Por Amanda Lopes
Muitas coisas mudam de acordo de geração para geração. Por exemplo, quem nasceu entre os anos de 60 e 70 possuem algumas particularidades notórias.
Antes da internet e da comunicação instantânea, o mundo exigia um tipo diferente de atenção, paciência e convivência. Crianças e adolescentes que cresceram nas décadas de 60 e 70 aprenderam desde cedo a lidar com responsabilidades reais e a resolver conflitos de forma eficaz. Esse ambiente, com menos distrações digitais e mais interação humana direta, acabou moldando não apenas hábitos, mas também estruturas mentais específicas.
Hoje, psicólogos e pesquisadores observam que muitas dessas competências emocionais e cognitivas tornaram-se cada vez mais raras nas gerações atuais. A psicologia aponta que quem viveu a infância e a juventude nos anos 60 e 70 desenvolveu ao menos oito qualidades mentais que se destacam pela resiliência, maturidade emocional e capacidade de adaptação. Venha conferir!
1- Atenção e concentração
Pessoas que cresceram nas décadas de 60 e 70 desenvolveram uma relação muito mais sólida com o foco e a atenção contínua. Sem a presença constante de celulares, notificações e múltiplas telas disputando o olhar, era natural permanecer longos períodos concentrado em uma única tarefa, seja lendo um livro, estudando, trabalhando manualmente ou simplesmente conversando.
Do ponto de vista psicológico, isso favorece a memória, o pensamento crítico e a tolerância à frustração, já que os resultados nem sempre eram imediatos. Em comparação com as novas gerações nascidas na era da internet, os adultos mais velhos conseguem empregar estratégias de atenção mais eficientes para evitar distrações. Eles conseguem se concentrar em uma tarefa, terminando o que começaram.
2- Lidar com as expectativas
Crescer nas décadas de 60 e 70 significava lidar com uma realidade material mais simples e com expectativas muito mais moderadas sobre consumo, status e conforto. Brinquedos eram poucos, roupas duravam anos e a substituição constante de objetos não fazia parte da rotina.
Eles não precisavam das últimas novidades para se sentirem satisfeitos; não eram obcecados por possuir o modelo mais recente do iPhone ou aquela peça de roupa que um influenciador havia acabado de postar nas redes sociais. A psicologia moderna chama esses hábitos de contentamento com o que se tem de satisfação com a vida, enquanto no budismo é conhecido como desapego.
3- Tolerância ao desconforto sem entrar em pânico
Quem cresceu nessa época aprendeu, muitas vezes de forma espontânea, a conviver com pequenos desconfortos sem interpretá-los como uma ameaça imediata. Psicologicamente, isso fortalecia a regulação emocional e a capacidade de manter a calma diante de situações adversas. Sem a cultura da solução instantânea, essas pessoas desenvolveram mais resiliência, paciência e senso de proporção diante dos problemas.
Essa tolerância ao desconforto reduz a ansiedade, melhora a tomada de decisões e evita reações impulsivas. Em contraste com o cenário atual, em que qualquer incômodo tende a gerar urgência e alarme, essa habilidade se tornou uma vantagem psicológica cada vez mais rara.
4- A percepção de que o resultado depende do esforço
Na psicologia, o conceito de locus de controle descreve o quanto uma pessoa acredita que tem influência direta sobre os acontecimentos da própria vida. Quem cresceu nas décadas de 60 e 70 foi educado em um ambiente no qual o esforço pessoal, a disciplina e a constância eram vistos como fatores decisivos para alcançar resultados. Sem a hiperconectividade e a exposição permanente a comparações externas, predominava a sensação de: estudar mais, trabalhar melhor e persistir realmente fazia diferença.
Esse padrão moldou adultos mais autônomos, responsáveis e confiantes na própria capacidade de superar desafios. Em contraste, o cenário atual tende a estimular uma percepção maior de imprevisibilidade e dependência de fatores externos.
5- A recompensa não é instantânea
No século XXI, vivemos imersos na lógica da gratificação imediata: comida chega em minutos, compras são feitas em poucos cliques e a informação está sempre disponível instantaneamente. Para quem cresceu nas décadas de 60 e 70, porém, a experiência era completamente diferente. As recompensas precisavam ser planejadas, aguardadas e, muitas vezes, conquistadas com esforço contínuo.
Psicologicamente, aprender a lidar com o tempo e com a expectativa fortalece a tolerância à frustração e reduz comportamentos impulsivos.
6- Capacidade de lidar com os conflitos cara a cara
Antes da popularização das mensagens instantâneas e das redes sociais, a maioria dos conflitos precisava ser resolvida presencialmente. Conversas difíceis aconteciam olho no olho. Esse contato direto favorecia o desenvolvimento da empatia, da assertividade e da negociação em tempo real. Diferentemente do que ocorre hoje, em que rompimentos, demissões e discussões muitas vezes acontecem por mensagens, as pessoas aprendiam a sustentar diálogos desconfortáveis sem se esconder atrás de uma tela.
A literatura psicológica aponta que a redução dessas interações presenciais pode enfraquecer interações sociais básicas e aumentar sentimentos de insegurança e mal-entendidos.
7- Separar as decisões práticas das emoções
Sempre se soube que tomar decisões importantes no calor da emoção aumenta o risco de arrependimentos e conflitos futuros. Pessoas que cresceram nas décadas de 60 e 70 desenvolveram uma maior capacidade de regulação emocional.
Hoje, com a amplificação emocional promovida pelas redes e pela velocidade da informação, essa separação entre emoção e decisão tornou-se mais difícil. Psicologicamente, essa habilidade protege contra impulsividade, conflitos desnecessários e decisões precipitadas, fortalecendo o equilíbrio mental e a autonomia.
8- Resiliência psicológica baseada em tentativa e erro
Resolver problemas exigia criatividade, paciência e muita experimentação. Sem acesso imediato a tutoriais ou assistentes digitais, as pessoas precisavam testar soluções, cometer erros e aprender com a própria experiência.
Esse processo fortalecia a autoconfiança e a sensação de competência pessoal. A psicologia descreve esse fenômeno como resiliência por domínio: a segurança interna que nasce da superação independente de desafios e da construção gradual de habilidades. Diferentemente do cenário atual, em que quase todas as respostas estão a um clique de distância, aquele contexto estimulava a persistência e a tolerância ao fracasso.
PUBLICADAEMhttps://www.tudogostoso.com.br/noticias/a-psicologia-afirma-que-as-pessoas-que-cresceram-nas-decadas-de-60-e-70-desenvolveram-oito-qualidades-mentais-que-sao-raras-hoje-em-dia-a25713.htm
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