Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sábado, 3 de junho de 2017

Os ex-leões vão rugir - Palocci e Mantega inovaram, operavam para Lula, Dilma e o PT dentro da Fazenda

 O Estado de São Paulo Eliane Cantanhêde:
Além do tucano Aécio Neves e de Rocha Loures, assessor de Temer, as duas bolas da vez são Antonio Palocci e Guido Mantega, que agregam grande dose de suspeição sobre os governos do PT. Não bastassem os ex-presidentes da República enrolados e os ex-presidentes e ex-tesoureiros do partido condenados e presos, agora são os ex-ministros da Fazenda (da Fazenda!) que têm muito o que explicar – e contar.
Pela delação de Marcelo Odebrecht, Palocci era o único com poderes para definir quando, de quanto e para quem eram os saques na conta “Amigo” que a empreiteira mantinha para Lula. Pela de Joesley Batista, Mantega era o administrador das contas de US$ 150 milhões da JBS para Lula e Dilma Rousseff no exterior. Eram US$ 70 milhões para ele e US$ 80 milhões para ela, ou o contrário? Joesley não lembra. Afinal, o que são “só” US$ 10 milhões?
Os ministros da Fazenda eram ocupadíssimos. Tinham de traçar a política econômica, cuidar dos cofres e contas públicas, definir projetos de lei, emendas constitucionais e medidas provisórias da economia, negociar financiamento de empresas para o PT, achacar os “campeões nacionais” do BNDES e ainda servir de gerentes para as contas dos chefes. Dureza...
Além disso, e de calibrar o fluxo entre o BNDES, empresas aliadas, campanhas e bolsos alheios, cabia aos ministros da Fazenda alimentar o guloso Leão da Receita Federal, que devora nacos importantes da renda de quem produz, vende, compra e trabalha. Mas, tão ocupado com Lula, Dilma, PT e JBS, Mantega se esqueceu de declarar US$ 600 mil.
Se o senhor e a senhora deixarem de declarar uma renda qualquer, ou errarem em R$ 400 o valor de um aluguel, vão ter uma dor de cabeça infernal, mas o domador do Leão pôde se dar ao luxo de esquecer uma bolada dessas. Segundo ele, a origem foi a venda de um imóvel herdado do pai, provavelmente italiano. O dinheiro, porém, não está em bancos da Itália nem do Brasil, mas sim da Suíça, paraíso de recursos duvidosos.
Escândalos com deputados, senadores, prefeitos e governadores já fazem parte do cotidiano no Brasil, mas com ministros da Fazenda?! Soa como se estivessem fazendo negociatas não só com estatais e fundos de pensão, mas com o próprio País, com a economia nacional. Em nome do quê? De uma ideologia, de um projeto de poder? Ou de interesses bem mais comezinhos?
O certo é que Palocci e Mantega sabem das coisas, de muitas coisas do submundo dos governos Lula e Dilma. Sabem, principalmente, como Lula agia e se salvava algum bônus para ele próprio. Daqui e dali, lê-se e ouve-se que Palocci quer entregar o sistema financeiro e duas dezenas de empresas. Tudo bem. E o chefe?
José Dirceu é um quadro político, com uma biografia pujante, e engoliu calado o título de “chefe de quadrilha”, o mensalão, o petrolão e a cadeia. Mas Palocci não é Dirceu, e Mantega não chega a ser nem mesmo um Palocci. Palocci vai falar, Mantega está recobrando a memória e ambos vão rugir. O PT acha que já chegou ao fundo do poço, mas a força-tarefa da Lava Jato tem certeza de que não.
Afogados. É constrangedor Aécio forçar reuniões para dar a impressão de que tudo continua como antes e ele ainda manda no PSDB e nas bancadas depois de ser gravado, aos palavrões, pedindo R$ 2 milhões para a JBS.
E o que dizer de Lula, que comanda o PT, define Gleisi Hoffmann para presidir o partido e se prepara para disputar a Presidência da República mesmo depois de virar réu cinco vezes por pedir, não dois, mas muitos milhões para contas, triplex, apartamento, reformas e terreno do seu instituto, além de ajeitar a vida dos filhos? Ninguém se constrange?











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sexta-feira, 2 de junho de 2017

"Duvido que o Rocha Loures vá me denunciar", diz desafia Michel Temer

Carlos José Marques, Sérgio Pardellas e Débora Bergamasco - IstoE
“Presidente, estamos gravando, ok?”. Em reação à primeira pergunta formulada pela reportagem de ISTOÉ na manhã de quinta-feira 1, no gabinete presidencial, o presidente da República, Michel Temer, respirou fundo, fitou os quatro gravadores ligados ao seu lado e sapecou: “Mas gravando às vistas, né? Não como o outro lá”. E riu. A brincadeira do peemedebista guarda relação, obviamente, com a gravação clandestina realizada pelo empresário Joesley Batista, da J&F, responsável por mergulhar o governo na mais aguda crise desde a posse. Escaldado, o presidente mandou instalar em seu gabinete aparelhos capazes de identificar grampos indesejados. “Se tivéssemos esse detector aqui hoje, teríamos que desligá-lo porque ele começa a apitar”. Na entrevista à ISTOÉ, Temer fez outras revelações. O presidente admitiu que poderá trocar o comando da Polícia Federal, mas garantiu que a Lava Jato não sofrerá interferências. Disse ter o direito de supor estar sendo vítima de um complô para derrubá-lo, mas afirmou ter o apoio do Congresso Nacional. Reconheceu que falhou ao receber pessoas fora da agenda, mas que não se arrepende de nada do que fez no exercício da Presidência. Sobre aquele que representa hoje a maior ameaça a ele, o ex-assessor Rocha Loures, flagrado com uma mala de R$ 500 mil, Temer demonstrou uma inquietante tranqüilidade. “Duvido que o Rocha Loures vá me denunciar”.
Por que o senhor quer ficar no cargo de presidente da República?
Em primeiro lugar, para defender-me no aspecto moral. Tenho extraordinário orgulho de exercer o cargo de presidente da República. Mas não é só por exercê-lo. É por exercê-lo transformando o Brasil. Em um ano, conseguimos fazer aquilo que vários governos anteriores não conseguiram. Quem tem interesse eleitoral não praticaria essas medidas. Por outro ângulo, eu tenho necessidade de revelar a minha moral hígida e intacta porque, convenhamos, esse noticiário todo preocupa as pessoas, amigos meus, gente que me conhece, família, não é? “Puxa, será que o Temer fez isso?”. Coloca em dúvida. Não quero que fique em dúvida. Por isso, o aspecto moral é que me mantém, é um dos meus principais suportes para me manter aqui. Por isso não renuncio. Vou aguardar com muita tranquilidade a decisão do processo eleitoral.
O que se comenta é que a Procuradoria-Geral da República deve denunciar o senhor…
Veja que coisa grave o que você está dizendo. O inquérito não tem absolutamente nada ainda. Não tem perícia, não tem interrogatório e você já sabe que ele vai denunciar.
Se a Procuradoria da República oferecer a denúncia, a Câmara precisa aprová-la por dois terços dos votos. Caso isso aconteça, o senhor ficaria até 180 dias afastado da Presidência.
É mais uma frente, mas vamos esperar que ela chegue, né? Não posso fazer nenhum comentário agora.
Se o senhor perder o apoio do PSDB e da base, mesmo assim, pretende ficar no cargo?
Vou esperar perder o apoio primeiro, né, para depois examinar. Não estou perdendo o apoio. O que eu vejo é muito achismo. E achismo no sentido de que o governo paralisou, o País não vai para frente. Meu Deus do céu, na semana seguinte, a Reforma Trabalhista foi lida, com todos aqueles acidentes, no Senado Federal. Foi discutida. Está tendo sequência. Na semana passada, houve um fato inusitado legislativamente. Foram aprovadas sete medidas provisórias.  É interessante, o Brasil ganhou até mais agilidade.




Mas o PSDB, um aliado de peso, e alguns partidos do centrão, ameaçam, sim, sair. Isso não pode afetar a governabilidade?
O Congresso continua a legislar. Então vamos ver lá para frente. Por que é que eu vou dizer “ah, tenho que sair porque o Congresso está legislando demais, porque estou tomando muitas medidas administrativas”? Não tenho que me preocupar com o que vai acontecer no futuro. O futuro vai dizer.
Em que a situação da ex-presidente Dilma Rousseff, às vésperas do impeachment, difere da sua?
No impeachment da ex-presidente havia milhões de pessoas nas ruas. Esse é um ponto importante, não é? Segundo ponto: não havia mais apoio do Congresso Nacional. No meu caso, não. O Congresso está comigo. A oposição que se faz não é quanto ao conteúdo das reformas, mas uma oposição política. A situação é completamente diferente.
O senhor acha que há um complô de forças para tentar tirá-lo da Presidência?
Olha, fica difícil dizer, mas não fica difícil supor. É interessante como há uma conjunção de urdidura. Houve um esquema preparado para chegar a isso e de que maneira? Do tipo: traga alguém graúdo para poder valer a delação. Então o sujeito sai de gravadorzinho na mão procurando quem é que ele vai gravar e depois há todo um processo. Você veja: há um inquérito, que não se quer inquirir, em que se quer fazer a denúncia independentemente do inquérito, com prazos muito exíguos, como 24 horas para apresentar os quesitos para a perícia, isso num sábado à partir das 20h para vigorar até o domingo, às 20h, fora do expediente forense. Então eu olho isso e tenho o direito de supor que seja uma tentativa de derrubar governo.
O senhor acha que o procurador geral, Rodrigo Janot, está sendo arbitrário no seu caso?
Olha, eu prefiro não comentar. E acho que isso já dá uma boa resposta, não é verdade?
Se o senhor pudesse ficar cara a cara com o empresário Joesley Batista hoje, o que o senhor diria para ele?
Eu prefiro não mencionar na entrevista (risos).
O novo ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que consultaria o senhor sobre uma eventual substituição do diretor geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. Qual será sua orientação?
Primeiro, vou verificar qual é a perspectiva que ele, Torquato, tem em relação aos vários órgãos que existem lá no Ministério, incluindo a Polícia Federal. Quando ele me trouxer os argumentos eu vou examiná-los, mas a decisão é dele, avalizada por mim, sem dúvida nenhuma.
Mas existe a necessidade de mudar o diretor da PF?
Pode ser que o novo ministro levante os dados todos que ele julgue convenientes e venha conversar comigo sobre isso. Fui secretário da Segurança Pública em São Paulo, duas vezes, e eu tinha que ter pessoas da minha confiança em certos cargos, então eu mudava delegado-geral, mudava o comando da Polícia Militar quando necessário. A mudança do diretor da PF vai depender do novo ministro.
Uma mudança agora não poderia ser mal interpretada?
Só seria mal interpretada se você dissesse assim: só existe uma pessoa na Polícia Federal capaz de comandá-la. Mas isso desmerece a instituição e tenho certeza que o próprio diretor não pensa dessa maneira.
O senhor teme uma delação do seu ex-assessor Rodrigo Loures?
Não creio. Acho que ele é uma pessoa decente. Eu duvido que ele faça uma delação. E duvido que ele vá me denunciar. Primeiro, porque não seria verdade. Segundo, conhecendo-o, acho difícil que ele faça isso. Agora, nunca posso prever o que pode acontecer se eventualmente ele tiver um problema maior, e se as pessoas disserem para ele, como chegaram para o outro menino, o grampeador (Joesley): “Olha, você terá vantagens tais e tais se você disser isso e aquilo”. Aí não posso garantir.
Pelo que conhece dele, o senhor esperaria que ele andasse por aí com uma mala com R$ 500 mil em dinheiro vivo de um empresário?
Confesso que não. É até surpreendente. Não sei a que atribuir isso, se atribuo à ingenuidade suprema, porque o sujeito pegou uma mala numa pizzaria.
O senhor se sentiu traído?
Não me senti traído porque não tenho nada a ver com isso.
Tem ligação com o seu partido?
Não creio.
Então seria uma atitude isolada?
Isolada.
Como explicar os R$ 500 mil por 20 anos ao seu ex-assessor?
A conversa que ele (Joesley) teve (com Loures) não sei dizer qual era. Queriam seduzi-lo para fazer o seguinte: como não saiu o negócio do Cade, tempos depois, ele foi lá entregar um dinheiro, acho que uma antecipação ao Rodrigo. Para quê? Para flagrar, filmar. Mas é porque a coisa do Cade não estava saindo. Como realmente não saiu. Você propor um inquérito contra um presidente da República, ancorado numa gravação que, desde o primeiro momento, foi impugnada pelas nossas perícias mostrando a imprestabilidade dessa prova, isso não pode servir de fundamento desse inquérito.
Por quê?
Não foi um inquérito contra um cidadão comum. Foi contra uma instituição, que é a Presidência da República. Aliás, tão logo foi proposto o inquérito, o Brasil teve um prejuízo de R$ 219 bilhões. Note o prejuízo que ele (Joesley) causou e que terá de ressarcir um dia.
Estar incluído no mesmo inquérito que o senhor é bom para o Loures. Mas não fica ruim para o senhor?
Não fica porque eu vou provar, como tenho provado seguidamente, que não tem absolutamente nada de participação minha nesses episódios.
O empresário Joesley Batista relatou ao senhor uma série de crimes. Por que, como autoridade máxima do Brasil, o sr. não tomou uma atitude?
Não achei que seria uma gravidade tão imensa. Já ouvi tanta coisa na vida. Várias pessoas vêm me falar coisas. E meu estilo não é agressivo. “Olha, você está preso”. Isso eu não faço.
Se depois de tudo o que aconteceu, uma pessoa disser uma coisa tão chocante quanto a que falou o Joesley, o senhor pretende mudar de atitude?
Eu vou examinar. Se eu conhecer a personalidade do indivíduo que está me falando as coisas, tomarei providências de acordo com o conhecimento que eu tenho da sua personalidade. Farei dessa maneira.
A delação do empresário Joesley foi divulgada no momento mais apropriado ao delator. Quando ele já tinha deixado o Brasil com a família, o que tem levantado várias teorias da conspiração. O senhor acha que todo esse roteiro já estava escrito ou foi uma boa coincidência à família Batista?
Acho que estava escrito porque até no plano econômico ele soube utilizar esse fato. Mencionamos aquela hipótese de US$ 1 bilhão, mais a venda das ações de sua empresa. Você percebe que era uma coisa que estava bem articulada. Não foi algo espontâneo, de um momento para o outro. Foi uma coisa pensada e levada adiante em razão do pensamento que antes se delineou por causa disso.
O senhor voltará a receber o ex-deputado Eduardo Cunha quando ele sair da cadeia?
Não sei, mas acho que não teria dificuldade se for procurado. Eu converso com tanta gente. Mas aí vão dizer que o presidente não pode conversar com certas pessoas. Isso não existe. Eu fui vítima do meu jeito de ser no tocante a receber as pessoas. Hoje eu começo a achar que, por exemplo, foi uma falha ter recebido o procurador-geral duas ou três vezes no Jaburu sem agenda. Como ter recebido inúmeros jornalistas e empresários fora da agenda. Foi uma falta de liturgia que, até digo, é inadmissível no cargo.
Com a saída de Osmar Serraglio do Ministério da Justiça, o Rodrigo Rocha Loures perdeu o foro privilegiado. O senhor pretende garantir o foro a ele?
Não pretendo. Isso não é verdade. Aliás, processualmente, ele está vinculado a mim e não perde o foro por causa disso.
A nomeação de Torquato Jardim para o ministério da Justiça pode afetar a Lava Jato?
A Lava Jato vai continuar. O que não podemos é achar que o Executivo ou o Legislativo vão interferir toda hora no Judiciário. Cada um tem suas funções distintas. Deixem os poderes trabalhar.
Mas o Torquato Jardim foi crítico da Lava Jato em vários aspectos. O senhor também tece críticas à investigação?
Eu respeito a opinião do Torquato, porque ele dá como jurista e advogado. Sei que ele é capaz das melhores formulações jurídicas. Agora, eu não entro no mérito da Lava Jato porque eu estarei interferindo, como chefe do Executivo, na atividade dos poderes. Interferência indevida e até proibida pela Constituição.
Recentemente, ministros da Justiça assumiram a função de defensores de presidentes da República. Foi assim com o ex-ministro Thomaz Bastos e Lula, com José Eduardo Cardozo e Dilma. O mesmo vai acontecer com o ministro Torquato?
Nem os anteriores que você mencionou, nem o Torquato Jardim defendem o presidente da República. Eles defendem o governo. O dever deles é esse. Aliás, não é só do ministro da Justiça. Todo e qualquer ministro deve defender o seu governo.
Qual é o ponto-chave da sua defesa na Justiça?
Revelar o banditismo que levou a essa necessidade de defesa e que causou prejuízos ao País.
No seu pronunciamento, o senhor falou em crise de “institucionalidade”. Poderia explicar?
Vou dar um exemplo mal compreendido pela imprensa. O que é abusar da autoridade? Não é abusar do presidente da República. É ultrapassar os limites da lei. A autoridade no estado democrático é da lei, não é das figuras físicas.
Como o senhor encarou o fato de o presidente da OAB pedir o seu impeachment?
Lamentei por uma razão singela. Eu sempre fui representante da OAB em vários pleitos. O artigo 133 da Constituição diz que “o advogado é indispensável à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão”. Quem introduziu isso na Constituição fui eu. Eu lamentei pelo presidente da OAB, que recebeu críticas dos próprios colegas. Alguns disseram que ele deveria primeiro aguardar o periciamento da fita para ter dados mais concretos para propor o impedimento. Cada um tem o seu estilo, às vezes louvável, às vezes condenável.
O senhor se arrepende de algo desde que assumiu a Presidência?
Não me arrependo de nada do que fiz. Sempre pautei minha vida com critérios muito rígidos de comportamento administrativo e institucional. Não sem razão fui três vezes presidente da Câmara dos Deputados. O que me desagrada é o aspecto moral, porque eu levei a vida com muita moderação. E agora vejo que se tenta jogar meu nome na lama. Eu fico realmente preocupado. Mas tenho certeza e provarei que a razão está ao meu lado.
A que o senhor atribui a reação dos empresários de manterem investimentos, apesar da crise?
Ao governo que nós demos início há um ano. Já trouxemos grandes vantagens para o País. A primeira consequência foi estabelecer um teto para os gastos públicos. A segunda, foram as reformas que já foram feitas, como a do ensino médio. A própria redução da inflação. Nós pegamos mais de 10% e hoje está praticamente em 4%, abaixo da meta que queríamos atingir no final do ano.

O senhor diria que os empresários estão confiantes?
O empresariado está confiante em um novo País, pautado pela credibilidade e pela confiança. Todos os aeroportos que nós colocamos para licitação foram negociados com ágio extraordinário. Tenho recebido inúmeras delegações de empresários que só fazem me dizer que vão reinvestir mais dinheiro no nosso País.
O governo acaba de anunciar um PIB positivo. O senhor acha que uma convulsão política pode atrapalhar a recuperação econômica?
Essa redução sensível dos juros e também o crescimento do PIB de 1% nós esperávamos na verdade para o fim do ano, praticamente para o último trimestre. Assim como as aberturas de vagas de trabalho, que também eram esperadas para o último trimestre do ano, mas estão se dando muito antes. O que significa mais uma vez a credibilidade que o País readquiriu. Essa chamada crise política foi uma crise que não paralisou o País. Ao contrário. Ela até motivou o Congresso, onde eu tenho um apoio extraordinário, a votar matérias. Aconteceram coisas inusitadas.
Quais coisas?
Primeiro, a reforma trabalhista, a modernização trabalhista continuou a ser discutida e lida para ser votada no Senado, já foi votada na Câmara dos Deputados. A Câmara, por sua vez, na semana passada, votou 7 MPs, um caso ímpar, especialmente numa semana logo após a suposta crise derivada do ato do empresário grampeador.
O senhor acredita na aprovação da reforma da Previdência no segundo semestre?
No instante que nós aprovarmos, como vamos aprovar, a reforma trabalhista, logo depois aprovaremos a reforma previdenciária. Depois disso, a nossa intenção é fazer uma simplificação tributária no País. Não falo exatamente numa reforma tributária, mas uma simplificação do sistema tributário. Essa simplificação vai ajudar os estados e os municípios brasileiros.














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Chefe da organização criminosa, Lula chama de ‘canalha’ o campeão de empréstimos do BNDES na era petista

 Com Blog do Josias - UOL
Ao discursar na abertura do 6º Congresso Nacional do PT, no final da noite de quinta-feira, Lula referiu-se ao delator Joesley Batista, do Grupo JBS, em termos pouco lisonjeiros: “Um canalha de um empresário disse que abriu uma conta pra Dilma e outra pra mim. Mas está no nome dele. É ele que mexe com a grana”, afirmou Lula, arrancando risos da plateia companheira. “Agora, eu e a Dilma temos até conta no exterior. Eu nem sabia que ela tinha. E ela não sabia que eu tenho.”
Na era petista, o conglomerado empresarial do “canalha” foi incluído no seleto grupo dos “campeões nacionais”. A companhia de Joesley recebeu tratamento preferencial nos guichês do BNDES. Entre 2007 e 2009, sob Lula, o velho e bom bancão oficial injetou na JBS R$ 8,1 bilhões. O Ministério Público Federal estima que o erário perdeu pelo menos R$ 1,2 bilhão nessas transações. O BNDES chegou a ter quase 35% das ações do grupo JBS/Friboi. No final de 2012, já sob Dilma Rousseff, o BNDES transferiu 10% das ações para a Caixa Econômica Federal.
Convertido em delator, Joesley incluiu Lula e Dilma no seu rol de dedurados. Disse em depoimento à Procuradoria que mantinha em contas no exterior dinheiro de propina destinado aos dois ex-presidentes petistas.  Afirmou que os depósitos totalizavam US$ 150 milhões em 2014. Dinheiro sujo, esclareceu o delator, amealhado em troca de facilidades no BNDES e nos fundos de pensão de empresas estatais. Cabia ao ex-ministro petista Guido Mantega gerenciar o dinheiro depositado no estrangeiro para Lula e Dilma, esclareceu Joesley aos procuradores.
Ele esmiuçou: “Teve duas fases. Teve a fase do presidente Lula e depois a fase da presidente Dilma. Na fase do presidente Lula chegou, eu acho, que a uns US$ 80 milhões de dólares. Depois na Dilma chegou nuns US$ 70. Ou ao contrário: 70 na do Lula e 80 na da Dilma. Eu abri duas contas. Tudo conta minha.” Como foi o uso desses valores?, quis saber um dos interrogadores. E Joesley: “Depois gastou tudo na campanha.”
Na expectativa de receber sua primeira sentença do juiz Sergio Moro, Lula tranquilizou a militância petista. “Eu não quero que vocês se preocupem com o meu problema pessoal.” Declarou que acertará suas contas com a força-tarefa da Lava Jato. “Eu já provei a minha inocência. Eu agora vou exigir que eles provem a minha culpa. Vou exigir, porque cada mentira contada está desmontada.”
Comportando-se como uma espécie de comandante de navio que reclama da existência do mar, Lula se queixou da forma como o Jornal Nacional veicula as encrencas nas quais se mete. “Haverá um dia em que o Willian Bonner vai chegar à noite, às 8h30 —eu e a Dilma estaremos assistindo—, ele vai pedir desculpas ao PT.” Lula chegou mesmo a ditar os termos do hipotético pedido de perdão de Bonner: “Desculpa, PT, por tudo o que nós fizemos com vocês, pela tentativa de destruição moral e ética, pelas acusações infames.”
Como se vê, Lula tornou-se um típico político brasileiro. Grosso modo falando.













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Uma questão de liderança

Editorial do Estadão:
Quando se veiculou, no dia 17 de maio, a versão de que havia um áudio no qual o presidente Michel Temer teria dado anuência à compra do silêncio de Eduardo Cunha e de Lúcio Funaro, foi pelos ares a relativa estabilidade que o País vivia nos últimos meses e que começava a mostrar seus resultados. A crise política voltou forte e arrastou os primeiros indícios de recuperação econômica. Ainda que a divulgação da gravação, no dia seguinte, tenha mostrado que não havia a propalada anuência presidencial, o estrago estava feito e o País, uma vez mais, se via enredado em discussões sobre a governabilidade.
A crise nascida no dia 17 de maio expôs velhas e novas feridas nacionais: a atuação açodada do Ministério Público, com a conivência do Poder Judiciário, os benefícios imorais e ilegais concedidos ao chefe de uma operação criminosa – que ainda ganha dinheiro com o vazamento de sua delação –, as relações espúrias do mundo político com o dinheiro privado, as desastrosas consequências morais e econômicas da política lulopetista dos campeões nacionais, com o completo desvirtuamento da finalidade do BNDES, entre outras mazelas.
Uma crise como a desencadeada no dia 17 não deveria impor à opinião pública um sentimento forte – e talvez definitivo – de desconfiança em relação à coisa pública ou ao mundo político. Afinal, é da natureza das crises expor, sem maiores pudores, as deficiências nacionais, o que, por sua vez, mostra ser absolutamente necessário olhar além da superfície o cenário político e administrativo. Tal atitude serena não é igual a jogar a sujeira para debaixo do tapete ou desviar os olhos da atuação imoral de políticos, funcionários e empresários. O que é preciso fazer, para o encaminhamento de uma solução pertinente para a crise, é ter uma clara noção da situação, uma visão nítida de para onde se pretende conduzir o País e um balanço realista dos meios de que se dispõe para tanto.
Sem isso, não se vai a lugar algum. O mundo real impõe limitações e a política é sempre a arte do possível, dentro do estrito respeito às regras do jogo democrático.
Um dos pontos que a atual crise mais evidencia é a completa ausência de lideranças políticas prontas para dar as respostas rápidas e eficientes que o momento exige. É fácil achar incendiários ou oportunistas. Difícil é encontrar quem, capaz de formular um diagnóstico realista sobre a situação nacional, também possa articular caminhos e soluções viáveis, constitucionais, para destravar o País. Não se confunda a deficiência que acabamos de apontar com qualquer dificuldade para encontrar possíveis nomes para uma eventual substituição de Michel Temer. No momento, esse é um falso problema. O posto presidencial não está vago. Referimo-nos a um problema mais estrutural e prévio à apresentação de nomes e candidaturas: a carência de lideranças capazes de fazer política, na melhor acepção do termo.
Há, sem dúvida, pessoas experientes, que conhecem o funcionamento do Congresso, do Poder Executivo e – o quanto é possível saber – das leis e do Judiciário. O que faz falta são lideranças capazes de projetar o País para o futuro, de pensar estrategicamente. Pessoas que vislumbrem novos horizontes e, como se escreveu nesse espaço há não muito tempo, possam “aglutinar sentimentos, representar vontades, promover consensos e levar adiante projetos que ultrapassem os interesses particulares”.
O momento que o País atravessa é realmente delicado, e o risco advém não tanto de eventual tibieza do governo. O principal perigo é que a atual crise aprofunde a desconfiança da população em relação à política e leve a um distanciamento dela ainda maior de jovens talentos. Essa descrença, tornada crônica, inviabilizaria a governabilidade, não só de agora, mas do futuro. É isso que cumpre evitar, antes de mais nada.
Não é das tarefas mais difíceis falar mal atualmente da política nacional. São muitas, evidentes e graves as suas falhas. É preciso, sem dúvida, analisá-las a fundo, descobrindo suas causas e propondo correções. O que não se pode nem se deve fazer é usar as dificuldades e as mazelas atuais para levar a população a fugir da política, seja alimentando sentimentos que vão da repulsa à indiferença, seja fabricando messiânicas e utópicas soluções.
Terá o Brasil líderes capazes de levar avante essa tarefa?






























EXTRAÍDADEBLOGDEAUGUSTONUNESOPINIAOVEJA

O quadrilhão em apuros. Existiam quatro grandes gangues a saquear o Estado. Lula é o líder delas

Políticos apontados como principais chefes da “organização criminosa” incrustada dentro de três partidos – PT, PMDB e PP – devem sofrer um novo revés nas próximas semanas. Antes de deixar o cargo em 17 de setembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar a maior parte das denúncias contra os 23 integrantes do chamado “quadrilhão” da Operação Lava Jato. Serão denunciados políticos como o ex-presidente Lula e o ex-ministro Antonio Palocci, pelo PT, os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR) pelo PMDB do Senado, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) pelo PMDB da Câmara, e o senador Benedito Lira (PP-AL) e o ex-deputado Mário Negromonte (PP-BA) pelo PP. Janot vai apontar esses e outros políticos dos três partidos que sustentaram os governos petistas no poder como mentores de um esquema de arrecadação de dinheiro em estatais e órgãos do governo, em conluio com grandes empreiteiros de grandes obras públicas. A acusação contra eles será a de crime de organização criminosa, cuja pena varia de três a oito anos de cadeia.
De acordo com Janot, os políticos do PT, do PMDB do Senado e da Câmara e do PP formaram um grupo criminoso com o objetivo “de saquear os cofres públicos” beneficiando empresários amigos e financiando as atividades desses partidos. Para a PGR, existe “uma teia criminosa única”, mas com “núcleos políticos” diferentes neste “grupo criminoso”. As cúpulas dos partidos que compõem o “quadrilhão” montaram também um esquema de “enriquecimento ilícito com fim de beneficiar seus integrantes, bem como financiar campanhas eleitorais, a partir de desvios públicos de diversas empresas estatais”, segundo Janot.
O procurador-geral narrou em documentos que integram os quatro inquéritos do “quadrilhão” que, inicialmente, “alguns membros do PP, PMDB e PT, utilizando as siglas partidárias, dividindo entre si, por exemplo, as diretorias de Abastecimento, Serviços e Internacional de Petrobras” para a arrecadação das propinas. “Como visto, a indicação de determinadas pessoas para importantes postos chaves do ente público, por membros dos partidos, era essencial para implementação do projeto criminoso.”
Entretanto, os crimes se arrastaram para outros órgãos do Estado. “Os elementos de informação que compõem o presente inquérito modularam um desenho de um grupo criminoso organizado único, amplo e complexo, com uma miríade de atores que se interligam em uma estrutura com vínculos horizontais”.
Parte do raciocínio do procurador-geral da República sobre o chamado “quadrilhão” está na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Lula pela posse do triplex, no Guarujá. Nela, os procuradores narram fatos de um governo regido por propinas, a chamada “propinocracia”, para contextualizar a acusação de que o petista ganhou um apartamento e a armazenagem de bens da empreiteira OAS em troca dos favores que concedeu à empresa de Léo Pinheiro. Lula não foi denunciado pelo crime de organização criminosa exatamente porque essa parte faz parte da denúncia do “quadrilhão” e é tratada no Supremo Tribunal Federal.
A divisão do butim
Para o Ministério Público, está claro que os três partidos comandavam o esquema de arrecadação de dinheiro usando dois vértices comuns no relacionamento com os empreiteiros. O primeiro eram altos funcionários públicos, muitos deles indicados para postos-chave pelos partidos. No entanto, essas indicações de diretores à cargos na Petrobrás eram condicionadas ao pagamentos de propinas para os políticos e suas campanhas eleitorais, por meio de caixa dois ou de doações registradas oficialmente. Na Petrobras, por exemplo, o PT tinha o controle da Diretoria de Serviços, comandada por Renato Duque. O PMDB, controlava a área Internacional, que ficou a cargo de Nestor Cerveró e Jorge Zelada. E o PP, comandava o setor de Abastecimento dirigido por Paulo Roberto Costa.
Esses dirigentes recebiam dinheiro das empresas fornecedoras e partilhavam o “butim” com os políticos. Para isso, se utilizavam do segundo vértice, os operadores da lavagem de dinheiro. Doleiros, lobistas e até tesoureiros dos partidos eram usados em esquemas complexos de repasse de dinheiro em espécie, ou na forma de depósitos no exterior, até chegarem às mãos dos políticos. No PT, quem exercia esse papel era o ex-tesoureiro João Vaccari, que já acumula condenações que superam os 33 anos de prisão. No PP, o principal arrecadador era o doleiro Alberto Youssef , que só está em casa porque fez acordo de colaboração premiada. No PMDB, esse papel era feito pelos lobistas Fernando Soares, Milton Lyra e Jorge Luz, que repassavam o dinheiro para os senadores e deputados peemedebistas.
















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GANÂNCIA E IRRESPONSABILIDADE EM DOSE DUPLA: DILMA QUERIA CONTINUAR, LULA QUER VOLTAR.

por Percival Puggina.
Deu no Globo de  (31/05):
 O caso JBS-Temer está levando parlamentares a realizar uma exumação nos empréstimos do BNDES, entre 2008 e 2014, quando o banco injetou dinheiro barato em empresas selecionadas pelos governos Lula e Dilma (os “campeões nacionais”) para que pudessem comprar outras empresas no exterior. Ontem, o senador Álvaro Dias (PV-PR) apresentou no plenário resultados de uma análise preliminar: em um período de seis anos, a União emprestou ao BNDES um total de R$ 716 bilhões. Como o Tesouro Nacional não dispunha do dinheiro, o governo foi ao mercado privado. Tomou recursos pagando juros de mercado, a 14,25% ao ano pela taxa Selic, e repassou à JBS, Odebrecht e outras empresas ao custo entre 5% e 6%, pela TJLP. Negócio de mãe para filho. O resultado, lembrou, é um subsídio sem precedentes, de R$184 bilhões. “A sociedade vai pagar por isso até o ano de 2060”, disse Dias. Faltam 42 anos para liquidar a conta.
 Os números absolutos e atualizados da escrita, conforme divulgado anteriormente, superam em 25% o total do subsídio que o Plano Marshall proporcionou à reconstrução de 16 países europeus após a Segunda Guerra Mundial.
Nos bastidores dessa conduta sinistra que arrasou o Brasil atuavam, de modo conjugado, duas diferentes forças:
• a do grupo dos economistas alinhados com Dilma Rousseff, também ela uma “desenvolvimentista”, convictos de que o Estado gastador, jogando dinheiro no mercado, cria prosperidade;
• o do grupo dos proxenetas do erário, cafetões dos negócios de Estado, olho aberto a todas as possibilidades de comissionamento que possam ser criadas com recursos públicos.
Na ocasião, nossos melhores e mais responsáveis economistas denunciavam a magnitude, a injustiça e a ineficiência daquela torrente de dinheiro barato em tempos de juro alto. Enquanto, no Brasil petista, havia dinheiro quase de graça para alguns poucos privilegiados – ditos “campeões nacionais” – a segunda e a terceira divisão do empresariado, aqueles que faziam a economia ainda se mover, tinham que se haver com juros na estratosfera. Ao custo de bilhões, adoecia-se o mercado e se quebrava o país.
São esses populistas, irresponsáveis uns, desonestos outros, que pretendem se valer da atual crise política para escapar da cadeia e voltar ao poder. Se as conseqüências de semelhante desatino recaísse apenas sobre seus fieis seguidores – perdoe-me Deus! –, seria muito bem feito. Mas o Brasil é um navio com 210 milhões de passageiros viajando em mar revolto.































extraídadepuggina.org

"O mundo gira enquanto o Brasil se enrola",

por Rolf Kuntz O Estado de São Paulo
Bateu em R$ 4,55 trilhões, valor muito maior que o da produção anual de qualquer outro país sul-americano, a dívida bruta do governo geral brasileiro. Essa era a posição de abril, segundo o último relatório das contas consolidadas do setor público. Esse monte de papagaios corresponde, pelo critério usado no Brasil, a 71,7% do produto interno bruto (PIB), valor adicionado da produção de bens e serviços – carros, aviões, tecidos, vestuário, bicicletas, cervejas, macarrões, óculos, sapatos, celulares, televisores, assistência médica, espetáculos, cortes de cabelo, jogos de futebol, telefonemas e tantos outros itens consumidos e usados no dia a dia dos brasileiros ou exportados. Pelo padrão brasileiro, a conta exclui os títulos do Tesouro na carteira do Banco Central (BC). Pelo método usado no Fundo Monetário Internacional (FMI), sem essa exclusão a dívida pública brasileira já chegou a 78,3% do PIB no ano passado, deve atingir 81,2% neste ano e alcançar 87,8% em 2022. Como esse padrão é aplicado aos 189 países-membros da instituição, os dados do Fundo são úteis para comparações internacionais.
O endividamento público brasileiro é muito maior que o da maior parte dos demais emergentes, de acordo com os números do FMI. Para a média das economias emergentes, o endividamento do governo geral ficou em 48,6% do PIB em 2016, deve chegar a 49,8% neste ano e aumentar até 52,4% em 2022. Na América Latina os números correspondentes a esses anos são 60,1%, 60,7% e 62,5%. Essas médias são obviamente afetadas pela posição brasileira e, em menor grau, pela situação de uns poucos países, como o Uruguai (60,9% no ano passado e 64% em 2022). 
É bobagem comparar a dívida pública brasileira com as de países desenvolvidos, como os da Europa. Tesouros europeus podem ter compromissos proporcionalmente muito maiores, mas suas condições de financiamento são imensamente mais favoráveis. Podem rolar suas dívidas pagando juros muito baixos e, em alguns casos, negativos. No Brasil, os títulos vinculados, por exemplo, à Selic, a taxa básica de juros, pagam 11,25% ao ano. Há outras formas de remuneração, mas todas são muito mais pesadas que os custos suportados pelos governos do mundo rico.
Algumas outras diferenças podem tornar mais claro esse ponto. O crédito soberano do Brasil foi classificado no grau de investimento durante alguns anos, mas perdeu essa qualificação em 2015. Em 2016 as três maiores agências de avaliação de risco cortaram a nota brasileira mais uma vez, deixando-a dois níveis abaixo do chamado padrão de bom pagador. No jargão do mercado, papéis alojados no grau especulativo são também chamados de lixo (trash). Esse apelido pode ser um exagero no caso brasileiro, mas seria uma enorme tolice menosprezar o problema.
Os dois cortes da nota, no segundo semestre de 2015 e no primeiro de 2016, foram respostas das três principais agências – Standard & Poor’s (S&P), Moody’s e Fitch – a decisões fiscais irresponsáveis do governo da presidente Dilma Rousseff. Nem todos se lembram, mas ela realizou a rara façanha de provocar duas quedas na classificação brasileira de risco nos meses finais de seu desastroso mandato. As pedaladas, tema central de seu processo de impeachment, foram uma pequena parcela dos erros e desmandos cometidos na condução das finanças federais entre 2011 e o primeiro trimestre de 2016. O rebaixamento da nota de crédito soberano arrastou a classificação de muitas instituições financeiras e outros tipos de empresas, tanto estatais quanto privadas.
A inflação marca outra diferença considerável entre o caso brasileiro e o das economias europeias. Na zona do euro, a autoridade monetária vem batalhando há anos, com sucesso até agora limitado, para elevar a inflação até 2% ao ano. Para isso tem emitido montanhas de dinheiro e mantido os juros em níveis muito baixos. No Brasil, a inflação persistente e muito acima dos padrões internacionais foi combatida com juros elevados. Com a recessão e o crédito apertado, a alta de preços começou a perder vigor no ano passado. Em outubro o BC começou a reduzir os juros básicos, baixando-os de 14,25% para os atuais 11,25%.
Também a inflação, muito alta pelos padrões internacionais e certamente nociva por qualquer padrão razoável, tem contribuído para a manutenção de juros elevados e, como consequência, para encarecer o serviço da dívida pública. Mas a causalidade, nesse caso, opera em dois sentidos. De um lado, a inflação complica a gestão da dívida, por causa dos juros necessários à contenção dos preços. De outro, o desarranjo amplo e permanente das contas públicas cria pressões inflacionárias e reduz a eficácia da política monetária. Não se pode romper esse jogo de forma duradoura sem o conserto das contas de governo. Sem isso haverá sempre o risco de um repique inflacionário.
Com a crise política, a S&P decidiu pôr em observação o quadro brasileiro, com possibilidade de novo rebaixamento da nota. A nova condição foi estendida a 38 instituições financeiras, na maior parte sólidas, e a 57 empresas. Na sexta-feira, a Moody’s também anunciou o risco de rebaixamento. 
Pode-se discutir se essa extensão é adequada, mas nenhuma pessoa responsável pode simplesmente menosprezar alguns fatos. O mundo continua a rodar, enquanto se desdobra a crise política brasileira. As agências de classificação têm de entregar serviço ao mercado. O mercado continua funcionando, por enquanto sem criar problemas muito sérios. Mas ninguém vai abandonar seus interesses à espera da solução das encrencas brasileiras. O banco central americano poderá em junho elevar de novo os juros básicos. Também isso poderá afetar o País.
Enfim, será preciso continuar o trabalho, complicadíssimo e nem sempre bem aceito, de resgatar as contas públicas e fortalecer a saúde fiscal com a reforma da Previdência. Cuidar do jogo político sem levar em conta esses dados pode ser desastroso. Quantos, em Brasília, têm consciência disso?
















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