. Os técnicos reavaliaram em 2010 o estudo de viabilidade econômica e concluíram que deveriam ter sido consideradas "possíveis diferenças de pontos de vista entre comprador e vendedor".
O relatório do TCU considera "inadmissível" a concessão da Petrobras à Astra de uma receita bruta de comercialização dos estoques de US$ 170,2 milhões. "O pagamento dessa alocação especial foi garantido mesmo que as receitas brutas da trading fossem insuficientes", cita o documento.
Cláusulas contratuais, ainda segundo o parecer, corroboram que o valor pago não correspondia aos estoques da época. "O valor encontrado pela Astra para o inventário líquido a ser pago pela Petrobras seria de US$ 66,7 milhões. Em nenhuma situação haveria pressuposto para um pagamento de US$ 170 milhões por conta da aquisição dos estoques."
O parecer faz duras críticas às condições em que foi estabelecida a cláusula contratual de Put option , que teriam sido favoráveis apenas à Astra. Os pagamentos por estoque da refinaria, decorrente da aplicação da cláusula, teriam levado a um prejuízo de US$ 150,2 milhões. Pagou-se por um bem que não existia, segundo a Secex. Ainda conforme o relatório, o valor pago na entrada do negócio chegou a US$ 644 milhões, superior aos US$ 360 milhões informados pela estatal.
O entendimento técnico do TCU é de que a Petrobras deveria ter "partido diretamente para a arbitragem" na compra da segunda metade da refinaria. Uma carta de intenções elaborada por Cerveró fez a proposta de US$ 700 milhões pelos 50% restantes. "O laudo arbitral fixou o valor referente ao Put option Da refinaria em US$ 300 milhões, menos da metade do que o senhor Nestor Cerveró aceitava pagar pela via negocial." A segunda metade da refinaria, depois de uma longa disputa judicial, saiu por US$ 820,5 milhões.

TCU QUER MAIS ESCLARECIMENTOS
O relatório conclui que o "elevado grau de complexidade" demanda maiores esclarecimentos por parte da Petrobras, antes de um pronunciamento definitivo da unidade técnica sobre os indícios de irregularidades. Somente depois dessas explicações é que a unidade deliberaria sobre pedido de audiência dos responsáveis ou abertura de tomadas de contas especiais para pedido de ressarcimento aos cofres públicos.
A decisão de realizar uma audiência - o que pode ocorrer com a presidente Dilma - é do ministro relator do processo, José Jorge. A opção pela audiência indica que o responsável não tem culpa por danos financeiros, mas por má gestão ou por uma determinada irregularidade, o que acarretaria a aplicação de multa. A necessidade de ressarcimento, por sua vez, leva à citação dos investigados.
José Jorge tem mantido o silêncio sobre o processo. Não há previsão de quando ele receberá o relatório final, elaborará o voto e levará o processo a plenário. O ministro se aposenta em novembro. Ele é ex-senador pelo PFL (hoje DEM) de Pernambuco, foi candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006 e ministro de Minas e Energia no fim do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ocasião em que presidiu o Conselho de Administração da Petrobras.
Por conta do processo que conduz no TCU, José Jorge entrou no foco dos governistas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista da Petrobras. Eles querem convocá-lo para um depoimento sobre supostas irregularidades cometidas no período em que esteve à frente do conselho da estatal.
O GLOBO procurou a assessoria de imprensa da Petrobras no início da tarde de ontem, mas não houve resposta aos questionamentos até o fechamento desta edição.

Copa do Mundo não aquece a economia conforme propagado pelo governo

#vamosmudarbrasilia

Enquanto algumas cidades-sede que já se despediram do evento lamentando os números abaixo do esperado, o governo maquia balanços e chega a dizer que as obras do "trem-bala" estão "em dia".

Com o início da Copa do Mundo, vieram também a empolgação da população brasileira e elogios ao evento. De fato, do ponto de vista esportivo, o Mundial é sim um sucesso. Para a economia, no entanto, não se pode dizer o mesmo. Embora o governo tenha afirmado que ela seria aquecida com o início da competição, o que se vê são notícias sobre a sua crescente queda.
A indústria de São Paulo, por exemplo, reagiu à crise com a demissão de 96 mil trabalhadores em um ano, e os que ficaram viram seu rendimento diminuir. Os ganhos médios recuaram 2,7% em maio em relação ao mesmo período de 2013. Segundo Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do mercado de trabalho no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação de Getúlio Vargas, a dispensa de trabalhadores só não aconteceu antes porque os empresários de mostravam resistentes a demissões.
“A indústria percebeu que não vale mais a pena ficar segurando trabalhador, porque não vai precisar desse empregado tão cedo. Os empresários estão ajustando a força de trabalho porque o mundo não vai melhorar num horizonte próximo”, explicou Barbosa Filho.
Apesar disso, o número de desempregados diminuiu, mas, segundo ele, não por um motivo bom.
A taxa de desocupação recua devido à migração de pessoas para a inatividade. “A taxa de desocupação está mais baixa por um motivo ruim, porque as pessoas estão saindo do mercado de trabalho, e não porque há geração de postos”, diz Barbosa Filho.
Nem mesmo as empresas de construção civil, sempre tão beneficiadas pelos superfaturamentos do PT, têm se mostrado dispostas a abraçar as oportunidades que surgem no governo. Segundo matéria do Valor Econômico, as grandes empreiteiras estão se afastando do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que possui um orçamento de R$ 10 bilhões por ano para cuidar da malha rodoviária do país.
Uma combinação de fatores, que passa pelo uso intensivo do regime diferenciado de contratações públicas (RDC) e pela defasagem na tabela referencial de preços adotada pelo Dnit em suas licitações, ajuda a explicar o desinteresse das líderes no segmento. Elas também reforçam apostas em concessões na área de logística – rodovias e aeroportos – e em oportunidades no exterior, deixando a autarquia ainda mais de lado.
Isso, claro, afeta a arrecadação de impostos. O governo, inclusive, já diminuiu as suas expectativas para 2014. No início do ano, esperava-se um aumento de 3,5% nas receitas com impostos e outras contribuições. Hoje, esse número caiu para 2%.
O governo federal arrecadou R$ 87,89 bilhões em maio, 5,95% a menos que no mesmo mês do ano passado (já considerando a inflação no período). Foi o pior resultado para maio desde 2011, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27) pela Receita Federal.(…) O secretário-adjunto da Receita, Luiz Fernando Nunes, afirmou que os maus indicadores da economia – como queda na produção industrial e venda de bens e serviços – foi preponderante para o resultado.
Para esconder os problemas, o governo segue maquiando números e tirando proveito como pode. O trem-bala, cuja inauguração fora prometida para este ano, ainda nem foi licitado, mas, de acordo com o balanço do PAC 2, está “em dia”.
O Trem de Alta Velocidade (TAV) que ligará Campinas a São Paulo e ao Rio de Janeiro – em um trajeto total de 511 km – está orçado em R$ 32 bilhões, mas seu leilão foi adiado pela terceira vez em agosto do ano passado e ainda não tem previsão para ser retomado. Mesmo assim, o Balanço do PAC 2 divulgado hoje considera que o empreendimento está “em dia”, com a continuidade da execução do projeto de engenharia.
Em notícias mais recentes, as cidades-sede que já concluíram a participação na Copa se despendem fazendo um balanço abaixo do esperado para o evento.
“Foi o pior mês em 15 anos. Duas semanas praticamente sem passeio. Porque o torcedor veio ver o jogo, sair para beber e fazer festa”, reclama Luciano Amaral, 48, o “Pepeu do Buggy”, conhecido como “bugueiro da Fifa” após apresentar, em vídeo da entidade, as atrações de Natal. O setor hoteleiro, força da economia local, também não fechou a conta, apesar do aporte de norte-americanos (22 mil), mexicanos (12 a 15 mil) e uruguaios (11 a 12 mil). “Queríamos 80% [de ocupação dos leitos] e chegamos a 70%”, disse Habib Chalita, da associação de hotéis.
Por mais que o governo prometesse o oposto, era de se esperar um esfriamento da economia num evento que gera tantos feriados e pontos facultativos. Mesmo os turistas parecem estar mais dispostos a economizar alguns trocados para os jogos do que conjugar o verbo “turistar”, jogando-se de cabeça em compras e pontos turísticos. Mantega, em pronunciamento recente, disse esperar que a Copa ajude o Brasil a elevar o PIB no segundo semestre. Esse número só deve ser conhecido em agosto, pleno início de campanha. Mas, a se continuar assim, o ministro da fazenda precisará de uma nova desculpa.

Exílio no quadrado

#vamosmudarbrasilia

  Depois de percorrer 1 600 quilômetros em 23 horas, faltavam apenas 200 metros para cruzar a fronteira entre Porto Quijarro, na Bolívia, e Corumbá, em Mato Grosso do Sul, quando acabou a gasolina do carro que trazia o senador Roger Pinto Molina e o diplomata brasileiro Eduardo Saboia. O plano emergencial já havia sido traçado. Caso algum policial os parasse, Saboia, o motorista e os fuzileiros navais que os acompanhavam desceriam pelo lado direito do veículo e armariam um escândalo. Molina sairia pelo lado esquerdo e atravessaria a divisa a pé. Não foi necessário. Após o abastecimento, o carro cruzou a fronteira diante de um policial que, entretido com um sanduíche, não fez a revista de praxe. Esse foi apenas o desfecho de uma operação cheia de riscos, como atravessar a província de Chapare, reduto eleitoral do presidente Evo Morales, denunciado por Molina por envolvimento com o narcotráfico. Durante todo esse tempo, funcionários da embaixada brasileira em La Paz simulavam a presença do senador no cubículo que habitou por 454 dias, asilado depois de receber constantes ameaças. Como todos os movimentos do parlamentar eram monitorados, foi preciso manter on-line seu perfil no Facebook, acender e apagar as luzes, o aparelho de som e a TV, além de responder a mensagens no celular pessoal. ...
A viagem de Corumbá para Brasília seguiu mais tranquila. O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, fretou um jato para trazer o refugiado até a capital. Após um primeiro momento atribulado sob os holofotes da imprensa, vivendo na casa de seu advogado Fernando Tibúrcio, no Lago Norte, Molina conseguiu visto provisório de refugiado e luta pelo asilo político definitivo. Enquanto isso, circula livremente pela cidade. No último dia 23, por exemplo, camuflou-se entre torcedores e assistiu à partida entre Brasil e Camarões, no Estádio Mané Garrincha. VEJA BRASÍLIA falou com amigos próximos e com o advogado do senador, que revelaram os hábitos do político boliviano por aqui. Sua maior dificuldade atual é manter-se em uma cidade com um dos custos de vida mais altos do país. Como renunciou ao seu salário de parlamentar, ele não teve condições de alugar um espaço. Hoje, vive de favor no apartamento funcional do senador Sergio Petecão (PSD-AC), com outros três jovens, filho e sobrinhas do amigo que o acolheu. “Ele dorme no quarto de empregada. Acho bom, ele me ajuda a cuidar dos meninos na minha ausência”, diz Petecão, que, não raro, abriga no imóvel concurseiros ou pacientes do hospital Sarah Kubitschek de passagem por aqui.
Quem anda com o Molina já o viu ser reconhecido na cidade. “As pessoas são acolhedoras, dizem que estão com ele”, conta Fernando Tibúrcio, que assumiu a causa pro bono (sem cobrar honorários). Quando paga do próprio bolso, o senador frequenta restaurantes na Vila Planalto, o Xique-Xique e o Bar da Codorna. Se é convidado, costuma sugerir o Rubaiyat, o Fogo de Chão e as casas localizadas no Pontão do Lago Sul. Batista, aos domingos frequenta os cultos da igreja Sara Nossa Terra e tem o bispo Rodovalho entre seus amigos. Para andar de bicicleta, fazer caminhadas e apreciar a beleza das brasilienses, um dos destinos preferidos é o Parque da Cidade. O banco embaixo do bloco serve como um recanto para a leitura de jornais e livros de política. Nesse momento, ele estuda para ser piloto profissional de helicóptero e está matriculado em um cursinho de português.
A Brasília que Molina vive intensamente, porém, é a capital da política e do poder. Ele frequenta muito o Congresso Nacional, onde conscientiza os colegas brasileiros das questões bolivianas, como a responsabilidade do nosso país no crescimento do narcotráfico em sua terra natal. Nos seus discursos, costuma lembrar que 90% da cocaína consumida no Brasil vem da Bolívia e que as fronteiras não são devidamente policiadas. Enquanto alguns enxergam nele uma pedra no sapato, há quem se identifique com a sua bandeira. Segundo seu advogado, Molina recebe ajuda de representantes de diversos partidos que se penalizaram com sua causa. Há, inclusive, diplomatas do Itamaraty entre os aliados. “Para ir ao Acre visitar a família, que se transferiu para lá, amigos cedem milhas aéreas”, diz Tibúrcio. A distância dos parentes é, sem dúvida, o aspecto mais sofrido de viver em Brasília. O político já vendeu terrenos, gado, carros e aluga o apartamento que possui em La Paz. Nem assim, consegue trazê-los para perto.
A presença do senador no Brasil, porém, pode estar com os dias contados. Embora o caso ainda esteja por ser julgado, seu advogado acha pouco provável que, com a reeleição da presidente Dilma Rousseff, seja concedido o asilo político a Molina. Se a negativa vier, ele precisará buscar refúgio em outro país. Antes, tem até o dia 14 de julho para decidir se aceitará ou não o convite para concorrer à vice-presidência da Bolívia na chapa da oposição. A vinda para a capital brasileira, no entanto, ficará registrada nas telas. Detalhes da história de Molina serão contados em Missão Bolívia, documentário de Dado Galvão que deve estrear em breve.


Fonte: Por CLARA BECKER e MARIANA MOREIRA - revista Veja Brasilia

Senador diz que Dilma é cúmplice de ameaça de morte a Joaquim Barbosa

SENADOR ALVARO DIAS OCUPA A TRIBUNA DO SENADO PARA PEDIR PUNIÇÕES AOS MILITANTES, LIGADOS AO PT, QUE AMEAÇARAM DE MORTE O MINISTRO JOAQUIM BABOSA E RESSALTA QUE A PRESIDENTE É CUMPLICE.

‘Um governo a serviço do PT’,

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Publicado no Estadão 

É grave a informação segundo a qual um funcionário da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República pretendia elaborar uma lista de prefeitos do PMDB do Rio de Janeiro que aderiram à candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB). Não se pode aceitar que um servidor público trabalhe na coleta de informações com o óbvio objetivo de municiar a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT), ainda mais quando se trata de dados sobre dissidentes da coligação governista. O espantoso caso constitui mais um exemplo de como os petistas confundem seu partido com o governo – além de revelar as táticas pouco republicanas do PT contra aqueles que ousam desafiá-lo.
Conforme informou o jornal O Globo (26/6), Cássio Parrode Pires, assessor da Secretaria de Relações Institucionais, enviou um e-mail à assessoria de imprensa do PMDB fluminense solicitando a lista de presença do almoço de lançamento da aliança entre o governador peemedebista Luiz Fernando Pezão, candidato ao governo do Estado, e Aécio.
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http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,um-governo-a-servico-do-pt-imp-,1520945

Mordidaço de Suárez: maior punição da história das Copas

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Publicado por Luiz Flávio Gomes - site jusbrasil


Meus amigos: vale a pena refletir sobre as duras punições impostas pela Fifa, ao uruguaio Luís Suárez, que mordeu o zagueiro italiano Chiellini. Luisito Suárez provou, desde logo (mais uma vez), que dentro de todos os humanos existe um animal, que deve ser domesticado (Nietzsche). Há dois caminhos para se alcançar essa domesticação: educação e disciplina. A primeira, se fosse totalmente efetiva, tornaria inócua a segunda. Desde a pré-história o humano acredita muito na disciplina, quando a prioridade deveria ser a educação. Que pena que a humanidade (que com muito custo chegou ao grande meio-dia) ainda não entendeu bem esse tema!
A disciplina, por meio do castigo, impõe limites ao animal que carregamos dentro de nós. A educação, por meio do conhecimento e da ética, elimina ou domestica o lado animal portado pelos humanos. Uma coisa é punir, outra educar. A punição se volta contra o animal (contra o desvio, contra o errado, contra o violador das regras). A educação se orienta ao humano. A punição castiga um ato passado. A educação mira o futuro. Se queremos humanos eticamente melhores, devemos educá-los. O castigo, por si só, não educa. Porque sua natureza não é essa, sim, a de impor limites ao nosso lado animal. Se queremos disciplinar e educar, temos que pensar em punições educativas (ou seja: punição + educação, que são duas coisas distintas).
Querer arrancar exclusivamente da punição o efeito educativo é um erro. Muitas vezes, má-fé (porque em nome da educação pode-se punir muito mais que o necessário). A punição foi feita para ficar na memória do punido como advertência, como recordação. É por isso que ela segue a antiga psicologia da mnemotécnica: “Imprime-se algo por meio de fogo para que fique na memória (na recordação) somente o que sempre dói; a dor é o auxílio mais poderoso da mnemotécnica” (Nietzsche 2011: 60). Aquilo que gera dor pode nos impor limites, mas não educa. O que educa é a empatia, o conhecimento e a ética. Quando os humanos evoluírem, não mais imporão somente castigos punitivos (como hoje acontece). No futuro os castigos se transformarão em punições educativas (fazendo-se as duas coisas: punição + educação). Nas sociedades mais atrasadas em que o desejo de punição alcança níveis patológicos (de vingança), ela é usada como meio para deseducar ainda mais o condenado. Isso é o que é feito nos presídios brasileiros. Erro crasso, totalmente contrário à educação. Só favorece o lado animal, que fica mais embrutecido. Obscurece, ao mesmo tempo, nosso lado humano (educativo).
A Fifa puniu severamente Suárez. Reprovou um ato passado. Mas também o espetáculo fabuloso do futebol (tal como a convivência humana fora dos estádios) requer mais: requer a consciência de que devemos sempre desenvolver “a arte de viver bem humanamente”, que é a ética. Viver humanamente significa respeitar todos os humanos (mesmo sabendo que todos têm dentro de si um animal), a natureza, os animais e o bom uso das tecnologias. A punição do “animalito” que existe dentro do Luisito Suárez (e de todos nós) deveria ser acompanhada de uma série de exigências educativas (tratamento psicológico efetivo, curso de ética e de direitos humanos, colaboração com atividades comunitárias positivas, desenvolvimento da empatia etc.). A punição isolada, mesmo que severa, não oferece certeza de que o ato errado nunca mais será repetido. O melhor antídoto contra a reincidência (e a violência) provém da educação, posto que ela é a única que pode nos introjetar a consciência da ética, ou seja, da arte de viver humanamente. Parafraseando Louis Bonald, a cultura forma sábios; a educação e a ética, os humanos.

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