por Ana Paula Henkel
Desde que Lenin derrubou a nascente democracia parlamentar da Rússia para estabelecer uma ditadura brutal, muitas outras nações caíram nas iscas travestidas de “igualdade para todos”
Echegamos à parte final de nossa trilogia sobre o comunismo. É claro que um assunto tão complexo, tão enraizado em detalhes e ações contadas em diferentes eventos históricos não poderia ser explorado na sua totalidade em apenas três artigos. Mas precisamos de um (re)começo — precisamos levantar esse tapete da barbárie e expor aos nossos herdeiros que o atual fascínio pelo “novo” socialismo/comunismo é nocivo, enganoso, vil e perigoso. Lembro que, em novembro do ano passado, em virtude do aniversário da queda do Muro de Berlim, postei algumas fotos sem legenda da queda do muro, em 1989, em meu Instagram. Para a minha grande surpresa, fiquei espantada com a quantidade de mensagens de jovens que não faziam a menor ideia do que eram aquelas imagens. Não conhecer a história é perigoso demais.
Há muitas razões além da história para refletirmos sobre o legado do comunismo. Desde que Vladimir Lenin derrubou a nascente democracia parlamentar da Rússia, em 1917, para estabelecer uma ditadura brutal, muitas outras nações caíram nas iscas travestidas de “igualdade para todos” chamadas de comunismo — muitas vezes, dissimuladas e maquiavelicamente empacotadas de apenas “socialismo”.
O comunismo promete igualdade, mas oferece escassez para todos, exceto para as elites em seu aparato. Ele lança a justiça social e oferece escravização em massa, miséria generalizada, desconfiança social e punição severa para todos os que discordam do sistema. Vimos esses fenômenos acontecerem em todo o mundo, na China, na Coreia do Norte, no Sudeste Asiático, na Europa Oriental pós-Segunda Guerra Mundial, Cuba, América Central e, talvez mais notavelmente visível para nós, brasileiros, hoje com a fome e o caos da Venezuela.

O comunismo toma conta da China e além
Antes de a China se tornar um país comunista, houve um período de 37 anos, começando em 1912, com um governo provisório, depois a Primeira República da China, a Segunda República Nacionalista da China e depois a República Constitucional da China. Antes desse período, a China era governada por dinastias imperiais.
Em julho de 1921, o Partido Comunista da China é formado pelos revolucionários Chen Duxiu e Li Dazhao, que se tornaram marxistas após a vitória bolchevique na Revolução Russa. Em 1927, o PCC fica sob o controle de Mao Zedong, e, em 1947, Mao lidera uma revolução para que, em 1º de outubro de 1949, seja declarado o estabelecimento da República Popular da China, sob o regime do Partido Comunista.
Na divisão sino-soviética da década de 1950, Mao rompeu com o marxismo-leninismo tradicional e desenvolveu o maoismo, a interpretação chinesa do comunismo. Os maoistas iniciaram uma forte tradição comunista, instituindo o Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural. Em 1958, o Grande Salto é colocado em prática, com o objetivo de desviar a economia da China da agricultura para a indústria — em apenas cinco anos. O resultado foi uma das maiores barbáries contra a vida humana da história. Pelo menos 30 milhões de pessoas morreram de fome em apenas quatro anos. Além disso, as reformas agrárias de Mao levaram milhões à morte em execuções públicas em campos de trabalho. Na revolução cultural, Mao derrubou seus inimigos, perseguiu quase 300 mil intelectuais e dissidentes do comunismo na Campanha Antidireitista, e milhões de pessoas foram mortas ou perseguidas por apenas discordarem do regime.

Em apenas alguns anos, o Grande Salto também causou enormes danos ambientais na China. O plano de produção de aço resultou em florestas inteiras sendo derrubadas e queimadas para abastecer as fundições, o que deixou a terra aberta à erosão. O cultivo denso e a lavoura profunda despojaram as terras agrícolas de nutrientes e também deixaram o solo agrícola vulnerável à erosão. Líderes comunitários ansiosos exageraram em suas colheitas, na esperança de agradar à liderança comunista, mas este plano saiu pela culatra de forma trágica. Como resultado da superprodução, os funcionários do partido levaram a maior parte da colheita para as cidades, deixando os fazendeiros sem nada para comer. As pessoas no campo começaram a passar fome.
Em 1960, uma seca generalizada aumentou a miséria do país, e as pessoas no campo não conseguiam mais plantar sequer para sobreviver. No final, por meio de uma combinação de políticas econômicas desastrosas e condições climáticas adversas, cerca de 20 a 48 milhões de pessoas morreram na China. A maioria das vítimas morreu de fome no campo. O número oficial de mortos do Grande Salto é de 14 milhões, mas a maioria dos estudiosos concorda que esta é uma subestimação substancial, já que todos os dados vindos dos comunistas não são confiáveis.

Seria impossível dissertar sobre toda a história e a situação da China, de seu povo, sua economia e sua atual influência global em apenas um artigo. O fato é que a aura comunista e perversa segue uma premissa ainda muito bem estabelecida no país que, inacreditavelmente, mantém até hoje campos de concentração para a população uigur e outros grupos étnicos majoritariamente muçulmanos. Em 2022, a China foi acusada de cometer crimes contra a humanidade e possivelmente genocídio contra esses grupos — e tudo sob um silêncio sepulcral de entidades governamentais, atletas e artistas no Ocidente, que foram comprados pelo dinheiro do regime ditatorial chinês.
Incrédulos, ainda testemunhamos políticos brasileiros de mãos dadas com esses ditadores, empurrando, juntos, constantes tentativas de distorcer o que realmente acontece nesses países
Grupos sérios de direitos humanos nos EUA acreditam que a China mantém presos mais de 1 milhão de uigures em uma grande rede do que o regime chama de “campos de reeducação”. Centenas de milhares de uigures foram condenados a severas penas de prisão sem uma acusação formal de supostos crimes cometidos ou julgamento. Existem cerca de 12 milhões de uigures, a maioria muçulmanos, vivendo em Xinjiang, que é oficialmente conhecida como Região Autônoma Uigur de Xinjiang (XUAR). Os uigures falam sua própria língua, que é semelhante ao turco, e se consideram cultural e etnicamente próximos das nações da Ásia Central. A China também é acusada de atacar figuras religiosas muçulmanas e proibir práticas religiosas na região, além de destruir mesquitas e túmulos. Em dezembro de 2020, uma reportagem da BBC mostrou que até meio milhão de pessoas estavam sendo forçadas a colher algodão em Xinjiang. Há evidências de que novas fábricas foram construídas dentro dos “campos de reeducação” para aproveitar o trabalho escravo.
Umas das páginas mais sangrentas da comunista China foi escrita recentemente, em 1989: o Massacre de Tiananmen Square. Protestos liderados por estudantes que pediam democracia, liberdade de expressão e liberdade de imprensa tomaram as ruas de algumas cidades da China. Os manifestantes pró-democracia inicialmente marcharam por Pequim até a Praça da Paz Celestial, após a morte de Hu Yaobang, um ex-líder do Partido Comunista, que havia trabalhado para introduzir reformas democráticas no país. Enquanto lamentavam Hu, os estudantes pediam um governo mais aberto e justo. Eventualmente, milhares de pessoas se juntaram aos estudantes na Praça Tiananmen, e a situação tomou conta de todos os canais de notícias.

Sentindo que as manifestações precisavam ser reduzidas, o governo chinês declarou lei marcial, em 20 de maio de 1989, e 250 mil soldados entraram em Pequim. No fim daquele mês, mais de 1 milhão de manifestantes se reuniram na Praça da Paz Celestial e arredores. Eles realizaram marchas e vigílias diárias, e as imagens dos eventos foram transmitidas por centenas de canais de TV — agora para audiências nos Estados Unidos, na Europa e em todo o mundo.
Quando a presença inicial dos militares não conseguiu conter os protestos, as autoridades chinesas decidiram aumentar sua agressão, e os protestos foram interrompidos em uma repressão mortal. Em 4 de junho, soldados e policiais chineses invadiram a Praça da Paz Celestial, disparando balas reais contra a multidão. Repórteres e diplomatas ocidentais em Pequim naquele dia estimaram que milhares de manifestantes foram mortos no Massacre da Praça da Paz Celestial e até 10 mil pessoas foram presas. Mais de três décadas depois que as tropas usaram força assassina para expulsar os manifestantes da Praça da Paz Celestial e do centro de Pequim, encobrir esse crime tornou-se uma tarefa árdua. Mesmo assim, a máquina de segurança da China está pronta para censurar e prender aqueles que falam abertamente sobre os eventos de 1989. Todos os rastros de imagens desse trágico dia foram excluídos dos cachês da vida cibernética chinesa. A história foi simplesmente apagada.

Isto é apenas uma pontinha do iceberg de terror de um país que é regido por quem respira o comunismo, por quem usa a foice e o martelo como símbolos de orgulho. A mesma foice e martelo usados pelo atual ministro da Justiça no Brasil, Flávio Dino, e que recentemente declarou que “era comunista, sim, graças a Deus”.
De 1940 a 1979, o comunismo, vendendo uma falsa igualdade e fixado por ditadores, se espalhou como uma praga, sendo estabelecido pela força ou de outra maneira na Estônia, Letônia, Lituânia, Iugoslávia, Polônia, Coreia do Norte, Albânia, Bulgária, Romênia, Tchecoslováquia, Alemanha Oriental, Hungria, China, Tibete, Vietnã do Norte, Guiné, Cuba, Iêmen, Quênia, Sudão, Congo, Birmânia, Angola, Benin, Cabo Verde, Laos, Kampuchea, Madagascar, Moçambique, Vietnã do Sul, Somália, Seychelles, Afeganistão, Granada, Nicarágua e outros, como nossa vizinha Venezuela. Em comum entre as populações destes países? Fome, miséria, morte, perseguição, violência, medo. A liberdade ceifada em absolutamente todos os aspectos da vida dos cidadãos.
Cuba
Em 1959, o governo de Cuba foi derrubado pelo autoproclamado marxista-leninista Fidel Castro. Nas últimas seis décadas, o país operou sob a política comunista e experimentou estagnação econômica, pobreza, fome e uma miríade de outros obstáculos sociais. Quase 100% da economia cubana é controlada por seu regime corrupto e totalitário. A escassez de recursos, as condições de vida horríveis e o governo opressor atormentam também esta outrora bela nação.
Incrédulos, ainda testemunhamos políticos brasileiros de mãos dadas com esses ditadores, empurrando, juntos, constantes tentativas de distorcer o que realmente acontece nesses países. A grande verdade é que os cubanos não têm acesso ao mínimo necessário para alimentar suas famílias com decência. Muitos correm para os mercados quando as portas são abertas apenas para descobrir que não há frutas frescas, carnes ou vegetais em estoque. Os alimentos são racionados e fornecidos aos estabelecimentos pelo governo. Muitos são vendidos já estragados. A moradia estatal oferece menos do que o básico ou ideal. O comunismo fantasiado de socialismo fofo diminuiu tanto o padrão de vida em Cuba que cidades inteiras estão em ruínas. Cidadãos vivem no que antes eram belas mansões e edifícios que caíram na desolação e abandono completo, porque não há fundos privados para mantê-los, nem cidadãos que possam progredir através de seu trabalho em um mercado saudável de competição. Para muitos, esta é uma ilustração assustadora da prosperidade de uma Cuba há muito desaparecida, destruída por comunistas em uma única geração.

Cuba tem um espaço único e especial na minha história e para o vôlei feminino no Brasil. Convivemos durante muitos anos com as jogadoras da seleção cubana de vôlei. Para mim, o melhor time de toda a história. Claro que sempre competimos para vencer, os clássicos jogos contra Cuba se tornaram parte importante da minha carreira e até hoje sou abordada por pessoas que relatam suas madrugadas em frente à TV assistindo àqueles históricos embates. Vencemos algumas partidas, elas outras, as brigas se tornaram marca registrada dos encontros, mas jamais deixamos o lado humano da realidade cubana fora da equação. Não era fácil ouvir o que nos contavam com lágrimas nos olhos, como o regime de Fidel Castro se apropriava de todas as premiações em dinheiro. Tudo, absolutamente toda a totalidade de suas gordas premiações, fossem do time ou individuais, era confiscada pelo governo comunista. Mesmo com posições privilegiadas como atletas profissionais, elas contavam sobre a falta dos itens mais básicos para consumo, como pasta de dente, sabonete e remédios. Sempre que iam para competições no Brasil, comprávamos os produtos para elas, para que pudessem levar para Cuba — sempre escondidos, para não serem confiscados.
Por mais competitivo que fosse o clima do clássico Brasil vs. Cuba, era impossível não se emocionar ao ouvir bicampeãs olímpicas dizendo emocionadas que trocariam tudo, todos os títulos e medalhas pela oportunidade de poder viver fora de Cuba com sua família, longe daquela ditadura horrorosa e daquela miséria absoluta. Durante as coletivas nas competições, criticar o regime era proibido. Os elogios das atletas cubanas aos ditadores nunca foram espontâneos. Todas viviam sob a mais alta pressão e sabiam das consequências para elas e seus familiares se ousassem fazer qualquer crítica pública.
A Cortina de Ferro
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a expressão “Cortina de Ferro” foi criada, para definir o que muitos chamaram de barreira invisível, uma divisão simbólica entre nações democráticas e comunistas na Europa Oriental. A Cortina de Ferro não foi uma barreira física, mas, pelas divisões políticas e ideológicas que causou, foi tão eficaz quanto uma. Sua linha divisória estava localizada onde Berlim Oriental e Ocidental se encontravam; Joseph Stalin e a União Soviética controlavam as nações por trás dela. Essas nações incluíam, mas não estavam limitadas à Polônia, Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Hungria, Iugoslávia, Romênia, Bulgária, Albânia e, claro, a União Soviética.

As nações da Europa Ocidental, como a França e a Grã-Bretanha, não estavam atrás da cortina. Ao minar os processos democráticos após a Segunda Guerra Mundial, Stalin quebrou as promessas que havia feito às nações da Europa Ocidental na Conferência de Yalta, como, por exemplo, permitir àqueles países eleições livres para determinar a composição de seus governos. Em vez disso, ele influenciou essas nações a estabelecerem governos comunistas no final da guerra, por meio de incentivos financeiros, eleições simuladas e outras estratégias. (Que coisa, não…)

Na segunda metade do século 20, o mundo livre, liderado pelos Estados Unidos, conseguiu derrotar os regimes comunistas de estilo soviético, mas a ideologia que produziu esses regimes não desapareceu com eles. Além de ser hoje uma ideologia de Estado na China e em outros países, como Cuba, Vietnã, Nicarágua e em nossa vizinha Venezuela, a nefasta ideologia penetrou sutilmente nas dobras das sociedades ocidentais, onde se estabeleceu no século 21 e se fortaleceu precisamente em virtude da dissimulação: a essência criminosa do comunismo está escondida atrás de proclamações de paz, libertação, tolerância e proteção. Sua aliança com o establishment midiático-cultural-institucional gerou o paradigma do politicamente correto e travestiu o mal de bondade, para que as sementes da barbárie agora germinem em terrenos outrora impossíveis de serem alcançados.
Ao contrário da situação com os nazistas, o comunismo teve mais de cem anos para marchar por nossas instituições em todo o mundo. Poucos entendem que o comunismo, assim como o fascismo, luta pelo controle total sobre todos os seres humanos e suas vidas privadas. Assim como o nazismo, o comunismo é um câncer no corpo da raça humana — e isso não foi contestado por muito tempo. Não houve um Tribunal de Nuremberg para expor com todas as letras o grande mal da humanidade.

Hoje, nos deparamos com uma “Nova Cortina de Ferro” — uma nova divisão interna dentro do próprio Ocidente. Essa divisão, tão perfeita e pacientemente arquitetada, traz o inimigo do Ocidente diretamente para nosso mundo institucional, cultural e até mesmo mental, nos desorganizando, nos enfraquecendo e criando o caos, para gerar vácuos de poder que ele pode então preencher. As ferramentas são outras, mas o objetivo é o mesmo.
A “Nova Cortina de Ferro” ou o novo “Muro de Berlim” chega até nós na forma do politicamente correto, da política de identidade, das divisões e das segregações, do domínio da máfia virtual aliada a políticos e da propaganda ininterrupta de que tudo no Ocidente, tudo no capitalismo e na liberdade que ele promove está errado. Tudo o que serve para manipular cada indivíduo emocional e psicologicamente, há mais de cem anos, será usado novamente. A guerra do comunismo hoje é psicológica. E a maioria das pessoas não está psicologicamente preparada para se envolver com esse ataque violento, especialmente os jovens vulneráveis, que são alvo da aliança total de sua coluna “progressista” no Ocidente disfarçada de bondade e inclusão.

Precisamos refletir sobre como o comunismo afetou a humanidade e agora como sua essência entra em nossas vidas pelas instituições, infiltrando-as com sua intolerância à liberdade e ao livre-arbítrio. Precisamos defender as bases da liberdade no Ocidente para nossos filhos e netos, para que eles façam o mesmo por seus filhos e netos. Temos de examinar como o novo comunismo subverteu a educação, a mídia, o entretenimento, a cultura popular, as legislaturas, os tribunais, o mundo corporativo, os militares, as igrejas e muito mais. É preciso empenho em um trabalho político e institucional em que os corpos legislativos das nações condenem a ideologia do comunismo por motivos morais e humanos.
O Ocidente soube muito bem combater e derrubar o inimigo soviético, mas agora o Ocidente deve fazer um esforço adicional para terminar com a ideologia dos Gulags e suas mutações atuais, a fim de limitar sua propagação. Para iniciarmos nossa vez de lutar contra o “império do mal”, basta fecharmos as redes sociais — e abrirmos os livros de história.
Recomendações de alguns livros, filmes e séries sobre o comunismo:
Livros: Fome na Ucrânia (Gareth Jones); Lenin, um Retrato Íntimo (Victor Sebestyen); A Grande Fome de Mao (Frank Dikotter); Fome Vermelha, a Guerra de Stalin na Ucrânia (Anne Applebaum); Stalin, a Biografia de um Ditador (Oleg V. Khlevniuk); O Livro Negro do Comunismo, Em Busca de Sentido (Viktor Frankl)
Filmes: A Sombra de Stalin; Colheita Amarga; Goobdye Lenin
Séries: Trostky; Como se Tornar um Tirano; Chernobyl
Documentários: The Killing Fields; Segunda Guerra em Cores; O Colapso da União Soviética
Revista Oeste
PUBLICADAEMhttp://rota2014.blogspot.com/2023/03/o-desfecho-da-trilogia-sobre-o-imperio.html





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