Jornalista Andrade Junior

terça-feira, 5 de agosto de 2025

'A missão brasileira na Lua',

 por Guilherme Fiuza  'É que o governo brasileiro quis jogar truco com os imperialistas, aí a porta se fechou'


— Estou ansioso. 


— Por quê? 


— Nunca passei por isso antes. 


— Fica tranquilo. 


— Vou tentar. Mas não é todo dia que se encontra o presidente dos Estados Unidos. 


— Como assim? 


— Ué? É normal encontrar o presidente dos Estados Unidos? Você já o encontrou alguma vez? 


— Não. 


— Então? Não está ansioso? 


— Não. — Tomou calmante?


 — Não. 


— A expectativa de encontrar o homem mais poderoso do mundo não te afeta? 


— Não. 


— Por quê? 


— Acho que é porque eu não vou encontrar o homem mais poderoso do mundo.


— Não vai?! Mas a gente não está aqui pra isso? Você tem que vir com a gente. 


— Eu vou estar com vocês o tempo todo. 


— Ah, então você vai encontrar o presidente dos EUA. 


— Não vou. 


— Por quê? 


— Porque você também não vai. Nenhum de nós vai encontrar o presidente dos EUA. 


— Como assim?! A Casa Branca desmarcou a reunião? 


— Não. — Então não estou entendendo. 


— Não desmarcou porque não marcou. Entendeu agora? 


— Estou confuso. Nós não viemos a Washington negociar a redução do tarifaço? 


— Tipo isso. 


— Então nós vamos conversar com quem? O presidente vai mandar o segundo dele pra se encontrar conosco? 


— Não. 


— O terceiro? 


— Não. 


— O quarto? 


— Não. 


— Ah, espera aí! Somos senadores da República! Negociar com o quinto escalão já é humilhação. 


— Também não seremos recebidos pelo quinto escalão. 


— Que loucura! Como vai ser a nossa agenda em Washington então? 


— Fala baixo. 


— Por quê? 


— Porque a nossa agenda é secreta. 


— Os chineses não podem saber? 


— Os brasileiros. 


promisso nos EUA? 


— Uma reunião para discussão de estratégia. 


— Pelo menos isso. Com quem vamos nos reunir? 


— Com a gente mesmo. 


— O quê? Por que a gente não fez essa reunião no Brasil? 


— Não faz pergunta difícil. Vamos focar. 


— Focar em quê?


— Na discussão sobre a nossa próxima reunião.


— Ah, já temos então outra reunião marcada. Que bom. Com qual autoridade norte-americana? 


— Vamos encontrar uma autoridade brasileira. 


— Na capital dos EUA? 


— Sim. A embaixadora do Brasil. 


— Ela vai nos colocar em contato com algum interlocutor do governo Trump? 


— Não. Ela não tem contato com o governo Trump. 


— Não é possível. Ela é a nossa embaixadora em Washington! 


— É que o governo brasileiro quis jogar truco com os imperialistas, aí a porta se fechou.


 — E o que ela fez? — Saiu de férias. — Então ela vai nos contar as férias dela? 


— Já é um começo, né? 


— É. 


— Aí, depois, quem sabe a gente consegue uma audiência com o Obama. 


— O Obama?! Mas ele é oposição. E está sendo processado pelo governo. 


— Pois é.


— Você acha que mesmo assim ele pode nos ajudar a amenizar o tarifaço? 


— Claro que não. 


— Então pra que encontrar o Obama? 


— Algum americano a gente tem que encontrar nos Estados Unidos, né?


 — Tem razão. Mas será que não seria mais barato a gente ter feito isso lá do Brasil mesmo, pela internet? 


— Que internet? 




Guilherme Fiuza - Revista Oeste










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