Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Bola com Bolsonaro na marca do pênalti. Não pode perder o gol


Nesta terça-feira o Brasil terá um novo presidente. E um governo com perfil inteiramente diferente daqueles que comandaram o país desde a redemocratização.

O ciclo desses governos começou com Fernando Collor de Mello, eleito em 1989.

Começava ali a abertura da economia permitindo aos brasileiros avistar sinais de avanços refletidos no fim da reserva de mercado na área de informática, na melhoria dos veículos, enfim, o país iniciava a transição para uma nova era.

Mas, Collor não tinha sustentação política. Não suportou o tranco. Acusado de corrupção que, comparada ao que viria mais tarde sob Luiz Inácio Lula da Silva, parecia coisa de trombadinha de periferia.

Enquanto Collor 'transava' uma 'Elba', Lula explorava navios, submarino, aviões, estatais, fundos de pensão... O petista acabou no xilindro.

Onde vai mofar.

A menos que intrépidos integrantes do STF arrumem um jeito de tirar da cadeia o maior ladrão da Lava.

Mas essa é uma história batida.

Entre Collor e Lula, ocuparam a cadeira mais relevante do país Itamar Franco e FHC. Os avanços iniciados pelo 'colorido' continuaram modestamente sob a dupla Itamar-FHC.

E o país não deslanchou como parecia no começo do governo Collor.

O Plano Real, a estabilidade da moeda, as privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal foram, sem dúvida, passos notáveis. Mas, tímidos para uma das 10 maiores economias do planeta.

Tanto que o país escancarou as portas para que uma organização criminosa se instalasse no poder.

Sem meias palavras, FHC tolerou e deu carta branca para o PT aparelhar a máquina pública.

E tudo deságua no Petrolão. O Mensalão foi apenas o embrião. O laboratório para toda a bandalheira que desmoralizaria, sem exceção, as instituições.

Judiciário, Legislativo, Executivo, tribunais, imprensa, empresas...

Correção: as Forças Armadas não foram contaminadas pela corrupção comandada por Lula.

A Igreja Católica, boa parte dela - alô, CNBB! -,  abençoou as falcatruas do petista e sua organização criminosa.

De tanta humilhação, o povo resolveu fazer justiça com os próprios dedos. Digitou na urna a repulsa a Lula e seus puxadinhos.

Poucos meliantes escaparam: Renan, Gleisi, Humberto Costa...

O Nordeste que, lamentavelmente, havia dado sustentação à Arena durante a ditadura, elegeu e reelegeu em outubro governadores corruptos do PT e de seus puxadinhos.

Todos ligados à quadrilha comandada por Lula. Tanto que apoiaram o candidato da organização criminosa do Lula.

Esta terça-feira pode ser emblemática para o futuro do país.

A posse de Jair Bolsonaro, que derrotou o candidato da escória lulista com mais de 10 milhões de votos de vantagem, pode e deve significar o início de novos tempos.

Se depender de apoio popular, podemos apostar em novos tempos.

A equipe que o capitão montou justifica a esperança

A bola está na marca do pênalti.

Bolsonaro não pode perder o gol.



































extraídaderota2014blogspot

"Boicote sem sentido",

por João Domingos
O boicote anunciado pelo PT à posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República é uma dessas decisões que têm tudo para se voltar contra seu autor. Mesmo reconhecendo o resultado da eleição deste ano, diz o PT que o processo eleitoral foi marcado pela falta de lisura do processo desde o impeachment de Dilma Rousseff. Depois, pela proibição legal da candidatura de Lula e pela “manipulação criminosa das redes sociais para difundir mentiras contra o candidato Fernando Haddad”. 
Em relação ao impeachment, o PT pode falar o que quiser. Pode chamar de golpistas os partidos que votaram a favor do processo, ora xingá-los, ora a eles se aliar, mas o afastamento de Dilma se deu dentro da normalidade democrática, com rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal e com o julgamento presidido por um ministro aliado, Ricardo Lewandowski. Tão aliado, que ajudou o então presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), a fatiar a sentença, dando a Dilma direitos políticos, mesmo tirando-a do poder. Sobre Lula, ele está enquadrado na Lei da Ficha Limpa, pois condenado por órgão colegiado. Quanto às fake news, elas avançaram sobre o eleitor de lado a lado. Não foram uma exclusividade do vencedor. 
Nesse sentido, o boicote à posse de Bolsonaro tende a se tornar um gesto vazio. Como foram vazios e marcados pelos erros políticos alguns gestos do PT ao longo da história. Por exemplo: o partido decidiu boicotar o Colégio Eleitoral que, em 1985, elegeu Tancredo Neves presidente da República. Foi essa eleição que permitiu a consolidação da abertura democrática e a saída dos militares do poder, além da convocação de uma Assembleia Constituinte. 
Três anos depois, o PT optou por votar contra a Constituição de 1988. Então líder do PT na Constituinte, Lula justificou, num discurso de 22 de setembro de 1988, que seu partido votaria contra o texto porque, “mesmo havendo avanços na Constituinte, a essência do poder, a essência da propriedade privada, a essência do poder dos militares continua intacta nesta Constituinte”. Mas, pelo sim, pelo não, Lula anunciou no mesmo discurso que, por decisão do Diretório Nacional do PT, os constituintes assinariam a Constituição. Hoje, todo mundo é testemunha de que os petistas fazem um grande exercício para esquecer o gesto do passado. (O partido votou também contra o Plano Real e contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, reconhecidas iniciativas do bem.) 
Num discurso em comemoração aos 20 anos da Constituição de 1988, em 5 de outubro de 2008, Lula disse aos participantes da cerimônia que se arrependia de não ter votado a favor da Carta. E contou como foi a luta para assinar o texto da Constituição: “Uma parte da bancada, radicalizada, achava que não deveria assinar e eu disse: ‘Não tem sentido. A gente participou dois anos aqui, ganhamos salário, ganhamos assistentes para nos ajudar, como é que pode um filho nascer e a gente não registrar? Vamos assinar’.” Na mesma fala, Lula disse que, na Presidência da República, compreendeu, como ninguém, que a Constituição, com todos os defeitos que tem, é um garantidor da democracia. “Esta é a verdade nua e crua.” 
A ausência do PT na posse de Jair Bolsonaro vai significar alguma coisa? Nada. Bolsonaro não contou com o voto de petistas para se eleger. Não contará com o voto dos petistas para aprovar seus projetos. Mas usará o PT, mais uma vez, para falar com seu eleitor. Se na eleição ele se disse o anti-PT, e foi vitorioso, a partir da posse poderá dizer que o partido se negou a se fazer presente na cerimônia que coroou a festa da democracia. Só quem vai perder é o PT.

O Estado de São Paulo






































extraídaderota2014blogspot

"Boicote mostra democracia de fancaria do PT"

Merval Pereira:
O PT mais uma vez dá uma demonstração clara de que é democrático só quando a maioria está a seu favor. Ao anunciar que boicotará a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro, repete comportamento antidemocrático que já virou rotina na sua atuação parlamentar.
Recusou participar do governo de união nacional de Itamar Franco, depois de ter liderado a derrubada de Collor; não homologou a Constituição de 1988; não apoiou o Plano Real, chamando-o de estelionato eleitoral; não apoiou a Lei de Responsabilidade Fiscal, e por aí vai, numa posição egoísta que só aceita alianças politicas quando as controla, à base de escambos e corrupção.
A recusa em comparecer à posse está acoplada a um movimento politico anterior à disputa do segundo turno da eleição presidencial. Já àquela altura o partido entrou com uma ação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a impugnação da chapa de Bolsonaro, por abuso de poder econômico.
Mesma atitude que o PSDB tomou contra a eleição de Dilma Rousseff, que o PT tratou como sendo um golpe antidemocrático. Desta vez, fez pior. Tentou impedir que seu adversário disputasse o segundo turno. O processo ainda está em andamento, e o terceiro turno foi aberto mesmo antes de o segundo se realizar, o que é espantoso mesmo para padrões petistas.
A historia da Constituição de 1988 é interessante. Os petistas dizem que a acusação de que não assinaram a nova Carta é mentirosa, e tecnicamente têm razão. Mas a negativa é um truque banal, assinaram porque eram obrigados regimentalmente, já que participaram de sua confecção. Mas quando tiveram a opção de não participar da cerimônia de homologação, assim o fizeram, para demonstrar repúdio ao que classificavam de uma Constituição feita pela direita. 
Logo a Constituição-cidadã, vista pela Centrão como inviabilizadora do governo brasileiro, como definiu o então presidente José Sarney. Muitas promessas, poucas obrigações, uma Constituição populista de cunho esquerdista, como criticavam à época os do Centrão.
 Agora, mais uma vez, se escoram em uma muleta linguística para justificar o boicote antidemocrático. Dizem que acatam o resultado das eleições, embora alcançado por meios ilegais, e não comparecem à posse para demonstrar que a resistência já começou.
Ora, a democracia pressupõe o revezamento de poder, e não aceitá-lo corresponde a colocar em questão essa possibilidade, transformá-la não em uma opção legítima da maioria do eleitorado, mas consequência de abusos ilegais que a desacreditam.
Além do mais, se o processo no TSE está em andamento, há demonstração clara de que consideram que a eleição de Bolsonaro foi fraudada, e buscam na Justiça Eleitoral a reparação do dano. Alegar que o boicote é contra o pensamento retrógrado de Bolsonaro, suas declarações misóginas e preconceituosas, é tentar uma justificativa que mascare a decisão antidemocrática.
Comparecessem à cerimonia com cartazes de protesto, marcassem suas posições - o PT e o PSOL, que também aderiu - na luta politica, não na negação da alternância no poder. Instalado o novo governo, a oposição terá todas as condições de tentar até mesmo obstruir as votações que interessem ao governo, se mantiverem a postura de ser contra tudo o que o governo que o derrotou propõe, e não por convicção.
Lembro bem quando o deputado João Paulo Cunha virou presidente da Câmara, no início do primeiro governo Lula, e coordenou a aprovação da continuidade da reforma da Previdência iniciada no governo Fernando Henrique, contra o que o PT sempre lutou. Perguntei qual a razão da mudança, e ele foi curto e direto: “Luta política”.
Quando o presidente do PSDB e candidato derrotado na eleição de 2014, senador Aécio Neves, entrou com uma ação no TSE para impugnar a chapa vencedora por abuso de poder econômico, o PT gritou que era golpe. Ainda mais depois que o próprio Aécio disse que tomou essa atitude “só para encher o saco”.
Sem explicitar, é o que o PT está fazendo agora. Se era golpe antes, é golpe agora também. Em circunstâncias muito piores, pois Fernando Haddad foi derrotado por larga margem de votos, enquanto o PSDB perdeu por diferença ínfima. E a ação do PT foi feita ainda no primeiro turno, o que introduziu na disputa do segundo um elemento desestabilizador.

O Globo


























extraídaderota2014blogspot

Pensando bem, a ausência do PT e de seus puxadinhos na posse de Bolsonaro é higiênica



"Começa a Era Bolsonaro",

por Ruy Fabiano
O governo Jair Bolsonaro, entre tantas indagações e perplexidades, oferece ao menos uma certeza: veio para mudar. Se triunfará, é outra história, que começa daqui a dois dias.
Não lhe falta lastro popular: segundo o Ibope, inicia-se sob as expectativas otimistas de nada menos que 75% da população.
Não é pouco – e é surpreendente, já que se elegeu com 59% dos votos válidos, o que significa que ou as urnas se equivocaram ou 16% dos que votaram no PT mudaram de ideia dois meses após o segundo turno, não obstante o radicalismo que marcou a campanha.
Como não há registro físico dos votos, nunca se saberá.
O que importa é que o anseio por mudança, que começou a se exteriorizar em 2013, numa sucessão de gigantescas manifestações de rua em todo o país – e que desaguou, em 2016, no impeachment de Dilma Roussef -, foi por ele capitalizado.
As mesmas multidões voltaram a se manifestar em sua campanha, sobretudo após o atentado de que foi vítima.
O fenômeno Bolsonaro não é obra individual. Ele tornou-se estuário do clamor popular por ruptura com a (des)ordem vigente, que o impeachment não aplacou. Ao contrário, intensificou.
Michel Temer, o estepe de Dilma, mesmo conseguindo a façanha de fazer com que o país parasse de piorar, não serenou o quadro. Entrega um país um pouco melhor que o que recebeu, mas, no plano moral, manteve o padrão, exposto pela Lava Jato.
Ele e Dilma, entre outros companheiros da parceria PT-MDB, devem se reencontrar em breve nos tribunais.
Desde a retomada do poder pelos civis, a partir de 1985, o país passou a seguir uma agenda de fundamentação esquerdista, em conluio com o mais deslavado fisiologismo, levado ao paroxismo a partir dos governos do PT. Não podia dar certo – e não deu.
A soma de corrupção com gestão temerária tornou-se insustentável e levou o país à ruína. À exceção do breve interstício do Plano Real, que o PT liquidou, o país patinou, entre um governo e outro, na instabilidade econômica, política, social e institucional.
A Lava Jato submeteu os três Poderes a um strip-tease moral sem precedentes. O saldo é eloquente: 14 milhões de desempregados, déficit orçamentário de R$ 150 bilhões, mais de 60 mil homicídios anuais, índice de guerra civil. Entre outras coisas.
O resultado foi a eleição de alguém que, ao longo de todo esse processo, foi o contraponto ideológico mais veemente aos sucessivos governos, com ênfase aos do PT. A princípio, era uma voz periférica, a bradar da tribuna do baixo clero da Câmara, sem audiência do grande público, ao qual só chegava de forma caricatural, nos momentos (não poucos) em que se excedia em sua retórica.
Gradualmente, porém, com a deterioração da cúpula política, passou a ser ouvido, valendo-se da intermediação das redes sociais, já que a mídia convencional o ignorou até onde pôde.
Importa dizer que a sociedade, em sua maioria, viu (e vê) nele um corpo estranho ao ecossistema político vigente, e em condições de mudá-lo. A montagem ministerial, não obstante controvérsias pontuais, foi bem avaliada, segundo o Ibope.
Os próprios adversários já admitem que não será fácil reverter o processo que se inicia. José Dirceu previu que “a Era Bolsonaro será longa”. E Fernando Haddad já declarou que o projeto liberal do novo governo “pode dar certo”. Admitir, porém, não significa se conformar.
O PT retoma sua maior habilidade: a de força predadora. Fará (já está fazendo) oposição sistemática.
Terá, porém, contra si a Lava Jato robustecida, cujo símbolo, Sérgio Moro, deixa a modesta primeira instância de Curitiba para assumir a cabine de comando do Ministério da Justiça.
O Brasil que se inicia, mesclando tecnocratas, militares, políticos e neófitos, terá múltiplos desafios e enfrentará turbulências. Terá de aprender a trocar o pneu com o carro andando.
De tédio, com certeza, não padeceremos. Apertem o cinto – a viagem vai começar.

Ruy Fabiano é jornalista



















extraídaderota2014blogspot

sábado, 29 de dezembro de 2018

"A separação dos Poderes",

editorial do Estadão
Em um mandado de segurança impetrado pelo senador Lasier Martins (PSD-RS), o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, por medida liminar, que a eleição para os cargos da Mesa Diretora do Senado, que ocorrerá no dia 1.º de fevereiro de 2019, seja feita por meio de voto aberto dos senadores.
O próprio Senado Federal adotou mais de uma vez a sistemática da votação aberta para a eleição dos cargos da Mesa Diretora. O problema é que não cabe ao Poder Judiciário determinar – especialmente pela via monocrática, isto é, pela vontade um único ministro do STF – o funcionamento interno de outro Poder. Como marco fundamental do Estado brasileiro, a Constituição assegura o princípio da separação dos Poderes.
A decisão do ministro Marco Aurélio afronta o Regimento Interno do Senado, que, no art. 291, assegura que a votação será secreta nas eleições, por determinação do plenário e em algumas situações específicas, como exoneração do procurador-geral da República ou perda de mandato de algum senador.
A jurisprudência da Suprema Corte é pacífica no sentido de que as normas de caráter regimental do Congresso se qualificam como matéria interna corporis, sobre as quais compete exclusivamente ao Legislativo deliberar. A interpretação dessas normas deve ser feita exclusivamente no âmbito do Parlamento, sendo vedada sua apreciação pelo Poder Judiciário. Em respeito à separação e à autonomia dos Poderes, os atos interna corporisestão imunes ao controle judicial.
O problema da liminar, portanto, não está no fato de determinar que a votação seja aberta. Ela pode ser aberta ou fechada. Mas a forma de votação está na dependência exclusiva de uma deliberação do próprio Senado. Há previsão expressa no Regimento Interno da Casa de votação fechada para eleições. O equívoco da decisão do ministro Marco Aurélio reside na interferência indevida do Judiciário sobre outro Poder, agravado pelo fato de ser uma decisão monocrática contrária à própria essência colegiada do Supremo Tribunal Federal.
Ao dar a ordem liminar, o ministro Marco Aurélio disse que a publicidade das deliberações do Parlamento é a regra e que só poderia ser afastada em situações excepcionais. Não há dúvida de que a publicidade é a regra para os atos do Estado, seja qual for o Poder. No entanto, não compete ao Judiciário determinar quais são os casos excepcionais nos quais uma votação do Legislativo poderá ser secreta. Tal determinação deve ser feita pelo próprio Congresso, seja por meio do Regimento Interno da Câmara ou do Senado, seja por meio de deliberação do plenário, conforme consta no próprio art. 291 do Regimento Interno do Senado.
A votação aberta para a escolha da Mesa Diretora pode dificultar a ocorrência de algumas bizarrices, como a de alçar o senador Renan Calheiros à presidência da Casa. Após a renovação excepcional que as urnas promoveram nas cadeiras do Senado, seria uma aberração que o notório senador alagoano, com currículo e práticas políticas sobejamente conhecidos e acintosamente distantes do que se espera do novo Congresso, seja eleito mais uma vez presidente da Casa.
No entanto, o risco de uma escolha tão desacertada para a presidência do Senado não torna o Judiciário apto a se intrometer na definição sobre o modo como transcorrerá a votação da Mesa Diretora no dia 1.º de fevereiro de 2019. Cabe ao Senado a responsabilidade de definir a modalidade de votação e de escolher bem sua Mesa Diretora. O controle desses atos não é feito pelo Judiciário, e sim pela população, quando vai às urnas. A Constituição proíbe proposta de emenda constitucional tendente a abolir a separação dos Poderes. Como dizer, portanto, que um juiz respeita a Constituição quando, monocraticamente, fragiliza essa separação? Causa muitos danos ao País a ideia de que a atividade política deve ser tutelada incondicionalmente pelo Poder Judiciário. O desrespeito ao âmbito de cada Poder desprestigia a Constituição e afronta a democracia.












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Conselheiro de Bolsonaro, general Heleno vai enfrentar uma nova guerra. Oficial de currículo invejável é conhecido por suas duras opiniões, que lhe custaram a chance de chefiar o Exército

Igor Gielow, Folha de São Paulo
Decano do grupo de militares que cercou o capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro em sua vitoriosa campanha à Presidência, Augusto Heleno Ribeiro Pereira odeia ser chamado de eminência parda do mandatário que assumirá no dia 1º.
Nega ser político, mas politicamente virou o conselheiro-chefe da corte bolsonarista, sendo indicado para ocupar o GSI (Gabinete de Segurança Institucional).
Membro mais influente fora do círculo familiar de Bolsonaro, Heleno rejeita ser um Golbery do Couto e Silva, general das sombras que mandava e desmandava no fim dos anos 1970 e começo dos 1980, na ditadura militar.
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Aqui ele tem razão: sua visão política sempre foi dita à luz do dia, o que teve um preço. Ele passou pelo Gabinete Militar de Fernando Collor, mas sua carreira decolou numa gestão que abominava, a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em 2002, assumiu o estratégico Centro de Comunicação Social do Exército. Em 2004, assumiu como primeiro comandante brasileiro de uma missão de paz das Nações Unidas, no Haiti.
Para críticos, o Brasil fez o serviço sujo de tentar estabilizar a ilha para os americanos. Para o Exército, a ação capacitou os 36 mil soldados que passaram pelos 13 anos de missão de forma única.
Heleno, criticado pelo uso da força em ações como a caçada ao líder criminoso Dread Wilme, em 2005, voltou para o Brasil laureado. Desembarcou no gabinete do comandante do Exército e, dois anos depois, assumiu o prestigioso Comando da Amazônia.
O curitibano tornou-se o mais notório líder militar na redemocratização. Sua vida como oficial superior, apesar de ele ter sido formado na ditadura, ocorreu após 1985.
Tudo indicava que ele viraria o comandante da Força, mas a língua ferina o abateu. Em palestra no Clube Militar do Rio em 2008, chamou a política indigenista de Lula de lamentável e caótica, em meio à discussão sobre a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol (RR), a que se opunha.
O desgaste o levou à burocrática Divisão de Ciência e Tecnologia no ano seguinte —posto que desprezava e que lhe rendeu uma reprimenda do Tribunal de Contas da União por contratos considerados irregulares.
Com apenas 63 anos e com as quatro estrelas do topo da hierarquia no ombro, passou à reserva em 2011. Foi impedido pelo então ministro da Defesa, Nelson Jobim, de proferir uma palestra final na qual defenderia que o golpe de 1964 salvou o país do comunismo.
Apesar dessa crença, de resto compartilhada pela cúpula do bolsonarismo, Heleno não é um saudosista da ditadura e nunca advogou intervenção militar, como fez em 2017 o agora vice-presidente, general Hamilton Mourão.
Ainda assim, explicitando as nuances das relações entre militares graduados, Heleno apoiou Mourão no episódio.
Na reserva, assessorou o Comitê Olímpico Brasileiro e passou a dar palestras sobre segurança e defesa.
E falava sobre política. Passou a criticar abertamente os governos petistas, e sua voz amplificada pelos canais dos clubes de oficiais da reserva reverberou. Tanto que alguns desses grupos começaram a divulgar, pela internet, a intenção de lançar Heleno à Presidência.
O impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016 o aproximou de Bolsonaro. Eles eram velhos conhecidos: Heleno foi o treinador do então cadete conhecido como "Cavalão" na equipe de pentatlo moderno da Academia Militar das Agulhas Negras.
Heleno é entusiasta da visão militar da ocupação da Amazônia para conter o que considera infiltrações estrangeiras, discurso adotado por Bolsonaro. Já em 14 de setembro de 2015, o então deputado federal postou no Twitter a foto de um almoço com Heleno.
O militar, que em público sempre rejeitou a ideia de concorrer, resolveu que poderia auxiliar o ex-cadete e talvez se lançar ao Senado.
A partir de setembro de 2017, grupos começaram a discutir o plano de governo de Bolsonaro. Se a parte econômica era guiada por Paulo Guedes, o comando era de Heleno. Seu currículo e os então 70 anos (agora 71) lhe deram precedência hierárquica.
Filho de um professor do Exército, foi primeiro da classe na arma da cavalaria da escola de oficiais, Heleno sempre gostou de comandar.
Seus desafetos dizem que, por trás do discurso apolítico, há um voraz apetite por poder e controle.
O general ocupou espaços e é um dos poucos que fazem calar os loquazes filhos do eleito em discussões. É viciado em comunicação: conta que recebe de 500 a 700 mensagens diárias pelo WhatsApp.
Na campanha, Heleno ocupou-se também de um plano de segurança que espelha sua experiência no Haiti.
Foi, com Guedes e Onyx Lorenzoni (Casa Civil), um dos primeiros a ser nomeado para o ministério ainda na campanha —no caso para a Defesa. Acabou no GSI para ficar mais próximo do núcleo decisório do governo.
Bolsonaro atribuiu a ele a indicação do novo titular da Defesa, também general da reserva Fernando Azevedo e Silva. Heleno desconversa.
O ministro é um nacionalista como visões desenvolvimentistas, mas defendeu a venda da aviação civil da Embraer para a Boeing e agradou empresários paulistas no primeiro grande encontro com o candidato, em agosto.
Auxiliares não duvidam de que ele será ouvido quando a equipe liberal de Guedes fizer propostas impopulares.
Os entrechoques deverão vir daí e também do relacionamento com outro general de quatro estrelas da reserva em evidência: o vice Mourão.
Heleno era a escolha de Bolsonaro para o cargo, mas uma picuinha eleitoral do PRP, partido ao qual filiou-se em abril deste ano, lhe tirou a legenda.
Com isso, Bolsonaro pediu ajuda ao único aliado, o PRTB, que lhe deu o polêmico Mourão —cujo linguajar é menos diplomático do que o usado hoje por Heleno.
Durante a campanha, foi o general que aplacou a ira da família de Bolsonaro contra a tentativa de protagonismo que Mourão ensaiou após o atentado que tirou o candidato da campanha de rua.
Como o vice, Heleno é muito mais articulado do que o novo presidente ao expor ideias. Seu contato com a mídia, em que pese criticá-la sempre que possível e até responsabilizá-la pelo atentado, sempre foi franco e irrestrito.
Essa proximidade de perfil e o gosto pelo comando sugerem arestas futuras na corte. Amigos de Heleno dizem que ele sabe que não teve voto, então irá jogar pelas regras. O ar de Brasília colocará à prova a fama de que a relação entre ele e Bolsonaro é inoxidável.











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