Jornalista Andrade Junior

FLOR “A MAIS BONITA”

NOS JARDINS DA CIDADE.

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CATEDRAL METROPOLITANA DE BRASILIA

CATEDRAL METROPOLITANA NAS CORES VERDE E AMARELO.

NA HORA DO ALMOÇO VALE TUDO

FOTO QUE CAPTUREI DO SABIÁ QUASE PEGANDO UMA ABELHA.

PALÁCIO DO ITAMARATY

FOTO NOTURNA FEITA COM AUXILIO DE UM FILTRO ESTRELA PARA O EFEITO.

POR DO SOL JUNTO AO LAGO SUL

É SEMPRE UM SHOW O POR DO SOL ÀS MARGENS DO LAGO SUL EM BRASÍLIA.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Resumo da semana: a militância esquerdista da imprensa foi escancarada

 RODRIGO CONSTANTINO


Resumo da semana: a militância esquerdista da imprensa foi escancarada

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"As piores eleições do mundo"

 J.R. Guzzo:

Num dos melhores momentos de sua viagem (viagem mesmo, em todos os sentidos) ao País das Maravilhas, Alice pergunta à Tartaruga Falsa quantas horas de aula por dia ela tinha tido ao longo do seu processo educacional. Dez horas no primeiro dia, responde a Tartaruga. Nove no dia seguinte. Oito no outro dia — e assim por diante, até o zero. Em suma: era um sistema por meio do qual todos aprendiam cada vez menos quanto mais o tempo passava. Nada mais natural no mundo incompreensível e, ao mesmo tempo, perfeitamente lógico no qual Alice havia entrado — mas só lá. Ou melhor: lá e no Brasil. Eis aí, na verdade, o retrato pronto e acabado do eleitorado brasileiro de hoje.

Já são 32 anos seguidos, desde que a Constituição Cidadã de 1988 desabou sobre a sociedade brasileira, que a população é obrigada de dois em dois anos, com a regularidade das fases da Lua, a votar nas eleições destinadas a escolher de vereador a presidente da República. Deveria ter sido tempo mais do que suficiente para os eleitores aprenderem a votar direito — expulsando da política a multidão de candidatos-bandidos que frequenta as campanhas, senadores que escondem dinheiro na cueca e mais do mesmo. Era o que estava previsto na melhor teoria. Quanto mais votassem, mais as pessoas aprenderiam a votar bem; começariam, então, a dar seus votos a candidatos mais comprometidos com o interesse público, e não a essa manada de vigaristas que anda por aí. Com o tempo, e de um modo geral, iriam sobrar apenas os bons elementos. Mas, obviamente, o aprendizado que os nossos doutores em ciência política imaginaram para o Brasil deu errado. Não é uma estimativa. É o que demonstram os fatos.

Quanto mais tempo passa — 32 anos, agora — menos se aprende. Em vez de melhorarem, os candidatos pioram a cada eleição. Em vez de escolher políticos menos ruins, o eleitorado manda para o governo os que são mais absurdos. Basta ver os que estão aí, em todos os níveis — alguém acredita, sinceramente, que a maioria desses governadores, deputados, senadores etc. etc. seja gente boa? Ou, ao contrário, que sejam uma das piores coleções de delinquentes já reunidas na vida pública brasileira? A prova mais chocante do colapso geral do sistema é a lista atual de candidatos para os 5.500 cargos de prefeito e quase 60.000 vereadores que têm de ser preenchidos nas eleições municipais deste mês de novembro. É um trem fantasma.

O que temos mais uma vez, nesse curioso processo de aprendizado ao contrário, é a costumeira aglomeração de casos perdidos. Qual “agência de checagem de fatos”, destas que estão terrivelmente em moda hoje em dia entre os veículos de comunicação, daria o seu selo de qualidade aos candidatos que concorrem, por exemplo, à prefeitura de São Paulo? É uma das maiores cidades do mundo; seu prefeito e vereadores teriam de ser as pessoas mais qualificadas do país para existir alguma chance, apenas isso, de lidar de maneira razoável com os problemas monumentais do município e as opções que há diante deles. Mas o que acontece é o exato contrário. Os candidatos impostos pelos partidos para a eleição de 2020 são os piores que temos desde o padre Anchieta, 466 anos atrás. Não conseguiriam governar um clube de pingue-pongue; querem mandar nos 12 milhões de moradores de São Paulo.


O voto distrital implode o sistema em vigor e elimina quase todos os seus vícios


Você sabe muito bem quem são eles. São políticos fracassados, que já tiveram todas as chances para errar e não perderam nenhuma. É gente que já governou e não fez nada que prestasse. São os perdedores de sempre, que disputam a eleição unicamente porque têm à disposição o dinheiro do “fundo eleitoral” que arrancam dos impostos pagos pelo público em geral. São os aventureiros de sempre — que, vendo o baixíssimo nível dos seus concorrentes, acham que vale a pena entrar nessa loteria. São as nulidades sem cura, os marginais mais ambiciosos e, em certos casos, os representantes do crime organizado — esses mesmos que o ministro Marco Aurélio manda soltar e o ministro Fachin protege; já proibiu os voos de helicóptero da polícia sobre as favelas, e agora quer proibir a revista dos visitantes que recebem quando estão na cadeia.

Votar direito como, se os candidatos são esses aí, abençoados pela Justiça Eleitoral depois de passarem, rindo, pelos seus filtros? O Brasil, aliás, deveria ter os melhores políticos do mundo — é a única democracia no planeta Terra que tem uma “Justiça Eleitoral”, com um tribunal supremo, 27 “tribunais regionais” (cada um com o próprio palácio), altos funcionários e um custo, para o cidadão, de R$ 9,2 bilhões por ano, ou R$ 25 milhões por dia. (A “Justiça Eleitoral”, como se sabe, é capaz de gastar mais em anos em que não há eleições.) Em resumo: é um fenômeno. Só que os governantes que saem dessa paçoca pioram, em vez de melhorar; está na cara que o papel didático da burocracia eleitoral está sendo um completo fracasso.

É uma penitência, realmente, ouvir várias vezes por dia no rádio e na televisão o ministro Barroso, que no momento é quem preside esse TSE, usar o dinheiro dos seus impostos para pôr no ar, mais uma vez, as eternas campanhas destinadas a ensinar como você deve votar. Como descrito acima, o resultado de tudo isso, em termos de qualidade dos políticos eleitos, é igual a três vezes zero. Mas é claro que as aulas de moral, de cívica e de responsabilidade social que o ministro gosta tanto de socar em cima do público vão continuar. Como justificar de outro jeito aqueles R$ 25 milhões que eles conseguem gastar por dia? Além disso, o TSE etc. etc. faz o ministro (Barroso hoje, um colega amanhã) representar diante do público mais um papel de homem “importante”. No mundinho deles, é algo que não tem preço.

A única cura realmente eficaz, e provavelmente definitiva, para a desgraça que são as eleições brasileiras, é um conjunto de meia dúzia de providências simples como a tabuada — e que não têm nada a ver com a “Justiça Eleitoral”, ou com a palhaçada geral dos discursos em defesa das “instituições”. A maioria dos brasileiros capaz de entender que dois mais dois são quatro, e não vinte e dois, sabe muito bem quais são elas. O pacote básico inclui, logo de saída, o fim do voto obrigatório. Junto com a eliminação dessa trapaça — vendida como “dever cívico”, mas criada unicamente para garantir a compra dos votos dos semianalfabetos e dos que não ligam a mínima para política —, teria de vir o voto distrital. Podem se gastar horas na discussão dos detalhes, mas no fundo isso significa o seguinte: o Brasil é dividido em 513 distritos, o número atual de cadeiras na Câmara dos Deputados; cada distrito terá exatamente o mesmo número de eleitores, e os candidatos só podem concorrer em um dos distritos.

O voto distrital simplesmente implode o sistema eleitoral em vigor e elimina quase todos os seus vícios. Acaba a farra dos Estados que não têm eleitores, mas têm pencas de deputados eleitos com meia dúzia de votos. Acabam os candidatos que têm 2 milhões de votos no Estado inteiro e elegem junto com eles picaretas nos quais quase ninguém votou. Acabam as despesas bilionárias das campanhas, pois os candidatos só podem ter votos num único distrito; não vão precisar de jatinho, comerciais de televisão etc. etc. Acaba a irresponsabilidade do candidato perante o eleitor: ao concorrer num distrito determinado, ele terá de assumir compromissos concretos para ser eleito — e o cumprimento das promessas que fez será cobrado na eleição seguinte.

Talvez mais do que tudo, o voto do brasileiro que tem título eleitoral em São Paulo ou em Minas Gerais passa a valer a mesma coisa que o voto do brasileiro que vive no Amapá ou em Roraima. São Paulo, por exemplo, tem hoje 70 deputados federais para uma população superior aos 45 milhões de habitantes — um representante para cada 650.000 moradores; o Amapá, com 750.000 habitantes, tem 8 deputados — um para cada quase 94.000. O voto do eleitor com título eleitoral de São Paulo vale sete vezes menos que o do eleitor do Amapá. Como pode funcionar um negócio desses? Para completar o novo sistema, a eliminação de quatro aberrações: o foro privilegiado, a propaganda eleitoral obrigatória no rádio e na televisão, o “suplente” de senadores e deputados e os “fundos” partidário e eleitoral — tramoias que só servem para encher a vida pública com gente safada.

O efeito desse conjunto de mudanças seria instantâneo — daria resultados logo na primeira eleição. Resolve o problema de governadores, prefeitos e senadores — ou do presidente da República? Não, não resolve. Mas resolve a Câmara dos Deputados, as Assembleias Legislativas e as Câmaras de Vereadores — e isso aí já é um mundo. De mais a mais, não existe Executivo ruim com Legislativo bom — e nem Judiciário, quando se pensa um pouco. É por isso mesmo que os mais intransigentes defensores orais da democracia, das “instituições”, do “Estado de direito” etc. etc. etc. preferem pegar uma covid tripla a mexer no sistema eleitoral brasileiro. É com ele que ganham a vida. Não querem largar o osso.

Revista Oeste






















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"O plebiscito dos mentecaptos"

 Guilherme Fiuza: 


OBrasil está com a vida ganha, não tem nada pra fazer amanhã e então resolveu discutir uma Constituição nova. A ideia genial teve como porta-voz ninguém menos que o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros. Temendo que isso não fosse suficiente para salvar os brasileiros do tédio, o deputado caprichou na emoção: ele quer um plebiscito.

Brasil, seus problemas acabaram. Essa sensação de estar de barriga cheia numa tarde modorrenta de domingo terminou. Ricardo Barros veio te tirar da zona de conforto — esse lugar perigoso que ameaça a todos os que, como o Brasil, estão com o boi na sombra e o motorista na porta esperando a ordem para levá-lo ao shopping. Chega disso. Com a campanha do plebiscito para uma nova assembleia constituinte você vai voltar a ver aquele desfile exuberante de almas penadas — Lula, Ciro Gomes, Requião, Dirceu, sindicalistas gulosos e subcelebridades sedentas — explicando como vão mudar tudo que está escrito para salvar você do Mal.

De fato, um país atropelado por uma pandemia que ressuscitou todos os picaretas e sabotadores associados precisa sair da zona de conforto. Essas quarentenas vips são mesmo confortáveis demais. Estava na hora de uma sacudida. Essa dívida de quase R$ 1 trilhão distribuído para a população não morrer de fome a gente vê depois. Isso aí se resolve com um pouco de empatia e duas laives da Anitta. O importante agora é fazer uma assembleia constituinte para dar chance a essa gente sofrida do lobby parasitário que ainda não conseguiu brilhar na Era Rodrigo Maia.


Se o tédio bater a Daniela Mercury faz mais uma laive


Tem também essa questão de decidir o que os pobres vão comer em janeiro, quando acabar o auxílio emergencial. Mas isso é ansiedade pequeno-burguesa. Hoje em dia há uma clara supervalorização desse negócio de comer. Só pode ser efeito colateral daquele fenômeno das varandas gourmet. De repente ficou todo mundo ligado demais em comida. Não é por aí. Acaba o auxílio emergencial, mas começa a campanha emocionante do Ricardo Barros pelo plebiscito — e emoção é alimento espiritual. Chega de materialismo.

É bem verdade que o Brasil não consegue fazer nem a reforma administrativa. Mas talvez seja justamente esse o problema: estamos pensando pequeno. Por isso é que as novas reformas não andam. Não tem nada a ver com o transtorno da vida nacional provocado pela pandemia e seus aproveitadores. O que falta é pensar grande. O Congresso não consegue dar um passo na reforma tributária, mas uma nova Constituição sai.

Essa é a grande sacada do Ricardo Barros: já que o país está na UTI, vamos aproveitar e fazer logo um transplante de coração. Já estamos aqui mesmo, certo? Mas nada de autoritarismo. Constituinte é participação de todos. Tem que ter bisturi pro PT, PCdoB, Psol, PP, PQP, PODEMOS, QUEREMOS etc. É a festa da democracia na UTI. O país já parou um ano mesmo, então para só mais dois, ninguém vai nem notar. Se o tédio bater a Daniela Mercury faz mais uma laive. Esse coração novo vai ficar uma coisa linda.

Os tarados do lockdown estão maravilhados com a iniciativa do companheiro Ricardo Barros. Estava ficando um pouco difícil manter o país travado com as pessoas voltando a circular e descobrindo que aquele trancamento medieval não salvou ninguém. Um plebiscito é simplesmente perfeito. Enguiça tudo de novo numa outra urgência inútil e os idiotas tomam conta novamente guerreando entre a Constituição futura e a Constituição pretérita, a Constituição de esquerda e a Constituição de direita, a Constituição liberal e a Constituição conservadora, a Constituição fake e a Constituição fuck.

Se no meio disso o Aécio aparecer com uma seringa para vacinar todo mundo, ninguém vai nem lembrar contra que mesmo era essa vacinação. O coronavírus não é ninguém perto da pandemia de estupidez.

Revista Oeste 



















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"Nova Constituição para quê?!"

 Rodrigo Constantino: 

Os chilenos decidiram mudar a Constituição em plebiscito realizado neste último domingo. Nos próximos meses, um novo marco constitucional será redigido por uma Assembleia Constituinte, opção também escolhida pela população na votação.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou que a “cidadania e a democracia triunfaram” em seu país, após conhecer os resultados parciais do plebiscito. “Hoje demonstramos novamente a natureza democrática, participativa e pacífica do espírito dos chilenos e da alma das nações honrando nossa tradição de República”, afirmou o presidente, pedindo a colaboração de todos para a próxima fase do processo. Será?

Há controvérsias. Na verdade, muitos querem “se vingar” do fato de a Constituição atual ser legado do regime Pinochet. Esse foi um dos pretextos das manifestações violentas que tomaram as ruas de Santiago há um ano. Piñera cedeu à pressão da esquerda radical, “negociou” sob a mira de armas, eis o fato. E é ingenuidade imaginar que não teremos mudanças populistas à frente.

Mexer em uma Constituição é sempre um perigo, é como fazer tábula rasa do passado. Nos Estados Unidos está vigente a mesma Constituição promulgada pelos “pais fundadores” em 1789, com menos de trinta emendas nesses mais de dois séculos. Isso transmite estabilidade política e jurídica, garante mais o império das leis. É verdade que alguns juízes ativistas também querem “empurrar a História”, mas a maioria conservadora entende seu papel de guardiã da Constituição.

No Brasil, a pretexto do que se deu no Chile, alguns passaram a falar em nova Constituição. Foi o caso do deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara. Ele disse que nossa Constituição tornou o país ingovernável, que distribui direitos em demasia e poucos deveres. É possível concordar com o diagnóstico, mas rejeitar o remédio. O vice-presidente Hamilton Mourão rechaçou a ideia de que haja qualquer intuito por parte do governo federal de mudar a Constituição, e é melhor que seja assim.

Só no século 20 tivemos uma Constituição em 1934, outra em 1937, mais uma em 1946, outra em 1967, e finalmente a Constituição de 1988. Talvez já tenha sido o suficiente. O que não quer dizer que a crítica feita pelo deputado seja injusta. Enquanto muitos políticos vibravam com a aprovação da “Constituição Cidadã”, um indivíduo com a mente mais lúcida lamentava aquele fato, antecipando quanto ele custaria ao povo brasileiro. Era o saudoso Roberto Campos, o único liberal no recinto, que chamara a Constituição de 1988 de “anacrônica”, remando contra a maré populista de seu tempo. Vale lembrar que ela foi promulgada um ano antes da queda do Muro de Berlim!


A Constituição de 1988 nos legou um multipartidarismo caótico


Em seu livro de memórias, Lanterna na Popa, Roberto Campos dedica várias linhas à Constituição de 1988, e todos aqueles que comemoram seu legado deveriam investir algum tempo para ler tais críticas. A inflação herdada da era Goulart, por exemplo, estava em quase 8% ao mês, mas a Constituição contava com um absurdo dispositivo que limitava os juros a 12% ao ano, uma “ridícula hipocrisia”. Uma Constituição mencionar limite para juros é algo realmente grotesco. Do ponto de vista tributário, a Constituição de 1988 gerou uma “vultosa redistribuição da capacidade tributária em favor de Estados e municípios, sem correspondente redistribuição de funções”. Sob o ponto de vista da estrutura tributária, Roberto Campos conclui que a Constituição “representou um lamentável retrocesso”.

Outro exemplo evidente do atraso causado pela Constituição foi o monopólio do petróleo garantido ao governo. A confusão entre “segurança nacional” e monopólio do governo não passava de uma grande falácia econômica. Campos explica que, “ao retardar o fluxo de capital para a exploração petrolífera local, criava-se adicional insegurança, pois nosso abastecimento ficaria na dependência de suprimentos extracontinentais, carregados por via marítima e portanto sujeitos à vulnerabilidade submarina”.

Um grave problema do Brasil, a desproporcionalidade da representação na Câmara dos Deputados em desfavor do centro-sul, foi bastante agravado com a Constituição de 1988. A criação de Estados na Constituição gerava uma distorção ainda maior, particularmente contra São Paulo. Para eleger um deputado nordestino, com o mesmo poder de um paulista, precisa-se de bem menos votos. Isso acarreta um deslocamento de poder para as Regiões Norte e Nordeste, dificultando reformas econômicas que seriam mais facilmente aprovadas se dependessem da escolha do Sul e do Sudeste, que carregam a economia do país nas costas.

Além disso, ao remover quaisquer barreiras, tanto de criação como de representação legislativa dos partidos, a Constituição de 1988 “nos legou um multipartidarismo caótico com partidos nanicos que não representam parcelas significativas da opinião pública, sendo antes clubes personalistas e regionalistas ou exibicionismo de sutilezas ideológicas”. Conforme conclui Campos, ficamos muito mais com uma “demoscopia” que uma democracia.

Roberto Campos considerava que sua vida no Senado fora marcada por uma sucessão de batalhas perdidas. O ícone dessa fase, Ulysses Guimarães, defendia demagogicamente o objetivo constitucional de “passar o país a limpo”. As promessas simplesmente não cabiam no Orçamento, não levavam em conta a realidade. Como escreveu Campos, “Ulysses parecia encarar com desprezo a ideia de limites ou constrangimentos econômicos”. Para ele, tudo parecia ser uma questão de “vontade política”, expressão que muitos utilizam até hoje como solução mágica para nossos males. Roberto Campos chegou a acusar Ulysses, em artigo de jornal, de “um grau de ignorância desumana” em economia. Infelizmente, ele estava certo.


Misto de regulamento trabalhista e dicionário de utopias


A Constituição de 1988 foi extremamente reativa, uma espécie de “vingança infantil” aos tempos da ditadura. É compreensível que existisse uma demanda social reprimida naquela época. Mas o uso da Constituição como veículo para atender a essa demanda foi um grave erro. O grau de utopia presente na Constituição é assustador. Ela fala dezenas de vezes em “direitos”, mas quase nunca em “deveres”. O jurista Miguel Reale considerou a Constituição um ensaio de “totalitarismo normativo”, Yves Gandra Martins a chamou de “Constituição da hiperinflação”, e Eliezer Batista a acusou de instalar uma “surubocracia anarcossindicalista”.

O próprio Roberto Campos a descreveu como um misto de regulamento trabalhista e dicionário de utopias. Foi o “canto do cisne do nosso nacional-populismo”. Ulysses Guimarães a qualificou como a “Constituição dos miseráveis” e a “guardiã da governabilidade”. Foi justamente o contrário: uma Constituição contra os miseráveis e que garante a ingovernabilidade.

Dito tudo isso, por que então recusar a ideia de uma nova Constituinte? Justamente porque aquilo que é ruim pode ficar ainda pior. Existem as previsões constitucionais para mudanças estruturais, como as PEC (Propostas de Emenda Constitucional), e eis o caminho que deve ser usado. O deputado Paulo Eduardo Martins resumiu bem o risco: “Não gosto nem um pouco da ideia de uma nova Constituição para o Brasil. Além da ausência de fator social e histórico gerador, tenho convicção de que no atual cenário mundial viria algo ainda pior. Prefiro enfrentar a dificuldade de reformar o que temos ao risco de começar do zero e perder tudo”.

É a postura de cautela dos conservadores. “A raiva e o delírio destroem em uma hora mais coisas do que a prudência, o conselho, a previsão não poderiam construir em um século”, alertou Edmund Burke. Em suas reflexões sobre a Revolução Francesa, Burke questionou:

Não ignoro nem os erros nem os defeitos do governo que foi deposto na França, e nem a minha natureza nem a política me levam a fazer um inventário daquilo que é um objeto natural e justo de censura. […] Será verdadeiro, entretanto, que o governo da França estava em uma situação que não era possível fazer-se nenhuma reforma, a tal ponto que se tornou necessário destruir imediatamente todo o edifício e fazer tábua rasa do passado, pondo no seu lugar uma construção teórica nunca antes experimentada?

 Ou seja, devemos focar as reformas estruturais, não desviar o foco para uma revolução em todo o arcabouço constitucional neste momento. No mais, a mentalidade precisa mudar também, a cultura. Se nesse contexto atual uma nova Constituição for feita, alguém acha mesmo que a visão paternalista do Estado ficará de fora?

Por fim, temos o Supremo a levar em conta. Nosso STF, que deveria preservar a Constituição, é o primeiro a rasgá-la para preservar direitos de uma ex-presidente que sofreu impeachment, por exemplo. O mesmo STF abre um inquérito ilegal para “combater fake news”, na teoria, e perseguir críticos na prática. Em decisões monocráticas, os ministros resolvem soltar marginais de alta periculosidade ou reinterpretam a lei uma vez mais em menos de uma década para culminar na soltura de Lula.

Em resumo, o Brasil é mesmo um país complicado, com pouco apreço pelo império das leis. Mais parece uma República de Bananas, cuja Carta Magna trata de infindáveis aspectos insignificantes para uma Constituição, além de preservar incrível dose de arbítrio. Nesse cenário, faz menos sentido ainda concentrar energia e foco numa mudança constitucional. Mais importante é aprovar as reformas possíveis e ir, gradualmente, melhorando essa barafunda toda…
















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A PAIXÃO DESENFREADA PELO INSUCESSO

 por Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico. 

EMPATIA
Quem tem por hábito usar da EMPATIA, sentimento psicológico que possibilita sentir e/ou entender o que uma outra pessoa sente caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela, mais do que nunca, neste momento, é capaz de entender e avaliar o tamanho do sofrimento do ministro Paulo Guedes, da Economia, que luta desesperadamente na tentativa de tirar o Brasil desta incrível e já crônica SITUAÇÃO FISCAL que está metido, e que neste ano ficou ainda mais complicada por conta da PANDEMIA.


REAIS RESPONSÁVEIS
Pois, o que mais preocupa é que o imenso universo de pessoas que, ao invés de procurar entender, minimamente, o quanto são benéficas para o nosso empobrecido Brasil as propostas defendidas por Guedes e sua equipe, preferem, a olhos e ouvidos vistos, CONDENAR o ministro, deixando livres os REAIS CULPADOS, como é o caso dos deputados, senadores e ministros do STF que, sem a menor preocupação com a SITUAÇÃO FISCAL, ora engavetam e não raro DESAPROVAM as medidas que têm por objetivo propor a sempre sonhada retomada do crescimento da ECONOMIA BRASILEIRA.


SALVADORES DA PÁTRIA
Como se isto não bastasse, a mídia esquerdista, notoriamente apoiadora do POPULISMO/ASSISTENCIALISMO, prefere ouvir economistas fracassados, do tipo que já passaram por governos anteriores e que, ao invés de resolver os graves problemas que estamos enfrentando, dão entrevistas vestidos com a rota fantasia de SALVADORES DA PÁTRIA, com o inegável propósito de COMBATER AS IDEIAS LIBERAIS defendidas pelo ministro Guedes.


CULPADO
Neste clima recheado de muita má vontade e esbanjamento de informações equivocadas, o ministro Guedes é considerado pela mídia e seus aliados como FRACASSADO. Principalmente como CULPADO pelo atraso, ou impossibilidade das PRIVATIZAÇÕES e da não aprovação das REFORMAS que foram colocadas -em negrito- no Plano de Governo do presidente Bolsonaro ainda durante a campanha eleitoral.


ATUANTES DO SETOR PÚBLICO
Ora, a bem da verdade, sem precisar de EMPATIA, basta usar 1% do cérebro para entender que boa parte do Congresso Nacional é ocupado por políticos que atuam no SETOR PÚBLICO e, portanto, farão de tudo e mais um pouco para que as PRIVATIZAÇÕES não andem, assim como as REFORMAS que tem no seu bojo o propósito de DIMINUIR AS VANTAGENS E PRIVILÉGIOS que só cabem aos SERVIDORES DE PRIMEIRA CLASSE.


AMOR PELO CAOS
De novo: o ministro Paulo Guedes não cansa de dizer aquilo que o Brasil precisa para sair deste fétido ambiente de PRIVILÉGIOS e de GASTOS ABUSIVOS que os verdadeiros CULPADOS se recusam a atacar. Tais políticos somados aos ministros do STF são os RESPONSÁVEIS pela terrível SITUAÇÃO FISCAL que o país vive. Para essa gente não tem essa de AMOR À PÁTRIA. O AMOR É PELO SUCESSO PRÓPRIO E INSUCESSO DO PAÍS!












publicadaemhttp://www.puggina.org/artigo/convidados/a-paixao-desenfreada-pelo-insucesso/17289


A fake news da privatização do SUS

 ALEXANDRE GARCIA


A fake news da privatização do SUS


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"O ditador da calça apertada e o negócio da China",

 escreve Nilza Machado Faleiro de Souza


Ele era uma cara que parecia ser do bem. Esculachava o PT. Dava ao Luiz Inácio o nome correto pelo qual deve ser sempre chamado: LADRÃO!

Mais um que encantou e enganou os eleitores de Jair Bolsonaro.

Entretanto, era mais um que tinha tudo para dar certo. Mas preferiu pagar com traição.

O que mais surpreende hoje, que não importa se o eleitor é de direita ou de esquerda, todos têm seus motivos para odiar João Dória Jr.

Aquele que um dia apresentou renomado reality show, onde tinha a palavra final acerca dos sonhos dos aprendizes, demitindo-os a seu bel-prazer, hoje, vai, pouco a pouco revelando a essência de suas pretensões.

Gradativamente, João Dória está a poucos passos de se tornar o ditador da calça apertada no grande Estado de São Paulo.

Dória quer governar São Paulo com punho de ferro, e aterroriza o Brasil quando diz que todos serão obrigados a tomar a vacina chinesa.

Como todo bom ditador, quer retirar o direito que cada um de todos nós tem de recusar servir de cobaias para o experimento chinês apelidado de Coronavac, ou seja, a propalada vacina para o Covid 19.

O que assusta, não é a vacina, nem a agulhada. O que assusta são as coincidências. E as desconfianças.

Alguns podem falar que é teoria da conspiração. Eu vejo muitas coincidências. Coincidência demais.

O vírus maldito “surge” na China, em Wuhan – dizem que o vírus foi criado em Wuhan.

A China contém o vírus em uma área restrita – dizem que o vírus foi testado nesta área.

Chineses infectados, milagrosamente, conseguem autorização do PCC, e viajam pelo mundo espalhando a doença em quinze dias, justamente o período de incubação do vírus.

Com a pandemia instalada, o caos é implantado no mundo, as pessoas são confinadas em casa. As fábricas do mundo param.

As fábricas chinesas funcionam de vento em popa. O mundo é obrigado a comprar tudo da China. A China ganha TRILHÕES de dólares, euros e reais.

Agora, quando a curva da Covid inicia sua queda, o da calça apertada quer injetar em nós a vacina fabricada no mesmo lugar onde surgiu a doença?

É muita coincidência para o meu gosto.

Mas, para uns e outros, no Brasil e no mundo, isso é o que se pode chamar de “negócio da China”.
















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CAPAS DOS JORNAIS HOJE

 ANDRADE JUNIOR
























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