Jornalista Andrade Junior

sábado, 6 de fevereiro de 2021

"Para entender a Era Maia",

 segundo Guilherme Fiuza

Cama feita com 'fake news' de grife é berço esplêndido

Após mais de quatro anos na presidência da Câmara dos Deputados, encerrou-se a Era Rodrigo Maia. 

Foi um período denso da História do Brasil e do mundo — sim, Maia foi uma figura internacional (no mínimo) —, período este que será objeto de estudos meticulosos nos próximos séculos. 

Ainda é cedo para alcançar a real dimensão do legado, mas segue aqui um rascunho dos símbolos basilares dessa prodigiosa era:

    1. Instado por lobistas e grupos de interesse, Rodrigo Maia desfilou com desenvoltura na passarela do Plano Janot & Joesley — uma tentativa tosca de virada de mesa fantasiada de resistência democrática e combate à corrupção. Depois confessou docemente as artimanhas, afirmando que se quisesse “teria sido presidente no lugar do Michel”. A Era Maia desmoralizou a conspiração;
    2. Mesmo tendo chorado na entrada e na saída, Rodrigo Maia ficará na história por conta de outro momento muito mais eloquente e repleto de significado cívico: o choro diante do discurso de Alexandre Frota. Você poderia argumentar que é normal chorar de emoção diante da verve de um grande tribuno, mas você não está entendendo: não havia tribuna. Estavam todos apertados numa salinha, com o governador de São Paulo, João Doria, recebendo o bravo dissidente Alexandre Frota no PSDB — partido de boas maneiras que não transige com grosseria. Maia caiu em prantos com a esperança num Brasil civilizado transbordando-lhe pelos olhos;
    3. Quem chora também faz chorar. Muitos brasileiros certamente foram às lágrimas com o discurso de Rodrigo Maia da presidência da Câmara desejando feliz aniversário ao “presidente Lula”. Todo mundo sabe que aniversário é o dia de esquecer todos os crimes cometidos pelo aniversariante, especialmente se esses crimes estiverem sentenciados com pena de mais de 20 anos de prisão. Mais especialmente ainda se esses crimes tiverem causado a maior recessão da história do país e tiverem levado sofrimento ao povo que você (Rodrigo Maia) está fingindo defender ao tentar afetar um charme “meio de esquerda” — o que vai te render umas manchetes na imprensa amiga. A Era Maia provou que um verdadeiro estadista vive de manchetes arranjadas;
    4. Rodrigo Maia chegou a ser destaque na imprensa internacional (pra você que não estava acreditando na importância planetária desse grande brasileiro) como líder da resistência democrática no Brasil. Pesquisa aí. Você vai achar uma tonelada de matérias apresentando-o como o fiel da balança, o homem que impedia o Brasil de atolar no pântano fascista, o primeiro-ministro de fato salvando os brasileiros dos homens maus, perversos, brancos e muito brancos. Na verdade era um fofoqueiro espalhando intrigas e tentando dinamitar na base do chilique uma equipe preparada para conduzir a agenda de reformas do Estado. Mas quem se interessa pela verdade? Historiadores do quarto milênio provavelmente escreverão tratados sobre Rodrigo Maia como um dos pais fundadores da falsidade como ética;
    5. Milhões de pessoas foram às urnas e depois às ruas pedindo reformas, especialmente a da Previdência, entendendo que esse era o caminho para salvar o país do colapso. O projeto político escolhido nas urnas para administrar o país defendeu, formulou e entregou a reforma para discussão no Parlamento, apoiado pelas ruas e pelas redes. A reforma foi aprovada. O pai dela é Rodrigo Maia. Duvida? Pesquisa aí. As manchetes providenciais da imprensa amiga não te deixarão na mão.

Resumo da gloriosa Era Rodrigo Maia: cama feita com fake news de grife é berço esplêndido. Ficar deitado eternamente nele requer um pouco de talento.

Revista Oeste

















PUBLICADAEMhttp://rota2014.blogspot.com/2021/02/para-entender-era-maia-segundo.html


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