sábado, 3 de outubro de 2020
"Debate para quem",
por Guilherme Fiuza
“Eu sabia que eu ia vencer.” “Quem venceu fui eu. Só estou ajudando o eleitor que não aguenta mais te ouvir.”Melhores momentos do debate presidencial nos EUA:
— A minha Casa Branca é mais branca que a sua.
— Racista!
— Repete, se tu é homem.
— Racista, racista, racista!
— Quem repete três vezes não é homem.
— Falei uma vez e repeti duas, seu ignorante.
— Não, você já tinha falado uma e repetiu três. Não sabe nem fazer conta e quer governar a maior potência mundial.
— Vidas negras importam.
— Não falei de vidas negras. Falei de Casa Branca.
— Supremacista é assim mesmo: só fala de brancura e depois nega o preconceito ariano.
— Geminiano.
— O quê?
— Você disse meu signo errado. Fake news!
— Fake news é você, não falei de signo! Ariano se refere à raça branca, que o Hitler queria que esmagasse as outras.
— Hitler era de esquerda.
— De direita.
— Esquerda.
— Direita, direita, direita.
— Batendo o pezinho assim no chão você pode até convencer o eleitor de que não é uma múmia paralítica.
— Sua declaração é altamente preconceituosa. Vou pedir seu impeachment.
— Não tem preconceito nenhum. Só acho que as múmias gastam muito esparadrapo.
— Você está defendendo a redução das verbas para a saúde?
— Não. Só acho que o contribuinte não devia carregar nas costas múmias como você.
— E essa sua tintura laranja? Por que o povo tem que arcar com isso?
— Meus gastos pessoais são privados. Na minha cabeça, quanto menos Estado, melhor.
— Não falei de gasto. Falei de gosto. O povo norte-americano é visualmente agredido toda vez que você aparece na televisão com esse penteado de fogueira amazônica.
— Não foge pro Brasil. Estamos falando da América.
— Brasil também é América.
— Não é.
— É.
— Não é.
— América do Sul. Meu pensamento é planetário.
— Estratosférico.
— Também. Eu penso no planeta e em todas as suas camadas. Viva a diversidade. Você só pensa no seu quintal.
— Não vai me chamar de xenófobo?
— Vou. Xenófobo e chinófobo.
— O quê?
— Chinófobo. Tem preconceito contra a China.
— Chinófobo deveria ser fobia, não?
— Dá no mesmo.
— Como você quer governar os Estados Unidos da América se não sabe nem a diferença entre fobia e preconceito?
— Sei a diferença. Só estou dizendo que os dois se fundem em você.
— É verdade. Tenho fobia e preconceito contra a mentira.
— Desde quando? Hoje de manhã? E a Rússia?
— E a Ucrânia?
— E a gambiarra no imposto de renda?
— E a gambiarra no FBI?
— Vou cantar o hino ajoelhado enquanto você estiver nessa cadeira.
— Vou esperar sentado você desistir de ficar de joelhos pra terrorista.
— Repete se tu é homem.
— Múmia paralítica e, como se não bastasse, surda.
— Preconceituoso e arregão.
— Demagogo e frouxo.
— Racista e misógino.
— Mis… o quê?
— Miss cabeça de queimada 2020.
— Bucha de antifa.
— Quem sabe de Bush é você.
— Falei bucha, animal.
— Como se chama quem tem preconceito contra os animais?
— Acho que é bichofóbico.
— Homofóbico!
— Não foi isso que eu disse.
— Eu sei. Mas bichofóbico me lembrou homofóbico, e eu te chamo do que eu quiser, porque isso aqui é uma democracia.
— Não era fascismo?
— Depende do ponto de vista.
— OK.
— Eu sabia que eu ia vencer.
— Quem venceu fui eu. Só estou ajudando o eleitor que não aguenta mais te ouvir.
— Então me despeço aqui pra ajudar o eleitor que não aguenta mais te ver.
— Goodbye.
— Goodbye.
Essas foram as principais propostas dos candidatos. Reflita e exerça o voto consciente.
Revista Oeste
PUBLICADAEMhttp://rota2014.blogspot.com/2020/10/debate-para-quem-por-guilherme-fiuza.html
"A retórica inútil da oposição",
por J.R. Guzzo
Os adversários do governo parecem felizes em fazer tudo o que não é importante num trabalho político que pretenda dar certoAum mês e meio das eleições municipais que vêm aí, o candidato do PT à prefeitura de São Paulo tem 1% das intenções de voto. Para sentir um pouco o espírito da coisa: é metade do que tem, por exemplo, um concorrente que se apresenta como Mamãe Falei. Como é possível que esteja acontecendo uma coisa dessas com o partido que há 40 anos serve como a mais sagrada estrela-guia que a esquerda brasileira já teve em toda a sua história?
Justo em São Paulo, onde vive e vota a maior concentração de trabalhadores do Brasil, é isso que o Partido dos Trabalhadores tem a apresentar? Em São Paulo, onde estão a alma, o coração e os músculos políticos do seu marechal de campo vitalício, o ex-presidente Lula? É isso mesmo: 1%.
Fica difícil perceber como o PT e Lula pretendem exercer um papel decisivo no futuro do Brasil se em São Paulo, a maior, a mais popular e a mais brasileira de todas as cidades do país, 99% da população não quer saber deles. Não adianta nada dizer, como estão dizendo, que o verdadeiro candidato da esquerda é outro — um político que nunca foi eleito para nada, tem como única realização estimular a invasão de imóveis com documentação enrolada e é apresentado como o “preferido” de Lula.
E daí?
Se o dono do partido não quer o candidato do partido na cidade-chave para qualquer eleição brasileira, não dá para concluir que ambos estejam fortes; não se inventou ainda a divisão que seja capaz de somar.
Além disso, só faria sentido agir desse jeito se fosse para ganhar a eleição.
Não é perdendo em São Paulo que se vai a algum lugar na política deste país; só concorrer, e ler depois na imprensa que o seu candidato teve uma belíssima votação, mas foi derrotado, é o tipo da coisa que não resolve a vida de ninguém.
Deveria estar acontecendo justo o contrário disso aí — a esquerda, pelo que se diz todos os dias ao público, é quem teria de estar ocupando neste momento os cinco primeiros lugares de qualquer disputa política no Brasil.
O governo federal, com quem vive em guerra desde a última eleição presidencial, é tido e havido como morto a cada 24 horas. O Judiciário, nos seus galhos mais altos, parece se preparar para conceder indulgência plenária, em matéria de corrupção e quaisquer outros crimes, ao ex-presidente.
Há um combate diário pela “quarentena”, esforços extremos para dificultar a produção e uma lavagem cerebral permanente com a intenção de culpar “o governo” pelas 140 mil mortes e todas as demais desgraças da covid-19. São anunciadas o tempo todo “sanções econômicas” e “represálias políticas” contra o Brasil por parte dos países do Primeiro Mundo por conta dos incêndios no Pantanal e do desmatamento na Amazônia.
As classes intelectuais apoiam a necessidade de “algum tipo” de intervenção internacional para salvar a parte do território brasileiro que consideram “patrimônio da humanidade”.
De acordo com o diagnóstico da esquerda, e de seus parceiros naquilo que se descreve como áreas “liberais” e “civilizadas” da “sociedade”, há problemas sem solução com o teto de gastos públicos, as propostas de renda mínima, o desemprego, a queda no investimento estrangeiro, os danos da produção rural ao meio ambiente, a “violência policial”, as transações financeiras da família presidencial, a falta de apoio aos quilombolas, à demarcação das terras indígenas e às causas que são descritas como “identitárias”, “inclusivas” ou “sociais”.
Metade dos ministros está permanentemente na porta da rua. O Congresso está contra o governo. O Judiciário está contra o governo. Os artistas de novela estão contra o governo. A mídia bate recordes diários de exasperação indignada contra um presidente da República que considera o pior de toda a história do Brasil — e contra o seu governo, tido como quase tão ruim quanto ele.
O governo está disputando uma partida sem que haja outro time em campo
Diante dessa desgraceira sem fim, o PT, no seu papel oficial de Nossa Senhora da Oposição, já deveria estar nomeando o ministério do próximo governo; em vez disso, seu candidato à prefeitura de São Paulo tem 1% dos votos. Nem o governo federal nem os problemas reais do país melhoram um miligrama com isso. Mas é justamente aí que está um dos piores bodes da política brasileira de hoje.
A elite nacional, da universidade ao Magazine Luiza, da mídia que se chamava grande aos banqueiros de investimento de esquerda, detesta o presente governo como nenhum outro governo brasileiro foi detestado — mas simplesmente não consegue, não para efeitos práticos, organizar uma oposição capaz de agir com um mínimo de coerência, eficácia e força moral para oferecer alguma alternativa séria às coisas como elas são hoje.
O mesmo estado de coma deixa como mortos-vivos o Congresso, os 33 partidos que hoje têm alvará de funcionamento e o resto do mundo político. O resultado é que o governo está disputando uma partida sem que haja outro time em campo.
Há muito barulho de arquibancada — mas torcida brava não muda placar de jogo, e nem xingar a mãe do juiz é fazer oposição. Oposição é trabalhar com possibilidades reais de sucesso para trocar de lugar com quem está mandando; o resto é dinheiro falso. O que se tem hoje é isso — muita nota de R$ 300. Os adversários do governo, na verdade, parecem felizes em fazer tudo o que não é importante num trabalho político que pretenda dar certo.
Enchem o noticiário, dia e noite, com bulas de excomunhão contra o presidente da República. Paralisam, no Congresso, no Ministério Público e nos tribunais, o trabalho de governar — a cada vez que perdem uma votação, ou a cada vez que o governo decide alguma coisa, vão correndo pedir à Justiça que anule o que foi decidido. Mostram plaquinhas de protesto no festival de cinema de Cannes. Fazem desfile de índio em Frankfurt. Criam grupos de vigilantes para combater a “direita” no Twitter. Queimam a bandeira nacional.
Estão em guerra permanente contra o racismo, o machismo, a homofobia, a degradação da atmosfera, os fertilizantes, os “agrotóxicos”, a desigualdade, a presença da polícia nas favelas. Acusam o governo dos delitos de desemprego, recessão econômica, alta do dólar, excesso de religião, não uso de máscara, genocídio, morte das onças-pintadas e só Deus sabe mais o quê.
Nada disso rende um único voto na hora da eleição, mas é muito mais fácil do que fazer trabalho político de verdade. É bem cômodo, no fundo, desligar a televisão depois de ver a sova que o governo leva diariamente no Jornal Nacional e dizer para si mesmo: “Mais um dia de vitórias na luta contra o fascismo bolsonarista”.
Sai de graça, dá cartaz e não tem nenhum risco. Também é muito fácil viver na política quando existe uma alucinação chamada “Fundo Partidário”, negociata legal que transfere dinheiro dos impostos diretamente para o bolso dos políticos. Nos anos em que há eleições, eles ganham mais; neste 2020, por exemplo, o contribuinte está sendo extorquido em R$ 2 bilhões.
Eis aí um ponto, talvez o único, em que o PT e o partido turbinado por Bolsonaro na última eleição estão 100% de acordo — são eles os que ficaram com as maiores verbas, cerca de R$ 200 milhões cada um. O fato é que o sujeito não precisa mais ganhar uma eleição para ganhar dinheiro; o fundo garante. Pode ser menos, é claro, mas não tem erro.
Entende-se, aí, onde foram parar o espírito de combate do PT, a “militância”, as “lutas” etc. Para que esse perrengue todo? O que interessa é sair candidato. Se você, além disso, já ganhou de presente um emprego público no “aparelhamento” em massa da era Lula-Dilma, sua vida está resolvida.
O que fica faltando, no fim dessa história, é um candidato capaz de fazer sentido. Não adianta olhar para o outro lado à procura de uma alternativa para Lula. Vão achar quem? Fernando Henrique? Gilmar Mendes? Eymael, um democrata-cristão?
Faltam dois anos para a eleição presidencial de 2022. Se continuarem achando que Bolsonaro vai desaparecer por encanto na esfera celestial, só porque “não é mais possível continuar assim”, vamos continuar nessa balada até 1º de janeiro de 2027.
Revista Oeste
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"O DNA do Brasil"
, por Augusto Nunes
A substituição de Celso de Mello por Kássio Nunes informa: não há perigo de o Supremo melhorar
OBrasil parido pela chegada das caravelas de Cabral já nasceu metido a esperto. Souberam disso tarde demais aqueles viventes cor de cobre, sem roupas no corpo nem pelos nas partes pudendas, os homens prontos para trocar pedras preciosas por quinquilharias, as mulheres prontas para abrir o sorriso e as pernas para forasteiros pois os nativos do lugar praticavam sem remorso o que era pecado só do outro lado do grande mar, e não poderiam ser tementes a um Deus que não conheciam nem queriam conhecer porque desde o começo dos tempos adoravam deuses muito mais lúdicos.
O Brasil já nasceu carnavalesco. Nem um Joãosinho Trinta em transe num terreiro de candomblé teria ousado, como fez na pintura famosa o português Henrique Soares — a maior autoridade religiosa presente e celebrante da primeira missa naquelas imensidões misteriosas —, juntar numa mesma alegoria um padre de batina erguendo o cálice sagrado, navegantes fantasiados de soldados medievais, marinheiros com roupa de domingo, índios com a genitália desnuda que séculos depois seria banida dos desfiles por bicheiros respeitadores dos bons costumes e a cruz dos cristãos no amistoso convívio com arcos, flechas e tacapes.
O Brasil já nasceu amalucado. Marujos recém-chegados do outro lado do mundo, mareados pela travessia do Atlântico e atarantados com paisagens paradisíacas, decidiram que aquilo era uma ilha, e portanto deveria ser batizada de Ilha de Vera Cruz, e assim a chamaram até perceberem, incontáveis milhas depois, que era muito litoral para uma ilha só, e pareceu-lhes sensato rebatizar o colosso ausente de todos os mapas com o nome de Terra de Santa Cruz, porque disso ninguém duvidava: era terra aquilo que pisavam.
O Brasil republicano é o Brasil monárquico de terno e gravata, só que mais cafajeste
O Brasil já nasceu preguiçoso. Deslumbrados com a demasia de praias com areias finas e brancas, banhadas por ondas em todos os matizes de verde e azul, muita mata, muita flor, muito rio, muito peixe, muito bicho de carne tenra, muita fruta sumarenta e, melhor que tudo, muita índia pelada, os degredados, os marinheiros desertores, os náufragos sobreviventes e os demais colonizadores do território paulista esperaram 200 anos até criarem ânimo para a escalada do paredão verde-escuro que separava o mar do Planalto, e depois esperariam mais um século antes de aventurar-se pelos sertões estendidos por trás da mata virgem.
Foi um esforço de tal forma extenuante que ficou estabelecido que, dali por diante, tanto os filhos da terra quanto os estrangeiros e seus descendentes sempre deixariam para amanhã o que deveriam ter feito ontem, com exceção das coisas que efetivamente merecessem urgência urgentíssima — por exemplo, seduzir a filha do cacique, façanha que transformou João Ramalho, o inventor do golpe do baú à brasileira, em homem rico e poderoso líder político, além de placa em muitas esquinas de um Brasil que não chegaria a conhecer.
O Brasil cresceu coerentemente incoerente. Hostilizou os civilizadores holandeses para manter-se sob o jugo de Portugal, teve como primeira e única rainha uma doida de hospício, tratou com bastante cortesia o filho da rainha que roubou o banco da matriz na vinda e o banco da colônia na volta, promoveu a primeiro imperador um príncipe habituado a passar mais tempo enrolado em lençóis do que sentado no trono, teve um segundo imperador que pelo menos nos retratos era mais velho que o pai, foi o derradeiro país do subcontinente a abolir a escravidão e o último a virar República.
Sem saber direito por que saía, Pedro II perdeu o emprego de monarca ainda sem saber direito por que ali chegara.
No país nascido e criado sob o signo da insensatez, o cortejo dos presidentes, ministros, senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores aberto em 1889 informa que a troca de regime não mudou o espírito da coisa: o Brasil republicano é o Brasil monárquico de terno e gravata, só que mais cafajeste.
O país que proclamou imperador uma criança de 5 anos que se tornaria adulta aos 15 seria governado, alguns séculos depois, por um presidente que sempre agiu como delinquente juvenil e, em seguida, por uma presidente com jeitão de avó menos ajuizada que neto de fralda. Mas o Brasil não sentiu medo ao ver no trono um menino sem pai nem mãe. Com dois sessentões no comando é quem tem mais de cinco neurônios que se sentiu sem pai nem mãe.
O STF vive mostrando que o que está muito ruim sempre pode piorar
A carta de Pero Vaz de Caminha avisou já em 1500 que o Brasil seria irremediavelmente cartorial ao transformá-lo no único país do mundo com certidão de nascimento, verbosa como ordenam lusitanas tradições e com tamanho suficiente para descrever com minúcias de doutor no assunto o recém-nascido contemplado pelo escriba que nem sequer sabia se aportara numa ilha, num continente, numa extensão das Índias ou na estratosfera, mas não continha a excitação diante das extravagâncias de um lugar cujos habitantes “andam nus, sem cobertura alguma, e não se preocupam em cobrir ou deixar de cobrir suas próprias vergonhas mais do que se preocupariam em mostrar o rosto”.
A história constitucional de um país com tal DNA não poderia ter parentesco com a dos Estados Unidos. A Constituição norte-americana nasceu em 1789 com sete artigos e cinco páginas manuscritas. Passados mais de 200 anos, incorporou 27 emendas. Nesse período, o Brasil teve sete Constituições. Ao ser promulgada em 1988, a mais recente tinha 245 artigos espalhados por 296 páginas.
Dois desses artigos foram infiltrados furtivamente pelo relator Nelson Jobim com o consentimento de Ulysses Guimarães. Como o presidente da Constituinte morreu, só Jobim sabe quais são as normas constitucionais aprovadas em votação secreta por dois parlamentares.
Em 2019, ao completar 30 anos, a Carta Magna brasileira fora emendada mais de 100 vezes. Esse cipoal jurídico exige a mobilização de intérpretes, e para isso foi criado o Supremo Tribunal Federal. O problema é que os atuais titulares compõem o mais bisonho Timão da Toga de todos os tempos. Mais angustiante ainda é constatar que o STF vive mostrando que o que está muito ruim sempre pode piorar.
Os brasileiros que acordaram na quinta-feira entusiasmados com a iminente aposentadoria de Celso de Mello foram dormir desolados com a decisão do presidente Jair Bolsonaro: o Pavão de Tatuí será substituído por Kássio Nunes. Não há perigo de o Supremo melhorar.
Revista Oeste
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"A esquerda escancara subserviência e hipocrisia e aplaude o discurso leviano de Joe Biden",
por Felipe Fiamenghi
Estamos falando de um senhor que sequer conhece a realidade da região e, ainda que a Califórnia, também governada por um Democrata, esteja ardendo em chamas, causando a evacuação de milhares de pessoas, quer dar palpite na nossa floresta.
O que o Democrata propôs não é nada além de um "Macarthismo Ecológico", uma versão atualizada da velha tática americana, onde eles agem como cafetões do mundo, deixando as outras nações, especialmente as "repúblicas das bananas", a quem veem como prostitutas, escolherem entre "dinheiro ou porrada".
É o "plata o plomo", de Escobar, adaptado para o jogo político.
Como se não bastasse, em seu discurso leviano, diz que pagaria 20 bilhões para "pararmos de colocar fogo na floresta", como se todos os incêndios fossem propositais e intencionais.
Com essa narrativa, o populista cria uma base para que, no futuro, ao custo de uma quantia irrisória (20 bilhões não são absolutamente nada perto das riquezas da região), pudessem tomar posse da área, alegando a "necessidade de preservação", visto que incêndios florestais acontecem anualmente, em maior ou menor escala, com ou sem interferência humana. Existem, aliás, desde muito antes do homem caminhar sobre este planetinha azul.
É este o discurso, que atropela a soberania nacional e ofende pessoalmente a todos os brasileiros, não somente ao presidente, que está sendo aplaudido pela oposição. A mesma oposição que acusou Bolsonaro de "entreguista", quando fez uma parceria para a exploração da base aérea de Alcântara, trazendo investimentos para uma instalação praticamente inútil e abandonada.
Para a "Resistência", não importa quanto do patrimônio nacional seja dilapidado, desde que sirva para manter a ideologia esquerdista no poder. Prova disso é que nunca se importaram com as 100 mil ONGs, financiadas por metacapitalistas como George Soros e a família Rothschild, que infestaram a região Amazônica, objetivando a biopirataria e a implantação de narrativas anti-nacionais na imprensa mundial.
Para eles, os maiores críticos do "imperialismo Yankee", quando este serve aos propósitos da "revolução cultural", passa a ser muito bem vindo, aplaudido e festejado.
Enfim, a hipocrisia.
"De nada vale um povo que não sabe defender a honra de sua pátria." (SCHILLER, Friedrich)
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"Eis que é chegado o dia do 'grande reset': Será o coroamento da ‘nova ordem mundial’?",
escreve Carlos Adriano Ferraz
Ao longo do século XX diversas instituições foram criadas com o propósito de se instituir um “mundo melhor”, um mundo totalmente administrado, muitas vezes denominado por uma expressão costumeiramente usada de forma imprecisa: “nova ordem mundial”.
Digo imprecisa pois ela não possui uma acepção unívoca, sendo amplamente difundida e vulgarizada, muitas vezes sem maiores esclarecimentos sobre seu significado.
Mas o ponto é que a ideia de se criar um “mundo melhor”, bem como um ser humano “melhor” (eugenia), é uma ideia resiliente. Ela avançou resolutamente no decorrer das últimas décadas.
Embora não se trate de uma ideia nova, foquemos em seus desdobramentos desde meados do século XX, especialmente com o surgimento (planejado) de instituições centralizadoras como: ‘Federal Reserve System’ (1913); ‘Fundação Rockefeller’ (1913), ‘Liga das Nações’ (1919); ‘Council on Foreign Relations’ (1921); ‘Fundação Ford’ (1934), ‘Fundo Monetário Internacional’, FMI (1944); ‘Banco Mundial’ (1945); ‘Organização das Nações Unidas, ONU (1948); ‘Clube de Bilderberg’ (1954); ‘Comissão Trilateral’ (1973), ‘União Europeia’ (a partir do Tratado de Maastricht, de 1992), apenas para nomear as mais conhecidas.
Mas, perguntemos: ainda que distintas, que valores tais instituições compartilhariam? Não seriam elas instituições capitalistas, avessas a ideias socialistas (de um governo centralizado e planificador)?
Primeiramente, cabe observar que já está suficientemente demonstrado que a elite financeira subsidiou um dos maiores avanços do socialismo no século XX, a saber, a revolução bolchevique de 1917.
Destaco aqui a bem documentada obra de Antony Sutton, “Wall Street & the Bolshevik Revolution” (1974), na qual acompanhamos como a elite financeira mundial contribuiu, desde o final do século XIX, para o avanço do socialismo na união soviética. Portanto, na prática, capitalismo e avanço de ideias socialistas não se excluem, não necessariamente.
Digo “na prática”, pois em teoria certamente elas são categorias excludentes, como já esclareceram autores como Mises e Hayek. Mas o ponto é que capitalistas nem sempre são fiéis aos princípios fundamentais de uma economia de mercado, como individualidade, liberdade, livre concorrência, etc. Basta vermos que o nosso assim chamado capitalismo tem sido, na melhor das hipóteses, um “capitalismo de compadrio”, no qual os amigos daqueles que exercem o poder estatal se beneficiam dessa “amizade” espúria (como no caso das empreiteiras que se beneficiaram imensamente de sua “amizade” com governos anteriores).
Sem falar nos cartéis, trustes e holdings, por exemplo, os quais também surgem em modelos ditos capitalistas visando à violação da livre concorrência (e, consequentemente, da individualidade e da liberdade – pilares de uma economia de mercado).
Portanto, mesmo “capitalistas” frequentemente violam a natureza mesma de uma economia de mercado. O desejo por um poder quase exclusivo os leva à negação da liberdade e da individualidade. Essa relação entre capitalismo e socialismo pode ser compreendida a partir da afirmação atribuída a Maurice Strong (primeiro chefe do programa das nações unidas para o meio ambiente e secretário geral das conferências da ONU para o clima – o qual, importa notar, era próximo de figuras apenas aparentemente irreconciliáveis, como David Rockefeller e Mikhail Gorbatchov):
“sou um socialista na ideologia e um capitalista no método”.
Parece-me que essa frase se aplicaria a uma parte considerável de nossa elite econômica mundial. Não apenas isso, julgo que a ideia de uma “nova ordem mundial’ envolve, também, esse uso do capitalismo (sobretudo do capital) para o estabelecimento de uma casta planificadora, a qual negaria à maioria a liberdade e a individualidade. E eis que aqui entram algumas das instituições criadas ao longo do século XX, como as acima citadas. Todas elas têm em vista a instituição de uma sociedade global planificada, totalmente regulada por titereiros que avançam sua ideologia mediante tais instituições.
Cabe observar que tal projeto é longo (e árduo), pois a instituição de uma ‘nova ordem mundial’ enfrenta alguns obstáculos (e seus “descontentes”, como diria H.G. Wells). Sobre esses obstáculos, eu colocaria especialmente os seguintes:
1. A ideia de liberdade individual, pois eles pretendem nos massificar, anulando aquilo que nos torna únicos (seu objetivo é suprimir nossa alma mesma);
2. A lealdade à família, às tradições e à pátria;
3. Nossa religiosidade e os princípios religiosos, sobretudo os judaico cristãos, uma vez que tais princípios reforçam os demais obstáculos e constituem a maior barreira aos avanços da nova ordem mundial.
Isso é, hoje, evidente. Nesse momento é inegável o papel dessas instituições no combate aos obstáculos que listei acima. E nesse combate ganha proeminência especialmente a ONU, uma vez que ela foi concebida justamente para desempenhar esse papel planificador mundial. Embora seu propósito originário fosse justamente levar adiante a agenda socialista, foi somente no decorrer das décadas seguintes que passamos a perceber seus propósitos gradualmente se desvelarem, especialmente o de criar uma nova ordem mundial que coloque fim à individualidade, às soberanias nacionais e aos valores da tradição judaico cristã. Afinal, esse é um dos propósitos fundamentais da nova ordem mundial: a criação de uma espécie de feudo mundial centralizado sob um poder global planificador (político, moral, religioso, etc).
Desse modo, o “mundo perfeito”, de acordo com a distopia de uma “nova ordem mundial”, é um mundo sem Deus, sem liberdade e sem individualidade, totalmente controlado por aqueles que atualmente exercem, ocultamente, o controle quase total de nossas instituições, diante de uma mirrada resistência. Ou seja, um mundo muito similar àquele sistema imposto atualmente pelo partido comunista chinês à China: um mundo sem liberdade, sem individualidade e sem Deus.
Nesse sentido, a China é, nesse momento, um paradigma para a distopia presente na ideia de uma “nova ordem mundial”: um país em que quase um bilhão e meio de pessoas, indivíduos, são tolhidos brutalmente em sua liberdade e individualidade, sendo massificados e monitorados pela quase onipresença estatal, vivendo, em sua maioria, miseravelmente, servindo como meros meios descartáveis para a produção de mercadorias também descartáveis. Na verdade, na China mercadoria é um termo que se aplica tanto às pessoas quanto aos seus produtos. A dignidade da pessoa humana é um princípio lá inexistente.
Sem embargo, se há alguma dúvida quanto ao papel da ONU na instituição de um modelo socialista de gestão mundial, observemos rapidamente suas raízes, as quais remontam a uma tentativa de se instituir a liga das nações, ainda em 1917, quando Woodrow Wilson palestrou para os senadores estadunidenses (em um discurso intitulado “Peace without Victory”) visando convencê-los a aceitar que os USA integrassem a liga das nações.
A retórica por detrás do seu discurso já era a que vige nos dias atuais: alcançar a paz. No entanto, talvez fortemente motivados pelos ideais de seus founding fathers, os senadores rejeitaram a proposta e os USA não aderiram à liga das nações. Suponho que eles tenham percebido o perigo de integrar uma instituição supranacional que eventualmente faria colapsar os princípios fundamentais da democracia liberal e conservadora estadunidense.
Não obstante, as coisas mudaram nas décadas seguintes. Em 1939 James Shotwell e Isaiah Bowman começaram a atuar em um estudo conhecido como “Estudo para a Organização da Paz”, o qual visava à organização do mundo pós-guerra. Ambos eram membros da liga das nações e estiveram na Conferência da Paz de Paris, em 1918 (na qual foi instituída a liga das nações).
Posteriormente houve o ataque a Pearl Harbor, o que motivou não apenas a entrada dos USA na segunda grande guerra, mas o surgimento de um comitê presidencial consultivo, no qual começaram a ser desenvolvidas as ideias que levaram à formação da ONU (vejam como os seus articuladores foram pacientes, diligentes e resilientes). E é aqui que entra uma figura fundamental para a implementação da ONU: Alger Hiss. Com efeito, ele esteve em altos cargos no departamento de estado dos USA.
Posteriormente, descobriu-se, ele era um agente espião soviético. Mas ele não era o único. Vários estadunidenses ocupando cargos altíssimos na administração do USA eram ou espiões soviéticos ou simpáticos ao regime comunista. Muitos deles se reuniram em 1943 em Moscou, para tratar da “manutenção da paz e da segurança internacionais”.
A ideia foi fomentada por Stalin e apresentada a Franklin Roosevelt para parecer que seria uma ideia dos USA. Alger Hiss estava nesse grupo. Na verdade, ele coordenou a reunião feita na Conferência Dumbarton Oaks, ocasião em que foram assentadas as bases da ONU. Vários sujeitos ligados diretamente a Stalin faziam parte dessas conferências. Para que se tenha uma ideia de como a ONU foi concebida por comunistas, basta lermos o volume de Abril de 1945 da revista Politica ‘Affairs’, uma publicação oficial do partido comunista dos USA na qual lemos:
“Grande suporte e entusiasmo pelas políticas das nações unidas devem ser consolidadas, bem organizadas e totalmente articuladas. A oposição deve ser levada à impotência de tal forma que se torne incapaz de levantar suporte significativo no senado contra as nações unidas e os tratados que se seguirão”.
Se isso não bastasse, vejam o que disse Earl Browder (no livro “Victory and After”), o qual presidiu o partido comunista dos USA:
“Os comunistas estadunidenses trabalharam energicamente e de forma incansável para o estabelecimento das fundações das nações unidas”.
Resta ainda alguma dúvida de que a ONU tem suas raízes no socialismo? E para quem julga que ela não tem uma proximidade pervertida com o capitalismo, observem que em dezembro de 1946 o megacapitalista John Rockefeller doou um terreno de 18 acres em Manhattan para a construção da sede da ONU. Em suma, a grande elite econômica nunca foi hostil ao socialismo. Pelo contrário, ela sempre lhe ofereceu subsídios.
Por que? Ora, porque elas possuem propósitos em comum.
De qualquer maneira, não causa surpresa ver que em seguida Alger Hiss, traidor condenado por seu vínculo com o comunismo, tenha assumido uma posição na secretaria geral da ONU. Aliás, até onde se pode verificar, todos os secretários gerais da ONU tiveram relações próximas com ideais comunistas.
Nessa lista temos nomes como os do socialista norueguês Trygve Lie, do socialista sueco Dag Hammarskjold, do marxista de Mianmar U Thant, do austríaco originariamente ligado ao partido nazista, Kurt Waldheim, do socialista peruano Javier Perez de Cuellar, do socialista egípcio Boutros-Boutros-Gali, etc. Todos os secretários, até hoje, usam dos recursos da ONU para promover agendas de jaez socialista em âmbito internacional.
Aliás, a Internacional Socialista (fundada em 1951) possui hoje milhões de membros em dezenas de países. Eles declararam em um congresso de 1962:
“O derradeiro objetivo dos partidos ligados à Internacional Socialista é nada menos do que alcançar um governo mundial .... Associação à ONU deve ser tornada universal”.
E notem o seguinte: Quase todas as comissões ditas independentes da ONU ao longo das últimas décadas são coordenadas por membros da Internacional Socialista. Coincidência?
Há, pois, um vício na origem da ONU. E tal como há um vício em sua origem, também identificamos esse vício na raiz de seus tentáculos, como na Organização Mundial da Saúde (OMS). Para exemplificarmos, vejam o que disse Brock Chisholm, primeiro diretor geral da OMS:
“Para alcançarmos um governo mundial, é necessário remover das mentes dos homens sua individualidade, sua lealdade à família, e às tradições, seu patriotismo nacionalista e os dogmas religiosos”.
Diante disso, não surpreende que, quando investigamos sua biografia, encontramos que ele era simpático ao socialismo e, claro, anticristão. Não apenas isso, como psiquiatra Chisholm fez parte de uma corrente que defendia o fim da distinção entre “certo” e “errado”. Ele inclusive escreveu um artigo sobre a importância, da necessidade mesma, de rompermos os elos morais.
Portanto, não há dúvidas: agências como a ONU e suas subsidiárias estão, por décadas, trabalhando de forma diligente e paciente para fazer colapsarem os pilares da civilização tal como a conhecemos, os quais surgiram, aliás, de forma espontânea. Seu propósito: instituir um mundo planificado, não espontâneo, no qual já não há mais espaço para a individualidade, para a liberdade e para Deus (bem como para todos os valores da tradição judaico cristã).
E a sua retórica mantém um ponto constante: a criação de um suposto mundo “melhor”, bem como de um ser humano “melhor”.
No entanto, importa sublinhar que sua ideia de um mundo “melhor” é a ideia de um mundo totalmente administrado por essa mesma elite global que o está projetando, em uma espécie de feudo global gerido por uma aristocracia e desvinculado absolutamente de qualquer valor cristão, no qual todos os demais serão meros vassalos.
Nesse mundo não haverá espaço para individualidade ou liberdade. Eis a razão de estarmos acompanhando um crescente cerceamento de nossa liberdade, especialmente com o avanço de tecnologias que cada vez mais monitoram aspectos íntimos de nossas vidas. Cada vez mais nos sentimos como personagens em algum episódio obscuro da série ‘Black Mirror’.
Assim, tanto o isolamento social forçado quanto a imposição arbitrária do uso de máscaras foram um prelúdio da engenharia social que ganhará força em seguida, assegurando um grande passo para a criação de uma “nova ordem mundial”. O próximo passo, coroamento desse projeto, está em vias de ocorrer. Trata-se do “grande reset”, a instituição de uma tecnocracia global centralizadora. E nesse momento entra em ação o ‘Fórum Econômico Mundial’ (FEM), o qual avançará os planos desenvolvidos de forma muito lenta pela ONU. E não estou falando em teoria. No site do FEM encontramos um vídeo e diversas falas que corroboram esse fato. Em seu site mesmo encontramos algumas informações esclarecedoras. Em janeiro de 2021 será proposto o “grande reset”.
Assim como tínhamos socialistas na fundação da ONU, na fundação do “grande reset” teremos notórios socialistas avessos ao liberalismo e à economia de mercado, como Thomas Piketty e Joseph Stigliz. Eles estão traçando as diretrizes do “grande reset”. E os temas que serão discutidos estarão em acordo profundo com o socialismo em suas roupagens atuais: aquecimento global, acordo verde, tributação de grandes fortunas, criar barreiras para a indústria da carne (lembram que a ONU está propondo que passemos a consumir insetos para termos proteínas?) e do petróleo, etc.
Mas há ainda algo mais sinistro: criação da vacinação obrigatória e de um passaporte mundial com rastreamento genético.
As coisas estão se encaminhando a passos largos para que cheguemos a um modelo similar àquele que encontramos na China. Nesse momento já não somos livres para nos deslocarmos, por exemplo. Desde o início da pandemia o que temos é não um direito fundamental de nos deslocarmos, mas uma concessão do Estado para que o façamos. Como se trata de uma concessão, ela pode ser abruptamente revogada.
O mesmo vale para as demais liberdades, como a liberdade econômica. Basta nossos prefeitos e governadores decidirem que é preciso um novo lockdown para que sejamos obrigados a voltar ao isolamento.
Mas para não fechar esse texto de forma pessimista, menciono um ponto alvissareiro: sabemos que para que seu propósito possa ser alcançado é imperioso se extirpar da mente das pessoas sua individualidade, sua lealdade à família, às tradições, à pátria e aos seus princípios religiosos (especialmente aqueles oriundos da tradição judaico cristã). Será isso possível?
Creio que não. Regime algum, por mais totalitário fosse, jamais conseguiu tal feito. A individualidade é a menor unidade social. Ela sempre emerge, mesmo sob as situações mais desfavoráveis. Por essa razão, qualquer pretensão de se instituir uma ordem hostil à liberdade individual leva, necessariamente, à tirania e, eventualmente, à desobediência civil e à revolução.
Então, que venha a desobediência civil!
PUBLICADAEMhttp://rota2014.blogspot.com/2020/10/eis-que-e-chegado-o-dia-do-grande-reset.html

































