Percival Puggina
SĆ£o 20 horas e 11 minutos do dia 30 de outubro. Acabei de ouvir o deputado Arthur Lira manifestar-se oficialmente sobre o resultado da eleição mais manipulada que jĆ” presenciei que entregou a Lula a presidĆŖncia da RepĆŗblica. Ele terminou seu pronunciamento com um “Viva a democracia!”.
Este Ć© o meu modesto pronunciamento. Temo os anos por vir. Esta eleição nĆ£o Ć© o Ć”pice de uma disputa polĆtica. Muito mais estava em debate. Eram duas visƵes antagĆ“nicas de pessoa humana, de sociedade, de Estado! O processo era polĆtico-eleitoral, mas o que mobilizava aqueles que, por pouco mais de 1% dos votos perderam a eleição, eram questƵes sociais, econĆ“micas, filosóficas, espirituais, civilizacionais, que tĆnhamos e preservaremos como fundamentais para o Brasil que amamos e queremos para nossos filhos e netos.
O paĆs marcou, hoje, um reencontro com o passado. Estamos voltando a 2003, quando Lula e seu partido assumiram o Brasil com a economia arrumada pelo Plano Real (a que se haviam oposto) e o perderam em 2016 numa mistura sinistra de inflação, depressĆ£o e corrupção. Por Deus, que nĆ£o se reproduza a tragĆ©dia!
No entanto, ainda que tenha essa compreensĆ£o sobre o acontecimento de hoje, eu quero o bem do paĆs. Considero impossĆvel que ele venha pelas mĆ£os de Lula e da esquerda. Mas jamais direi uma palavra contra meu paĆs, jamais irei macular sua imagem, jamais farei o que nos Ćŗltimos seis anos fizeram aqueles que hoje comemoram a retomada do poder. Para mim, quanto pior, pior para todos; quanto melhor, melhor para todos.
Infelizmente, em nosso sistema polĆtico, sobre cujos defeitos tanto tenho escrito, a democracia a que Arthur Lira ainda agora deu vivas acabou minutos antes. A democracia Ć© o flash da eleição. Ć como um relĆ¢mpago com dia e tempo certos para acontecer. EstĆ” marcado no calendĆ”rio constitucional. Depois, o que resta, o que resta a partir de agora, Ć© o estado de direito e este, atravĆ©s do legislativo e do judiciĆ”rio, tem se revelado surdo e cego ao povo, senhor da eleição. Ao longo dos Ćŗltimos anos tivemos tantas evidĆŖncias disso!
Essa deficiĆŖncia sensorial, nos Ćŗltimos quatro anos, foi um problema gravĆssimo. Como desserviu Ć democracia um STF que colegiadamente se proclamou “contramajoritĆ”rio”! No entanto, tal deficiĆŖncia veio acentuada por sucessivos ataques Ć s liberdades essenciais de opiniĆ£o e expressĆ£o, lesadas desde bem antes do processo eleitoral.
Estarei, portanto, na resistĆŖncia por verdades, princĆpios, valores e liberdade. Torcendo pelo bem do Brasil e seu povo. AgradeƧo ao presidente Bolsonaro e sua equipe pelo muito que fizeram sob as piores condiƧƵes que se possa imaginar, fortuitas e provocadas, mas sempre sinistras.
publicadaemhttps://www.puggina.org/artigo/depois-da-hora-mais-grave__17679





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